ANTIGO TESTAMENTO














[Gênesis 1]I. ORIGEM DO MUNDO E DA HUMANIDADE

1. A CRIAÇÃO

Gênesis 1

A HUMANIDADE, PONTO ALTO DA CRIAÇÃO
1. No princípio, Deus criou o céu e a terra.
2. A terra estava sem forma e vazia; as trevas cobriam o abismo e um vento impetuoso soprava sobre as águas.
3. Deus disse: "Que exista a luz!" E a luz começou a existir.
4. Deus viu que a luz era boa. E Deus separou a luz das trevas:
5. à luz Deus chamou "dia", e às trevas chamou "noite". Houve uma tarde e uma manhã: foi o primeiro dia.
6. Deus disse: "Que exista um firmamento no meio das águas para separar águas de águas!"
7. Deus fez o firmamento para separar as águas que estão acima do firmamento das águas que estão abaixo do firmamento. E assim se fez.
8. E Deus chamou ao firmamento "céu". Houve uma tarde e uma manhã: foi o segundo dia.
9. Deus disse: "Que as águas que estão debaixo do céu se ajuntem num só lugar, e apareça o chão seco". E assim se fez.
10. E Deus chamou ao chão seco "terra", e ao conjunto das águas "mar". E Deus viu que era bom.
11. Deus disse: "Que a terra produza relva, ervas que produzam semente, e árvores que dêem frutos sobre a terra, frutos que contenham semente, cada uma segundo a sua espécie". E assim se fez.
12. E a terra produziu relva, ervas que produzem semente, cada uma segundo a sua espécie, e árvores que dão fruto com a semente, cada uma segundo a sua espécie. E Deus viu que era bom.
13. Houve uma tarde e uma manhã: foi o terceiro dia.
14. Deus disse: "Que existam luzeiros no firmamento do céu, para separar o dia da noite e para marcar festas, dias e anos;
15. e sirvam de luzeiros no firmamento do céu para iluminar a terra". E assim se fez.
16. E Deus fez os dois grandes luzeiros: o luzeiro maior para regular o dia, o luzeiro menor para regular a noite, e as estrelas.
17. Deus os colocou no firmamento do céu para iluminar a terra,
18. para regular o dia e a noite e para separar a luz das trevas. E Deus viu que era bom.
19. Houve uma tarde e uma manhã: foi o quarto dia.
20. Deus disse: "Que as águas fiquem cheias de seres vivos e os pássaros voem sobre a terra, sob o firmamento do céu".
21. E Deus criou as baleias e os seres vivos que deslizam e vivem na água, conforme a espécie de cada um, e as aves de asas conforme a espécie de cada uma. E Deus viu que era bom.
22. E Deus os abençoou e disse: "Sejam fecundos, multipliquem-se e encham as águas do mar; e que as aves se multipliquem sobre a terra".
23. Houve uma tarde e uma manhã: foi o quinto dia.
24. Deus disse: "Que a terra produza seres vivos conforme a espécie de cada um: animais domésticos, répteis e feras, cada um conforme a sua espécie". E assim se fez.
25. E Deus fez as feras da terra, cada uma conforme a sua espécie; os animais domésticos, cada um conforme a sua espécie; e os répteis do solo, cada um conforme a sua espécie. E Deus viu que era bom.
26. Então Deus disse: "Façamos o homem à nossa imagem e semelhança. Que ele domine os peixes do mar, as aves do céu, os animais domésticos, todas as feras e todos os répteis que rastejam sobre a terra".
27. E Deus criou o homem à sua imagem; à imagem de Deus ele o criou; e os criou homem e mulher.
28. E Deus os abençoou e lhes disse: "Sejam fecundos, multipliquem-se, encham e submetam a terra; dominem os peixes do mar, as aves do céu e todos os seres vivos que rastejam sobre a terra".
29. E Deus disse: "Vejam! Eu entrego a vocês todas as ervas que produzem semente e estão sobre toda a terra, e todas as árvores em que há frutos que dão semente: tudo isso será alimento para vocês.
30. E para todas as feras, para todas as aves do céu e para todos os seres que rastejam sobre a terra e nos quais há respiração de vida, eu dou a relva como alimento". E assim se fez.
31. E Deus viu tudo o que havia feito, e tudo era muito bom. Houve uma tarde e uma manhã: foi o sexto dia.

[Gênesis 2]Gênesis 2

1. Assim foram concluídos o céu e a terra com todo o seu exército.
2. No sétimo dia, Deus terminou todo o seu trabalho; e no sétimo dia, ele descansou de todo o seu trabalho.
3. Deus então abençoou e santificou o sétimo dia, porque foi nesse dia que Deus descansou de todo o seu trabalho como criador.
4a. Essa é a história da criação do céu e da terra.

A HUMANIDADE É O CENTRO DA CRIAÇÃO
4b. Quando Javé Deus fez a terra e o céu,
5. ainda não havia na terra nenhuma planta do campo, pois no campo ainda não havia brotado nenhuma erva: Javé Deus não tinha feito chover sobre a terra e não havia homem que cultivasse o solo
6. e fizesse subir da terra a água para regar a superfície do solo.
7. Então Javé Deus modelou o homem com a argila do solo, soprou-lhe nas narinas um sopro de vida, e o homem tornou-se um ser vivente.
8. Javé Deus plantou um jardim em Éden, no Oriente, e aí colocou o homem que havia modelado.
9. Javé Deus fez brotar do solo todas as espécies de árvores formosas de ver e boas de comer. Além disso, colocou a árvore da vida no meio do jardim, e também a árvore do conhecimento do bem e do mal.
10. Um rio saía de Éden para regar o jardim, e de lá se dividia em quatro braços.
11. O primeiro chama-se Fison: é aquele que rodeia toda a terra de Hévila, onde existe ouro;
12. e o ouro dessa terra é puro, e nela se encontram também o bdélio e a pedra de ônix.
13. O segundo rio chama-se Geon: ele rodeia toda a terra de Cuch.
14. O terceiro rio chama-se Tigre e corre pelo oriente da Assíria. O quarto rio é o Eufrates.
15. Javé Deus tomou o homem e o colocou no jardim de Éden, para que o cultivasse e guardasse.
16. E Javé Deus ordenou ao homem: "Você pode comer de todas as árvores do jardim.
17. Mas não pode comer da árvore do conhecimento do bem e do mal, porque no dia em que dela comer, com certeza você morrerá".
18. Javé Deus disse: "Não é bom que o homem esteja sozinho. Vou fazer para ele uma auxiliar que lhe seja semelhante".
19. Então Javé Deus formou do solo todas as feras e todas as aves do céu. E as apresentou ao homem para ver com que nome ele as chamaria: cada ser vivo levaria o nome que o homem lhe desse.
20. O homem deu então nome a todos os animais, às aves do céu e a todas as feras. Mas o homem não encontrou uma auxiliar que lhe fosse semelhante.
21. Então Javé Deus fez cair um torpor sobre o homem, e ele dormiu. Tomou então uma costela do homem e no lugar fez crescer carne.
22. Depois, da costela que tinha tirado do homem, Javé Deus modelou uma mulher, e apresentou-a para o homem.
23. Então o homem exclamou: "Esta sim é osso dos meus ossos e carne da minha carne! Ela será chamada mulher, porque foi tirada do homem!"
24. Por isso, um homem deixa seu pai e sua mãe, e se une à sua mulher, e eles dois se tornam uma só carne.
25. Ora, o homem e sua mulher estavam nus, porém, não sentiam vergonha.

[Gênesis 3]2. AMBIGÜIDADE HUMANA E GRAÇA DE DEUS

Gênesis 3

A ORIGEM DO MAL
1. A serpente era o mais astuto de todos os animais do campo que Javé Deus havia feito. Ela disse para a mulher: "É verdade que Deus disse que vocês não devem comer de nenhuma árvore do jardim?"
2. A mulher respondeu para a serpente: "Nós podemos comer dos frutos das árvores do jardim.
3. Mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, Deus disse: 'Vocês não comerão dele, nem o tocarão, do contrário vocês vão morrer' ".
4. Então a serpente disse para a mulher: "De modo nenhum vocês morrerão.
5. Mas Deus sabe que, no dia em que vocês comerem o fruto, os olhos de vocês vão se abrir, e vocês se tornarão como deuses, conhecedores do bem e do mal".
6. Então a mulher viu que a árvore tentava o apetite, era uma delícia para os olhos e desejável para adquirir discernimento. Pegou o fruto e o comeu; depois o deu também ao marido que estava com ela, e também ele comeu.
7. Então abriram-se os olhos dos dois, e eles perceberam que estavam nus. Entrelaçaram folhas de figueira e fizeram tangas.
8. Em seguida, eles ouviram Javé Deus passeando no jardim à brisa do dia. Então o homem e a mulher se esconderam da presença de Javé Deus, entre as árvores do jardim.
9. Javé Deus chamou o homem: "Onde está você?"
10. O homem respondeu: "Ouvi teus passos no jardim: tive medo, porque estou nu, e me escondi".
11. Javé Deus continuou: "E quem lhe disse que você estava nu? Por acaso você comeu da árvore da qual eu lhe tinha proibido comer?"
12. O homem respondeu: "A mulher que me deste por companheira deu-me o fruto, e eu comi".
13. Javé Deus disse para a mulher: "O que foi que você fez?" A mulher respondeu: "A serpente me enganou, e eu comi".
14. Então Javé Deus disse para a serpente: "Por ter feito isso, você é maldita entre todos os animais domésticos e entre todas as feras. Você se arrastará sobre o ventre e comerá pó todos os dias de sua vida.
15. Eu porei inimizade entre você e a mulher, entre a descendência de você e os descendentes dela. Estes vão lhe esmagar a cabeça, e você ferirá o calcanhar deles".
16. Javé Deus disse então para a mulher: "Vou fazê-la sofrer muito em sua gravidez: entre dores, você dará à luz seus filhos; a paixão vai arrastar você para o marido, e ele a dominará".
17. Javé Deus disse para o homem: "Já que você deu ouvidos à sua mulher e comeu da árvore cujo fruto eu lhe tinha proibido comer, maldita seja a terra por sua causa. Enquanto você viver, você dela se alimentará com fadiga.
18. A terra produzirá para você espinhos e ervas daninhas, e você comerá a erva dos campos.
19. Você comerá seu pão com o suor do seu rosto, até que volte para a terra, pois dela foi tirado. Você é pó, e ao pó voltará".
20. O homem deu à sua mulher o nome de Eva, por ser ela a mãe de todos os que vivem.
21. Javé Deus fez túnicas de pele para o homem e sua mulher, e os vestiu.
22. Depois Javé Deus disse: "O homem se tornou como um de nós, conhecedor do bem e do mal. Que ele, agora, não estenda a mão e colha também da árvore da vida, e coma, e viva para sempre".
23. Então Javé Deus expulsou o homem do jardim de Éden para cultivar o solo de onde fora tirado.
24. Ele expulsou o homem e colocou diante do jardim de Éden os querubins e a espada chamejante, para guardar o caminho da árvore da vida.

[Gênesis 4]Gênesis 4

O ROMPIMENTO DA FRATERNIDADE
1. O homem se uniu a Eva, sua mulher, e ela concebeu e deu à luz Caim. E disse: "Adquiri um homem com a ajuda de Javé".
2. Depois ela também deu à luz Abel, irmão de Caim. Abel tornou-se pastor de ovelhas e Caim cultivava o solo.
3. Depois de algum tempo, Caim apresentou produtos do solo como oferta a Javé.
4. Abel, por sua vez, ofereceu os primogênitos e a gordura do seu rebanho. Javé gostou de Abel e de sua oferta,
5. e não gostou de Caim e da oferta dele. Caim ficou então muito enfurecido e andava de cabeça baixa.
6. E Javé disse a Caim: "Por que você está enfurecido e anda de cabeça baixa?
7. Se você agisse bem, andaria com a cabeça erguida; mas, se você não age bem, o pecado está junto à porta, como fera acuada, espreitando você. Por acaso, será que você pode dominá-la?"
8. Entretanto, Caim disse a seu irmão Abel: "Vamos sair". E quando estavam no campo, Caim se lançou contra o seu irmão Abel e o matou.
9. Então Javé perguntou a Caim: "Onde está o seu irmão Abel?" Caim respondeu: "Não sei. Por acaso eu sou o guarda do meu irmão?"
10. Javé disse: "O que foi que você fez? Ouço o sangue do seu irmão, clamando da terra para mim.
11. Por isso você é amaldiçoado por essa terra que abriu a boca para receber de suas mãos o sangue do seu irmão.
12. Ainda que você cultive o solo, ele não lhe dará mais o seu produto. Você andará errante e perdido pelo mundo".
13. Caim disse a Javé: "Minha culpa é grave e me atormenta.
14. Se hoje me expulsas do solo fértil, terei de esconder-me de ti, andando errante e perdido pelo mundo; o primeiro que me encontrar, me matará".
15. Javé lhe respondeu: "Quem matar Caim será vingado sete vezes". E Javé colocou um sinal sobre Caim, a fim de que ele não fosse morto por quem o encontrasse.
16. Caim saiu da presença de Javé, e habitou na terra de Nod, a leste de Éden.

PROGRESSO E VIOLÊNCIA
17. Caim se uniu à sua mulher, que concebeu e deu à luz Henoc. Caim construiu uma cidade, e deu à cidade o nome de seu filho Henoc.
18. Henoc gerou Irad, e Irad gerou Maviael; Maviael gerou Matusael, e Matusael gerou Lamec.
19. Lamec tomou para si duas mulheres: a primeira se chamava Ada e a segunda se chamava Sela.
20. Ada deu à luz Jabel, que foi o antepassado dos pastores nômades.
21. Seu irmão se chamava Jubal, que foi o antepassado de todos os tocadores de lira e flauta.
22. Sela, por sua vez, deu à luz Tubalcaim, que foi o antepassado de todos os que forjam ferramentas de bronze e ferro. A irmã de Tubalcaim era Noema.
23. Lamec disse para as suas mulheres: "Ada e Sela, ouçam minha voz; mulheres de Lamec, escutem minha palavra: Por uma ferida, eu matarei um homem, e por uma cicatriz matarei um jovem.
24. Se a vingança de Caim valia por sete, a de Lamec valerá por setenta e sete".
25. Adão se uniu à sua mulher; ela deu então à luz um filho, e lhe deu o nome de Set, dizendo: "Deus me concedeu outro descendente no lugar de Abel, que Caim matou".
26. Set também teve um filho, a quem deu o nome de Enós. Este foi o primeiro a invocar o nome de Javé.

[Gênesis 5]Gênesis 5

A SALVAÇÃO PRESENTE NA HISTÓRIA
1. Lista dos descendentes de Adão: Quando Deus criou Adão, ele o fez à semelhança de Deus.
2. Homem e mulher ele os criou, os abençoou e lhes deu o nome de "Homem", no mesmo dia em que foram criados.
3. Quando Adão completou cento e trinta anos, gerou um filho à sua semelhança e imagem, e lhe deu o nome de Set.
4. O tempo que Adão viveu, depois do nascimento de Set, foi de oitocentos anos, e gerou filhos e filhas.
5. Ao todo, Adão viveu novecentos e trinta anos. E morreu.
6. Quando Set completou cento e cinco anos, gerou Enós.
7. Depois do nascimento de Enós, Set viveu oitocentos e sete anos, e gerou filhos e filhas.
8. Ao todo, Set viveu novecentos e doze anos. E morreu.
9. Quando Enós completou noventa anos, gerou Cainã.
10. Depois do nascimento de Cainã, Enós viveu oitocentos e quinze anos, e gerou filhos e filhas.
11. Ao todo, Enós viveu novecentos e cinco anos. E morreu.
12. Quando Cainã completou setenta anos, gerou Malaleel.
13. Depois do nascimento de Malaleel, Cainã viveu oitocentos e quarenta anos, e gerou filhos e filhas.
14. Ao todo, Cainã viveu novecentos e dez anos. E morreu.
15. Quando Malaleel completou sessenta e cinco anos, gerou Jared.
16. Depois do nascimento de Jared, Malaleel viveu oitocentos e trinta anos, e gerou filhos e filhas.
17. Ao todo, Malaleel viveu oitocentos e noventa e cinco anos. E morreu.
18. Quando Jared completou cento e sessenta e dois anos, gerou Henoc.
19. Depois do nascimento de Henoc, Jared viveu oitocentos anos, e gerou filhos e filhas.
20. Ao todo, Jared viveu novecentos e sessenta e dois anos. E morreu.
21. Quando Henoc completou sessenta e cinco anos, gerou Matusalém.
22. Henoc andou com Deus. Depois do nascimento de Matusalém, Henoc viveu trezentos anos, e gerou filhos e filhas.
23. Ao todo, Henoc viveu trezentos e sessenta e cinco anos.
24. Henoc andou com Deus e desapareceu, porque Deus o arrebatou.
25. Quando Matusalém completou cento e oitenta e sete anos, gerou Lamec.
26. Depois do nascimento de Lamec, Matusalém viveu setecentos e oitenta e dois anos, e gerou filhos e filhas.
27. Ao todo, Matusalém viveu novecentos e sessenta e nove anos. E morreu.
28. Quando Lamec completou cento e oitenta e dois anos, gerou um filho.
29. Deu-lhe o nome de Noé, dizendo: "Este nos consolará do trabalho e do cansaço de nossas mãos, causados pela terra que Javé amaldiçoou".
30. Depois do nascimento de Noé, Lamec viveu quinhentos e noventa e cinco anos, e gerou filhos e filhas.
31. Ao todo, Lamec viveu setecentos e setenta e sete anos. E morreu.
32. Quando Noé completou quinhentos anos, gerou Sem, Cam e Jafé.

[Gênesis 6]Gênesis 6

O AUGE DA CORRUPÇÃO
1. Quando os homens se multiplicaram sobre a terra e geraram filhas,
2. os filhos de Deus viram que as filhas dos homens eram belas, e escolheram como esposas todas aquelas que lhes agradaram.
3. Javé disse: "Meu sopro de vida não permanecerá para sempre no homem, pois ele é carne, e não viverá mais do que cento e vinte anos".
4. Nesse tempo - isto é, quando os filhos de Deus se uniram com as filhas dos homens e geraram filhos - os gigantes habitavam a terra. Esses foram os heróis famosos dos tempos antigos.
5. Javé viu que a maldade do homem crescia na terra e que todo projeto do coração humano era sempre mau.
6. Então Javé se arrependeu de ter feito o homem sobre a terra, e seu coração ficou magoado.
7. E Javé disse: "Vou exterminar da face da terra os homens que criei, e junto também os animais, os répteis e as aves do céu, porque me arrependo de os ter feito".
8. Noé, porém, encontrou graça aos olhos de Javé.

O JUSTO PRESERVA A VIDA
9. Eis a história de Noé. Noé era um homem justo, íntegro entre seus contemporâneos, e andava com Deus.
10. Noé gerou três filhos: Sem, Cam e Jafé.
11. A terra se corrompera diante de Deus e estava cheia de violência.
12. Deus viu a terra corrompida, porque todo homem da terra tinha se corrompido em seu comportamento.
13. Então Deus disse a Noé: "Para mim, chegou o fim de todos os homens, porque a terra está cheia de violência por causa deles. Vou destruí-los junto com a terra.
14. Faça para você uma arca de madeira resinosa; divida em compartimentos e calafete com piche, por dentro e por fora.
15. A arca deverá ter as seguintes dimensões: cento e cinqüenta metros de comprimento, vinte e cinco de largura e quinze de altura.
16. No alto da arca, faça uma clarabóia de meio metro, como arremate. Faça a entrada da arca pelo lado; e faça a arca em três andares superpostos.
17. Eu vou mandar o dilúvio sobre a terra, para exterminar todo ser vivo que respira debaixo do céu: tudo o que há na terra vai perecer.
18. Mas com você eu vou estabelecer a minha aliança, e você entrará na arca com sua mulher, seus filhos e as mulheres de seus filhos.
19. Tome um casal de cada ser vivo, isto é, macho e fêmea, e coloque-os na arca, para que conservem a vida juntamente com você.
20. De cada espécie de aves, de cada espécie de animais, de cada espécie de todos os répteis da terra, tome com você um casal, para os conservar vivos.
21. Quanto a você, ajunte e armazene todo tipo de alimento; isso vai servir de alimento para você e para eles".
22. E Noé fez tudo como Deus havia mandado.

[Gênesis 7]Gênesis 7

1. Javé disse a Noé: "Entre na arca com toda a sua família, porque você é o único justo que encontrei nesta geração.
2. Tome sete pares, o macho e a fêmea, de todos os animais puros; tome um casal, o macho e a fêmea, dos animais que não são puros;
3. e tome também sete pares, macho e fêmea, das aves do céu, para perpetuarem a espécie sobre toda a terra.
4. Porque eu, daqui a sete dias, farei chover sobre a terra durante quarenta dias e quarenta noites, e eliminarei da face da terra todos os seres que eu fiz".
5. E Noé fez tudo como Javé havia mandado.

O RETORNO AO CAOS
6. Noé tinha seiscentos anos quando o dilúvio veio sobre a terra.
7. Noé, com seus filhos, sua mulher e as mulheres de seus filhos, entrou na arca para escapar das águas do dilúvio.
8. Dos animais puros e impuros, das aves e dos répteis,
9. entrou um casal, macho e fêmea, na arca de Noé, conforme Deus havia ordenado a Noé.
10. Depois de sete dias, veio o dilúvio sobre a terra.
11. Noé tinha seiscentos anos quando se arrebentaram as fontes do oceano e se abriram as comportas do céu. Era exatamente o décimo sétimo dia do segundo mês.
12. E a chuva caiu sobre a terra durante quarenta dias e quarenta noites.
13. Nesse mesmo dia, entraram na arca Noé e seus filhos Sem, Cam e Jafé, com a mulher de Noé e as três mulheres de seus filhos;
14. e, com eles, as feras de toda espécie, animais domésticos de toda espécie, répteis de toda espécie, pássaros de toda espécie, todas as aves, tudo o que tem asas.
15. Com Noé entrou na arca um casal de tudo o que é criatura que tem sopro de vida;
16. e os que entraram, eram um macho e uma fêmea de cada ser vivo, conforme Deus havia ordenado. E Javé fechou a porta por fora.
17. Durante quarenta dias caiu o dilúvio sobre a terra. As águas subiram e ergueram a arca, que ficou acima da terra.
18. As águas subiram e cresceram muito sobre a terra. E a arca flutuava sobre as águas.
19. As águas subiam cada vez mais sobre a terra, até cobrirem as montanhas mais altas que há debaixo do céu.
20. A água alcançou a altura de sete metros e meio acima das montanhas.
21. Pereceram todos os seres vivos que se movem sobre a terra: aves, animais domésticos, feras, tudo o que vive sobre a terra e todos os homens.
22. Morreu então tudo o que tinha sopro de vida nas narinas, isto é, tudo o que estava em terra firme.
23. Desapareceram todos os seres que estavam no solo, desde o homem até os animais, os répteis e as aves do céu. Foram todos extintos da terra. Ficou somente Noé e os que com ele estavam na arca.
24. E a enchente encobriu a terra durante cento e cinqüenta dias.

[Gênesis 8]Gênesis 8

A NOVA CRIAÇÃO
1. Então Deus se lembrou de Noé e de todas as feras e animais domésticos que estavam com ele na arca. Deus fez soprar um vento sobre a terra, e as águas baixaram.
2. As fontes do oceano e as comportas do céu se fecharam, a chuva parou de cair,
3. e as águas, pouco a pouco, se retiraram da terra. As águas se retiraram depois de cento e cinqüenta dias.
4. No décimo sétimo dia do sétimo mês, a arca encalhou sobre os montes de Ararat.
5. E as águas continuaram escoando até o décimo mês, e no primeiro dia do décimo mês apareceram os picos das montanhas.
6. No fim de quarenta dias, Noé abriu a clarabóia que tinha feito na arca,
7. e soltou o corvo, que ia e vinha, esperando que as águas secassem sobre a terra.
8. Então Noé soltou a pomba que estava com ele, para ver se as águas tinham secado sobre a terra.
9. Ora, a pomba, não encontrando lugar para pousar, voltou para Noé na arca, porque havia água sobre toda a superfície da terra. Noé estendeu a mão, pegou-a e a fez entrar junto dele na arca.
10. Esperou mais sete dias, e soltou de novo a pomba fora da arca.
11. Ao entardecer, a pomba voltou para Noé, trazendo no bico um ramo novo de oliveira. Desse modo, Noé ficou sabendo que as águas tinham escoado da superfície da terra.
12. Noé esperou mais sete dias; e soltou novamente a pomba, que não voltou mais.
13. Foi no ano seiscentos e um da vida de Noé, no primeiro dia do primeiro mês, que as águas secaram sobre a terra. Noé abriu então a clarabóia da arca, olhou e viu que a superfície do solo estava seca.
14. No vigésimo sétimo dia do segundo mês, a terra estava seca.
15. Então Deus disse a Noé:
16. "Saia da arca com seus filhos, sua mulher e as mulheres de seus filhos.
17. Todos os seres vivos que estão com você, todos os animais, aves e répteis, faça-os sair com você: que encham a terra, sejam fecundos e se multipliquem na terra".
18. Então Noé saiu com seus filhos, sua mulher e as mulheres de seus filhos;
19. e todas as feras, animais domésticos, aves e répteis saíram da arca, uma espécie depois da outra.
20. Noé construiu um altar para Javé, tomou animais e aves de toda espécie pura e ofereceu holocaustos sobre o altar.
21. Javé aspirou o perfume, e disse consigo: "Nunca mais amaldiçoarei a terra por causa do homem, porque os projetos do coração do homem são maus desde a sua juventude. Nunca mais destruirei todos os seres vivos, como fiz.
22. Enquanto durar a terra, jamais faltarão semeadura e colheita, frio e calor, verão e inverno, dia e noite".

[Gênesis 9]Gênesis 9

1. Deus abençoou Noé e seus filhos, dizendo: "Sejam fecundos, multipliquem-se e encham a terra.
2. Todos os animais da terra temerão e respeitarão vocês: as aves do céu, os répteis do solo e os peixes do mar estão no poder de vocês.
3. Tudo o que vive e se move servirá de alimento para vocês. E a vocês eu entrego tudo, como já lhes havia entregue os vegetais.
4. Mas não comam carne com o sangue, que é a vida dela.
5. Vou pedir contas do sangue, que é a vida de vocês; vou pedir contas a qualquer animal; e ao homem vou pedir contas da vida do seu irmão.
6. Quem derrama o sangue do homem, terá o seu próprio sangue derramado por outro homem. Porque o homem foi feito à imagem de Deus.
7. Quanto a vocês, sejam fecundos e se multipliquem, povoem e dominem a terra".

DEUS GARANTE A VIDA
8. Deus disse a Noé e a seus filhos:
9. "Eu estabeleço a minha aliança com vocês e com seus descendentes,
10. e com todos os animais que os acompanham: aves, animais domésticos e feras, com todos os que saíram da arca e agora vivem sobre a terra.
11. Estabeleço minha aliança com vocês: de tudo o que existe, nada mais será destruído pelas águas do dilúvio, e nunca mais haverá dilúvio para devastar a terra".
12. Deus disse: "Este é o sinal da aliança que coloco entre mim e vocês e todos os seres vivos que estão com vocês, para todas as gerações futuras:
13. Colocarei o meu arco nas nuvens, e ele se tornará um sinal da minha aliança com a terra.
14. Quando eu reunir as nuvens sobre a terra e o arco-íris aparecer nas nuvens,
15. eu me lembrarei da minha aliança com vocês e com todos os seres vivos. E o dilúvio não voltará a destruir os seres vivos.
16. Quando o arco-íris estiver nas nuvens, eu o verei e me lembrarei da aliança eterna: aliança de Deus com todos os seres vivos, com tudo o que vive sobre a terra".
17. E Deus disse a Noé: "Este é o sinal da aliança que estabeleço com tudo o que vive sobre a terra".

BÊNÇÃO E MALDIÇÃO
18. Os filhos de Noé, que saíram da arca, foram estes: Sem, Cam e Jafé; e Cam é o antepassado de Canaã.
19. Esses três foram os filhos de Noé, e a partir deles foi povoada a terra inteira.
20. Noé, que era lavrador, plantou a primeira vinha.
21. Bebeu o vinho, embriagou-se e ficou nu dentro da tenda.
22. Cam, o antepassado de Canaã, viu seu pai nu e saiu para contar a seus dois irmãos.
23. Sem e Jafé, porém, tomaram o manto, puseram-no sobre seus próprios ombros e, andando de costas, cobriram a nudez do pai; como estavam de costas, não viram a nudez do pai.
24. Quando Noé acordou da embriaguez, ficou sabendo o que seu filho mais jovem tinha feito.
25. E disse: "Maldito seja Canaã. Que ele seja o último dos escravos para seus irmãos".
26. E continuou: "Seja bendito Javé, o Deus de Sem, e que Canaã seja escravo de Sem.
27. Que Deus faça Jafé prosperar, que ele more nas tendas de Sem, e Canaã seja seu escravo".
28. Depois do dilúvio, Noé viveu trezentos e cinqüenta anos.
29. Ao todo, Noé viveu novecentos e cinqüenta anos. E morreu.

[Gênesis 10]Gênesis 10

A FAMÍLIA HUMANA
1. Esta é a descendência dos filhos de Noé: Sem, Cam e Jafé, que tiveram filhos depois do dilúvio.
2. Filhos de Jafé: Gomer, Magog, Madai, Javã, Tubal, Mosoc e Tiras.
3. Filhos de Gomer: Asquenez, Rifat e Togorma.
4. Filhos de Javã: Elisa, Társis, Cetim e Dodanim.
5. Foi destes que se separaram as populações das ilhas, cada qual segundo o seu país, língua, família e nação.
6. Filhos de Cam: Cuch, Mesraim, Fut e Canaã.
7. Filhos de Cuch: Saba, Hévila, Sabata, Regma e Sabataca. Filhos de Regma: Sabá e Dadã.
8. Cuch gerou Nemrod, que foi o primeiro valente na terra.
9. Foi um valente caçador diante de Javé, e é por isso que se diz: "Como Nemrod, valente caçador diante de Javé".
10. As capitais do seu reino foram Babel, Arac e Acad, cidades que estão todas na terra de Senaar.
11. Dessa terra saiu Assur, que construiu Nínive, Reobot-Ir, Cale
12. e Resen, entre Nínive e Cale. Esta última é a maior.
13. Mesraim gerou os de Lud, de Anam, de Laab, de Naftu,
14. de Patros, de Caslu e de Cáftor; deste último surgiram os filisteus.
15. Canaã gerou Sídon, seu primogênito, depois Het,
16. e também o jebuseu, o amorreu, o gergeseu,
17. o heveu, o araceu, o sineu,
18. o arádio, o samareu e o emateu. Em seguida, as famílias dos cananeus se dispersaram.
19. A fronteira dos cananeus ia de Sidônia, em direção a Gerara, até Gaza; depois, em direção a Sodoma, Gomorra, Adama e Seboim, até Lesa.
20. Esses foram os filhos de Cam, segundo suas famílias e línguas, terras e nações.
21. Sem, antepassado de todos os filhos de Héber e irmão mais velho de Jafé, também teve descendência.
22. Filhos de Sem: Elam, Assur, Arfaxad, Lud e Aram.
23. Filhos de Aram: Hus, Hul, Geter e Mes.
24. Arfaxad gerou Salé, e Salé gerou Héber.
25. Héber teve dois filhos: o primeiro chamava-se Faleg, porque em seus dias a terra foi dividida; o seu irmão chamava-se Jectã.
26. Jectã gerou Elmodad, Salef, Asarmot, Jaré,
27. Aduram, Uzal, Decla,
28. Ebal, Abimael, Sabá,
29. Ofir, Hévila e Jobab; todos esses são filhos de Jectã.
30. Eles habitavam desde Mesa até Sefar, a montanha do oriente.
31. Foram esses os filhos de Sem, conforme suas famílias e línguas, suas terras e nações.
32. Foram essas as famílias dos descendentes de Noé, conforme suas linhagens e nações. Foi a partir deles que as nações se dispersaram pela terra depois do dilúvio.

[Gênesis 11]Gênesis 11

A PRETENSÃO DA CIDADE
1. O mundo inteiro falava a mesma língua, com as mesmas palavras.
2. Ao emigrar do oriente, os homens encontraram uma planície no país de Senaar, e aí se estabeleceram.
3. E disseram uns aos outros: "Vamos fazer tijolos e cozê-los no fogo!" Utilizaram tijolos em vez de pedras, e piche no lugar de argamassa.
4. Disseram: "Vamos construir uma cidade e uma torre que chegue até o céu, para ficarmos famosos e não nos dispersarmos pela superfície da terra".
5. Então Javé desceu para ver a cidade e a torre que os homens estavam construindo.
6. E Javé disse: "Eles são um povo só e falam uma só língua. Isso é apenas o começo de seus empreendimentos. Agora, nenhum projeto será irrealizável para eles.
7. Vamos descer e confundir a língua deles, para que um não entenda a língua do outro".
8. Javé os espalhou daí por toda a superfície da terra, e eles pararam de construir a cidade.
9. Por isso, a cidade recebeu o nome de Babel, pois foi aí que Javé confundiu a língua de todos os habitantes da terra, e foi daí que ele os espalhou por toda a superfície da terra.

ALVORADA DE UMA NOVA HISTÓRIA
10. Esta é a descendência de Sem: Quando Sem completou cem anos, gerou Arfaxad, dois anos depois do dilúvio.
11. Depois do nascimento de Arfaxad, Sem viveu quinhentos anos, e gerou filhos e filhas.
12. Quando Arfaxad completou trinta e cinco anos, gerou Salé.
13. Depois do nascimento de Salé, Arfaxad viveu quatrocentos e três anos, e gerou filhos e filhas.
14. Quando Salé completou trinta anos, gerou Héber.
15. Depois do nascimento de Héber, Salé viveu quatrocentos e três anos, e gerou filhos e filhas.
16. Quando Héber completou trinta e quatro anos, gerou Faleg.
17. Depois do nascimento de Faleg, Héber viveu quatrocentos e trinta anos, e gerou filhos e filhas.
18. Quando Faleg completou trinta anos, gerou Reu.
19. Depois do nascimento de Reu, Faleg viveu duzentos e nove anos, e gerou filhos e filhas.
20. Quando Reu completou trinta e dois anos, gerou Sarug.
21. Depois do nascimento de Sarug, Reu viveu duzentos e sete anos, e gerou filhos e filhas.
22. Quando Sarug completou trinta anos, gerou Nacor.
23. Depois do nascimento de Nacor, Sarug viveu duzentos anos, e gerou filhos e filhas.
24. Quando Nacor completou vinte e nove anos, gerou Taré.
25. Depois do nascimento de Taré, Nacor viveu cento e dezenove anos, e gerou filhos e filhas.
26. Quando Taré completou setenta anos, gerou Abrão, Nacor e Arã.
27. Esta é a descendência de Taré: Taré gerou Abrão, Nacor e Arã. Arã gerou Ló.
28. Arã morreu em Ur dos caldeus, sua terra natal, quando seu pai Taré ainda estava vivo.
29. Abrão e Nacor se casaram: a mulher de Abrão chamava-se Sarai; a mulher de Nacor era Melca, filha de Arã, que era o pai de Melca e Jesca.
30. Sarai era estéril e não tinha filhos.
31. Taré tomou seu filho Abrão, seu neto Ló, filho de Arã, e sua nora Sarai, mulher de Abrão. Ele os fez sair de Ur dos caldeus para que fossem à terra de Canaã; mas, quando chegaram a Harã, aí se estabeleceram.
32. Ao todo, Taré viveu duzentos e cinco anos, e depois morreu em Harã.

[Gênesis 12]II. ORIGEM DO POVO DE DEUS

1. ABRAÃO, O HOMEM DA FÉ

Gênesis 12

VOCAÇÃO DE ABRÃO
1. Javé disse a Abrão: "Saia de sua terra, do meio de seus parentes e da casa de seu pai, e vá para a terra que eu lhe mostrarei.
2. Eu farei de você um grande povo, e o abençoarei; tornarei famoso o seu nome, de modo que se torne uma bênção.
3. Abençoarei os que abençoarem você e amaldiçoarei aqueles que o amaldiçoarem. Em você, todas as famílias da terra serão abençoadas".
4. Abrão partiu conforme lhe dissera Javé. E Ló partiu com ele. Abrão tinha setenta e cinco anos quando saiu de Harã.
5. Abrão levou consigo sua mulher Sarai, seu sobrinho Ló, todos os bens que possuíam e os escravos que haviam adquirido em Harã. Partiram para a terra de Canaã e aí chegaram.
6. Abrão atravessou a terra até o lugar santo de Siquém, no Carvalho de Moré. Nesse tempo, os cananeus habitavam essa terra.
7. Javé apareceu a Abrão e lhe disse: "Eu darei esta terra à sua descendência". Abrão construiu aí um altar a Javé, que lhe havia aparecido.
8. Daí, passou para a montanha, a oriente de Betel, e armou sua tenda, com Betel a oeste e Hai a leste. E aí construiu um altar a Javé e invocou o nome de Javé.
9. Depois, de acampamento em acampamento, Abrão foi para o Negueb.

DEUS LIBERTA O OPRIMIDO
10. Houve uma carestia no país e, como a fome apertava, Abrão desceu ao Egito para aí morar.
11. Quando estava chegando ao Egito, Abrão disse à sua mulher Sarai: "Olhe! Eu sei que você é uma mulher muito bonita.
12. Quando os egípcios virem você, vão dizer: 'É a mulher dele'. E me matarão, deixando você viva.
13. Diga, por favor, que você é minha irmã, para que eles me tratem bem por sua causa e, assim, graças a você, eles me deixarão vivo".
14. De fato, quando Abrão chegou ao Egito, os egípcios viram que sua mulher era muito bonita.
15. Os oficiais do Faraó viram Sarai e a elogiaram muito diante dele; e Sarai foi levada para o palácio do Faraó.
16. Este, por causa de Sarai, tratou bem a Abrão: ele recebeu ovelhas, bois, jumentos, escravos, servas, jumentas e camelos.
17. Javé, porém, feriu o Faraó e sua corte com graves doenças, por causa de Sarai, mulher de Abrão.
18. Então o Faraó chamou Abrão, e lhe disse: "O que foi que você me fez? Por que não me declarou que ela era sua mulher?
19. Por que me disse que era sua irmã? Eu a tomei como esposa. Olhe bem! Se ela é sua mulher, tome-a e vá embora".
20. O Faraó confiou Abrão, junto com sua mulher e tudo o que possuía, a vários homens, que os levaram até a fronteira.

[Gênesis 13]Gênesis 13

ABERTO PARA UM NOVO PROJETO
1. Abrão subiu do Egito para o Negueb, com sua mulher, seus bens e com Ló.
2. Abrão era muito rico em rebanhos, prata e ouro.
3. Do Negueb, ele se transferiu, em etapas, para Betel, no lugar onde outrora havia acampado, entre Betel e Hai,
4. no lugar onde tinha construído um altar. E invocou aí o nome de Javé.
5. Ló, que acompanhava Abrão, também possuía ovelhas, bois e tendas,
6. de modo que não podiam viver juntos na terra, porque suas posses eram tão grandes que não podiam morar juntos.
7. Por isso, houve discussões entre os pastores de Abrão e os de Ló. Nesse tempo, os cananeus e ferezeus habitavam nessa terra.
8. Abrão disse a Ló: "Não haja discussões entre nós, nem no meio de nossos pastores, porque somos irmãos.
9. A terra inteira está diante de você. Por isso lhe peço que se separe de mim. Se você for para a esquerda, eu irei para a direita; se você for para a direita, eu irei para a esquerda".
10. Ló ergueu os olhos e viu que o vale do Jordão, até a entrada de Segor, era todo irrigado; isso antes que Javé destruísse Sodoma e Gomorra: parecia o jardim de Javé ou o Egito.
11. Ló escolheu para si todo o vale do Jordão e emigrou para o oriente. E assim os dois irmãos se separaram.
12. Abrão morou em Canaã, e Ló nas cidades do vale, armando suas tendas até Sodoma.
13. Os habitantes de Sodoma eram grandes criminosos e pecavam contra Javé.
14. Javé disse a Abrão, depois que Ló se separou dele: "Erga os olhos, e aí, do lugar onde você está, olhe para o norte e para o sul, para o oriente e para o ocidente.
15. Eu darei toda a terra que você está vendo, a você e à sua descendência, para sempre.
16. Tornarei a sua descendência como a poeira da terra: quem puder contar os grãos de poeira da terra, poderá contar seus descendentes.
17. Levante-se, e percorra esta terra no seu comprimento e na sua largura, pois eu a darei a você".
18. Abrão levantou a tenda e foi estabelecer-se junto ao Carvalho de Mambré, que está em Hebron, e aí construiu um altar em honra de Javé.

[Gênesis 14]Gênesis 14

A TERRA QUE DEUS DARÁ
1. No tempo de Amrafel, rei de Senaar, e de Arioc, rei de Elasar, e de Codorlaomor, rei de Elam, e de Tadal, rei das nações,
2. todos estes fizeram guerra contra Bara, rei de Sodoma, contra Bersa, rei de Gomorra, contra Senaab, rei de Adama, contra Semeber, rei de Seboim, e contra o rei de Bela, que é Segor.
3. Estes últimos se reuniram no vale de Sidim, que é o mar Morto.
4. Durante doze anos eles tinham ficado submetidos a Codorlaomor, mas no décimo terceiro ano se revoltaram.
5. No décimo quarto ano, veio Codorlaomor com os reis aliados a ele, e derrotou os rafaítas em Astarot Carnaim, os zuzim em Ham, os emim na planície de Cariataim,
6. e os horitas nas montanhas de Seir, até El-Farã, na margem do deserto.
7. Depois, voltaram e foram à Fonte do Julgamento, que é Cades; conquistaram todo o território dos amalecitas e amorreus, que habitavam Asasontamar.
8. Então os reis de Sodoma, de Gomorra, de Adama, de Seboim e de Bela, que é Segor, fizeram uma expedição e se apresentaram no vale de Sidim para batalhar
9. contra Codorlaomor, rei de Elam, contra Tadal, rei das nações, contra Amrafel, rei de Senaar, e contra Arioc, rei de Elasar. Eram cinco reis contra quatro.
10. Ora, o vale de Sidim estava cheio de poços de betume. Ao fugir, o rei de Sodoma e o rei de Gomorra caíram neles; os outros se refugiaram na montanha.
11. Os vencedores saquearam todos os bens de Sodoma e Gomorra, assim como todos os seus mantimentos, e foram embora.
12. Levaram também Ló, sobrinho de Abrão, e seus bens, e se foram. Ló morava em Sodoma.
13. Um fugitivo foi informar Abrão, o hebreu, que habitava no Carvalho do amorreu Mambré, irmão de Escol e de Aner, aliados de Abrão.
14. Quando Abrão soube que seu parente fora levado prisioneiro, reuniu seus aliados e familiares, em número de trezentos e dezoito, e perseguiu os inimigos até Dã.
15. Dividiu a tropa e os atacou de noite, derrotando-os e perseguindo-os até Hoba, ao norte de Damasco.
16. Recuperou todos os bens e trouxe também seu irmão Ló, junto com os bens, as mulheres e a tropa deste.

A JUSTIÇA QUE DEUS QUER
17. Quando Abrão voltou, depois de ter derrotado Codorlaomor e os reis aliados, o rei de Sodoma foi ao seu encontro no vale de Save, que é o vale do rei.
18. Melquisedec, rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo, levou pão e vinho,
19. e abençoou Abrão, dizendo: "Bendito seja Abrão pelo Deus Altíssimo, que criou o céu e a terra;
20. e bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou os inimigos a você". E Abrão lhe deu a décima parte de tudo.
21. O rei de Sodoma disse a Abrão: "Dê-me as pessoas e fique com os bens".
22. Mas Abrão respondeu ao rei de Sodoma: "Juro por Javé, o Deus Altíssimo, que criou o céu e a terra:
23. não aceitarei nem mesmo um fio, ou correia de sandália, daquilo que pertence a você, para que depois você não diga que enriqueceu Abrão.
24. Não quero nada para mim. Aceito apenas o que meus servos comeram e a parte de Aner, Escol e Mambré, que me acompanharam; que eles peguem a parte deles".

[Gênesis 15]Gênesis 15

ACREDITAR É CONFIAR
1. Depois desses acontecimentos, Javé dirigiu a palavra a Abrão, através de uma visão: "Não tenha medo, Abrão! Eu sou o seu escudo, e sua recompensa será muito grande".
2. Abrão respondeu: "Senhor Javé, o que me darás? Continuo sem filho, e Eliezer de Damasco será o herdeiro da minha casa!"
3. E acrescentou: "Como não me deste descendência, um dos servos de minha casa é que será o meu herdeiro!"
4. Então Javé dirigiu esta palavra a Abrão: "O seu herdeiro não será esse, mas alguém que sair do sangue de você".
5. Depois Javé conduziu Abrão para fora, e disse: "Erga os olhos ao céu e conte as estrelas, se puder". E acrescentou: "Assim será a sua descendência".
6. Abrão acreditou em Javé, e isso lhe foi creditado como justiça.
7. Javé disse a Abrão: "Eu sou Javé, que fez você sair de Ur dos caldeus, para lhe dar esta terra como herança".
8. Abrão respondeu: "Senhor Javé, como vou saber que irei possuí-la?"
9. Javé lhe disse: "Traga-me uma novilha de três anos, uma cabra de três anos, um cordeiro de três anos, uma rola e uma pombinha".
10. Abrão levou a Javé todos esses animais, partiu-os pelo meio e colocou cada metade na frente da outra; mas não partiu as aves.
11. As aves de rapina desciam sobre os cadáveres e Abrão as enxotava.
12. Quando o sol ia se pondo, um torpor caiu sobre Abrão, e ele sentiu muito medo.
13. Javé disse a Abrão: "Saiba com certeza que seus descendentes viverão como estrangeiros numa terra que não será a deles. Aí nessa terra eles ficarão como escravos e serão oprimidos durante quatrocentos anos.
14. Mas eu vou julgar a nação à qual eles vão servir, e depois eles sairão com muitos bens.
15. Quanto a você, irá reunir-se em paz com seus antepassados e será sepultado após uma velhice feliz.
16. É na quarta geração que seus descendentes voltarão para cá, porque até lá o crime dos amorreus terá chegado ao máximo".
17. Quando o sol se pôs e veio a noite, uma labareda fumegante e uma tocha de fogo passaram entre os animais divididos.
18. Nesse dia, Javé estabeleceu uma aliança com Abrão nestes termos: "À sua descendência eu darei esta terra, desde o rio do Egito até o grande rio, o Eufrates:
19. os quenitas, cenezeus, cadmoneus,
20. heteus, ferezeus, rafaítas,
21. amorreus, cananeus, gergeseus e jebuseus".

[Gênesis 16]Gênesis 16

A PROMESSA É UM DESAFIO
1. Sarai, mulher de Abrão, não lhe dava filhos; mas tinha uma escrava egípcia chamada Agar.
2. Então Sarai disse a Abrão: "Javé não me deixa ter filhos: una-se à minha escrava para ver se ela me dá filhos". Abrão aceitou a proposta de Sarai.
3. Dez anos depois que Abrão se estabeleceu na terra de Canaã, sua mulher Sarai tomou sua escrava, a egípcia Agar, e a entregou como mulher a seu marido Abrão.
4. Este se uniu a Agar, que ficou grávida. Vendo que estava grávida, Agar perdeu o respeito para com Sarai.
5. Então Sarai disse a Abrão: "Você é responsável por essa injustiça. Coloquei em seus braços minha escrava, e ela, vendo-se grávida, não me respeita mais. Que Javé seja nosso Juiz".
6. Abrão disse a Sarai: "Muito bem. Sua escrava está em suas mãos. Trate-a como você achar melhor". Sarai maltratou de tal modo Agar, que ela fugiu de sua presença.
7. O anjo de Javé encontrou Agar junto a uma fonte no deserto, a fonte que está no caminho de Sur.
8. E lhe disse: "Agar, escrava de Sarai, de onde você vem e para onde vai?" Agar respondeu: "Estou fugindo de minha patroa Sarai".
9. O anjo de Javé lhe disse: "Volte para sua patroa e seja submissa a ela".
10. E o anjo de Javé acrescentou: "Eu farei a descendência de você tão numerosa que ninguém poderá contar".
11. E o anjo de Javé concluiu: "Você está grávida e vai dar à luz um filho e lhe dará o nome de Ismael, porque Javé ouviu sua aflição.
12. Ele será potro selvagem: estará contra todos, e todos estarão contra ele; e viverá separado de seus irmãos".
13. Agar invocou o nome de Javé, que lhe havia falado, e disse: "Tu és o Deus-que-me-vê, pois eu vi Aquele-que-me-vê".
14. Por isso, esse poço chama-se "Poço daquele que vive e me vê", e se encontra entre Cades e Barad.
15. Agar deu à luz um filho para Abrão, e Abrão deu o nome de Ismael ao filho que Agar lhe dera.
16. Abrão tinha oitenta e seis anos quando Agar deu à luz Ismael.

[Gênesis 17]Gênesis 17

A PERTENÇA AO POVO DE DEUS
1. Quando Abrão completou noventa e nove anos, Javé lhe apareceu e disse: "Eu sou o Deus todo-poderoso. Comporte-se de acordo comigo e seja íntegro.
2. Vou fazer uma aliança entre mim e você, e o multiplicarei sem medida".
3. Abrão caiu com o rosto por terra. Então Deus lhe falou:
4. "Veja! A aliança que eu faço com você é esta: você será pai de muitas nações.
5. E não se chamará mais Abrão, mas o seu nome será Abraão, pois eu o tornarei pai de muitas nações.
6. Eu o tornarei extremamente fecundo. De você farei surgir nações, e de você nascerão reis.
7. Vou estabelecer para sempre a minha aliança entre mim e você, como aliança eterna. Serei o Deus de você e o Deus de seus futuros descendentes.
8. Vou dar a você, e a seus futuros descendentes, a terra em que agora vive como imigrante, toda a terra de Canaã, como posse perpétua. E eu serei o Deus de vocês".
9. E Deus continuou falando a Abraão: "Quanto a você, observe a aliança que faço com você e com seus futuros descendentes.
10. E a aliança que eu faço com você e seus futuros descendentes, e que vocês devem observar, é a seguinte: circuncidem todos os homens.
11. Circuncidem a carne do prepúcio. Este será o sinal da aliança entre mim e vocês.
12. Quando completarem oito dias, todos os meninos de cada geração serão circuncidados; também os escravos nascidos em casa ou comprados de estrangeiros, que não sejam da raça de vocês.
13. Circuncidem os escravos nascidos em casa ou comprados. Minha aliança estará marcada na carne de vocês como aliança perpétua.
14. Todo homem não circuncidado, cujo prepúcio não for circuncidado, será afastado do povo de você, por ter violado a minha aliança".
15. Deus disse a Abraão: "Sua mulher Sarai não se chamará mais Sarai, mas Sara.
16. Eu a abençoarei, e dela darei um filho a você, e eu o abençoarei. Dela nascerão nações e reis de povos".
17. Abraão caiu com o rosto por terra e começou a rir, pensando: "Será que um homem com cem anos vai ter um filho, e Sara, que tem noventa anos, vai dar à luz?"
18. Abraão disse a Deus: "Ficarei contente se conservares Ismael vivo".
19. Deus porém respondeu: "Não! É Sara quem vai dar-lhe um filho: você lhe dará o nome de Isaac. Vou fazer a minha aliança com ele e com os descendentes dele, uma aliança perpétua.
20. Quanto a Ismael, vou atender ao pedido que você me faz: vou abençoá-lo, torná-lo fecundo e fazê-lo multiplicar-se sem medida. Ele vai gerar doze príncipes, e dele farei uma grande nação.
21. Mas, a minha aliança, vou fazê-la com Isaac, o filho que Sara vai dar à luz no próximo ano, nesta mesma época do ano".
22. Quando terminou de falar com Abraão, Deus se retirou.
23. Então Abraão tomou seu filho Ismael, os escravos nascidos em casa ou comprados, todos os homens de sua casa, e circuncidou-os nesse mesmo dia, conforme Deus lhe havia ordenado.
24. Abraão tinha noventa e nove anos quando foi circuncidado.
25. E seu filho Ismael tinha treze anos quando foi circuncidado.
26. Nesse mesmo dia, foram circuncidados Abraão e seu filho Ismael.
27. E com Abraão foram circuncidados todos os homens da casa, nascidos em casa ou comprados de estrangeiros.

[Gênesis 18]Gênesis 18

PARA DEUS NADA É IMPOSSÍVEL
1. Javé apareceu a Abraão junto ao Carvalho de Mambré, enquanto ele estava sentado à entrada da tenda, pois fazia muito calor.
2. Levantando os olhos, Abraão viu na sua frente três homens de pé. Ao vê-los, correu da entrada da tenda ao encontro deles e se prostrou por terra,
3. dizendo: "Senhor, se alcancei o seu favor, não passe junto ao seu servo sem fazer uma parada.
4. Vou mandar que tragam água para que vocês lavem os pés e descansem debaixo da árvore.
5. Vou trazer um pedaço de pão e vocês poderão recuperar as forças antes de partir; foi para isso que passaram junto ao servo de vocês". Eles responderam: "Está bem. Faça o que está dizendo".
6. Abraão entrou correndo na tenda onde estava Sara, e disse a ela: "Depressa! Tome vinte e um litros de flor de farinha, amasse-os e faça um pão grande".
7. Depois Abraão correu até o rebanho, escolheu um vitelo novo e bom, e o entregou ao empregado, que se apressou em prepará-lo.
8. Pegou também coalhada, leite e o vitelo que havia preparado, e colocou tudo diante deles. E os atendia debaixo da árvore enquanto eles comiam.
9. Depois eles perguntaram: "Onde está sua mulher Sara?" Abraão respondeu: "Está na tenda".
10. O hóspede disse: "No próximo ano eu voltarei a você. Então sua mulher já terá um filho". Sara estava na entrada da tenda, atrás de Abraão, e ouviu isso.
11. Ora, Abraão e Sara eram velhos, de idade avançada, e Sara já não tinha regras.
12. Sara riu por dentro, pensando: "Agora que sou velha vou provar o prazer, e com um marido tão velho?"
13. Javé, porém, disse a Abraão: "Por que Sara riu, dizendo: 'Será que vou dar à luz agora que sou velha?'
14. Por acaso, existe alguma coisa impossível para Javé? Neste mesmo tempo, no próximo ano, eu voltarei a você, e Sara já terá um filho".
15. Sara, que estava assustada, negou: "Eu não ri". Mas ele tornou a dizer: "Não negue, você riu".

COMO SALVAR A CIDADE INJUSTA?
16. Os homens se levantaram e olharam em direção a Sodoma; e Abraão foi acompanhá-los para a despedida.
17. Javé dizia: "Será que devo esconder de Abraão o que vou fazer,
18. uma vez que Abraão se tornará uma nação grande e poderosa, e que através dele serão abençoadas todas as nações da terra?
19. Eu o escolhi para que ele instrua seus filhos, sua casa e seus sucessores, a fim de que se mantenham no caminho de Javé, praticando a justiça e o direito; desse modo, Javé realizará tudo o que prometeu a Abraão".
20. Então Javé disse: "O clamor contra Sodoma e Gomorra é muito grande e o pecado deles é muito grave.
21. Vou descer para ver se, de fato, as ações deles correspondem ou não ao clamor que subiu até mim contra eles. Então, ficarei sabendo".
22. Os homens partiram daí e foram para Sodoma, enquanto Javé permanecia com Abraão.
23. Abraão aproximou-se e perguntou: "Destruirás o justo com o injusto?
24. Talvez haja cinqüenta justos na cidade! Destruirás e não perdoarás a cidade pelos cinqüenta justos que estão no meio dela?
25. Longe de ti fazeres tal coisa: matar o justo com o injusto, de modo que o justo seja confundido com o injusto! Longe de ti! Será que o juiz de toda a terra não fará justiça?"
26. Javé respondeu: "Se eu encontrar cinqüenta justos na cidade de Sodoma, perdoarei a cidade toda por causa deles".
27. Abraão continuou: "Eu me atrevo a falar ao meu Senhor, embora eu seja pó e cinza.
28. Mas talvez faltem cinco para os cinqüenta justos: por causa de cinco, destruirás a cidade inteira?" Javé respondeu: "Não a destruirei, se eu nela encontrar quarenta e cinco justos".
29. Abraão insistiu: "Suponhamos que só existam quarenta!" Javé respondeu: "Por causa dos quarenta, eu não o farei".
30. Abraão continuou: "Que meu Senhor não fique irritado se eu continuo falando. E se houver trinta?" Javé respondeu: "Se houver trinta, eu não o farei".
31. Abraão insistiu: "Estou me atrevendo a falar ao meu Senhor. Talvez haja vinte!" Javé respondeu: "Por causa dos vinte, eu não a destruirei".
32. Abraão continuou: "Que o meu Senhor não se irrite se eu pergunto pela última vez: E se houver dez?" Javé respondeu: "Por causa dos dez, eu não a destruirei".
33. Quando terminou de falar com Abraão, Javé foi embora. E Abraão voltou para o seu lugar.

[Gênesis 19]Gênesis 19

A JUSTIÇA DE DEUS
1. Ao anoitecer, os dois anjos chegaram a Sodoma. Ló estava sentado à porta da cidade e, ao vê-los, levantou-se para os receber e prostrou-se com o rosto por terra.
2. E disse: "Senhores, fiquem hospedados em casa do seu servo, lavem os pés e, pela manhã, continuarão seu caminho". Mas eles responderam: "Não! Nós vamos passar a noite na praça".
3. Ló insistiu tanto que eles foram para a casa dele e entraram. Ló preparou-lhes uma refeição, mandou assar pães sem fermento, e eles comeram.
4. Eles ainda não haviam deitado, quando os homens da cidade rodearam a casa. Eram os homens de Sodoma, desde os jovens até os velhos, o povo todo, sem exceção.
5. Chamaram Ló e lhe disseram: "Onde estão os homens que vieram para a sua casa esta noite? Traga-os para que tenhamos relações com eles".
6. Ló saiu à porta e, fechando-a atrás de si,
7. disse-lhes: "Meus irmãos, eu lhes peço: não façam o mal.
8. Vejam! Eu tenho duas filhas que ainda são virgens; eu as trarei para vocês: façam com elas o que acharem melhor. Mas não façam nada a esses homens, porque eles estão hospedados em minha casa".
9. Mas eles responderam: "Saia daí! Esse indivíduo veio como imigrante e agora quer ser juiz! Pois bem! Nós faremos mais mal a você do que a eles". E empurraram Ló, tentando arrombar a porta.
10. Os visitantes, porém, estenderam os braços e puxaram Ló para dentro, fechando a porta.
11. Quanto aos homens que estavam à porta, eles os feriram com cegueira, do menor ao maior, de modo que não conseguiam achar a entrada.
12. Os visitantes disseram a Ló: "Você ainda tem alguém aqui? Faça sair deste lugar seus filhos e filhas, e todos os seus parentes que estão na cidade,
13. porque nós vamos destruir este lugar, pois é grande o clamor que se ergueu contra eles diante de Javé. E Javé nos enviou para exterminá-los".
14. Ló foi falar com seus futuros genros, que estavam para casar com suas filhas: "Vamos, saiam deste lugar, porque Javé vai destruir a cidade". Mas seus futuros genros achavam que Ló estava brincando.
15. Ao raiar da aurora, os anjos insistiram com Ló, dizendo: "Levante-se, tome sua mulher e suas duas filhas que aqui se encontram, para que não pereçam no castigo da cidade".
16. Como Ló não se decidisse, os visitantes o tomaram pela mão, junto com a mulher e as duas filhas, pois Javé tinha compaixão dele. Eles o fizeram sair e o deixaram fora da cidade.
17. Quando estavam fora, um deles disse: "Procure salvar-se, e não olhe para trás. Não pare em lugar nenhum da planície; fuja para a montanha, para não morrer".
18. Ló respondeu: "Não, meu Senhor.
19. Teu servo encontrou graça a teus olhos, e mostraste grande misericórdia por mim, salvando-me a vida. Mas eu receio que não poderei salvar-me na montanha antes que a calamidade me atinja e eu morra.
20. Vê! Aqui perto há uma pequena cidade, onde posso refugiar-me e escapar do perigo. Permite que eu vá para lá. Como a cidade é pequena, aí eu estarei a salvo".
21. Ele respondeu: "Concedo o que você está pedindo: não destruirei a cidade da qual você está falando.
22. Depressa, fuja para lá, porque nada posso fazer enquanto você não chegar lá". É por isso que se deu a essa cidade o nome de Segor.
23. O sol estava nascendo quando Ló chegou a Segor.
24. Então Javé fez chover do céu enxofre e fogo sobre Sodoma e Gomorra;
25. destruiu essas cidades e toda a planície, com os habitantes das cidades e a vegetação do solo.
26. A mulher de Ló olhou para trás e se transformou numa estátua de sal.
27. Abraão levantou-se de madrugada e foi ao lugar onde estivera com Javé.
28. Olhou para Sodoma, para Gomorra e para toda a planície, e viu a fumaça subir da terra, como a fumaça de uma fornalha.
29. Assim, ao destruir as cidades da planície, Deus se lembrou de Abraão, e retirou Ló do meio da catástrofe, quando arrasou as cidades onde Ló habitava.

FRUTOS DA CIDADE CORROMPIDA
30. Ló subiu de Segor e se estabeleceu na montanha com as duas filhas, porque estava com medo de viver em Segor. Por isso, instalou-se numa caverna com as duas filhas.
31. A mais velha disse à mais nova: "Nosso pai já está velho e na terra não há nenhum homem para ter relação conosco, como se faz em todo lugar.
32. Vamos embriagar nosso pai para ter relação com ele; assim daremos uma descendência ao nosso pai".
33. Nessa noite, elas embriagaram o pai e a mais velha deitou-se com ele, que não percebeu nem quando ela se deitou, nem quando se levantou.
34. No dia seguinte, a mais velha disse para a mais nova: "Na noite passada eu dormi com meu pai; esta noite, nós o embriagaremos de novo, e você se deitará com ele; assim daremos uma descendência ao nosso pai".
35. Também nessa noite, elas embriagaram o pai, e a mais nova deitou-se com ele, que não percebeu nem quando ela se deitou, nem quando se levantou.
36. E as duas filhas de Ló ficaram grávidas do próprio pai.
37. A mais velha deu à luz um filho, e o chamou Moab, que é o antepassado dos atuais moabitas.
38. Também a mais nova deu à luz um filho, e o chamou Ben-Ami, que é o antepassado dos atuais amonitas.

[Gênesis 20]Gênesis 20

DEUS LIBERTA O OPRIMIDO
1. Abraão partiu daí e foi para o Negueb, estabelecendo-se entre Cades e Sur, e vivendo como imigrante em Gerara.
2. Abraão dizia que Sara era sua irmã. Então Abimelec, rei de Gerara, mandou buscar Sara.
3. Mas Deus visitou Abimelec em sonho durante a noite, e lhe disse: "Você vai morrer, porque essa mulher que você tomou é casada".
4. Abimelec, que ainda não tinha tido relações com ela, disse: "Meu Senhor, vais matar alguém inocente?
5. Ele próprio me disse que era sua irmã; e ela disse que ele era seu irmão. Fiz isso de boa fé e mãos limpas".
6. Deus lhe respondeu no sonho: "Sei que você fez isso de boa fé. Fui eu quem impediu você de pecar contra mim, não permitindo que a tocasse.
7. Agora, devolva a mulher a esse homem: ele é profeta e rezará para que você continue vivo. Se não a devolver, fique sabendo que você morrerá com todos os seus".
8. Abimelec levantou-se bem cedo e chamou todos os servos. Contou-lhes tudo, e os homens ficaram muito assustados.
9. Em seguida, Abimelec chamou Abraão e lhe disse: "O que é que você fez conosco? Que mal eu lhe fiz para você atrair tão grande pecado sobre mim e meu reino? Você fez comigo uma coisa que não se deve fazer".
10. E Abimelec acrescentou: "O que você pretendia ao fazer isso?"
11. Abraão respondeu: "Pensei que neste país não respeitavam a Deus e que me matariam por causa de minha mulher.
12. Além do mais, ela é de fato minha irmã por parte de pai, mas não por parte de mãe, e se tornou minha mulher.
13. Quando Deus me fez andar errante, longe de minha família, eu pedi a ela: 'Faça-me este favor: em qualquer lugar em que chegarmos, diga que eu sou seu irmão' ".
14. Abimelec pegou ovelhas e bois, servos e servas, e os deu a Abraão, devolvendo também sua mulher Sara.
15. Disse ainda: "Minha terra está aberta para você; fique onde quiser".
16. Depois disse a Sara: "Aqui estão mil moedas de prata para o seu irmão. Isso servirá de reparação diante de todos os seus, e ninguém pensará mal de você".
17. Abraão intercedeu junto a Deus, e Deus curou Abimelec, sua mulher e seus servos, a fim de que pudessem ter filhos.
18. Isso porque Javé tornara estéreis todas as mulheres na casa de Abimelec, por causa de Sara, mulher de Abraão.

[Gênesis 21]Gênesis 21

DEUS REALIZA O QUE PROMETE
1. Javé visitou Sara, como havia anunciado, e cumpriu sua promessa.
2. No tempo que Deus tinha marcado, Sara concebeu e deu à luz um filho para Abraão, que já era velho.
3. Abraão deu o nome de Isaac ao filho que lhe nasceu, gerado por Sara.
4. Conforme Deus lhe havia ordenado, Abraão circuncidou seu filho Isaac, quando este completou oito dias.
5. Abraão tinha cem anos quando seu filho Isaac nasceu.
6. E Sara disse: "Deus me deu motivo de riso, e todos os que souberem disso vão rir de mim".
7. E acrescentou: "Quem diria a Abraão que Sara iria amamentar filhos? Apesar de tudo, na sua velhice eu lhe dei um filho".

DEUS OUVE O GRITO DO NECESSITADO
8. O menino cresceu e foi desmamado. E no dia em que Isaac foi desmamado, Abraão deu uma grande festa.
9. Ora, Sara viu que o filho que Abraão tinha tido com a egípcia Agar estava zombando de seu filho Isaac.
10. Então ela disse a Abraão: "Expulse essa escrava e o filho dela, para que o filho dessa escrava não seja herdeiro com meu filho Isaac".
11. Abraão ficou muito desgostoso com isso, porque Ismael era seu filho.
12. Mas Deus lhe disse: "Não fique aflito por causa do menino e da escrava. Atenda ao pedido de Sara, pois será através de Isaac que sua descendência levará o nome que você tem.
13. Entretanto, também do filho da escrava eu farei uma grande nação, pois ele é descendência sua".
14. Abraão levantou-se de manhã, pegou pão e um cantil de água e os deu a Agar; colocou a criança sobre os ombros dela e depois a mandou embora. Ela saiu e andava errante pelo deserto de Bersabéia.
15. Quando acabou a água do cantil, ela pôs a criança debaixo de um arbusto
16. e foi sentar-se na frente, a distância de um tiro de arco. Ela pensava: "Não quero ver a criança morrer!" E sentou-se a distância. O menino começou a chorar.
17. Deus ouviu os gritos da criança, e o anjo de Deus, lá do céu, chamou Agar, dizendo: "O que é que você tem, Agar? Não tenha medo, pois Deus ouviu os gritos do menino que aí está.
18. Levante-se, pegue o menino e segure-o firme, porque eu farei dele uma grande nação".
19. Deus abriu os olhos de Agar e ela viu um poço. Foi encher o cantil e deu de beber ao menino.
20. Deus estava com o menino. Ele cresceu, morou no deserto e tornou-se um arqueiro.
21. Morou no deserto de Farã, e sua mãe escolheu para ele uma mulher egípcia.

ABRAÃO E ABIMELEC
22. Nesse tempo, Abimelec veio com Ficol, chefe do seu exército, e disse a Abraão: "Deus está com você em tudo o que você faz.
23. Portanto, jure por Deus, aqui mesmo, que não enganará nem a mim, nem a meus filhos e descendentes. E que você tratará a mim e a esta terra, onde você mora, com a mesma amizade com que eu tratei você".
24. Abraão respondeu: "Eu juro".
25. Abraão reclamou com Abimelec por causa do poço do qual os servos de Abimelec se haviam apoderado.
26. Abimelec respondeu: "Não sei quem foi que fez isso. Você não me informou nada, e só agora estou sabendo disso".
27. Abraão pegou ovelhas e bois e os deu a Abimelec; e os dois fizeram uma aliança.
28. Abraão separou sete ovelhas do rebanho,
29. e Abimelec lhe perguntou: "Para que servem essas sete ovelhas que você separou?"
30. Abraão respondeu: "Estas sete ovelhas, que você recebeu de minha mão, são a prova de que eu cavei este poço".
31. Por isso, o lugar recebeu o nome de Bersabéia, porque aí os dois fizeram um juramento.
32. Depois que fizeram aliança em Bersabéia, Abimelec e Ficol, chefe do seu exército, voltaram para a terra dos filisteus.
33. Abraão plantou uma árvore em Bersabéia e invocou aí o nome de Javé, o Deus eterno.
34. Abraão morou muito tempo na terra dos filisteus.

[Gênesis 22]Gênesis 22

A GRANDE PROVA
1. Depois desses acontecimentos, Deus pôs Abraão à prova, e lhe disse: "Abraão, Abraão!" Ele respondeu: "Estou aqui".
2. Deus disse: "Tome seu filho, o seu único filho Isaac, a quem você ama, vá à terra de Moriá e ofereça-o aí em holocausto, sobre uma montanha que eu vou lhe mostrar".
3. Abraão se levantou cedo, preparou o jumento, e levou consigo dois servos e seu filho Isaac. Rachou a lenha do holocausto, e foi para o lugar que Deus lhe havia indicado.
4. No terceiro dia, Abraão levantou os olhos e viu de longe o lugar.
5. Então disse aos servos: "Fiquem aqui com o jumento; eu e o menino vamos até lá, adoraremos a Deus e depois voltaremos até vocês".
6. Abraão pegou a lenha do holocausto e a colocou nas costas do seu filho Isaac, tendo ele próprio tomado nas mãos o fogo e a faca. E foram os dois juntos.
7. Isaac falou a seu pai: "Pai". Abraão respondeu: "Sim, meu filho!" Isaac continuou: "Aqui estão o fogo e a lenha. Mas onde está o cordeiro para o holocausto?"
8. Abraão respondeu: "Deus providenciará o cordeiro para o holocausto, meu filho!" E continuaram caminhando juntos.
9. Quando chegaram ao lugar que Deus lhe indicara, Abraão construiu o altar, colocou a lenha, depois amarrou seu filho e o colocou sobre o altar, em cima da lenha.
10. Abraão estendeu a mão e pegou a faca para imolar seu filho.
11. Nesse momento, o anjo de Javé o chamou lá do céu e disse: "Abraão, Abraão!" Ele respondeu: "Aqui estou!"
12. O anjo continuou: "Não estenda a mão contra o menino! Não lhe faça nenhum mal! Agora sei que você teme a Deus, pois não me recusou seu filho único".
13. Abraão ergueu os olhos e viu um cordeiro, preso pelos chifres num arbusto; pegou o cordeiro e o ofereceu em holocausto no lugar do seu filho.
14. E Abraão deu a esse lugar o nome de "Javé providenciará". Assim, até hoje se costuma dizer: "Sobre a montanha, Javé providenciará".
15. O anjo de Javé chamou lá do céu uma segunda vez a Abraão,
16. dizendo: "Juro por mim mesmo, palavra de Javé: porque você me fez isso, porque não me recusou seu filho único,
17. eu o abençoarei, eu multiplicarei seus descendentes como as estrelas do céu e a areia da praia. Seus descendentes conquistarão as cidades de seus inimigos.
18. Por meio da descendência de você, todas as nações da terra serão abençoadas, porque você me obedeceu".
19. Abraão voltou até seus servos, e juntos foram para Bersabéia. E Abraão ficou morando em Bersabéia.

PARENTES DE ABRAÃO
20. Depois desses acontecimentos, comunicaram a Abraão que também Melca dera filhos a seu irmão Nacor:
21. seu primogênito Hus; Buz, irmão deste; Camuel, pai de Aram;
22. Cased, Azau, Feldas, Jedlad, Batuel.
23. E Batuel gerou Rebeca. São os oito filhos que Melca deu a Nacor, irmão de Abraão.
24. Nacor tinha uma concubina, chamada Roma, que também teve filhos: Tabé, Gaam, Taás e Maaca.

[Gênesis 23]Gênesis 23

PRIMEIRA PORÇÃO DA TERRA PROMETIDA
1. Sara viveu cento e vinte e sete anos,
2. e morreu em Cariat Arbe, hoje Hebron, na terra de Canaã. Abraão foi fazer luto e chorar por sua mulher.
3. Depois deixou sua defunta e falou aos filhos de Het:
4. "Sou imigrante que reside entre vocês. Dêem para mim um túmulo como propriedade, para eu enterrar minha defunta".
5. Os filhos de Het responderam a Abraão:
6. "Meu senhor, ouça-nos! Você é um príncipe de Deus entre nós; enterre sua defunta no melhor dos nossos sepulcros. Ninguém de nós vai lhe negar a própria sepultura para sua defunta!"
7. Abraão se levantou, fez uma inclinação diante dos proprietários, os filhos de Het,
8. e lhes falou: "Se estão de acordo que eu enterre minha defunta, ouçam-me: intercedam por mim junto a Efron, filho de Seor,
9. a fim de que ele me ceda a gruta de Macpela, que pertence a ele e está no extremo do seu campo. Que ele a entregue para mim pelo preço que vale, diante de vocês, para que seja minha propriedade sepulcral".
10. Ora, Efron estava sentado entre os filhos de Het. Então Efron, o heteu, respondeu a Abraão, diante dos heteus e dos que assistiam ao conselho:
11. "Não, meu senhor, ouça-me! Eu lhe dou o campo e também a gruta que está nele. Dou-lhe isso na presença dos filhos do meu povo. Enterre sua defunta".
12. Abraão se inclinou diante dos proprietários
13. e falou a Efron, na presença dos proprietários: "Se você concorda, ouça-me: eu pagarei o preço do campo. Aceite o pagamento, e eu enterrarei minha defunta".
14. Efron respondeu a Abraão:
15. "Meu senhor, ouça-me: o terreno vale quatro quilos de prata. O que significa isso para mim e você? Enterre sua defunta".
16. Abraão concordou com Efron. Pesou para Efron o dinheiro de que falara diante dos heteus: quatro quilos de prata, em uso no mercado.
17. Então, o campo de Efron, que está em Macpela, diante de Mambré, o campo e a gruta que aí existe, e todas as árvores que estão dentro e ao redor do campo,
18. tornaram-se propriedade de Abraão, sendo testemunhas os heteus e os que assistiam ao conselho.
19. Depois Abraão enterrou Sara, sua mulher, na gruta do campo de Macpela, diante de Mambré, hoje Hebron, na terra de Canaã.
20. Foi assim que o campo e a gruta passaram dos filhos de Het para Abraão, como propriedade sepulcral.

[Gênesis 24]Gênesis 24

CASAMENTO DE ISAAC
1. Abraão era velho, de idade avançada, e Javé o havia abençoado em tudo.
2. Abraão disse ao servo mais velho de sua casa, que administrava todas as suas propriedades: "Ponha a sua mão debaixo da minha coxa,
3. e jure por Javé, Deus do céu e da terra, que quando você buscar esposa para o meu filho, não a escolherá entre as filhas dos cananeus, no meio dos quais estou morando.
4. Mas irá à minha terra natal e aí escolherá uma esposa para o meu filho Isaac".
5. O servo perguntou: "E se a mulher não quiser vir comigo para esta terra, deverei levar seu filho para o lugar de onde o senhor saiu?"
6. Abraão lhe respondeu: "De jeito nenhum, não leve meu filho para lá.
7. Javé, o Deus do céu e da terra, que me tirou da casa paterna e da minha terra natal, e que jurou dar esta terra à minha descendência, ele enviará o seu anjo diante de você, e você poderá trazer uma esposa para meu filho.
8. Se a mulher não quiser vir com você, então você ficará livre do juramento. Em todo caso, não leve meu filho para lá".
9. O servo colocou a mão sob a coxa de Abraão, seu patrão, e jurou que assim faria.
10. O servo tomou dez camelos do seu senhor e, levando consigo de tudo o que seu patrão tinha de bom, pôs-se a caminho de Aram Naaraim, para a cidade de Nacor.
11. Fez os camelos ajoelharem fora da cidade, perto do poço, à tarde, na hora em que as mulheres saem para tirar água.
12. Então o servo pediu: "Javé, Deus do meu senhor Abraão, concede que o dia de hoje me seja favorável, e trata com amor o meu senhor Abraão.
13. Vou ficar junto à fonte, quando as moças da cidade saírem para buscar água.
14. Direi a uma das moças: 'Por favor, incline o balde para que eu possa beber'. Aquela que disser: 'Beba você, que também vou dar de beber a seus camelos', será essa aquela que destinaste para teu servo Isaac. Assim saberei que tratas meu patrão com amor".
15. Ele ainda não havia acabado de falar, quando chegou Rebeca, filha de Batuel, filho de Melca, a mulher de Nacor, irmão de Abraão. Ela carregava um balde no ombro.
16. Era uma jovem muito bela e virgem; não tinha tido relação com nenhum homem. Ela desceu à fonte, encheu o balde e subiu.
17. O servo correu para ela, e disse: "Por favor, deixe-me beber um pouco da água de seu balde".
18. Ela respondeu: "Beba, meu senhor". E abaixou depressa o balde sobre o braço, e lhe deu de beber.
19. Quando terminou, ela disse: "Vou dar de beber também para seus camelos, até que fiquem saciados".
20. Em seguida, esvaziou o balde no bebedouro, e correu até o poço a fim de tirar água para todos os camelos.
21. O servo observava em silêncio, esperando para ver se Javé ia levar ou não a bom termo a sua missão.
22. Quando os camelos acabaram de beber, o servo pegou um anel de ouro que pesava cinco gramas e o colocou nas narinas dela. Depois, colocou nos braços dela dois braceletes de ouro, que pesavam dez gramas.
23. E disse: "Você é filha de quem? Diga para mim: será que na casa de seu pai há lugar para eu passar a noite?"
24. Ela respondeu: "Eu sou filha de Batuel, o filho que Melca gerou para Nacor".
25. E continuou: "Em nossa casa há muita palha e forragem, e também lugar para passar a noite".
26. Então o servo se prostrou e adorou a Javé,
27. dizendo: "Bendito seja Javé, o Deus do meu senhor Abraão! Ele não esqueceu o seu amor e fidelidade para com o meu senhor. Javé guiou meus passos à casa do irmão do meu senhor".
28. A jovem foi correndo para casa, a fim de contar à sua mãe o que lhe havia acontecido.
29. Ora, Rebeca tinha um irmão chamado Labão, que correu para a fonte ao encontro do homem.
30. De fato, quando Labão viu o anel e os braceletes que estavam com sua irmã, e quando ouviu o que ela contava, foi ao encontro do homem e o achou ainda de pé junto aos camelos, perto da fonte.
31. Então disse para ele: "Venha, bendito de Javé. Por que você está aí fora, quando já preparei alojamento e lugar para os camelos?"
32. O homem entrou na casa, e Labão descarregou os camelos, deu palha e forragem para os camelos, e levou água para que o servo e seus acompanhantes lavassem os pés.
33. Quando ofereceram comida, o servo disse: "Não vou comer enquanto não tratar do meu assunto". Labão respondeu: "Pois fale".
34. O servo disse: "Eu sou servo de Abraão.
35. Javé abençoou imensamente meu senhor e o tornou rico: deu-lhe ovelhas e vacas, prata e ouro, escravos e escravas, camelos e jumentos.
36. Sara, a mulher do meu senhor, já velha, deu a ele um filho, que é o herdeiro de tudo.
37. Meu senhor me fez prestar este juramento: 'Você não tomará para meu filho uma esposa entre as filhas dos cananeus, em cuja terra estou morando.
38. Você irá à casa de meu pai e de meus parentes, e aí escolherá uma esposa para meu filho'.
39. Então eu disse ao meu senhor: 'E se a mulher não quiser vir comigo?'
40. Ele me respondeu: 'Javé, a quem meu comportamento agrada, vai enviar seu anjo com você; ele dará êxito à sua missão, e você encontrará uma esposa para o meu filho na casa de meus pais e parentes.
41. Você ficará livre do juramento quando for à casa de meus parentes; sim, você ficará livre do juramento, se eles negarem a mulher'.
42. Hoje eu cheguei à fonte e disse: 'Javé, Deus de meu senhor Abraão, mostra, eu te peço, se estás disposto a levar a bom termo a viagem que empreendi.
43. Aqui estou junto à fonte, e vou dizer para a jovem que vier buscar água: Dê-me de beber um pouco da água de seu balde.
44. Se ela me disser: Beba, que também vou tirar água para os seus camelos, então será essa a esposa que Javé destinou ao filho do meu senhor'.
45. Eu não tinha acabado de falar comigo mesmo, quando chegou Rebeca com o balde no ombro. Ela desceu à fonte e tirou água. Eu pedi a ela: 'Por favor, dê-me de beber'.
46. Ela abaixou logo o balde e disse: 'Beba, que também vou dar de beber a seus camelos'. Eu bebi, e ela deu de beber também aos meus camelos.
47. Então eu perguntei a ela: 'Você é filha de quem?' Ela respondeu: 'Sou filha de Batuel, o filho que Melca deu a Nacor'. Então eu lhe pus este anel nas narinas e estes braceletes nos braços.
48. Prostrei-me, adorei Javé, bendisse a Javé, Deus do meu senhor Abraão, que me guiou pelo caminho certo, para levar ao filho do meu senhor a filha do irmão dele.
49. Portanto, digam-me se querem ou não mostrar amor e fidelidade ao meu senhor, para que eu possa agir de acordo".
50. Labão e Batuel disseram: "Isso vem de Javé, e nós não podemos dizer nem sim, nem não.
51. Aí está Rebeca, tome-a e vá, e que ela seja a esposa do filho do seu senhor, conforme disse Javé".
52. Quando o servo de Abraão ouviu isso, prostrou-se por terra diante de Javé.
53. Depois pegou jóias de prata e ouro, e vestidos, e os deu a Rebeca. Também deu ricos presentes ao irmão e à mãe dela.
54. Então comeram e beberam, ele e seus companheiros, e passaram a noite. De manhã, quando se levantaram, o servo disse: "Deixe-me voltar para o meu senhor".
55. Então o irmão e a mãe de Rebeca disseram: "Deixe que a jovem fique ainda dez dias conosco. Depois, ela irá".
56. Mas o servo replicou: "Não me detenham, pois Javé deu êxito à minha viagem. Deixem-me voltar ao meu senhor".
57. Então eles disseram: "Vamos chamar a jovem e perguntar-lhe sua opinião".
58. Chamaram Rebeca e lhe perguntaram: "Você quer partir com esse homem?" Ela respondeu: "Quero".
59. Então eles deixaram partir sua irmã Rebeca com sua ama, o servo de Abraão e seus homens.
60. Eles abençoaram Rebeca, dizendo: "Você é nossa irmã: torne-se milhares de milhares, e que sua descendência conquiste as cidades inimigas".
61. Rebeca e suas servas se levantaram, montaram nos camelos e acompanharam o homem. E foi assim que o servo de Abraão levou Rebeca.
62. Isaac tinha voltado do poço de Laai-Roí e morava na terra do Negueb.
63. Ao pôr-do-sol, Isaac saiu para passear no campo e, erguendo os olhos, viu que chegavam camelos.
64. Rebeca, erguendo os olhos, viu Isaac. Ela apeou do camelo,
65. e disse ao servo: "Quem é aquele homem lá no campo, que vem ao nosso encontro?" O servo respondeu: "É o meu senhor". Então ela pegou o véu e se cobriu.
66. O servo contou a Isaac tudo o que havia feito.
67. Então Isaac introduziu Rebeca em sua tenda e a recebeu por esposa. Isaac amou-a, consolando-se assim da morte de sua mãe.

[Gênesis 25]Gênesis 25

OUTROS FILHOS DE ABRAÃO
1. Abraão tomou outra mulher chamada Cetura.
2. Esta gerou para ele Zamrã, Jecsã, Madã, Madia, Jesboc e Sué.
3. Jecsã gerou Sabá e Dadã, e os filhos de Dadã foram os assurim, os latusim e os loomim.
4. Os filhos de Madiã foram: Efa, Ofer, Henoc, Abida e Eldaá. Todos esses são descendentes de Cetura.
5. Abraão deu todos os seus bens a Isaac.
6. Quanto aos filhos de suas concubinas, Abraão lhes deu presentes e, ainda em vida, os mandou para longe do seu filho Isaac, para o leste, a região oriental.

MORTE DE ABRAÃO
7. Abraão viveu cento e setenta e cinco anos.
8. Depois Abraão expirou e morreu numa velhice feliz, idoso, e se reuniu com seus parentes.
9. Isaac e Ismael, seus filhos, o enterraram na gruta de Macpela, no campo de Efron, filho de Seor, o heteu, campo que está diante de Mambré.
10. É o campo que Abraão tinha comprado dos filhos de Het; nele foram enterrados Abraão e sua mulher Sara.
11. Depois da morte de Abraão, Deus abençoou seu filho Isaac. E Isaac morou junto ao poço de Laai-Roí.

FILHOS DE ISMAEL
12. São estes os descendentes de Ismael, filho de Abraão e Agar, a escrava egípcia de Sara.
13. Nomes dos filhos de Ismael por ordem de nascimento: o primogênito Nabaiot, depois Cedar, Adbeel, Mabsam,
14. Masma, Duma, Massa,
15. Hadad, Tema, Jetur, Nafis e Cedma.
16. São esses os filhos de Ismael e seus nomes por cercados e acampamentos: doze chefes de tribos.
17. Ismael viveu cento e trinta e sete anos. Depois expirou, morreu e se reuniu com seus parentes.
18. Habitou desde Hévila até Sur, que está a leste do Egito, na direção da Assíria. Ele se estabeleceu na frente de todos os seus irmãos.

2. HISTÓRIA DE ISAAC E JACÓ

IRMÃOS EM LUTA
19. História de Isaac, filho de Abraão. Abraão gerou Isaac.
20. Isaac tinha quarenta anos quando se casou com Rebeca, filha de Batuel, o arameu de Padã-Aram, e irmã de Labão, o arameu.
21. Isaac implorou a Javé por sua mulher, porque ela era estéril: Javé o escutou e sua mulher Rebeca ficou grávida.
22. As crianças, porém, lutavam dentro dela. Então ela disse: "Se é assim, para que viver?" Então foi consultar Javé.
23. E Javé lhe disse: "Em seu ventre há duas nações, dois povos se separam em suas entranhas. Um povo vencerá o outro, e o mais velho servirá ao mais novo".
24. Quando chegou o dia do parto, Rebeca teve gêmeos.
25. O primeiro saiu: era ruivo e peludo como um manto de pêlos, e lhe deram o nome de Esaú.
26. Em seguida, saiu seu irmão, com a mão segurando o calcanhar de Esaú, e lhe deram o nome de Jacó. Isaac tinha sessenta anos quando eles nasceram.
27. Os meninos cresceram. Esaú se tornou hábil caçador, homem rude, enquanto Jacó era homem tranqüilo, morando sob tendas.
28. Isaac apreciava a caça e preferia Esaú, enquanto Rebeca preferia Jacó.

ESAÚ PERDE SEUS DIREITOS
29. Certa vez, Jacó estava preparando um cozido, quando Esaú voltou do campo, esgotado.
30. Esaú pediu a Jacó: "Deixe-me comer dessa coisa vermelha, porque estou esgotado". É por isso que ele recebeu o nome de Edom.
31. Jacó respondeu: "Venda-me primeiro o direito de primogenitura".
32. Esaú disse: "Estou quase morrendo... Que me importa o direito de primogenitura?"
33. Jacó retomou: "Primeiro, o juramento". Esaú jurou e vendeu seu direito de primogenitura a Jacó.
34. Então Jacó lhe deu pão e o cozido de lentilhas. Esaú comeu e bebeu, levantou-se e partiu. E assim Esaú desprezou o direito de primogenitura.

[Gênesis 26]Gênesis 26

ISAAC EM GERARA
1. Houve fome no país - além daquela que tinha havido no tempo de Abraão - e Isaac foi para Gerara, onde Abimelec era rei dos filisteus.
2. Javé apareceu a Isaac e disse: "Não desça para o Egito; fique na terra que eu lhe disser.
3. Fique morando aqui neste país, e eu estarei com você e o abençoarei, pois eu darei todas estas terras a você e a seus descendentes, cumprindo o juramento que fiz a seu pai Abraão.
4. Tornarei a descendência de você numerosa como as estrelas do céu, e darei a seus descendentes todas estas terras. Por meio da sua descendência, serão abençoadas todas as nações da terra,
5. porque Abraão me obedeceu, observou meus preceitos e mandamentos, meus estatutos e leis".
6. Então Isaac ficou em Gerara.
7. Os homens do lugar perguntaram a Isaac sobre Rebeca. Isaac respondeu: "É minha irmã". Ele ficou com medo de dizer que era sua mulher, pois pensava: "Os homens deste lugar me matarão por causa de Rebeca, pois ela é muito bonita".
8. Isaac se encontrava aí já fazia muito tempo, quando Abimelec, rei dos filisteus, olhou certo dia pela janela e viu Isaac acariciando a esposa Rebeca.
9. Abimelec chamou Isaac e disse: "É claro que ela é sua mulher! Por que você disse que é sua irmã?" Isaac respondeu: "Porque pensei que iam me matar por causa dela".
10. Abimelec continuou: "Por que você fez isso? Por pouco alguém do povo dormiria com sua mulher, e você nos tornaria todos culpados!"
11. Então Abimelec deu esta ordem a todo o povo: "Quem tocar neste homem ou em sua mulher, morrerá".

A LUTA PELA ÁGUA
12. Isaac semeou aquela terra e, nesse ano, colheu o cêntuplo. Javé o abençoou
13. e ele foi ganhando muito, até ficar bem rico.
14. Tinha rebanhos de bois e ovelhas e numerosos servos. Por causa disso, os filisteus ficaram com inveja.
15. Os filisteus haviam entulhado e coberto de terra todos os poços que os servos de Abraão, pai de Isaac, haviam cavado no tempo de Abraão.
16. Abimelec disse a Isaac: "Vá embora daqui, porque você ficou mais poderoso do que nós".
17. Isaac foi embora dali, acampou no vale de Gerara, e aí se estabeleceu.
18. Cavou de novo os poços que os servos de seu pai Abraão haviam cavado e que os filisteus tinham entulhado depois da morte de Abraão, e lhes deu os mesmos nomes que seu pai lhes havia dado.
19. Os servos de Isaac cavaram no vale e encontraram aí uma fonte.
20. Mas os pastores de Gerara brigaram com os pastores de Isaac, dizendo: "Essa água é nossa!" Isaac então chamou esse poço de Desafio, pois brigavam por causa dele.
21. Cavaram outro poço, e também acabaram brigando por causa dele. A este Isaac deu o nome de Rivalidade.
22. Então partiu daí e cavou outro poço; e, como não houve briga por causa deste, deu-lhe o nome de Campo Livre, dizendo: "Agora Javé nos deu o campo livre para que prosperemos na terra".
23. Daí, Isaac subiu para Bersabéia.
24. Nessa noite, Javé apareceu a ele e disse: "Eu sou o Deus do seu pai Abraão. Não tenha medo, pois estou com você. Eu o abençoarei, e multiplicarei seus descendentes, em atenção ao meu servo Abraão".
25. Isaac levantou aí um altar, invocou o nome de Javé, e armou sua tenda. E seus servos começaram a cavar um poço.
26. Abimelec, juntamente com Ocozat, seu conselheiro, e Ficol, chefe do seu exército, foi de Gerara para visitar Isaac.
27. E Isaac lhes disse: "O que vocês vieram fazer aqui? Vocês me odeiam e me expulsaram".
28. Eles responderam: "Vimos que Javé está com você, e combinamos fazer um juramento e uma aliança entre nós e você.
29. Jure que não nos fará nenhum mal, assim como nós não o tratamos mal e o deixamos partir em paz. Agora você é um abençoado de Javé".
30. Isaac preparou um banquete; comeram e beberam.
31. Levantaram-se de madrugada e fizeram um juramento mútuo. Depois Isaac os despediu, e eles o deixaram em paz.
32. Nesse dia, os servos de Isaac lhe levaram notícias do poço que haviam cavado, e disseram: "Encontramos água".
33. Isaac deu ao poço o nome de Seba, de onde vem o nome Bersabéia, até o dia de hoje.
34. Quando Esaú completou quarenta anos, tomou como esposas Judite, filha de Beeri, o heteu, e Basemat, filha de Elon, o heteu.
35. Elas se tornaram amargura para Isaac e Rebeca.

[Gênesis 27]Gênesis 27

JACÓ ROUBA A BÊNÇÃO DE ESAÚ
1. Isaac ficou velho, e seus olhos se enfraqueceram, a ponto de não enxergar mais nada. Então chamou Esaú, seu filho mais velho: "Meu filho!" Esaú respondeu: "Estou aqui".
2. Isaac continuou: "Veja! Estou velho e não sei quando vou morrer.
3. Agora, pegue suas armas, suas flechas e o arco, vá ao campo e traga-me alguma caça.
4. Prepare-me um bom prato, do jeito que eu gosto, e traga-me para que eu coma, e antes de morrer eu abençoe você".
5. Rebeca ouviu tudo o que Isaac falava com seu filho Esaú. E Esaú saiu para o campo a fim de caçar alguma coisa para seu pai.
6. Rebeca disse a seu filho Jacó: "Ouvi seu pai dizer a seu irmão Esaú:
7. 'Traga-me alguma caça e faça-me um bom prato, para eu comer e abençoar você diante de Javé, antes de morrer'.
8. Agora, escute-me e faça o que eu mandar.
9. Vá ao rebanho e me traga dois cabritos gordos. Vou preparar para seu pai um prato do jeito que ele gosta.
10. Depois você levará o prato a seu pai, para ele comer e abençoar você antes de morrer".
11. Jacó disse à sua mãe Rebeca: "Mas meu irmão Esaú é peludo e minha pele é lisa!
12. Se meu pai me tocar, ele vai perceber que eu quis enganá-lo e, em vez de bênção, atrairei maldição sobre mim".
13. Mas sua mãe lhe respondeu: "Meu filho, que a maldição dele caia sobre mim. Obedeça-me, vá e traga os cabritos".
14. Jacó foi buscar os cabritos e os levou para sua mãe. Ela preparou um bom prato, do jeito que o pai gostava.
15. Rebeca pegou as melhores roupas que Esaú, o filho mais velho, tinha em casa, e com elas vestiu Jacó, seu filho mais novo.
16. Então cobriu-lhe os braços e a parte lisa do pescoço com a pele dos cabritos.
17. Depois colocou nas mãos do seu filho Jacó o pão e o prato que ela havia preparado.
18. Então Jacó foi até seu pai e disse: "Pai!" Isaac respondeu: "Aqui estou. Quem é você, meu filho?"
19. Jacó respondeu ao pai: "Sou Esaú, seu primogênito. Fiz o que o senhor me mandou. Levante-se, sente-se e coma da minha caça. Depois, o senhor me abençoará".
20. Isaac disse a Jacó: "Como você encontrou a caça depressa, meu filho!" Jacó respondeu: "É que Javé, o seu Deus, a colocou ao meu alcance".
21. Isaac disse a Jacó: "Aproxime-se, meu filho, para que eu o apalpe e veja se você é ou não o meu filho Esaú".
22. Jacó aproximou-se de seu pai Isaac, que o apalpou e disse: "A voz é de Jacó, mas os braços são de Esaú".
23. Isaac não reconheceu Jacó, porque os braços dele estavam peludos como os de seu irmão Esaú. Então ele o abençoou.
24. E voltou a lhe perguntar: "Você é o meu filho Esaú?" Jacó respondeu: "Sou".
25. Isaac continuou: "Sirva a caça, meu filho, para que eu coma e depois o abençoe". Jacó o serviu e Isaac comeu; apresentou-lhe vinho, e ele bebeu.
26. Então seu pai Isaac lhe disse: "Meu filho, aproxime-se e me beije".
27. Jacó se aproximou e beijou o pai, que lhe aspirou o perfume das roupas. E o abençoou, dizendo: "Sim, o perfume do meu filho é como o perfume de um campo fértil que Javé abençoou.
28. Que Deus dê a você o orvalho do céu e a fertilidade da terra, trigo e vinho em abundância.
29. Que os povos o sirvam e as nações se prostrem diante de você. Seja um senhor para seus irmãos, e os filhos de sua mãe se prostrem diante de você. Maldito seja quem amaldiçoar você; e bendito seja quem o abençoar".
30. Logo que Isaac acabou de abençoar Jacó e este saiu de junto de seu pai, o irmão Esaú voltava da caça.
31. Ele também preparou um prato saboroso e o levou a seu pai. E lhe disse: "Que meu pai se levante e coma da caça de seu filho, e depois me abençoe".
32. Seu pai Isaac lhe perguntou: "Quem é você?" Ele respondeu: "Sou Esaú, seu filho primogênito!"
33. Então Isaac estremeceu emocionado, e disse: "Então, quem foi que veio e me trouxe a caça? Eu a comi antes que você chegasse e o abençoei, e abençoado ele ficará".
34. Quando Esaú ouviu as palavras de seu pai, deu um forte grito e, cheio de amargura, disse ao pai: "Abençoe-me também, meu pai!"
35. Mas Isaac respondeu: "Seu irmão veio com astúcia e tomou a bênção que cabia a você".
36. Esaú disse: "Com razão ele se chama Jacó: é a segunda vez que ele me engana! Tirou o meu direito de primogenitura e agora roubou a minha bênção". E acrescentou: "O senhor não reservou nenhuma bênção para mim?"
37. Isaac respondeu a Esaú: "Eu tornei Jacó senhor de você, dei-lhe todos os seus irmãos como servos e lhe garanti trigo e vinho. Que posso fazer por você agora, meu filho?"
38. Esaú disse ao pai: "O senhor tem só uma bênção, meu pai? Abençoe também a mim, meu pai!" Isaac ficou em silêncio e Esaú chorou em voz alta.
39. Isaac então lhe disse: "A sua morada será longe da terra fértil e sem o orvalho que desce do céu.
40. Você viverá da sua espada e servirá a seu irmão. Mas quando você se revoltar, sacudirá o jugo do seu pescoço".

O PREÇO DE UMA TRAPAÇA
41. Esaú começou a odiar Jacó, por causa da bênção que seu pai havia dado a ele. E dizia a si mesmo: "Quando chegar o luto por meu pai, vou matar meu irmão Jacó".
42. Contaram a Rebeca o que seu filho mais velho Esaú andava dizendo. Então ela mandou chamar Jacó, o filho mais novo, e lhe disse: "Seu irmão Esaú quer matar você para vingar-se.
43. Portanto, meu filho, ouça bem: fuja para Harã, junto de meu irmão Labão.
44. Fique com ele algum tempo, até que passe a raiva do seu irmão,
45. até que a cólera do seu irmão se desvie de você e ele esqueça o que você lhe fez. Depois eu mandarei buscar você. Não quero perder os meus dois filhos num só dia".
46. Rebeca disse a Isaac: "Essas mulheres hetéias me tornam a vida insuportável. Se também Jacó casar com mulheres hetéias deste país, de que me adianta viver?"

[Gênesis 28]Gênesis 28

1. Isaac chamou Jacó, o abençoou e lhe deu esta ordem: "Não se case com mulher cananéia.
2. Vá até Padã-Aram, à casa de Batuel, seu avô materno, e escolha uma mulher de lá, entre as filhas de Labão, seu tio materno.
3. Que o Deus Todo-poderoso o abençoe e torne você fecundo e o multiplique, a fim de que você se torne uma assembléia de povos.
4. Que ele conceda a você e à sua descendência a bênção de Abraão, a fim de que você possua a terra onde está vivendo e que Deus deu a Abraão".
5. Isaac despediu Jacó, e este partiu para Padã-Aram, para a casa de Labão, filho do arameu Batuel, e irmão de Rebeca, mãe de Jacó e Esaú.
6. Esaú viu que Isaac tinha abençoado Jacó e o tinha mandado a Padã-Aram, para lá buscar uma esposa, e que o tinha abençoado, dando esta ordem: "Não se case com uma cananéia".
7. E Jacó obedeceu a seu pai e sua mãe, e partiu para Padã-Aram.
8. Esaú soube que as cananéias eram malvistas por seu pai Isaac.
9. Foi, então, à casa de Ismael e tomou como esposa, além das que possuía, Maelet, filha de Ismael, filho de Abraão, e irmã de Nabaiot.

A ESSÊNCIA DA RELIGIÃO
10. Jacó deixou Bersabéia e partiu para Harã.
11. Chegou a certo lugar e resolveu passar a noite aí, porque o sol já se havia posto. Jacó pegou uma pedra do lugar, colocou-a sob a cabeça, e dormiu.
12. Teve então um sonho: Uma escada se erguia da terra e chegava até o céu, e anjos de Deus subiam e desciam por ela.
13. Javé estava de pé, no alto da escada, e disse a Jacó: "Eu sou Javé, o Deus de seu pai Abraão e o Deus de Isaac. A terra sobre a qual você dormiu, eu a entrego a você e à sua descendência.
14. Sua descendência se tornará numerosa como a poeira do chão, e você ocupará o oriente e o ocidente, o norte e o sul. E todas as nações da terra serão abençoadas por meio de você e da sua descendência.
15. Eu estou com você e o protegerei em qualquer lugar aonde você for. Depois eu o farei voltar a esta terra, pois nunca o abandonarei, até cumprir o que prometi".
16. Ao despertar, Jacó disse: "De fato, Javé está neste lugar e eu não sabia disso".
17. Ficou com medo, e disse: "Este lugar é terrível. Não é nada menos que a Casa de Deus e a Porta do Céu".
18. Levantou-se de madrugada, pegou a pedra que lhe havia servido de travesseiro, ergueu-a como estela e derramou óleo por cima.
19. E chamou esse lugar de Betel. Mas antes a cidade se chamava Luza.
20. Jacó fez, então, este voto: "Se Deus estiver comigo e me proteger no caminho por onde eu for, se me der pão para comer e roupas para vestir,
21. se eu voltar são e salvo para a casa do meu pai, então Javé será o meu Deus.
22. E esta pedra que ergui como estela será uma casa de Deus, e eu te darei a décima parte de tudo o que me deres".

[Gênesis 29]Gênesis 29

RAQUEL E LIA
1. Jacó continuou viagem e foi para a terra dos orientais.
2. Em certo campo, viu um poço e, deitados perto dele, três rebanhos de ovelhas, pois os rebanhos costumavam beber nesse poço. A pedra que tapava o poço era grande,
3. de modo que só quando se reuniam aí todos os rebanhos é que os pastores tiravam a pedra da boca do poço, davam de beber aos rebanhos e tornavam a tapar o poço, colocando a pedra no lugar.
4. Jacó perguntou aos pastores: "Irmãos, de onde são vocês?" Eles responderam: "Nós somos de Harã".
5. Jacó perguntou: "Vocês conhecem Labão, filho de Nacor?" Eles responderam: "Conhecemos".
6. Jacó perguntou: "Como é que ele vai?" Eles responderam: "Ele está bem. Veja! Raquel, filha dele, está chegando com o rebanho".
7. Jacó disse: "Ainda é pleno dia e não é hora de recolher o rebanho. Por que vocês não dão de beber para as ovelhas e as deixam pastar?"
8. Eles responderam: "Não podemos fazer isso antes que se reúnam todos os rebanhos. Só então é que tiramos a pedra, destampamos o poço e damos de beber para as ovelhas".
9. Jacó ainda estava conversando com eles, quando Raquel chegou com o rebanho do seu pai, pois ela era pastora.
10. Logo que Jacó viu Raquel, a filha do seu tio Labão, e as ovelhas de Labão, aproximou-se, tirou a pedra da boca do poço e deu de beber ao rebanho do seu tio.
11. Jacó deu um beijo em Raquel e depois começou a chorar.
12. Então contou a Raquel que ele era parente do pai dela e filho de Rebeca.
13. Ao saber que se tratava de seu sobrinho Jacó, Labão correu ao encontro dele, o abraçou, o cobriu de beijos e o levou para sua casa. Então Jacó contou a Labão tudo o que havia acontecido.
14. E Labão lhe disse: "É claro que você é da minha carne e do meu sangue". E Jacó ficou um mês com ele.
15. Labão disse a Jacó: "O fato de ser parente meu não é motivo para que você me sirva de graça. Diga-me qual deve ser o seu salário".
16. Ora, Labão tinha duas filhas: a mais velha se chamava Lia e a mais nova Raquel.
17. Os olhos de Lia eram meigos, porém, Raquel tinha um belo porte e um lindo rosto.
18. E Jacó amou Raquel. Então Jacó disse a Labão: "Eu o servirei durante sete anos em troca de sua filha mais nova, Raquel".
19. Labão respondeu: "É melhor dá-la a você do que a outro qualquer. Fique comigo".
20. Jacó serviu sete anos por Raquel, e estava tão apaixonado que os anos lhe pareceram dias.
21. Depois Jacó disse a Labão: "Terminou o prazo: me dê minha mulher, para que eu viva com ela".
22. Labão reuniu todos os homens do lugar, e lhes ofereceu um banquete.
23. À noite, pegou sua filha Lia, e a levou para Jacó. E Jacó dormiu com ela.
24. Labão deu sua serva Zelfa como serva para sua filha Lia.
25. Na manhã seguinte, Jacó descobriu que era Lia, e disse a Labão: "O que você fez comigo? Não foi por Raquel que eu o servi? Por que você me enganou?"
26. Labão respondeu: "Em nossa região não é costume que a mais nova se case antes da mais velha.
27. Termine esta semana de núpcias, e eu lhe darei também a outra em troca do serviço que você me fará durante outros sete anos".
28. Jacó aceitou. Terminou a semana de núpcias, e Labão lhe deu sua filha Raquel como mulher.
29. Labão deu sua serva Bala como serva para a sua filha Raquel.
30. Jacó uniu-se a Raquel, e amou a Raquel mais do que a Lia. E serviu na casa do seu tio outros sete anos.

RAÍZES DO POVO DE ISRAEL
31. Vendo que Lia era desprezada, Javé a tornou fecunda, enquanto Raquel permanecia estéril.
32. Lia concebeu e deu à luz um filho e deu a ele o nome de Rúben, pois dizia: "Javé olhou para a minha aflição e agora meu marido me amará".
33. Tornou a conceber e deu à luz um filho, e disse: "Javé ouviu que eu não era amada e me deu este outro". E ela o chamou Simeão.
34. Concebeu outra vez e deu à luz um filho, e disse: "Desta vez meu marido se sentirá ligado a mim, porque lhe dei três filhos". E ela o chamou Levi.
35. Concebeu outra vez e deu à luz um filho, e disse: "Desta vez dou graças a Javé". E, por isso, ela o chamou Judá. Depois parou de ter filhos.

[Gênesis 30]Gênesis 30

1. Vendo que não dava filho a Jacó, Raquel ficou com inveja de sua irmã e disse a Jacó: "Ou você me dá filhos ou eu morro".
2. Jacó ficou irritado com Raquel, e disse: "Por acaso eu sou Deus para lhe negar a maternidade?"
3. Raquel respondeu: "Aqui está minha serva Bala. Una-se a ela, para que ela dê à luz sobre os meus joelhos. Assim terei filhos por meio dela".
4. Então Raquel lhe deu sua serva Bala como mulher, e Jacó uniu-se a Bala.
5. Bala concebeu e deu à luz um filho para Jacó.
6. Raquel disse: "Deus me fez justiça; ouviu minha voz e me deu um filho". Por isso, o chamou Dã.
7. Bala, a serva de Raquel, concebeu outra vez e gerou um segundo filho para Jacó.
8. Raquel disse: "Deus me fez competir com minha irmã, e eu venci". E ela o chamou Neftali.
9. Lia, vendo que não tinha mais filhos, tomou sua serva Zelfa, e a deu por esposa a Jacó.
10. Zelfa, a serva de Lia, gerou um filho para Jacó.
11. Lia disse: "Que sorte!" E ela o chamou Gad.
12. Zelfa, a serva de Lia, gerou um segundo filho para Jacó.
13. Lia disse: "Que felicidade! As mulheres me felicitarão". E o chamou Aser.
14. Um dia, durante a ceifa do trigo, Rúben saiu para o campo, encontrou mandrágoras, e as levou para a sua mãe Lia. Raquel disse a Lia: "Dê-me algumas mandrágoras do seu filho".
15. Lia lhe respondeu: "Você acha pouco ter tirado o meu marido? Agora quer também as mandrágoras do meu filho?" Raquel respondeu: "Pois bem! Que ele durma esta noite com você, em troca das mandrágoras do seu filho".
16. Quando, de tarde, Jacó voltou do campo, Lia foi ao seu encontro e lhe disse: "Você vai dormir comigo, pois com as mandrágoras do meu filho comprei o direito de dormir com você". E Jacó dormiu com Lia nessa noite.
17. Deus ouviu Lia: ela concebeu e gerou um quinto filho para Jacó.
18. E Lia disse: "Deus pagou meu salário, por ter dado minha serva ao meu marido". E o chamou Issacar.
19. Lia concebeu mais uma vez e gerou um sexto filho para Jacó.
20. E Lia disse: "Deus me fez um grande presente! Agora dominarei meu marido, pois lhe dei seis filhos". E o chamou Zabulon.
21. Em seguida, Lia deu à luz uma filha, e a chamou Dina.
22. Então Deus se lembrou de Raquel. Deus a ouviu e a tornou fecunda.
23. Raquel concebeu e deu à luz um filho. E disse: "Deus retirou minha vergonha".
24. Ela o chamou José, dizendo: "Que Javé me dê mais um".

O DIREITO DOS EXPLORADOS
25. Quando Raquel deu à luz José, Jacó disse a Labão: "Deixe-me partir para nosso lugar e nosso país.
26. Dê minhas mulheres, pelas quais eu servi a você, e meus filhos, que eu irei embora, pois você sabe o quanto eu o servi".
27. Labão lhe disse: "Que pena! Fiquei sabendo por um oráculo que Javé me abençoou por causa de você".
28. E acrescentou: "Diga agora o salário que você quer, e eu pagarei".
29. Jacó respondeu: "Você sabe quanto eu o servi e como seus bens se multiplicaram comigo.
30. O pouco que você possuía antes de mim, cresceu imensamente, porque Javé abençoou você por minha causa. Agora, já é tempo de eu fazer alguma coisa por minha família".
31. Labão perguntou: "Quanto lhe devo pagar?" Jacó respondeu: "Não precisa me pagar nada. Faça apenas o seguinte: voltarei a pastorear e guardar o seu rebanho.
32. Hoje vou passar pelo meio do seu rebanho; separe todo animal negro entre os cordeiros e o que é malhado ou pintado entre as cabras. Esse vai ser o meu salário,
33. e minha honestidade testemunhará por mim no futuro: quando chegar o momento de você me pagar, tudo o que não for pintado ou malhado entre as cabras ou negro entre os cordeiros, é porque eu os roubei".
34. Labão disse: "Está bem, seja como você propõe".
35. Nesse dia, Labão separou os bodes listrados e malhados, todas as cabras malhadas ou com manchas brancas, e todos os cordeiros negros. Labão os entregou a seus filhos,
36. e os mandou levar a três dias de caminhada de onde Jacó estava. Enquanto isso, Jacó ficou apascentando o resto do rebanho de Labão.
37. Jacó pegou varas verdes de álamo, de amendoeira e de plátano, descascou-as em tiras brancas, deixando aparecer a parte branca das varas.
38. Em seguida, colocou as varas assim descascadas nos bebedouros diante do rebanho, onde as ovelhas costumavam beber água, para que os machos cobrissem as fêmeas quando fossem beber água.
39. Os animais se acasalavam diante das varas e pariam crias listradas, pintadas e malhadas.
40. Quanto aos cordeiros, Jacó os separou e virou o rebanho para o lado dos listrados e de tudo o que era negro no rebanho de Labão. Deste modo, ele separou seus rebanhos e não os colocou junto com o rebanho de Labão.
41. Além disso, cada vez que os animais robustos se acasalavam, Jacó colocava as varas nos bebedouros diante dos animais, para que eles se acasalassem diante das varas.
42. Quando os animais eram fracos, Jacó não colocava as varas, de modo que ficava com Labão o que era fraco e o que era robusto ficava para Jacó.
43. Desse modo, Jacó se enriqueceu muitíssimo, tinha muitos rebanhos, servos e servas, camelos e jumentos.

[Gênesis 31]Gênesis 31

1. Jacó soube que os filhos de Labão diziam: "Jacó pegou tudo o que pertencia ao nosso pai, e foi às custas de nosso pai que se enriqueceu".
2. Jacó observou o rosto de Labão e percebeu que ele já não o tratava como antes.
3. Javé disse a Jacó: "Volte para a terra de seus pais, para a sua pátria, e eu estarei com você".
4. Jacó chamou então Raquel e Lia para que fossem ao campo onde ele estava com o rebanho.
5. E lhes disse: "Observei o rosto do pai de vocês, que já não me trata como antes. Mas o Deus de meu pai está comigo.
6. Vocês sabem que servi o pai de vocês com todas as minhas forças.
7. Mas o pai de vocês me enganou, mudando dez vezes o meu salário. Deus, porém, não permitiu que ele me fizesse mal.
8. Cada vez que ele dizia: 'O que for pintado será o seu salário', aí todos os animais davam crias pintadas; e cada vez que me dizia: 'O que for listrado será o seu salário', então todos os animais davam crias listradas.
9. E assim Deus tirou dele o rebanho e o deu a mim.
10. Aconteceu que, ao chegar o tempo em que os animais entram no cio, ergui os olhos e vi em sonho que todos os machos que cobriam as fêmeas eram listrados, malhados ou pintados.
11. O anjo de Deus me disse em sonho: 'Jacó'. E eu respondi: 'Aqui estou'.
12. O anjo disse: 'Levante os olhos e veja! Todos os machos que cobrem as fêmeas são listrados, malhados ou pintados. Eu vi o que Labão está fazendo com você.
13. Eu sou o Deus que apareceu a você em Betel, onde você ungiu uma estela e me fez um voto. Agora levante-se, saia desta terra e volte para a sua pátria' ".
14. Raquel e Lia disseram a Jacó: "Nós teríamos direito a um dote e a uma herança na casa de nosso pai.
15. No entanto, ele nos trata como estrangeiras, porque nos vendeu e, ainda por cima, acabou com o nosso dinheiro.
16. Sim, toda a riqueza que Deus retirou de nosso pai pertence a nós e a nossos filhos. Portanto, faça agora tudo o que Deus disse a você".
17. Então Jacó se levantou, fez seus filhos e mulheres montarem sobre os camelos
18. e, guiando todo o rebanho e todos os bens que tinha adquirido em Padã-Aram, partiu para a casa do seu pai Isaac, na terra de Canaã.
19. Enquanto Labão foi tosquiar o rebanho, Raquel roubou os ídolos domésticos que pertenciam a seu pai.
20. Jacó, disfarçando na frente de Labão, o arameu, fugiu sem que ele suspeitasse.
21. Fugiu levando tudo o que possuía. Atravessou o rio e foi para a região montanhosa de Galaad.

DEFENDER OS DIREITOS ADQUIRIDOS
22. Três dias depois, informaram a Labão que Jacó havia fugido.
23. Labão tomou consigo seus irmãos e, perseguindo Jacó durante sete dias, alcançou-o na região montanhosa de Galaad.
24. Deus visitou Labão, o arameu, numa visão noturna, e lhe disse: "Cuidado com o que você vai dizer a Jacó".
25. Labão alcançou Jacó, que tinha armado a tenda na região montanhosa, e armou sua tenda na região montanhosa de Galaad.
26. Labão disse a Jacó: "O que você fez? Por que me enganou, levando embora minhas filhas como se fossem prisioneiras de guerra?
27. Por que fugiu às escondidas, sem me dizer nada? Eu teria despedido você com festas, cantos, tamborins e liras.
28. Você sequer me deixou beijar minhas filhas e netos. Você foi muito insensato.
29. Eu poderia causar-lhe dano, mas o Deus de seu pai, na noite passada, me falou: 'Cuidado com o que você vai dizer a Jacó'.
30. E se você partiu porque sentiu saudades da casa paterna, por que roubou meus deuses?"
31. Jacó respondeu a Labão: "Fiquei com medo, pensando que você iria tirar suas filhas de mim.
32. Mas aquele com quem você encontrar seus deuses não ficará vivo. Diante de minha gente, se você descobrir algo que lhe pertence, pegue-o". De fato, Jacó não sabia que era Raquel quem os havia roubado.
33. Labão foi procurar na tenda de Jacó, depois na tenda de Lia, e por fim na tenda das duas servas, e nada encontrou. Enquanto saía da tenda de Lia para entrar na de Raquel,
34. Raquel pegou os ídolos domésticos, colocou-os na sela do camelo e sentou-se em cima. Labão revirou toda a tenda e nada encontrou.
35. Raquel disse a seu pai: "Que meu senhor não fique bravo porque eu não me levanto em sua presença: é que me veio o incômodo das mulheres". Labão procurou e não encontrou os ídolos.
36. Jacó ficou furioso e começou a discutir com Labão: "Que crime cometi e qual é a minha falta para você me perseguir?
37. Você revirou todas as minhas coisas: encontrou, por acaso, alguma coisa sua? Coloque-a aqui, diante de minha gente e sua gente, e que eles julguem entre nós dois.
38. Veja bem! Estou há vinte anos com você, suas ovelhas e cabras não abortaram e eu não comi os cordeiros do seu rebanho.
39. Não lhe apresentei os animais despedaçados, mas eu os compensava com os meus. Você me pedia contas do que era roubado de dia e de noite.
40. De dia, eu era devorado pelo calor, e de noite pelo frio, e não conseguia pegar no sono.
41. Já estou há vinte anos em sua casa: servi a você catorze anos por suas duas filhas, seis anos por seu rebanho, e dez vezes você mudou o meu salário.
42. Se o Deus do meu pai, o Deus de Abraão, o Terrível Deus de Isaac, não estivesse comigo, você me teria mandado embora de mãos vazias. Mas Deus viu minha aflição e minha fadiga, e na noite passada me fez justiça".
43. Labão respondeu a Jacó: "As filhas são minhas, essas crianças são minhas, o rebanho é meu e tudo o que você vê pertence a mim. Que posso fazer hoje por essas minhas filhas e pelos netos que elas deram à luz?
44. Vamos fazer uma aliança entre mim e você, que sirva de garantia para nós dois".
45. Então Jacó pegou uma pedra e a ergueu como estela.
46. E Jacó disse à sua gente: "Ajuntem pedras". Eles pegaram pedras e com elas fizeram um monte, e junto a ele tomaram refeição.
47. Labão chamou o monte de Jegar-Saaduta, e Jacó o chamou de Galed.
48. Labão disse: "Que este monte de pedras seja um testemunho entre nós". Por isso, o chamou Galed
49. e Masfa, pois disse: "Javé nos vigiará a nós dois quando nos separarmos.
50. Se você maltratar minhas filhas ou tomar outras mulheres além delas, ainda que ninguém veja isso, Deus será nossa testemunha".
51. Labão disse a Jacó: "Olhe este monte e estela que levantei entre nós dois.
52. Este monte e estela vão testemunhar que não devo passar deste monte e estela para o seu lado, e que você não deve passar deste monte e desta estela para o meu lado, em atitude hostil.
53. Que o Deus de Abraão e o Deus de Nacor sejam nossos juízes". E Jacó jurou pelo Deus Terrível de seu pai Isaac.
54. Em seguida, Jacó ofereceu um sacrifício sobre a montanha e convidou sua gente para a refeição. Comeram e passaram a noite sobre a montanha.

[Gênesis 32]Gênesis 32

1. Labão levantou-se de madrugada, beijou seus netos e suas filhas e os abençoou. Depois partiu e voltou para casa.
2. Jacó continuou o seu caminho e se encontrou com anjos de Deus.
3. Ao vê-los, Jacó exclamou: "Este é o acampamento de Deus". Por isso, deu a esse lugar o nome de Maanaim.

PESO DE UMA CULPA ANTIGA
4. Jacó enviou na frente mensageiros a seu irmão Esaú, no país de Seir, no campo de Edom.
5. Deu esta ordem a eles: "Vocês falarão deste modo ao meu senhor Esaú: Assim fala seu servo Jacó: Vivi com Labão e estive com ele até agora.
6. Adquiri bois e jumentos, ovelhas, servos e servas. Envio esta mensagem ao meu senhor para alcançar o seu favor".
7. Os mensageiros voltaram a Jacó, dizendo: "Fomos até seu irmão Esaú e ele próprio vem vindo ao encontro de você com quatrocentos homens".
8. Jacó ficou cheio de medo e angústia. Então dividiu em dois grupos os homens que estavam com ele, e também as ovelhas e bois,
9. calculando: "Se Esaú atacar um dos acampamentos, o outro poderá se salvar".
10. Jacó rezou: "Javé, Deus de meu pai Abraão e Deus de meu pai Isaac, tu me ordenaste: 'Volte à sua terra e à sua pátria, e eu serei bom com você'.
11. Eu não mereço os favores nem a bondade com que trataste teu servo. Quando atravessei o Jordão, eu tinha apenas um bastão, agora possuo duas caravanas.
12. Livra-me da mão do meu irmão Esaú, pois tenho medo que ele venha e mate as mães com os filhos.
13. Tu me disseste: 'Eu lhe darei bens e tornarei sua descendência tão numerosa como a areia do mar, que não se pode contar' ".
14. E Jacó passou a noite nesse lugar. De tudo o que possuía, Jacó separou um presente para o seu irmão Esaú:
15. duzentas cabras e vinte bodes, duzentas ovelhas e vinte cordeiros,
16. trinta camelas de leite, com suas crias, quarenta vacas e dez touros, vinte jumentas e dez jumentinhos.
17. Ele os entregou a seus servos em rebanhos separados, e disse a eles: "Vão na minha frente e deixem espaço entre os rebanhos".
18. E deu esta ordem ao primeiro: "Quando meu irmão Esaú o encontrar e lhe perguntar: 'De quem você é, e para onde vai? De quem é tudo isso que você está levando?',
19. então você responderá: 'É do seu servo Jacó. É um presente que ele envia para o meu senhor Esaú, e ele próprio chegará depois de nós' ".
20. Jacó deu a mesma ordem ao segundo e ao terceiro e a todos os que acompanhavam os rebanhos: "Quando vocês encontrarem Esaú, digam tudo isso.
21. E acrescentem: 'Veja! Seu servo Jacó está vindo atrás de nós' ". Pois Jacó pensava: "Vou acalmar meu irmão com os presentes que vão antes de mim. Depois eu me apresentarei a ele. Talvez assim ele me receba bem".
22. Os presentes foram na frente, e Jacó ficou essa noite no acampamento.

LUTA COM DEUS
23. Nessa noite, Jacó se levantou, pegou suas duas mulheres, suas duas servas, seus onze filhos e atravessou o vau do Jaboc.
24. Jacó os pegou e os fez atravessar a torrente, com tudo o que possuía.
25. E Jacó ficou sozinho. Um homem lutou com Jacó até o despertar da aurora.
26. Vendo que não conseguia dominá-lo, o homem tocou a coxa dele, de modo que o tendão da coxa de Jacó se deslocou enquanto lutava com ele.
27. Então o homem disse: "Solte-me, pois a aurora está chegando". Jacó respondeu: "Não o soltarei, enquanto você não me abençoar".
28. O homem lhe perguntou: "Qual é o seu nome?" Ele respondeu: "Jacó".
29. O homem continuou: "Você já não se chamará Jacó, mas Israel, porque você lutou com Deus e com homens, e você venceu".
30. Jacó lhe perguntou: "Diga-me o seu nome". Mas ele respondeu: "Por que você quer saber o meu nome?" E aí mesmo o abençoou.
31. Jacó deu a esse lugar o nome de Fanuel, dizendo: "Eu vi Deus face a face e continuei vivo".
32. Ao nascer do sol, Jacó atravessou Fanuel e mancava por causa da coxa.
33. Por isso, até hoje os israelitas não comem o nervo ciático, que está na articulação da coxa: é porque aquele homem feriu Jacó na articulação da coxa, no nervo ciático.

[Gênesis 33]Gênesis 33

LIÇÃO DE FRATERNIDADE
1. Erguendo os olhos, Jacó viu que Esaú estava chegando com os quatrocentos homens. Dividiu, então, as crianças entre Lia, Raquel e as duas servas:
2. na frente, colocou as servas com seus filhos, mais atrás Lia com seus filhos e, por último, Raquel com José.
3. Então ele foi na frente de todos e prostrou-se por terra sete vezes antes de chegar até seu irmão.
4. Esaú, porém, correu ao seu encontro, o abraçou e beijou e o apertou junto ao peito. E ambos começaram a chorar.
5. Esaú, erguendo os olhos, viu as mulheres e as crianças. E perguntou: "Quem são esses que estão com você?" Jacó respondeu: "São os filhos com que Deus presenteou o seu servo".
6. As servas se aproximaram com os filhos, e se prostraram.
7. Lia também se aproximou com os filhos e se prostraram. Finalmente, aproximou-se Raquel com José, e se prostraram.
8. Esaú perguntou: "Que significam todos esses rebanhos que eu vinha encontrando pelo caminho?" Jacó respondeu: "É para alcançar as graças do meu senhor".
9. Esaú replicou: "Caro irmão, eu tenho o suficiente. Fique com o que é seu".
10. Jacó insistiu: "De modo algum! Se alcancei o seu favor, aceite estes presentes de minha mão, pois vim à sua presença como se eu fosse à presença de Deus, e você me acolheu bem.
11. Aceite, portanto, o presente que lhe ofereço, pois Deus me favoreceu, e eu tenho tudo o que preciso". Como Jacó insistisse, Esaú aceitou.
12. Depois, Esaú disse: "Vamos continuar a viagem. Eu irei com você".
13. Mas Jacó lhe respondeu: "Meu senhor sabe que as crianças são delicadas e que devo pensar nas ovelhas e vacas de leite. Bastaria um dia de marcha forçada e todo o rebanho morreria.
14. Que meu senhor vá na frente de seu servo; eu irei devagar, ao passo das crianças e do rebanho que vai na minha frente. Alcançarei o meu senhor em Seir".
15. Então Esaú disse: "Deixarei com você alguns de meus homens como escolta". Mas Jacó recusou: "Para que isso, se alcancei o favor de meu senhor?"
16. Nesse dia, Esaú voltou para Seir.
17. Jacó, porém, partiu para Sucot, onde construiu uma casa e currais para o rebanho. É por isso que se deu ao lugar o nome de Sucot.
18. Jacó chegou são e salvo à cidade de Siquém, na terra de Canaã, quando voltou de Padã-Aram, e acampou diante da cidade.
19. O terreno, onde ergueu sua tenda, ele o comprou dos filhos de Hemor, pai de Siquém, por cem moedas de prata.
20. Aí levantou um altar, que denominou "El, o Deus de Israel".

[Gênesis 34]Gênesis 34

DINA E SIQUÉM
1. Dina, filha de Lia e Jacó, saiu para ver as mulheres do país.
2. Siquém, o filho do heveu Hemor, príncipe do país, tendo-a visto, tomou-a, dormiu com ela e a violentou.
3. Contudo, sentiu-se atraído por Dina, filha de Jacó, apaixonou-se por ela e procurou cativá-la.
4. Então Siquém falou a seu pai Hemor: "Consegue-me essa jovem para ser minha mulher".
5. Jacó soube que Siquém tinha desonrado sua filha Dina; mas, como seus filhos estavam no campo com o rebanho, esperou em silêncio até que eles voltassem.
6. Hemor, pai de Siquém, foi falar com Jacó.
7. Quando os filhos de Jacó voltaram do campo e souberam da notícia, ficaram indignados e furiosos, pois era uma infâmia em Israel que Siquém tivesse dormido com a filha de Jacó, coisa que não se faz.
8. Hemor falou com eles: "Meu filho Siquém se apaixonou pela filha de vocês. Peço que vocês a dêem para ele como esposa.
9. Assim nos tornaremos parentes: vocês nos darão suas filhas e tomarão as nossas para vocês,
10. e viverão conosco. A terra está à disposição de vocês: podem morar nela, fazer comércio e adquirir propriedades".
11. Siquém disse ao pai e aos irmãos de Dina: "Façam-me esse favor, e eu lhes darei o que vocês me pedirem.
12. Vocês podem colocar um preço alto pela noiva: eu pagarei o que vocês me pedirem, contanto que a dêem para ser minha mulher".
13. Os filhos de Jacó responderam a Siquém e a seu pai Hemor com falsidade, porque sua irmã Dina tinha sido desonrada:
14. "Não podemos fazer o que pedem, dando nossa irmã para um homem que não é circuncidado, pois isso é uma desonra para nós.
15. Só vamos concedê-la com uma condição: vocês devem se tornar como nós e circuncidar todos os homens.
16. Então daremos a vocês nossas filhas e tomaremos as filhas de vocês para nós; viveremos com vocês e seremos um só povo.
17. Mas, se vocês não aceitarem a circuncisão, vamos tomar nossa filha e partir".
18. As palavras deles agradaram a Hemor e a Siquém, filho de Hemor.
19. O jovem não tardou em fazer isso, pois queria a filha de Jacó, e era o mais considerado de toda a família.
20. Então Hemor e seu filho Siquém foram ao Conselho da cidade e falaram a toda a população:
21. "Essa gente é de paz: que eles habitem a nossa terra entre nós, e nela façam comércio, pois a terra é espaçosa. Tomaremos as filhas deles como mulheres e daremos as nossas filhas a eles.
22. Mas eles colocaram uma condição para viver entre nós e formar um só povo: que todos os homens sejam circuncidados como eles.
23. Seus rebanhos, seus bens e animais serão nossos. Aceitemos, e eles viverão entre nós".
24. Os membros do Conselho aceitaram a proposta de Hemor e de seu filho Siquém, e circuncidaram todos os homens que tinham idade para freqüentar o Conselho.
25. No terceiro dia, quando os homens estavam convalescendo, Simeão e Levi, filhos de Jacó e irmãos de Dina, tomaram cada um a sua espada, entraram sem oposição na cidade e mataram todos os homens.
26. Passaram a fio de espada Hemor e seu filho Siquém, tomaram Dina da casa de Siquém, e partiram.
27. Os filhos de Jacó atacaram os feridos e pilharam a cidade, porque haviam desonrado sua irmã.
28. E deles pegaram as ovelhas, bois e jumentos, tudo o que havia na cidade e no campo.
29. Roubaram-lhes todos os bens, todas as crianças, e pilharam o que havia nas casas.
30. Jacó disse a Simeão e Levi: "Vocês me arruinaram, tornando-me odioso para os cananeus e ferezeus que habitam o país. Somos poucos: se eles se reunirem e nos atacarem, me matarão e acabarão comigo e com minha família".
31. Mas eles responderam: "Por acaso nossa irmã pode ser tratada como uma prostituta?"

[Gênesis 35]Gênesis 35

JACÓ EM BETEL
1. Deus disse a Jacó: "Levante-se, suba a Betel e vá morar aí. E aí construa um altar ao Deus que lhe apareceu, quando você estava fugindo do seu irmão Esaú".
2. Então Jacó disse à sua família e a todos os que estavam com ele: "Joguem fora os deuses estrangeiros que estão no meio de vocês, purifiquem-se e troquem de roupa.
3. Vamos subir a Betel, onde farei um altar ao Deus que me ouviu no perigo e me acompanhou em minha viagem".
4. Eles entregaram a Jacó todos os deuses estrangeiros que possuíam, e os anéis que traziam nas orelhas. E Jacó enterrou tudo debaixo do carvalho que está junto a Siquém.
5. Levantaram acampamento, e o terror de Deus caía sobre as cidades vizinhas, e os filhos de Jacó não foram perseguidos.
6. Jacó chegou com toda a sua gente a Luza, que é Betel, na terra de Canaã.
7. Aí ele construiu um altar e deu ao lugar o nome de El-Betel, porque aí Deus apareceu a ele quando fugia do seu irmão.
8. Nessa ocasião, morreu Débora, ama de Rebeca, e foi enterrada perto de Betel, debaixo do carvalho que se chama Carvalho-dos-Prantos.
9. Ao voltar de Padã-Aram, Deus apareceu de novo a Jacó e o abençoou,
10. dizendo: "Seu nome é Jacó, mas você não se chamará mais Jacó: seu nome será Israel". E lhe deu o nome de Israel.
11. Deus acrescentou: "Eu sou o Deus Todo-poderoso: seja fecundo e multiplique-se. De você nascerá uma nação, uma assembléia de nações, e de suas entranhas sairão reis.
12. Entrego a você a terra que dei a Abraão e Isaac; darei essa terra a vocês e a seus descendentes".
13. Depois que Deus se retirou de junto dele,
14. Jacó ergueu uma estela de pedra no lugar em que havia falado com Deus. Depois fez sobre ela uma libação e a ungiu com óleo.
15. E Jacó deu o nome de Betel ao lugar onde Deus lhe havia falado.

MORTE DE RAQUEL E ISAAC
16. Partiram de Betel. Quando faltava um bom trecho para chegarem a Éfrata, Raquel deu à luz. O parto foi difícil
17. e, como desse à luz com dificuldade, a parteira lhe disse: "Não tenha medo, pois também este é um menino!"
18. Estando prestes a morrer, Raquel lhe deu o nome de Benoni, mas o pai o chamou Benjamim.
19. Raquel morreu e foi enterrada no caminho de Éfrata, que hoje é Belém.
20. Jacó ergueu uma estela sobre o seu túmulo; é a estela do túmulo de Raquel, que existe até hoje.
21. Israel partiu e acampou no outro lado da Torre do Rebanho.
22. Enquanto Israel habitava nessa região, Rúben dormiu com Bala, concubina de seu pai, e Israel ficou sabendo. Os filhos de Jacó foram doze.
23. Filhos de Lia: Rúben, o primogênito de Jacó; depois, Simeão, Levi, Judá, Issacar e Zabulon.
24. Filhos de Raquel: José e Benjamim.
25. Filhos de Bala, serva de Raquel: Dã e Neftali.
26. Filhos de Zelfa, serva de Lia: Gad e Aser. Estes são os filhos de Jacó que nasceram em Padã-Aram.
27. Jacó voltou para a casa de Isaac, seu pai, em Mambré, em Cariat-Arbe, hoje Hebron, onde habitaram Abraão e Isaac.
28. Isaac viveu cento e oitenta anos,
29. e morreu. Morreu e se reuniu com seus parentes, velho e com muitos anos. Seus filhos Esaú e Jacó o enterraram.

[Gênesis 36]Gênesis 36

UM POVO IRMÃO
1. Descendentes de Esaú, que é Edom.
2. Esaú casou-se com mulheres cananéias: Ada, filha de Elon, o heteu; Oolibama, filha de Ana, filho de Sebeon, o heveu;
3. Basemat, filha de Ismael e irmã de Nabaiot.
4. Ada gerou Elifaz para Esaú; Basemat gerou Rauel.
5. Oolibama gerou Jeús, Jalam e Coré. São esses os filhos de Esaú, nascidos na terra de Canaã.
6. Esaú tomou suas mulheres, filhos e filhas, todas as pessoas de sua casa, seu rebanho e todo o seu gado, e tudo o que havia adquirido na terra de Canaã, e foi para a terra de Seir, longe do seu irmão Jacó.
7. Eles tinham muitos bens e não podiam viver juntos, e a terra em que moravam não podia manter a eles e seus rebanhos.
8. Então Esaú se estabeleceu na região montanhosa de Seir. Esaú é Edom.
9. Descendentes de Esaú, antepassado dos edomitas, na região montanhosa de Seir.
10. Lista dos filhos de Esaú: Elifaz, filho de Ada, mulher de Esaú; e Rauel, filho de Basemat, mulher de Esaú.
11. Filhos de Elifaz: Temã, Omar, Sefo, Gatam e Cenez.
12. Elifaz, filho de Esaú, tinha uma concubina chamada Tamna, e ela gerou para ele Amalec. São esses os netos de Ada, mulher de Esaú.
13. Filhos de Rauel: Naat, Zara, Sama, Meza. São esses os netos de Basemat, mulher de Esaú.
14. Filhos de Oolibama, filha de Ana, filho de Sebeon, mulher de Esaú: Jeús, Jalam e Coré.
15. Chefes dos filhos de Esaú. Filhos de Elifaz, primogênito de Esaú: os chefes de Temã, Omar, Sefo, Cenez,
16. Coré, Gatam e Amalec. São esses os chefes de Elifaz na terra de Edom; são descendentes de Ada.
17. Os seguintes são todos filhos de Rauel, filho de Esaú: os chefes de Naat, Zara, Sama e Meza. São esses os chefes de Rauel, na terra de Edom; são descendentes de Basemat, mulher de Esaú.
18. Os seguintes são filhos de Oolibama, mulher de Esaú: os chefes de Jeús, Jalam e Coré. São esses os filhos de Oolibama, mulher de Esaú e filha de Ana.
19. São esses os filhos e os chefes de Esaú, que é Edom.
20. Filhos de Seir, o horreu, habitantes da terra: Lotã, Sobal, Sebeon, Ana,
21. Dison, Eser e Disã. São esses os chefes horreus, descendentes de Seir, na terra de Edom.
22. Os filhos de Lotã foram Hori e Emam, e a irmã de Lotã era Tamna.
23. Filhos de Sobal: Alvã, Manaat, Ebal, Sefo e Onam.
24. Filhos de Sebeon: Aía e Ana. Foi este Ana que encontrou as águas quentes no deserto, enquanto apascentava os jumentos de seu pai Sebeon.
25. Filhos de Ana: Dison e Oolibama, filha de Ana.
26. Filhos de Dison: Hamdã, Esebã, Jetrã e Carã.
27. Filhos de Eser: Balaã, Zavã e Acã.
28. Filhos de Disã: Hus e Arã.
29. Chefes dos horreus: os chefes de Lotã, Sobal, Sebeon, Ana,
30. Dison, Eser e Disã. São esses os chefes dos horreus, segundo seus clãs na terra de Seir.
31. Reis que reinaram na terra de Edom, antes que os israelitas tivessem um rei.
32. Em Edom reinou Bela, filho de Beor, e sua cidade se chamava Danaba.
33. Bela morreu e em seu lugar reinou Jobab, filho de Zara, de Bosra.
34. Jobab morreu e em seu lugar reinou Husam, da terra dos temanitas.
35. Husam morreu e em seu lugar reinou Adad, filho de Badad, que derrotou os madianitas nos campos de Moab; sua cidade se chamava Avit.
36. Adad morreu e em seu lugar reinou Semla de Masreca.
37. Semla morreu e em seu lugar reinou Saul, de Reobot Naar.
38. Saul morreu e em seu lugar reinou Baalanã, filho de Acobor.
39. Baalanã, filho de Acobor, morreu e em seu lugar reinou Adad; sua cidade chamava-se Fau; sua mulher se chamava Meetabel, filha de Matred, de Mezaab.
40. Nomes dos chefes de Esaú por grupos, localidades e nomes: Tamna, Alva, Jetet,
41. Oolibama, Ela, Finon,
42. Cenez, Temã, Mabsar,
43. Magdiel e Iram. São esses os chefes de Edom, segundo as regiões onde habitavam. Esaú é o antepassado de Edom.

[Gênesis 37]3. HISTÓRIA DE JOSÉ E SEUS IRMÃOS

Gênesis 37

PREFERÊNCIAS PROVOCAM INVEJA
1. Jacó permaneceu em Canaã, a terra em que seu pai tinha morado.
2. Esta é a história de Jacó. José tinha dezessete anos e pastoreava o rebanho com seus irmãos. Ajudava os filhos de Bala e Zelfa, mulheres de seu pai. Certo dia, falou a seu pai da má fama que eles tinham.
3. José era o preferido de Israel, porque era o filho de sua velhice e, por isso, mandou fazer para ele uma túnica de mangas longas.
4. Seus irmãos perceberam que o pai o preferia aos outros filhos. Por isso, ficaram com raiva, e não falavam amigavelmente com ele.
5. Um dia, José teve um sonho e o contou a seus irmãos, que ficaram com mais raiva dele.
6. José disse aos irmãos: "Escutem o sonho que eu tive.
7. Estávamos atando feixes no campo; meu feixe se levantou e ficou de pé e os feixes de vocês o rodearam e se prostraram diante dele".
8. Os irmãos lhe perguntaram: "Será que você está querendo ser nosso rei ou dominar-nos como senhor?" E eles ficaram com mais raiva ainda, por causa dos sonhos que José lhes contava.
9. E José teve mais um sonho que contou a seus irmãos: "Tive outro sonho: o sol, a lua e onze estrelas se prostravam diante de mim".
10. Ele contou o sonho a seu pai e aos irmãos. Então o pai o repreendeu, dizendo: "Que sonho é esse que você teve? Quer dizer que eu, sua mãe e seus irmãos vamos prostrar-nos por terra diante de você?"
11. Os irmãos ficaram com ciúmes de José, enquanto o pai meditava sobre o assunto.

INVEJA PRODUZ ÓDIO FRATRICIDA
12. Os irmãos de José foram apascentar o rebanho de seu pai em Siquém.
13. Israel disse a José: "Seus irmãos devem estar com os rebanhos em Siquém. Venha cá! Vou mandar você até onde eles estão". José respondeu: "Aqui estou".
14. O pai lhe disse: "Então vá ver como estão seus irmãos e o rebanho, e traga-me notícias". O pai o mandou do vale de Hebron, e José chegou a Siquém.
15. Um homem encontrou José que andava errante pelos campos. E lhe perguntou: "O que é que você está procurando?"
16. José respondeu: "Procuro meus irmãos. Por favor, diga-me: onde eles estão apascentando os rebanhos?"
17. O homem disse: "Eles partiram daqui, e eu os ouvi dizer que iam para Dotain". Então José foi à procura de seus irmãos e os encontrou em Dotain.
18. Os irmãos o viram de longe e, antes que se aproximasse, começaram a planejar a morte dele.
19. Disseram entre si: "Aí vem o sonhador!
20. Vamos matá-lo e jogá-lo num poço. Diremos que um animal feroz o devorou. Veremos, então, para que servem seus sonhos".
21. Rúben ouviu isso e procurou salvar José das mãos deles. Rúben disse: "Não vamos matá-lo".
22. E continuou: "Não derramem sangue. Joguem o rapaz nesse poço do deserto, mas não levantem a mão contra ele". Rúben pretendia salvar José das mãos deles e devolvê-lo ao pai.
23. Quando José chegou ao lugar onde estavam seus irmãos, eles lhe arrancaram a túnica de mangas longas,
24. o agarraram e o jogaram dentro de um poço vazio, onde não havia água.
25. Depois, sentaram-se para comer. Levantando os olhos, viram uma caravana de ismaelitas que vinha de Galaad. Seus camelos estavam carregados de especiarias, bálsamo e resina, que levavam para o Egito.
26. Então Judá falou a seus irmãos: "Que vamos ganhar matando nosso irmão e escondendo o crime?
27. Vamos vendê-lo aos ismaelitas, mas não levantemos a mão contra ele, pois afinal ele é nosso irmão, da mesma carne que nós". Os irmãos concordaram.
28. Quando passaram alguns mercadores madianitas, estes retiraram José do poço, e depois venderam José aos ismaelitas por vinte moedas de prata, e estes o levaram para o Egito.
29. Quando Rúben voltou ao poço, viu que José não estava mais aí. Então rasgou as vestes
30. e, voltando até os irmãos, falou: "O rapaz não está mais lá. E eu, para onde irei?"
31. Então pegaram a túnica de José e, degolando um bode, molharam a túnica no sangue.
32. Mandaram levar a túnica para o pai, dizendo: "Encontramos isso; veja se é ou não é a túnica do seu filho".
33. O pai olhou e disse: "É a túnica do meu filho! Uma fera o devorou: José foi despedaçado!"
34. Jacó rasgou as vestes, vestiu-se de luto e chorou a morte do filho por muito tempo.
35. Todos os seus filhos e filhas procuraram consolá-lo, mas ele recusava consolo e dizia: "De luto por meu filho descerei ao túmulo". E seu pai chorou por ele.
36. Entretanto, os madianitas no Egito venderam José para Putifar, ministro e chefe da guarda do Faraó.

[Gênesis 38]Gênesis 38

JUDÁ E TAMAR
1. Nesse tempo, Judá se separou de seus irmãos e foi viver na casa de um homem de Odolam, que se chamava Hira.
2. Judá viu aí a filha de um cananeu chamado Sué, a tomou e viveu com ela.
3. A mulher concebeu e deu à luz um filho, a quem chamou Her.
4. Ela concebeu de novo e deu à luz outro filho, a quem chamou Onã.
5. Concebeu ainda outra vez e gerou mais um filho, a quem chamou Sela; quando o deu à luz, ela estava em Casib.
6. Judá tomou uma esposa para seu primogênito Her; a mulher se chamava Tamar.
7. No entanto, Her, primogênito de Judá, desagradou a Javé, que o fez morrer.
8. Então Judá disse a Onã: "Case com a viúva de seu irmão; cumpra sua obrigação de cunhado, e dê uma descendência para seu irmão".
9. Onã, porém, sabia que a descendência não seria sua e, cada vez que se unia à mulher do seu irmão, derramava o sêmen por terra, para não dar descendência ao irmão.
10. O que ele fazia desagradava a Javé, que o fez morrer também.
11. Então Judá disse à sua nora Tamar: "Viva como viúva na casa de seu pai e espere que cresça meu filho Sela". Dizia isso, pensando: "Não convém que ele morra como seus irmãos". Tamar, então, voltou para a casa do seu pai.
12. Passou muito tempo e morreu a filha de Sué, mulher de Judá. Tendo passado o luto, Judá subiu para Tamna, junto com Hira, seu amigo de Odolam, para tosquiar o rebanho.
13. Comunicaram a Tamar: "Seu sogro está subindo a Tamna para tosquiar o rebanho".
14. Então Tamar tirou o traje de viúva, cobriu-se com véu e sentou-se na entrada de Enaim, que fica no caminho para Tamna. Ela viu que Sela já era adulto e não lhe fora dado como esposo.
15. Vendo-a, Judá pensou que fosse uma prostituta, pois ela tinha coberto o rosto.
16. Aproximou-se dela no caminho, e disse: "Deixe-me ir com você". Judá não sabia que era a sua nora. Ela perguntou: "O que você me dará para ir comigo?"
17. Judá respondeu: "Eu mandarei para você um cabrito do rebanho". Ela replicou: "Está bem; mas você vai deixar uma garantia comigo até mandar o cabrito".
18. Judá perguntou: "Que garantia você quer?" Ela respondeu: "O anel de selo com o cordão e o cajado que você está levando". Judá os entregou e foi com ela, deixando-a grávida.
19. Tamar se levantou, tirou o véu e vestiu novamente o traje de viúva.
20. Judá mandou o cabrito por meio de seu amigo de Odolam, a fim de recuperar os objetos que havia deixado com a mulher. Mas ele não a encontrou.
21. Então perguntou aos homens do lugar: "Onde está aquela prostituta que fica no caminho de Enaim?" Eles responderam: "Aqui nunca houve prostituta nenhuma!"
22. Então o homem voltou a Judá, e lhe disse: "Não a encontrei, e os homens do lugar disseram que ali nunca houve prostituta nenhuma".
23. Judá replicou: "Que ela fique com tudo e não zombe de nós, pois eu mandei o cabrito, e você não a encontrou".
24. Três meses depois, disseram a Judá: "Sua nora Tamar se prostituiu e está grávida por causa de sua má conduta". Então Judá ordenou: "Tragam-na para fora e seja queimada viva".
25. Quando a agarraram, ela mandou dizer a seu sogro: "Estou grávida do homem a quem pertencem este anel de selo, este cordão e este cajado".
26. Judá os reconheceu, e disse: "Ela é mais honesta do que eu, pois não lhe dei meu filho Sela". E não teve mais relações com ela.
27. Quando chegou o tempo do parto, Tamar teve gêmeos.
28. Durante o parto, um deles estendeu a mão, e a parteira pegou-a e amarrou nela uma fita vermelha, dizendo: "Foi este que saiu primeiro".
29. Mas ele retirou a mão e foi seu irmão quem saiu. Então a parteira disse: "Que brecha você abriu!" E o chamaram Farés.
30. Em seguida, saiu seu irmão, que tinha a fita vermelha na mão, e o chamaram Zara.

[Gênesis 39]Gênesis 39

JAVÉ ESTÁ COM JOSÉ
1. Quando levaram José para o Egito, o egípcio Putifar, ministro e chefe da guarda do Faraó, o comprou dos ismaelitas, que o tinham levado para lá.
2. Javé estava com José e lhe deu sorte, de modo que o deixaram na casa de seu amo egípcio.
3. Vendo que Javé estava com José e que fazia prosperar tudo o que ele empreendia,
4. seu amo teve grande afeição por ele e o colocou a seu serviço pessoal: fez dele seu administrador, confiando-lhe tudo o que possuía.
5. Desde que José foi colocado como administrador da casa e de tudo o que pertencia a Putifar, Javé abençoou a casa do egípcio em consideração a José: a bênção de Javé atingiu tudo o que o egípcio possuía, em casa e no campo.
6. Putifar entregou tudo nas mãos de José, sem preocupar-se com outra coisa, a não ser com o pão que comia. José era belo de porte e tinha um rosto bonito.
7. Passado algum tempo, a mulher do amo ficou de olhos caídos em José e lhe propôs: "Durma comigo".
8. José recusou, e respondeu à mulher de seu amo: "Veja! Meu amo não se ocupa com nada da casa e entregou em minhas mãos tudo o que possui.
9. Nesta casa, ele não é mais poderoso do que eu: ele não reservou nada para si, a não ser você, que é mulher dele. Como posso cometer semelhante crime, pecando contra Deus?"
10. Ela insistia todos os dias, mas José não consentiu em dormir ao seu lado, nem se entregou a ela.
11. Certo dia, José foi para casa fazer seu serviço, e nenhum dos domésticos estava em casa.
12. A mulher o agarrou pela roupa, convidando: "Durma comigo". José, porém, deixou as roupas na mão dela, saiu e fugiu.
13. Vendo que José deixara as roupas em suas mãos e fugira,
14. a mulher chamou os domésticos e lhes disse: "Vejam! Meu marido trouxe um hebreu para abusar de nós. Ele se aproximou para dormir comigo, mas eu dei um grande grito.
15. Vendo que eu erguia a voz e gritava, ele deixou a roupa comigo e fugiu".
16. A mulher ficou com a roupa até que o marido voltasse.
17. Então ela lhe contou a mesma história: "O escravo hebreu que você trouxe aproximou-se para abusar de mim.
18. Eu levantei a voz e gritei; então ele deixou sua roupa comigo e fugiu".
19. O marido ficou furioso quando ouviu o que sua mulher contava: "Veja como seu escravo agiu comigo".
20. Mandou, então, buscar José e o atirou na prisão, onde estavam os prisioneiros do rei. Foi desse modo que José foi parar na prisão.
21. No entanto, Javé estava com José e lhe concedeu favores, atraindo para ele a simpatia do carcereiro-chefe.
22. O carcereiro-chefe confiou a José todos os detidos que estavam na prisão. Era José quem organizava tudo o que aí se fazia.
23. O carcereiro-chefe não se preocupava com nada do que lhe fora confiado, porque Javé estava com José e fazia prosperar tudo o que este empreendia.

[Gênesis 40]Gênesis 40

JOSÉ SABE DISCERNIR
1. Passado algum tempo, o copeiro e o padeiro do rei do Egito ofenderam seu senhor, o rei do Egito.
2. O Faraó ficou irado contra esses dois ministros, o chefe dos copeiros e o chefe dos padeiros,
3. e mandou prendê-los na casa do chefe da guarda, na mesma prisão onde estava José.
4. O chefe da guarda indicou José para servi-los. Assim, eles ficaram na prisão por algum tempo.
5. Certa noite, o copeiro e o padeiro do rei do Egito, que estavam na prisão, tiveram um sonho, cada qual com o seu significado.
6. Pela manhã, José foi onde eles se encontravam e percebeu que estavam deprimidos.
7. José perguntou, então, aos ministros do Faraó que estavam presos com ele na casa do seu amo: "Por que vocês estão de cara triste?"
8. Eles responderam: "É que tivemos um sonho e não há ninguém para interpretá-lo". José replicou: "É Deus quem pode interpretar. Contem os sonhos".
9. O chefe dos copeiros contou seu sonho para José: "Sonhei que havia uma videira diante de mim.
10. Na videira havia três ramos: eles deram brotos, floresceram e as uvas amadureceram em cachos.
11. Eu tinha na mão a taça do Faraó: peguei os cachos de uvas, espremi-os na taça do Faraó, e coloquei a taça na mão do Faraó".
12. José disse ao chefe dos copeiros: "Esta é a interpretação: os três ramos representam três dias.
13. Daqui a três dias, o Faraó se lembrará de você e lhe devolverá o seu cargo: você colocará a taça do Faraó na mão dele, como antes você costumava fazer, quando era seu copeiro.
14. Lembre-se de mim quando você estiver bem, e faça-me este favor: mencione o meu nome ao Faraó para que ele me tire desta prisão.
15. Eu fui seqüestrado da terra dos hebreus e não fiz nada aqui para me atirarem nesta prisão".
16. O chefe dos padeiros viu que José havia interpretado bem, e contou a ele: "Eu também tive um sonho. Havia três cestas de bolos sobre a minha cabeça.
17. Na cesta mais alta havia todos os tipos de doces que o Faraó come, porém as aves os comiam na cesta que eu levava na cabeça".
18. José respondeu: "Esta é a interpretação: as três cestas representam três dias.
19. Daqui a três dias, o Faraó se lembrará de você, o enforcará, e as aves comerão a carne do seu corpo".
20. Três dias depois, era o aniversário do Faraó. Então ele deu um banquete a todos os ministros, e libertou o chefe dos copeiros e o chefe dos padeiros.
21. Ele devolveu o cargo ao chefe dos copeiros, e este colocou a taça na mão do Faraó.
22. Quanto ao chefe dos padeiros, o Faraó mandou enforcá-lo, como José havia interpretado.
23. O chefe dos copeiros, porém, não se lembrou de José, e se esqueceu dele.

[Gênesis 41]Gênesis 41

PROVIDÊNCIA DE DEUS E PREVIDÊNCIA DO HOMEM
1. Dois anos depois, o Faraó teve um sonho: estava de pé, junto ao rio Nilo,
2. e viu subir do Nilo sete vacas bonitas e gordas, que pastavam na invernada.
3. Atrás delas, subiram do rio outras sete vacas, feias e magras, que se puseram ao lado das primeiras na margem do rio.
4. Então as vacas feias e magras devoraram as sete vacas gordas e bonitas. Nisso, o Faraó acordou.
5. O Faraó tornou a dormir, e teve outro sonho: sete espigas brotavam do mesmo talo, granadas e bonitas.
6. E atrás delas nasceram sete espigas mirradas e ressequidas.
7. Aí, as espigas mirradas devoraram as sete espigas granadas e graúdas. Então o Faraó acordou: tivera um sonho.
8. Pela manhã, o Faraó estava perturbado e chamou todos os magos e sábios do Egito. Contou-lhes o sonho que tivera, mas ninguém foi capaz de interpretá-lo.
9. Então o chefe dos copeiros disse ao Faraó: "Devo confessar hoje o meu pecado.
10. O Faraó tinha se irritado contra seus servos e os colocou na prisão na casa do chefe da guarda, tanto a mim como ao chefe dos padeiros.
11. Na mesma noite, ele e eu tivemos um sonho, cada qual com significado diferente.
12. Havia ali conosco um jovem hebreu, escravo do chefe da guarda. Nós lhe contamos os sonhos e ele os interpretou, dando o significado de cada um.
13. E depois aconteceu exatamente como ele havia interpretado. Eu recebi de novo o meu cargo, e o outro foi enforcado".
14. Então o Faraó mandou chamar José. E o tiraram depressa da prisão; ele se barbeou, mudou de roupa e se apresentou ao Faraó.
15. O Faraó disse a José: "Tive um sonho e ninguém sabe interpretá-lo. Ouvi dizer que você ouve um sonho e sabe interpretá-lo".
16. José respondeu ao Faraó: "Quem sou eu? É Deus quem dará uma resposta favorável ao Faraó".
17. Então o Faraó contou a José: "Sonhei que estava de pé na margem do rio Nilo.
18. Do rio subiam sete vacas gordas e bonitas que pastavam na invernada.
19. Atrás delas subiram outras sete, cansadas, feias e magras, tão feias como nunca vi no Egito.
20. Aí, as vacas magras e feias devoraram as sete primeiras, as vacas gordas.
21. Depois que as devoraram, não parecia que as tinham devorado, porque a aparência delas continuava tão feia como antes. Então acordei.
22. Depois, tive outro sonho: sete espigas subiam do mesmo talo, e eram cheias e bonitas.
23. Atrás delas nasceram sete espigas secas, mirradas e queimadas.
24. Aí, as espigas mirradas devoraram as sete espigas bonitas. Eu contei isso aos magos, e ninguém foi capaz de interpretar".
25. José disse ao Faraó: "Trata-se de um sonho único. Deus está anunciando ao Faraó o que ele vai realizar.
26. As sete vacas bonitas representam sete anos e as sete espigas bonitas representam sete anos. É o mesmo sonho.
27. As sete vacas magras e feias, que sobem logo em seguida, representam sete anos; e também as sete espigas mirradas e queimadas: é que haverá sete anos de fome.
28. É como eu disse ao Faraó: Deus está mostrando ao Faraó o que ele vai realizar.
29. Virão sete anos em que haverá grande abundância em toda a terra do Egito;
30. depois, virão sete anos de fome, que farão esquecer a abundância na terra do Egito. A fome esgotará a terra,
31. e ninguém mais saberá o que era a abundância na terra, por causa da fome que virá depois, pois ela será duríssima.
32. E se o sonho do Faraó se repetiu duas vezes é porque o fato está bem decidido por parte de Deus, e Deus logo o realizará.
33. Agora, portanto, que o Faraó escolha um homem inteligente e sábio, e o coloque à frente do Egito.
34. Que o Faraó, agindo, institua funcionários no país, tome a quinta parte dos produtos da terra do Egito, durante os sete anos de abundância.
35. Que eles reúnam todos os víveres desses anos bons que virão, armazenem o trigo sob a autoridade do Faraó e guardem os víveres nas cidades.
36. Esses víveres servirão de reserva para o país, quando chegarem os sete anos de fome. Desse modo, a terra do Egito não será exterminada pela fome.

O POVO É SALVO DA FOME
37. O conselho de José agradou ao Faraó e a todos os seus ministros.
38. Então, o Faraó disse aos ministros: "Poderão, por acaso, encontrar um homem como este, em quem esteja o espírito de Deus?"
39. Então o Faraó disse a José: "Visto que Deus revelou tudo isso a você, não há ninguém tão inteligente e sábio como você.
40. Você será o administrador do meu palácio, e todo o povo obedecerá às suas ordens. Só pelo trono serei maior do que você".
41. E o Faraó continuou: "Veja! Eu coloco você à frente de todo o país".
42. Então o Faraó tirou da mão o anel de selo e o colocou na mão de José: vestiu-o com roupas de linho fino e lhe colocou no pescoço um colar de ouro.
43. Depois, fez José subir sobre o melhor carro que havia depois do seu, e proclamar à sua frente: "De joelhos!" E assim José foi colocado à frente de todo o Egito.
44. O Faraó disse a José: "Eu sou o Faraó, mas, sem a sua permissão, ninguém erguerá mão ou pé em todo o Egito".
45. E o Faraó deu a José o nome de Safanet-Fanec, e lhe deu como mulher Asenet, filha de Putifar, sacerdote de On. E José saiu para percorrer o Egito.
46. José tinha trinta anos quando se apresentou diante do Faraó, rei do Egito. José deixou a presença do Faraó e percorreu toda a terra do Egito.
47. Durante os sete anos de abundância, o país teve superprodução.
48. E José reuniu todos os víveres dos sete anos de abundância na terra do Egito e armazenou os víveres nas cidades, colocando em cada cidade os víveres dos campos da redondeza.
49. José armazenou trigo como areia do mar: a quantidade era tal que se renunciou a medi-lo, porque ultrapassava qualquer medida.
50. Antes de chegar o primeiro ano da fome, José teve dois filhos de Asenet, filha de Putifar, sacerdote de On.
51. José deu ao mais velho o nome de Manassés, dizendo: "Deus me fez esquecer minhas fadigas e a casa paterna".
52. Ao segundo, ele deu o nome de Efraim, dizendo: "Deus me tornou fecundo na terra de minha aflição".
53. Acabaram os sete anos de abundância na terra do Egito,
54. e chegaram os sete anos de fome, como José havia anunciado. Houve então fome por toda parte, e só no Egito havia pão.
55. Depois chegou a fome em todo o Egito; e o povo, com grandes gritos, pediu pão ao Faraó. Então o Faraó disse a todos os egípcios: "Vão a José, e façam o que ele disser a vocês".
56. Quando a fome cobriu toda a terra, José abriu os armazéns de trigo e vendeu mantimento aos egípcios, enquanto no Egito a fome se alastrava.
57. De todos os países ia muita gente ao Egito para comprar mantimentos de José, porque a fome se agravou por toda a terra.

[Gênesis 42]Gênesis 42

UM TESTE DE FRATERNIDADE
1. Jacó soube que havia mantimentos no Egito, e disse a seus filhos: "Vocês, o que estão esperando?
2. Eu soube que no Egito há mantimentos para vender. Vão até lá e comprem mantimentos para nós, a fim de continuarmos vivos e não morrermos".
3. Dez dos irmãos de José desceram, então, ao Egito para comprar trigo.
4. Jacó não deixou que Benjamim, irmão de José, fosse com seus irmãos, pois temia que lhe acontecesse alguma desgraça.
5. Os filhos de Israel foram com outros forasteiros comprar mantimentos, pois havia fome em Canaã.
6. José tinha autoridade no país e era ele quem vendia os mantimentos para todo mundo. Os irmãos de José chegaram e se prostraram diante dele com o rosto por terra.
7. Ao ver seus irmãos, José logo os reconheceu, mas não se deu a conhecer, e lhes falou duramente: "De onde vocês vêm?" Eles responderam: "Da terra de Canaã, para comprar provisões".
8. José reconheceu os irmãos, mas eles não o reconheceram.
9. José se lembrou, então, dos sonhos que tivera a respeito deles, e lhes disse: "Vocês são espiões. Vocês vieram para observar os pontos fracos do país".
10. Eles protestaram: "Não, meu senhor! Seus servos vieram para comprar provisões.
11. Somos todos filhos do mesmo pai, e somos sinceros; seus servos não são espiões".
12. José, porém, insistiu: "Não, vocês vieram para observar os pontos fracos do país".
13. Eles responderam: "Éramos doze irmãos, filhos de um mesmo pai, na terra de Canaã: o mais novo está agora com nosso pai e o outro desapareceu".
14. José reafirmou: "É como eu disse: vocês são espiões!
15. Vou colocá-los à prova: pela vida do Faraó, vocês não sairão daqui se primeiro não me trouxerem o seu irmão mais novo.
16. Mandem um de vocês buscar seu irmão, enquanto os outros ficarão presos. Assim vocês provarão que suas palavras são verdadeiras. Caso contrário, pela vida do Faraó, vocês comprovarão que são espiões".
17. E durante três dias José os manteve presos.
18. Três dias depois, José disse a eles: "Eu temo a Deus; por isso, vocês farão o seguinte para salvar a vida:
19. se vocês são sinceros, que um de vocês fique aqui preso e os outros irão levar os mantimentos para suas famílias que passam fome.
20. Depois, vocês vão me trazer seu irmão mais novo: assim provarão que estão dizendo a verdade, e não morrerão". Eles aceitaram
21. e começaram a dizer entre si: "Estamos pagando o que fizemos com o nosso irmão; nós vimos a sua aflição quando ele nos suplicava por piedade, e não fizemos caso. Por isso é que está acontecendo para nós essa desgraça".
22. Rúben interveio: "Eu não disse para vocês não cometerem uma falta contra aquele menino? Mas vocês não me ouviram, e agora estão nos pedindo contas do sangue dele".
23. Eles não sabiam que José entendia o que eles estavam falando, pois entre José e eles havia um intérprete.
24. Então José se afastou deles e chorou. Depois voltou e conversou com eles. Em seguida, escolheu Simeão e o mandou acorrentar na presença deles.
25. José deu ordem para encher suas sacas de trigo e que pusessem nas sacas o dinheiro que eles haviam pago, e lhes fornecessem provisões para o caminho. E assim foi feito.
26. Eles carregaram as provisões sobre os jumentos e partiram.
27. De noite, no acampamento, um deles abriu a saca de trigo para dar forragem ao seu jumento, e viu que o seu dinheiro estava na boca da saca de trigo.
28. Então ele disse aos irmãos: "Devolveram o meu dinheiro! Está aqui na saca de trigo". Cheios de medo, eles se entreolharam tremendo, e disseram: "Que é isso que Deus fez conosco?"
29. Chegando em casa de Jacó, na terra de Canaã, contaram ao pai tudo o que havia acontecido com eles:
30. "O senhor do país nos falou com dureza e achou que éramos espiões em seu país.
31. Nós lhe dissemos: 'Somos sinceros, não somos espiões.
32. Nós éramos doze irmãos, filhos do mesmo pai; um de nós desapareceu e o mais novo está agora com o nosso pai na terra de Canaã'.
33. Mas o senhor do país nos disse: 'Vou saber que vocês são sinceros do seguinte modo: deixem comigo um de seus irmãos, enquanto os outros levam os mantimentos para suas famílias que passam fome.
34. Depois, vocês vão me trazer seu irmão mais novo e eu ficarei sabendo se vocês são espiões ou não. Então eu devolverei o irmão de vocês, e vocês poderão circular pelo país' ".
35. Quando eles foram esvaziar as sacas, cada qual encontrou em sua saca a bolsa de dinheiro. Vendo as bolsas de dinheiro, eles e o seu pai ficaram assustados.
36. Então seu pai Jacó lhes disse: "Vocês estão me deixando sozinho: José desapareceu, Simeão também, e agora querem levar Benjamim! Tudo se volta contra mim!"
37. Mas Rúben disse ao pai: "O senhor pode matar meus dois filhos se eu não lhe devolver Benjamim. Entregue-o a mim, e eu o trarei de volta".
38. O pai respondeu: "Meu filho não descerá com vocês. Seu irmão morreu e só me resta ele. Se lhe acontecer alguma desgraça na viagem que vocês vão fazer, de tanta dor farão este velho de cabelos brancos descer ao túmulo".

[Gênesis 43]Gênesis 43

SER IRMÃO É RESPONSABILIZAR-SE PELO OUTRO
1. A fome apertava no país.
2. Quando se acabaram as provisões que haviam trazido do Egito, Jacó disse aos filhos: "Voltem lá para comprar mantimentos".
3. Judá replicou: "Aquele homem nos declarou severamente: 'Não se apresentem diante de mim sem me trazer o seu irmão'.
4. Se o senhor deixar nosso irmão ir conosco, então desceremos e compraremos mantimentos para o senhor.
5. Mas, se o senhor não o deixar, não desceremos, pois aquele homem nos disse: 'Não se apresentem diante de mim sem me trazer o seu irmão' ".
6. Israel lhes disse: "Por que vocês me deram esse desgosto, contando para aquele homem que vocês têm outro irmão?"
7. Eles responderam: "Aquele homem perguntou sobre nós e nossa família: 'O pai de vocês ainda vive? Vocês têm outro irmão?' E nós respondemos às perguntas dele. Como poderíamos imaginar que ele fosse exigir que levássemos nosso irmão?"
8. Então Judá disse a seu pai Israel: "Deixe o menino ir comigo, porque indo poderemos salvar nossa vida; do contrário, morreremos todos: nós, o senhor e nossos filhos.
9. Eu fico responsável por ele, e o senhor pedirá contas dele para mim: se eu não o trouxer de volta e não o puser diante do senhor, serei culpado diante do senhor durante toda a minha vida.
10. Se não tivéssemos demorado tanto, já estaríamos de volta pela segunda vez".
11. Então seu pai Jacó lhes disse: "Se é necessário, então façam assim. Coloquem em suas bagagens os melhores produtos do país e levem como presente para aquele homem: um pouco de bálsamo, um pouco de mel, especiarias, resina, terebinto e amêndoas.
12. Levem com vocês o dobro do dinheiro para devolver o que foi posto nas sacas, pois talvez tenha sido um descuido.
13. Tomem o irmão de vocês e voltem a visitar aquele homem.
14. Que o Todo-poderoso faça aquele homem ter compaixão de vocês, solte o irmão de vocês e não prenda Benjamim. Quanto a mim, se eu tiver que ficar sem meus filhos, paciência!"
15. Então eles tomaram consigo os presentes, dinheiro em dobro e Benjamim, desceram ao Egito e se apresentaram a José.
16. Quando José viu seus irmãos com Benjamim, disse ao mordomo: "Leve esses homens para minha casa, faça abater um animal e prepare-o, porque esses homens vão almoçar comigo".
17. O mordomo fez o que José mandou, e os levou para a casa de José.
18. Os homens ficaram com medo, porque estavam sendo conduzidos à casa de José, e disseram: "Estão nos levando por causa do dinheiro que voltou em nossas sacas de trigo na primeira vez: vão nos agarrar, cair sobre nós e nos tomar como escravos com nossos jumentos".
19. Eles se aproximaram do mordomo de José e lhe falaram na porta da casa:
20. "Veja, senhor! Nós descemos uma vez aqui para comprar mantimentos.
21. Quando chegamos de noite ao acampamento, abrimos nossas sacas de trigo e encontramos na boca das sacas o dinheiro que havíamos pago, e o trouxemos de volta
22. com outra quantia igual para comprar mantimentos. Não sabemos quem colocou o nosso dinheiro nas sacas de trigo".
23. O mordomo respondeu: "Fiquem tranqüilos e não tenham medo. Foi o Deus de vocês e o Deus do pai de vocês quem lhes colocou um tesouro nas sacas de trigo. Eu recebi o dinheiro de vocês". E levou Simeão até eles.
24. O mordomo os fez entrar na casa de José, levou água para que lavassem os pés e deu forragem aos seus jumentos.
25. Eles prepararam o presente, esperando que José viesse ao meio-dia, porque souberam que iam almoçar aí.
26. Quando José entrou em casa, eles lhe ofereceram o presente que tinham consigo, e se prostraram por terra.
27. José, porém, saudou-os amigavelmente e perguntou: "Como está o velho pai de vocês, de quem me falaram? Ele ainda vive?"
28. Eles responderam: "Seu servo, nosso pai, está bem. Ele ainda vive". E se inclinaram e se prostraram.
29. Erguendo os olhos, José viu seu irmão Benjamim, filho de sua mãe, e perguntou: "É este o irmão mais novo, de quem vocês me falaram?" E disse a Benjamim: "Que Deus lhe conceda graça, meu filho".
30. Em seguida, José saiu depressa, porque ficou comovido por seu irmão, e as lágrimas lhe vinham aos olhos. Entrou em seu quarto, e chorou.
31. Depois lavou o rosto, voltou e, contendo-se, ordenou: "Sirvam o almoço".
32. Serviram José à parte, os irmãos à parte, e de outro lado os egípcios que comiam com ele, pois os egípcios não podem comer com os hebreus: isso seria um sacrilégio.
33. Os irmãos estavam colocados diante de José, cada qual em seu lugar, do mais velho ao mais novo: eles se olhavam espantados.
34. José lhes mandava porções de sua mesa, e a porção de Benjamim era cinco vezes maior. Eles beberam e se alegraram em companhia de José.

[Gênesis 44]Gênesis 44

DEFENDER A FRATERNIDADE
1. José deu esta ordem ao mordomo: "Coloque tudo o que puder de mantimentos dentro das sacas desses homens e ponha o dinheiro de cada um na boca das sacas.
2. Na boca da saca do mais novo, junto com o dinheiro do trigo, coloque também a minha taça, a taça de prata". E o mordomo assim fez.
3. Ao amanhecer, os homens se despediram e partiram com seus jumentos.
4. Logo que eles saíram da cidade e ainda não estavam longe, José disse ao mordomo: "Persiga esses homens e, quando os alcançar, diga a eles: 'Por que vocês pagaram o bem com o mal?
5. Por que roubaram a taça de prata que meu senhor usa para beber e fazer adivinhações? Vocês se comportaram mal' ".
6. O mordomo os alcançou e lhes repetiu isso.
7. Mas eles responderam: "Por que o meu senhor está falando assim? Seus servos nunca fariam isso!
8. Veja! O dinheiro que tínhamos encontrado na boca das sacas de trigo, nós tornamos a trazê-lo da terra de Canaã. Por que iríamos roubar ouro ou prata da casa de seu amo?
9. Se o senhor encontrar a taça com um de seus servos, que ele morra e nós nos tornaremos escravos de seu amo".
10. O mordomo respondeu: "De acordo. Aquele com quem for encontrada a taça será meu escravo, e os outros ficarão livres".
11. Cada um colocou depressa sua saca de trigo no chão e a abriu.
12. O mordomo se pôs a examiná-los, começando pelo mais velho e terminando pelo mais novo, e encontrou a taça na saca de Benjamim.
13. Então eles rasgaram as roupas, carregaram de novo os jumentos e voltaram à cidade.
14. Judá e seus irmãos entraram na casa de José, que ainda estava ali, e se prostraram por terra diante dele.
15. José lhes perguntou: "O que é que vocês fizeram? Vocês não sabiam que uma pessoa como eu é capaz de adivinhar?"
16. Judá respondeu: "Que podemos responder ao nosso senhor? Como podemos provar nossa inocência? Deus descobriu a falta de seus servos. Aqui estamos: somos escravos de meu senhor, tanto nós como aquele nas mãos de quem foi encontrada a taça".
17. José, porém, disse: "Eu nunca faria isso! Aquele que estava com a taça, será meu escravo. Quanto a vocês, podem voltar em paz para a casa do seu pai".
18. Então Judá se aproximou e disse: "Meu senhor, permita que seu servo fale em sua presença com toda a franqueza, sem que sua cólera se acenda contra seu servo, pois o senhor é como o próprio Faraó.
19. O senhor tinha perguntado a seus servos: 'Vocês têm ainda pai ou algum irmão?'
20. Nós respondemos ao senhor: 'Temos um pai já velho e um irmão mais novo, nascido em sua velhice; o irmão deste morreu e ele ficou sendo o único filho de sua mãe. Nosso pai o ama demais!'
21. Então o senhor disse a seus servos: 'Tragam-no para que eu o conheça'.
22. Nós respondemos ao meu senhor: 'O menino não pode deixar seu pai; se ele se separar do pai, este morrerá'.
23. Mas o senhor insistiu com seus servos: 'Se o irmão mais novo de vocês não vier junto, vocês não serão recebidos por mim'.
24. Quando voltamos para junto de nosso pai, seu servo, nós lhe contamos tudo o que o senhor falou.
25. E nosso pai nos disse: 'Voltem para comprar um pouco de mantimento para nós'.
26. E nós respondemos: 'Mas não podemos descer, se nosso irmão mais novo não for conosco; pois não seremos recebidos por aquele senhor, se nosso irmão mais novo não for conosco'.
27. Então meu pai, seu servo, nos disse: 'Vocês sabem que minha mulher só me deu dois filhos.
28. Um me deixou e eu disse: Ele foi despedaçado! E nunca mais o vi até hoje.
29. Se vocês tirarem também este de junto de mim e lhe acontecer alguma desgraça, de tanta dor, vocês farão este velho de cabelos brancos descer ao túmulo'.
30. Agora, pois, se eu chegar à casa de meu pai, seu servo, sem levar comigo o menino, a quem ele ama com toda a sua alma,
31. logo que notar que o rapaz não está conosco, ele morrerá. E faremos nosso pai, seu servo, de cabelos brancos, descer ao túmulo, de tanta dor.
32. E este seu servo se tornou responsável pelo rapaz junto de meu pai, nestes termos: 'Se eu não trouxer o menino de volta, serei culpado diante do senhor durante toda a minha vida'.
33. Portanto, deixe que este seu servo fique escravo de meu senhor no lugar do rapaz, e que ele possa voltar com seus irmãos.
34. Como poderia eu voltar à casa de meu pai sem ter comigo o rapaz? Não quero ver a desgraça que cairia sobre meu pai".

[Gênesis 45]Gênesis 45

DEUS AGE ATRAVÉS DAS SITUAÇÕES
1. Nesse momento, José não pôde mais se conter na presença de sua corte, e ordenou: "Saiam todos!" E não havia mais ninguém, quando José se deu a conhecer a seus irmãos:
2. começou a chorar tão alto que todos os egípcios ouviram, e a notícia chegou à casa do Faraó.
3. José disse aos irmãos: "Eu sou José! Meu pai ainda está vivo?" Seus irmãos, espantados, ficaram sem resposta.
4. Então José disse aos irmãos: "Cheguem mais perto de mim!" Eles se aproximaram. José continuou: "Eu sou José, o irmão de vocês, aquele que vocês venderam para o Egito.
5. Mas agora, não fiquem tristes nem se aflijam porque me venderam para este país, pois foi para lhes preservar a vida que Deus me enviou na frente de vocês.
6. De fato, há dois anos que a fome se instalou no país e ainda haverá cinco anos sem semeadura e sem colheita.
7. Deus me enviou na frente de vocês, para que possam sobreviver neste país, salvando a vida para uma libertação maravilhosa.
8. Portanto, não foram vocês que me mandaram para cá. Foi Deus. Ele me tornou ministro do Faraó, administrador de todo o palácio e governador de todo o Egito.
9. Subam depressa à casa do meu pai e digam a ele: 'Assim fala seu filho José: Deus me tornou senhor de todo o Egito. Desça sem demora para junto de mim;
10. o senhor habitará na terra de Gessen e ficará comigo: o senhor, seus filhos, netos, ovelhas, bois e tudo o que lhe pertence.
11. Aí eu o sustentarei, a fim de que não falte mais nada ao senhor, à sua família e a tudo o que possui, pois a fome ainda vai durar cinco anos.
12. Vocês estão vendo com os próprios olhos, e Benjamim também está vendo, que sou eu quem lhes fala pessoalmente.
13. Contem a meu pai todo o poder que tenho no Egito e tudo o que vocês viram, e tragam logo o meu pai para cá".
14. Então José abraçou seu irmão Benjamim e chorou. Benjamim também chorou abraçado a ele.
15. Em seguida, José cobriu de beijos todos os irmãos e, abraçando-os, chorava. Só então seus irmãos começaram a conversar com ele.
16. A notícia de que os irmãos de José estavam no país chegou até o palácio do Faraó, e o Faraó e seus ministros se alegraram.
17. O Faraó disse a José: "Diga a seus irmãos que carreguem os burros e voltem para a terra de Canaã.
18. Tomem o pai e as famílias de vocês e voltem para cá. Eu lhes darei a melhor terra do Egito, e eles poderão comer os melhores produtos do país.
19. Mande-os que levem do Egito carros para transportar as crianças, as mulheres e seu pai, e venham para cá.
20. Não se preocupem com o que deixarem, pois tudo o que houver de melhor na terra do Egito pertencerá a eles".
21. Assim fizeram os filhos de Israel. José lhes deu carros, conforme as ordens do Faraó, e também provisões para a viagem.
22. Além disso, deu mudas de roupa a cada um deles, mas a Benjamim deu trezentas moedas de prata e cinco mudas de roupa.
23. Para seu pai, enviou dez jumentos carregados com os melhores produtos do Egito e dez jumentas carregadas de trigo, pão e provisões para a viagem do pai.
24. Quando os irmãos se despediram para partir, José lhes disse: "Não briguem no caminho".
25. Então eles subiram do Egito e chegaram à terra de Canaã, na casa de seu pai Jacó.
26. E deram a notícia ao pai: "José está vivo e é o governador de toda a terra do Egito". Mas o pai ficou perplexo, pois não era capaz de acreditar.
27. Entretanto, quando eles repetiram tudo o que José lhes dissera e quando ele viu os carros que José tinha mandado para buscá-lo, o coração de Jacó, seu pai, se reanimou.
28. E Israel disse: "Agora chega! Meu filho José ainda está vivo. Vou vê-lo antes de morrer".

[Gênesis 46]Gênesis 46

ISRAEL IMIGRANTE NO EGITO
1. Israel partiu levando tudo o que possuía. Chegando a Bersabéia, ofereceu sacrifícios ao Deus de seu pai Isaac.
2. Aí, numa visão noturna, Deus disse a Israel: "Jacó! Jacó!" Ele respondeu: "Aqui estou".
3. Deus continuou: "Eu sou El, o Deus de seu pai. Não tenha medo de descer ao Egito, porque lá farei de você uma grande nação.
4. Eu descerei com você ao Egito e o farei voltar de lá. E José lhe fechará os olhos".
5. Jacó partiu de Bersabéia, e os filhos de Israel fizeram seu pai Jacó, seus netos e suas mulheres subirem nos carros que o Faraó mandara para buscá-los.
6. Tomaram seus rebanhos e tudo o que haviam adquirido na terra de Canaã, e foram para o Egito,
7. Jacó e todos os seus descendentes com ele: filhos e netos, filhas e netas e todos os seus descendentes, ele os levou consigo para o Egito.
8. Nomes dos filhos de Jacó que foram para o Egito: Rúben, o primogênito de Jacó.
9. Filhos de Rúben: Henoc, Falu, Hesron e Carmi.
10. Filhos de Simeão: Jamuel, Jamin, Aod, Jaquin, Soar e Saul, o filho da cananéia.
11. Filhos de Levi: Gérson, Caat e Merari.
12. Filhos de Judá: Her, Onã, Sela, Farés e Zara; mas Her e Onã morreram na terra de Canaã. Filhos de Farés: Hesron e Hamul.
13. Filhos de Issacar: Tola, Fua, Jasub e Semron.
14. Filhos de Zabulon: Sared, Elon e Jaelel.
15. Até aqui são os descendentes que Lia e Jacó tiveram em Padã-Aram; além desses, sua filha Dina: ao todo, trinta e três pessoas, entre filhos e filhas.
16. Filhos de Gad: Safon, Hagi, Suni, Esebon, Eri, Arodi e Areli.
17. Filhos de Aser: Jamne, Jesua, Jessui, Beria, e a irmã Sara. Filhos de Beria: Héber e Melquiel.
18. Esses são os filhos de Zelfa, a escrava que Labão deu à sua filha Lia. Ela gerou dezesseis pessoas para Jacó.
19. Filhos de Raquel, mulher de Jacó: José e Benjamim.
20. Asenet, filha de Putifar, sacerdote de On, deu a José dois filhos no Egito: Manassés e Efraim.
21. Filhos de Benjamim: Bela, Bocor, Asbel, Gera, Naamã, Equi, Ros, Mofim, Ofim e Ared.
22. Esses são os filhos de Raquel, gerados para Jacó: são ao todo catorze pessoas.
23. Filho de Dã: Husim.
24. Filhos de Neftali: Jasiel, Guni, Jeser e Selém.
25. Esses são os filhos de Bala, a escrava que Labão deu à sua filha Raquel. Ela gerou para Jacó sete pessoas.
26. Os descendentes que foram com Jacó para o Egito, sem contar as noras, eram ao todo sessenta e seis.
27. Acrescentando os dois filhos de José no Egito, a família de Jacó que foi para o Egito era no total setenta pessoas.
28. Jacó enviou Judá na frente, para que ele se encontrasse com José e preparasse um lugar em Gessen. Quando eles estavam chegando a Gessen,
29. José preparou o seu carro e foi ao encontro do seu pai Israel em Gessen. Ao vê-lo, o abraçou e, ao beijá-lo, chorou.
30. Israel disse a José: "Agora posso morrer, depois que vi você vivo em pessoa".
31. Então José disse a seus irmãos e à família de seu pai: "Vou subir para dar ao Faraó esta notícia: 'Meus irmãos e a família de meu pai, que viviam em Canaã, vieram para junto de mim.
32. São pastores de ovelhas que cuidam de rebanhos; trouxeram as ovelhas, as vacas e tudo o que possuíam'.
33. Assim, quando o Faraó chamar vocês e perguntar: 'Qual é a profissão de vocês?'
34. então respondam: 'Seus servos são pastores desde a juventude até hoje, tanto nós como nossos pais'. Desse modo, vocês poderão ficar na terra de Gessen, pois os egípcios detestam todos os pastores".

[Gênesis 47]Gênesis 47

1. José foi levar ao Faraó a notícia: "Meu pai e meus irmãos chegaram da terra de Canaã com suas ovelhas, vacas e tudo o que possuem, e estão na terra de Gessen".
2. José escolheu cinco de seus irmãos e os apresentou ao Faraó.
3. Este lhes perguntou: "Qual é a profissão de vocês?" Eles responderam: "Seus servos são pastores de ovelhas, tanto nós quanto nossos pais".
4. E acrescentaram: "Viemos morar neste país, porque não há mais pastagem para os rebanhos de seus servos: a fome está assolando a terra de Canaã. Permita que seus servos fiquem na terra de Gessen".
5a. Então o Faraó disse a José:
6b. "Que eles morem na terra de Gessen. Se você conhece alguns deles que são capazes, coloque-os como administradores de meus próprios rebanhos".
5b. Quando Jacó e seus filhos chegaram ao Egito, o Faraó, rei do Egito, ficou sabendo, e disse a José: "Seu pai e seus irmãos vieram encontrá-lo.
6a. A terra do Egito está à disposição de você: instale seu pai e seus irmãos na melhor região".
7. Então José fez vir seu pai Jacó, o apresentou ao Faraó, e Jacó saudou o Faraó.
8. O Faraó perguntou a Jacó: "Quantos anos você tem?"
9. Jacó respondeu ao Faraó: "Cento e trinta são os anos de minhas andanças pela terra. Os anos de minha vida foram poucos e infelizes, e não chegam aos anos que meus pais viveram em suas andanças".
10. Então Jacó saudou o Faraó e despediu-se dele.
11. A seguir, José instalou seu pai e seus irmãos e lhes deu propriedades no Egito, na melhor região do país, que é a de Ramsés, conforme o Faraó lhe havia mandado.
12. E José providenciou pão para seu pai, para seus irmãos e para toda a família de seu pai, segundo o número de seus filhos.

POLÍTICA AGRÁRIA DE JOSÉ
13. Em todo o país faltava pão, pois a fome assolava e esgotava a terra do Egito e de Canaã.
14. José acumulou todo o dinheiro que havia na terra do Egito e na terra de Canaã, em troca dos mantimentos que eles compravam, e entregou todo o dinheiro ao palácio do Faraó.
15. Quando se acabou o dinheiro da terra do Egito e da terra de Canaã, todos os egípcios foram a José, pedindo: "Dê-nos pão ou morreremos aqui mesmo, porque se acabou o nosso dinheiro".
16. Então José falou: "Se o dinheiro de vocês acabou, tragam rebanhos, e eu lhes darei pão em troca de seus rebanhos".
17. Eles então levaram seus rebanhos a José, e este lhes deu pão em troca de cavalos, ovelhas, bois e jumentos. E nesse ano José sustentou-os com pão em troca de seus rebanhos.
18. Passado esse ano, eles voltaram a José no ano seguinte, dizendo: "Não podemos esconder isso ao senhor: nosso dinheiro, o rebanho e os animais já pertencem ao senhor. Só nos resta oferecer ao senhor nossos corpos e nossos campos.
19. Por que iríamos perecer em sua presença, nós e nosso terreno? Compre, portanto, a nós e nosso terreno em troca de pão, e nós e nossos terrenos seremos servos do Faraó. Dê-nos sementes a fim de continuarmos vivos e não morrermos, e que o nosso terreno não fique deserto".
20. Então José comprou para o Faraó todos os terrenos do Egito, pois os egípcios, forçados pela fome, venderam seus terrenos. Desse modo, todo o país tornou-se propriedade do Faraó.
21. Quanto aos homens, o Faraó os tornou escravos de uma extremidade à outra do território do Egito.
22. Somente as terras dos sacerdotes não foram compradas, pois os sacerdotes recebiam uma renda do Faraó e viviam dessa renda que o Faraó lhes dava. Por isso, não precisaram vender suas terras.
23. José disse ao povo: "Hoje eu comprei vocês e seus terrenos para o Faraó. Aqui estão as sementes para semear nos terrenos.
24. Quando chegar a colheita, vocês deverão dar a quinta parte para o Faraó; as outras quatro partes servirão para semear e para alimentar vocês, suas famílias e seus filhos.
25. Eles responderam: "O senhor salvou nossa vida! Alcançamos o seu favor e nos tornaremos escravos do Faraó".
26. José fez disso uma lei, que ainda hoje vale para todos os terrenos do Egito: a quinta parte da produção pertence ao Faraó. Somente as terras dos sacerdotes não se tornaram propriedade do Faraó.

ÚLTIMAS DISPOSIÇÕES DE JACÓ
27. Israel estabeleceu-se na terra do Egito, na região de Gessen. Aí adquiriu propriedades, multiplicou-se e tornou-se muito numeroso.
28. Jacó viveu dezessete anos no Egito, e a duração da sua vida foi de cento e quarenta e sete anos.
29. Quando chegou para Israel a hora da morte, ele chamou seu filho José e lhe disse: "Se tenho o seu afeto, coloque sua mão debaixo de minha coxa e prometa tratar-me com amor e fidelidade: peço-lhe que não me enterre no Egito.
30. Quando eu descansar com meus pais, leve-me do Egito e me enterre no túmulo deles". José respondeu: "Farei o que o senhor está pedindo".
31. Seu pai insistiu: "Jure-me!" E José jurou. Então Israel inclinou-se na cabeceira da cama.

[Gênesis 48]Gênesis 48

1. Depois disso, disseram a José: "Seu pai está doente". Então José tomou consigo seus dois filhos, Manassés e Efraim.
2. Disseram a Jacó: "Aqui está seu filho José que veio visitá-lo". Israel fez um esforço e sentou-se na cama.
3. Então Jacó disse a José: "O Deus Todo-poderoso me apareceu em Luza, na terra de Canaã. Ele me abençoou,
4. e disse: 'Eu o tornarei fecundo e o multiplicarei, até que chegue a ser uma assembléia de povos. E a seus descendentes eu darei esta terra como posse perpétua'.
5. Agora, os dois filhos que nasceram de você no Egito antes que eu viesse para morar com você, serão meus filhos. Efraim e Manassés serão para mim como Rúben e Simeão.
6. Os que nascerem depois deles pertencerão a você, e receberão a herança em nome de seus irmãos.
7. Quando eu voltava de Padã-Aram, para minha infelicidade sua mãe Raquel morreu em viagem na terra de Canaã, a um bom trecho de Éfrata, e eu a enterrei no caminho de Éfrata, que é Belém".
8. Israel viu os dois filhos de José, e perguntou: "Quem são estes?"
9. José respondeu: "São os filhos que Deus me deu aqui". Jacó disse: "Traga-os aqui perto para que eu os abençoe".
10. Israel estava com a vista fraca pela velhice e quase não enxergava. José fez os filhos se aproximarem, e Israel os beijou e abraçou.
11. E Israel disse a José: "Eu não esperava mais vê-lo, mas Deus me permitiu ver você e seus descendentes".
12. Então José tirou os filhos do colo do pai e se prostrou com o rosto por terra.
13. José pegou os filhos, Efraim à direita e Manassés à esquerda, aproximou-se de Israel, para que Manassés ficasse à direita e Efraim à esquerda de Israel.
14. Israel, porém, cruzou os braços, estendeu a mão direita e a colocou sobre a cabeça de Efraim, que era o mais novo, e a mão esquerda sobre a cabeça de Manassés, embora Manassés fosse o mais velho.
15. E os abençoou, dizendo: "Que o Deus, diante do qual caminharam meus pais Abraão e Isaac, que o Deus que foi meu pastor desde o meu nascimento até hoje,
16. que o Anjo que me salvou de todo o mal abençoe estas crianças. Que nelas sobrevivam o meu nome e o nome de meus pais Abraão e Isaac. Que elas cresçam e se multipliquem sobre a terra".
17. José viu que seu pai tinha posto a mão direita sobre a cabeça de Efraim, e não gostou. Pegou a mão do pai, retirou-a da cabeça de Efraim e a colocou sobre a cabeça de Manassés,
18. explicando: "Não é assim, pai! O primogênito é este; coloque a mão direita sobre a cabeça dele".
19. Mas o pai recusou, dizendo: "Eu sei, meu filho, eu sei. Ele também se tornará um povo e crescerá, mas seu filho mais novo será maior do que ele, e sua descendência se tornará uma multidão de nações".
20. Nesse dia, Jacó os abençoou desta maneira: "Israel se servirá de vocês para abençoar, dizendo: 'Deus torne você como Efraim e Manassés' ". E Jacó pôs Efraim antes de Manassés.
21. Em seguida, Israel disse a José: "Estou para morrer, mas Deus estará com vocês e os levará de novo para a terra de seus pais.
22. A você, e não a seus irmãos, eu darei Siquém, que eu tomei dos amorreus com minha espada e arco".

[Gênesis 49]Gênesis 49

O FUTURO DO POVO DE ISRAEL
1. Jacó chamou seus filhos e disse: "Reúnam-se, para que eu lhes anuncie o que vai acontecer a vocês no futuro.
2. Reúnam-se e escutem, filhos de Jacó, ouçam o seu pai Israel:
3. Rúben, você é o meu primogênito, minha força e primeiro fruto de minha virilidade, primeiro na fila e primeiro em poder,
4. impetuoso como as águas: você não manterá a primazia, porque subiu à cama de seu pai e violou o meu leito contra mim.
5. Simeão e Levi são irmãos. Suas espadas são instrumentos de violência.
6. Não quero assistir a seus conselhos, não participarei de sua assembléia, pois na sua cólera mataram homens, e em seu capricho mutilaram touros.
7. Maldita seja a cólera deles por seu rigor, maldito seu furor por sua dureza. Eu os dividirei em Jacó e os dispersarei em Israel.
8. Judá, seus irmãos o louvarão. Você colocará a mão sobre a nuca de seus inimigos, e diante de você se prostrarão os filhos de seu pai.
9. Judá é um leãozinho. Você voltou da caçada, meu filho; agacha-se e deita-se como leão e como leoa: quem se atreve a desafiá-lo?
10. O cetro não se afastará de Judá, nem o bastão de comando do meio de seus pés, até que o tributo lhe seja trazido e os povos lhe obedeçam.
11. Ele amarra a seu jumentinho junto à vinha, e o filhote de jumenta perto da videira; lava sua roupa no vinho e seu manto no sangue das uvas.
12. Seus olhos são mais escuros do que o vinho, e seus dentes mais brancos que o leite.
13. Zabulon reside à beira-mar: é um porto para os barcos, e sua fronteira chegará até Sidônia.
14. Issacar é um jumento robusto, deitado entre dois muros.
15. Ele viu que o estábulo era bom e que a terra era agradável: baixou o ombro sob a carga e sujeitou-se ao trabalho escravo.
16. Dã julga seu povo, e também as outras tribos de Israel.
17. Dã é uma serpente no caminho, uma víbora no atalho: morde o cavalo nos calcanhares, e o cavaleiro cai para trás.
18. Em tua salvação eu espero, Javé!
19. Gad, os guerrilheiros o atacarão, e ele os atacará pelas costas.
20. Aser, seu pão é abundante e fornece delícias de reis.
21. Neftali é gazela solta que tem crias formosas.
22. José é potro selvagem, potro junto à fonte, burros selvagens junto ao muro.
23. Os arqueiros os irritam, desafiam e atacam.
24. Mas o seu arco fica intacto e seus braços se movem velozes, pelas mãos do Poderoso de Jacó, do Pastor e Pedra de Israel,
25. pelo Deus de seu pai que o socorre, pelo Todo-poderoso que o abençoa: as bênçãos que descem do céu e as bênçãos do oceano em baixo, bênçãos das mamas e dos seios.
26. As bênçãos de seu pai são superiores às bênçãos dos montes antigos e às atrações das colinas eternas. Que elas venham sobre a cabeça de José, sobre a fronte do consagrado entre os irmãos.
27. Benjamim é um lobo voraz: de manhã devora a presa, e à tarde reparte os despojos.
28. Todos esses formam as doze tribos de Israel. E tudo isso foi o que disse o pai deles ao abençoá-los; abençoou cada um com a bênção que convinha.
29. Depois Jacó ordenou a eles: "Quando eu me reunir com os meus, enterrem-me com os meus pais na gruta do campo de Efron, o heteu,
30. na gruta do campo de Macpela, diante de Mambré, na terra de Canaã, que Abraão comprou de Efron, o heteu, como propriedade sepulcral.
31. Aí foram enterrados Abraão e sua mulher Sara; aí também foram enterrados Isaac e sua mulher Rebeca, e aí eu enterrei Lia.
32. O campo e a gruta que nele está foram comprados dos filhos de Het".
33. Quando Jacó acabou de dar instruções aos filhos, recolheu os pés na cama, expirou e se reuniu com seus antepassados.

[Gênesis 50]Gênesis 50

O EGITO NÃO É A TERRA PROMETIDA
1. José lançou-se sobre o rosto do pai, chorando e beijando.
2. Em seguida, ordenou aos médicos que estavam a seu serviço para embalsamar seu pai; e os médicos embalsamaram Israel.
3. Isso durou quarenta dias, que é o tempo que costuma demorar o embalsamamento. Os egípcios guardaram luto por setenta dias.
4. Quando terminou o tempo do luto, José disse aos cortesãos do Faraó: "Se vocês são meus amigos, digam pessoalmente ao Faraó:
5. 'Meu pai me fez prestar este juramento: Quando eu morrer, enterre-me no túmulo que eu mandei cavar na terra de Canaã'. Portanto, deixe-me subir para enterrar meu pai; depois, eu voltarei".
6. O Faraó respondeu: "Suba e enterre seu pai conforme o juramento que você fez".
7. José subiu para enterrar seu pai e com ele foram todos os oficiais do Faraó, os anciãos da corte e todos os dignitários da terra do Egito,
8. bem como toda a família de José, seus irmãos e a família de seu pai. Deixaram na terra de Gessen somente as crianças, as ovelhas e os bois.
9. Com José subiram também carros e cavaleiros; era um cortejo muito importante.
10. Chegando a Goren-Atad, no outro lado do Jordão, fizeram um funeral grandioso e solene, e José guardou por seu pai um luto de sete dias.
11. Os cananeus, que habitavam na região, viram o luto em Goren-Atad, e comentaram: "O funeral dos egípcios é solene!" Por isso, deram ao lugar o nome de Luto do Egito, lugar esse que está no outro lado do Jordão.
12. Os filhos de Jacó fizeram o que ele havia ordenado:
13. levaram-no para a terra de Canaã e o enterraram na gruta do campo de Macpela, diante de Mambré, campo que Abraão havia comprado de Efron, o heteu, como propriedade sepulcral.
14. Então José voltou ao Egito junto com seus irmãos e todos os que o acompanharam para enterrar seu pai.
15. Vendo que o pai havia morrido, os irmãos de José disseram: "E se José guardou rancor contra nós e quer nos devolver todo o mal que lhe fizemos?"
16. Então mandaram dizer a José: "Antes de morrer, seu pai expressou esta vontade:
17. "Digam a José: perdoe a seus irmãos o crime e o pecado que cometeram, todo o mal que fizeram a você'. Portanto, perdoe o crime dos servos do Deus de seu pai". Ao ouvir o que eles mandaram dizer, José chorou.
18. Então chegaram os irmãos, prostraram-se diante de José e disseram: "Aqui estamos. Somos seus escravos".
19. José respondeu: "Não tenham medo. Por acaso eu estou no lugar de Deus?
20. Vocês pretendiam o mal contra mim, mas o projeto de Deus o transformou em bem, a fim de cumprir o que se realiza hoje: salvar a vida de um povo numeroso.
21. Portanto, não tenham medo. Eu sustentarei vocês e seus filhos". José os tranqüilizou e lhes falou afetuosamente.
22. José viveu no Egito com a família de seu pai, e chegou aos cento e dez anos.
23. Conheceu os filhos de Efraim até a terceira geração, e também os filhos de Maquir, filho de Manassés, e os carregou no colo.
24. Por fim, José disse aos irmãos: "Estou para morrer, mas Deus cuidará de vocês e os fará subir daqui para a terra que ele prometeu, com juramento, dar a Abraão, Isaac e Jacó".
25. E José fez os filhos de Israel jurarem: "Quando Deus intervier em favor de vocês, levem meus ossos daqui".
26. José morreu com cento e dez anos. E eles o embalsamaram e colocaram num sarcófago no Egito.
[Êxodo 1]I. A OPRESSÃO: PROJETO DE MORTE

Êxodo 1

SURGIMENTO DE UM POVO
1. Nomes dos filhos de Israel que foram para o Egito com Jacó, cada qual com sua família:
2. Rúben, Simeão, Levi e Judá;
3. Issacar, Zabulon e Benjamim;
4. Dã e Neftali; Gad e Aser.
5. Os descendentes de Jacó eram ao todo setenta pessoas. José, porém, já estava no Egito.
6. Depois, morreu José, assim como seus irmãos e toda essa geração.
7. Os filhos de Israel se tornavam fecundos e se multiplicavam; tornaram-se cada vez mais numerosos e poderosos, a tal ponto que o país ficou repleto deles.

LUTA ENTRE A MORTE E A VIDA

A OPRESSÃO PARALISA O POVO
8. Subiu ao trono do Egito um novo rei que não tinha conhecido José.
9. Ele disse ao seu povo: "Vejam! O povo dos filhos de Israel está se tornando mais numeroso e poderoso do que nós.
10. Vamos vencê-los com astúcia, para impedir que eles se multipliquem; do contrário, em caso de guerra, eles se aliarão com o inimigo, nos atacarão e depois sairão do país".
11. Então impuseram sobre Israel capatazes, que os exploravam em trabalhos forçados. E assim construíram para o Faraó as cidades-armazéns de Pitom e Ramsés.
12. Contudo, quanto mais oprimiam o povo, mais ele crescia e se multiplicava. Os filhos de Israel começaram a se tornar um pesadelo para os egípcios.
13. Por isso, os egípcios impuseram sobre eles trabalhos duros,
14. e lhes amargaram a vida com dura escravidão: preparação de argila, fabricação de tijolos, vários trabalhos nos campos; enfim, com dureza os obrigaram a todos esses trabalhos.

O OPRESSOR NÃO CONSEGUE ELIMINAR A VIDA
15. O rei do Egito ordenou às parteiras dos hebreus, que se chamavam Sefra e Fua:
16. "Quando vocês ajudarem as hebréias a dar à luz, observem se é menino ou menina: se for menino, matem; se for menina, deixem viver".
17. As parteiras, porém, temeram a Deus e não fizeram o que o rei do Egito lhes havia ordenado; e deixaram os meninos viver.
18. Então o rei do Egito chamou as parteiras e lhes disse: "Por que vocês fizeram isso, deixando os meninos viver?"
19. Elas responderam ao Faraó: "As mulheres hebréias não são como as egípcias: são cheias de vida, e dão à luz antes que as parteiras cheguem".
20. Por isso, Deus favoreceu as parteiras. E o povo se multiplicou e tornou-se muito poderoso.
21. E como as parteiras temeram a Deus, ele deu a elas uma família numerosa.
22. Então o Faraó ordenou a todo o seu povo: "Joguem no rio Nilo todo menino que nascer; e se for menina, deixem viver".

[Êxodo 2]Êxodo 2

A VIDA DENTRO DA CASA DO OPRESSOR
1. Um homem da tribo de Levi casou-se com uma mulher da mesma tribo:
2. ela concebeu e deu à luz um filho. Vendo que era belo, o escondeu por três meses.
3. Quando não pôde mais escondê-lo, pegou um cesto de papiro, vedou com betume e piche, colocou dentro a criança, e a depositou entre os juncos na margem do rio.
4. A irmã da criança observava de longe para ver o que aconteceria.
5. Nesse momento, a filha do Faraó desceu para tomar banho no rio, enquanto suas servas andavam pela margem. Ela viu o cesto entre os juncos e mandou a criada apanhá-lo.
6. Ao abrir o cesto, viu a criança: era um menino que chorava. Ela se compadeceu e disse: "É uma criança dos hebreus!"
7. Então a irmã do menino disse à filha do Faraó: "A senhora quer que eu vá chamar uma hebréia para criar este menino?"
8. A filha do Faraó respondeu: "Pode ir". A menina foi e chamou a mãe da criança.
9. Então a filha do Faraó disse para a mulher: "Leve este menino, e o amamente para mim, que eu lhe pagarei". A mulher recebeu o menino e o criou.
10. Quando o menino cresceu, a mulher o entregou à filha do Faraó, que o adotou e lhe deu o nome de Moisés, dizendo: "Eu o tirei das águas".

SOLIDARIEDADE COM O OPRIMIDO
11. Passaram os anos. Moisés cresceu e saiu para ver seus irmãos. E notou que eram submetidos a trabalhos forçados. Viu também que um dos seus irmãos hebreus estava sendo maltratado por um egípcio.
12. Olhou para um lado e para outro, e vendo que não havia ninguém, matou o egípcio e o enterrou na areia.
13. No dia seguinte, Moisés saiu e encontrou dois hebreus brigando. E disse para o agressor: "Por que você está ferindo seu próximo?"
14. Ele respondeu: "E quem foi que nomeou você para ser chefe e juiz sobre nós? Está querendo me matar como matou o egípcio ontem?" Moisés sentiu medo e pensou: "Certamente a coisa já é conhecida".
15. O Faraó ouviu falar do fato e procurou matar Moisés. Moisés, porém, fugiu do Faraó e se refugiou no país de Madiã. E aí se sentou junto a um poço.
16. O sacerdote de Madiã tinha sete filhas. Elas foram buscar água para encher os bebedouros e dar de beber ao rebanho de seu pai.
17. Nisso, chegaram uns pastores e tentavam expulsá-las. Então Moisés se levantou para defendê-las e deu de beber ao rebanho delas.
18. E elas voltaram para seu pai Ragüel, e este lhes perguntou: "Por que vocês voltaram hoje mais cedo?"
19. Elas responderam: "Um egípcio nos livrou dos pastores, tirou água e deu de beber ao rebanho".
20. O pai perguntou: "Onde está ele? Por que o deixaram ir embora? Vão chamá-lo para que venha comer".
21. Moisés concordou em morar com ele. E ele deu a Moisés sua filha Séfora.
22. Ela deu à luz um menino, a quem Moisés deu o nome de Gérson, dizendo: "Sou imigrante em terra estrangeira".

II. A LIBERTAÇÃO: PROJETO DE VIDA

1. DEUS OUVE O CLAMOR DO OPRIMIDO

O OPRIMIDO TOMA CONSCIÊNCIA
23. Muito tempo depois, o rei do Egito morreu. Os filhos de Israel gemiam sob o peso da escravidão, e clamaram; e do fundo da escravidão, o seu clamor chegou até Deus.
24. Deus ouviu as queixas deles e lembrou-se da aliança que fizera com Abraão, Isaac e Jacó.
25. Deus viu a condição dos filhos de Israel e a levou em consideração.

[Êxodo 3]2. DEUS RESPONDE AO CLAMOR

Êxodo 3

EXPERIÊNCIA QUE PROVOCA DECISÃO
1. Moisés estava pastoreando o rebanho do seu sogro Jetro, sacerdote de Madiã. Levou as ovelhas além do deserto e chegou ao Horeb, a montanha de Deus.
2. O anjo de Javé apareceu a Moisés numa chama de fogo do meio de uma sarça. Moisés prestou atenção: a sarça ardia no fogo, mas não se consumia.
3. Então Moisés pensou: "Vou chegar mais perto e ver essa coisa estranha: por que será que a sarça não se consome?"
4. Javé viu Moisés que se aproximava para olhar. E do meio da sarça Deus o chamou: "Moisés, Moisés!" Ele respondeu: "Aqui estou".
5. Deus disse: "Não se aproxime. Tire as sandálias dos pés, porque o lugar onde você está pisando é um lugar sagrado".
6. E continuou: "Eu sou o Deus de seus antepassados, o Deus de Abraão, o Deus de Isaac, o Deus de Jacó". Então Moisés cobriu o rosto, pois tinha medo de olhar para Deus.

OBJETIVO DA LIBERTAÇÃO
7. Javé disse: "Eu vi muito bem a miséria do meu povo que está no Egito. Ouvi o seu clamor contra seus opressores, e conheço os seus sofrimentos.
8. Por isso, desci para libertá-lo do poder dos egípcios e para fazê-lo subir dessa terra para uma terra fértil e espaçosa, terra onde corre leite e mel, o território dos cananeus, heteus, amorreus, ferezeus, heveus e jebuseus.
9. O clamor dos filhos de Israel chegou até mim, e eu estou vendo a opressão com que os egípcios os atormentam.
10. Por isso, vá. Eu envio você ao Faraó, para tirar do Egito o meu povo, os filhos de Israel".

O NOME DE DEUS
11. Então Moisés disse a Deus: "Quem sou eu para ir até o Faraó e tirar os filhos de Israel lá do Egito?"
12. Deus respondeu: "Eu estou com você, e este é o sinal de que eu o envio: quando você tirar o povo do Egito, vocês vão servir a Deus nesta montanha".
13. Moisés replicou a Deus: "Quando eu me dirigir aos filhos de Israel, eu direi: 'O Deus dos antepassados de vocês me enviou até vocês'; e se eles me perguntarem: 'Qual é o nome dele?' O que é que eu vou responder?"
14. Deus disse a Moisés: "Eu sou aquele que sou". E continuou: "Você falará assim aos filhos de Israel: 'Eu Sou me enviou até vocês' ".
15. Deus disse ainda a Moisés: "Você falará assim aos filhos de Israel: 'Javé, o Deus dos antepassados de vocês, o Deus de Abraão, o Deus de Isaac, o Deus de Jacó, foi quem me enviou até vocês'. Esse é o meu nome para sempre, e assim eu serei lembrado de geração em geração".

O PROJETO DA LIBERTAÇÃO
16. "Vá, reúna os anciãos de Israel e diga a eles: 'Javé, o Deus dos antepassados de vocês, o Deus de Abraão, o Deus de Isaac, o Deus de Jacó, ele me apareceu e disse: Eu vim ver vocês e como estão tratando vocês aqui no Egito.
17. Então eu disse: Eu decidi tirar vocês da opressão egípcia e levá-los para a terra dos cananeus, heteus, amorreus, ferezeus, heveus e jebuseus, para uma terra onde corre leite e mel'.
18. Os anciãos de Israel darão ouvidos a você. Então você irá com eles até o rei do Egito e lhe dirá: 'Javé, o Deus dos hebreus, veio ao nosso encontro. Por isso, deixe-nos agora fazer uma viagem de três dias no deserto, para oferecermos sacrifícios a Javé nosso Deus'.
19. Entretanto, eu sei que o rei do Egito não os deixará ir, se não for obrigado por mão forte.
20. Portanto, vou estender a mão e ferir o Egito com todas as maravilhas que farei no país. Então ele deixará vocês partir.
21. Farei com que o povo conquiste a simpatia dos egípcios, de modo que, ao partir, não saiam de mãos vazias.
22. As mulheres pedirão a suas vizinhas e às donas de casa, com quem estiverem alojadas, objetos de prata e ouro e roupas para vestir seus filhos e filhas; assim, vocês vão despojar os egípcios".

[Êxodo 4]Êxodo 4

MOISÉS PODERÁ DEMITIFICAR A IDEOLOGIA DO OPRESSOR
1. Moisés replicou: "E se eles não acreditarem em mim, nem fizerem caso, dizendo: 'Javé não apareceu a você'?"
2. Javé perguntou-lhe: "O que você tem aí na mão?" Moisés respondeu: "Uma vara".
3. Então Javé lhe disse: "Jogue-a no chão". Moisés jogou a vara no chão e ela se transformou em cobra. Moisés, assustado, saiu correndo.
4. Javé disse a Moisés: "Estenda a mão e pegue-a pela cauda". Ele estendeu a mão, pegou-a pela cauda e ela se transformou em vara.
5. Então Javé disse: "Isso é para acreditarem que Javé, o Deus dos antepassados deles, o Deus de Abraão, o Deus de Isaac, o Deus de Jacó, apareceu a você".
6. Javé disse-lhe ainda: "Coloque a mão no peito". Moisés colocou a mão no peito; ao retirá-la, a mão estava leprosa, branca como a neve.
7. Javé lhe disse: "Coloque de novo a mão no peito". Moisés colocou de novo a mão no peito e, ao retirá-la, estava normal como o resto do corpo.
8. E Javé disse: "Se eles não acreditarem e não fizerem caso de você no primeiro sinal, acreditarão em você no segundo.
9. Se não acreditarem nem fizerem caso de você em nenhum dos dois sinais, pegue água do rio Nilo e derrame-a na terra seca: a água que você pegar do rio se transformará em sangue sobre a terra seca".

O PORTA-VOZ DE MOISÉS
10. Moisés insistiu com Javé: "Meu Senhor, eu não tenho facilidade para falar, nem ontem, nem anteontem, nem depois que falaste ao teu servo; minha boca e minha língua são pesadas".
11. Javé replicou: "Quem dá a boca para o homem? Quem o torna mudo ou surdo, capaz de ver ou cego? Não sou eu, Javé?
12. Agora vá, e eu estarei em sua boca e lhe ensinarei o que você há de falar".
13. Moisés, porém, insistiu: "Não, meu Senhor, envia o intermediário que quiseres".
14. Javé ficou irritado com Moisés e lhe disse: "Você não tem o seu irmão Aarão, o levita? Sei que ele sabe falar bem. Ele está vindo ao seu encontro e ficará alegre em ver você.
15. Você vai falar com ele e transmitirá a ele as mensagens. Eu estarei na sua boca e na dele, e ensinarei a vocês o que deverão fazer.
16. Ele falará ao povo no lugar de você: ele será a sua boca, e você será um deus para ele.
17. Pegue esta vara na mão: é com ela que você fará os sinais".

MOISÉS PARTE PARA O EGITO
18. Moisés voltou para a casa de seu sogro Jetro, e lhe disse: "Vou voltar para o Egito, para ver se meus irmãos ainda vivem". Jetro respondeu: "Vá em paz".
19. Em Madiã, Javé disse a Moisés: "Volte para o Egito, porque morreram todos os que projetavam matar você".
20. Então Moisés tomou sua mulher e seu filho, os fez montar num jumento, e voltou para a terra do Egito. Moisés levava na mão a vara de Deus.
21. E Javé disse a Moisés: "Quando você voltar ao Egito, procure fazer na presença do Faraó os prodígios que coloquei à sua disposição. Mas eu vou endurecer o coração do Faraó, para que ele não deixe o povo partir.
22. Então você dirá ao Faraó: Assim diz Javé: Israel é o meu filho primogênito
23. e eu ordeno a você que deixe meu filho sair para que me sirva. Se você se recusar a deixá-lo partir, eu matarei o filho primogênito de você".

A CIRCUNCISÃO DO FILHO DE MOISÉS
24. Durante a viagem, numa hospedaria, Javé foi ao encontro de Moisés e procurava matá-lo.
25. Séfora pegou uma pedra aguda, cortou o prepúcio de seu filho, com ele tocou os órgãos sexuais de Moisés, e disse: "Você é para mim um esposo de sangue".
26. E Javé o deixou quando ela disse: "esposo de sangue", por causa da circuncisão.

O POVO ADERE AO PROJETO DE JAVÉ
27. Javé disse a Aarão: "Vá até o deserto para encontrar-se com Moisés". Ele foi, o encontrou na montanha de Deus e o beijou.
28. Moisés contou para Aarão tudo o que Javé lhe havia dito quando lhe dera a missão. E falou de todos os sinais que Javé lhe havia mandado realizar.
29. Então Moisés e Aarão foram reunir todos os anciãos dos filhos de Israel.
30. Aarão repetiu tudo o que Javé tinha dito a Moisés, e este realizou os sinais diante do povo.
31. O povo acreditou. E, ouvindo que Javé se ocupava dos filhos de Israel e vira a opressão sobre eles, todos se ajoelharam e se prostraram.

[Êxodo 5]3. FRACASSO DA VIA LEGAL

Êxodo 5

O DEUS DOS MARGINALIZADOS
1. Depois disso, Moisés e Aarão se apresentaram diante do Faraó e disseram: "Assim diz Javé, o Deus de Israel: Deixe meu povo partir para que celebre uma festa para mim no deserto".
2. O Faraó respondeu: "Quem é Javé, para que eu tenha de obedecer a ele e deixar Israel partir? Não reconheço Javé, nem deixarei Israel partir".
3. Eles disseram: "O Deus dos hebreus veio ao nosso encontro. Deixe-nos fazer uma viagem de três dias pelo deserto para oferecermos sacrifícios a Javé nosso Deus; caso contrário, ele nos ferirá com peste ou espada".
4. Então o rei do Egito lhes disse: "Moisés e Aarão, por que vocês subvertem o povo que trabalha? Voltem já para o trabalho!"
5. E o Faraó acrescentou: "Eles já são mais numerosos que os nativos do país, e vocês ainda querem que eles deixem de trabalhar?"

O REVIDE DO OPRESSOR
6. Nesse mesmo dia, o Faraó deu ordem aos capatazes e inspetores, dizendo:
7". Não dêem ao povo palha para fazer tijolos, como vocês faziam antes. Que eles próprios providenciem a palha.
8. E mais: exijam deles a mesma quantia de tijolos que faziam antes. Não diminuam nada, porque eles são preguiçosos e por isso andam clamando: 'Vamos sacrificar ao nosso Deus'.
9. Carreguem esses homens com mais trabalho, para que fiquem ocupados e não dêem atenção a palavras mentirosas".
10. Os capatazes e inspetores saíram e falaram ao povo: "Assim disse o Faraó: 'Não darei mais palha para vocês;
11. vão vocês mesmos buscá-la onde a puderem encontrar. E o trabalho não será diminuído em nada' ".
12. Então o povo se espalhou por todo o território egípcio para recolher palha.
13. Os capatazes os pressionavam, dizendo: "Acabem o trabalho de vocês, a tarefa de cada dia, do mesmo jeito de antes, quando havia palha".
14. E os capatazes açoitavam os inspetores israelitas, que os mesmos capatazes do Faraó haviam colocado sobre eles. E lhes diziam: "Por que vocês não acabaram, nem ontem nem hoje, a quantidade de tijolos que faziam antes?"

SERÁ QUE O PROJETO FRACASSOU?
15. Os inspetores israelitas foram, então, reclamar diante do Faraó, dizendo: "Por que o senhor trata assim os seus servos?
16. Estão exigindo que façamos tijolos, mas não nos dão palha. Seus servos são açoitados, mas o culpado é o seu povo!"
17. O Faraó, porém, respondeu: "Vocês são muito preguiçosos! É por isso que andam dizendo: 'Vamos oferecer sacrifícios a Javé'.
18. Pois agora, vão e trabalhem. Vocês não receberão palha, mas terão que produzir a mesma quantidade de tijolos".
19. Então os inspetores israelitas se viram em aperto, pois fora dito para eles que não deviam diminuir a produção diária de tijolos.
20. Quando saíram da presença do Faraó, encontraram Moisés e Aarão que estavam à espera deles.
21. Então lhes disseram: "Que Javé examine e julgue a vocês, porque vocês é que nos tornaram odiosos ao Faraó e à sua corte, e puseram na mão deles uma espada para nos matar".

O PROJETO CONTINUARÁ PELA FORÇA
22. Então Moisés voltou-se para Javé e perguntou: "Senhor, por que maltratas este povo? Por que me enviaste?
23. Desde que me apresentei ao Faraó para falar em teu nome, o povo é maltratado, e tu não libertaste o teu povo".

[Êxodo 6]Êxodo 6

1. Javé respondeu a Moisés: "Agora você verá o que vou fazer ao Faraó. É pela força que ele os deixará partir, e até os expulsará do seu país!"
2. Deus falou a Moisés: "Eu sou Javé.
3. Apareci a Abraão, a Isaac e a Jacó como o Deus Todo-poderoso, mas a eles não dei a conhecer o meu nome: Javé.
4. Também estabeleci minha aliança com eles, para lhes dar a terra de Canaã, a terra em que residiam como imigrantes.
5. Eu ouvi os gemidos dos filhos de Israel que os egípcios escravizaram, e me lembrei da minha aliança.
6. Portanto, diga aos filhos de Israel: Eu sou Javé. Eu tirarei de cima de vocês as cargas do Egito, eu os libertarei da escravidão e os resgatarei com mão estendida, fazendo justiça solene.
7. Eu os adotarei como meu povo e serei o Deus de vocês, aquele que tira de cima de vocês as cargas do Egito.
8. Depois eu farei vocês entrarem na terra que prometi, com juramento, a Abraão, a Isaac e a Jacó: eu a darei como propriedade para vocês. Eu sou Javé".
9. Moisés comunicou isso aos filhos de Israel, mas eles não fizeram caso, porque estavam no limite da resistência, por causa da dura escravidão.
10. Javé disse a Moisés:
11. "Vá dizer ao Faraó, rei do Egito, que deixe os filhos de Israel sair do território dele".
12. Moisés, porém, falou a Javé: "Se nem os filhos de Israel me dão ouvidos, como é que o Faraó vai me ouvir, a mim que não tenho facilidade de falar?"
13. Javé falou a Moisés e Aarão e os enviou ao Faraó, rei do Egito, para tirarem os filhos de Israel do país do Egito.

MOISÉS E AARÃO SÃO IRMÃOS E LEVITAS
14. Estes são os chefes de suas famílias. Filhos de Rúben, primogênito de Israel: Henoc, Falu, Hesron e Carmi. São os clãs de Rúben.
15. Filhos de Simeão: Jamuel, Jamin, Aod, Jaquin, Soar e Saul, filho da cananéia. São os clãs de Simeão.
16. Nomes dos filhos de Levi, com seus descendentes: Gérson, Caat e Merari. Levi viveu cento e trinta e sete anos.
17. Filhos de Gérson: Lobni e Semei, com seus clãs.
18. Filhos de Caat: Amram, Isaar, Hebron e Oziel. Caat viveu cento e trinta e três anos.
19. Filhos de Merari: Mooli e Musi. São os clãs de Levi, com suas descendências.
20. Amram casou-se com sua tia Jocabed, e ela lhe deu Aarão e Moisés. Amram viveu cento e trinta e sete anos.
21. Filhos de Isaar: Coré, Nefeg e Zecri.
22. Filhos de Oziel: Misael, Elisafã e Setri.
23. Aarão casou-se com Isabel, filha de Aminadab, irmã de Naasson, e ela lhe deu Nadab, Abiú, Eleazar e Itamar.
24. Filhos de Coré: Asir, Elcana e Abiasaf. São os clãs dos coreítas.
25. Eleazar, filho de Aarão, casou-se com uma das filhas de Futiel, que lhe gerou Finéias. São estes os chefes das famílias dos levitas, segundo seus clãs.
26. E estes são Aarão e Moisés; foi a eles que Javé disse: "Tirem do Egito os filhos de Israel, segundo seus exércitos".
27. Foram eles, Moisés e Aarão, que falaram ao Faraó, rei do Egito, para que deixasse os filhos de Israel sair do Egito.

DEUS TOMA A INICIATIVA
28. Quando Javé falou a Moisés no Egito,
29. Javé lhe disse: "Eu sou Javé. Diga ao Faraó, rei do Egito, tudo o que estou dizendo a você".
30. Moisés respondeu a Javé: "Não sei falar com facilidade. Como é que o Faraó vai me ouvir?"

[Êxodo 7]Êxodo 7

1. Javé disse a Moisés: "Veja! Eu faço você como um deus para o Faraó, e seu irmão Aarão será seu profeta.
2. Você falará tudo o que eu mandar, e seu irmão Aarão falará ao Faraó, para que este deixe os filhos de Israel partir de sua terra.
3. Eu, porém, vou endurecer o coração do Faraó, e multiplicarei sinais e prodígios no país do Egito.
4. O Faraó não vai ouvir vocês; e então, eu colocarei a minha mão em cima do Egito e tirarei do Egito os meus exércitos, o meu povo, os filhos de Israel, fazendo solene justiça.
5. Desse modo, os egípcios saberão que eu sou Javé, quando eu estender a minha mão em cima do Egito e fizer os filhos de Israel sair do meio deles".
6. Moisés e Aarão fizeram exatamente o que Javé tinha ordenado.
7. Quando falaram ao Faraó, Moisés tinha oitenta anos, e Aarão oitenta e três.

4. A LUTA PELA LIBERTAÇÃO

COMEÇA O CONFRONTO
8. Javé disse a Moisés e Aarão:
9. "Se o Faraó pedir que vocês façam algum prodígio, você dirá a Aarão que pegue a vara de você e a jogue diante do Faraó; e ela se transformará em cobra".
10. Moisés e Aarão se apresentaram diante do Faraó e fizeram o que Javé lhes havia mandado. Aarão jogou a vara diante do Faraó e seus ministros, e ela se transformou em cobra.
11. O Faraó, porém, mandou chamar os sábios e os encantadores de cobras, e também eles, os magos do Egito, fizeram o mesmo com suas ciências ocultas:
12. cada um jogou a sua vara e elas se transformaram em cobras. No entanto, a vara de Aarão devorou as varas deles.
13. Apesar disso, o coração do Faraó se endureceu e ele não fez caso de Moisés e Aarão, exatamente como Javé havia predito.

DA ÁGUA DA VIDA AO SANGUE DA MORTE
14. Javé disse a Moisés: "O coração do Faraó está endurecido, e ele se recusa a deixar o povo partir.
15. Vá encontrar o Faraó de manhã. Ele vai sair até o rio, e você o esperará na margem do Nilo. Leve consigo a vara que se transformou em cobra.
16. Diga ao Faraó: Javé, o Deus dos hebreus, me enviou a você para dizer: 'Deixe meu povo partir para que me sirva no deserto. Até agora você não fez caso.
17. Portanto, assim diz Javé: Com isto, você ficará sabendo que eu sou Javé: com esta vara que tenho na mão, vou tocar as águas do rio e elas se transformarão em sangue:
18. os peixes do rio morrerão, o rio vai ficar cheirando mal, e os egípcios não poderão mais beber a água do rio' ".
19. Javé disse a Moisés: "Diga a Aarão: 'Tome a vara e estenda a mão sobre as águas do Egito, sobre os rios, canais, lagoas e sobre todos os reservatórios, para que se convertam em sangue. Haverá sangue em toda a terra do Egito, até nas vasilhas de madeira e de pedra' ".
20. Moisés e Aarão fizeram como Javé tinha mandado. Aarão ergueu a vara, tocou a água do rio diante do Faraó e de sua corte; e toda a água do Nilo se transformou em sangue.
21. Os peixes do rio morreram, o rio ficou poluído, e os egípcios não podiam beber a água do rio. E houve sangue por todo o país do Egito.
22. Os magos do Egito, porém, fizeram o mesmo com suas ciências ocultas. O coração do Faraó se endureceu e ele não fez caso, exatamente como Javé havia predito.
23. O Faraó voltou para o palácio, sem se preocupar com o caso.
24. Os egípcios cavaram nos arredores do rio para encontrar água potável, pois não podiam beber a água do rio.

UMA NEGOCIAÇÃO FRAUDULENTA
25. Sete dias depois de ter tocado o Nilo,
26. Javé disse a Moisés: "Apresente-se ao Faraó e diga a ele: 'Assim diz Javé: Deixe meu povo partir para que me sirva.
27. Se você não o deixar partir, eu infestarei todo o território de você com rãs:
28. o Nilo ferverá de rãs, que subirão, entrarão em seu palácio, nas casas e quartos e até em sua cama; o mesmo acontecerá na casa de seus ministros e de seu povo, nos fornos e amassadeiras.
29. As rãs virão por cima de você, de seus ministros e de todo o seu povo' ".

[Êxodo 8]Êxodo 8

1. Javé disse a Moisés: "Diga a Aarão: 'Estenda a mão com a vara sobre os rios, canais e lagoas, e faça subir rãs sobre todo o território egípcio' ".
2. Aarão estendeu a mão sobre as águas do Egito, e fez subir rãs que infestaram todo o território egípcio.
3. Os magos do Egito, porém, usaram suas ciências ocultas e fizeram o mesmo: fizeram subir rãs por todo o território egípcio.
4. O Faraó mandou chamar Moisés e Aarão, e lhes disse: "Rezem a Javé, para que afaste as rãs de mim e do meu povo. Então eu deixarei o povo partir para que ofereça sacrifícios a Javé".
5. Moisés disse ao Faraó: "Diga-me, por favor, quando é que eu devo rezar por você, por seus ministros e por seu povo, a fim de livrar das rãs você e suas casas, de modo que as rãs fiquem somente no Nilo".
6. O Faraó respondeu: "Amanhã." Moisés disse: "Será conforme está pedindo, para que você saiba que não há ninguém como Javé nosso Deus.
7. As rãs se afastarão de você, de sua casa, dos seus ministros e do seu povo. Ficarão somente no rio".
8. Moisés e Aarão saíram do palácio do Faraó. E Moisés suplicou a Javé por causa das rãs que ele havia mandado contra o Faraó.
9. Javé cumpriu o que Moisés lhe pedia: morreram as rãs que estavam nas casas, pátios e campos:
10. foram ajuntadas em montes imensos, e a terra ficou poluída.
11. Mas o Faraó viu que havia trégua, e seu coração ficou endurecido e não lhes deu ouvidos, exatamente como Javé tinha predito.

A IDEOLOGIA DO OPRESSOR É DESMASCARADA
12. Javé disse a Moisés: "Diga a Aarão: 'Estenda a vara e toque o pó do chão, e ele se transformará em mosquitos por todo o território egípcio' ".
13. Aarão estendeu a mão com a vara e tocou o pó do chão, que se transformou em mosquitos, que atacavam homens e animais. E todo o pó do chão se transformou em mosquitos por todo o país do Egito.
14. Os magos do Egito tentaram fazer o mesmo, usando suas ciências ocultas para produzir mosquitos, mas não conseguiram. Os mosquitos atacavam homens e animais.
15. Então os magos disseram ao Faraó: "Isso é o dedo de Deus". Mas o coração do Faraó se endureceu e ele não os ouviu, exatamente como Javé tinha predito.

O OPRESSOR RECONHECE A FORÇA DE JAVÉ
16. Javé disse a Moisés: "Levante-se de madrugada, apresente-se ao Faraó quando ele sair para o rio, e diga-lhe: 'Assim diz Javé: Deixe meu povo partir para que me sirva.
17. Se você não deixar o meu povo partir, eu mandarei moscas contra você, contra seus ministros, seu povo e as casas que você tem. As casas dos egípcios e até mesmo o solo em que pisam ficarão cheios de moscas.
18. Nesse dia, eu tratarei de maneira diferente o território de Gessen, onde reside o meu povo, para que aí não haja moscas. Assim, você saberá que eu sou Javé e estou no país.
19. Farei uma distinção entre o meu povo e o seu povo. Este sinal acontecerá amanhã'."
20. Assim fez Javé: nuvens de moscas invadiram o palácio do Faraó e de seus ministros e todo o território egípcio, de modo que toda a terra do Egito ficou infestada de moscas.
21. O Faraó mandou chamar Moisés e Aarão, e disse a eles: "Vão oferecer sacrifícios ao Deus de vocês dentro do meu território".
22. Moisés respondeu: "Não é oportuno fazer isso, porque nossos sacrifícios a Javé nosso Deus são abomináveis para os egípcios. Se imolarmos diante deles o que eles abominam, certamente irão nos apedrejar.
23. Temos que viajar três dias pelo deserto, para oferecer sacrifícios a Javé nosso Deus, conforme ele nos mandou".
24. O Faraó propôs: "Eu deixarei vocês fazer sacrifícios ao Deus de vocês no deserto, com a condição de que vocês não se afastem muito. Rezem por mim".
25. Moisés respondeu: "Logo que eu sair da sua presença, rezarei a Javé, para que amanhã mesmo ele afaste as moscas do Faraó, dos seus ministros e do seu povo. Mas que o Faraó não torne a me enganar, não permitindo que o povo vá fazer sacrifícios a Javé".
26. Moisés saiu da presença do Faraó e orou a Javé.
27. E Javé fez o que Moisés pedia: afastou as moscas do Faraó, dos seus ministros e do seu povo, até que não ficou uma só.
28. Mas o Faraó endureceu o coração também dessa vez, e não deixou o povo partir.

[Êxodo 9]Êxodo 9

JAVÉ ESTÁ COM O SEU POVO
1. Javé disse a Moisés: "Apresente-se ao Faraó e diga a ele: Assim diz Javé, o Deus dos hebreus: 'Deixe meu povo partir para que me sirva.
2. Se você não o deixar partir, e o continuar segurando à força,
3. a mão de Javé vai ferir, com uma peste maligna, o rebanho do campo, os cavalos, jumentos, camelos, bois e ovelhas'.
4. Javé, no entanto, fará distinção entre os rebanhos de Israel e os rebanhos dos egípcios, de modo que nada perecerá do que pertence aos filhos de Israel.
5. Javé estabeleceu um prazo: amanhã Javé fará isso no país".
6. Javé cumpriu sua palavra no dia seguinte. E morreram todos os animais dos egípcios, mas não morreu nenhum dos animais dos filhos de Israel.
7. O Faraó mandou averiguar e viu que do rebanho de Israel nenhum animal havia morrido. No entanto, o Faraó endureceu o coração e não deixou o povo partir.

A IDEOLOGIA DO OPRESSOR É DERROTADA
8. Javé disse a Moisés e Aarão: "Peguem do forno um punhado de cinza, e Moisés o atire no ar diante dos olhos do Faraó.
9. A cinza se transformará em pó sobre todo o território egípcio e cairá sobre homens e animais, produzindo úlceras e chagas em toda a terra do Egito".
10. Eles pegaram cinza do forno, apresentaram-se ao Faraó, e Moisés a jogou para o ar, e os homens e animais ficaram cobertos de tumores e chagas.
11. Os magos, por causa dos tumores, não puderam ficar de pé diante de Moisés, porque havia tumores nos magos e em todos os egípcios.
12. Javé, porém, endureceu o coração do Faraó e este não os ouviu, exatamente como Javé tinha predito a Moisés.

OS INTERESSES DIVIDEM A CLASSE DOMINANTE
13. Javé disse a Moisés: "Levante-se de madrugada, apresente-se ao Faraó, e diga a ele: 'Assim diz Javé, o Deus dos hebreus: Deixe meu povo partir para que me sirva,
14. pois desta vez mandarei todas as minhas pragas contra você, contra seus ministros e contra o seu povo, para que você saiba que não há ninguém como eu em toda a terra.
15. De fato, se eu já tivesse estendido a mão para ferir você e o seu povo com peste, você teria desaparecido da terra.
16. Entretanto, foi exatamente para isto que eu o conservei de pé, para lhe mostrar a minha força e para que minha fama se espalhe por toda a terra.
17. No entanto, você continua a reter o meu povo e não o deixa partir!
18. Veja bem! Amanhã, a esta mesma hora, farei cair uma pesada chuva de pedras, como nunca se viu no Egito, desde o dia em que foi fundado até hoje.
19. Agora, portanto, mande recolher seus animais e tudo o que você tem no campo, porque os homens e animais que estiverem no campo e não se refugiarem sob um teto vão morrer por causa da chuva de pedras' ".
20. Os ministros do Faraó que respeitaram a palavra de Javé apressaram-se em dar refúgio a seus escravos e colocar o rebanho em estábulos.
21. E aqueles que não deram importância à palavra de Javé deixaram os escravos e o rebanho no campo.
22. Javé disse a Moisés: "Estenda a mão para o céu, e cairá chuva de pedras em todo o território egípcio: sobre homens e animais e sobre toda a vegetação".
23. Então Moisés estendeu a vara para o céu, e Javé mandou trovões e chuva de pedras, e caíram raios sobre a terra. E Javé fez cair chuva de pedras no território egípcio.
24. Caiu chuva de pedras acompanhada de raios; era uma chuva tão forte como nunca houve em toda a terra do Egito, desde que começou a ser nação.
25. A chuva de pedras destruiu tudo o que havia no território egípcio: feriu tudo o que se encontrava no campo, homens e animais, destruiu a vegetação campestre e quebrou todas as árvores do campo.
26. Só não houve chuva de pedras na terra de Gessen, onde viviam os filhos de Israel.
27. Então o Faraó mandou chamar Moisés e Aarão, e lhes disse: "Desta vez eu pequei. Javé é justo, e eu com meu povo somos ímpios.
28. Rezem a Javé, porque já bastam esses trovões e a chuva de pedras! Eu os deixarei partir, e vocês não ficarão mais aqui".
29. Moisés respondeu: "Quando eu sair da cidade, estenderei as mãos para Javé: os trovões cessarão e não haverá mais chuva de pedras, para que você saiba que a terra pertence a Javé.
30. Quanto a você e seus ministros, porém, eu sei que vocês ainda não temem o Deus Javé".
31. O linho e a cevada se perderam, pois a cevada já estava na espiga e o linho estava florescendo;
32. o trigo e o centeio, porém, não se perderam, porque são tardios.
33. Moisés saiu do palácio do Faraó e da cidade. E estendeu as mãos para Javé. Os trovões e a chuva de pedras cessaram, e parou de chover sobre a terra.
34. Ao ver que a chuva, as pedras e os trovões tinham parado, o Faraó continuou a pecar, endurecendo o coração, tanto ele como seus ministros.
35. O coração do Faraó se endureceu. E ele não deixou partir os filhos de Israel, exatamente como Javé tinha predito a Moisés.

[Êxodo 10]Êxodo 10

NÃO CEDER EM NADA!
1. Javé disse a Moisés: "Apresente-se ao Faraó, pois eu endureci o coração dele e de seus ministros, para realizar entre eles os meus sinais,
2. a fim de que você conte ao seu filho e ao seu neto de que modo eu caçoei dos egípcios, e quantos sinais realizei no meio deles. Assim, vocês saberão que eu sou Javé".
3. Então Moisés e Aarão se apresentaram diante do Faraó e lhe disseram: "Assim diz Javé, o Deus dos hebreus: 'Até quando você vai se negar a humilhar-se diante de mim? Deixe meu povo partir para que me sirva.
4. Se você não deixar meu povo partir, amanhã mandarei gafanhotos sobre o seu território.
5. Eles cobrirão a superfície da terra, e não se poderá mais ver o chão. Comerão todo o resto que não foi atingido pela chuva de pedras e todas as árvores que crescem no campo.
6. Encherão as casas que você tem, assim como de seus ministros e de todos os egípcios, como seus pais e avós nunca viram, desde o dia em que vieram à terra até hoje' ". Moisés virou-se e saiu da presença do Faraó.
7. Então os ministros disseram ao Faraó: "Até quando esse homem será para nós uma armadilha? Deixe essa gente partir para que sirva o seu Deus Javé. Você não vê que o Egito está arruinado?"
8. Fizeram Moisés e Aarão voltar à presença do Faraó, e este lhes falou: "Vão servir a Javé, o Deus de vocês. Mas me digam quem é que vai".
9. Moisés respondeu: "Temos que ir com jovens e velhos, com filhos e filhas, com os rebanhos e o gado, porque para nós é uma festa de Javé".
10. O Faraó replicou: "Que Javé os acompanhe, se eu os deixar partir com suas crianças. Vocês têm más intenções!
11. De modo nenhum: vão somente os homens e sirvam a Javé, se é isso que vocês estão querendo". E os expulsaram da presença do Faraó.
12. Javé disse a Moisés: "Estenda a mão sobre o Egito, para que venham gafanhotos sobre o país, e devorem toda a vegetação da terra e tudo o que se salvou da chuva de pedras".
13. Moisés estendeu a vara sobre a terra do Egito. E Javé fez soprar sobre o país um vento oriental, durante todo o dia e toda a noite. Quando amanheceu, o vento oriental já havia trazido os gafanhotos.
14. E os gafanhotos invadiram todo o território egípcio, e eram tão numerosos como nunca houve antes e nunca mais haverá.
15. Cobriram toda a superfície do solo e devastaram a terra. Devoraram toda a vegetação do solo e todo o fruto que a chuva de pedras tinha deixado nas árvores. E em todo o território egípcio não ficou nada verde nas árvores, nem na vegetação do campo.
16. O Faraó mandou chamar às pressas Moisés e Aarão, e disse a eles: "Pequei contra seu Deus Javé, e contra vocês.
17. Perdoem o meu pecado ainda esta vez, e rezem para que seu Deus Javé afaste de mim esse castigo mortal".
18. Moisés saiu do palácio do Faraó e rezou a Javé.
19. Então Javé fez soprar do ocidente um forte vento, que arrastou os gafanhotos e os lançou no mar Vermelho: não ficou um só gafanhoto em todo o território egípcio.
20. Javé, porém, endureceu o coração do Faraó, e este não deixou que os filhos de Israel partissem.

O OPRESSOR APELA PARA A VIOLÊNCIA
21. Javé disse a Moisés: "Estenda a mão para o céu. E sobre todo o território egípcio haverá uma escuridão que se poderá apalpar".
22. Moisés estendeu a mão para o céu. E uma densa treva cobriu o território egípcio durante três dias.
23. Uma pessoa não via a outra, e por três dias ninguém se levantou do lugar em que estava. Contudo, havia luz em toda parte onde habitavam os filhos de Israel.
24. O Faraó mandou chamar Moisés e Aarão, e disse a eles: "Vão servir a Javé; fiquem somente os rebanhos e o gado de vocês; as crianças poderão ir com vocês".
25. Moisés respondeu: "Mesmo que você desse as vítimas para os sacrifícios e holocaustos, a fim de oferecermos a Javé nosso Deus,
26. ainda assim o nosso gado deveria ir conosco. Não ficará nenhum animal, pois precisamos deles para oferecer a Javé nosso Deus. Nem nós mesmos sabemos como vamos servir a Javé, enquanto não chegarmos lá".
27. Javé, porém, endureceu o coração do Faraó. E este não quis deixá-los partir.
28. E o Faraó disse a Moisés: "Saia da minha presença e tome cuidado para não se apresentar de novo. Porque se eu tornar a vê-lo, você morrerá imediatamente".
29. Moisés respondeu: "Seja como você está dizendo: nunca mais me apresentarei".

[Êxodo 11]Êxodo 11

A UM PASSO DA VITÓRIA
1. Javé disse a Moisés: "Farei vir mais uma praga contra o Faraó e contra o Egito. Só então ele os deixará partir daqui; melhor ainda, ele os expulsará daqui.
2. Portanto, diga ao povo que cada homem peça objetos de prata e ouro ao seu vizinho, e toda mulher à sua vizinha".
3. E Javé fez com que o povo ganhasse a simpatia dos egípcios. Moisés também era muito estimado no Egito pelos ministros do Faraó e pelo povo.
4. Moisés disse: "Assim diz Javé: à meia-noite, eu passarei pelo meio do Egito,
5. e todos os primogênitos do Egito morrerão, desde o primogênito do Faraó, herdeiro do seu trono, até o primogênito da escrava que trabalha no moinho, e todos os primogênitos do gado.
6. Então na terra do Egito haverá grande clamor, como nunca houve antes e nunca mais haverá.
7. Mas, entre os filhos de Israel, desde os homens até os animais, não se ouvirá nem o latido de um cão, para que vocês saibam que Javé distingue entre o Egito e Israel.
8. Então todos os ministros do Faraó virão a mim e, prostrados diante de mim, eles dirão: 'Saiam, você e o povo que o acompanha'. Então eu sairei". E, ardendo em ira, Moisés saiu do palácio do Faraó.
9. Javé disse a Moisés: "O Faraó não fará caso de vocês. Assim os meus prodígios se multiplicarão no Egito".
10. Moisés e Aarão fizeram todos esses prodígios diante do Faraó. Javé, porém, endureceu o coração do Faraó. E este não deixou que os filhos de Israel partissem do seu país.

[Êxodo 12]Êxodo 12

PÁSCOA: O MEMORIAL DA LIBERTAÇÃO
1. Javé disse a Moisés e Aarão na terra do Egito:
2. "Este mês será para vocês o principal, o primeiro mês do ano.
3. Falem assim a toda a assembléia de Israel: No dia dez deste mês, cada família tome um animal, um animal para cada casa.
4. Se a família for pequena para um animal, então ela se juntará com o vizinho mais próximo de sua casa. O animal será escolhido conforme o número de pessoas e conforme cada uma puder comer.
5. O animal deve ser macho, sem defeito, e de um ano. Vocês o escolherão entre os cordeiros ou entre os cabritos,
6. e o guardarão até o dia catorze deste mês, quando toda a assembléia de Israel o imolará ao entardecer.
7. Pegarão o sangue e o passarão sobre os dois batentes e sobre a travessa da porta, nas casas onde comerem o animal.
8. Nessa noite, comerão a carne assada no fogo e acompanhada de pão sem fermento com ervas amargas.
9. Vocês não comerão a carne crua nem cozida na água, mas assada no fogo: inteiro, com cabeça, pernas e vísceras.
10. Não deixarão restos para o dia seguinte; se sobrar alguma coisa, devem queimá-la no fogo.
11. Vocês devem comê-lo assim: com cintos na cintura, sandálias nos pés e cajado na mão; vocês o comerão às pressas, porque é a páscoa de Javé.
12. Nessa noite, eu passarei pela terra do Egito, matarei todos os primogênitos egípcios, desde os homens até os animais. E farei justiça contra todos os deuses do Egito. Eu sou Javé.
13. O sangue nas casas será um sinal de que vocês estão dentro delas: ao ver o sangue, eu passarei adiante. E o flagelo destruidor não atingirá vocês, quando eu ferir o Egito.
14. Esse dia será para vocês um memorial, pois nele celebrarão uma festa de Javé. Vocês o celebrarão como um rito permanente, de geração em geração.

CONSTRUIR UMA NOVA SOCIEDADE
15. Durante sete dias, vocês comerão pães sem fermento. No primeiro dia, vocês tirarão o fermento de dentro de casa, e será excluída de Israel qualquer pessoa que comer algo fermentado, desde o primeiro dia até o sétimo.
16. No primeiro dia vocês farão uma assembléia sagrada. E, no sétimo dia, outra assembléia sagrada. Nesses dias ninguém trabalhará, e vocês prepararão apenas o que cada um deve comer.
17. Vocês observarão a festa dos Pães sem fermento, porque nesse mesmo dia eu fiz os exércitos de vocês sair do Egito. Vocês observarão esse dia como rito permanente, de geração em geração.
18. No dia catorze do primeiro mês, à tarde, vocês comerão pães sem fermento, até a tarde do dia vinte e um desse mês.
19. Durante sete dias não se achará fermento na casa de vocês, pois todo aquele que comer pão fermentado será eliminado da comunidade de Israel, tanto o imigrante como o natural do país.
20. Vocês não comerão pão fermentado; comerão pães sem fermento em todo lugar em que morarem".

CONSERVAR A MEMÓRIA DA LIBERTAÇÃO
21. Moisés convocou todos os anciãos de Israel e lhes disse: "Escolham por família um animal e imolem a Páscoa.
22. Peguem alguns ramos de hissopo, molhem no sangue que estiver na bacia, e com o sangue que estiver na bacia marquem a travessa da porta e seus batentes. Ninguém de vocês saia de casa antes de amanhecer o dia seguinte,
23. porque Javé passará para ferir os egípcios. E quando notar o sangue sobre a travessa da porta e sobre os dois batentes, ele passará adiante dessa porta e não deixará que o exterminador entre em suas casas para ferir vocês.
24. Observem esse preceito, como decreto perpétuo, para vocês e para seus filhos.
25. Quando vocês tiverem entrado na terra que Javé lhes dará, conforme ele disse, vocês observarão esse rito.
26. Quando seus filhos perguntarem: 'Que rito é este?'
27. vocês responderão: 'É o sacrifício da Páscoa de Javé. Ele passou no Egito junto às casas dos filhos de Israel, ferindo os egípcios e protegendo nossas casas'". Então o povo se ajoelhou e se prostrou.
28. Os filhos de Israel foram e fizeram tudo isso, e o fizeram como Javé tinha ordenado a Moisés e Aarão.

VITÓRIA FINAL
29. À meia-noite, Javé feriu todos os primogênitos do Egito: desde o primogênito do Faraó, que iria suceder-lhe no trono, até o primogênito do prisioneiro que estava na cadeia e até os primogênitos dos animais.
30. No meio da noite, o Faraó levantou-se com todos os seus ministros e todos os egípcios. E houve um clamor imenso em todo o Egito, pois não havia casa onde não houvesse um morto.
31. De noite ainda, o Faraó chamou Moisés e Aarão, e lhes disse: "Levantem-se e saiam do meio do meu povo, vocês e os filhos de Israel. Vão servir a Javé, como pediram.
32. Levem também seus rebanhos e seu gado, como diziam. Vão embora e me abençoem".
33. Os egípcios pressionavam o povo para que saísse depressa do país, pois tinham medo que morressem todos.
34. E o povo levou sobre os ombros a farinha amassada antes que levedasse, e as amassadeiras, atadas em trouxas com seus mantos.
35. Os filhos de Israel fizeram também o que Moisés havia mandado: pediram aos egípcios objetos de prata e ouro e também roupas.
36. Javé fez com que eles ganhassem a simpatia dos egípcios, que lhes deram tudo o que estavam pedindo. E assim eles despojaram os egípcios.

A VIGÍLIA DA LIBERTAÇÃO
37. Os filhos de Israel partiram de Ramsés, em direção de Sucot: eram seiscentos mil homens a pé, sem contar as crianças.
38. Subiu também com eles imensa multidão com ovelhas, gado e muitos animais.
39. Assaram pães sem fermento com a farinha que haviam levado do Egito, pois a massa não estava levedada: é que, expulsos do Egito, não puderam parar, nem preparar provisões para o caminho.
40. A estada dos filhos de Israel no Egito durou quatrocentos e trinta anos.
41. No mesmo dia em que terminaram os quatrocentos e trinta anos, os exércitos de Javé saíram do Egito.
42. Essa noite foi uma vigília para Javé, quando ele os tirou do Egito. E assim deve ser para todos os filhos de Israel: uma vigília para Javé, em todas as gerações.

RITUAL E COMPROMISSO
43. Javé disse a Moisés e Aarão: "Assim será o ritual da Páscoa: nenhum estrangeiro comerá dela.
44. Os escravos que você tiver comprado por dinheiro, poderão comer dela se forem circuncidados.
45. Quem estiver de passagem e os mercenários não comerão dela.
46. Cada cordeiro deverá ser comido dentro de uma casa; e nenhum pedaço de carne deverá ser levado para fora; e dele não se deverá quebrar nenhum osso.
47. Toda a comunidade de Israel celebrará a Páscoa.
48. Se algum imigrante que mora com você quiser celebrar a Páscoa de Javé, todos os homens de sua casa deverão ser circuncidados; então, ele poderá celebrá-la e será como um nativo do país. Por isso, nenhum incircunciso poderá comer dela.
49. A mesma lei vale tanto para o nativo como para o imigrante que mora no meio de vocês".
50. Todos os filhos de Israel fizeram o que Javé tinha ordenado a Moisés e Aarão.
51. Nesse dia, Javé tirou do Egito os filhos de Israel, segundo seus exércitos.

[Êxodo 13]Êxodo 13

JAVÉ É O SENHOR DO SEU POVO
1. Javé falou a Moisés:
2. "Consagre a mim todos os primogênitos, todo aquele que por primeiro sai do útero materno entre os filhos de Israel, tanto dos homens como dos animais: ele pertencerá a mim".

UMA TERRA SEM OPRESSÃO
3. Moisés disse ao povo: "Lembrem-se para sempre deste dia em que vocês saíram do Egito, da casa da escravidão, quando Javé os tirou daí com mão forte. Por isso, vocês não comerão pão fermentado.
4. Hoje é o mês de Abib, e vocês estão saindo.
5. Quando Javé tiver introduzido você na terra dos cananeus, heteus, amorreus, heveus e jebuseus, terra que ele jurou aos antepassados que iria dar a você, uma terra onde corre leite e mel, então neste mês você celebrará o seguinte rito:
6. comerá pães sem fermento durante sete dias, e no sétimo dia haverá uma festa para Javé.
7. Durante os sete dias se comerá pão sem fermento. Em todo o território, não haverá fermento nem qualquer coisa fermentada.
8. Nesse dia, você explicará ao seu filho: 'Tudo isso é pelo que Javé fez por mim, quando eu saía do Egito'.
9. Isso servirá como sinal no braço e faixa na fronte, para que esteja em sua boca a lei de Javé, que o tirou do Egito com mão forte.
10. Você observará essa lei todos os anos, na data marcada.

JAVÉ, O DEUS DA VIDA
11. Quando Javé tiver introduzido você na terra dos cananeus e a tiver dado, como jurou a você e a seus antepassados,
12. você reservará para Javé todos os primogênitos do útero materno; e a Javé pertencerá todo primogênito de sexo masculino, também dos animais que você possuir.
13. O primogênito da jumenta, porém, você o resgatará, trocando por um cordeiro. Se você não o resgatar, deverá quebrar-lhe a nuca. Os primogênitos humanos, porém, você os resgatará sempre.
14. Amanhã, quando seu filho lhe perguntar: 'Que significa isso?' você lhe responderá: 'Com mão forte Javé nos tirou do Egito, da casa da servidão.
15. O Faraó se obstinou e não queria deixar-nos partir; por isso, Javé matou todos os primogênitos do Egito, desde o primogênito do homem até o primogênito dos animais. É por isso que eu sacrifico a Javé todo primogênito macho dos animais e resgato todo primogênito de meus filhos'.
16. Isso servirá como sinal no braço e faixa na fronte, porque Javé nos tirou do Egito com mão forte".

III. A MARCHA PARA A LIBERDADE: DIFICULDADES E PERIGOS

APRENDER A SER LIVRE
17. Quando o Faraó deixou o povo partir, Deus não o guiou pelo caminho da Palestina, que é o mais curto, porque Deus achou que, diante dos ataques, o povo se arrependeria e voltaria para o Egito.
18. Então Deus fez o povo dar uma volta pelo deserto até o mar Vermelho. Os filhos de Israel saíram do Egito bem armados.
19. Moisés levou consigo os ossos de José, pois este havia feito os filhos de Israel jurar solenemente: "Quando Deus intervier em favor de vocês, levem meus ossos daqui".
20. Partiram de Sucot e acamparam em Etam, à beira do deserto.
21. Javé ia na frente deles: de dia, numa coluna de nuvem, para guiá-los; de noite, numa coluna de fogo, para iluminá-los. Desse modo, podiam caminhar durante o dia e a noite.
22. De dia, a coluna de nuvem não se afastava do povo, nem de noite a coluna de fogo.

[Êxodo 14]Êxodo 14

NÃO OLHAR PARA TRAS
1. Javé falou a Moisés:
2. "Diga aos filhos de Israel que voltem e acampem em Piairot, entre Magdol e o mar, diante de Baal Sefon; aí vocês acamparão, junto ao mar.
3. O Faraó irá pensar que os filhos de Israel andam errantes pelo país e que o deserto os bloqueou.
4. Eu endurecerei o coração do Faraó, que os perseguirá. Então eu mostrarei a minha honra, derrotando o Faraó e todo o seu exército; e os egípcios saberão que eu sou Javé". E os filhos de Israel assim fizeram.
5. Quando comunicaram ao rei do Egito que o povo tinha fugido, o Faraó e seus ministros mudaram de opinião sobre o povo e disseram: "O que é que nós fizemos? Deixamos partir nossos escravos israelitas!"
6. O Faraó mandou aprontar seu carro e levou consigo suas tropas:
7. seiscentos carros escolhidos e todos os carros do Egito, com oficiais sobre todos eles.
8. Javé endureceu o coração do Faraó, rei do Egito, e este perseguiu os filhos de Israel, que saíram ostensivamente.
9. Perseguindo com todos os cavalos e carros do Faraó, os cavaleiros e o exército os alcançaram quando estavam acampados junto ao mar, em Piairot, diante de Baal Sefon.
10. Quando o Faraó se aproximou, os filhos de Israel levantaram os olhos e viram que os egípcios avançavam atrás deles. Cheios de medo, clamaram a Javé,
11. e disseram a Moisés: "Será que não havia sepulturas lá no Egito? Você nos trouxe ao deserto para morrermos! Por que nos tratou assim, tirando-nos do Egito?
12. Não é isso que nós dizíamos a você lá no Egito: 'Deixe-nos em paz, para que sirvamos aos egípcios'? O que é melhor para nós? Servir aos egípcios ou morrer no deserto?"
13. Moisés respondeu ao povo: "Não tenham medo. Fiquem firmes, e verão o que Javé fará hoje para salvar vocês. Nunca mais vocês verão os egípcios, como estão vendo hoje.
14. Javé combaterá por vocês. Podem ficar tranqüilos".

ATRAVESSAR PARA A LIBERDADE
15. Javé disse a Moisés: "Por que você está clamando por mim? Diga aos filhos de Israel que avancem.
16. Quanto a você, erga a vara, estenda a mão sobre o mar e divida-o pelo meio para que os filhos de Israel possam atravessá-lo a pé enxuto.
17. Eu endureci o coração dos egípcios, para que eles persigam vocês. Assim eu mostrarei a minha honra, derrotando o Faraó e seu exército, com seus carros e cavaleiros.
18. Quando eu derrotar o Faraó com seus carros e cavaleiros, os egípcios ficarão sabendo que eu sou Javé".
19. O anjo de Deus, que ia na frente do exército de Israel, se retirou para ficar na retaguarda. A coluna de nuvem também se retirou da frente deles e se colocou atrás,
20. ficando entre o acampamento dos egípcios e o acampamento de Israel. A nuvem se escureceu, e durante toda a noite a escuridão impediu que um se aproximasse do outro.
21. Moisés estendeu a mão sobre o mar, e Javé fez o mar se retirar com um forte vento oriental, que soprou a noite inteira: o mar ficou seco e as águas se dividiram em duas.
22. Os filhos de Israel entraram pelo mar a pé enxuto, e as águas formavam duas muralhas, à direita e à esquerda.
23. Na perseguição, os egípcios entraram atrás deles com todos os cavalos do Faraó, seus carros e cavaleiros, e foram até o meio do mar.
24. De madrugada, Javé olhou da coluna de fogo e da nuvem, viu o acampamento dos egípcios e provocou uma confusão no acampamento:
25. emperrou as rodas dos carros, fazendo-os andar com dificuldade. Então os egípcios disseram: "Vamos fugir de Israel, porque Javé combate a favor deles".
26. Javé disse a Moisés: "Estenda a mão sobre o mar, e as águas se voltarão contra os egípcios, seus carros e cavaleiros".
27. Moisés estendeu a mão sobre o mar. E, de manhã, este voltou para o seu leito. Os egípcios, ao fugir, foram ao encontro do mar, e Javé atirou-os no meio do mar.
28. As águas voltaram, cobrindo os carros e os cavaleiros de todo o exército do Faraó, que os haviam seguido no mar: nem um só deles escapou.
29. Os filhos de Israel, porém, passaram pelo meio do mar a pé enxuto, enquanto as águas se erguiam em forma de muralhas, à direita e à esquerda.
30. Nesse dia Javé salvou Israel das mãos dos egípcios, e Israel viu os cadáveres dos egípcios à beira-mar.
31. Israel viu a mão forte com que Javé atuou contra o Egito. Então o povo temeu a Javé e acreditou nele e no seu servo Moisés.

[Êxodo 15]Êxodo 15

HINO AO DEUS LIBERTADOR
1. Nessa ocasião, Moisés e os filhos de Israel entoaram este canto a Javé: "Vou cantar a Javé, pois sua vitória é sublime: ele atirou no mar carros e cavalos.
2. Javé é minha força e meu canto, ele foi a minha salvação. Ele é o meu Deus: eu o louvarei; é o Deus de meu pai: eu o exaltarei.
3. Javé é guerreiro, seu nome é Javé.
4. Ele atirou no mar os carros e a tropa do Faraó, afogou no mar Vermelho a elite das tropas:
5. as ondas os cobriram, e eles afundaram como pedras.
6. Tua direita, Javé, é terrível em poder, tua direita, Javé, aniquila o inimigo;
7. com sublime grandeza abates teus adversários, desencadeias tua ira, e ela os devora como palha.
8. Ao sopro de tuas narinas as águas se amontoam, e as ondas se levantam como represa; as vagas se congelam no meio do mar.
9. O inimigo dizia: 'Vou persegui-los e alcançá-los, vou repartir os despojos e me saciar com eles; vou tirar minha espada, e minha mão os agarrará'.
10. Teu vento soprou, e o mar os cobriu: caíram como chumbo nas águas profundas.
11. Qual Deus é como tu, Javé? Quem é santo como tu, ó Magnífico, terrível em proezas, autor de maravilhas?
12. Estendeste a direita, e a terra os engoliu.
13. Guiaste com amor o povo que redimiste, e o levaste com poder para tua morada santa.
14. Os povos ouviram e tremeram, e o terror se espalhou entre os governantes filisteus,
15. e os chefes de Edom ficaram com medo. O temor dominou os nobres de Moab; os governantes de Canaã cambaleiam todos.
16. Sobre todos eles cai o tremor e o temor. A grandeza de teu braço os deixou petrificados, até que teu povo atravesse, ó Javé, até que passe este povo que compraste.
17. Tu o conduzes e o plantas sobre o monte da tua herança, no lugar em que fizeste teu trono, ó Javé, no santuário que tuas mãos prepararam.
18. Javé reina sempre e eternamente".
19. Quando a cavalaria do Faraó entrou no mar com seus carros e cavaleiros, Javé fez voltar sobre eles as águas do mar, enquanto os filhos de Israel caminharam a pé enxuto pelo meio do mar.
20. A profetisa Maria, irmã de Aarão, pegou um tamborim, e todas as mulheres a seguiram com tamborins, formando coros de dança.
21. E Maria entoava: "Cantem a Javé, pois sua vitória é sublime: ele atirou no mar carros e cavalos".

ÁGUA NO DESERTO
22. Moisés fez Israel partir do mar Vermelho, e eles se dirigiram para o deserto de Sur. Caminharam três dias no deserto e não encontraram água.
23. Quando chegaram a Mara, não puderam beber a água, porque era amarga; foi por isso que deram a esse lugar o nome de Mara.
24. O povo murmurou contra Moisés, dizendo: "O que vamos beber?"
25. Moisés clamou a Javé, e Javé lhe mostrou um tipo de planta. Então Moisés atirou-a na água, e a água se tornou doce. Foi aí que Moisés estabeleceu um estatuto e um direito para o povo, colocando-o à prova
26. e dizendo: "Se você obedecer a Javé seu Deus, praticando o que ele aprova, ouvindo seus mandamentos e observando todas as suas leis, eu não mandarei sobre você nenhuma das enfermidades que mandei sobre os egípcios. Pois eu sou Javé, aquele que cura você".
27. Então chegaram a Elim, onde havia doze fontes de água e setenta palmeiras. E acamparam junto às águas.

[Êxodo 16]Êxodo 16

ALIMENTO E DESCANSO PARA TODOS
1. Toda a comunidade de Israel partiu de Elim e chegou ao deserto de Sin, entre Elim e o Sinai, no dia quinze do segundo mês após a saída do Egito.
2. Toda a comunidade de Israel murmurou contra Moisés e Aarão no deserto,
3. dizendo: "Era melhor termos sido mortos pela mão de Javé na terra do Egito, onde estávamos sentados junto à panela de carne, comendo pão com fartura. Vocês nos trouxeram a este deserto para fazer toda esta multidão morrer de fome!"
4. Javé disse a Moisés: "Farei chover pão do céu para vocês: o povo sairá para recolher a porção de cada dia, para que eu o experimente e veja se ele observa a minha lei, ou não.
5. No sexto dia, porém, eles deverão preparar o que recolheram, e será o dobro do que recolhem nos outros dias".
6. Então Moisés e Aarão disseram a toda a comunidade de Israel: "À tarde vocês saberão que foi Javé quem os tirou do Egito.
7. E, pela manhã, vocês verão a glória de Javé, porque Javé ouviu as murmurações que vocês fizeram contra ele. Quem somos nós, para vocês murmurarem contra nós?"
8. Moisés disse mais: "Esta tarde, Javé dará carne para vocês comerem e, pela manhã, pão com fartura, pois ele ouviu a murmuração que vocês fizeram contra ele. Quem somos nós? As murmurações de vocês não são contra nós, e sim contra Javé".
9. Moisés disse a Aarão: "Diga a toda a comunidade de Israel: 'Aproximem-se de Javé, pois ele ouviu as murmurações que vocês fizeram' ".
10. Enquanto Aarão falava para toda a comunidade de Israel, olharam para o deserto e viram que a glória de Javé aparecia numa nuvem.
11. Javé falou a Moisés:
12. "Eu escutei as murmurações dos filhos de Israel. Diga-lhes que comerão carne à tarde e, pela manhã, se fartarão de pão. Assim ficarão sabendo que eu sou Javé seu Deus".
13. À tarde, um bando de codornizes cobriu todo o acampamento e, pela manhã, havia uma camada de orvalho ao redor do acampamento.
14. Quando a camada de orvalho se evaporou, na superfície do deserto apareceram pequenos flocos, como cristais de gelo.
15. Ao verem, os filhos de Israel perguntaram: "Que é isso?" Porque não sabiam o que era.
16. Moisés disse-lhes: "Isso é o pão que Javé lhes dá para comer. E são estas as ordens de Javé: Cada um recolha o quanto lhe basta para comer: quatro litros e meio por pessoa, conforme o número de pessoas que se achem na sua tenda.
17. Os filhos de Israel assim fizeram: uns recolheram mais, outros menos.
18. Quando mediram as quantias, não sobrava para quem havia recolhido mais, nem faltava para quem havia recolhido menos. Cada um tinha recolhido o que podia comer.
19. Moisés então lhes disse: "Ninguém guarde para a manhã seguinte".
20. Mas eles não deram ouvidos a Moisés, e alguns o guardaram para o dia seguinte. Porém, criou vermes e apodreceu. Por isso, Moisés ficou indignado contra eles.
21. A cada manhã eles colhiam o quanto cada um podia comer, porque o calor do sol o derretia.
22. No sexto dia, recolhiam o dobro: nove litros para cada um. E todos os chefes da comunidade informaram a Moisés.
23. E Moisés falou: "É exatamente isso que Javé ordenou: amanhã é sábado, um descanso completo reservado a Javé. Cozinhem o que quiserem cozinhar e fervam o que quiserem ferver; separem o que sobrar e reservem para o dia seguinte".
24. Eles fizeram a reserva até o dia seguinte, conforme Moisés tinha ordenado. E dessa vez não apodreceu nem criou vermes.
25. Então Moisés disse: "Comam hoje, porque hoje é um sábado de Javé. Hoje vocês não encontrarão alimento no campo.
26. Recolham durante seis dias, pois no sétimo, que é sábado, não o encontrarão".
27. No sétimo dia, alguns do povo saíram para o recolher, mas não encontraram nada.
28. Javé disse a Moisés: "Até quando vocês se negarão a observar meus mandamentos e leis?
29. É Javé quem lhes dá o sábado, e é por isso que ele, no sexto dia, lhes dará pão para dois dias. Cada um fique onde está. Ninguém saia do seu lugar no sétimo dia".
30. E no sétimo dia o povo descansou.
31. A casa de Israel deu-lhe o nome de maná: era branco como a semente de coentro, e seu sabor era como bolo de mel.
32. Moisés disse: "Esta é a ordem de Javé: conservem quatro litros e meio para que as gerações futuras possam ver o pão com que eu os alimentei no deserto, quando os tirei do Egito".
33. Moisés disse a Aarão: "Pegue uma vasilha, coloque nela quatro litros e meio de maná, e coloque-a diante de Javé, a fim de o conservar para as gerações futuras".
34. Conforme Javé tinha ordenado a Moisés, Aarão o colocou diante do Testemunho, para que fosse conservado.
35. Os filhos de Israel comeram maná durante quarenta anos, até chegarem à terra habitada. Comeram maná até chegarem à fronteira de Canaã.

[Êxodo 17]Êxodo 17

JAVÉ ESTÁ NO MEIO DE NÓS, OU NÃO?
1. Toda a comunidade de Israel partiu do deserto de Sin para as etapas seguintes, conforme a ordem de Javé, e acamparam em Rafidim, onde o povo não encontrou água para beber.
2. Então o povo discutiu com Moisés, dizendo: "Dê-nos água para beber". Moisés respondeu: "Por que vocês discutem comigo e colocam Javé à prova?"
3. Mas o povo tinha sede e murmurou contra Moisés, dizendo: "Por que você nos tirou do Egito? Foi para matar de sede a nós, nossos filhos e nossos animais?"
4. Então Moisés clamou a Javé, dizendo: "O que vou fazer com esse povo? Estão quase me apedrejando!"
5. Javé respondeu a Moisés: "Passe à frente do povo e tome com você alguns anciãos de Israel; leve com você a vara com que feriu o rio Nilo; e caminhe.
6. Eu vou esperar você junto à rocha de Horeb. Você baterá na rocha, e dela sairá água para o povo beber". Moisés assim fez na presença dos anciãos de Israel,
7. e deu a esse lugar o nome de Massa e Meriba, por causa da discussão dos filhos de Israel e porque puseram Javé à prova, dizendo: "Javé está no meio de nós, ou não?"

VITÓRIA CONTRA O INIMIGO
8. Os amalecitas foram e atacaram Israel em Rafidim.
9. Então Moisés disse a Josué: "Escolha certo número de homens e saia amanhã para combater os amalecitas. Eu ficarei no alto da colina com a vara de Deus na mão".
10. Josué fez o que Moisés havia dito, e saiu para combater os amalecitas. Entretanto, Moisés, Aarão e Hur subiram ao topo da colina.
11. Enquanto Moisés ficava com as mãos levantadas, Israel vencia; quando ele abaixava as mãos, Amalec vencia.
12. Ora, as mãos de Moisés já estavam pesadas; então eles pegaram uma pedra e a colocaram aí, para que Moisés se assentasse. Enquanto isso, Aarão e Hur sustentavam os braços de Moisés, um de cada lado. Desse modo, as mãos de Moisés ficaram firmes até o pôr-do-sol.
13. Josué derrotou Amalec e sua tropa ao fio da espada.
14. Então Javé disse a Moisés: "Escreva isso num livro como memória e diga a Josué que eu vou apagar a memória de Amalec debaixo do céu".
15. Depois, Moisés construiu um altar e lhe deu o nome de "Javé minha bandeira",
16. dizendo: "Uma certa mão se levantou contra o trono de Javé: haverá guerra de Javé contra Amalec de geração em geração".

[Êxodo 18]Êxodo 18

O DEUS LIBERTADOR É O DEUS VERDADEIRO
1. Jetro, sacerdote de Madiã e sogro de Moisés, ficou sabendo de tudo o que Javé havia feito com Moisés e com seu próprio povo Israel: como Javé havia retirado Israel do Egito.
2. Quando Moisés mandou sua mulher Séfora de volta, Jetro, sogro de Moisés, recebeu-a
3. junto com os dois filhos. Um deles se chamava Gérson, porque Moisés dissera: "Sou imigrante em terra estrangeira".
4. O outro se chamava Eliezer, porque: "o Deus de meu pai é minha ajuda e me libertou da espada do Faraó".
5. Acompanhado da mulher e filhos de Moisés, Jetro foi encontrar-se com ele no deserto onde estava acampado, junto à montanha de Deus.
6. Informaram a Moisés: "Sua mulher e seus dois filhos estão aí juntamente com seu sogro Jetro".
7. Moisés saiu para receber o sogro, inclinou-se diante dele e o abraçou. Os dois se cumprimentaram e entraram na tenda.
8. Moisés contou ao sogro tudo o que Javé tinha feito ao Faraó e aos egípcios, por causa dos israelitas. Contou também as dificuldades que tinham enfrentado pelo caminho e das quais Javé os havia libertado.
9. Jetro ficou alegre por todos os benefícios que Javé tinha feito a Israel, libertando-o do poder egípcio.
10. E disse: "Seja bendito Javé, que libertou vocês do poder dos egípcios e do Faraó. Ele arrancou este povo do poder do Egito.
11. Agora eu sei que Javé é o maior de todos os deuses, pois quando eles tratavam vocês com arrogância, Javé libertou o povo do domínio egípcio".
12. Depois, Jetro, sogro de Moisés, ofereceu a Deus um holocausto e sacrifícios. Aarão e todos os anciãos de Israel foram e fizeram a refeição com ele na presença de Deus.

TENTATIVA DE ORGANIZAÇÃO
13. No dia seguinte, Moisés sentou-se para resolver os assuntos do povo. Ora, o povo procurava por ele desde o amanhecer até à noite.
14. O sogro de Moisés viu tudo o que este fazia pelo povo, e lhe disse: "O que é que você está fazendo com o povo? Por que está sentado sozinho, enquanto todo o povo o procura de manhã até a noite?"
15. Moisés respondeu ao sogro: "O povo me procura para que eu consulte a Deus.
16. Quando eles têm alguma questão para resolver, me procuram para que eu a resolva e para que eu explique os estatutos e as leis de Deus".
17. O sogro de Moisés replicou: "Mas o que você está fazendo não está certo.
18. Você está matando, tanto a si mesmo como ao povo que o acompanha. É uma tarefa muito pesada, e você não pode fazê-la sozinho.
19. Aceite meu conselho, para que Deus esteja com você: represente o povo diante de Deus e apresente junto de Deus as causas dele.
20. Ensine a eles os estatutos e as leis; faça que eles conheçam o caminho a seguir e as ações que devem praticar.
21. Escolha entre o povo homens capazes e tementes a Deus, que sejam seguros e inimigos do suborno: estabeleça-os como chefes de mil, de cem, de cinqüenta e de dez.
22. Eles administrarão regularmente a justiça para o povo: os assuntos graves, eles trarão a você; os assuntos simples, eles próprios resolverão. Desse modo, vocês repartirão a tarefa, e você poderá realizar a sua parte.
23. Se você fizer assim e Deus lhe der as instruções, você poderá suportar a tarefa, e o povo voltará para casa em paz".
24. Moisés aceitou o conselho do sogro e fez o que ele havia dito.
25. Escolheu em Israel homens capazes e os colocou como chefes do povo: chefes de mil, de cem, de cinqüenta e de dez.
26. Eles administravam regularmente a justiça para o povo: os assuntos complicados, eles passavam para Moisés; e os simples, eles próprios resolviam.
27. Depois, Moisés despediu-se do sogro, e este voltou para sua terra.

[Êxodo 19]IV. AS BASES DE UMA NOVA SOCIEDADE

1. UM POVO EM ALIANÇA COM DEUS

Êxodo 19

O COMPROMISSO DA ALIANÇA
1. Três meses depois de sair do Egito, os filhos de Israel chegaram ao deserto do Sinai:
2. partindo de Rafidim, chegaram ao deserto do Sinai e acamparam no deserto, diante da montanha.
3. Então Moisés subiu a montanha de Deus, e Javé o chamou, dizendo: "Diga à casa de Jacó e anuncie aos filhos de Israel o seguinte:
4. Vocês viram o que eu fiz aos egípcios e como carreguei vocês sobre asas de águia e os trouxe para mim.
5. Portanto, se me obedecerem e observarem a minha aliança, vocês serão minha propriedade especial entre todos os povos, porque a terra toda pertence a mim.
6. Vocês serão para mim um reino de sacerdotes e uma nação santa'. É o que você deverá dizer aos filhos de Israel".
7. Moisés voltou, convocou os anciãos do povo e expôs a eles tudo o que Javé lhe havia mandado.
8. Então todo o povo respondeu: "Faremos tudo o que Javé mandou". E Moisés transmitiu a Javé a resposta do povo.

PREPARAÇÃO PARA A ALIANÇA
9. Javé disse a Moisés: "Vou me aproximar de você numa nuvem espessa, para que o povo possa ouvir o que eu falo com você e acredite sempre em você". E Moisés transmitiu a Javé tudo o que o povo tinha dito.
10. Javé disse a Moisés: "Volte para o povo e purifique-o hoje e amanhã: que lavem suas roupas,
11. e estejam preparados para depois de amanhã, porque Javé descerá depois de amanhã sobre a montanha do Sinai à vista de todo o povo.
12. Você deverá traçar um limite ao redor da montanha e dizer ao povo que não suba à montanha, nem se aproxime da encosta; quem tocar na montanha deverá ser morto.
13. E nesse tal ninguém deverá tocar: ele será apedrejado ou flechado; tanto homem como animal, não ficará vivo. Só quando a trombeta soar, eles poderão subir à montanha".
14. Moisés desceu da montanha até o lugar onde estava o povo; e fez com que se purificassem e lavassem suas roupas.
15. Depois disse ao povo: "Fiquem preparados para depois de amanhã, e não tenham relações com suas mulheres".

O ENCONTRO COM DEUS
16. Três dias depois, pela manhã, houve trovões e relâmpagos e uma nuvem espessa desceu sobre a montanha, enquanto o toque da trombeta soava fortemente. O povo que estava no acampamento começou a tremer.
17. Então Moisés tirou o povo do acampamento para receber Deus. E eles se colocaram ao pé da montanha.
18. Toda a montanha do Sinai fumegava, porque Javé tinha descido sobre ela no fogo; a fumaça subia, como fumaça de fornalha. E a montanha toda estremecia.
19. O som da trombeta aumentava cada vez mais, enquanto Moisés falava e Deus lhe respondia com o trovão.
20. Javé desceu no topo da montanha do Sinai e chamou Moisés lá para o alto. Quando Moisés subiu,
21. Javé lhe disse: "Desça e avise o povo para que não ultrapasse os limites para ver a Javé. Caso contrário, muitos deles morreriam.
22. Mesmo os sacerdotes que se aproximarem de Javé, devem purificar-se, para que Javé não se volte contra eles".
23. Moisés disse a Javé: "O povo não poderá subir a montanha do Sinai, porque tu mesmo nos mandaste traçar um limite para marcar a montanha sagrada".
24. Javé insistiu: "Vá, desça, e depois suba com Aarão. Os sacerdotes e o povo, porém, não devem ultrapassar os limites, para subir onde está Javé, o qual se voltaria contra eles".
25. Então Moisés desceu até o povo, e o avisou.

[Êxodo 20]2. A CONSTITUIÇÃO DO POVO DE DEUS

Êxodo 20

1. Então Deus pronunciou todas estas palavras:
2. "Eu sou Javé seu Deus, que fiz você sair da terra do Egito, da casa da escravidão.
3. Não tenha outros deuses diante de mim.
4. Não faça para você ídolos, nenhuma representação daquilo que existe no céu e na terra, ou nas águas que estão debaixo da terra.
5. Não se prostre diante desses deuses, nem sirva a eles, porque eu, Javé seu Deus, sou um Deus ciumento: quando me odeiam, castigo a culpa dos pais nos filhos, netos e bisnetos;
6. mas quando me amam e guardam os meus mandamentos, eu os trato com amor por mil gerações.
7. Não pronuncie em vão o nome de Javé seu Deus, porque Javé não deixará sem castigo aquele que pronunciar o nome dele em vão.
8. Lembre-se do dia de sábado, para santificá-lo.
9. Trabalhe durante seis dias e faça todas as suas tarefas.
10. O sétimo dia, porém, é o sábado de Javé seu Deus. Não faça nenhum trabalho, nem você, nem seu filho, nem sua filha, nem seu escravo, nem sua escrava, nem seu animal, nem o imigrante que vive em suas cidades.
11. Porque em seis dias Javé fez o céu, a terra, o mar e tudo o que existe neles; e no sétimo dia ele descansou. Por isso, Javé abençoou o dia de sábado e o santificou.
12. Honre seu pai e sua mãe: desse modo, você prolongará sua vida, na terra que Javé seu Deus dá a você.
13. Não mate.
14. Não cometa adultério.
15. Não roube.
16. Não apresente testemunho falso contra o seu próximo.
17. Não cobice a casa do seu próximo, nem a mulher do próximo, nem o escravo, nem a escrava, nem o boi, nem o jumento, nem coisa alguma que pertença ao seu próximo".
18. Vendo os trovões e os relâmpagos, o som da trombeta e a montanha fumegante, todo o povo teve medo e ficou longe.
19. Então disseram a Moisés: "Fale você conosco, que nós ouviremos; não nos fale Javé, senão morreremos".
20. Moisés disse ao povo: "Não tenham medo! Deus veio para prová-los, a fim de que vocês tenham presente o temor a ele e não pequem".
21. O povo ficou à distância, e Moisés se aproximou da nuvem escura, onde Deus estava.

3. CÓDIGO DA ALIANÇA: A LEGISLAÇÃO DO POVO DE DEUS

LEI DO ALTAR
22. Javé disse a Moisés: "Diga aos filhos de Israel: Vocês viram que eu lhes falei lá do céu.
23. Não me coloquem no meio de deuses de prata, nem façam para vocês deuses de ouro.
24. Faça para mim um altar de terra, para oferecer sobre ele seus holocaustos, sacrifícios de comunhão, ovelhas e bois. Nos lugares onde eu quiser lembrar o meu nome, virei a você e o abençoarei.
25. Se você construir um altar de pedra para mim, não o faça com pedras lavradas, porque você estaria profanando a pedra com o cinzel.
26. Não suba por escadas até o meu altar, para que a sua nudez não apareça.

[Êxodo 21]Êxodo 21

LEI SOBRE OS ESCRAVOS
1. São estas as normas que você promulgará para o povo:
2. Quando você comprar um escravo hebreu, ele o servirá por seis anos; mas, no sétimo ano, ele sairá livre, sem pagar nada.
3. Se veio sozinho, sozinho sairá; se era casado, a esposa sairá com ele.
4. Se o patrão der a ele uma esposa, e esta tiver filhos e filhas, a esposa e os filhos pertencerão ao patrão, e o escravo partirá sozinho.
5. Se o escravo disser: Gosto do meu patrão, da minha mulher e dos meus filhos; não quero ficar livre,
6. então o patrão o levará diante de Deus, fará com que ele se encoste na porta ou nos batentes, e lhe furará a orelha com uma sovela: aí, ele se tornará seu escravo para sempre.
7. Se alguém vender a filha como escrava, esta não sairá como saem os escravos.
8. Se ela desagradar ao patrão, a quem estava destinada, este deixará que a resgatem; não poderá vendê-la a estrangeiros, usando de fraude para com ela.
9. Se o patrão destinar a escrava para seu filho, este a tratará conforme o direito das filhas.
10. Se o patrão tomar uma nova mulher, ele não privará a primeira de comida, roupa e direitos conjugais.
11. Se ele não lhe der essas três coisas, ela pode ir embora sem pagar nada.

CASOS DE HOMICÍDIO
12. Quem ferir uma pessoa e lhe causar a morte, torna-se réu de morte.
13. Se não foi intencional, mas permissão de Deus que lhe caísse em suas mãos, eu marcarei para ele um lugar, onde possa refugiar-se.
14. Mas se alguém, de caso pensado, atentar contra o seu próximo para o matar, então você o arrancará até mesmo do meu altar, para que seja morto.
15. Quem ferir seu pai ou sua mãe, torna-se réu de morte.
16. Quem seqüestrar um homem para vendê-lo ou ficar com ele, torna-se réu de morte.
17. Quem amaldiçoar o seu pai ou sua mãe, torna-se réu de morte.

FERIMENTOS NÃO MORTAIS
18. Se houver uma discussão entre dois homens, e um ferir o outro com uma pedra ou murro e ele não morrer, mas ficar de cama;
19. e se ele se levantar e andar, ainda que apoiado na bengala, então aquele que feriu será absolvido; pagará somente o tempo que o ferido tiver perdido e os gastos da convalescença.
20. Se alguém ferir seu escravo ou escrava a pauladas, e o ferido lhe morrer nas mãos, aquele será punido.
21. Porém, se sobreviver um dia ou dois, não será punido, pois aquele foi comprado a dinheiro.
22. Numa briga entre homens, se um deles ferir uma mulher grávida e for causa de aborto sem maior dano, o culpado será obrigado a indenizar aquilo que o marido dela exigir, e pagará o que os juízes decidirem.
23. Contudo, se houver dano grave, então pagará vida por vida,
24. olho por olho, dente por dente, pé por pé,
25. queimadura por queimadura, ferida por ferida, golpe por golpe.
26. Se alguém ferir o olho de seu escravo ou escrava, e o cegar, dará liberdade ao escravo em troca do olho.
27. Se quebrar um dente do escravo ou da escrava, lhe dará a liberdade em troca do dente.

DANOS CAUSADOS POR ANIMAIS
28. Se um boi chifrar um homem ou mulher e lhe causar a morte, o boi será apedrejado, e ninguém comerá da sua carne; o dono do boi será absolvido.
29. Se o boi já chifrava antes e o dono foi avisado e não o prendeu, o boi será apedrejado, e o dono será morto.
30. Se lhe for exigido resgate, então pagará o que exigirem dele em troca de sua vida.
31. A mesma norma será aplicada quando o boi chifrar um menino ou menina.
32. Se o boi ferir um escravo ou escrava, o dono do escravo ou da escrava cobrará trezentos gramas de prata, e o boi será apedrejado.
33. Se alguém deixar um poço aberto ou cavar um poço e não o tapar e nele cair um boi ou jumento,
34. o dono do poço pagará assim: restituirá em dinheiro ao dono do animal, e o animal morto será seu.
35. Se o boi de alguém ferir o boi de outra pessoa, e o boi ferido morrer, venderão o boi vivo e repartirão o dinheiro; e dividirão entre si o boi morto.
36. Contudo, se o dono sabia que o boi já chifrava desde algum tempo e não o prendeu, pagará boi por boi; mas o boi morto será seu.

ROUBO DE ANIMAIS
37. Se alguém roubar um boi ou uma ovelha e os abater ou vender, devolverá cinco bois por um boi, e quatro ovelhas por uma ovelha.

[Êxodo 22]Êxodo 22

1. Se um ladrão for surpreendido arrombando uma casa e sendo ferido morrer, não será caso de homicídio culposo.
2. Contudo, se o ferir à luz do dia, será caso de homicídio. O ladrão restituirá, e quando não tiver com que pagar, será vendido para compensar o que roubou.
3. Se o boi, jumento ou ovelha roubados forem encontrados vivos na mão do ladrão, ele deverá restituir o dobro.

REPARAÇÃO DE DANOS
4. Se alguém estraga uma roça ou vinha porque levou seu rebanho a pastar na roça alheia, deverá restituir com o melhor da sua própria roça ou vinha.
5. Se um fogo se alastrar pelos espinheiros e queimar os feixes de trigo, a plantação ou a roça, o responsável pelo incêndio pagará todos os danos.
6. Se alguém confiar ao seu próximo dinheiro ou objetos para guardar, e isso for roubado da casa deste, então, se o ladrão for descoberto, este pagará em dobro.
7. Se o ladrão não for encontrado, o dono da casa será levado diante de Deus para jurar que não se apossou do bem alheio.
8. Em crimes contra a propriedade, quando estiver em jogo um boi, jumento, boi, ovelha, roupa ou qualquer outro objeto perdido, do qual se diz: 'Isso é meu', a causa será levada diante de Deus: aquele que Deus declarar culpado, pagará ao outro em dobro.
9. Se alguém confiar ao seu próximo um jumento, boi, ovelha ou qualquer outro animal, e este morrer, ficar aleijado ou fugir sem que ninguém veja,
10. então a questão se resolverá por meio de juramento a Javé, a fim de provar que um não se apossou das coisas do outro; o dono aceitará o juramento, e não haverá restituição.
11. Contudo, se o animal tiver sido roubado diante de seus olhos, deverá indenizar o dono.
12. Se o animal tiver sido dilacerado por uma fera, o animal dilacerado será levado como prova, e não haverá restituição.
13. Se alguém pedir emprestado ao seu próximo um animal, e este ficar aleijado ou morrer, não estando presente o dono, então deverá pagar.
14. Mas, se o dono estiver presente, não haverá restituição; se o animal tiver sido alugado, então se pagará ao dono o preço do aluguel.

PROTEÇÃO À MULHER
15. Se alguém seduzir uma virgem solteira e se deitar com ela, pagará o dote e se casará com ela.
16. Se o pai dela não quiser dá-la, o sedutor pagará em dinheiro, conforme o dote das virgens.

O DIREITO É PARA DEFENDER OS POBRES
17. Não deixarás viver aquela que pratica a magia.
18. Quem tiver relação sexual com algum animal, será réu de morte.
19. Quem sacrificar a outros deuses, além de Javé, será entregue ao anátema.
20. Não explore o imigrante nem o oprima, porque vocês foram imigrantes no Egito.
21. Não maltrate a viúva nem o órfão,
22. porque, se você os maltratar e eles clamarem a mim, eu escutarei o clamor deles.
23. Minha ira então se inflamará, e eu farei vocês perecerem pela espada: as mulheres de vocês ficarão viúvas e seus filhos ficarão órfãos.
24. Se você emprestar dinheiro a alguém do meu povo, a um pobre que vive ao seu lado, você não se comportará como agiota: vocês não devem cobrar juros.
25. Se você tomar como penhor o manto do seu próximo, deverá devolvê-lo antes do pôr-do-sol,
26. porque ele se cobre com o manto, que é a veste do seu corpo; como iria cobrir-se ao dormir? Caso contrário, se ele clamar a mim, eu o ouvirei, porque sou compassivo.
27. Não blasfeme contra Deus, nem amaldiçoe um chefe do seu povo.

TUDO É DOM DE JAVÉ
28. Não atrase em oferecer de sua abundância e de sua fartura. Entregue a mim o seu filho primogênito;
29. faça o mesmo com seus bois e ovelhas: a cria ficará com sua mãe durante sete dias e, no oitavo, você a entregará para mim.
30. Vocês estão consagrados a mim: não comam carne de animal que tenha sido dilacerado no campo; joguem para os cães.

[Êxodo 23]Êxodo 23

NORMAS PARA ADMINISTRAR A JUSTIÇA
1. Não faça declarações falsas e não entre em acordo com o culpado para testemunhar em favor de uma injustiça.
2. Não tome o partido dos poderosos para fazer o mal. E, num processo, não preste depoimento inclinando-se em favor dos poderosos, a fim de torcer o direito;
3. nem favoreça o poderoso em seu processo.
4. Se você encontrar, extraviados, o boi ou jumento do seu adversário, leve-os ao dono.
5. Se você encontrar o jumento do seu adversário caído debaixo da carga, não se desvie, mas ajude a erguê-lo.
6. Não torça o direito do necessitado em seu processo.
7. Afaste-se da acusação falsa: não faça morrer o inocente e o justo, nem absolva o culpado.
8. Não aceite suborno, porque o suborno cega quem tem os olhos abertos e perverte até as palavras dos justos.
9. Não oprima o imigrante: vocês conhecem a vida do imigrante, porque vocês foram imigrantes no Egito.

LEIS PARA O DESCANSO
10. Você, durante seis anos, semeará a terra e fará a colheita.
11. No sétimo ano, porém, deixe a terra em descanso e não a cultive, para que os necessitados do povo encontrem o que comer. E os animais do campo comerão o que sobrar. Faça o mesmo com sua vinha e com seu olival.
12. Durante seis dias, faça seus trabalhos e descanse no sétimo dia, para que seu boi e seu jumento descansem, e o filho de sua escrava e o imigrante se refaçam.
13. Prestem atenção em tudo o que lhes tenho dito: não invoquem o nome de outros deuses. Que não se ouça sequer o nome deles na boca de vocês.

AS FESTAS PRINCIPAIS
14. Três vezes no ano você fará uma romaria.
15. A primeira será a festa dos Pães sem fermento, que será celebrada assim: durante sete dias, conforme lhe ordenei, você comerá pães sem fermento, no tempo marcado do mês de Abib, porque foi nesse mês que você saiu do Egito. Ninguém deve aparecer de mãos vazias diante de mim.
16. A segunda romaria será na festa da Messe, a festa dos primeiros frutos de seus trabalhos de semeadura nos campos. E a terceira romaria na festa da Colheita, no fim do ano, quando você recolher o produto de seus trabalhos no campo.
17. Três vezes por ano, toda a população masculina se apresentará diante do Senhor Javé.
18. Não ofereça o sangue da minha vítima com pão fermentado, nem deixe até o dia seguinte a gordura da minha festa.
19. Leve os primeiros frutos de sua terra para a casa de Javé seu Deus. Não cozinhe o cabrito no leite da mãe dele.

SEJAM FIÉIS
20. Vou enviar um anjo na frente de você, para que ele cuide de você no caminho e o leve até o lugar que eu preparei para você.
21. Respeite-o e obedeça a ele. Não se revolte, porque ele leva consigo o meu nome, e não perdoará suas revoltas.
22. Contudo, se você lhe obedecer fielmente e fizer tudo o que eu disser, então eu serei para você inimigo de seus inimigos e adversário de seus adversários.
23. Meu anjo irá à frente de você e o levará aos amorreus, heteus, ferezeus, cananeus, heveus e jebuseus, e eu acabarei com eles.
24. Não adore os deuses deles, nem os sirva. Não faça o que eles fazem, mas destrua os deuses deles e quebre seus postes sagrados.
25. Sirvam a Javé, Deus de vocês, e então ele abençoará o pão e a água, e afastarei a doença do meio de vocês.
26. Na sua terra não haverá mulher que aborte ou seja estéril, e eu farei você chegar ao número completo de seus dias.
27. Enviarei diante de você o meu terror, confundindo qualquer povo no meio do qual você entrar, e farei com que todos os seus inimigos fujam de você.
28. Enviarei também vespas diante de você, para que expulsem de sua frente os heveus, cananeus e heteus.
29. Não os expulsarei da sua frente num ano só, para que a terra não fique deserta nem as feras se multipliquem.
30. Eu os expulsarei pouco a pouco, até que você se multiplique e tome posse da terra.
31. Eu marcarei as fronteiras do seu país, desde o mar Vermelho até o mar dos filisteus, e desde o deserto até o rio Eufrates. Entregarei em suas mãos os habitantes da terra, para que você os expulse de sua frente.
32. Não faça alianças com eles, nem com seus deuses.
33. Não os deixe habitar em sua terra, para que eles não façam você pecar contra mim, adorando os deuses deles, que serão uma cilada para você".

[Êxodo 24]4. CONCLUSÃO DA ALIANÇA

Êxodo 24

1. Javé disse a Moisés: "Suba até mim com Aarão, Nadab, Abiú e setenta anciãos de Israel, e adorem de longe.
2. Só Moisés se aproximará de Javé; os outros não se aproximarão, nem o povo subirá com ele".
3. Moisés desceu e contou ao povo tudo o que Javé lhe havia dito e todas as leis. O povo respondeu unânime: "Faremos tudo o que Javé disse".
4. Moisés colocou por escrito todas as palavras de Javé. Depois levantou-se de manhã, construiu um altar ao pé da montanha e doze estelas para as doze tribos de Israel.
5. Em seguida, mandou alguns jovens de Israel oferecer holocaustos e imolar novilhos a Javé como sacrifício de comunhão.
6. Moisés pegou a metade do sangue e colocou em bacias; a outra metade do sangue, ele a derramou sobre o altar.
7. Pegou o livro da aliança e o leu para o povo. Eles disseram: "Faremos tudo o que Javé mandou e obedeceremos".
8. Moisés pegou o sangue e o espalhou sobre o povo, dizendo: "Este é o sangue da aliança que Javé faz com vocês através de todas essas cláusulas".
9. Moisés, Aarão, Nadab, Abiú e os setenta anciãos subiram.
10. Eles viram o Deus de Israel: sob os pés dele, havia uma espécie de pavimento de safira, tão pura como o próprio céu.
11. E Deus não estendeu a mão contra os notáveis de Israel; eles contemplaram a Deus e depois comeram e beberam.

5. LEIS PARA O SANTUÁRIO

AS TÁBUAS DA ALIANÇA
12. Javé disse a Moisés: "Suba até junto de mim na montanha, pois eu estarei aí para lhe dar as tábuas de pedra com a lei e os mandamentos que escrevi, para você os instruir".
13. Moisés se levantou com seu ajudante Josué. E subiram à montanha de Deus.
14. Ele disse aos anciãos: "Esperem aqui até que voltemos. Aarão e Hur estão com vocês: quem tiver alguma questão, dirija-se a eles".
15. Quando Moisés subiu à montanha, a nuvem cobriu a montanha.
16. A glória de Javé pousou sobre o monte Sinai e a nuvem o cobriu durante seis dias. No sétimo dia, Javé chamou Moisés do meio da nuvem.
17. A glória de Javé aparecia aos olhos de Israel como fogo consumidor no topo da montanha.
18. Moisés entrou pelo meio da nuvem e subiu à montanha. E Moisés ficou na montanha quarenta dias e quarenta noites.

[Êxodo 25]Êxodo 25

CONTRIBUIÇÕES PARA O SANTUÁRIO
1. Javé falou a Moisés:
2. "Diga aos filhos de Israel que ofereçam para mim um tributo; e vocês aceitarão a contribuição de todos os que generosamente a oferecerem para mim.
3. Contribuições que vocês aceitarão: ouro, prata e bronze;
4. púrpura violeta, vermelha e escarlate; linho e pêlo de cabra;
5. peles de carneiro curtidas, couro fino e madeira de acácia;
6. azeite para a lâmpada, aromas para o óleo da unção e para o incenso aromático;
7. pedras de ônix e pedras de engaste para o efod e o peitoral.
8. Faça um santuário para mim, e eu habitarei entre eles.
9. Faça tudo conforme o modelo do santuário e dos utensílios que vou mostrar a você.

A ARCA DA ALIANÇA
10. Faça uma arca de madeira de acácia, com cento e vinte e cinco centímetros de comprimento, por setenta e cinco de largura e setenta e cinco de altura.
11. Revista a arca com ouro puro, por dentro e por fora; e, ao seu redor, aplique uma moldura de ouro.
12. Funda para ela quatro argolas de ouro, para colocar nos quatro cantos inferiores da arca.
13. Faça também varais de madeira de acácia e revista-os de ouro,
14. e enfie os varais nas argolas de cada lado da arca, para poderem transportá-la.
15. Os varais ficarão colocados nas argolas da arca e nunca serão tirados.
16. Dentro da arca, coloque o documento da aliança que darei a você.
17. Faça também uma placa de ouro puro, com cento e vinte e cinco centímetros de comprimento, por setenta e cinco de largura.
18. Nas duas extremidades da placa, faça dois querubins de ouro batido:
19. cada um sairá de um extremo da placa e
20. a cobrirão com as asas estendidas para cima. Estarão diante um do outro, olhando para o centro da placa.
21. Cubra a arca com a placa, e dentro guarde o documento da aliança que darei a você.
22. Aí me encontrarei com você; e, de cima da placa, do meio dos querubins que estão sobre a arca da aliança, direi a você tudo o que deve ordenar aos filhos de Israel.

A MESA DOS PÃES OFERECIDOS A DEUS
23. Faça uma mesa de madeira de acácia com cem centímetros de comprimento, por cinqüenta de largura e setenta e cinco de altura.
24. Cubra a mesa de ouro puro e aplique ao redor uma moldura de ouro.
25. Faça ao redor dela um enquadramento com um palmo de largura e, ao redor do enquadramento, uma moldura de ouro.
26. Faça também quatro argolas de ouro e coloque-as nos quatro cantos formados pelos quatro pés.
27. Junto às molduras, ficarão as argolas por onde passarão os varais para se carregar a mesa.
28. Faça os varais de madeira de acácia e cubra-os de ouro; com eles, poderá ser transportada a mesa.
29. Faça pratos, bandejas, jarras e copos para as libações: tudo de ouro puro.
30. E coloque para sempre sobre a mesa, diante de mim, os pães oferecidos a Deus.

O CANDELABRO
31. Faça um candelabro de ouro puro; ele será todo cinzelado: pedestal, haste, cálices, botões e flores formarão com ele uma só peça.
32. Dos seus lados sairão seis braços, três de cada lado.
33. Cada braço terá três cálices, com formato de flor de amêndoa, com botão e flor; e três cálices com flor de amêndoa no outro lado, com botão e flor. Assim serão os seis braços saindo do candelabro.
34. O candelabro terá quatro cálices com formato de flor de amêndoa, com botão e flor:
35. um botão sob os dois primeiros braços que saem do candelabro, um botão sob os dois braços seguintes, e um botão sob os dois últimos braços; assim se fará com os seis braços que saem do candelabro.
36. Os botões e os braços formarão uma só peça com o candelabro. E tudo será feito com um bloco de ouro batido.
37. Faça também sete lâmpadas, de modo que fiquem elevadas e iluminem a parte dianteira.
38. Seus acendedores e apagadores serão de ouro puro.
39. Para fazer o candelabro e seus acessórios você usará trinta quilos de ouro.
40. Faça tudo de acordo com o modelo que foi mostrado a você no alto da montanha.

[Êxodo 26]Êxodo 26

AS CORTINAS DO SANTUÁRIO
1. Faça o santuário com dez cortinas de linho fino retorcido, de púrpura violeta, vermelha e escarlate. E as faça com querubins bordados.
2. Cada cortina terá catorze metros de comprimento, por dois de largura: todas terão a mesma medida.
3. Cinco cortinas estarão unidas uma com a outra; e as outras cinco também estarão unidas uma com a outra.
4. Faça laços de púrpura violeta na franja da primeira cortina que está na extremidade do conjunto; e faça o mesmo na franja da cortina que está na extremidade do outro conjunto.
5. Faça cinqüenta laçadas na primeira cortina e cinqüenta laçadas na extremidade da cortina que está no outro conjunto, de modo que as laçadas se correspondam mutuamente.
6. Faça também cinqüenta colchetes de ouro e junte as cortinas uma com a outra por meio de colchetes, de modo que o santuário forme uma só unidade.
7. Teça também onze peças de pêlo de cabra, para que sirvam de cobertura para o santuário.
8. Cada peça medirá quinze metros de comprimento, por dois de largura; as onze peças terão a mesma medida.
9. Junte cinco cortinas numa peça e seis cortinas em outra, e dobre a sexta cortina sobre a parte da frente da tenda.
10. Faça cinqüenta laçadas na franja da primeira cortina, na extremidade do primeiro conjunto, e outras cinqüenta laçadas na franja da cortina do outro conjunto.
11. Faça também cinqüenta colchetes de bronze e introduza os colchetes em cada laçada, para unir a tenda, que assim formará um todo.
12. A parte que restar das cortinas da tenda, a metade da cortina que sobrar, penderá da parte posterior do santuário.
13. E os cinqüenta centímetros, que sobram de cada lado da tenda, penderão dos dois lados do santuário, cobrindo-os.
14. Faça para a tenda uma cobertura de peles de carneiro curtidas, e uma cobertura de couro fino por cima.

A ARMAÇÃO DO SANTUÁRIO
15. Faça para o santuário tábuas de madeira de acácia que serão colocadas verticalmente.
16. Cada tábua terá cinco metros de comprimento, por setenta e cinco centímetros de largura.
17. Cada tábua terá dois encaixes travados um com o outro; faça o mesmo com todas as tábuas do santuário.
18. Coloque-as do seguinte modo: vinte tábuas para o lado do Negueb, para o sul.
19. E debaixo dessas vinte tábuas faça quarenta bases de prata: duas bases debaixo de cada tábua, para seus dois encaixes.
20. No outro lado do santuário, no lado norte, haverá vinte tábuas
21. com suas quarenta bases de prata, duas bases para cada tábua.
22. Faça seis tábuas para o fundo do santuário, do lado do mar,
23. e mais duas tábuas para os cantos do fundo do santuário.
24. Ficarão unidas pela parte de baixo até a parte de cima, na altura da primeira argola: formarão assim os dois ângulos do santuário.
25. Serão, portanto, oito tábuas com dezesseis bases de prata, duas para cada tábua.
26. Faça também cinco travessas de madeira de acácia para as tábuas de cada lado,
27. e cinco para o lado do fundo, no lado do mar.
28. A travessa central ficará na metade das tábuas, atravessando-as de um extremo a outro.
29. Revista as tábuas com ouro, e faça de ouro também as argolas, por onde vão passar as travessas; cubra de ouro também as travessas.
30. Levante o santuário conforme o modelo que foi mostrado a você na montanha.

O VÉU DO SANTUÁRIO
31. Faça também um véu de púrpura violeta, vermelha e escarlate, e de linho fino retorcido. Faça nele um bordado com figuras de querubins.
32. Coloque-o sobre quatro colunas de madeira de acácia cobertas de ouro e providas de ganchos de ouro, assentadas sobre quatro bases de prata.
33. Pendure o véu debaixo dos colchetes e coloque atrás dele a arca da aliança. O véu servirá de separação entre o Santo e o Santo dos santos.
34. Coloque a placa de ouro sobre a arca da aliança, no Santo dos santos.
35. Fora do véu, no lado norte, coloque a mesa; e, no lado sul, diante da mesa, coloque o candelabro.
36. Para a entrada da tenda faça também uma cortina de púrpura violeta, vermelha e escarlate e de linho fino retorcido, artisticamente bordada.
37. Para essa cortina, faça cinco colunas de madeira de acácia, recobertas de ouro, com seus ganchos também de ouro, e fundindo para elas cinco bases de bronze.

[Êxodo 27]Êxodo 27

O ALTAR DOS HOLOCAUSTOS
1. Faça de madeira de acácia o altar: será quadrado e medirá dois metros e meio de lado, e um metro e meio de altura.
2. Nos quatro cantos, faça saliências curvas, que formarão uma só peça com o altar. Revista de bronze o altar.
3. Faça também recipientes para recolher as cinzas, e também pás, bacias para aspersão, garfos e braseiros, tudo de bronze.
4. Faça também uma grelha de bronze, em forma de rede, com quatro argolas de bronze nos quatro cantos da grelha;
5. coloque-a embaixo da borda externa do altar, de modo que ela chegue até o meio do altar.
6. Faça também varais para o altar, com madeira de acácia revestida de bronze.
7. Os varais serão enfiados nas argolas, de modo que fiquem dos dois lados do altar, quando este for transportado.
8. Faça o altar com tábuas e oco, conforme o modelo que foi mostrado a você na montanha.

O ÁTRIO DO SANTUÁRIO
9. Faça o átrio do santuário deste modo: no lado do Negueb, lado sul, coloque cortinas de linho fino retorcido. O comprimento delas será de cinqüenta metros.
10. Suas vinte colunas, com as vinte bases, serão de bronze; os ganchos das colunas e suas vergas serão de prata.
11. Faça o mesmo no lado norte: coloque cortinas com cinqüenta metros de comprimento; suas vinte colunas, com as vinte bases, serão de bronze; os ganchos das colunas e suas vergas serão de prata.
12. Na largura do átrio, no lado do mar, coloque cortinas com vinte e cinco metros de comprimento, com dez colunas e dez bases.
13. A largura do átrio, no lado leste, a oriente, será de vinte e cinco metros;
14. sete metros e meio de cortinas de um lado da entrada, com três colunas e três bases,
15. e sete metros e meio de cortinas no outro lado da entrada, com três colunas e três bases.
16. Na entrada do átrio haverá um véu artisticamente bordado, com dez metros de comprimento, feito de púrpura violeta, vermelha e escarlate, e de linho fino retorcido; terá quatro colunas e quatro bases.
17. Todas as colunas em torno do átrio estarão unidas com vergas de prata; seus ganchos serão de prata, e suas bases de bronze.
18. O átrio terá cinqüenta metros de comprimento, por vinte e cinco de largura e dois e meio de altura. Todas as cortinas serão de linho fino retorcido, e as bases de bronze.
19. Serão de bronze todos os utensílios para o serviço do santuário, todas as suas estacas e todas as estacas do átrio.

O AZEITE PARA O CANDELABRO
20. Mande que os filhos de Israel tragam azeite de oliva puro e refinado, para alimentar continuamente a lâmpada.
21. Aarão e seus filhos colocarão essa lâmpada na tenda da reunião, fora do véu que está na frente do documento da aliança, para que ela fique ardendo diante de Javé, desde a tarde até o amanhecer. É uma lei perpétua para todas as gerações dos filhos de Israel.

[Êxodo 28]Êxodo 28

AS VESTES DE AARÃO
1. Dentre os filhos de Israel, escolha seu irmão Aarão e os filhos dele: Nadab, Abiú, Eleazar e Itamar, para que sejam meus sacerdotes.
2. Mande fazer para seu irmão Aarão vestes sagradas, bem ricas e enfeitadas.
3. Diga a todas as pessoas hábeis, a quem eu concedi espírito de sabedoria, que façam vestes para Aarão, a fim de consagrá-lo como meu sacerdote.
4. São estas as vestes que farão: um peitoral, um efod, um manto, uma túnica bordada, um turbante e um cinto. Farão vestes sagradas para seu irmão Aarão e para os filhos dele, a fim de que sejam meus sacerdotes.
5. Empregarão ouro e púrpura violeta, vermelha, escarlate, e linho fino.

O EFOD
6. Farão o efod bordado a ouro, de púrpura violeta, vermelha e escarlate, e de linho fino retorcido.
7. Terá duas ombreiras unidas pelas extremidades.
8. O cinto que está por cima para amarrá-lo, formando uma só peça com ele, será da mesma confecção: ouro, púrpura violeta, vermelha e escarlate, e linho fino retorcido.
9. Pegue duas pedras do ônix e grave nelas o nome dos filhos de Israel:
10. seis nomes numa e seis nomes na outra, por ordem de nascimento.
11. Gravarão o nome das tribos de Israel da mesma forma que um ourives grava a pedra de um selo, e engastarão as duas pedras em filigrana de ouro.
12. Coloque as duas pedras nas ombreiras do efod, como lembrança para os filhos de Israel. E Aarão levará seus nomes sobre os ombros, como lembrança para Javé.
13. Faça também engastes de ouro,
14. e duas correntes de ouro puro, trançadas como cordão, e fixe as correntes nos engastes.

O PEITORAL
15. Faça o peitoral do julgamento, bordado como o efod: será de ouro, púrpura violeta, vermelha e escarlate, e linho fino retorcido.
16. Será quadrado e duplo, com um palmo de comprimento e um de largura.
17. Coloque nele engastes de pedras, dispostas em quatro filas: na primeira fila, uma sardônica, um topázio e uma esmeralda;
18. na segunda fila, um carbúnculo, uma safira e um diamante;
19. na terceira, um jacinto, uma ágata e uma ametista;
20. na quarta, um berilo, um ônix e um jaspe. Elas serão guarnecidas de ouro nos seus engastes.
21. As pedras corresponderão aos doze nomes dos filhos de Israel. Cada pedra será gravada como um selo, com o nome de uma das doze tribos.
22. Faça também, para o peitoral, correntes de ouro puro, trançadas como cordões,
23. E também duas argolas de ouro, para colocar nas extremidades do peitoral.
24. Passe as duas correntes de ouro pelas duas argolas, nas extremidades do peitoral.
25. Fixe as duas pontas das correntes nos dois engastes e coloque-as nas ombreiras do efod, na parte da frente.
26. Faça duas argolas de ouro e coloque-as nas duas pontas inferiores do peitoral, junto ao efod.
27. Faça também duas argolas de ouro e coloque-as nas duas ombreiras do efod, na parte inferior dianteira, perto de sua juntura, sobre o cinto do efod.
28. Através de suas argolas o peitoral ficará preso às argolas do efod com um cordão de púrpura violeta, para que fique por cima do cinto do efod e não se desprenda do efod.
29. Desse modo, quando entrar no santuário Aarão levará no peitoral do julgamento, sobre o coração, os nomes dos filhos de Israel, como lembrança perpétua diante de Javé.
30. Coloque também no peitoral do julgamento o urim e o tumim, para que estejam sobre o coração de Aarão, quando ele entrar na presença de Javé. Aarão levará constantemente sobre o coração, na presença de Javé, o julgamento sobre os filhos de Israel.

O MANTO
31. Faça de púrpura violeta o manto do efod.
32. No meio do manto haverá uma abertura para a cabeça; essa abertura terá uma barra reforçada, como a abertura de um colete, para que não se rompa.
33. Ao redor da barra inferior, coloque romãs de púrpura violeta, vermelha e escarlate, e de linho fino retorcido; entre elas, em todo o redor, coloque campainhas de ouro.
34. Em toda a orla do manto haverá campainhas de ouro e romãs.
35. Aarão vestirá o manto ao oficiar, para que se ouça o tilintar quando ele entrar no santuário de Javé ou quando sair, e assim não morra.

O SINAL DA CONSAGRAÇÃO
36. Faça uma flor de ouro puro, e grave nela, como num selo: 'Consagrado a Javé'.
37. Amarre-a com um cordão de púrpura violeta, de modo que fique sobre o turbante, na parte da frente.
38. Ela ficará na fronte de Aarão, e ao fazer suas ofertas sagradas ele carregará a culpa que os filhos de Israel tiverem cometido. Estará continuamente sobre a fronte de Aarão, para reconciliá-los com Javé.
39. A túnica e o turbante serão de linho fino, e o cinto será bordado.

AS VESTES DOS SACERDOTES
40. Para os filhos de Aarão, faça túnicas, cintos e gorros ricos e enfeitados.
41. Com isso, você vestirá seu irmão Aarão e os filhos dele. Depois você os ungirá e os investirá, consagrando-os como meus sacerdotes.
42. Para eles faça também calções de linho que vão da cintura às coxas, para cobrir a nudez.
43. Aarão e seus filhos os vestirão quando entrarem na tenda da reunião ou quando se aproximarem do altar para ministrar no santuário, a fim de não cometerem pecado e não morrerem. Isso é lei perpétua para Aarão e seus descendentes.

[Êxodo 29]Êxodo 29

A CONSAGRAÇÃO DOS SACERDOTES
1. Para consagrá-los no meu sacerdócio, observe o seguinte rito: Tome um bezerro e dois carneiros sem defeito,
2. pães sem fermento, bolos sem fermento amassados com azeite, broas sem fermento untadas com azeite. Faça-os com flor de farinha de trigo,
3. coloque-os numa cesta e traga-os; traga também o bezerro e os dois carneiros.
4. Mande Aarão e os filhos dele ficarem junto à entrada da tenda da reunião e lave-os com água.
5. Pegue as vestes e coloque em Aarão a túnica, o manto, o efod e o peitoral, e amarre o efod com o cinto.
6. Coloque o turbante sobre a cabeça dele e, sobre o turbante, o sinal da santa consagração.
7. Pegue o óleo da unção e unja Aarão, derramando o óleo sobre a cabeça dele.
8. Depois, faça os filhos dele se aproximarem e vista-os com túnicas,
9. e coloque neles o cinto e o gorro. Então o sacerdócio pertencerá a eles, como direito perpétuo. Assim você consagrará Aarão e os filhos dele.
10. Leve o bezerro até a frente da tenda da reunião. Aí Aarão e os filhos dele colocarão a mão sobre a cabeça do bezerro.
11. Imole o bezerro diante de Javé, na entrada da tenda da reunião.
12. Pegue uma parte do sangue do bezerro e, com o dedo, coloque-o sobre as pontas do altar, derramando o resto do sangue ao pé do altar.
13. Tome toda a gordura que cobre as entranhas, a membrana gordurosa do fígado, os dois rins com a gordura que os envolve, e leve para queimar no altar.
14. Queime fora do acampamento a carne do bezerro junto com o pêlo e os intestinos. É um sacrifício pelo pecado.
15. Pegue depois um dos carneiros, e Aarão com os filhos dele colocarão a mão sobre a cabeça do carneiro.
16. Imole o carneiro, pegue o sangue dele e o derrame sobre o altar por todos os lados.
17. Divida o carneiro em pedaços, lave as entranhas e as pernas e coloque as duas coisas sobre os pedaços e sobre a cabeça.
18. Queime assim todo o carneiro, fazendo subir a fumaça dele sobre o altar. É um holocausto para Javé, é um perfume de suave odor, uma oferta queimada para Javé.
19. Pegue depois o segundo carneiro. Aarão com os filhos dele colocarão a mão sobre a cabeça do carneiro.
20. Imole o carneiro, pegue um pouco do seu sangue e coloque-o sobre a ponta da orelha direita de Aarão e dos filhos dele, como também sobre o polegar da mão direita e do pé direito deles. Quanto ao resto do sangue, derrame-o sobre todos os lados do altar.
21. Em seguida pegue do sangue que está sobre o altar e do óleo da unção, e espalhe-os sobre Aarão e suas vestes e sobre os filhos de Aarão e suas vestes. Desse modo, ficarão consagrados Aarão com suas vestes e os filhos dele com suas vestes.
22. Depois, pegue do carneiro a gordura, a cauda, a gordura que cobre as entranhas, a membrana gordurosa do fígado, os dois rins com a gordura que os envolve, e a coxa direita, porque é o carneiro da consagração.
23. Pegue também um pão, um bolo untado em azeite e uma broa da cesta dos pães sem fermento que está diante de Javé.
24. Coloque tudo isso nas mãos de Aarão e dos filhos dele, para que eles façam diante de Javé o gesto de apresentação.
25. Em seguida, pegue tudo das mãos deles e deixe queimar no altar, sobre o holocausto, como suave odor a Javé. É uma oferta queimada para Javé.
26. Pegue o peito do carneiro da consagração de Aarão, e faça diante de Javé o gesto de apresentação desse peito. Essa parte será a porção que cabe a você.
27. Consagre o peito que foi apresentado e também a coxa da porção que foi tirada do carneiro da consagração e que pertence a Aarão e aos filhos dele.
28. Isso tudo será uma porção perpétua que Aarão e os filhos dele receberão dos filhos de Israel; porque é o tributo tomado dos sacrifícios de comunhão, que os filhos de Israel oferecem a Javé.
29. As vestes sagradas de Aarão serão herdadas pelos seus filhos, que as vestirão quando forem ungidos e consagrados.
30. Durante sete dias, o filho que tiver sucedido a ele no sacerdócio as vestirá quando entrar na tenda da reunião, para servir no santuário.
31. Depois pegue o carneiro da consagração e cozinhe sua carne num lugar sagrado.
32. Aarão e seus filhos comerão da carne do carneiro e do pão que está na cesta, à entrada da tenda da reunião.
33. Comerão a parte com que se fez a expiação por eles, quando foram investidos e consagrados. Nenhum estranho ao sacerdócio poderá comer disso, porque são coisas sagradas.
34. Se uma parte da carne do sacrifício de consagração ou dos pães ficar para o dia seguinte, será queimada; não se comerá, porque é coisa sagrada.
35. É isso que você fará com Aarão e os filhos dele, conforme tudo o que ordenei a você. O rito da consagração deles durará sete dias.
36. Cada dia, ofereça também um bezerro como expiação pelo pecado. Faça o rito de expiação sobre o altar, oferecendo sobre ele um sacrifício pelo pecado. Depois, unja o altar para consagrá-lo.
37. Faça a expiação pelo altar durante sete dias, e depois o consagre; desse modo, o altar será santíssimo, e tudo o que nele tocar, será santificado.

OS SACRIFÍCIOS DIÁRIOS
38. Eis o que você deverá oferecer sobre o altar: dois cordeiros machos de um ano, cada dia e perpetuamente.
39. Ofereça um dos cordeiros pela manhã e outro pela tarde.
40. Com o primeiro, ofereça quatro litros e meio de flor de farinha amassada, com um litro e meio de azeite de oliva refinado, e uma libação de um litro e meio de vinho.
41. Pela tarde, ofereça o segundo cordeiro, junto com uma oferta e uma libação, como aquelas da manhã, uma oferta de suave odor queimada para Javé.
42. Esse é o holocausto perpétuo por todas as gerações, na presença de Javé, junto à entrada da tenda da reunião, onde me encontrarei com vocês para falar.
43. Aí eu irei me encontrar com os filhos de Israel. E o lugar ficará consagrado com a minha glória.
44. Consagrarei a tenda da reunião e o altar. Consagrarei também Aarão e os filhos dele, para que exerçam o meu sacerdócio.
45. Habitarei no meio dos filhos de Israel e serei o Deus deles.
46. E eles reconhecerão que eu sou Javé, o Deus deles, que os tirou do Egito para habitar no meio deles. Eu sou Javé, o Deus deles.

[Êxodo 30]Êxodo 30

O ALTAR DO INCENSO
1. Faça também um altar de madeira de acácia para queimar incenso.
2. Será quadrado e terá cinqüenta centímetros de comprimento por cinqüenta de largura, com um metro e meio de altura; as pontas formarão uma só peça com ele.
3. Revista sua parte superior, as paredes ao redor e as pontas, tudo de ouro puro, e faça uma moldura de ouro ao redor.
4. Faça também duas argolas de ouro dos dois lados: nelas serão enfiados os varais, para transportar o altar.
5. Os varais serão feitos de madeira de acácia e revestidos de ouro.
6. Coloque o altar diante do véu que está na frente da arca da aliança e diante da placa que cobre a arca da aliança; aí eu me encontrarei com você.
7. Aarão queimará sobre o altar o incenso aromático, pela manhã, quando preparar as lâmpadas;
8. e quando, à tarde, acender as lâmpadas, fará o mesmo. Será um incenso perpétuo que as gerações de vocês oferecerão diante de Javé.
9. Não ofereçam sobre o altar incenso profano, nem holocausto, nem oblação, nem derramem sobre ele nenhuma libação.
10. Uma vez por ano, Aarão realizará o rito da expiação, untando as pontas do altar com o sangue da vítima expiatória; isso será feito uma vez por ano, por todas as gerações de vocês. O altar será consagrado a Javé".

O TRIBUTO PARA O CULTO
11. Javé falou a Moisés:
12. "Quando você fizer o recenseamento dos filhos de Israel, cada um pagará a Javé um resgate por sua própria pessoa, para que não haja entre eles nenhuma praga, quando você fizer o recenseamento.
13. Cada um dará cinco gramas de prata, conforme o peso padrão do santuário: o tributo para Javé será de cinco gramas de prata.
14. Cada um dos registrados, de vinte anos para cima, pagará o tributo a Javé.
15. Nem o rico pagará mais, nem o pobre pagará menos, quando derem o tributo para Javé como resgate por si mesmos.
16. Pegue o dinheiro do resgate dos filhos de Israel e entregue-o para o serviço da tenda da reunião: ele será a lembrança dos filhos de Israel diante de Javé, como resgate de suas pessoas".

A BACIA
17. Javé falou a Moisés:
18. "Faça uma bacia de bronze, com a base de bronze, para as abluções. Coloque-a entre a tenda da reunião e o altar; depois a encha de água.
19. Nela, Aarão e os filhos dele lavarão as mãos e os pés.
20. Eles se lavarão com água, quando entrarem na tenda da reunião, para que não morram; farão o mesmo quando se aproximarem do altar para oficiar, para queimar uma oferta a Javé.
21. Lavarão as mãos e os pés, e assim não morrerão. Essa é uma lei perpétua para Aarão e seus descendentes, em todas as gerações".

O ÓLEO DE UNÇÃO
22. Javé falou a Moisés:
23. "Providencie bálsamo de primeira qualidade: cinco quilos de mirra em grão, dois quilos e meio de cinamomo, dois quilos e meio de cana aromática,
24. cinco quilos de cássia, conforme o peso do santuário, e sete litros e meio de azeite de oliva.
25. Com esses ingredientes, faça o óleo para a unção sagrada, um perfume aromático, segundo a receita de perfumista. E ele servirá para a unção sagrada.
26. Unja com esse óleo a tenda da reunião e a arca da aliança,
27. a mesa com seus utensílios, o candelabro com seus acessórios, o altar do incenso,
28. o altar dos holocaustos com seus acessórios, e a bacia com a sua base.
29. Consagre essas coisas e elas ficarão santíssimas: quem as tocar ficará santificado.
30. Unja também Aarão e os filhos dele e consagre-os, para que exerçam o sacerdócio em minha honra.
31. Fale aos filhos de Israel: 'Isso será para vocês e para suas gerações um óleo para a unção sagrada.
32. Não será derramado sobre o corpo de nenhum homem, e vocês não copiarão sua fórmula. Ele é coisa sagrada e assim vocês devem tratá-lo.
33. Quem fizer um óleo parecido e o colocar sobre um profano, será excluído do povo' ".

O INCENSO
34. Javé disse a Moisés: "Providencie essências aromáticas: resina, âmbar, bálsamo, aromas e incenso puro, em quantidades iguais.
35. Com elas faça um incenso perfumado, composto segundo a arte da perfumaria, misturando com sal; será puro e santo.
36. Pulverize uma parte dele, coloque-o diante da arca da aliança, na tenda da reunião, onde me encontrarei com você. Será para vocês uma coisa santíssima.
37. Não façam para uso de vocês um incenso de fórmula semelhante; vocês o considerarão como coisa santa e consagrada a Javé.
38. Quem copiar a fórmula, para seu próprio uso, será excluído do seu povo".

[Êxodo 31]Êxodo 31

OS OPERÁRIOS DO SANTUÁRIO
1. Javé falou a Moisés:
2. "Escolhi pessoalmente Beseleel, filho de Uri, filho de Hur, da tribo de Judá,
3. e o enchi de dotes sobre-humanos e de sabedoria, de destreza e habilidade em seu ofício,
4. capaz de fazer projetos e de lavrar ouro, prata e bronze,
5. de lapidar e engastar pedras, entalhar madeira e realizar todo tipo de trabalho.
6. Eu dou a ele, como ajudante, Ooliab, filho de Aquisamec, da tribo de Dã. A todos os artesãos dei habilidade, para que realizem tudo o que ordenei a você:
7. a tenda da reunião, a arca da aliança, a placa que está sobre ela e toda a mobília da tenda,
8. a mesa com seus utensílios, o candelabro de ouro com seus acessórios, o altar do incenso,
9. o altar do holocausto com seus acessórios, a bacia com sua base,
10. as vestes ornamentais e sagradas dos sacerdotes Aarão e seus filhos, para o exercício do sacerdócio,
11. o óleo da unção e o incenso para o santuário. Eles farão tudo conforme ordenei a você".

O DESCANSO SEMANAL
12. Javé falou a Moisés:
13. "Diga aos filhos de Israel: 'Observem meus sábados, porque são um sinal entre mim e vocês, ao longo de suas gerações, para que todos saibam que eu sou Javé, aquele que santifica vocês.
14. Observem, portanto, o sábado, porque é uma coisa santa para vocês. Quem o profanar, será réu de morte. Quem realizar nele algum trabalho, será excluído do povo.
15. Vocês podem trabalhar durante seis dias; o sétimo dia, porém, é para vocês o dia de descanso solene em honra de Javé. Quem trabalhar no dia de sábado será réu de morte'.
16. Os filhos de Israel observarão o sábado em todas as suas gerações, como aliança perpétua.
17. Será um sinal perpétuo entre mim e os filhos de Israel, porque em seis dias Javé fez o céu e a terra, mas no sétimo dia ele parou para respirar".
18. Quando Javé terminou de falar com Moisés no monte Sinai, entregou-lhe as duas tábuas da aliança; eram tábuas de pedra, escritas pelo dedo de Deus.

[Êxodo 32]6. TENTATIVA DE MANIPULAR JAVÉ

Êxodo 32

UM DEUS VISÍVEL
1. Quando o povo notou que Moisés estava demorando para descer da montanha, reuniu-se em torno de Aarão, e lhe disse: "Vamos! Faça para nós um deus que caminhe à nossa frente, porque não sabemos o que aconteceu com esse Moisés que nos tirou do Egito".
2. Aarão respondeu-lhes: "Tirem os brincos de ouro de suas mulheres, filhos e filhas, e tragam aqui".
3. Então todo o povo tirou os brincos e os levou para Aarão.
4. Este recebeu o ouro, fundiu-o num molde e fez a estátua de um bezerro. Então eles disseram: "Israel, este é o seu deus, que tirou você do Egito".
5. Quando Aarão viu isso, construiu um altar diante da estátua, e proclamou: "Amanhã será festa em honra de Javé".
6. No dia seguinte, levantaram-se bem cedo, ofereceram holocaustos e levaram sacrifícios de comunhão. O povo sentou-se para comer e beber, e depois se levantou para se divertir.

A LIBERTAÇÃO NÃO É PROJETO ELITISTA
7. Javé disse a Moisés: "Vá! Desça, porque seu povo, que você tirou do Egito, se perverteu.
8. Desviaram-se logo do caminho que eu lhes havia ordenado. Fizeram para si um bezerro de metal fundido, e o adoraram, oferecendo a ele sacrifícios e dizendo: 'Israel, este é o seu deus que tirou você do Egito'."
9. E Javé continuou: "Vejo que esse povo é um povo de cabeça dura.
10. Agora, portanto, deixe-me, porque minha ira vai se acender contra eles, até consumi-los. E de você, eu farei uma grande nação".
11. Então Moisés suplicou a Javé, seu Deus, dizendo: "Javé, por que a tua ira se acende contra o teu povo, que tiraste do Egito com grande poder e mão forte?
12. Por que os egípcios haveriam de dizer: 'Ele os tirou com má intenção, para matá-los entre as montanhas e exterminá-los da face da terra'? Desiste do incêndio de tua ira e volta atrás do castigo que pretendias impor ao teu povo.
13. Lembra-te dos teus servos Abraão, Isaac e Israel, aos quais juraste por ti mesmo, dizendo: 'Eu multiplicarei a descendência de vocês como as estrelas do céu, e toda a terra que lhes prometi, eu a darei aos filhos de vocês, para que a possuam para sempre' ".
14. Então Javé se arrependeu do castigo com o qual havia ameaçado o seu povo.

É IMPORTANTE REVER OS ERROS
15. Moisés voltou e desceu da montanha, com as duas tábuas da aliança na mão, tábuas escritas nos dois lados, na frente e no verso.
16. As tábuas eram obra de Deus, e a escritura era feita por Deus, gravada nas tábuas.
17. Josué ouviu o barulho do povo, que dava gritos, e disse a Moisés: "Há um grito de guerra no acampamento!"
18. Moisés respondeu: "Não é grito de vitória, nem grito de derrota: estou ouvindo cantos alternados".
19. Quando se aproximou do acampamento e viu o bezerro e as danças, Moisés ficou enfurecido, jogou as tábuas e as quebrou no pé da montanha.
20. Pegou o bezerro que haviam feito, o queimou e o moeu até reduzi-lo a pó. Depois espalhou o pó na água e fez os filhos de Israel beberem.
21. Moisés perguntou a Aarão: "O que foi que este povo fez a você, para que você o arrastasse a um pecado tão grande?"
22. Aarão respondeu: "Não fique irritado, senhor. Você sabe o quanto este povo é inclinado para o mal.
23. Eles me pediram: 'Faça para nós um deus que caminhe à nossa frente, porque não sabemos o que aconteceu com esse Moisés, que nos tirou do Egito'.
24. Eu disse então: 'Quem tiver ouro, que o traga'. Eles me trouxeram, eu joguei no fogo, e saiu esse bezerro".

CORTAR O MAL PELA RAIZ
25. Moisés viu que o povo estava desenfreado, porque Aarão os havia abandonado à zombaria dos inimigos.
26. Então Moisés ficou de pé no meio do acampamento, e gritou: "Quem estiver do lado de Javé, venha até mim". E todos os filhos de Levi se reuniram em torno dele.
27. Moisés então lhes disse: "Assim diz Javé, o Deus de Israel: 'Cada um coloque a espada na cintura. Passem e repassem o acampamento, de porta em porta, matando até mesmo o seu irmão, companheiro e parente'."
28. Os filhos de Levi fizeram o que Moisés havia mandado. E nesse dia morreram uns três mil homens do povo.
29. Então Moisés disse: "Hoje vocês se consagraram a Javé, à custa do filho ou do irmão, a fim de que ele hoje conceda a bênção a vocês".

AS CONSEQÜÊNCIAS DO PECADO
30. No dia seguinte, Moisés disse ao povo: "Vocês cometeram um pecado gravíssimo, mas agora eu vou subir até Javé, para ver se posso expiar o pecado de vocês".
31. Então Moisés voltou para Javé, e disse: "Este povo cometeu um pecado gravíssimo, fabricando um deus de ouro.
32. Agora, porém, ou perdoas o pecado deles ou me riscas do teu livro".
33. Javé respondeu a Moisés: "Riscarei do meu livro todo aquele que pecou contra mim.
34. Agora vá e conduza o povo para onde eu lhe disse: meu anjo irá na frente. Mas quando chegar o dia das contas, eu punirei o pecado deles".
35. E Javé castigou o povo por adorar o bezerro que Aarão tinha feito.

[Êxodo 33]Êxodo 33

O PROJETO CONTINUA
1. Javé disse a Moisés: "Vamos! Parta daqui com o povo que você tirou do Egito, e vá para a terra que eu prometi para Abraão, Isaac e Jacó, quando falei que a daria para a descendência deles.
2. Vou enviar na frente de você o meu anjo, para expulsar os cananeus, amorreus, heteus, ferezeus, heveus e jebuseus.
3. Suba para uma terra onde corre leite e mel. Mas eu não subirei no meio de vocês, que são um povo de cabeça dura, porque eu os exterminaria no meio do caminho".
4. Ouvindo essas palavras tão duras, o povo começou a chorar, e ninguém se enfeitou com jóias.
5. É que Javé tinha dito a Moisés: "Diga aos filhos de Israel: 'Vocês são um povo de cabeça dura. Se eu os acompanhasse por um momento, eu os exterminaria. Por isso, tirem agora as jóias que vocês usam, e eu verei o que vou fazer com vocês' ".
6. Então os filhos de Israel deixaram seus enfeites, a partir do monte Horeb.

JAVÉ NÃO SE DEIXA MANOBRAR
7. Moisés pegou a tenda e armou-a fora e longe do acampamento, e a chamou tenda da reunião. Quem queria consultar a Javé, devia ir até a tenda da reunião, que estava fora do acampamento.
8. Quando Moisés se dirigia para a tenda, todo o povo se levantava e ficava na entrada da própria tenda, seguindo Moisés com o olhar, até que ele entrasse na tenda.
9. Quando Moisés entrava na tenda, a coluna de nuvem descia e ficava na entrada da tenda, enquanto Javé falava com Moisés.
10. Quando o povo via a coluna de nuvem parada na entrada da tenda, cada um se levantava e se prostrava à entrada da própria tenda.
11. Javé falava com Moisés face a face, como um homem fala com o amigo. Depois Moisés voltava para o acampamento, enquanto seu ajudante, o jovem Josué, filho de Nun, não se afastava do interior da tenda.

A NOVA SOCIEDADE PRECISA DE DEUS
12. Moisés disse a Javé: "Tu me disseste: 'Faça este povo subir'. Mas não me indicaste ninguém para me ajudar na missão. No entanto, dizes que me tratas com intimidade e que gozo do teu favor.
13. Agora, portanto, se gozo do teu favor, ensina-me o teu caminho, e assim ficarei sabendo que gozo do teu favor. Além disso, leva em conta que esta nação é o teu povo".
14. Javé disse: "Eu irei e pessoalmente darei descanso a você".
15. Moisés replicou: "Se não vieres pessoalmente, não nos faças sair daqui.
16. Como se poderá saber que eu e teu povo gozamos do teu favor, se de fato não caminhares conosco? Desse modo, eu e o teu povo seremos diferentes de todos os povos da terra".
17. Javé replicou a Moisés: "Eu vou conceder o que você está pedindo, porque você goza do meu favor, e eu trato você com intimidade".

DEUS É MISTÉRIO
18. Moisés pediu a Javé: "Mostra-me a tua glória".
19. Javé respondeu: "Farei passar diante de você todo o meu esplendor, e pronunciarei diante de você o meu nome: Javé. Terei piedade de quem eu quiser ter piedade, e terei compaixão de quem eu quiser ter compaixão".
20. E acrescentou: "Você não poderá ver o meu rosto, porque ninguém pode vê-lo e continuar com vida".
21. E Javé disse ainda: "Eis aqui um lugar junto a mim: fique em cima da rocha.
22. Quando a minha glória passar, eu colocarei você na fenda da rocha e o cobrirei com a palma da mão, até que eu tenha passado.
23. Depois tirarei a palma da mão e me verás pelas costas. Minha face, porém, você não poderá ver".

[Êxodo 34]Êxodo 34

O DEUS DA ALIANÇA
1. Javé disse a Moisés: "Corte duas tábuas de pedra, como as primeiras, suba ao meu encontro na montanha, e eu escreverei as mesmas palavras que estavam nas primeiras tábuas que você quebrou.
2. Fique preparado pela manhã; de madrugada, você subirá até a montanha do Sinai, e vai esperar por mim lá no alto da montanha.
3. Ninguém subirá com você, ninguém ficará na montanha; nem ovelhas ou bois pastarão diante da montanha".
4. Moisés cortou duas tábuas de pedra, como as primeiras, levantou-se de madrugada e subiu até a montanha do Sinai, como Javé tinha ordenado, e levou nas mãos as duas tábuas de pedra.
5. Javé desceu na nuvem e ficou junto com Moisés, que invocou o nome de Javé.
6. Javé passou diante de Moisés, proclamando: "Javé, Javé! Deus de compaixão e piedade, lento para a cólera e cheio de amor e fidelidade.
7. Ele conserva seu amor por milhares de gerações, tolerando a falta, a transgressão e o pecado, mas não deixa ninguém impune: castiga a falta dos pais nos filhos, netos e bisnetos".
8. Moisés caiu de joelhos por terra e adorou.
9. Depois disse: "Javé, se eu gozo do teu favor, continua em nosso meio, mesmo que este povo seja cabeça dura. Perdoa nossas faltas e pecados, e recebe-nos como tua herança".

NÃO CAIR NA ARMADILHA
10. Javé disse a Moisés: "Veja! Vou fazer uma aliança. Vou realizar diante do seu povo maravilhas como nunca foram feitas em nenhum país ou nação: todo o povo que rodeia você verá a obra impressionante que Javé vai realizar com você.
11. Fique atento para observar o que eu ordeno hoje: vou expulsar diante de você os amorreus, cananeus, heteus, ferezeus, heveus e jebuseus.
12. Não faça aliança com os governantes do país, aonde você vai entrar, porque seria uma armadilha para você.
13. Pelo contrário, derrubem os altares deles, quebrem as estelas e postes sagrados.

JAVÉ É O DEUS CIUMENTO
14. Não se prostre diante de outro deus, porque Javé se chama Ciumento: ele é um Deus ciumento.
15. Não faça aliança com os governantes do país, porque eles se prostituem com seus deuses e convidarão você para comer de suas vítimas, quando oferecerem sacrifícios.
16. Não tome para seus filhos mulheres dentre as filhas deles, porque as filhas deles, prostituindo-se com seus deuses, fariam que os filhos de vocês se prostituíssem com os deuses deles.
17. Não faça para você estátuas de deuses.
18. Guarde a festa dos pães sem fermento: durante sete dias, você comerá pães sem fermento, no tempo fixado do mês de Abib, como ordenei a você, porque foi no mês de Abib que você saiu do Egito.
19. Todos aqueles que por primeiro saem do seio materno pertencem a mim: todo macho, todo primogênito de suas ovelhas e de seu gado.
20. Contudo, o jumento que sair por primeiro do seio materno, você o resgatará com um cordeiro; se não o resgatar, quebre a nuca dele. Resgate todos os primogênitos de seus filhos. Não compareça de mãos vazias diante de mim.
21. Trabalhe seis dias, mas descanse no sétimo, tanto na época do plantio como durante a colheita.
22. Celebre a festa das Semanas no começo da messe do trigo, e a festa da Colheita, no fim do ano.
23. Três vezes por ano, todos os homens se apresentarão diante do Senhor Javé, o Deus de Israel.
24. Quando eu expulsar as nações diante de você e alargar suas fronteiras, se você subir três vezes por ano, para visitar Javé seu Deus, ninguém cobiçará a terra de você.
25. Junto com o sangue de minhas vítimas, não ofereça nada fermentado. E da vítima da Páscoa, não ficará nada para o dia seguinte.
26. Leve para a casa de Javé seu Deus o melhor dos primeiros frutos. Não cozinhe o cabrito no leite da própria mãe dele".
27. Javé disse ainda a Moisés: "Escreva esses mandamentos; porque é de acordo com eles que eu faço aliança com você e com Israel".
28. Moisés ficou aí com Javé durante quarenta dias e quarenta noites, sem comer pão nem beber água. E nas tábuas ele escreveu as cláusulas da aliança, os dez mandamentos.

O RESPLENDOR DE DEUS
29. Quando Moisés desceu da montanha do Sinai, levou nas mãos as duas tábuas da aliança. Ele não sabia que o seu rosto estava resplandecente, por ter falado com Javé.
30. Aarão e todos os filhos de Israel viram que Moisés estava com o rosto resplandecente, e ficaram com medo de se aproximar dele.
31. Moisés, porém, os chamou. Aarão e os chefes da comunidade se aproximaram, e Moisés falou com eles.
32. Depois, todos os filhos de Israel se aproximaram, e Moisés comunicou a eles tudo o que Javé lhe havia dito no alto da montanha do Sinai.
33. Quando Moisés terminou de falar, cobriu o rosto com o véu.
34. Quando Moisés ia até Javé, para falar com ele, retirava o véu até a hora de sair; e ao sair, comunicava aos filhos de Israel o que Deus havia mandado.
35. Os filhos de Israel viam que o rosto de Moisés estava resplandecente. Depois, Moisés cobria o rosto com o véu, até voltar para falar de novo com Javé.

[Êxodo 35]7. EXECUÇÃO DAS LEIS DO SANTUÁRIO

Êxodo 35

O DESCANSO SEMANAL
1. Moisés convocou toda a comunidade dos filhos de Israel, e lhes disse: "Eis o que Javé manda vocês fazerem:
2. 'Vocês podem trabalhar durante seis dias; o sétimo dia, porém, é para vocês o dia de descanso solene em honra de Javé. Quem trabalhar no dia de sábado, será réu de morte'.
3. No dia de sábado, vocês não acenderão fogo em nenhuma das casas de vocês".

COLETA DOS MATERIAIS
4. Moisés disse para toda a comunidade dos filhos de Israel: "Eis o que Javé ordenou:
5. 'Façam para Javé uma coleta. Quem tiver coração generoso, ofereça, como tributo a Javé, ouro, prata e bronze;
6. púrpura violeta, vermelha e escarlate; linho fino e pêlo de cabra;
7. peles de carneiro curtidas, couro fino e madeira de acácia;
8. azeite para a lâmpada, aromas para o óleo da unção e para o incenso aromático;
9. pedras de ônix e pedras de engaste para o efod e o peitoral'.
10. Todos os que forem habilidosos venham executar o que Javé ordenou:
11. o santuário, sua tenda e cobertura, seus ganchos, tábuas, vergas, colunas e bases;
12. a arca e seus varais, a placa de ouro e o véu;
13. a mesa com seus varais, todos os seus acessórios, e os pães oferecidos a Deus;
14. o candelabro da iluminação com seus acessórios; as lâmpadas e o azeite para a iluminação;
15. o altar do incenso com seus varais, o óleo da unção, as essências aromáticas e a cortina da entrada para o santuário;
16. o altar dos holocaustos com sua grelha de bronze, seus varais com todos os acessórios, e a bacia com sua base;
17. as cortinas do átrio com suas colunas e bases, a cortina da porta do átrio;
18. as estacas do santuário e as estacas do átrio, com suas cordas;
19. as vestes sagradas para oficiar no santuário, isto é, as vestes sagradas para o sacerdote Aarão e as vestes dos filhos dele, para o exercício do sacerdócio".
20. Então toda a comunidade dos filhos de Israel retirou-se da presença de Moisés.
21. Depois, todos os homens generosos, que se sentiam animados, levaram tributos a Javé, para as obras da tenda da reunião, para seu culto e para as vestes sagradas.
22. Chegaram homens e mulheres, e entregaram generosamente fivelas, pingentes, anéis, pulseiras e todo tipo de objetos de ouro, e cada um os oferecia ritualmente diante de Javé.
23. Aqueles que possuíam, levaram púrpura violeta, vermelha ou escarlate, linho fino, pêlo de cabra, peles de carneiro curtidas e couro fino.
24. Os que desejavam oferecer tributo de prata e bronze, o levaram a Javé; e quem possuía madeira de acácia levou-a para os diversos usos.
25. As mulheres habilidosas levaram o que haviam fiado com suas próprias mãos: púrpura violeta, vermelha e escarlate, e linho fino.
26. Todas as mulheres, hábeis e dispostas a ajudar, teceram o pêlo de cabra.
27. Os chefes levaram pedras de ônix e pedras de engaste para o efod e o peitoral,
28. os aromas e o azeite para a iluminação, para o óleo da unção e para o incenso aromático.
29. Todos os homens e mulheres dos filhos de Israel, que sentiam generosidade para contribuir com as diversas tarefas que Javé havia mandado Moisés fazer, levaram para Javé sua oferta espontânea.

OS OPERÁRIOS DO SANTUÁRIO
30. Moisés disse aos filhos de Israel: "Javé escolheu Beseleel, filho de Uri, filho de Hur, da tribo de Judá,
31. e o encheu de dotes sobre-humanos, de sabedoria, de destreza e habilidade em seu ofício,
32. capaz de fazer projetos e de lavrar ouro, prata e bronze,
33. de lapidar e engastar pedras, entalhar madeira e realizar todo tipo de trabalho.
34. Também lhe deu talento para ensinar outros, assim como a Ooliab, filho de Aquisamec, da tribo de Dã.
35. Dotou-os de habilidade para projetar e realizar qualquer tipo de obra: bordar púrpura violeta, vermelha ou escarlate, em linho fino, e projetar e realizar todo tipo de trabalhos.

[Êxodo 36]Êxodo 36

1. Beseleel, Ooliab e todos os artesãos, a quem Javé tinha dado habilidade e destreza para executar os diversos trabalhos do santuário, realizaram o que Javé havia ordenado.
2. Moisés convocou Beseleel, Ooliab e todos os artesãos, aos quais Javé havia dado habilidade e que estavam dispostos a colaborar na execução do projeto.
3. Entregou-lhes pessoalmente todos os tributos levados pelos filhos de Israel para que executassem os diversos trabalhos do santuário. Os filhos de Israel, todas as manhãs, continuaram levando ofertas espontâneas.
4. Um dia, os artesãos que trabalhavam no santuário deixaram seus trabalhos, e foram
5. dizer a Moisés: "O povo está trazendo mais do que é necessário para realizar os diversos trabalhos que Javé ordenou."
6. Então Moisés mandou dizer no acampamento: "Nem homem, nem mulher, que ninguém mais prepare nem leve tributos para o santuário." Então o povo parou de levar as coisas.
7. O que haviam trazido era mais do que suficiente para realizar as obras.

AS CORTINAS DO SANTUÁRIO
8. Todos os artesãos que colaboravam fizeram o santuário com dez cortinas de linho fino retorcido, de púrpura violeta, vermelha e escarlate, com querubins bordados.
9. Cada cortina tinha catorze metros de comprimento por dois de largura: todas tinham a mesma medida.
10. Cinco cortinas estavam unidas uma à outra; e as outras cinco também estavam unidas entre si.
11. Fizeram laços de púrpura violeta na franja da primeira cortina que estava na extremidade do conjunto; e fizeram o mesmo na franja da cortina que estava na extremidade do outro conjunto.
12. Fizeram cinqüenta laçadas na primeira cortina e cinqüenta laçadas na extremidade da cortina que estava no outro conjunto, de modo que as laçadas se correspondiam entre si.
13. Fizeram também cinqüenta colchetes de ouro e uniram com eles as duas cortinas, de modo que o santuário formava uma unidade.
14. Fizeram também onze peças de pêlo de cabra, para que servissem de cobertura para o santuário.
15. Cada peça media quinze metros de comprimento por dois de largura; as onze peças tinham a mesma medida.
16. Uniram cinco cortinas numa peça e seis cortinas em outra.
17. Fizeram cinqüenta laçadas na franja da primeira cortina, bem na extremidade do primeiro conjunto, e outras cinqüenta laçadas na franja da cortina do outro conjunto.
18. Fizeram também cinqüenta colchetes de bronze para unir a tenda, formando assim um todo.
19. Fizeram para a tenda uma cobertura de peles de carneiro curtidas, e uma cobertura de couro fino por cima.

A ARMAÇÃO DO SANTUÁRIO
20. Fizeram para o santuário tábuas de madeira de acácia, para colocá-las em posição vertical.
21. Cada tábua tinha cinco metros de comprimento por setenta e cinco centímetros de largura.
22. Cada tábua tinha dois encaixes travados um no outro; fizeram assim com todas as tábuas do santuário.
23. Colocaram-nas do seguinte modo: vinte tábuas para o lado do Negueb, para o sul;
24. e debaixo delas fizeram quarenta bases de prata: duas bases debaixo de cada tábua para seus dois encaixes.
25. No outro lado do santuário, no lado norte, ergueram vinte tábuas sobre quarenta bases de prata:
26. duas bases para cada tábua.
27. Para o fundo do santuário, do lado oeste, ergueram seis tábuas;
28. puseram também duas tábuas para os cantos do fundo do santuário.
29. Ficaram unidas pela parte de baixo até a parte de cima, na altura da primeira argola: as duas tábuas formavam assim os ângulos de fundo do santuário.
30. Havia, portanto, oito tábuas com suas dezesseis bases de prata, duas para cada tábua.
31. Fizeram também cinco travessas de madeira de acácia
32. para as tábuas de cada lado, e cinco para o lado do fundo, no lado do mar.
33. A travessa central ficou na metade das tábuas, atravessando-as de um extremo a outro.
34. Revestiram as tábuas com ouro, e fizeram de ouro também as argolas, por onde passavam as travessas; e cobriram de ouro também as travessas.

O VÉU DO SANTUÁRIO
35. Fizeram ainda um véu de púrpura violeta, vermelha e escarlate, e de linho fino retorcido. Fizeram nele um bordado com figuras de querubins,
36. e o colocaram sobre quatro colunas de madeira de acácia cobertas de ouro e providas de ganchos de ouro, assentadas sobre quatro bases de prata.
37. Fizeram também, para a entrada da tenda, uma cortina de púrpura violeta, vermelha e escarlate, e de linho fino retorcido,
38. com suas cinco colunas e respectivos ganchos; e revestiram de ouro os capitéis e as molduras. Suas cinco bases eram de bronze.

[Êxodo 37]Êxodo 37

A ARCA DA ALIANÇA
1. Beseleel fez a arca de madeira de acácia, com cento e vinte e cinco centímetros de comprimento, por setenta e cinco de largura e setenta e cinco de altura.
2. Revestiu a arca de ouro puro, por dentro e por fora; ao redor dela, aplicou uma moldura de ouro.
3. Fundiu para ela quatro argolas de ouro e as colocou nos quatro cantos inferiores da arca, duas de cada lado.
4. Fez também varais de madeira de acácia e revestiu-os de ouro,
5. e enfiou os varais nas argolas em cada lado da arca, para poder transportá-la.
6. Fez também uma placa de ouro puro, com cento e vinte e cinco centímetros de comprimento por setenta e cinco de largura.
7. Nas duas extremidades da placa fez dois querubins de ouro batido:
8. um em cada extremidade da placa,
9. cobrindo-a com as asas estendidas para cima. Eles estavam diante um do outro, olhando para o centro da placa.

A MESA DOS PÃES OFERECIDOS A DEUS
10. Fez a mesa de madeira de acácia com cem centímetros de comprimento, por cinqüenta de largura e setenta e cinco de altura.
11. Revestiu-a de ouro puro e aplicou ao redor uma moldura de ouro.
12. Fez ao redor dela um enquadramento, com um palmo de largura; e, ao redor do enquadramento, uma moldura de ouro.
13. Fez também quatro argolas de ouro e colocou-as nos quatro cantos formados pelos quatro pés.
14. As argolas, por onde passavam os varais para se carregar a arca, ficavam junto às molduras.
15. Fez os varais de madeira de acácia e os revestiu de ouro, para se transportar a mesa.
16. Fez também os utensílios para a mesa: os pratos e bandejas, as jarras e copos para as libações: tudo de ouro puro.

O CANDELABRO
17. Fez o candelabro de ouro puro; era todo de ouro batido: pedestal, haste, cálices, botões e flores formavam com ele uma só peça.
18. De seus lados saíam seis braços, três de cada lado.
19. Cada braço tinha três cálices com o formato de flor de amêndoa, com botão e flor; e três cálices com flor de amêndoa no outro lado, com botão e flor. Assim eram os seis braços saindo do candelabro.
20. O candelabro tinha quatro cálices com formato de flor de amêndoa, com botão e flor:
21. um botão sob os dois primeiros braços que saíam do candelabro, um botão sob os dois braços seguintes, e um botão sob os dois últimos braços; assim eram feitos os seis braços que saíam do candelabro.
22. Os botões e os braços formavam uma só peça com o candelabro, e tudo era feito num só bloco de ouro batido.
23. Fez também sete lâmpadas: e seus acendedores e apagadores eram de ouro puro.
24. Usou trinta quilos de ouro para fazer o candelabro com seus acessórios.

O ALTAR DO INCENSO
25. Fez também de madeira de acácia um altar para queimar incenso. Era quadrado e tinha cinqüenta centímetros de comprimento por cinqüenta de largura, com um metro de altura; as pontas formavam uma só peça com ele.
26. Revestiu de ouro puro sua parte superior, as paredes ao redor e as pontas, e fez ao redor uma moldura de ouro.
27. Fez também duas argolas de ouro nos dois lados, e nelas se enfiavam os varais para transportar o altar.
28. Os varais eram feitos de madeira e revestidos de ouro.
29. Preparou também o óleo para a unção sagrada e o incenso perfumado, de acordo com a receita de perfumista.

[Êxodo 38]Êxodo 38

O ALTAR DOS HOLOCAUSTOS
1. Fez de madeira de acácia também o altar dos holocaustos: era quadrado e media dois metros e meio de lado e um metro e meio de altura.
2. Nos quatro cantos, fez saliências curvas, que formavam uma só peça com o altar, e as revestiu de bronze.
3. Fez também todos os acessórios do altar: os recipientes para recolher cinzas, as pás, bacias, garfos e braseiros, tudo de bronze.
4. Fez para o altar uma grelha de bronze em forma de rede, e a colocou debaixo da borda externa do altar, de modo que a grelha chegava até o meio do altar.
5. Fundiu quatro argolas nos quatro cantos da grelha de bronze, a fim de que servissem de aberturas para os varais.
6. Fez os varais de madeira de acácia e os revestiu de bronze.
7. Enfiou os varais nas argolas, que estavam dos lados do altar, para poder transportá-lo. Fez de tábuas o altar oco.

A BACIA
8. Com os espelhos das mulheres que serviam à entrada da tenda da reunião, fez uma bacia de bronze, com a base de bronze.

O ÁTRIO DO SANTUÁRIO
9. Fez assim o átrio do santuário: no lado do Negueb, lado sul, fixou cortinas de linho fino retorcido, com cinqüenta metros de comprimento.
10. Suas vinte colunas, com as vinte bases, eram de bronze; os ganchos das colunas e suas vergas eram de prata.
11. No lado norte, fixou cortinas com cinqüenta metros de comprimento; suas vinte colunas, com as vinte bases, eram de bronze; os ganchos das colunas e suas vergas eram de prata.
12. No lado do mar, com dez colunas e dez bases fixou cortinas com vinte e cinco metros de comprimento; os ganchos das colunas e suas vergas eram de prata.
13. No lado leste, o átrio tinha uma largura de vinte e cinco metros:
14. de um lado da entrada do átrio, fixou cortinas com sete metros e meio, em três colunas e três bases.
15. Do outro lado da entrada, fixou cortinas com sete metros e meio, em três colunas e três bases.
16. Todas as cortinas, ao redor do átrio, eram de linho fino retorcido.
17. As bases das colunas eram de bronze, e os ganchos das colunas e seus varais eram de prata. O revestimento dos capitéis era de prata, e todas as colunas do átrio tinham vergas de prata.
18. A cortina da entrada do átrio era bordada e feita de púrpura violeta, vermelha e escarlate, e de linho fino retorcido: tinha dez metros de comprimento por dois metros e meio de altura, como as cortinas do átrio.
19. Suas quatro colunas e bases eram de bronze, e seus ganchos eram de prata; o revestimento dos capitéis e vergas era de prata.
20. Todas as estacas que rodeavam o átrio do santuário eram de bronze.

AS DESPESAS DO SANTUÁRIO
21. São estes os gastos da construção do santuário da aliança, registrados pelos levitas, por ordem de Moisés e sob a direção de Itamar, filho do sacerdote Aarão.
22. Beseleel, filho de Uri, filho de Hur, da tribo de Judá, fez tudo o que Javé tinha ordenado a Moisés.
23. Foi ajudado por Ooliab, filho de Aquisamec, da tribo de Dã, que era artesão, desenhista, bordador em púrpura violeta, vermelha e escarlate, e em linho fino.
24. O total do ouro empregado na construção do santuário, ouro que veio das ofertas, foi de oitocentos e setenta e oito quilos, conforme o peso que está no santuário.
25. A prata recolhida dos recenseados foi de três mil e dezoito quilos, conforme o peso que está no santuário:
26. cinco gramas de prata, conforme o peso que está no santuário, por pessoa registrada no recenseamento, de vinte anos para cima, isto é, seicentos e três mil, quinhentos e cinqüenta homens.
27. Foram empregados três mil quilos de prata na fundição das bases do santuário e da cortina, à razão de trinta quilos por base.
28. Com os dezoito quilos restantes foram feitos os ganchos e capitéis das colunas, e também as vergas.
29. O bronze das ofertas pesou dois mil cento e vinte e quatro quilos.
30. Foi tudo empregado para fazer as bases da entrada da tenda da reunião, o altar de bronze com a grelha de bronze e todos os acessórios do altar,
31. as bases do átrio ao redor, as bases da entrada do átrio, e todas as estacas do recinto do átrio.

[Êxodo 39]Êxodo 39

AS VESTES SACERDOTAIS
1. Fizeram os ornamentos sagrados para o serviço do santuário com púrpura violeta, vermelha e escarlate, e com linho fino retorcido. Do mesmo material fizeram as vestes sagradas para Aarão, conforme Javé tinha ordenado a Moisés.

O EFOD
2. Fizeram o efod de ouro, de púrpura violeta, vermelha e escarlate, e de linho fino retorcido.
3. Bateram o ouro em lâminas finas e as cortaram em tiras para trançá-las com a púrpura violeta, vermelha e escarlate, e com o linho fino retorcido, num trabalho artístico.
4. Tinha duas ombreiras unidas pelas extremidades.
5. O cinto que estava por cima para amarrá-lo, formando uma única peça com ele, era da mesma confecção: ouro, púrpura violeta, vermelha e escarlate, e linho fino retorcido, conforme Javé tinha ordenado a Moisés.
6. Prepararam as pedras de ônix engastadas em ouro e gravaram nelas, como num selo, o nome dos filhos de Israel.
7. E as colocaram sobre as ombreiras do efod, como símbolo dos filhos de Israel, conforme Javé tinha ordenado a Moisés.

O PEITORAL
8. Fizeram artisticamente o peitoral, bordado como o efod: de ouro, de púrpura violeta, vermelha e escarlate, e de linho fino retorcido.
9. Era quadrado e duplo, com um palmo de comprimento e um de largura.
10. Colocaram nele engastes de pedras, dispostos em quatro filas: na primeira fila, uma sardônica, um topázio e uma esmeralda;
11. na segunda fila, um carbúnculo, uma safira e um diamante;
12. na terceira fila, um jacinto, uma ágata e uma ametista;
13. na quarta, um berilo, um ônix e um jaspe. As pedras eram guarnecidas de ouro nos seus engastes.
14. Elas correspondiam aos doze nomes dos filhos de Israel. Cada pedra era gravada como um selo, com o nome de cada uma das doze tribos.
15. Fizeram também, para o peitoral, correntes de ouro puro, trançadas como cordões,
16. e também dois engastes e duas argolas de ouro; e as fixaram nas extremidades do peitoral.
17. Passaram as duas correntes de ouro pelas duas argolas, nas extremidades do peitoral.
18. Nos dois engastes, fixaram as duas pontas das correntes, e as colocaram nas ombreiras do efod, na parte da frente.
19. Fizeram duas argolas de ouro e as colocaram nas duas pontas inferiores do peitoral, junto ao efod.
20. Fizeram também duas argolas de ouro e as colocaram nas duas ombreiras do efod, na parte inferior dianteira, perto de sua juntura, sobre o cinto do efod.
21. Juntaram o peitoral, através de suas argolas, com as argolas do efod com um cordão de púrpura violeta, para que ficasse por cima do cinto do efod e não se desprendesse do efod, conforme Javé tinha ordenado a Moisés.

O MANTO
22. Depois fizeram o manto do efod; era todo tecido de púrpura violeta.
23. Havia uma abertura no meio do manto, como a abertura de um colete. A abertura tinha à sua volta uma barra que não se rasgava.
24. Na parte inferior do manto colocaram romãs de púrpura violeta, vermelha e escarlate, e de linho fino retorcido.
25. Fizeram também campainhas de ouro e colocaram as campainhas entre as romãs.
26. Havia uma campainha entremeada com uma romã em toda a volta, na parte inferior do manto que se usava para o serviço religioso, conforme Javé tinha ordenado a Moisés.

AS VESTES DOS SACERDOTES
27. Para Aarão e seus filhos fizeram também túnicas tecidas de linho fino,
28. turbante e gorros com enfeites, e calções de linho fino retorcido.
29. O cinto era de linho fino retorcido, púrpura violeta, vermelha e escarlate, conforme Javé tinha ordenado a Moisés.

O SINAL DA CONSAGRAÇÃO
30. Em seguida, fizeram de ouro puro a flor, sinal da santa consagração, e nela gravaram como num selo: "Consagrado a Javé".
31. Amarraram a flor com um cordão de púrpura violeta, de modo que ficasse sobre o turbante, na parte da frente, conforme Javé tinha ordenado a Moisés.
32. Desse modo, terminaram os trabalhos do santuário e da tenda da reunião. E os filhos de Israel fizeram tudo o que Javé tinha ordenado a Moisés.

APRESENTAÇÃO DA OBRA A MOISÉS
33. Apresentaram a Moisés o santuário a tenda e todos os seus acessórios: argolas, tábuas, travessas, colunas e bases;
34. a cobertura de pele de carneiro curtida, a cobertura de couro fino e o véu protetor;
35. a arca da aliança com os varais e a placa;
36. a mesa com seus utensílios e com os pães oferecidos a Deus;
37. o candelabro de ouro puro com as lâmpadas em ordem, com seus acessórios e com o azeite para as lâmpadas;
38. o altar de ouro, o óleo da unção, o incenso aromático e o véu para a entrada da tenda;
39. o altar de bronze com a grelha de bronze, os varais com todos os seus acessórios; a bacia com sua base;
40. as cortinas do átrio com suas colunas e bases; o véu para a entrada do átrio com suas cordas e estacas, e com todos os utensílios para o serviço no santuário da tenda da reunião;
41. as vestes sagradas para oficiar no santuário e as vestes sagradas para o sacerdote Aarão e seus filhos exercerem o sacerdócio.
42. Os filhos de Israel fizeram todos os trabalhos conforme Javé tinha ordenado a Moisés.
43. Moisés examinou todo o trabalho e viu que tinham feito conforme Javé tinha ordenado. E Moisés os abençoou.

[Êxodo 40]Êxodo 40

CONSAGRAÇÃO DO SANTUÁRIO
1. Javé falou a Moisés:
2. "No dia primeiro do primeiro mês, construa o santuário da tenda da reunião.
3. Coloque nele a arca da aliança e a feche com o véu.
4. Coloque a mesa e nela os pães. Coloque o candelabro e acenda as lâmpadas.
5. Coloque o altar de ouro diante da arca da aliança, e instale o véu na entrada do santuário.
6. Coloque o altar dos holocaustos diante da entrada do santuário da tenda da reunião.
7. Coloque a bacia entre a tenda da reunião e o altar; depois a encha com água.
8. Coloque o átrio ao redor e a cortina na entrada do átrio.
9. Pegue o óleo da unção e unja o santuário e tudo o que está dentro dele; consagre o santuário e todos os seus utensílios, e ele ficará consagrado.
10. Unja o altar dos holocaustos com seus utensílios, e o altar ficará santíssimo.
11. Unja a bacia e a sua base, consagrando-as.
12. Depois, faça com que Aarão e seus filhos se aproximem da entrada da tenda da reunião. Lave-os com água
13. e vista Aarão com as vestes sagradas. Unja-o e consagre-o, para que exerça o meu sacerdócio.
14. Faça os filhos dele se aproximarem e vista-os com as túnicas.
15. Unja-os, como você ungiu o pai deles, para que exerçam o meu sacerdócio. A unção lhes conferirá o sacerdócio perpétuo em todas as suas gerações".

EXECUÇÃO DAS ORDENS
16. Moisés fez tudo conforme Javé lhe tinha ordenado.
17. No dia primeiro do primeiro mês do segundo ano, construíram o santuário.
18. Moisés construiu o santuário, colocou as bases, fixou as tábuas com as travessas, e ergueu as colunas.
19. Estendeu a tenda sobre o santuário e colocou por cima a cobertura da tenda, conforme Javé lhe tinha ordenado.
20. Colocou o documento da aliança na arca; colocou os varais na arca e a placa de ouro em cima da arca.
21. Introduziu a arca no santuário e colocou o véu para ocultar a arca da aliança, conforme Javé lhe tinha ordenado.
22. Colocou a mesa na tenda da reunião, na parte norte do santuário e do lado de fora do véu,
23. e colocou sobre ela os pães oferecidos a Deus, conforme Javé lhe tinha ordenado.
24. Colocou o candelabro na tenda da reunião, na parte sul do santuário, diante da mesa;
25. acendeu as lâmpadas na presença de Javé, conforme Javé lhe tinha ordenado.
26. Colocou o altar de ouro na tenda da reunião, diante do véu,
27. e em cima dele queimou o incenso aromático, conforme Javé lhe tinha ordenado.
28. Depois colocou o véu na entrada do santuário.
29. Colocou o altar dos holocaustos na entrada do santuário da tenda da reunião, e sobre ele ofereceu o holocausto e a oferta, conforme Javé lhe tinha ordenado.
30. Colocou a bacia entre a tenda da reunião e o altar, enchendo-a com água para as abluções.
31. Moisés, com Aarão e os filhos deste, lavavam as mãos e os pés,
32. quando entravam na tenda da reunião ou quando se aproximavam do altar, conforme Javé tinha ordenado a Moisés.
33. Ao redor do santuário e do altar, Moisés levantou o átrio; e colocou a cortina na entrada. Desse modo, Moisés terminou os trabalhos.

A GLÓRIA DE DEUS
34. Então a nuvem cobriu a tenda da reunião, e a glória de Javé encheu o santuário.
35. Moisés não pôde entrar na tenda da reunião, porque a nuvem tinha pousado sobre ela e a glória de Javé enchia o santuário.
36. Em todas as etapas da viagem, os filhos de Israel punham-se em movimento sempre que a nuvem se elevava acima do santuário.
37. Mas, se a nuvem não se elevava, também eles não partiam, enquanto ela não se elevasse.
38. De dia, a nuvem de Javé pousava sobre o santuário; e, de noite, dentro dele havia um fogo, que era visto por toda a casa de Israel, durante todo o tempo da sua viagem.


[Levítico 1]Levítico 1
I. RITUAL DOS SACRIFÍCIOS

OS HOLOCAUSTOS
1. Javé chamou Moisés, e da tenda da reunião lhe falou:
2. "Diga aos filhos de Israel: Quando alguém de vocês apresentar uma oferta a Javé, ofereça um animal grande ou pequeno.
3. Se for holocausto de animal grande, ofereça um macho sem defeito, e o leve à entrada da tenda da reunião, para que seja aceito por Javé.
4. Coloque a mão sobre a cabeça da vítima, e ela será aceita como expiação.
5. Em seguida, imole o bezerro diante de Javé. Os sacerdotes, filhos de Aarão, oferecerão o sangue e o derramarão por todos os lados do altar que está na entrada da tenda da reunião.
6. Depois, esfole a vítima e a esquarteje.
7. Os sacerdotes, filhos de Aarão, acenderão o fogo sobre o altar e sobre o fogo empilharão a lenha.
8. Depois colocarão os pedaços de carne, com a cabeça e a gordura, em cima da lenha que está sobre o altar.
9. Lavarão as entranhas e as patas. E o sacerdote queimará tudo sobre o altar. É um holocausto: oferta queimada, de suave odor para Javé.
10. Se for holocausto de animal pequeno, cordeiro ou cabrito, ofereça um macho sem defeito;
11. imole-o no lado norte do altar, diante de Javé. Os sacerdotes, filhos de Aarão, derramarão o sangue por todos os lados do altar.
12. O sacerdote o esquartejará, e colocará as partes, junto com a cabeça e a gordura, em cima da lenha que está sobre o altar.
13. Lavarão as entranhas e as patas. E o sacerdote queimará tudo sobre o altar. É um holocausto: oferta queimada, de suave odor para Javé.
14. Se for holocausto de aves, a oferta será de uma rola ou de um pombinho.
15. O sacerdote a levará até o altar e, destroncando-lhe o pescoço, a queimará sobre o altar, depois de deixar seu sangue escorrer sobre a parede do altar.
16. Tirará o papo e as penas, atirando-os para o leste do altar, em cima das cinzas.
17. Dividirá pelo meio a ave, uma asa de cada lado, mas sem separar as partes. Então o sacerdote queimará a ave no altar, em cima da lenha que está sobre o fogo. É um holocausto: oferta queimada, de suave odor para Javé.

[Levítico 2]Levítico 2

AS OBLAÇÕES
1. Quando alguém fizer uma oblação a Javé, sua oferta será de flor de farinha; sobre ela derramará azeite e colocará incenso.
2. A pessoa levará a oferta aos sacerdotes, filhos de Aarão, e um deles pegará um punhado de flor de farinha, com o azeite e todo o incenso, e queimará sobre o altar como memorial. É uma oferta queimada, de suave odor para Javé.
3. O resto ficará para Aarão e seus filhos. É a porção sagrada da oblação para Javé.
4. Quando você oferecer uma oblação cozida no forno, ela será de roscas sem fermento, feitas de flor de farinha amassada com azeite; ou de bolinhos sem fermento, untados com azeite.
5. Se a oblação for cozida na assadeira, ela será de flor de farinha sem fermento, amassada com azeite.
6. Você a partirá em pedaços e por cima derramará azeite. É uma oblação.
7. Se a oblação for cozida na panela, a flor de farinha será preparada com azeite.
8. Leve a oblação para Javé, entregando ao sacerdote, que a colocará junto do altar.
9. O sacerdote tirará uma parte como memorial, e a queimará no altar. É uma oblação de suave odor para Javé.
10. O resto da oblação será de Aarão e seus filhos. É a porção sagrada da oblação para Javé.
11. Nenhuma oblação que vocês fizerem a Javé será preparada com fermento, porque nada que contenha fermento ou mel será queimado em oblação para Javé.
12. Vocês poderão oferecer essas coisas a Javé como primícias, mas não as colocarão sobre o altar como perfume de suave odor.
13. Coloquem sal em toda oblação que oferecerem. Não deixem de colocar na oblação o sal da aliança do seu Deus. Todas as oblações serão oferecidas com sal.
14. Se você fizer uma oblação de primícias para Javé, ela deverá ser de grãos de espigas tostadas ao fogo ou de pão cozido com grãos moídos.
15. Sobre ela, você derramará azeite e colocará incenso, pois é uma oblação.
16. O sacerdote queimará, como memorial, uma parte do pão com o azeite e todo o incenso. É uma oblação para Javé.

[Levítico 3]Levítico 3

OS SACRIFÍCIOS DE COMUNHÃO
1. Se for sacrifício de comunhão, e se você oferecer para Javé animal grande, macho ou fêmea, ele deverá ser sem defeito.
2. Coloque a mão sobre a cabeça da vítima e imole-a na entrada da tenda da reunião. Em seguida os sacerdotes, filhos de Aarão, derramarão o sangue por todos os lados do altar.
3. Do sacrifício de comunhão, ofereça para Javé a gordura que cobre as entranhas e toda a gordura das entranhas,
4. os dois rins com a gordura, a gordura que envolve os lombos e a massa gordurosa tirada do fígado e dos rins.
5. Os filhos de Aarão queimarão essa parte no altar, em cima do holocausto, em cima da lenha colocada sobre o fogo. É uma oferta queimada, de suave odor para Javé.
6. Se alguém oferecer um animal pequeno como sacrifício de comunhão para Javé, deverá oferecer um macho ou uma fêmea sem defeito.
7. Se oferecer um cordeiro, leve-o à presença de Javé.
8. Coloque a mão sobre a cabeça da vítima e imole-a diante da tenda da reunião. Os sacerdotes, filhos de Aarão, derramarão o sangue por todos os lados do altar.
9. Do sacrifício de comunhão, ofereçam para Javé a gordura: a cauda inteira, que será cortada rente à espinha dorsal, a gordura que cobre as entranhas e toda a gordura das entranhas,
10. os dois rins com a gordura, a gordura que envolve os lombos e a massa gordurosa tirada do fígado e dos rins.
11. O sacerdote queimará essa parte sobre o altar como alimento, como oferta queimada para Javé.
12. Se a oferta for uma cabra, leve-a diante de Javé.
13. Coloque a mão sobre a cabeça da vítima e imole-a diante da tenda da reunião. Os filhos de Aarão derramarão o sangue por todos os lados do altar.
14. Da vítima, ofereçam para Javé a gordura que cobre as entranhas, toda a gordura das entranhas,
15. os dois rins com a gordura, a gordura que envolve os lombos e a massa gordurosa tirada do fígado e dos rins.
16. O sacerdote queimará sobre o altar esses pedaços como alimento, como oferta queimada, de suave odor. Toda a gordura pertence a Javé.
17. É uma lei perpétua para todos os descendentes de vocês, em qualquer lugar onde estiverem morando: não comam gordura nem sangue".

[Levítico 4]Levítico 4

O SACRIFÍCIO PELO PECADO
1. Javé falou a Moisés:
2. "Diga aos filhos de Israel: Este é o caso de alguém que transgride sem querer algum dos mandamentos de Javé, fazendo uma coisa proibida:

PECADO DO SUMO SACERDOTE
3. Se foi o sacerdote consagrado quem cometeu a violação, comprometendo assim todo o povo, ele deverá oferecer para Javé, pela violação cometida, um bezerro, animal grande, sem defeito.
4. Levará o bezerro diante de Javé, à entrada da tenda da reunião, colocará a mão sobre a cabeça do animal e o imolará diante de Javé.
5. Depois o sacerdote consagrado pegará sangue do bezerro e o levará à tenda da reunião.
6. Molhará o dedo no sangue e fará sete aspersões na frente do véu do santuário, diante de Javé.
7. O sacerdote colocará então um pouco desse sangue sobre os cantos do altar do incenso que se queima diante de Javé na tenda da reunião, e derramará todo o sangue do bezerro na base do altar dos holocaustos, que se encontra na entrada da tenda da reunião.
8. O sacerdote tirará toda a gordura do bezerro da expiação: a gordura que cobre as entranhas, toda a gordura das entranhas,
9. os dois rins e os lombos com sua gordura, a massa gordurosa tirada do fígado e dos rins,
10. tudo conforme a parte reservada no sacrifício de comunhão. E o sacerdote queimará essas partes sobre o altar dos holocaustos.
11. O couro do bezerro e toda a sua carne, com a cabeça, patas, entranhas e excremento,
12. isto é, o bezerro todo será levado para fora do acampamento, para um lugar puro, onde se jogam as cinzas, e será queimado sobre a lenha. Deverá ser queimado no lugar em que se jogam as cinzas.

PECADO DA COMUNIDADE
13. Se foi a comunidade toda de Israel que, sem querer, violou alguma coisa proibida pelos mandamentos de Javé, tornando-se por isso culpada, mas sem tomar consciência do fato,
14. ao se dar conta da violação cometida, a comunidade oferecerá, em sacrifício pelo pecado, um bezerro, animal grande e sem defeito. Ele será levado diante da tenda da reunião,
15. e, diante de Javé, os anciãos da comunidade colocarão as mãos sobre a cabeça do bezerro e o imolarão diante de Javé.
16. Em seguida, o sacerdote consagrado levará um pouco do sangue do bezerro para a tenda da reunião.
17. Molhará o dedo no sangue e fará sete aspersões na frente do véu, diante de Javé.
18. Ungirá com sangue os cantos do altar, que se encontra diante de Javé na tenda da reunião, e depois derramará todo o sangue na base do altar dos holocaustos, que está na entrada da tenda da reunião.
19. Depois tirará do animal toda a gordura e a queimará no altar.
20. Fará com esse bezerro como se faz com o do sacrifício pelo pecado. Assim o sacerdote fará o rito pelos membros da comunidade, e eles serão perdoados.
21. Depois mandará levar o bezerro para fora do acampamento e o queimará, como o bezerro anterior. Esse é o sacrifício pelo pecado da comunidade.

PECADO DE UM CHEFE
22. Se foi um chefe quem, sem querer, violou alguma coisa proibida pelos mandamentos de Javé, seu Deus, tornando-se por isso culpado,
23. ao se dar conta da violação cometida, levará como oferta um bode sem defeito.
24. Colocará a mão sobre a cabeça do bode e o imolará diante de Javé, no lugar onde se imolam os holocaustos. É um sacrifício pelo pecado:
25. o sacerdote molhará o dedo no sangue da vítima e ungirá os cantos do altar dos holocaustos. Depois derramará o sangue na base do altar dos holocaustos
26. e queimará toda a gordura sobre o altar, como se faz com a gordura do sacrifício de comunhão. O sacerdote assim fará pela violação do chefe, e este ficará perdoado.

PECADO DE UM HOMEM DO POVO
27. Se foi um homem do povo da terra quem pecou sem querer, praticando alguma coisa proibida pelos mandamentos de Javé, tornando-se por isso culpado,
28. ao se dar conta da violação cometida, levará uma cabra sem defeito, como oferta pelo pecado.
29. Colocará a mão sobre a cabeça da vítima e a imolará no lugar onde se imolam os holocaustos.
30. O sacerdote molhará o dedo no sangue da vítima e ungirá os cantos do altar dos holocaustos. Depois derramará todo o sangue na base do altar.
31. Em seguida tirará toda a gordura, como se faz pelo sacrifício de comunhão, e a queimará sobre o altar, como suave odor para Javé. O sacerdote fará, assim, o rito pelo pecado desse homem, e este ficará perdoado.
32. Se alguém oferecer uma ovelha como sacrifício pelo pecado, ela será sem defeito.
33. Colocará a mão sobre a cabeça da vítima e a imolará, em sacrifício pelo pecado, no lugar onde se imolam os holocaustos.
34. O sacerdote molhará o dedo no sangue da vítima e ungirá os cantos do altar dos holocaustos. Depois derramará o sangue todo na base do altar.
35. Em seguida, tirará toda a gordura, como se faz com o cordeiro de um sacrifício de comunhão, e queimará essas partes no altar, em cima das ofertas queimadas para Javé. O sacerdote fará, assim, o rito pelo pecado desse homem, e este ficará perdoado.

[Levítico 5]Levítico 5

CASOS ESPECIAIS
1. Se alguém for intimado a depor em juízo, e não denunciar, mesmo sendo testemunha ocular ou informada, peca e incorre em culpa.
2. Ou se alguém, sem se dar conta, tocar em alguma coisa impura, tanto o cadáver de uma fera impura, como o cadáver de um animal doméstico impuro, ou de um réptil impuro, incorre em culpa quando toma consciência do fato.
3. Ou se alguém, sem se dar conta, tocar em pessoa impura, manchada com qualquer tipo de impureza, incorre em culpa quando toma consciência do fato.
4. Ou se alguém, sem se dar conta, jura irresponsavelmente para o mal ou para o bem, como se costuma fazer, incorre em culpa quando toma consciência do fato.
5. Se alguém se tornar culpado por alguma dessas coisas, deverá confessar o pecado cometido;
6. e, como penitência pelo pecado, oferecerá a Javé, pela violação, uma fêmea de gado pequeno, ovelha ou cabra. O sacerdote fará por essa pessoa o rito pelo pecado.
7. Se a pessoa não tiver recursos para oferecer um animal pequeno, como sacrifício pelo pecado que cometeu, levará para Javé duas rolas ou dois pombinhos, um deles para o sacrifício pelo pecado e o outro para o holocausto.
8. A pessoa os levará ao sacerdote, que oferecerá em primeiro lugar o que for destinado em sacrifício pelo pecado. O sacerdote destroncará o pescoço da ave, sem arrancar a cabeça.
9. Com o sangue da vítima borrifará a parede do altar e, em seguida, espremerá o resto do sangue na base do altar. É um sacrifício pelo pecado.
10. Quanto à outra ave, fará um holocausto conforme o ritual. O sacerdote fará, assim, o rito pelo pecado desse homem, e este ficará perdoado.
11. Se a pessoa não tiver recursos para oferecer duas rolas ou dois pombinhos, levará quatro litros e meio de flor de farinha como oferta pelo pecado cometido. Não colocará nela nem azeite nem incenso, pois é um sacrifício pelo pecado.
12. Depois levará a farinha ao sacerdote, que tomará um punhado como memorial, para ser queimado no altar, em cima das ofertas para Javé. É um sacrifício pelo pecado.
13. O sacerdote fará, assim, o rito pelo pecado que um homem cometeu num desses casos, e o pecado ficará perdoado. O resto, como nas ofertas de flor de farinha, pertence ao sacerdote".

O SACRIFÍCIO DE REPARAÇÃO
14. Javé falou a Moisés:
15. "Se alguém cometer uma falta, pegando sem querer alguma coisa consagrada a Javé, oferecerá para Javé, como penitência, um cordeiro sem defeito, avaliado em vinte gramas de prata, conforme o peso-padrão que está no santuário.
16. E quem tiver pego, restituirá o dano com o acréscimo de um quinto, e o entregará ao sacerdote. Este fará por ele o rito com o cordeiro do sacrifício de reparação, e ficará perdoado.
17. Se alguém, sem se dar conta, praticar alguma coisa proibida pelos mandamentos de Javé, será responsável e carregará o peso de sua falta.
18. Como sacrifício de reparação, levará ao sacerdote um cordeiro sem defeito, avaliado em proporção com a culpa. O sacerdote fará o rito pelo pecado cometido sem saber, e o pecador ficará perdoado.
19. É um sacrifício de reparação, e esse homem é responsável diante de Javé".
20. Javé falou a Moisés:
21. "Se alguém cometer uma falta contra Javé, recusando devolver ao seu próximo um depósito recebido ou penhor a ele confiado ou alguma coisa roubada ou tirada à força com fraude;
22. ou, se encontrar uma coisa perdida e o negar, jurando falsamente sobre alguma das coisas pelas quais o homem pode pecar;
23. se houver pecado assim, tornando-se por isso culpado, devolverá a coisa roubada, ou tirada à força com fraude, ou o depósito a ele confiado, ou o objeto perdido que tenha encontrado,
24. ou qualquer coisa pela qual tenha jurado em falso. Fará a restituição integral, acrescentando um quinto, e o devolverá ao proprietário no mesmo dia em que oferecer o sacrifício de reparação.
25. Como sacrifício de reparação em honra de Javé, levará ao sacerdote um cordeiro sem defeito, avaliado em proporção com a culpa.
26. O sacerdote fará por ele o rito diante de Javé e o perdoará de qualquer falta que tenha cometido".

[Levítico 6]Levítico 6

NORMAS PARA OS SACERDOTES
1. Javé falou a Moisés:
2. "Dê estas ordens a Aarão e seus filhos:

RITUAL DO HOLOCAUSTO O holocausto ficará queimando sobre o fogo do altar durante a noite até a manhã seguinte, e o fogo do altar será mantido aceso.
3. O sacerdote vestirá sua túnica de linho e um calção de linho. Depois retirará do altar a cinza deixada pelo fogo ao queimar o holocausto, e a deixará junto do altar.
4. Depois mudará as roupas, a fim de transportar essa cinza para um lugar puro, fora do acampamento.
5. O fogo do altar nunca deverá ser apagado. A cada manhã o sacerdote lhe acrescentará mais lenha; colocará sobre ela o holocausto, e nela queimará as gorduras do sacrifício de comunhão.
6. É um fogo perpétuo, que deverá arder sobre o altar, sem nunca se apagar.

RITUAL DA OBLAÇÃO
7. Os filhos de Aarão devem levar a oblação ao altar, diante de Javé.
8. O sacerdote pegará um punhado de flor de farinha com azeite e com todo o incenso colocado sobre a oferta, e queimará tudo no altar, como memorial de suave odor para Javé.
9. O resto da oblação será comido por Aarão e seus filhos; deverá ser comido sem fermento, em lugar santo, no átrio da tenda da reunião.
10. Não cozinharão com fermento a porção que lhes dou das minhas ofertas queimadas. É uma porção sagrada, como no sacrifício pelo pecado e no sacrifício de reparação.
11. Todos os homens dos filhos de Aarão poderão comer dessa porção das ofertas queimadas a Javé. É uma lei perpétua para todas as gerações de vocês. Tudo o que entrar em contato com essas coisas ficará consagrado".
12. Javé falou a Moisés:
13. "Esta é a oblação que Aarão e seus filhos farão a Javé no dia em que forem ungidos: quatro litros e meio de flor de farinha, como oblação perpétua, metade de manhã e metade à tarde.
14. Será preparada na assadeira com azeite, e bem mexida. Será triturada em pedaços que serão oferecidos como perfume de suave odor para Javé.
15. O sacerdote consagrado que suceder a você, fará o mesmo. É uma lei perpétua: a oblação será queimada completamente para Javé.
16. Toda oblação feita por um sacerdote deve ser totalmente queimada; ninguém comerá dela".

RITUAL DO SACRIFÍCIO PELO PECADO
17. Javé falou a Moisés:
18. "Diga a Aarão e seus filhos: A vítima pelo pecado será imolada diante de Javé, no mesmo lugar onde se imola o holocausto. É porção sagrada.
19. O sacerdote que oferecer a vítima poderá comer dela. Deverá comê-la em lugar sagrado, no átrio da tenda da reunião.
20. Tudo o que tocar a carne ficará consagrado. Se o sangue respingar na roupa, a mancha será lavada em lugar sagrado.
21. A vasilha de argila em que a carne foi cozida será quebrada. E se foi cozida numa vasilha de bronze, esta será esfregada e bem lavada com água.
22. Todos os homens sacerdotes poderão comer dela. É porção sagrada.
23. Mas não se comerá nenhuma das vítimas oferecidas pelo pecado, cujo sangue tenha sido levado à tenda da reunião, para ser oferecida no santuário pelo pecado; elas deverão ser queimadas.

[Levítico 7]Levítico 7

RITUAL DO SACRIFÍCIO DE REPARAÇÃO
1. O ritual do sacrifício de reparação é o seguinte. É uma porção sagrada.
2. No lugar onde se imola o holocausto, deverá ser imolada a vítima do sacrifício de reparação, e o sacerdote espalhará o sangue dela por todos os lados do altar.
3. Oferecerá toda a gordura: a cauda, a gordura que cobre as entranhas,
4. os dois rins com sua gordura, a gordura que envolve os lombos, e a massa gordurosa tirada do fígado e dos rins.
5. O sacerdote queimará no altar essas partes, como oblação para Javé. É um sacrifício de reparação:
6. qualquer sacerdote poderá comer dele. Será comido em lugar sagrado, pois é uma porção sagrada.
7. O mesmo rito serve para o sacrifício pelo pecado e para o sacrifício de reparação. A oferta usada para o rito pelo pecado pertence ao sacerdote.
8. O couro da vítima pertence ao sacerdote que oferece o holocausto.
9. Toda oblação cozida no forno, ou preparada em panela ou assadeira, pertence ao sacerdote celebrante.
10. E toda oblação, amassada com azeite, ou seca, pertence indistintamente aos filhos de Aarão.

RITUAL PARA O SACRIFÍCIO DE COMUNHÃO
11. Esta é a lei para o sacrifício de comunhão que se oferecerá a Javé:
12. Se alguém oferece um sacrifício de ação de graças, oferecerá, junto com o sacrifício de comunhão, bolos sem fermento amassados com azeite, bolinhos sem fermento untados com azeite, e flor de farinha embebida em azeite.
13. Além disso, ao sacrifício de comunhão e de ação de graças se acrescentará pão fermentado.
14. De cada uma dessas ofertas, uma parte será oferecida em honra a Javé e pertencerá ao sacerdote que tiver espalhado o sangue da vítima do sacrifício de comunhão.
15. A carne do sacrifício de ação de graças deverá ser comida no mesmo dia em que o sacrifício for oferecido: não deverá sobrar nada para a manhã seguinte.
16. Se a vítima for oferecida como sacrifício votivo ou voluntário, será comida no dia em que for oferecida, ou no dia seguinte.
17. Mas o que sobrar da carne da vítima será queimado no terceiro dia.
18. Se alguém comer no terceiro dia alguma coisa da carne oferecida em sacrifício de comunhão, aquele que a tiver oferecido não será aceito. Seu sacrifício não será levado em conta, pois é carne estragada, e a pessoa que dela comer sofrerá a pena por sua própria culpa.
19. A carne que tiver tocado qualquer coisa impura não poderá ser comida; será jogada no fogo. Quem estiver puro poderá comer a carne do sacrifício de comunhão.
20. Mas se alguém estiver impuro e comer a carne de um sacrifício de comunhão oferecido a Javé, será exterminado do meio do seu povo.
21. Se alguém tocar em alguma coisa impura, seja de homem, animal, seja qualquer outra coisa impura, e em seguida comer a carne de um sacrifício de comunhão oferecido a Javé, será exterminado do meio do seu povo".
22. Javé falou a Moisés:
23. "Fale aos filhos de Israel: Não comam gordura de boi, de carneiro ou de cabra.
24. A gordura de um animal morto ou dilacerado poderá servir para qualquer outro uso; mas de modo nenhum vocês a comerão.
25. Quem comer a gordura de animais oferecidos em sacrifício queimado em honra de Javé, será eliminado do meio do seu povo.
26. Onde quer que vocês habitem, não comerão sangue de aves, nem de animais domésticos.
27. Quem comer qualquer espécie de sangue será eliminado do meio do seu povo".
28. Javé falou a Moisés:
29. "Diga aos filhos de Israel: Quem oferecer um sacrifício de comunhão para Javé, deverá levar uma parte do sacrifício como oferta para Javé.
30. Levará com as próprias mãos as ofertas queimadas a Javé: levará a gordura e o peito, com os quais fará o gesto de apresentação diante de Javé.
31. O sacerdote queimará a gordura no altar, e o peito pertencerá a Aarão e seus filhos.
32. Como tributo dos sacrifícios de comunhão, vocês darão ao sacerdote a coxa direita.
33. A coxa direita é a parte que caberá ao filho de Aarão que tiver oferecido o sangue e a gordura do sacrifício de comunhão;
34. porque, dos sacrifícios de comunhão dos filhos de Israel, eu reservei para mim o peito e a coxa do tributo, e os dou ao sacerdote Aarão e seus filhos: é uma lei perpétua para os filhos de Israel.
35. Essa é a parte de Aarão e de seus filhos entre as ofertas queimadas para Javé, desde o dia em que foram apresentados a Javé para serem seus sacerdotes.
36. Foi isso que Javé ordenou que os filhos de Israel lhes dessem desde o dia em que foram ungidos. É uma lei perpétua para todos os seus descendentes".
37. Esse é o ritual do holocausto, da oblação, do sacrifício pelo pecado, do sacrifício de reparação, do sacrifício de consagração e do sacrifício de comunhão.
38. Foi isso que Javé ordenou a Moisés no monte Sinai, no dia em que ordenou aos filhos de Israel que apresentassem suas ofertas a Javé no deserto do Sinai.

[Levítico 8]Levítico 8
II. CONSAGRAÇÃO DOS SACERDOTES

CERIMÔNIAS DA CONSAGRAÇÃO
1. Javé falou a Moisés:
2. "Tome Aarão e seus filhos, as vestes, o óleo da unção, o bezerro do sacrifício pelo pecado, os dois cordeiros e o cesto dos pães sem fermento.
3. Em seguida convoque toda a comunidade junto à entrada da tenda da reunião".
4. Moisés fez conforme Javé lhe havia ordenado. E toda a comunidade se reuniu na entrada da tenda da reunião.
5. Moisés lhes falou: "Vejam o que Javé mandou fazer".
6. Depois Moisés fez com que Aarão e seus filhos se aproximassem, e os lavou com água.
7. Revestiu Aarão com a túnica, colocou-lhe o cinto, vestiu-o com o manto e colocou nele o efod. Depois colocou a faixa do efod e a fixou em Aarão.
8. Colocou-lhe o peitoral com os urim e os

tumim.
9. Colocou-lhe o turbante na cabeça e, na frente do turbante, a flor de ouro: é o sinal da santa consagração, conforme Javé ordenou a Moisés.
10. Então Moisés pegou o óleo da unção e ungiu o santuário e tudo o que nele havia, para os consagrar.
11. Fez sete aspersões sobre o altar, e ungiu o altar e seus acessórios, a bacia com sua base, a fim de os consagrar.
12. Depois derramou o óleo da unção sobre a cabeça de Aarão e o ungiu, para o consagrar.
13. A seguir, mandou que os filhos de Aarão se aproximassem, revestiu-os com túnicas, colocou neles o cinto e atou-lhes o turbante, conforme Javé ordenou a Moisés.
14. Então Moisés mandou trazer o bezerro do sacrifício pelo pecado. Aarão e seus filhos colocaram a mão sobre a cabeça da vítima,
15. e Moisés a imolou. Depois pegou o sangue e, com o dedo, ungiu os cantos do altar em todos os lados, para purificar o altar. A seguir, derramou o sangue na base do altar e o consagrou, fazendo por ele o rito pelo pecado.
16. Pegou ainda toda a gordura que envolve as entranhas, a massa gordurosa do fígado, os dois rins com sua gordura, e queimou tudo sobre o altar.
17. O resto do bezerro: pele, carne e intestinos, queimou-os fora do acampamento, conforme Javé ordenou a Moisés.
18. Mandou, então, trazer o cordeiro do holocausto. Aarão e seus filhos colocaram a mão sobre a cabeça do cordeiro,
19. e Moisés o imolou, derramando o sangue por todos os lados do altar.
20. Depois esquartejou o cordeiro e queimou a cabeça e os pedaços com a gordura.
21. Lavou com água as entranhas e as patas, e queimou todo o cordeiro no altar. Foi um holocausto de suave odor, uma oferta queimada para Javé, conforme Javé havia ordenado a Moisés.
22. Mandou, então, trazer o segundo cordeiro, o cordeiro da consagração. Aarão e seus filhos colocaram a mão sobre a cabeça do cordeiro,
23. e Moisés o imolou. Depois pegou o sangue e o colocou no lóbulo da orelha direita de Aarão, no polegar de sua mão direita e no polegar do seu pé direito.
24. Em seguida mandou os filhos de Aarão se aproximarem e lhes colocou do mesmo sangue no lóbulo da orelha direita, no polegar da mão direita e no polegar do pé direito. Em seguida Moisés derramou o sangue por todos os lados do altar;
25. pegou as partes gordas, a cauda, toda a gordura das entranhas, a massa gordurosa do fígado, os dois rins com sua gordura e a coxa direita.
26. Depois pegou um pão sem fermento do cesto que estava diante de Javé, um bolo amassado com azeite e um bolinho, e juntou tudo com as gorduras e a coxa direita.
27. Colocou tudo nas mãos de Aarão e de seus filhos, e fez o gesto de apresentação diante de Javé.
28. Depois Moisés pegou tudo das mãos deles e queimou no altar, em cima do holocausto. Foi o sacrifício de consagração: oblação de suave odor, uma oferta queimada para Javé.
29. Moisés pegou também o peito da vítima e fez o gesto de apresentação diante de Javé. Esta era a parte do cordeiro da consagração que pertencia a Moisés, conforme Javé ordenou a Moisés.
30. Em seguida Moisés pegou um pouco do óleo da unção e do sangue que estava sobre o altar, e com isso aspergiu Aarão e suas vestes, e também os filhos dele com suas vestes. Desse modo Moisés consagrou Aarão e suas vestes, e também os filhos de Aarão com suas vestes.
31. Moisés disse a Aarão e seus filhos: "Cozinhem a carne na entrada da tenda da reunião e comam a carne com o pão que está no cesto do sacrifício da consagração, conforme ordenei: Aarão e seus filhos o comerão.
32. Queimem o que sobrar da carne e do pão.
33. Durante sete dias vocês não sairão pela porta da tenda da reunião, até que tenha terminado o tempo da consagração, porque são necessários sete dias para a consagração de vocês.
34. Javé mandou proceder como se fez hoje, a fim de realizar por vocês o rito pelo pecado.
35. Vocês permanecerão sete dias e sete noites na entrada da tenda da reunião, e respeitarão as proibições de Javé, a fim de não morrerem. Essa é a ordem que recebi".
36. Aarão e seus filhos fizeram tudo o que Javé havia mandado por meio de Moisés.

[Levítico 9]Levítico 9

A FUNÇÃO SACERDOTAL
1. No oitavo dia, Moisés chamou Aarão, seus filhos e os anciãos de Israel,
2. e disse a Aarão: "Pegue um bezerro para o sacrifício pelo pecado e um cordeiro para o holocausto, ambos sem defeito, e ofereça-os diante de Javé.
3. Em seguida fale aos filhos de Israel: 'Peguem um bode para o sacrifício pelo pecado, um bezerro e um carneiro, ambos de um ano, sem defeito, para o holocausto,
4. um touro e um cordeiro para o sacrifício de comunhão, todos para serem imolados diante de Javé, e também uma oblação amassada com azeite, porque Javé aparecerá hoje para vocês' ."
5. Levaram diante da tenda da reunião o que Moisés havia mandado, e toda a comunidade se aproximou e se apresentou diante de Javé.
6. Moisés disse: "Cumpram tudo o que Javé lhes ordenou. Então ele mostrará a sua glória para vocês".
7. Depois disse a Aarão: "Aproxime-se do altar e ofereça o seu sacrifício pelo pecado e o seu holocausto. Faça desse modo a expiação por você e pela sua família. Apresente depois a oferta do povo e faça por ele o sacrifício pelo pecado, conforme Javé ordenou".
8. Aarão aproximou-se do altar e imolou o bezerro do sacrifício pelo seu próprio pecado.
9. Em seguida os filhos de Aarão lhe apresentaram o sangue. Aarão molhou o dedo no sangue e ungiu os cantos do altar. Depois derramou o sangue na base do altar.
10. Queimou sobre o altar a gordura do sacrifício pelo pecado, os rins e a massa gordurosa do fígado, conforme Javé havia ordenado a Moisés.
11. Depois queimou a carne e a pele fora do acampamento.
12. Em seguida imolou a vítima do holocausto. Os filhos de Aarão levaram para ele o sangue, que ele derramou por todos os lados do altar.
13. Também levaram a vítima dividida em quatro pedaços com a cabeça, e ele os queimou no altar.
14. Lavou as entranhas e as patas, e as queimou no altar, em cima do holocausto.
15. A seguir apresentou a oferta do povo: pegou o bode do sacrifício pelo pecado do povo, o imolou e ofereceu em sacrifício pelo pecado, da mesma forma que fez com a primeira vítima.
16. Mandou buscar também a vítima do holocausto, e ofereceu o holocausto, conforme o ritual.
17. Em seguida mandou buscar a oblação, pegou dela um punhado, e o queimou no altar, além do holocausto da manhã.
18. Por fim, imolou o touro e o cordeiro em sacrifício de comunhão pelo povo. Os filhos de Aarão levaram para ele o sangue, que ele derramou por todos os lados do altar.
19. As gorduras desse touro e desse cordeiro, a cauda, a gordura que envolve as entranhas, os rins e a massa gordurosa do fígado,
20. ele os colocou sobre o peito das vítimas e queimou tudo no altar.
21. Aarão fez o gesto de apresentação diante de Javé com o peito e a coxa direita de cada vítima, conforme Javé havia ordenado a Moisés.
22. Aarão levantou as mãos na direção do povo e o abençoou. Depois de oferecer o sacrifício pelo pecado, o holocausto e o sacrifício de comunhão, ele desceu
23. e entrou com Moisés na tenda da reunião. Em seguida os dois saíram para abençoar o povo. A glória de Javé apareceu para todo o povo:
24. uma chama brilhou diante de Javé e devorou o holocausto e as gorduras que estavam sobre o altar. Ao ver isso, o povo aclamou e se prostrou com o rosto por terra.

[Levítico 10]Levítico 10

A VIOLAÇÃO DO SAGRADO
1. Nadab e Abiú, filhos de Aarão, tomaram cada um o seu incensório. Puseram neles fogo e incenso, e apresentaram diante de Javé um fogo irregular, que não lhes havia sido autorizado.
2. Então, da presença de Javé saiu um fogo que os devorou, e eles morreram na presença de Javé.
3. Foi quando Moisés disse a Aarão: "É isso que Javé queria dizer, quando falou: 'Eu mostrarei minha santidade em meus ministros, e minha glória diante de todo o povo' ." Aarão ficou calado.
4. Moisés chamou Misael e Elisafã, filhos de Oziel, tio de Aarão, e lhes disse: "Retirem seus irmãos do santuário e os levem para longe do acampamento".
5. Eles se aproximaram e os levaram em suas próprias túnicas para fora do acampamento, conforme Moisés havia mandado.
6. Moisés disse a Aarão e seus filhos Eleazar e Itamar: "Não desmanchem o cabelo nem rasguem as roupas, para não morrerem e para que Javé não fique irritado contra toda a comunidade. Seus irmãos e toda a casa de Israel deverão chorar por causa do incêndio que Javé provocou.
7. Não deixem a entrada da tenda da reunião para não morrerem, porque vocês estão ungidos com o óleo de Javé". E eles fizeram como Moisés havia mandado.
8. Javé falou a Aarão:
9. "Quando você vier à tenda da reunião, junto com seus filhos, não bebam vinho, nem outra bebida fermentada, e assim vocês não morrerão. É uma lei perpétua para todos os seus descendentes.
10. Isso para que vocês possam distinguir entre o sagrado e o profano, entre o impuro e o puro,
11. e possam ensinar aos filhos de Israel todas as leis que Javé deu a vocês por meio de Moisés".
12. Moisés disse a Aarão e a Eleazar e Itamar, seus filhos que sobreviveram: "Peguem a oblação que sobrou das ofertas queimadas para Javé, e a comam sem fermento, junto do altar, porque é porção sagrada.
13. Vocês a comerão no lugar sagrado, pois é a parte das ofertas queimadas a Javé que fica reservada para vocês e seus filhos. Assim é que me foi ordenado.
14. O peito apresentado e a coxa do tributo vocês comerão em lugar puro, junto com seus filhos e filhas: é a parte reservada para você e seus filhos, que é dada a você dos sacrifícios de comunhão dos filhos de Israel.
15. A coxa do tributo e o peito apresentado, que acompanham as gorduras queimadas, depois de oferecidos com gesto de apresentação diante de Javé, pertencem a você e a seus filhos, como porção perpétua. Assim Javé o ordenou".
16. Moisés perguntou sobre o bode oferecido em sacrifício pelo pecado. No entanto ele já tinha sido queimado. Por isso Moisés se irritou com Eleazar e Itamar, os filhos sobreviventes de Aarão, e lhes perguntou:
17. "Por que vocês não comeram a vítima no lugar sagrado? É uma porção sagrada, e Javé a deu a vocês, para que vocês tirassem a culpa da comunidade, fazendo sobre essa porção o rito pelo pecado diante de Javé.
18. Uma vez que o sangue da vítima não foi levado para dentro do santuário, é aí mesmo que vocês deveriam comer a carne, conforme eu ordenei".
19. Aarão respondeu a Moisés: "Eles ofereceram hoje o seu sacrifício pelo pecado e o seu holocausto diante de Javé. Depois do que aconteceu comigo, se eu tivesse comido hoje do sacrifício pelo pecado, seria isso agradável a Javé?"
20. E Moisés ficou satisfeito com a resposta.

[Levítico 11]Levítico 11
III. O PURO E O IMPURO

ANIMAIS PUROS E IMPUROS
1. Javé falou para Moisés e Aarão:
2. "Digam aos filhos de Israel: São estes os quadrúpedes que vocês poderão comer dentre todos os animais terrestres.
3. Vocês poderão comer todo animal que tem o casco fendido, partido em duas unhas, e que rumina.
4. Dentre os que ruminam ou têm o casco fendido, vocês não poderão comer as seguintes espécies: o camelo, pois, embora seja ruminante, não tem o casco fendido; ele deve ser considerado impuro.
5. Considerem impuro o coelho, pois, embora seja ruminante, não tem o casco fendido.
6. Considerem impura a lebre, pois, embora seja ruminante, não tem o casco fendido.
7. Considerem impuro o porco, pois, apesar de ter o casco fendido, partido em duas unhas, não rumina.
8. Não comam a carne desses animais, nem toquem o cadáver deles, porque são impuros.
9. De todos os animais aquáticos, vocês poderão comer os que têm barbatanas e escamas, e vivem na água dos mares e rios.
10. Mas todo aquele que não tem barbatanas e escamas e vive nos mares ou rios, todos os animais pequenos que povoam as águas, e todos os seres vivos que nelas se encontram, vocês considerarão imundos.
11. Eles são imundos; por isso, não comam sua carne e considerem imundo o cadáver deles.
12. Todo ser aquático que não tem barbatanas e escamas será imundo para vocês.
13. Das aves, considerem imundas e não comam as seguintes, porque são imundas: o abutre, o gipaeto, o xofrango,
14. o milhafre negro, as diferentes espécies de milhafre vermelho,
15. todas as espécies de corvo,
16. o avestruz, a coruja, a gaivota e as diferentes espécies de gavião,
17. o mocho, o alcatraz, o íbis,
18. o grão-duque, o pelicano, o abutre branco,
19. a cegonha e as diferentes espécies de garça, a poupa e o morcego.
20. Todos os animais alados, que caminham sobre quatro pés, serão imundos para vocês.
21. De todos os insetos alados, que caminham sobre quatro pés, vocês só poderão comer aqueles que, para saltar no chão, têm as patas traseiras mais compridas que as dianteiras.
22. Vocês podem comer os seguintes: as diferentes espécies de locustídeos, gafanhotos, acridídeos e grilos.
23. Os outros insetos de quatro pés são imundos.
24. Com esses animais, vocês se tornarão impuros; quem tocar o cadáver deles ficará impuro até à tarde,
25. e quem transportar o cadáver deles deverá lavar suas roupas, e ficará impuro até à tarde.
26. Vocês considerarão impuros os animais que têm casco não dividido e que não ruminam: quem os tocar ficará impuro.
27. Todos os animais de quatro patas, que caminham sobre a planta dos pés, serão considerados impuros; quem tocar o cadáver deles ficará impuro até à tarde,
28. e quem transportar o cadáver deles deverá lavar suas roupas, e ficará impuro até à tarde. Considerem impuros esses animais.
29. Dos animais que rastejam pela terra, considerem impuros os seguintes: a toupeira, o rato e as diferentes espécies de lagarto,
30. a lagartixa, o crocodilo da terra, o lagarto, o lagarto da areia e o camaleão.
31. De todos os répteis, são esses que vocês considerarão impuros; quem os tocar depois de mortos ficará impuro até à tarde.
32. E ficará impuro todo objeto de madeira, pano, couro ou estopa, e qualquer outro utensílio sobre o qual um bicho desses cair, depois de morto. Deverá ser lavado com água e ficará impuro até à tarde; depois ficará novamente puro.
33. Toda vasilha de barro, na qual um desses bichos cair, deverá ser quebrada, e o seu conteúdo ficará impuro;
34. a comida preparada com água dessa vasilha ficará impura, e também a bebida ficará impura, seja qual for o tipo de vasilha.
35. Todo objeto sobre o qual cair o cadáver desses bichos, ficará impuro: o forno e o fogão serão destruídos, porque ficaram impuros, e vocês os considerarão impuros.
36. As fontes, poços e depósitos d'água ficarão puros. Mas quem tocar o cadáver desses bichos ficará impuro.
37. Se um desses cadáveres cai sobre uma semente, esta permanece pura;
38. mas se a semente estiver umedecida, e um desses cadáveres cair sobre ela, vocês a considerarão impura.
39. Quando morrer um animal que serve de alimento, quem tocar o seu cadáver ficará impuro até à tarde;
40. quem comer a carne dele deverá lavar suas roupas e ficará impuro até à tarde; quem transportar o cadáver dele deverá lavar suas roupas e ficará impuro até à tarde.
41. Todo animal que rasteja no chão é imundo, e não será comido.
42. Tudo o que se arrasta sobre o ventre ou que caminha sobre quatro ou mais patas, isto é, todos os répteis que rastejam pelo chão, nenhum deles é comestível, porque são imundos.
43. Não se tornem imundos com nenhum desses répteis que rastejam. Não se contaminem com eles e não sejam contaminados por eles.
44. Eu sou Javé, o Deus de vocês. E vocês foram santificados e se tornaram santos, porque eu sou santo. Portanto, não se tornem impuros com nenhum desses répteis que rastejam pelo chão.
45. Eu sou Javé, que os tirei do Egito, para ser o Deus de vocês: sejam santos, porque eu sou santo.
46. Essa é a lei sobre os animais terrestres, as aves e todo animal que se move na água ou rasteja sobre a terra.
47. Essa lei ensina a separar o impuro do puro, os animais que se podem comer, dos que não se podem comer".

[Levítico 12]Levítico 12

PURIFICAÇÃO DEPOIS DO PARTO
1. Javé falou a Moisés:
2. "Diga aos filhos de Israel: Quando uma mulher conceber e der à luz um menino, ficará impura durante sete dias, como durante sua menstruação.
3. No oitavo dia, o prepúcio do menino será circuncidado;
4. e, durante trinta e três dias, ela ainda ficará se purificando do seu sangue. Não poderá tocar nenhuma coisa consagrada, nem ir ao santuário, enquanto não terminar o tempo da sua purificação.
5. Se der à luz uma menina, ficará impura durante duas semanas, como durante sua menstruação; e ficará mais sessenta e seis dias purificando-se do seu sangue.
6. Quando a mulher tiver terminado o período da sua purificação, seja por menino, seja por menina, levará ao sacerdote, na entrada da tenda da reunião, um cordeiro de um ano para o holocausto, e um pombinho ou rola para o sacrifício pelo pecado.
7. O sacerdote os oferecerá diante de Javé, realizará por ela o rito pelo pecado, e ela ficará purificada do seu fluxo de sangue. Essa é a lei sobre a mulher que dá à luz um menino ou menina.
8. Se ela não tem meios para comprar um cordeiro, pegue duas rolas ou dois pombinhos: um para o holocausto e outro para o sacrifício pelo pecado. O sacerdote fará por ela o rito pelo pecado, e ela ficará purificada".

[Levítico 13]Levítico 13

AS DOENÇAS DE PELE
1. Javé falou para Moisés e Aarão:
2. "Quando alguém tiver na pele uma inflamação, um furúnculo ou qualquer mancha que produza suspeita de lepra, será levado diante do sacerdote Aarão ou de um dos seus filhos sacerdotes.
3. O sacerdote examinará a parte afetada. Se no lugar doente o pêlo se tornou branco e a doença ficou mais profunda na pele, é caso de lepra. Depois de examiná-lo, o sacerdote o declarará impuro.
4. Mas se há sobre a pele uma mancha branca, sem depressão visível da pele, e o pêlo não se tornou branco, o sacerdote isolará o doente durante sete dias.
5. No sétimo dia examinará de novo o doente: se observar que a doença permanece sem se espalhar pela pele, tornará a isolá-lo por mais sete dias;
6. no sétimo dia, o examinará de novo. Se então verificar que a mancha não ficou mais branca e não se espalhou pela pele, o sacerdote declarará puro o homem, pois se trata de um furúnculo. A pessoa lavará sua roupa e ficará pura.
7. Mas se o furúnculo se alastrar sobre a pele depois que o enfermo foi examinado pelo sacerdote e declarado puro, ele deverá se apresentar de novo ao sacerdote.
8. O sacerdote o examinará; se observar que o furúnculo se alastrou sobre a pele, o sacerdote o declarará impuro: trata-se de lepra.
9. Quando alguém tiver uma infecção de pele, será levado ao sacerdote.
10. O sacerdote o examinará. Se constatar sobre a pele um tumor esbranquiçado, pêlos que se tornam brancos e o aparecimento de uma úlcera,
11. trata-se de lepra crônica de pele. O sacerdote o declarará impuro e não o isolará, pois é claro que está impuro.
12. Mas se a lepra se alastrar sobre a pele, até cobrir o doente dos pés à cabeça, até onde o sacerdote possa observar,
13. o sacerdote examinará o doente: verificando que a lepra cobre o corpo todo, declarará puro o doente, visto que tudo se tornou branco.
14. Se aparecer nele a carne viva, ficará impuro.
15. O sacerdote, vendo a carne viva, o declarará impuro, pois a carne viva é impura: trata-se de lepra.
16. Mas se a carne viva se torna branca de novo, a pessoa procurará o sacerdote.
17. Este a examinará e, vendo que a doença se tornou branca, declarará pura a pessoa doente: ela de fato está pura.
18. Quando alguém tiver na pele um furúnculo, do qual já esteja curado,
19. e se formar no lugar do furúnculo uma inflamação esbranquiçada ou mancha vermelha clara, essa pessoa deverá se apresentar ao sacerdote.
20. O sacerdote a examinará: se verificar que a pele afundou e o pêlo ficou branco, o sacerdote a declarará impura: é caso de lepra que se manifesta no furúnculo.
21. Mas se o sacerdote, ao examiná-la, notar que na mancha não há pêlos brancos nem aprofundamento da pele, mas um embranquecimento, então isolará o enfermo durante sete dias.
22. Se a mancha se alastrar sobre a pele, o sacerdote declarará impura a pessoa: é caso de lepra.
23. Mas se a mancha permanecer estacionária, sem se alastrar, é a cicatriz do furúnculo, e o sacerdote declarará pura a pessoa.
24. Quando alguém tiver uma queimadura na pele, e sobre a parte queimada se formar uma mancha esbranquiçada ou vermelha clara,
25. o sacerdote a examinará. Se constatar que o pêlo ficou branco ou que houve aprofundamento da mancha na pele, é caso de lepra que se desenvolveu na queimadura. O sacerdote declarará impuro o homem: é caso de lepra.
26. Mas se o sacerdote, ao examinar, não constatar pêlos brancos na mancha nem aprofundamento da pele, e notar que a mancha se tornou esbranquiçada, o sacerdote o isolará por sete dias.
27. No sétimo dia o examinará de novo. Se a doença se tiver propagado na pele, declarará impuro o homem: é caso de lepra.
28. Se a mancha permaneceu localizada, sem se propagar na pele, mas tornou-se pálida, trata-se de inflamação da queimadura. O sacerdote declarará puro o homem, pois é cicatriz da queimadura.
29. Se um homem ou mulher tiver uma chaga na cabeça, ou na barba,
30. o sacerdote examinará a chaga. Se observar que há uma depressão na pele e o pêlo se tornou amarelado e fino, declarará impuro o enfermo: é caso de sarna, isto é, lepra da cabeça ou da barba.
31. Mas, examinando a sarna, se o sacerdote constatar que não há depressão na pele nem pêlo amarelado, então isolará o doente durante sete dias.
32. No sétimo dia examinará a doença; se constatar que a sarna não se desenvolveu e que o pêlo não ficou amarelado nem houve depressão na pele,
33. o doente rapará os pêlos, menos na parte que está com sarna. E o sacerdote o isolará por mais sete dias.
34. No sétimo dia examinará a doença; se constatar que não se alastrou sobre a pele e que não há depressão na pele, o sacerdote o declarará puro. O doente lavará sua roupa e ficará puro.
35. Contudo, se depois da purificação a sarna se desenvolveu sobre a pele,
36. o sacerdote o examinará de novo: se constatar o alastramento da sarna, é porque o doente está impuro, e não precisará verificar se o pêlo está amarelado.
37. Mas se a sarna estiver localizada e nela tiver crescido pêlo escuro, é porque a doença está curada: o doente está puro e o sacerdote o declarará puro.
38. Se aparecerem manchas sobre a pele de um homem ou mulher, e as manchas forem brancas,
39. o sacerdote as examinará. Se verificar que as manchas na pele são de um branco embaçado, trata-se de erupção da pele: o enfermo está puro.
40. Se um homem perde os cabelos da cabeça, trata-se de calvície da cabeça, e está puro.
41. Se perde cabelos na parte da frente da cabeça, trata-se de calvície da fronte, e está puro.
42. Mas, se na cabeça ou na parte da frente houver chagas de cor vermelha clara, trata-se de lepra que se desenvolveu na cabeça ou na fronte desse homem.
43. O sacerdote o examinará. Se observar na calvície ou na fronte um tumor vermelho claro, com o mesmo aspecto da lepra da pele,
44. então o homem está leproso: é impuro. O sacerdote o declarará impuro, pois está com lepra na cabeça.

A LEI SOBRE O LEPROSO
45. Quem for declarado leproso, deverá andar com as roupas rasgadas e despenteado, com a barba coberta e gritando: "Impuro! Impuro!"
46. Ficará impuro enquanto durar sua doença. Viverá separado e morará fora do acampamento.

O MOFO DAS ROUPAS
47. Quando houver lepra numa roupa, tanto de lã como de linho,
48. num tecido ou coberta de lã, de linho, ou de couro, ou numa peça qualquer de couro,
49. e se a mancha da roupa, do couro, do tecido, da coberta, ou do objeto de couro, for esverdeada ou avermelhada, é caso de lepra e deve ser mostrada ao sacerdote.
50. O sacerdote examinará a mancha e isolará o objeto durante sete dias.
51. No sétimo dia, se observar que a mancha se espalhou sobre a roupa, o tecido, a coberta, o couro ou sobre o objeto feito de couro, trata-se de lepra contagiosa: o objeto está impuro.
52. A roupa, o tecido, a coberta de lã ou de linho, ou o objeto de couro sobre o qual se apresentou a mancha, deverá ser queimado, pois é lepra contagiosa que deve ser destruída pelo fogo.
53. Contudo, se o sacerdote, examinando, verificar que a mancha não se espalhou sobre a roupa, o tecido, a coberta ou o objeto de couro,
54. então mandará lavar a parte atingida e o isolará outra vez por mais sete dias.
55. Depois da lavagem, examinará a mancha. E se verificar que não mudou de aspecto nem se desenvolveu, é que o objeto está impuro. O sacerdote o queimará, porque está corroído no direito e no avesso.
56. Contudo, se o sacerdote, examinando, verificar que depois da lavagem a mancha ficou embaçada, então arrancará a parte da roupa, do couro, do tecido ou da coberta.
57. Todavia, se a mancha se espalhar sobre a roupa, a coberta ou o objeto de couro, é que o mal continua vivo; então será queimado no fogo aquilo que estiver atacado pela mancha.
58. A roupa, o tecido, a coberta e qualquer objeto de couro, do qual desapareceu a mancha depois da lavagem, ficará puro depois de lavado pela segunda vez".
59. Essa é a lei para o caso de lepra na roupa de lã ou de linho, no tecido, na coberta ou no objeto de couro, quando se trata de declará-los puros ou impuros.

[Levítico 14]Levítico 14

A PURIFICAÇÃO DO LEPROSO
1. Javé falou a Moisés:
2. "Esta é a lei a ser aplicada ao leproso, no dia da sua purificação: ele será conduzido ao sacerdote,
3. e o sacerdote sairá fora do acampamento. Depois do exame, se verificar que o leproso está curado da lepra,
4. mandará trazer, para o leproso a ser purificado, duas aves vivas e puras, madeira de cedro, púrpura escarlate e hissopo.
5. Em seguida, mandará imolar uma das aves num vaso de argila sobre água corrente.
6. Pegará a ave viva, a madeira de cedro, a púrpura escarlate, o hissopo, e mergulhará tudo, junto com a ave viva, no sangue da ave imolada sobre a água corrente.
7. Fará, então, sete aspersões sobre o homem que está se purificando da lepra e o declarará puro. Depois deixará que a ave viva voe para o campo.
8. Aquele que se purifica lavará as roupas, rapará todos os pêlos, se lavará com água e ficará puro. Depois disso, poderá entrar no acampamento, mas ficará sete dias fora da sua tenda.
9. No sétimo dia, rapará a cabeça, a barba, as sobrancelhas, bem como todos os pêlos. Depois lavará suas roupas, se banhará e ficará puro.
10. No oitavo dia, pegará dois cordeiros sem defeito, uma ovelha sem defeito, doze litros de flor de farinha amassada com azeite para a oblação e um quarto de litro de azeite.
11. O sacerdote que realiza a purificação colocará o homem, que está se purificando, junto com suas ofertas, na entrada da tenda da reunião, diante de Javé.
12. Depois pegará um dos cordeiros e o oferecerá como sacrifício de reparação, juntamente com o quarto de litro de azeite, fazendo com eles o gesto de apresentação diante de Javé.
13. Imolará o cordeiro no lugar santo, onde se imolam as vítimas do sacrifício pelo pecado e do holocausto. Essa vítima de reparação, como o sacrifício pelo pecado, pertence ao sacerdote: é porção sagrada.
14. O sacerdote pegará sangue da vítima e o porá no lóbulo da orelha direita daquele que está se purificando, sobre o polegar da mão direita e sobre o polegar do pé direito.
15. Depois pegará um pouco de azeite e o derramará na palma de sua própria mão esquerda.
16. Molhará o dedo indicador da mão direita no azeite que está na palma da esquerda, e fará com esse dedo sete aspersões diante de Javé.
17. Em seguida colocará um pouco do azeite, que lhe resta na palma da mão, no lóbulo da orelha direita daquele que se purifica, sobre o polegar da mão direita e sobre o polegar do pé direito, em cima do sangue do sacrifício de reparação.
18. Depois, derramará o resto do azeite, que tem na palma da mão, sobre a cabeça daquele que se purifica. Desse modo, terá feito pelo homem o rito pelo pecado diante de Javé.
19. A seguir, o sacerdote fará o sacrifício pelo pecado e realizará o sacrifício por aquele que está se purificando de sua impureza. Depois disso, imolará a vítima do holocausto
20. e oferecerá no altar o holocausto e a oblação. Desse modo, fará o sacrifício pelo pecado desse homem, que ficará puro.
21. Se é um pobre que não tem recursos, pegará somente um cordeiro para o sacrifício de reparação e o oferecerá com o gesto de apresentação, a fim de realizar pelo homem o rito pelo pecado. Pegará apenas quatro litros de flor de farinha amassada com azeite para a oblação, um quarto de litro de azeite,
22. duas rolas ou dois pombinhos, conforme as possibilidades, um dos quais será para o sacrifício pelo pecado e o outro para o holocausto.
23. No oitavo dia, ele os apresentará ao sacerdote na entrada da tenda da reunião, diante de Javé, para a sua purificação.
24. O sacerdote pegará o cordeiro do sacrifício de reparação e o quarto de litro de azeite, e os oferecerá com o gesto de apresentação diante de Javé.
25. Depois, imolará o cordeiro do sacrifício de reparação, pegará sangue da vítima e o colocará no lóbulo da orelha direita daquele que se purifica, sobre o polegar da mão direita e sobre o polegar do pé direito.
26. A seguir, derramará um pouco de azeite na palma de sua própria mão esquerda,
27. e com o dedo indicador da mão direita fará, diante de Javé, sete aspersões com o azeite que tem na mão esquerda.
28. Com o azeite que tem na mão, o sacerdote ungirá o lóbulo da orelha direita daquele que está se purificando, o polegar da mão direita e o polegar do pé direito, em cima do sangue do sacrifício de reparação.
29. Depois colocará o resto do azeite, que tem na palma da mão, sobre a cabeça daquele que está se purificando, fazendo por ele, diante de Javé, o rito pelo pecado.
30. Com uma das rolas ou um dos pombinhos, segundo as possibilidades, fará
31. um sacrifício pelo pecado; e, com o outro, um holocausto acompanhado de oblação. O sacerdote fará assim, diante de Javé, o rito pelo pecado, por aquele que está se purificando".
32. Essa é a lei para a purificação do leproso que não tem recursos.

O MOFO DAS CASAS
33. Javé falou para Moisés e Aarão:
34. "Quando vocês tiverem entrado na terra de Canaã, que eu vou dar a vocês como posse, e eu ferir de lepra uma casa da terra de vocês,
35. o dono da casa avisará o sacerdote: 'Parece que na minha casa há uma mancha de lepra'.
36. O sacerdote mandará desocupar a casa antes de ir examinar a mancha; desse modo, ninguém ficará impuro com aquilo que nela existe. Depois disso, o sacerdote irá olhar a casa,
37. e, depois de a ter examinado, se observar na parede da casa cavidades esverdeadas ou avermelhadas, formando depressão na parede,
38. ele sairá da casa e mandará fechá-la por sete dias.
39. Voltará no sétimo dia e a examinará de novo. Se observar que a mancha se espalhou pela parede,
40. o sacerdote mandará tirar as pedras manchadas e jogá-las em lugar impuro, fora da cidade.
41. Depois mandará raspar todas as paredes internas da casa e jogar o pó raspado em lugar impuro, fora da cidade.
42. Pegarão outras pedras para substituir as que foram tiradas e outro reboco para rebocar a casa.
43. Depois de tiradas as pedras e depois de raspada e rebocada a casa, se a mancha reaparecer,
44. o sacerdote irá examiná-la. Se observar que a mancha se alastrou, trata-se de lepra contagiosa na casa, que está impura.
45. Mandará demolir a casa, e suas pedras, madeira e reboco serão levados para um lugar impuro, fora da cidade.
46. Quem entrar na casa, enquanto estiver fechada, ficará impuro até à tarde.
47. Quem nela dormir ou comer, deverá lavar a própria roupa.
48. Mas se o sacerdote, quando for examinar a mancha, constatar que ela não se alastrou pela casa depois de rebocada, declarará pura a casa, pois a doença dela está curada.
49. Então pegará duas aves, madeira de cedro, púrpura escarlate e hissopo, para fazer o sacrifício pelo pecado da casa.
50. Imolará uma das aves num vaso de argila sobre água corrente.
51. Depois pegará a madeira de cedro, o hissopo, a púrpura escarlate e a ave viva, e os mergulhará no sangue da ave imolada em água corrente. Em seguida, aspergirá a casa sete vezes.
52. Depois de fazer o sacrifício pelo pecado da casa, com o sangue da ave, a água corrente, a ave viva, a madeira de cedro, o hissopo e a púrpura escarlate,
53. soltará a ave viva no campo, fora da cidade. Fazendo assim o rito pelo pecado da casa, esta ficará pura".
54. Essa é a lei sobre todos os casos de lepra e sarna,
55. lepra das roupas e das casas,
56. inflamações, furúnculos e manchas.
57. Ela estabelece o que é puro ou impuro. Essa é a lei sobre a lepra.

[Levítico 15]Levítico 15

IMPUREZAS SEXUAIS
1. Javé falou para Moisés e Aarão:
2. "Digam aos filhos de Israel: Quando um homem sofre de gonorréia, está impuro.
3. Esta é a lei da impureza sobre a gonorréia: quer o corpo tenha deixado escorrer ou tenha retido o líquido, a impureza é a mesma.
4. A cama em que o doente se deitar ficará impura, e todo móvel onde se sentar ficará impuro.
5. Quem tocar a cama dele deverá lavar as roupas e tomar banho; ficará impuro até à tarde.
6. Quem se sentar num móvel onde se sentou o doente, deverá lavar as roupas, tomar banho e ficará impuro até à tarde.
7. Quem tocar o doente deverá lavar as roupas e tomar banho; ficará impuro até à tarde.
8. Se o doente cuspir numa pessoa pura, esta deverá lavar as roupas e tomar banho; ficará impura até à tarde.
9. A sela sobre a qual esse homem viajar ficará impura.
10. Todos os que tocarem qualquer objeto que tenha estado debaixo do doente ficarão impuros até à tarde. Quem transportar tal objeto deverá lavar as roupas e tomar banho; ficará impuro até à tarde.
11. Todos aqueles que forem tocados pelo doente, sem que ele tenha lavado as mãos, deverão lavar as roupas e tomar banho; ficarão impuros até à tarde.
12. Toda vasilha de barro tocada por esse homem será quebrada. Se for de madeira, deverá ser lavada.
13. Quando o doente estiver curado da gonorréia, contará sete dias para a sua purificação. Deverá lavar as roupas e tomar banho em água corrente, e ficará puro.
14. No oitavo dia pegará duas rolas ou dois pombinhos e se apresentará diante de Javé, na entrada da tenda da reunião, e os entregará ao sacerdote.
15. Com um deles fará um sacrifício pelo pecado, e com o outro um holocausto. Desse modo, o sacerdote fará por ele, diante de Javé, o rito de purificação da gonorréia.
16. Quando um homem tiver polução, deverá tomar banho e ficará impuro até à tarde.
17. Toda roupa e todo couro atingidos pelo sêmen deverão ser lavados, e ficarão impuros até à tarde.
18. Quando uma mulher tiver relações com um homem, os dois deverão tomar banho, e ficarão impuros até à tarde.
19. Quando uma mulher tiver sua menstruação, ficará impura durante sete dias. Quem a tocar ficará impuro até à tarde.
20. O lugar em que ela deitar ou sentar, enquanto está impura, ficará impuro.
21. Quem tocar o leito dela deverá lavar as próprias roupas e tomar banho; ficará impuro até à tarde.
22. Quem tocar o assento que ela usou, lavará as próprias roupas, tomará banho e ficará impuro até à tarde.
23. Se o objeto tocado estiver sobre a cama ou sobre o assento que ela usou, ficará impuro até à tarde.
24. Se um homem tiver relações com a mulher menstruada, a impureza dela o atingirá, e ele ficará impuro durante sete dias. A cama em que ele se deitar ficará impura.
25. Quando uma mulher tiver hemorragias freqüentes, fora ou depois da menstruação, ficará impura como na menstruação, enquanto durarem as hemorragias.
26. A cama em que ela se deitar, enquanto tiver as hemorragias, ficará impura, como na menstruação. O lugar em que ela se sentar ficará impuro, como na menstruação.
27. Quem tocar nesses móveis ficará impuro: deverá lavar as roupas e tomar banho; ficará impuro até à tarde.
28. Quando a mulher ficar curada de suas hemorragias contará sete dias, e então estará pura.
29. No oitavo dia, pegará duas rolas ou dois pombinhos e os apresentará ao sacerdote na entrada da tenda da reunião.
30. O sacerdote oferecerá um deles em sacrifício pelo pecado, e o outro como holocausto. Desse modo, o sacerdote fará por ela, diante de Javé, o rito por causa da hemorragia que a tornou impura.
31. Previnam os filhos de Israel sobre a impureza, para que não morram por causa delas por terem contaminado a minha morada no meio deles".
32. Essa é a lei sobre a gonorréia e as poluções que tornam o homem impuro,
33. e sobre a menstruação e hemorragias da mulher. É válida para o homem, para a mulher e para o homem que se deita com uma mulher impura.

[Levítico 16]Levítico 16

O DIA DO GRANDE PERDÃO
1. Javé falou a Moisés depois da morte dos dois filhos de Aarão, que morreram por se aproximarem de Javé.
2. Javé disse a Moisés: "Diga a seu irmão Aarão que nunca entre no santuário além do véu, diante da placa de ouro que está sobre a arca. Ele poderá morrer, porque eu apareço numa nuvem sobre a placa da arca.
3. Aarão entrará no santuário com um bezerro para o sacrifício pelo pecado e um cordeiro para o holocausto.
4. Vestirá uma túnica de linho sagrada, se cobrirá com calções de linho, amarrará a cintura com um cinto de linho e usará um turbante de linho. São vestes sagradas, e ele as vestirá depois de tomar banho.
5. Receberá da comunidade dos filhos de Israel dois bodes para o sacrifício pelo pecado e um cordeiro para o holocausto.
6. Depois de oferecer o bezerro como sacrifício pelo seu próprio pecado, e de ter feito a expiação por si mesmo e pela sua família,
7. Aarão pegará os dois bodes e os apresentará diante de Javé, na entrada da tenda da reunião.
8. Tirará a sorte sobre os dois bodes: um será de Javé e o outro de Azazel.
9. Pegará o que foi sorteado para Javé e o oferecerá como sacrifício pelo pecado.
10. Quanto ao bode que foi sorteado para Azazel, será colocado vivo diante de Javé, para fazer a expiação, e depois será mandado para Azazel no deserto.
11. Aarão oferecerá o bezerro do sacrifício pelo seu próprio pecado. Em seguida fará o rito de expiação por si mesmo e por sua família, e imolará o bezerro.
12. Então encherá um incensório com brasas tiradas do altar diante de Javé e pegará dois punhados de incenso aromático em pó. Levará tudo para trás do véu,
13. e colocará o incenso sobre o fogo, diante de Javé; uma nuvem de incenso cobrirá a placa que está sobre o documento da aliança; assim ele não morrerá.
14. Depois pegará sangue do bezerro e aspergirá, com o dedo, o lado oriental da placa; depois, diante da placa fará com o dedo sete aspersões de sangue.
15. A seguir imolará o bode do sacrifício pelo pecado do povo e levará o sangue para trás do véu. Com esse sangue, fará o mesmo que fez com o sangue do bezerro, aspergindo sobre a placa e diante dela.
16. Fará desse modo o rito de expiação pelo santuário, pelas impurezas dos filhos de Israel, pelas transgressões e por todos os pecados deles. Fará o mesmo com a tenda da reunião, estabelecida entre eles no meio de suas impurezas.
17. Enquanto Aarão estiver fazendo a expiação por si próprio, por sua família e por toda a comunidade de Israel, ninguém deverá estar na tenda da reunião, desde que ele entrar até sair.
18. Depois ele sairá, irá até o altar que está diante de Javé e fará a expiação. Pegará sangue do bezerro e do bode e ungirá com ele os cantos do altar.
19. Com o mesmo sangue fará com o dedo sete aspersões sobre o altar. Desse modo purificará o altar, separando-o das impurezas dos filhos de Israel.
20. Depois de fazer a expiação do santuário, da tenda da reunião e do altar, Aarão mandará trazer o bode vivo.
21. Colocará as duas mãos sobre a cabeça do bode e confessará sobre ele todas as culpas, transgressões e pecados dos filhos de Israel. Depois de colocar tudo sobre a cabeça do bode, mandará o animal para o deserto, conduzido por um homem para isso preparado.
22. Assim, o bode levará sobre si, para uma região deserta, todas as culpas deles. Quando tiver soltado o bode no deserto,
23. Aarão entrará na tenda da reunião, tirará as roupas de linho que havia posto para entrar no santuário, e as deixará aí.
24. Tomará banho no lugar santo e vestirá suas próprias roupas. Tornará a sair e oferecerá o holocausto, tanto o seu como o do povo. Fará a expiação por si próprio e pelo povo,
25. e deixará queimar sobre o altar a gordura do sacrifício pelo pecado.
26. O encarregado de levar o bode a Azazel deverá lavar as roupas e tomar banho; depois disso poderá entrar no acampamento.
27. O bezerro e o bode oferecidos em sacrifício pelo pecado, e cujo sangue foi levado ao santuário para fazer o rito de expiação, serão levados para fora do acampamento, onde se queimarão a pele, a carne e os intestinos.
28. Quem os queimar deverá lavar as próprias roupas e tomar banho; depois poderá entrar no acampamento.
29. Isso é uma lei perpétua para vocês. No décimo dia do sétimo mês, vocês farão jejum. Nem o cidadão, nem o imigrante que mora entre vocês farão nenhum trabalho,
30. pois nesse dia será feita a expiação por vocês, a fim de purificá-los. Aí então, diante de Javé, vocês ficarão puros de todos os pecados.
31. Será para vocês um sábado de repouso absoluto, e vocês farão penitência. É uma lei perpétua.
32. O sacerdote que recebeu a unção e sucedeu a seu pai no exercício do sacerdócio, realizará a expiação; ele se vestirá com as vestes sagradas de linho,
33. e fará a expiação pelo santuário, pela tenda da reunião e pelo altar; fará a expiação pelos sacerdotes e por todo o povo da comunidade.
34. Será uma lei perpétua para vocês: uma vez por ano será feita a expiação por todos os pecados dos filhos de Israel". E tudo foi feito como Javé tinha ordenado a Moisés.

[Levítico 17]IV. A LEI DE SANTIDADE

Levítico 17

O SANGUE É SAGRADO
1. Javé falou a Moisés:
2. "Diga a Aarão, aos filhos dele e aos filhos de Israel: Assim ordena Javé:
3. Todo filho de Israel que imolar um boi, um cordeiro ou uma cabra, no acampamento ou fora dele,
4. e não os levar à entrada da tenda da reunião para oferecê-los a Javé, diante da sua morada, será réu de sangue. Derramou sangue, e será excluído do seu povo.
5. Desse modo os filhos de Israel levarão ao sacerdote as vítimas que matarem no campo, e as oferecerão a Javé como sacrifício de comunhão na entrada da tenda da reunião.
6. O sacerdote derramará o sangue sobre o altar de Javé, que se encontra na entrada da tenda da reunião, e queimará a gordura como perfume de suave odor para Javé.
7. Não oferecerão mais sacrifícios a deuses falsos, com os quais se prostituem. Essa é uma lei perpétua para os filhos de Israel e seus descendentes.
8. Diga-lhes também: Todo homem, seja filho de Israel, seja imigrante que reside no meio de vocês, que oferecer um holocausto ou sacrifício,
9. e não os levar à entrada da tenda da reunião para oferecê-los a Javé, será excluído do seu povo.
10. Todo homem, seja filho de Israel, seja imigrante que reside no meio de vocês, que comer qualquer espécie de sangue, eu me voltarei contra ele e o exterminarei do meio de seu povo.
11. Porque o sangue é a vida da carne, e esse sangue eu lhes dou para fazer o rito de expiação sobre o altar, pela vida de vocês; pois é o sangue que faz a expiação pela vida.
12. É por esse motivo que eu disse aos filhos de Israel: Nem vocês, nem o imigrante que reside no meio de vocês, comerão sangue.
13. Todo filho de Israel ou imigrante que reside no meio de vocês que caçar um animal ou ave que é permitido comer, deverá derramar o sangue do animal ou da ave e cobri-lo com terra.
14. O sangue é a vida de todo ser vivo; foi por isso que eu disse aos filhos de Israel: 'Não comam o sangue de nenhuma espécie de ser vivo, pois o sangue é a vida de todo ser vivo e quem o comer será exterminado'.
15. Toda pessoa, cidadão ou imigrante, que comer um animal morto ou dilacerado por uma fera, deverá lavar as próprias roupas e tomar banho; ficará impuro até à tarde; depois ficará puro.
16. Se não lavar as roupas e não tomar banho, carregará o peso de sua culpa".

[Levítico 18]Levítico 18

UNIÕES PROIBIDAS
1. Javé falou a Moisés:
2. "Diga aos filhos de Israel: Eu sou Javé, o Deus de vocês.
3. Não se comportem como na terra do Egito, onde vocês habitaram, nem como costumam se comportar na terra de Canaã, para onde estou levando vocês; não sigam os estatutos deles,
4. mas pratiquem minhas normas e guardem minhas leis, deixando-se guiar por elas. Eu sou Javé, o Deus de vocês.
5. Guardem meus estatutos e minhas normas, que dão vida a quem os cumpre. Eu sou Javé.
6. Ninguém de vocês se aproximará de uma parenta próxima, para ter relações sexuais com ela. Eu sou Javé.
7. Não tenha relações sexuais com sua mãe. Ela é de seu pai, e é sua mãe; não tenha relações sexuais com ela.
8. Não tenha relações sexuais com a concubina de seu pai; pois ela pertence ao seu pai.
9. Não tenha relações sexuais com sua irmã, seja por parte de pai, seja de mãe, nascida em casa ou fora dela.
10. Não tenha relações sexuais com suas netas, pois elas são sua própria carne.
11. Não tenha relações sexuais com a filha da concubina de seu pai, pois ela é sua irmã.
12. Não tenha relações sexuais com sua tia paterna, pois ela é do sangue de seu pai.
13. Não tenha relações sexuais com sua tia materna, pois ela é do sangue de sua mãe.
14. Não ofenda seu tio, irmão de seu pai, tendo relações sexuais com a mulher dele, pois ela é sua tia.
15. Não tenha relações sexuais com sua nora, pois ela é a mulher de seu filho.
16. Não tenha relações sexuais com sua cunhada, pois ela pertence ao seu irmão.
17. Não tenha relações sexuais com uma mulher e com a filha dela, nem com a neta dela. São parentes, e isso seria uma infâmia.
18. Não case com uma mulher e com a irmã dela, criando rivalidades, ao ter relações sexuais também com ela enquanto a outra vive.
19. Não tenha relações sexuais com uma mulher durante a menstruação.
20. Não se deite com a mulher de alguém do seu povo: você ficaria impuro.
21. Não sacrifique um filho seu a Moloc, profanando o nome do seu Deus. Eu sou Javé.
22. Não se deite com um homem, como se fosse com mulher: é uma abominação.
23. Não se deite com animal, pois você ficaria impuro. A mulher não se entregará a um animal, para ter relações sexuais com ele, pois seria uma depravação.
24. Não se tornem impuros com nenhuma dessas coisas, pois assim fazem as nações que eu vou expulsar da frente de vocês.
25. A terra está impura: vou pedir contas a ela, e ela vomitará seus próprios habitantes.
26. Quanto a vocês, guardem meus estatutos e normas, e não cometam nenhuma dessas abominações, nem o cidadão, nem o imigrante que reside entre vocês.
27. Porque todas essas abominações foram cometidas pelos habitantes que habitaram nesta terra antes de vocês, e a terra ficou impura.
28. Se vocês tornarem impura esta terra, será que ela não os irá vomitar como vomitou as nações que habitaram nela antes de vocês?
29. Porque todo aquele que cometer uma dessas abominações será excluído do seu povo.
30. Portanto, respeitem minhas proibições, não seguindo nenhuma dessas práticas abomináveis, que eram feitas antes de vocês chegarem. Não se tornem impuros com elas. Eu sou Javé, o Deus de vocês".

[Levítico 19]Levítico 19

UM POVO SANTO COMO O SEU DEUS
1. Javé falou a Moisés:
2. "Diga a toda a comunidade dos filhos de Israel: Sejam santos, porque eu, Javé, o Deus de vocês, sou santo.
3. Cada um de vocês respeite sua mãe e seu pai. Guardem os meus sábados. Eu sou Javé, o Deus de vocês.
4. Não recorram aos ídolos, nem façam deuses de metal derretido. Eu sou Javé, o Deus de vocês.
5. Quando oferecerem sacrifícios de comunhão a Javé, façam de tal modo que sejam aceitos.
6. A vítima será comida no mesmo dia do sacrifício ou no dia seguinte; o que sobrar será queimado no terceiro dia.
7. Aquilo que for comido no terceiro dia será considerado comida estragada, e não será aceito.
8. Quem comer, carregará o peso de sua culpa, porque profanou a santidade de Javé: será então eliminado do seu povo.
9. Quando vocês fizerem a colheita da lavoura nos seus terrenos, não colham até o limite do campo; não voltem para colher o trigo que ficou para trás,
10. nem as uvas que ficaram no pé; também não recolham as uvas caídas no chão: deixem tudo isso para o pobre e o imigrante. Eu sou Javé, o Deus de vocês.
11. Ninguém de vocês roube, nem use de falsidade, e não engane ninguém do seu povo.
12. Não jurem falsamente pelo meu nome, porque vocês estariam profanando o nome do seu Deus. Eu sou Javé.
13. Não oprima o seu próximo, nem o explore, e que o salário do operário não fique com você até o dia seguinte.
14. Não amaldiçoe o mudo, nem coloque obstáculos diante do cego: tema o seu Deus. Eu sou Javé.
15. Não cometam injustiças no julgamento. Não seja parcial para favorecer o pobre ou para agradar ao rico: julgue com justiça os seus concidadãos.
16. Não espalhe boatos, nem levante falso testemunho contra a vida do seu próximo. Eu sou Javé.
17. Não guarde ódio contra o seu irmão. Repreenda abertamente o seu concidadão, e assim você não carregará o pecado dele.
18. Não seja vingativo, nem guarde rancor contra seus concidadãos. Ame o seu próximo como a si mesmo. Eu sou Javé.
19. Observem meus estatutos. Não emparelhe no seu rebanho dois animais de espécie diferente. Não semeie no seu campo duas espécies diferentes de sementes. Não use roupa de duas espécies de tecido.
20. O homem que se unir a uma mulher que é escrava concubina de outro homem, sem que ela tenha sido resgatada nem alforriada, pagará uma multa. Eles não serão mortos, pois a mulher não era livre.
21. Oferecerá a Javé, na entrada da tenda da reunião, um cordeiro como sacrifício de reparação.
22. Com o cordeiro do sacrifício de reparação, o sacerdote fará sobre o homem o rito de sacrifício pelo pecado, diante de Javé, e o pecado dele será perdoado.
23. Quando vocês tiverem entrado na terra e tiverem plantado árvores frutíferas, considerem os frutos como incircuncisos. Durante três anos vocês os considerem como coisa incircuncisa, e não os comam.
24. No quarto ano, todos os frutos serão consagrados a Javé.
25. E no quinto ano, vocês poderão comer os frutos dessas árvores. Desse modo, elas continuarão a dar frutos para vocês. Eu sou Javé, o Deus de vocês.
26. Não comam nada com sangue. Não pratiquem adivinhações nem magia.
27. Não cortem as pontas dos cabelos em redondo e não aparem a barba.
28. Não façam incisões no corpo por algum morto, nem façam tatuagens. Eu sou Javé.
29. Não profane a sua filha, fazendo com que ela se prostitua. Que o país não seja prostituído, nem se torne depravado.
30. Guardem os meus sábados e respeitem o meu santuário. Eu sou Javé.
31. Não se dirijam aos necromantes, nem consultem adivinhos, porque eles tornariam vocês impuros. Eu sou Javé, o Deus de vocês.
32. Levante-se diante de uma pessoa de cabelos brancos e honre o ancião: tema o seu Deus. Eu sou Javé.
33. Quando um imigrante habitar com vocês no país, não o oprimam.
34. O imigrante será para vocês um concidadão: você o amará como a si mesmo, porque vocês foram imigrantes na terra do Egito. Eu sou Javé, o Deus de vocês.
35. Não cometam injustiças no julgamento, nem cometam injustiças no peso e nas medidas.
36. Tenham balanças, pesos e medidas exatas. Eu sou Javé, o Deus de vocês, que os tirei da terra do Egito.
37. Observem todos os meus estatutos e normas, praticando-os. Eu sou Javé".

[Levítico 20]Levítico 20

NÃO ADOREM O DEUS DA MORTE
1. Javé falou a Moisés:
2. "Diga aos filhos de Israel: Todo filho de Israel ou imigrante residente em Israel, que entregar um de seus filhos a Moloc, será réu de morte. O povo da terra o apedrejará,
3. e eu me voltarei contra esse homem e o eliminarei do seu povo, pois, entregando um de seus filhos a Moloc, contaminou o meu santuário e profanou o meu santo nome.
4. Se o povo da terra fechar os olhos a respeito do homem que entregou um de seus filhos a Moloc, e não o matar,
5. eu mesmo me voltarei contra esse homem e contra o seu clã. Eu os eliminarei do seu povo, tanto a ele como aos que com ele se prostituíram com Moloc.
6. Quem recorrer aos necromantes e adivinhos, para se prostituir com eles, eu me voltarei contra esse homem e o eliminarei do seu povo.
7. Quanto a vocês, santifiquem-se e sejam santos, porque eu sou Javé, o Deus de vocês.

RESPEITEM A FAMÍLIA
8. Guardem e pratiquem meus estatutos, porque eu sou Javé, aquele que santifica vocês.
9. Portanto: quem amaldiçoar o pai ou a mãe será réu de morte. Dado que amaldiçoou o pai ou a mãe, o sangue dele cairá sobre ele mesmo.
10. O homem que cometer adultério com a mulher do seu próximo se tornará réu de morte, tanto ele como a sua cúmplice.
11. O homem que se deitar com a concubina de seu pai estará ofendendo seu próprio pai: ambos serão réus de morte, e o sangue deles cairá sobre eles mesmos.
12. O homem que se deitar com a sua nora será morto juntamente com ela. Estão contaminados, e o sangue deles cairá sobre eles mesmos.
13. O homem que se deita com outro homem, como se fosse mulher, está cometendo uma abominação. Os dois serão réus de morte, e o sangue deles cairá sobre eles mesmos.
14. O homem que toma por esposa, ao mesmo tempo, uma mulher e a mãe dela, comete coisa abominável. Os três serão queimados, para que não haja coisa abominável entre vocês.
15. O homem que tem relações sexuais com animal torna-se réu de morte, e o animal também deve ser morto.
16. Se uma mulher se oferece para ter relação sexual com animal, tanto ela como o animal devem ser mortos: são réus de morte, e o sangue deles cairá sobre eles mesmos.
17. Se um homem tem relações sexuais com uma irmã por parte de pai ou de mãe, isso é uma infâmia. Serão publicamente eliminados do seu povo, e, por ter tido relações com sua irmã, carregará o peso da própria falta.
18. Se um homem dormir com uma mulher durante a menstruação, e tiver relações sexuais, descobrindo a fonte do sangue, os dois serão eliminados do seu povo.
19. Não tenha relações sexuais com uma tia materna ou paterna. Por ter tido relações sexuais com alguém do próprio sangue, carregarão o peso da sua falta.
20. Se alguém se deitar com a cunhada do seu pai, estará ofendendo o próprio tio. Carregarão o peso de sua falta, e morrerão sem filhos.
21. Se alguém tomar como esposa a própria cunhada, estará cometendo uma torpeza. Terá ofendido o seu próprio irmão, e morrerão sem filhos.

MANTENHAM A ORIGINALIDADE
22. Guardem e coloquem em prática todos os meus estatutos e normas. Desse modo, a terra para onde eu conduzo vocês, para nela habitarem, não os vomitará.
23. Não sigam os estatutos das nações que eu vou expulsar da frente de vocês, pois elas fazem coisas que são abomináveis para mim.
24. Já lhes disse: 'Vocês tomarão posse da terra delas, que eu lhes dou como propriedade, uma terra onde corre leite e mel'. Eu sou Javé, o Deus de vocês. Eu os separei desses povos.
25. Separem também os animais puros dos impuros, as aves puras das impuras, e não se contaminem com animais, aves ou répteis que eu separei como impuros.
26. Sejam santos para mim, porque eu, Javé, sou santo. Eu separei vocês de todos os povos, para que vocês pertençam a mim.
27. O homem ou mulher que pratica a necromancia ou adivinhação, é réu de morte. Será apedrejado, e o seu sangue cairá sobre ele".

[Levítico 21]Levítico 21

SANTIDADE DOS SACERDOTES
1. Javé falou a Moisés: "Diga aos sacerdotes, filhos de Aarão: O sacerdote não se contaminará com o cadáver de um parente,
2. a não ser que se trate de parente muito chegado: mãe, pai, filho, filha, irmão.
3. Também por sua irmã solteira que vive com ele; por causa dela poderá expor-se à impureza.
4. Não se inclui a parente casada, pois ele ficaria profanado.
5. Os sacerdotes não raparão a cabeça, não apararão a barba, nem farão incisões no corpo.
6. Serão consagrados ao seu Deus e não profanarão o nome do seu Deus, porque são eles que apresentam a Javé as ofertas queimadas, o alimento do seu Deus. Devem ser santos.
7. Não se casarão com prostituta ou mulher desonrada, ou ainda mulher que tenha sido repudiada por seu marido, porque o sacerdote está consagrado ao seu Deus.
8. Você tratará o sacerdote como santo, porque ele é o encarregado de oferecer o alimento do seu Deus. Ele será santo para você, porque eu, Javé que santifico vocês, sou santo.
9. Se a filha de um sacerdote se profana através da prostituição, está profanando também o seu pai. Deve ser queimada.
10. O sumo sacerdote, escolhido entre seus irmãos, sobre cuja cabeça foi derramado o óleo da unção e foi consagrado com a investidura das vestes sagradas, não andará despenteado nem esfarrapado.
11. Não se aproximará de nenhum cadáver, porque não deverá tornar-se impuro, nem mesmo por seu pai ou por sua mãe;
12. não sairá do santuário e não profanará o santuário do seu Deus, porque está consagrado com o óleo da unção do seu Deus. Eu sou Javé.
13. Ele tomará por esposa uma virgem;
14. não se casará com viúva ou com mulher repudiada, desonrada ou prostituta, mas se casará com uma virgem do seu povo,
15. para não profanar seus filhos no meio do povo, porque eu sou Javé, que o santifico".
16. Javé falou a Moisés:
17. "Diga a Aarão: Nenhum de seus descendentes, nas futuras gerações, se tiver algum defeito corporal, poderá oferecer o alimento do seu Deus.
18. Não poderá apresentar-se ninguém defeituoso, que seja cego, coxo, atrofiado, deformado,
19. que tenha perna ou braço fraturado,
20. que seja corcunda, anão, que tenha defeito nos olhos ou catarata, que tenha pragas pustulentas, ou que seja eunuco.
21. Nenhum dos descendentes do sacerdote Aarão se apresente, com algum defeito, para apresentar ofertas queimadas a Javé. É que tem defeito e, por isso, não se apresentará para oferecer o alimento do seu Deus.
22. Ele poderá comer das porções sagradas e santíssimas,
23. mas não ultrapassará o véu, nem se aproximará do altar: ele tem defeito corporal, e não deverá profanar as minhas coisas sagradas, porque eu sou Javé, que as santifico".
24. Moisés falou tudo isso a Aarão e seus filhos, e a todos os filhos de Israel.

[Levítico 22]Levítico 22

OS ALIMENTOS SAGRADOS
1. Javé falou a Moisés:
2. "Mande que Aarão e seus filhos tratem com respeito as porções sagradas que os filhos de Israel me consagraram, e assim não profanem o meu santo nome. Eu sou Javé.
3. Diga para eles: Nas gerações futuras, qualquer um da descendência de Aarão que, em estado de impureza, se aproximar das porções sagradas, que tenham sido consagradas a Javé pelos filhos de Israel, tal pessoa será eliminada da minha presença. Eu sou Javé.
4. Nenhum homem da descendência de Aarão, que sofra de lepra ou gonorréia, poderá comer das porções sagradas, enquanto não for purificado. Toda pessoa que tocar alguma coisa que um cadáver tornou impura, ou aquele que teve uma poluição,
5. ou que tiver tocado em algum tipo de réptil ou em homem que possa contaminá-lo com impureza de qualquer tipo,
6. ficará impuro até à tarde e não poderá comer das porções sagradas, mas tomará banho, e ao pôr-do-sol ficará puro.
7. Então, poderá comer da porção sagrada, porque é o seu alimento.
8. Não comerá animal morto ou dilacerado por uma fera, pois ficaria impuro. Eu sou Javé.
9. Todos observarão as minhas proibições, para não cometer pecado que lhes traga a morte por se haverem profanado. Eu sou Javé, que os santifico.
10. Nenhum estranho comerá das porções sagradas: nem o hóspede do sacerdote, nem aquele que está a serviço dele.
11. Mas se um sacerdote compra com seu próprio dinheiro um escravo, este poderá comer, assim como também aqueles que nasceram na casa do sacerdote.
12. Se a filha de um sacerdote se casar com um estranho, não poderá comer dos tributos sagrados.
13. Mas se ela enviuvar ou for repudiada sem ter filhos, e voltar para a casa paterna, como no tempo da sua juventude, poderá então comer do alimento de seu pai. Mas nenhum estranho poderá comer desse alimento.
14. Se um homem comer alguma porção sagrada sem saber, deverá restituí-la ao sacerdote com o acréscimo de vinte por cento.
15. Os sacerdotes não profanarão a porção sagrada que os filhos de Israel tributam a Javé.
16. Se a comessem, incorreriam em falta grave que exigiria reparação, pois sou eu, Javé, quem os santifica".
17. Javé falou a Moisés:
18. "Diga a Aarão, aos filhos dele e a todos os filhos de Israel: Qualquer homem da casa de Israel ou qualquer imigrante residente em Israel que oferecer um holocausto a Javé, voluntário ou como cumprimento de um voto,
19. deverá oferecer um macho sem defeito para que a vítima seja aceita: bezerro, cordeiro ou cabrito.
20. Não ofereçam animais com defeito, porque não seriam aceitos.
21. Se alguém oferecer a Javé um sacrifício de comunhão, voluntário ou como cumprimento de um voto, apresentará animal de gado graúdo ou miúdo, sem defeito, para que seja aceito.
22. Não ofereçam a Javé animal cego, estropiado, mutilado, com úlceras, furúnculos ou feridas. Não coloquem animal nenhum com defeito sobre o altar, como oferta a Javé.
23. Você poderá oferecer, como dom voluntário, um animal anão ou disforme, de gado graúdo ou miúdo. Mas se for para cumprimento de um voto, ele não será aceito.
24. Não ofereçam a Javé um animal que tenha os testículos machucados, moídos, arrancados ou cortados. Nunca façam isso em sua terra,
25. nem os aceitem de um estrangeiro, para oferecer como alimento ao Deus de vocês. Essas vítimas são disformes e defeituosas, e não seriam aceitas".
26. Javé falou a Moisés:
27. "Depois do nascimento, o bezerro, cordeiro ou cabrito ficarão sete dias com a mãe; do oitavo dia em diante poderão ser oferecidos como oferta a Javé.
28. Não imolem no mesmo dia uma vaca ou ovelha com sua cria.
29. Se oferecerem a Javé um sacrifício de ação de graças, façam de forma que seja aceito.
30. Ele será comido no mesmo dia, sem deixar nada para o dia seguinte. Eu sou Javé.
31. Cumpram e coloquem em prática os meus mandamentos. Eu sou Javé.
32. Não profanem o meu santo nome, para que eu seja glorificado entre os filhos de Israel. Eu sou Javé, que santifico vocês.
33. Eu os tirei da terra do Egito, a fim de ser o Deus de vocês. Eu sou Javé".

[Levítico 23]Levítico 23

AS FESTAS DO ANO
1. Javé falou a Moisés:
2. "Diga aos filhos de Israel: São estas as solenidades de Javé, que vocês proclamarão como assembléias sagradas. São estas as minhas festas:

O SÁBADO
3. Durante seis dias vocês trabalharão, mas o sétimo é dia de repouso completo, dia de assembléia sagrada, no qual vocês não farão nenhum trabalho: é dia de descanso dedicado a Javé, em todos os lugares em que vocês morarem.
4. Estas são as festas de Javé, as assembléias sagradas às quais vocês convocarão os filhos de Israel, no tempo devido:

FESTA DA PÁSCOA E DOS PÃES SEM FERMENTO
5. O dia catorze do primeiro mês, ao entardecer, é a Páscoa de Javé.
6. O dia quinze do mesmo mês, é a festa dos Pães sem fermento, dedicada a Javé: durante sete dias vocês comerão pão sem fermento.
7. No primeiro dia vocês reunirão a assembléia sagrada e não farão nenhum trabalho nem tarefa alguma.
8. Durante sete dias vocês apresentarão ofertas queimadas a Javé; no sétimo dia voltarão a se reunir em assembléia sagrada e não farão nenhum trabalho nem tarefa alguma".

OFERTA DO PRIMEIRO FEIXE
9. Javé falou a Moisés:
10. "Diga aos filhos de Israel: Quando vocês tiverem entrado na terra que eu lhes dou e fizerem nela a colheita, tragam para o sacerdote o primeiro feixe da colheita.
11. O sacerdote oferecerá esse feixe diante de Javé com o gesto de apresentação, para que seja aceito. Essa apresentação será feita no dia seguinte ao sábado.
12. No mesmo dia, ofereçam a Javé como holocausto um cordeiro de um ano e sem defeito.
13. Como oblação, ofereçam também oito litros de flor de farinha amassada com azeite: é oferta queimada para Javé como perfume de suave odor. Ofereçam também a libação de um litro de vinho.
14. Não comam pão nem grãos tostados até o dia em que levarem sua oferta a Deus. É uma lei perpétua para todos os descendentes de vocês, em qualquer lugar onde estiverem morando.

FESTA DAS SEMANAS
15. A partir do dia seguinte ao sábado, em que vocês tiverem trazido o feixe para a apresentação, vocês contarão sete semanas completas.
16. Contem cinqüenta dias até o dia seguinte ao sétimo sábado, e então ofereçam a Javé uma nova oblação.
17. Dos lugares onde vocês estiverem morando tragam dois pães para oferecer com o gesto de apresentação; esses pães serão feitos com oito litros de flor de farinha assada com fermento: são os primeiros frutos em honra de Javé.
18. Além desses pães, ofereçam, como holocausto a Javé, sete cordeiros de um ano, sem defeito, um bezerro e dois carneiros, os quais, junto com a oferta e a libação, formam uma oblação de suave odor para Javé.
19. Façam também um sacrifício pelo pecado com um bode, e um sacrifício de comunhão com dois cordeiros de um ano.
20. O sacerdote deverá oferecê-los com o gesto de apresentação diante de Javé, junto com o pão dos primeiros frutos. Do mesmo modo, oferecerá os dois cordeiros, que são uma porção sagrada de Javé e pertencem ao sacerdote.
21. Nesse mesmo dia, façam a convocação da festa, e vocês realizarão a assembléia sagrada; não façam nenhum trabalho. É uma lei perpétua para todos os descendentes de vocês, em qualquer lugar onde estiverem morando.
22. Quando estiverem fazendo a colheita da lavoura na terra de vocês, não colham até o limite do campo, nem voltem para colher o trigo que ficou para trás: deixem tudo isso para o pobre e o imigrante. Eu sou Javé, o Deus de vocês".

FESTA DA LUA NOVA
23. Javé falou a Moisés:
24. "Diga aos filhos de Israel: O primeiro dia do sétimo mês é dia de descanso e será anunciado ao som da trombeta. Reúnam-se em assembléia sagrada,
25. não façam nenhum trabalho e apresentem para Javé uma oferta queimada".

DIA DA EXPIAÇÃO
26. Javé falou a Moisés:
27. "O dia dez do sétimo mês é o dia da Expiação. Reúnam-se em assembléia sagrada, façam penitência e ofereçam uma oferta queimada para Javé.
28. Não façam trabalho nenhum, pois é o dia da Expiação, dia em que se faz o rito de expiação por vocês diante de Javé, seu Deus.
29. Quem não fizer penitência nesse dia será excluído do povo.
30. E quem trabalhar nesse dia, eu o eliminarei do seu povo.
31. Não façam nenhum trabalho. É uma lei perpétua para todos os descendentes de vocês, em qualquer lugar onde estiverem morando.
32. Será um dia de descanso solene, em que farão penitência. Observem o descanso desde o dia nove pela tarde até o entardecer do dia dez".

FESTA DAS TENDAS
33. Javé falou a Moisés:
34. "Diga aos filhos de Israel: No dia quinze do sétimo mês começa a festa das Tendas, dedicada a Javé, e dura sete dias.
35. No primeiro dia, reúnam-se em assembléia sagrada e não façam nenhum trabalho.
36. Durante sete dias ofereçam para Javé ofertas queimadas. No oitavo dia, voltem a se reunir em assembléia sagrada e apresentem para Javé uma oferta queimada: é dia de reunião solene, e vocês não farão nenhum trabalho.
37. São estas as festas de Javé, em que vocês se reunirão em assembléia sagrada, e oferecerão a Javé oblações, holocaustos e ofertas, sacrifícios de comunhão e libações, conforme o ritual de cada dia.
38. Tudo isso será feito além dos sábados de Javé e além das dádivas, votos e ofertas voluntárias que vocês farão a Javé.
39. Desde o dia quinze do sétimo mês, quando vocês tiverem feito a colheita, celebrarão a festa de Javé durante sete dias. O primeiro e oitavo serão dias de repouso.
40. No primeiro dia, vocês pegarão frutos das melhores árvores, cortarão ramos de árvores para enfeite, ramos de palmeiras, ramos de árvores frondosas e de salgueiros, e farão festa durante sete dias na presença de Javé, o Deus de vocês.
41. Vocês celebrarão essa festa dedicada a Javé durante sete dias por ano. É uma lei perpétua para os seus descendentes, e será celebrada no sétimo mês.
42. Vocês morarão em cabanas durante sete dias; todos os naturais de Israel morarão em cabanas,
43. para que seus descendentes saibam que eu fiz os filhos de Israel habitar em cabanas quando os tirei do Egito. Eu sou Javé, o Deus de vocês".
44. E Moisés comunicou aos filhos de Israel as festas de Javé.

[Levítico 24]Levítico 24

DEUS ESTÁ NO MEIO DO POVO
1. Javé falou a Moisés:
2. "Mande que os filhos de Israel tragam para você azeite de oliva puro e refinado, para manter as lâmpadas sempre acesas.
3. Na tenda da reunião, fora do véu que está na frente do Testemunho da Aliança, Aarão preparará todos os dias a lâmpada. Ela ficará nesse lugar diante de Javé, ardendo continuamente, desde a tarde até a manhã. É uma lei perpétua para os descendentes de vocês.
4. Aarão preparará continuamente, na presença de Javé, as lâmpadas sobre o candelabro de ouro puro.
5. Pegue flor de farinha e asse com ela doze pães de oito litros cada um.
6. Coloque-os, depois, em duas fileiras de seis, sobre a mesa de ouro puro, que está diante de Javé.
7. Coloque incenso puro sobre cada fileira. Isso será o alimento oferecido como memorial, como oferta queimada para Javé.
8. A cada sábado esses pães serão colocados permanentemente diante de Javé. Os filhos de Israel fornecerão os pães como aliança perpétua.
9. Esses pães pertencerão a Aarão e a seus filhos, que os comerão no lugar sagrado, porque serão, para Aarão, porção sagrada e perpétua das ofertas queimadas a Javé".

O RESPEITO A DEUS E À VIDA
10. Entre os filhos de Israel havia um filho de mãe israelita e de pai egípcio. Ele saiu de casa e brigou com um filho de Israel no acampamento.
11. O filho da israelita blasfemou e amaldiçoou o nome de Javé. Por isso, o levaram à presença de Moisés. A mãe, que se chamava Salomit, era filha de Dabri, da tribo de Dã.
12. Seu filho foi preso para que um oráculo de Javé decidisse a sorte dele.
13. Javé disse a Moisés:
14. "Tire fora do acampamento o homem que blasfemou. Todos que o ouviram coloquem as mãos sobre a cabeça dele. Depois toda a comunidade o apedrejará.
15. Em seguida, fale aos filhos de Israel: 'Todo aquele que amaldiçoar o seu Deus carregará o peso do próprio pecado.
16. Quem blasfemar contra o nome de Javé deverá morrer: será apedrejado por toda a comunidade. Seja imigrante, seja nativo, se blasfemar contra o nome de Javé, deverá morrer.
17. Quem matar um homem, torna-se réu de morte.
18. Quem matar um animal, deverá dar uma compensação: vida por vida.
19. Se alguém ferir o seu próximo, deverá ser feito para ele aquilo que ele fez para o outro:
20. fratura por fratura, olho por olho, dente por dente. A pessoa sofrerá o mesmo dano que tiver causado a outro:
21. quem matar um animal, deverá dar uma compensação por ele; e quem matar um homem, deverá morrer.
22. A sentença será sempre a mesma, quer se trate de nativo, quer de imigrante, pois eu sou Javé, o Deus de vocês' ."
23. Depois que Moisés falou aos filhos de Israel, tiraram do acampamento aquele que havia blasfemado e o apedrejaram. Fizeram o que Javé havia mandado a Moisés.

[Levítico 25]Levítico 25

1. Javé falou a Moisés no monte Sinai:
2. "Diga aos filhos de Israel:

DESCANSO PARA A TERRA Quando vocês entrarem na terra que eu lhes dou, a terra deverá consagrar a Javé o seu sábado.
3. Durante seis anos você semeará os campos e, durante seis anos, você podará as vinhas e recolherá as colheitas.
4. Mas o sétimo ano será um solene descanso para a terra, o descanso de Javé: você não semeará o campo, nem podará a vinha,
5. não ceifará as espigas, que não serão reunidas em feixes; nem colherá as uvas das vinhas, que não serão podadas. Será um ano de descanso para a terra.
6. O descanso da terra servirá de alimento para você, para seu escravo, sua escrava, seu empregado, seu hóspede, e para todos aqueles que moram com você.
7. Todo o produto da terra servirá de pastagem para seu gado e para os animais selvagens.

O ANO DE JÚBILO
8. Conte sete semanas de anos, isto é, sete vezes sete anos; tais semanas de anos darão um período de quarenta e nove anos.
9. No dia dez do sétimo mês você fará soar a trombeta. No dia da expiação vocês façam soar a trombeta no país inteiro.
10. Declarem santo o qüinquagésimo ano e proclamem a libertação para todos os moradores do país. Será para vocês um ano de júbilo: cada um de vocês recuperará a sua propriedade e voltará para a sua família.
11. O qüinquagésimo ano será para vocês um ano de júbilo: vocês não semearão, nem ceifarão as espigas que tiverem nascido espontaneamente, nem colherão uvas das videiras não podadas.
12. O jubileu será uma coisa sagrada, e vocês comerão o que o campo produzir.
13. Nesse ano de júbilo cada um recuperará a sua propriedade.
14. Quando vocês fizerem operações de compra e venda com alguém do seu povo, não explorem uns aos outros.
15. O que você comprar de alguém do seu povo, será avaliado conforme o número de anos decorridos depois do jubileu. E aquele, por sua vez, cobrará de você conforme o número dos anos de colheita:
16. quanto maior o número de anos, mais alto será o preço; quanto menor o número de anos, menor será o preço, porque ele cobra de você conforme o número de colheitas.
17. Ninguém de vocês explore o irmão, mas tema o Deus de vocês, porque eu sou Javé, o Deus de vocês.

PROVIDÊNCIA DE DEUS E PREVIDÊNCIA DO HOMEM
18. Cumpram meus estatutos e normas, colocando-os em prática. Desse modo, vocês viverão tranqüilos na terra.
19. A terra dará o seu fruto, e vocês comerão até saciar-se, e viverão tranqüilos.
20. Vocês poderão perguntar: 'O que vamos comer no sétimo ano, se não semearmos nem fizermos colheita?'
21. Eu lhes mandarei a minha bênção no sexto ano, e a terra produzirá colheita para os três anos.
22. Quando vocês semearem no oitavo ano, poderão ainda comer dos produtos antigos até o nono ano. E enquanto não vierem os produtos do nono ano, vocês comerão os produtos antigos.

TODOS TÊM DIREITO À TERRA E À CASA PRÓPRIA
23. A terra não poderá ser vendida para sempre, porque a terra me pertence, e vocês são para mim imigrantes e hóspedes.
24. Por isso, em qualquer terra que vocês possuírem, concedam o direito de resgatar a terra.
25. Se um irmão seu cai na miséria e precisa vender algo do patrimônio próprio, o parente mais próximo dele, que tem o direito de resgate, irá até ele e resgatará aquilo que o irmão tiver vendido.
26. Quem não tiver ninguém para exercer esse direito, e desde que haja encontrado recursos para fazer o resgate,
27. descontará os anos que passaram desde a venda e pagará ao comprador o que falta, recuperando assim a propriedade.
28. Se não tiver meios para realizar o resgate, a propriedade vendida permanecerá até o ano do jubileu em poder do comprador. No jubileu, o comprador liberará a propriedade, para que esta volte ao seu próprio dono.
29. Quem vender uma casa de moradia numa cidade com muralhas, terá o direito de resgate até o final do ano da venda. Seu direito de resgate durará um ano.
30. Se o resgate não for feito no final de um ano, a casa na cidade com muralhas será propriedade daquele que a comprou e dos seus descendentes, para sempre: não será liberada no jubileu.
31. As casas de aldeias sem muralhas serão consideradas como os campos. Essas casas terão direito de resgate, e o comprador deverá liberá-las no jubileu.
32. Quanto às cidades de levitas, estes terão direito perpétuo de resgatar as casas das cidades que pertençam a eles.
33. Se não forem resgatadas, ficarão liberadas no ano do jubileu, porque as casas das cidades de levitas pertencem a eles entre os filhos de Israel.
34. Os campos pertencentes a essas cidades não poderão ser vendidos, pois são propriedades dos levitas para sempre.

NÃO SE APROVEITAR DA MISÉRIA ALHEIA
35. Se um irmão seu cai na miséria e não tem meios de se manter, você o sustentará, para que viva com você como imigrante ou hóspede.
36. Não cobre dele juros nem ágio. Tema a Deus. E que seu irmão viva com você.
37. Não empreste dinheiro para ele a juros, nem lhe cobre ágio sobre o alimento.
38. Eu sou Javé, o Deus de vocês, que os tirei do Egito para lhes dar a terra de Canaã e ser o Deus de vocês.
39. Se um irmão seu cai na miséria e se vende a você, não o faça trabalhar como escravo:
40. que ele viva com você como assalariado ou hóspede. Trabalhará com você até o ano do jubileu,
41. e então ele e seus filhos ficarão livres para voltar à própria família e recuperar a propriedade paterna.
42. Eles são meus servos, que eu tirei do Egito, e não podem ser vendidos como escravos.
43. Não o trate com dureza. Tema o seu Deus.

NINGUÉM DEVE ESCRAVIZAR O POVO
44. Os escravos e escravas de vocês deverão ser comprados dentre as nações que estão ao redor; delas vocês poderão adquirir escravos e escravas.
45. Também poderão comprá-los entre os filhos de imigrantes que residem no meio de vocês, entre as famílias deles que estão junto de vocês, entre os filhos que eles tiverem no país. Serão propriedade de vocês.
46. Vocês poderão deixá-los como herança aos filhos que vierem depois de vocês; e poderão sempre servir-se deles como escravos. Quanto aos irmãos de vocês, os filhos de Israel, ninguém poderá exercer domínio sobre eles.
47. Se o imigrante ou hóspede que vive com você ficar rico, e o seu irmão, que vive junto dele, cair na miséria e se vender ao imigrante, hóspede ou descendente da família do imigrante,
48. mesmo depois de vendido terá direito a resgate. Será resgatado por um de seus irmãos,
49. ou por seu tio paterno, por seu primo, por qualquer um dos membros da sua família, ou poderá resgatar a si mesmo, se conseguir recursos para isso.
50. Calculará, com o comprador, os anos desde a venda até o ano do jubileu, e o preço corresponderá ao número de anos, contando-se os dias como para um assalariado.
51. Se faltarem ainda muitos anos, pagará o valor do seu resgate em razão desses anos e em proporção ao preço pelo qual foi comprado.
52. Se faltarem poucos anos para chegar o jubileu, fará o cálculo com o seu comprador, e pagará o preço do seu resgate em razão desses anos.
53. Permanecerá com seu comprador como um assalariado contratado por ano, e o patrão não deverá tratá-lo com dureza.
54. Se não for resgatado em nenhum desses modos, ele e seus filhos ficarão livres no ano do jubileu.
55. Isso porque os filhos de Israel são meus servos: são servos meus que tirei do Egito. Eu sou Javé, o Deus de vocês.

[Levítico 26]Levítico 26

BÊNÇÃOS E MALDIÇÕES: VIDA OU MORTE
1. Não façam ídolos, nem levantem imagens esculpidas ou estelas, e não coloquem no país de vocês pedras trabalhadas, para se inclinar diante delas. Porque eu sou Javé, o Deus de vocês.
2. Guardem meus sábados e respeitem meu santuário. Eu sou Javé.
3. Se vocês seguirem meus estatutos, guardarem meus mandamentos e os colocarem em prática,
4. eu darei a vocês a chuva no tempo certo. Então a terra dará seus produtos e a árvore do campo seus frutos.
5. A debulha se estenderá até a colheita da uva, e esta chegará até a semeadura. Vocês comerão até ficar saciados e habitarão tranqüilos no país de vocês.
6. Eu farei reinar a paz no país e vocês dormirão sem alarmes de guerra. Farei desaparecer do país as feras, e a espada não passará pelo país.
7. Vocês perseguirão os inimigos, e eles cairão diante de vocês ao fio da espada.
8. Cinco de vocês perseguirão cem, e cem de vocês perseguirão dez mil, e os inimigos cairão diante de vocês ao fio da espada.
9. Eu me voltarei para vocês e os farei crescer e se multiplicar, mantendo com vocês a minha aliança.
10. E vocês comerão colheitas armazenadas e terão que jogar fora a colheita antiga, para poder guardar a nova.
11. Colocarei a minha morada no meio de vocês e nunca mais os rejeitarei.
12. Eu caminharei com vocês. Serei o Deus de vocês, e vocês serão o meu povo.
13. Eu sou Javé, o Deus de vocês, que os tirei do Egito, para que vocês não fossem mais escravos deles. Quebrei as cangas da opressão, e fiz vocês andarem de cabeça erguida.
14. Mas se vocês não me obedecerem e não colocarem em prática todos esses mandamentos;
15. se vocês rejeitarem meus estatutos e desprezarem minhas normas, não pondo em prática meus mandamentos e rompendo minha aliança,
16. então eu os tratarei do seguinte modo: mandarei contra vocês o terror, a fraqueza e a febre, que embaçam os olhos e consomem a vida. Vocês espalharão as sementes em vão, pois o inimigo de vocês é que as comerá.
17. Eu me voltarei contra vocês, e vocês serão derrotados pelos inimigos. Seus adversários os dominarão. E vocês fugirão sem que ninguém os persiga.
18. Apesar de tudo isso, se vocês ainda não me obedecerem, eu lhes darei uma lição sete vezes maior, por causa de seus pecados.
19. Quebrarei a teimosia orgulhosa de vocês, fazendo com que o céu seja como ferro, e a terra de vocês como bronze.
20. Vocês consumirão inutilmente suas energias, pois a terra não dará colheita, e as árvores do campo não produzirão frutos.
21. Se vocês ainda se opuserem a mim e não me obedecerem, eu os castigarei sete vezes mais, por causa de seus pecados.
22. Mandarei as feras do campo contra vocês. Elas deixarão vocês sem filhos, reduzirão seu gado e dizimarão vocês, a ponto de lhes deixar desertos os caminhos.
23. E, apesar desses castigos, se vocês ainda não se corrigirem e continuarem a se opor a mim,
24. eu também continuarei a ficar contra vocês, e os castigarei sete vezes mais, por causa de seus pecados.
25. Mandarei contra vocês a espada vingadora da minha aliança. E quando vocês se refugiarem em suas cidades, eu mandarei a peste, e vocês terão de se entregar aos inimigos.
26. Quando eu cortar de vocês o sustento de pão, dez mulheres irão assar o seu pão no mesmo forno, e darão a vocês o pão racionado, e vocês comerão, mas não ficarão saciados.
27. E, apesar disso tudo, se vocês ainda não me derem ouvidos e continuarem a se opor a mim,
28. eu ficarei furioso contra vocês, e os castigarei sete vezes mais, por causa de seus pecados.
29. Vocês comerão a carne de seus filhos e a carne de suas filhas.
30. Eu destruirei seus lugares altos, destroçarei seus altares de incenso, jogarei seus cadáveres sobre os cadáveres de seus ídolos, e rejeitarei vocês.
31. Devastarei suas cidades, destruirei seus santuários e não aspirarei mais o perfume do incenso de vocês.
32. Devastarei o país de vocês, e os inimigos que o ocuparem ficarão horrorizados.
33. Quanto a vocês, eu os espalharei no meio das nações e os perseguirei com a espada desembainhada. Seus campos ficarão desertos e suas cidades em ruínas.
34. Então a terra desfrutará de seus próprios sábados, durante todos os dias em que estiver desolada, enquanto vocês estiverem na terra dos inimigos. Então a terra descansará e desfrutará de seus próprios sábados.
35. E durante todos os dias em que estiver desolada, ela descansará o descanso de sábado que vocês não lhe deram enquanto nela habitavam.
36. Quanto aos seus sobreviventes, farei com que se acovardem na terra dos inimigos; ficarão assustados com o barulho das folhas que voam, fugirão como se fosse da espada, e cairão sem que ninguém os persiga.
37. Tropeçarão uns nos outros, como se estivessem diante da espada, sem que ninguém os persiga. Vocês não poderão resistir aos inimigos,
38. perecerão entre as nações, e a terra dos inimigos devorará vocês.
39. Aqueles de vocês que sobreviverem apodrecerão no país inimigo, por causa da sua própria culpa e da culpa de seus pais.
40. Confessarão a própria culpa e a culpa de seus pais, a culpa de terem sido infiéis e de se oporem a mim.
41. Eu também me oporei a eles e os conduzirei ao país de seus inimigos, para ver se eu dobro o coração incircunciso deles, e para ver se eles fazem penitência de sua culpa.
42. Então eu me lembrarei da minha aliança com Jacó, da aliança com Isaac, da aliança com Abraão, e me lembrarei do país.
43. No entanto, eles terão que abandonar o país, e este poderá então desfrutar de seus sábados, enquanto permanecer desolado com a ausência deles. Farão penitência pela culpa de terem rejeitado meus mandamentos e desprezado minhas leis.
44. Apesar de tudo, quando eles estiverem no país inimigo, eu não os rejeitarei, nem os desprezarei até o ponto de exterminá-los e de romper minha aliança com eles. Eu sou Javé, o Deus deles.
45. Em favor deles, eu me recordarei da aliança com seus antepassados, que tirei do Egito diante das nações, para ser o Deus deles. Eu sou Javé".
46. São esses os estatutos, normas e leis que Javé estabeleceu entre si e os filhos de Israel, no monte Sinai, por meio de Moisés.

[Levítico 27] V. APÊNDICE

Levítico 27

DEUS QUER A VIDA, E NÃO SACRIFÍCIOS
1. Javé falou a Moisés:
2. "Diga aos filhos de Israel: Quando alguém quiser cumprir um voto a Javé, em relação ao valor de uma pessoa, o valor será o seguinte:
3. Se for um homem entre vinte e sessenta anos, a taxa será de quinhentos gramas de prata, conforme o peso padrão do santuário.
4. Se for uma mulher, a taxa será de trezentos gramas.
5. Se for um rapaz entre cinco e vinte anos, a taxa será de duzentos gramas. Se for uma jovem, a taxa será de cem gramas.
6. Se for um menino entre um mês e cinco anos, a taxa será de cinqüenta gramas. Se for uma menina, a taxa será de trinta gramas.
7. Se for um homem de sessenta anos para cima, a taxa será de cento e cinqüenta gramas. Se for uma mulher, será de cem gramas.
8. Se aquele que fez o voto não tiver condições de pagar a taxa estabelecida, apresentará a pessoa ao sacerdote. Este fará a avaliação de acordo com as possibilidades de quem fez o voto.
9. Tratando-se de animais que podem ser oferecidos a Javé, o animal inteiro oferecido a Javé se torna coisa sagrada.
10. Não poderá ser trocado ou substituído, seja um bom por um mau, seja um mau por um bom. Se o animal for substituído por outro, os dois se tornam coisa sagrada.
11. Se for animal impuro, que não pode ser oferecido a Javé, seja ele qual for, será levado ao sacerdote.
12. Este fará a avaliação do animal, dizendo se é bom ou mau; a avaliação que o sacerdote fizer será considerada válida.
13. Contudo, se a pessoa quiser resgatar o animal, pagará vinte por cento a mais do valor calculado.
14. Quando alguém consagrar a sua casa a Javé, o sacerdote fará a avaliação de acordo com o tipo da casa; e a avaliação que o sacerdote fizer será considerada válida.
15. Contudo, se aquele que fez o voto da casa quiser resgatá-la, pagará vinte por cento a mais do que foi avaliada, e a casa será dele.
16. Quando alguém consagrar a Javé parte das terras de sua propriedade hereditária, a avaliação será feita conforme a semeadura: quinhentos gramas de prata para cada duzentos e vinte litros de cevada.
17. Se a consagração do campo tiver sido feita durante o ano do jubileu, a taxa será integral.
18. Mas se a consagração tiver sido feita depois do jubileu, o sacerdote calculará a taxa conforme os anos que faltarem para o próximo ano do jubileu, fazendo o desconto correspondente.
19. Se a pessoa quiser resgatar o campo, pagará vinte por cento a mais do que foi avaliado, e o campo será seu.
20. Contudo, se a pessoa não resgatar o campo, mas o vender para alguém, tal campo não poderá mais ser resgatado:
21. no ano do jubileu, quem tiver comprado o campo deverá deixá-lo, e tal campo se tornará coisa consagrada para Javé, como se fosse despojo de guerra. A propriedade hereditária do campo passa a ser do sacerdote.
22. Quando alguém consagrar a Javé um campo que tenha adquirido e que não faz parte de sua propriedade hereditária,
23. o sacerdote avaliará o campo conforme o tempo que ainda faltar para o ano do jubileu. A pessoa que tiver consagrado o campo pagará a importância no mesmo dia, como coisa consagrada para Javé.
24. No ano do jubileu, o campo voltará a ser daquele que o tiver vendido, isto é, daquele que tiver a posse hereditária.
25. As avaliações serão feitas de acordo com o peso padrão do santuário, cujo peso equivale a dez gramas.
26. Ninguém poderá consagrar a primeira cria de um animal, pois esta já pertence a Javé: seja boi, seja ovelha, pertence a Javé.
27. Mas se for animal impuro, poderá ser resgatado pelo preço avaliado, mais vinte por cento; se não for resgatado, será vendido pelo preço avaliado.
28. Aquilo que alguém consagrou a Javé como anátema não pode ser vendido nem resgatado, seja homens, seja animais ou campos de sua propriedade hereditária. O que foi consagrado como anátema é coisa santíssima que pertence a Javé.
29. Uma pessoa consagrada ao anátema não pode ser resgatada: deverá ser morta.
30. Todos os dízimos do campo, seja produto da terra, seja fruto das árvores, pertencem a Javé: é coisa consagrada a Javé.
31. Se alguém quiser resgatar parte do dízimo, pagará vinte por cento além do valor.
32. Os dízimos de animais, boi ou ovelha, isto é, a décima parte de tudo o que passa sob o cajado do pastor, é coisa consagrada a Javé.
33. Não se fará distinção entre os que são bons ou maus, nem serão substituídos; se isso for feito, tanto o animal consagrado como aquele que serviu para substituir serão coisas consagradas, e não poderão ser resgatados".
34. São esses os mandamentos que Javé deu a Moisés, no monte Sinai, para os filhos de Israel.
[Números 1]I. O POVO DE DEUS SE ORGANIZA

Números 1

RECENSEAMENTO: COM QUE FORÇA CONTAR?
1. No primeiro dia do segundo mês do segundo ano da saída do Egito, Javé falou a Moisés na tenda da reunião, no deserto do Sinai:
2. "Façam um recenseamento completo da comunidade dos filhos de Israel: todos os homens, um a um, conforme os clãs e famílias, registrando seus nomes.
3. Você e Aarão registrarão, por esquadrões, todos os homens maiores de vinte anos e capacitados para a guerra.
4. Com vocês estará um homem de cada tribo, chefes de famílias.
5. São estes os nomes daqueles que ajudarão vocês: De Rúben, Elisur, filho de Sedeur.
6. De Simeão, Salamiel, filho de Surisadai.
7. De Judá, Naasson, filho de Aminadab.
8. De Issacar, Natanael, filho de Suar.
9. De Zabulon, Eliab, filho de Helon.
10. Dos filhos de José: de Efraim, Elisama, filho de Amiud; de Manassés, Gamaliel, filho de Fadassur.
11. De Benjamim, Abidã, filho de Gedeão.
12. De Dã, Aiezer, filho de Amisadai.
13. De Aser, Fegiel, filho de Ocrã.
14. De Gad, Eliasaf, filho de Reuel.
15. De Neftali, Aíra, filho de Enã".
16. Foram esses os homens escolhidos na comunidade; eram chefes da tribo do seu antepassado e chefes dos clãs de Israel.
17. Moisés e Aarão tomaram esses homens que haviam sido escolhidos pelo nome,
18. e convocaram toda a comunidade no primeiro dia do segundo mês. Todos os que tinham mais de vinte anos se inscreveram, um por um, conforme os clãs e famílias, registrando seus nomes.
19. O recenseamento no deserto do Sinai foi feito conforme Javé havia mandado a Moisés.
20. Foram recenseados os filhos e descendentes de Rúben, primogênito de Israel, conforme os clãs e famílias, registrando os nomes, um por um, dos homens com mais de vinte anos e capacitados para a guerra.
21. Total da tribo de Rúben: quarenta e seis mil e quinhentos.
22. Foram recenseados os filhos e descendentes de Simeão, conforme os clãs e famílias, registrando os nomes, um por um, dos homens com mais de vinte anos e capacitados para a guerra.
23. Total da tribo de Simeão: cinqüenta e nove mil e trezentos.
24. Foram recenseados os filhos e descendentes de Gad, conforme os clãs e famílias, registrando os nomes, um por um, dos homens com mais de vinte anos e capacitados para a guerra.
25. Total da tribo de Gad: quarenta e cinco mil e seiscentos e cinqüenta.
26. Foram recenseados os filhos e descendentes de Judá, conforme os clãs e famílias, registrando os nomes, um por um, dos homens com mais de vinte anos e capacitados para a guerra.
27. Total da tribo de Judá: setenta e quatro mil e seiscentos.
28. Foram recenseados os filhos e descendentes de Issacar, conforme os clãs e famílias, registrando os nomes, um por um, dos homens com mais de vinte anos e capacitados para a guerra.
29. Total da tribo de Issacar: cinqüenta e quatro mil e quatrocentos.
30. Foram recenseados os filhos e descendentes de Zabulon, conforme os clãs e famílias, registrando os nomes, um por um, dos homens com mais de vinte anos e capacitados para a guerra.
31. Total da tribo de Zabulon: cinqüenta e sete mil e quatrocentos.
32. Foram recenseados os filhos e descendentes de Efraim, filho de José, conforme os clãs e famílias, registrando os nomes, um por um, dos homens com mais de vinte anos e capacitados para a guerra.
33. Total da tribo de Efraim: quarenta mil e quinhentos.
34. Foram recenseados os filhos e descendentes de Manassés, filho de José, conforme os clãs e famílias, registrando os nomes, um por um, dos homens com mais de vinte anos e capacitados para a guerra.
35. Total da tribo de Manassés: trinta e dois mil e duzentos.
36. Foram recenseados os filhos e descendentes de Benjamim, conforme os clãs e famílias, registrando os nomes, um por um, dos homens com mais de vinte anos e capacitados para a guerra.
37. Total da tribo de Benjamim: trinta e cinco mil e quatrocentos.
38. Foram recenseados os filhos e descendentes de Dã, conforme os clãs e famílias, registrando os nomes, um por um, dos homens com mais de vinte anos e capacitados para a guerra.
39. Total da tribo de Dã: sessenta e dois mil e setecentos.
40. Foram recenseados os filhos e descendentes de Aser, conforme os clãs e famílias, registrando os nomes, um por um, dos homens com mais de vinte anos e capacitados para a guerra.
41. Total da tribo de Aser: quarenta e um mil e quinhentos.
42. Foram recenseados os filhos e descendentes de Neftali, conforme os clãs e famílias, registrando os nomes, um por um, dos homens com mais de vinte anos e capacitados para a guerra.
43. Total da tribo de Neftali: cinqüenta e três mil e quatrocentos.
44. Esse foi o recenseamento que Moisés fez com Aarão, ajudado pelos doze chefes de Israel: um de cada família.
45. O total dos filhos de Israel, com mais de vinte anos e capacitados para a guerra,
46. foi de seiscentos e três mil e quinhentos e cinqüenta.
47. Os levitas não foram recenseados com os outros, conforme as famílias,
48. porque Javé tinha dito a Moisés:
49. "Não inclua os levitas no recenseamento e nos registros dos filhos de Israel.
50. Encarregue-os da tenda da aliança, de seus utensílios e de tudo o que pertence a ela. Eles transportarão a tenda com todos os utensílios, estarão a seu serviço e acamparão ao redor dela.
51. Quando a tenda tiver que ser deslocada, os levitas a desmontarão; ao acampar, os levitas a montarão. Qualquer estranho que se aproximar dela será condenado à morte.
52. Os filhos de Israel acamparão por esquadrões, cada um em seu acampamento, junto à sua bandeira.
53. Os levitas, porém, acamparão ao redor da tenda da aliança, para que a Ira não se acenda contra a comunidade dos filhos de Israel. Os levitas cuidarão da tenda da aliança".
54. Os filhos de Israel acataram tudo o que Javé havia ordenado a Moisés, e assim fizeram.

[Números 2]Números 2

DEUS ANIMA A LUTA DO POVO
1. Javé falou a Moisés e Aarão:
2. "Os filhos de Israel acamparão, cada um junto de sua bandeira, com o símbolo de sua família. Acamparão voltados para a tenda da reunião e ao redor dela.
3. No lado leste, em direção ao nascer do sol, acamparão os da bandeira de Judá, com seus esquadrões; o chefe dos filhos de Judá é Naasson, filho de Aminadab;
4. seu exército conta com setenta e quatro mil e seiscentos alistados.
5. Ao lado de Judá acampará a tribo de Issacar. O chefe dos filhos de Issacar é Natanael, filho de Suar.
6. Seu exército conta com cinqüenta e quatro mil e quatrocentos alistados.
7. Do outro lado ficará a tribo de Zabulon. O chefe dos filhos de Zabulon é Eliab, filho de Helon.
8. Seu exército conta com cinqüenta e sete mil e quatrocentos alistados.
9. No acampamento de Judá, os alistados por esquadrões são cento e oitenta e seis mil e quatrocentos. Esses serão os primeiros a se colocar em marcha.
10. No lado sul, a bandeira de Rúben, com seus esquadrões. O chefe dos filhos de Rúben é Elisur, filho de Sedeur.
11. Seu exército conta com quarenta e seis mil e quinhentos alistados.
12. Ao lado de Rúben acampará a tribo de Simeão. O chefe dos filhos de Simeão é Salamiel, filho de Surisadai.
13. Seu exército conta com cinqüenta e nove mil e trezentos alistados.
14. Do outro lado ficará a tribo de Gad. O chefe dos filhos de Gad é Eliasaf, filho de Reuel.
15. Seu exército conta com quarenta e cinco mil e seiscentos e cinqüenta alistados.
16. No acampamento de Rúben, os alistados por esquadrões são cento e cinqüenta e um mil e quatrocentos e cinqüenta. Esses serão os que levantarão acampamento em segundo lugar.
17. Depois, a tenda da reunião se colocará em marcha juntamente com o acampamento dos levitas, no meio dos outros acampamentos. A ordem da marcha será a mesma do acampamento, cada um seguindo a sua bandeira.
18. No lado oeste estará a bandeira do acampamento de Efraim, com seus esquadrões. O chefe dos filhos de Efraim é Elisama, filho de Amiud.
19. Seu exército conta com quarenta mil e quinhentos alistados.
20. Ao lado de Efraim acampará a tribo de Manassés. O chefe dos filhos de Manassés é Gamaliel, filho de Fadassur.
21. Seu exército conta com trinta e dois mil e duzentos alistados.
22. Do outro lado acampará a tribo de Benjamim. O chefe dos filhos de Benjamim é Abidã, filho de Gedeão.
23. Seu exército conta com trinta e cinco mil e quatrocentos alistados.
24. Os alistados do acampamento de Efraim, com seus esquadrões, fazem o total de cento e oito mil e cem. Eles se colocarão em marcha em terceiro lugar.
25. No lado norte estará a bandeira do acampamento de Dã, com seus esquadrões. O chefe dos filhos de Dã é Aiezer, filho de Amisadai.
26. Seu exército conta com sessenta e dois mil e setecentos alistados.
27. Ao lado de Dã acampará a tribo de Aser. O chefe dos filhos de Aser é Fegiel, filho de Ocrã.
28. Seu exército conta com quarenta e um mil e quinhentos alistados.
29. Do outro lado ficará a tribo de Neftali. O chefe dos filhos de Neftali é Aíra, filho de Enã.
30. Seu exército conta com cinqüenta e três mil e quatrocentos alistados.
31. Os alistados do acampamento de Dã fazem o total de cento e cinqüenta e sete mil e seiscentos. Eles se colocarão em marcha em último lugar, seguindo suas bandeiras".
32. Esse é o recenseamento dos filhos de Israel por famílias. Os que foram alistados nesses acampamentos, conforme seus esquadrões, dão o total de seiscentos e três mil, quinhentos e cinqüenta.
33. De acordo com o que Javé havia ordenado a Moisés, os levitas não foram incluídos no recenseamento dos filhos de Israel.
34. Os filhos de Israel fizeram tudo o que Javé havia ordenado a Moisés: acampavam segundo suas bandeiras e se colocavam em marcha por clãs e famílias.

[Números 3]Números 3

SINAL DE LIBERDADE E VIDA
1. Esta é a história de Aarão e Moisés, quando Javé falou a Moisés no monte Sinai.
2. Estes são os nomes dos filhos de Aarão: Nadab, o primogênito, Abiú, Eleazar e Itamar.
3. São esses os nomes dos filhos de Aarão, ungidos e consagrados como sacerdotes.
4. Nadab e Abiú morreram diante de Javé, no deserto do Sinai, ao apresentarem um fogo irregular diante de Javé. Como não tinham filhos, Eleazar e Itamar exerceram o ofício de sacerdotes, quando o seu pai Aarão ainda vivia.
5. Javé falou a Moisés:
6. "Faça que a tribo de Levi se aproxime e a coloque à disposição do sacerdote Aarão, para que esteja a serviço dele.
7. Eles cuidarão de todos os serviços de Aarão e de toda a comunidade, diante da tenda da reunião, e exercerão as tarefas do santuário.
8. Cuidarão de todos os utensílios da tenda da reunião, montarão guarda em lugar dos filhos de Israel e prestarão serviço na tenda da reunião.
9. Entregue os levitas como doados a Aarão e a seus filhos; entre os filhos de Israel, os levitas serão doados.
10. Estabeleça Aarão e seus filhos para exercerem as funções sacerdotais: qualquer estranho que se intrometa será réu de morte".
11. Javé falou a Moisés:
12. "Eu mesmo escolhi os levitas entre os filhos de Israel, para substituir os primogênitos, aqueles filhos de Israel que abrem o seio materno. Portanto, os levitas são meus.
13. De fato, todo primogênito me pertence, pois no dia em que matei os primogênitos na terra do Egito, consagrei para mim todos os primogênitos de Israel, tanto homens como animais. Eles me pertencem. Eu sou Javé".
14. Javé falou a Moisés no deserto do Sinai:
15. "Faça o recenseamento dos filhos de Levi conforme suas famílias e clãs. Faça o recenseamento de todos os homens de um mês para cima".
16. Moisés fez o recenseamento conforme Javé havia ordenado.
17. São estes os nomes dos filhos de Levi: Gérson, Caat e Merari.
18. São estes os filhos de Gérson, conforme seus clãs: Lobni e Semei.
19. Os filhos de Caat, conforme seus clãs, são: Amram, Isaar, Hebron e Oziel.
20. Os filhos de Merari, conforme seus clãs, são: Mooli e Musi. São esses os clãs de Levi, reunidos por famílias.
21. Os clãs de Lobni e de Semei originaram-se de Gérson: são os clãs gersonitas.
22. O total dos homens recenseados, de um mês para cima, foi de sete mil e quinhentos.
23. Os clãs gersonitas acampavam no lado ocidental, atrás do santuário.
24. O chefe da família de Gérson era Eliasaf, filho de Lael.
25. Na tenda da reunião, os gersonitas eram encarregados de cuidar do santuário, da tenda e sua cobertura, do véu da entrada da tenda da reunião,
26. das cortinas do átrio, do véu da entrada da tenda do átrio que dá para o santuário e que rodeia o altar, e também das cordas para a montagem.
27. Os clãs de Amram, Isaar, Hebron e Oziel originaram-se de Caat: são os clãs caatitas.
28. O total dos homens recenseados, de um mês para cima, foi de oito mil e seiscentos. Eles eram encarregados da conservação do santuário.
29. Os clãs caatitas acampavam no lado sul do santuário.
30. O chefe da família para os clãs caatitas era Elisafã, filho de Oziel.
31. Eles eram encarregados da arca, da mesa, do candelabro, dos altares, dos objetos sagrados de culto e do véu, com todos os apetrechos.
32. O chefe supremo dos levitas era Eleazar, filho do sacerdote Aarão; ele era superintendente de todos os que cuidavam do santuário.
33. Os clãs de Mooli e Musi originaram-se de Merari: são os clãs meraritas.
34. O total dos homens recenseados, de um mês para cima, foi de seis mil e duzentos.
35. O chefe da família para os clãs meraritas era Suriel, filho de Abiail. Eles acampavam no lado norte do santuário.
36. Os filhos de Merari eram encarregados das tábuas do santuário, de suas vigas, colunas e bases, com todos os acessórios e utensílios,
37. e também das colunas que rodeiam o átrio, de suas bases, estacas e cordas.
38. No lado oriental, diante do santuário e da tenda da reunião, acampavam Moisés, Aarão e seus filhos, encarregados do santuário em nome dos filhos de Israel. Todo estranho que se intrometesse era réu de morte.
39. O total dos levitas com mais de um mês de idade recenseados e enumerados por Moisés e Aarão, conforme os clãs, de acordo com o que Javé havia ordenado, foi de vinte e dois mil.
40. Javé disse a Moisés: "Faça o recenseamento de todos os primogênitos homens dos filhos de Israel, de um mês para cima, registrando seus nomes.
41. Em lugar dos primogênitos de Israel separe os levitas para mim, e também o gado dos levitas, em lugar dos primogênitos do gado dos filhos de Israel".
42. Moisés fez o recenseamento dos primogênitos dos filhos de Israel, conforme Javé lhe havia ordenado.
43. O total dos primogênitos homens, de um mês para cima, foi de vinte e dois mil, duzentos e setenta e três.
44. Javé falou a Moisés:
45. "Em lugar dos primogênitos dos filhos de Israel separe os levitas, e o gado dos levitas em lugar do gado de Israel. Os levitas pertencerão a mim. Eu sou Javé.
46. Para resgatar os duzentos e setenta e três primogênitos dos filhos de Israel, que ultrapassam o número dos levitas,
47. tome cinqüenta gramas por pessoa, conforme o peso padrão do santuário, que equivale a dez gramas.
48. Entregue esse dinheiro a Aarão e seus filhos, como resgate daqueles que ultrapassam o número dos levitas".
49. Moisés pegou o dinheiro para o resgate daqueles que ultrapassavam o número dos levitas.
50. Então, dos primogênitos dos filhos de Israel recebeu treze mil e seiscentos e cinqüenta gramas, conforme o peso padrão do santuário,
51. e entregou o dinheiro do resgate a Aarão e seus filhos, conforme as ordens que Javé tinha dado a Moisés.

[Números 4]Números 4

1. Javé falou a Moisés e Aarão:
2. "Façam, à parte dos outros levitas, o recenseamento dos filhos de Caat, conforme seus clãs e famílias:
3. todos os homens de trinta a cinqüenta anos, aptos para o serviço militar e que realizarão suas funções na tenda da reunião.
4. Os filhos de Caat servirão às coisas sagradas na tenda da reunião.
5. Quando o acampamento se colocar em marcha, Aarão e seus filhos entrarão, tirarão a cortina, e com ela cobrirão a arca da aliança.
6. Por cima dela, colocarão uma cobertura de couro fino, sobre a qual estenderão um pano de púrpura violeta. Em seguida, colocarão os varais da arca.
7. Sobre a mesa dos pães oferecidos a Deus estenderão um pano de púrpura violeta, e colocarão em cima os pratos, copos, taças e jarros para a libação. Por cima, estará o pão da oferta perpétua.
8. Por cima deles estenderão um pano de púrpura escarlate, que será coberto com uma cobertura de couro fino. Em seguida colocarão os varais da mesa.
9. Pegarão, então, um pano de púrpura violeta para cobrir o candelabro com suas lâmpadas, os acendedores, apagadores e todas as vasilhas de azeite usadas no serviço do candelabro.
10. Colocarão o candelabro com todos os seus utensílios sobre uma cobertura de couro fino e o colocarão por cima dos varais.
11. Estenderão um pano de púrpura violeta sobre o altar de ouro e o recobrirão com uma cobertura de couro fino. Em seguida ajustarão nele os varais.
12. Depois pegarão todos os utensílios usados no serviço do santuário, os colocarão num pano de púrpura violeta e os recobrirão com uma cobertura de couro fino, e colocarão tudo sobre os varais.
13. Tirarão a cinza do altar, estenderão sobre ele um pano de púrpura escarlate,
14. e sobre este colocarão todos os utensílios usados no culto: incensórios, garfos, pás, bacias e todos os utensílios do altar. Estenderão por cima uma cobertura de couro fino e colocarão os varais.
15. Quando Aarão e seus filhos terminarem de cobrir o santuário com todos os seus utensílios, os filhos de Caat, no momento de levantar o acampamento, virão para transportá-lo, sem tocar naquilo que é consagrado; se o fizessem, morreriam. Esta é a carga da tenda da reunião, que os caatitas deverão transportar.
16. Eleazar, filho do sacerdote Aarão, cuidará do azeite do candelabro, dos perfumes de ervas aromáticas, da oblação diária e do óleo da unção; cuidará também de todo o santuário e de tudo o que nele se encontra: os objetos sagrados e seus utensílios".
17. Javé falou a Moisés e Aarão:
18. "Não permitam que a tribo dos clãs caatitas desapareça da tribo de Levi.
19. E façam o seguinte, para que eles não morram: quando tiverem que se aproximar dos objetos sagrados, Aarão e seus filhos entrarão e indicarão a tarefa e o encargo de cada um.
20. Desse modo, eles não entrarão para ver os objetos sagrados nem por um instante, senão morreriam".
21. Javé falou a Moisés:
22. "Faça também o recenseamento dos filhos de Gérson, conforme os clãs e famílias.
23. Faça o recenseamento de todos os homens de trinta a cinqüenta anos, aptos para o serviço militar, a fim de trabalharem na tenda da reunião.
24. Esta é a tarefa dos clãs gersonitas, com suas funções e encargos:
25. transportarão as cortinas do santuário, a tenda da reunião com sua cobertura e a cobertura de couro fino que a recobre, a cortina da entrada da tenda da reunião,
26. as cortinas do átrio, o véu da entrada na porta do átrio, as cortinas que estão em volta do santuário e do altar, as cordas e todos os utensílios necessários para a montagem dela. Farão todo o serviço que se refere a essas coisas.
27. Os gersonitas cumprirão suas funções sob as ordens de Aarão e seus filhos, que indicarão para aqueles os serviços de guarda e de transporte.
28. São essas as tarefas dos clãs gersonitas na tenda da reunião. A supervisão deles estará a cargo de Itamar, filho do sacerdote Aarão.
29. Faça também o recenseamento dos filhos de Merari, conforme os clãs e famílias.
30. Faça o recenseamento de todos os homens de trinta a cinqüenta anos, aptos para o serviço militar, a fim de trabalharem na tenda da reunião.
31. Este é o serviço que deverão assumir e a função que lhes competirá na tenda da reunião: transportarão as tábuas do santuário, as vigas, colunas, bases,
32. as colunas que rodeiam o átrio com suas bases, as estacas, cordas e todos os acessórios. Indique nominalmente os objetos que eles deverão guardar e transportar.
33. Tal será o serviço dos clãs meraritas na tenda da reunião. A supervisão deles estará a cargo de Itamar, filho do sacerdote Aarão".
34. Moisés e Aarão, junto com os chefes da comunidade, fizeram o recenseamento dos caatitas, conforme seus clãs e famílias:
35. todos os que tinham de trinta a cinqüenta anos, aptos para o serviço militar, a fim de trabalharem na tenda da reunião.
36. Foram contados, por clãs, dois mil, setecentos e cinqüenta homens.
37. Esse foi o total dos recenseados dos clãs caatitas, de todos os que deviam servir na tenda da reunião e que foram recenseados por Moisés e Aarão, conforme Javé havia ordenado.
38. Foi feito também o recenseamento dos filhos de Gérson, conforme seus clãs e famílias:
39. foram recenseados todos os homens de trinta a cinqüenta anos, aptos para o serviço militar, a fim de trabalharem na tenda da reunião.
40. Foram contados dois mil, seiscentos e trinta, conforme os clãs e famílias.
41. Esse foi o total dos recenseados dos clãs dos gersonitas, que deviam trabalhar na tenda da reunião e que foram recenseados por Moisés e Aarão, conforme Javé havia ordenado.
42. Foi feito também o recenseamento dos filhos de Merari, conforme seus clãs e famílias:
43. foram recenseados todos os homens de trinta a cinqüenta anos, aptos para o serviço militar, a fim de trabalharem na tenda da reunião.
44. Foram contados, conforme os clãs, três mil e duzentos homens.
45. Esse foi o total dos clãs meraritas recenseados por Moisés e Aarão, conforme Javé havia ordenado.
46. O número total dos levitas contados no recenseamento, que Moisés, Aarão e os chefes de Israel fizeram, por clãs e famílias,
47. dos homens de trinta a cinqüenta anos, aptos para o serviço militar e para o serviço e o transporte da tenda da reunião,
48. chegou a oito mil, quinhentos e oitenta homens.
49. Moisés fez o recenseamento por ordem de Javé, indicando o serviço para cada um e a carga que deveria transportar. Assim foi feito o recenseamento, conforme Javé havia ordenado a Moisés.

[Números 5]Números 5

EXPULSÃO DOS IMPUROS
1. Javé falou a Moisés:
2. "Ordene aos filhos de Israel que expulsem do acampamento os leprosos, os que têm gonorréia e os que se contaminaram com cadáveres.
3. Homens ou mulheres, serão todos expulsos do acampamento, para que não fique contaminado o acampamento, no meio do qual eu moro".
4. Os filhos de Israel fizeram isso e os expulsaram do acampamento. Os israelitas fizeram conforme Javé havia ordenado a Moisés.

PREJUDICAR O PRÓXIMO É OFENDER A DEUS
5. Javé falou a Moisés:
6. "Diga aos filhos de Israel: Quando um homem ou mulher comete um pecado que prejudica o próximo, ofendendo assim a Javé, tal pessoa é culpada:
7. confessará o seu pecado e restituirá, a quem for prejudicado, vinte por cento além do prejuízo causado.
8. Contudo, se o homem prejudicado não tem parente nenhum para o qual se possa fazer a restituição, esta será feita a Javé através do sacerdote, além do cordeiro com que o sacerdote fará o rito de expiação pelo culpado.
9. Tudo aquilo que os filhos de Israel consagrarem será levado ao sacerdote e a ele pertencerá.
10. As coisas que uma pessoa consagrar serão dele; aquilo que alguém der ao sacerdote, ao sacerdote pertencerá".

O DIREITO DE SE DEFENDER
11. Javé falou a Moisés:
12. "Diga aos filhos de Israel: Se alguém supõe que sua mulher se desviou e se tornou infiel,
13. e que outro homem teve relações com ela, tornando-se impura em segredo, pois não havia testemunhas nem foi surpreendida em flagrante,
14. se o marido suspeitar e tiver ciúmes, esteja a mulher contaminada ou não,
15. ele deverá levar sua mulher ao sacerdote. Levará uma oferta de quatro quilos e meio de farinha de cevada, sem misturar azeite ou incenso, pois é uma oferta de ciúme, para denunciar uma culpa.
16. O sacerdote se aproximará e colocará a mulher diante de Javé.
17. Depois pegará água santa numa vasilha de barro e jogará pó do chão do santuário na água;
18. colocará a mulher diante de Javé, soltará os cabelos dela e lhe colocará nas mãos a oferta pelo ciúme, enquanto o sacerdote ficará segurando a água amarga da maldição.
19. Em seguida o sacerdote dirá, fazendo a mulher jurar: 'Se você não dormiu com um estranho e não se contaminou enquanto estava sob o domínio do seu marido, que esta água amarga da maldição não faça mal a você.
20. Mas, se você enganou seu marido enquanto estava sob o domínio dele e se contaminou, deitando-se com outro homem...'
21. E o sacerdote dirá, fazendo que a mulher preste juramento: '...que Javé entregue você à maldição entre os seus, fazendo com que seu sexo fique murcho e seu ventre inchado.
22. Que esta água da maldição entre nas suas entranhas para inchar seu ventre e murchar seu sexo'. E a mulher responderá: 'Amém! Amém!'
23. Depois o sacerdote escreverá essa maldição num documento e o lavará na água amarga.
24. Em seguida fará a mulher beber a água amarga da maldição, de modo que a água da maldição entre nela.
25. Em seguida, o sacerdote pegará das mãos da mulher a oferta pelo ciúme, apresentará diante de Javé e a colocará sobre o altar.
26. Pegará um punhado da oferta pelo ciúme e o queimará sobre o altar, como memorial. Em seguida, fará a mulher beber a água da maldição.
27. Se ela se contaminou e foi infiel a seu marido, logo que a água amarga da maldição entrar nela, seu ventre ficará inchado, seu sexo murchará, e a mulher ficará maldita entre os seus.
28. Se a mulher não se contaminou, se estiver pura, não sofrerá dano e poderá conceber".
29. Esse é o ritual para o caso de ciúme, quando uma mulher se desvia e se torna impura, enquanto está sob o poder do marido;
30. ou no caso em que um homem fica com ciúme de sua mulher. O marido levará a mulher diante de Javé e o sacerdote fará esse ritual com ela.
31. O marido estará livre de culpa, mas a mulher receberá a punição da própria culpa.

[Números 6]Números 6

SINAL DA PERTENÇA A DEUS
1. Javé falou a Moisés:
2. "Diga aos filhos de Israel: Quando um homem ou mulher quiser fazer um voto especial de consagração a Javé, o voto de nazireato,
3. deverá abster-se de vinho e de bebidas fermentadas, e não poderá beber vinagre de vinho ou de bebidas fermentadas; também não tomará suco de uvas, nem comerá uvas frescas ou secas.
4. Enquanto durar seu voto não provará nada que venha da videira, desde a semente até às cascas.
5. Enquanto durar seu voto de nazireato não raspará a cabeça com navalha; deixará crescer livremente os cabelos, até que acabe o tempo pelo qual se consagrou a Javé.
6. Durante todo o tempo que estiver consagrado a Javé não se aproximará de nenhum morto,
7. nem que seja seu pai ou sua mãe, seu irmão ou sua irmã. Se estes morrerem, ele não deverá contaminar-se com eles, porque traz sobre a cabeça o sinal de sua consagração a Deus.
8. Durante todo o tempo do seu nazireato ele está consagrado a Javé.
9. Se uma pessoa morrer de repente ao lado de alguém consagrado, contaminando-lhe por isso a cabeça, ele deverá rapar a cabeça no dia da purificação, isto é, no sétimo dia.
10. No oitavo dia levará ao sacerdote duas rolas ou dois pombinhos à entrada da tenda da reunião.
11. E o sacerdote oferecerá um deles em sacrifício pelo pecado, e o outro em holocausto; em seguida fará o rito pelo pecado, por causa da contaminação com o morto. No mesmo dia, aquele que fez o voto consagrará sua cabeça,
12. se consagrará a Javé durante o tempo do seu nazireato, e levará um cordeiro de um ano como sacrifício de reparação. O tempo anterior não será contado, pois seu nazireato foi contaminado.
13. Esta é a lei para o nazireu no dia em que terminar o seu nazireato: ele será conduzido à entrada da tenda da reunião,
14. onde oferecerá a sua oferta a Javé: um cordeiro de um ano e sem defeito, para o holocausto; uma ovelha de um ano e sem defeito, para o sacrifício pelo pecado; um carneiro sem defeito, para o sacrifício de comunhão;
15. uma cesta de bolos de flor de farinha, sem fermento, amassados com azeite, e tortas sem fermento untadas com azeite, acompanhados de ofertas e libações.
16. Então o sacerdote, levando tudo diante de Javé, apresentará o sacrifício pelo pecado e o holocausto.
17. Depois oferecerá um sacrifício de comunhão com o carneiro e com os bolos sem fermento da cesta; o sacerdote oferecerá também as ofertas e libações.
18. Em seguida, o nazireu, junto à entrada da tenda da reunião rapará a cabeça consagrada, pegará os cabelos de sua cabeça consagrada e os colocará no fogo do sacrifício de comunhão.
19. O sacerdote pegará a espádua assada do carneiro, um bolo sem fermento da cesta e uma torta sem fermento, colocando tudo na mão do nazireu, depois que ele tiver rapado a cabeça.
20. Então com isso tudo, o sacerdote fará o gesto de apresentação diante de Javé: é a porção sagrada que pertence ao sacerdote, além do peito apresentado e da coxa reservada. Em seguida, o nazireu poderá beber vinho.
21. Essa é a lei do nazireu; essa é a oferta a Javé pelo seu nazireato, além daquilo que suas posses permitirem fazer. Cumprirá o que tiver prometido com voto, conforme a lei do nazireato".

DEUS ABENÇOA O POVO
22. Javé falou a Moisés:
23. "Diga a Aarão e a seus filhos: Vocês abençoarão os filhos de Israel assim:
24. 'Javé o abençoe e guarde!
25. Javé lhe mostre seu rosto brilhante e tenha piedade de você!
26. Javé lhe mostre seu rosto e lhe conceda a paz!'
27. Assim eles invocarão o meu nome sobre os filhos de Israel, e eu os abençoarei".

[Números 7]Números 7

MEIOS PARA REALIZAR A FUNÇÃO
1. Quando terminou de construir o santuário, Moisés o ungiu e consagrou com todos os utensílios, junto com o altar e todos os utensílios. Quando acabou de ungir e consagrar todas as coisas,
2. os chefes de Israel fizeram uma oferta. Eram os chefes de famílias e tribos, que tinham colaborado no recenseamento.
3. Levaram sua oferta diante de Javé: seis carros cobertos e doze bois, um carro para cada dois chefes e um boi para cada um deles. E apresentaram essas ofertas diante do santuário.
4. Javé falou a Moisés:
5. "Receba as ofertas deles para o serviço da tenda da reunião e as entregue aos levitas, a cada um conforme sua função".
6. Moisés recebeu os carros e bois e os entregou aos levitas.
7. Deu dois carros e quatro bois aos filhos de Gérson para suas tarefas.
8. Aos filhos de Merari deu quatro carros e oito bois para as tarefas que deviam realizar sob a direção de Itamar, filho do sacerdote Aarão.
9. Aos filhos de Caat, porém, não deu nada, pois eles deviam carregar no ombro os objetos sagrados.

O CULTO É EXPRESSÃO DE PARTILHA
10. Os chefes apresentaram a oferta para a dedicação do altar, quando foi ungido, levando-a diante do altar.
11. Então Javé disse a Moisés: "Cada dia, um chefe trará a sua oferta para a dedicação do altar".
12. No primeiro dia, Naasson, filho de Aminadab, da tribo de Judá, levou a sua oferta:
13. uma bandeja de prata de mil e trezentos gramas, uma bacia de prata para aspersão de setecentos gramas, conforme o peso padrão do santuário, ambas cheias de flor de farinha amassada com azeite para a oferta.
14. Levou também uma vasilha de ouro, de cem gramas, cheia de incenso;
15. um bezerro, um carneiro, um cordeiro de um ano para o holocausto;
16. um bode para o sacrifício pelo pecado;
17. e, para o sacrifício de comunhão, dois bois, cinco carneiros, cinco bodes e cinco cordeiros de um ano. Essa foi a oferta de Naasson, filho de Aminadab.
18. No segundo dia, Natanael, filho de Suar, chefe de Issacar, levou a sua oferta:
19. uma bandeja de prata de mil e trezentos gramas, uma bacia de prata para aspersão de setecentos gramas, conforme o peso padrão do santuário, ambas cheias de flor de farinha amassada com azeite para a oferta.
20. Levou também uma vasilha de ouro, de cem gramas, cheia de incenso;
21. um bezerro, um carneiro e um cordeiro de um ano para o holocausto;
22. um bode para o sacrifício pelo pecado;
23. e, para o sacrifício de comunhão, dois bois, cinco carneiros, cinco bodes e cinco cordeiros de um ano. Essa foi a oferta de Natanael, filho de Suar.
24. No terceiro dia, Eliab, filho de Helon, chefe dos filhos de Zabulon, levou a sua oferta:
25. uma bandeja de prata de mil e trezentos gramas, uma bacia de prata para aspersão de setecentos gramas, conforme o peso padrão do santuário, ambas cheias de flor de farinha amassada com azeite para a oferta.
26. Levou também uma vasilha de ouro, de cem gramas, cheia de incenso;
27. um bezerro, um carneiro e um cordeiro de um ano para o holocausto;
28. um bode para o sacrifício pelo pecado;
29. e, para o sacrifício de comunhão, dois bois, cinco carneiros, cinco bodes e cinco cordeiros de um ano. Essa foi a oferta de Eliab, filho de Helon.
30. No quarto dia, Elisur, filho de Sedeur, chefe dos filhos de Rúben, levou a sua oferta:
31. uma bandeja de prata de mil e trezentos gramas, uma bacia de prata para aspersão de setecentos gramas, conforme o peso padrão do santuário, ambas cheias de flor de farinha amassada com azeite para a oferta.
32. Levou também uma vasilha de ouro, de cem gramas, cheia de incenso;
33. um bezerro, um carneiro e um cordeiro de um ano para o holocausto;
34. um bode para o sacrifício pelo pecado;
35. e, para o sacrifício de comunhão, dois bois, cinco carneiros, cinco bodes e cinco cordeiros de um ano. Essa foi a oferta de Elisur, filho de Sedeur.
36. No quinto dia, Salamiel, filho de Surisadai, chefe dos filhos de Simeão, levou a sua oferta:
37. uma bandeja de prata de mil e trezentos gramas, uma bacia de prata para aspersão de setecentos gramas, conforme o peso padrão do santuário, ambas cheias de flor de farinha amassada com azeite para a oferta.
38. Levou também uma vasilha de ouro, de cem gramas, cheia de incenso;
39. um bezerro, um carneiro e um cordeiro de um ano para o holocausto;
40. um bode para o sacrifício pelo pecado;
41. e, para o sacrifício de comunhão, dois bois, cinco carneiros, cinco bodes e cinco cordeiros de um ano. Essa foi a oferta de Salamiel, filho de Surisadai.
42. No sexto dia, Eliasaf, filho de Reuel, chefe dos filhos de Gad, levou a sua oferta:
43. uma bandeja de prata de mil e trezentos gramas, uma bacia de prata para aspersão de setecentos gramas, conforme o peso padrão do santuário, ambas cheias de flor de farinha amassada com azeite para a oferta.
44. Levou também uma vasilha de ouro, de cem gramas, cheia de incenso;
45. um bezerro, um carneiro e um cordeiro de um ano para o holocausto;
46. um bode para o sacrifício pelo pecado;
47. e, para o sacrifício de comunhão, dois bois, cinco carneiros, cinco bodes e cinco cordeiros de um ano. Essa foi a oferta de Eliasaf, filho de Reuel.
48. No sétimo dia, Elisama, filho de Amiud, chefe dos filhos de Efraim, levou a sua oferta:
49. uma bandeja de prata de mil e trezentos gramas; uma bacia de prata para aspersão de setecentos gramas, conforme o peso padrão do santuário, ambas cheias de flor de farinha amassada com azeite para a oferta.
50. Levou também uma vasilha de ouro, de cem gramas, cheia de incenso;
51. um bezerro, um carneiro e um cordeiro de um ano para o holocausto;
52. um bode para o sacrifício pelo pecado;
53. e, para o sacrifício de comunhão, dois bois, cinco carneiros, cinco bodes e cinco cordeiros de um ano. Essa foi a oferta de Elisama, filho de Efraim.
54. No oitavo dia, Gamaliel, filho de Fadassur, chefe dos filhos de Manassés, levou a sua oferta:
55. uma bandeja de prata de mil e trezentos gramas, uma bacia de prata para aspersão de setecentos gramas, conforme o peso padrão do santuário, ambas cheias de flor de farinha amassada com azeite para a oferta.
56. Levou também uma vasilha de ouro, de cem gramas, cheia de incenso;
57. um bezerro, um carneiro e um cordeiro de um ano para o holocausto;
58. um bode para o sacrifício pelo pecado;
59. e, para o sacrifício de comunhão, dois bois, cinco carneiros, cinco bodes e cinco cordeiros de um ano. Essa foi a oferta de Gamaliel, filho de Fadassur.
60. No nono dia, Abidã, filho de Gedeão, chefe dos filhos de Benjamim, levou a sua oferta:
61. uma bandeja de prata de mil e trezentos gramas, uma bacia de prata para aspersão de setecentos gramas, conforme o peso padrão do santuário, ambas cheias de flor de farinha amassada com azeite para a oferta.
62. Levou também uma vasilha de ouro, de cem gramas, cheia de incenso;
63. um bezerro, um carneiro e um cordeiro de um ano para o holocausto;
64. um bode para o sacrifício pelo pecado;
65. e, para o sacrifício de comunhão, dois bois, cinco carneiros, cinco bodes e cinco cordeiros de um ano. Essa foi a oferta de Abidã, filho de Gedeão.
66. No décimo dia, Aiezer, filho de Amisadai, chefe dos filhos de Dã, levou a sua oferta:
67. uma bandeja de prata de mil e trezentos gramas, uma bacia de prata para aspersão de setecentos gramas, conforme o peso padrão do santuário, ambas cheias de flor de farinha amassada com azeite para a oferta.
68. Levou também uma vasilha de ouro, de cem gramas, cheia de incenso;
69. um bezerro, um carneiro e um cordeiro de um ano para o holocausto;
70. um bode para o sacrifício pelo pecado;
71. e, para o sacrifício de comunhão, dois bois, cinco carneiros, cinco bodes e cinco cordeiros de um ano. Essa foi a oferta de Aiezer, filho de Amisadai.
72. No décimo primeiro dia, Fegiel, filho de Ocrã, chefe dos filhos de Aser, levou a sua oferta:
73. uma bandeja de prata de mil e trezentos gramas, uma bacia de prata para aspersão de setecentos gramas, conforme o peso padrão do santuário, ambas cheias de flor de farinha amassada com azeite para a oferta.
74. Levou também uma vasilha de ouro, de cem gramas, cheia de incenso;
75. um bezerro, um carneiro e um cordeiro de um ano para o holocausto;
76. um bode para o sacrifício pelo pecado;
77. e, para o sacrifício de comunhão, dois bois, cinco carneiros, cinco bodes e cinco cordeiros de um ano. Essa foi a oferta de Fegiel, filho de Ocrã.
78. No décimo segundo dia, Aíra, filho de Enã, chefe dos filhos de Neftali, levou a sua oferta:
79. uma bandeja de prata de mil e trezentos gramas, uma bacia de prata para aspersão de setecentos gramas, conforme o peso padrão do santuário, ambas cheias de flor de farinha amassada com azeite para a oferta.
80. Levou também uma vasilha de ouro, de cem gramas, cheia de incenso;
81. um bezerro, um carneiro e um cordeiro de um ano para o holocausto;
82. um bode para o sacrifício pelo pecado;
83. e, para o sacrifício de comunhão, dois bois, cinco carneiros, cinco bodes e cinco cordeiros de um ano. Essa foi a oferta de Aíra, filho de Enã.
84. Esta foi a oferta dos chefes de Israel para a dedicação do altar, no dia em que foi ungido: doze bandejas de prata, doze bacias de prata para aspersão, doze vasilhas de ouro.
85. Cada bandeja de prata pesava mil e trezentos gramas, e cada bacia de aspersão setecentos gramas, sendo que o total foi de vinte e quatro mil gramas de prata, conforme o peso padrão do santuário.
86. Doze vasilhas de ouro de cem gramas cada uma, conforme o peso padrão do santuário, cheias de incenso, dando um total de mil e duzentos gramas de ouro.
87. O total dos animais para o holocausto foi de doze bezerros, doze carneiros e doze cordeiros de um ano, com as ofertas que os acompanhavam, e doze bodes para o sacrifício pelo pecado.
88. Para o sacrifício de comunhão, o total dos animais foi de vinte e quatro bois, sessenta carneiros, sessenta bodes e sessenta cordeiros de um ano. Essa foi a oferta para a dedicação do altar, quando foi ungido.
89. Quando Moisés entrou na tenda da reunião para falar com Deus, ouviu a voz que lhe falava da placa de ouro que cobre a arca da aliança, entre os dois querubins. E Deus falava com Moisés.

[Números 8]Números 8

A LUZ DE JAVÉ
1. Javé falou a Moisés:
2. "Diga a Aarão: Quando você acender as lâmpadas, faça de modo que elas iluminem a parte da frente do candelabro".
3. Aarão assim fez: colocou as lâmpadas de tal modo que iluminassem a parte da frente do candelabro, conforme Javé tinha ordenado a Moisés.
4. O candelabro era de ouro cinzelado, desde o pedestal até as hastes. Ele foi feito de acordo com o modelo que Javé havia mostrado a Moisés.

CONSAGRADOS DE JAVÉ
5. Javé falou a Moisés:
6. "Escolha levitas entre os filhos de Israel e purifique-os
7. do seguinte modo: Faça sobre eles uma aspersão com água da expiação. Depois, passarão a navalha por todo o corpo, lavarão suas roupas e se purificarão.
8. A seguir, pegarão um bezerro, com a correspondente oferta de flor de farinha amassada com azeite. Então você pegará outro bezerro para o sacrifício pelo pecado.
9. Faça que os levitas se aproximem da tenda da reunião e convoque toda a comunidade dos filhos de Israel.
10. Quando os levitas estiverem diante de Javé, os filhos de Israel imporão as mãos sobre eles.
11. Em seguida, Aarão, em nome dos filhos de Israel, os apresentará a Javé com o gesto de apresentação, para que eles possam desempenhar as tarefas de Javé.
12. Os levitas colocarão a mão sobre a cabeça dos bezerros, e você os oferecerá pelo pecado dos levitas: um como sacrifício pelo pecado e o outro em holocausto.
13. Coloque, depois, os levitas diante de Aarão e seus filhos, e ofereça-os a Javé com o gesto de apresentação.
14. Desse modo, separe do meio dos filhos de Israel os levitas, para que pertençam a mim.
15. Então os levitas poderão começar a servir na tenda da reunião. Purifique-os e ofereça-os com o gesto de apresentação,
16. porque os levitas me foram dados pelos filhos de Israel, em troca de seus primogênitos, e eu os reservo para mim.
17. Todos os primogênitos de Israel, homem ou animal, me pertencem: eu os consagrei a mim mesmo, desde o dia em que matei todos os primogênitos do Egito.
18. Por isso, eu reservo para mim os levitas, em troca dos primogênitos dos filhos de Israel,
19. e os entrego a Aarão e seus filhos como doação dos filhos de Israel, para que façam o serviço dos filhos de Israel na tenda da reunião e para que realizem o rito pelo pecado em favor dos filhos de Israel. Desse modo, nenhuma desgraça atingirá os filhos de Israel quando se aproximarem do santuário".
20. Moisés, Aarão e toda a comunidade dos filhos de Israel fizeram com os levitas tudo o que Javé havia ordenado a Moisés.
21. Os levitas se purificaram de seus pecados e lavaram suas roupas. Aarão os ofereceu a Javé com o gesto de apresentação, e para purificá-los realizou com eles o rito pelo pecado.
22. Os levitas foram, então, admitidos para cumprir sua função na tenda da reunião, na presença de Aarão e seus filhos. Desse modo se cumpriu tudo o que Javé havia ordenado a Moisés a respeito dos levitas.
23. Javé falou a Moisés:
24. "A partir dos vinte e cinco anos os levitas farão os trabalhos da tenda da reunião.
25. Aos cinqüenta anos eles se aposentarão e não prestarão mais serviço.
26. Poderão ajudar seus irmãos montando guarda na tenda da reunião, mas não trabalharão. Tais são as disposições quanto às funções dos levitas".

[Números 9]Números 9

A CELEBRAÇÃO DA PÁSCOA
1. Dois anos depois que os filhos de Israel saíram do Egito, no primeiro mês, Javé falou a Moisés no deserto do Sinai:
2. "Os filhos de Israel celebrarão a Páscoa na data marcada.
3. No dia catorze do primeiro mês, ao entardecer, celebrarão a festa conforme todos os seus estatutos e normas".
4. Moisés mandou os filhos de Israel celebrar a Páscoa.
5. E eles a celebraram no dia catorze do primeiro mês, ao entardecer, no deserto do Sinai. Os filhos de Israel fizeram tudo de acordo com o que Javé tinha ordenado a Moisés.
6. Alguns homens estavam impuros porque haviam tocado num cadáver, e nesse dia não puderam celebrar a Páscoa. Apresentaram-se no mesmo dia a Moisés e Aarão,
7. e lhes disseram: "Estamos impuros porque tocamos num cadáver. Por que não nos deixa trazer nossa oferta a Javé no tempo determinado, junto com os outros filhos de Israel?"
8. Moisés respondeu: "Esperem até que eu saiba o que Javé vai ordenar a respeito de vocês".
9. Javé falou a Moisés:
10. "Diga aos filhos de Israel: Se alguém de vocês ou de seus descendentes estiver impuro por ter tocado num cadáver, ou estiver numa longa viagem, deverá celebrar a Páscoa de Javé
11. no dia catorze do segundo mês, ao entardecer. Comerão a Páscoa com pães sem fermento e com ervas amargas;
12. não deverá sobrar nada para o dia seguinte, nem se quebrará osso nenhum do cordeiro. Deverão celebrar a Páscoa conforme o ritual.
13. Quem estiver puro ou não estiver em viagem, e deixar de celebrar a Páscoa, será excluído do seu povo: porque não trouxe a oferta para Javé no tempo certo, deverá carregar a própria culpa.
14. O imigrante que mora entre vocês deverá celebrar a Páscoa de Javé conforme o ritual e os costumes da festa. O mesmo ritual vale tanto para o imigrante como para o nativo do país".

DISCERNIR A VONTADE DE DEUS
15. No dia em que foi montado o santuário, a nuvem cobria o santuário, isto é, a tenda da reunião, e desde o entardecer até o amanhecer, ela ficava sobre o santuário com aspecto de fogo.
16. Acontecia sempre o mesmo: de noite, a nuvem cobria o santuário, tomando aspecto de fogo até o amanhecer.
17. Quando a nuvem se elevava sobre a tenda, os filhos de Israel se punham em marcha; quando ela parava, eles aí acampavam.
18. Eles se punham em marcha ou acampavam conforme a ordem de Javé. Permaneciam acampados durante todo o tempo em que a nuvem repousava sobre o santuário.
19. Se a nuvem permanecia muitos dias sobre o santuário, os filhos de Israel observavam a ordem de Javé e não partiam.
20. Às vezes, a nuvem ficava poucos dias sobre o santuário; então, permaneciam acampados ou partiam, de acordo com a ordem de Javé.
21. Às vezes, a nuvem ficava desde o entardecer até o amanhecer e, quando ela se levantava, ao amanhecer, eles se punham em marcha. Outras vezes, ficava um dia e uma noite e, quando ela se levantava, eles partiam.
22. Outras vezes ainda, a nuvem permanecia dois dias, um mês ou até um ano. Os filhos de Israel ficavam acampados e não partiam; quando a nuvem se levantava, então partiam.
23. Eles acampavam ou partiam de acordo com a ordem de Javé. Respeitavam a ordem de Javé, que era comunicada por Moisés.

[Números 10]Números 10

DEUS CONVOCA O POVO
1. Javé falou a Moisés:
2. "Faça duas trombetas de prata lavrada, para convocar a comunidade e dar o toque de partida para os acampamentos.
3. Ao toque das duas trombetas, toda a comunidade se reunirá com você na entrada da tenda da reunião.
4. Quando for tocada uma só trombeta, os chefes dos clãs se reunirão com você.
5. Ao primeiro toque agudo, os que estiverem acampados a leste se colocarão em movimento.
6. Ao segundo toque, partirão os que estiverem acampados no sul: será dado um toque para que se ponham em marcha.
7. Para convocar a assembléia se dará um toque, mas não agudo.
8. Os sacerdotes, filhos de Aarão, ficarão encarregados de tocar as trombetas. Essa é uma lei perpétua para vocês e seus descendentes.
9. Quando vocês estiverem no seu país e tiverem que sair para lutar contra o inimigo, que os esteja oprimindo, vocês tocarão a trombeta para o combate. Então Javé, o seu Deus, se lembrará de vocês e os salvará de seus inimigos.
10. Também nos dias de festa, solenidades ou começo de mês, vocês tocarão as trombetas para anunciar os holocaustos e sacrifícios de comunhão. Então o seu Deus se lembrará de vocês. Eu sou Javé, o Deus de vocês".

II. O POVO DE DEUS EM MARCHA

PARTIDA PARA A TERRA PROMETIDA
11. No dia vinte do segundo mês do segundo ano, a nuvem se levantou sobre o santuário da aliança.
12. Então os filhos de Israel partiram do deserto do Sinai, conforme sua ordem de marcha. E a nuvem parou no deserto de Farã.
13. São estes os que partiram em primeiro lugar, conforme a ordem de Javé, transmitida por Moisés.
14. Em primeiro lugar partiu a bandeira do acampamento dos filhos de Judá, por esquadrões, sob as ordens de Naasson, filho de Aminadab.
15. Judá estava acompanhado pelo esquadrão dos filhos de Issacar, chefiado por Natanael, filho de Suar,
16. e pelo esquadrão dos filhos de Zabulon, chefiado por Eliab, filho de Helon.
17. Em seguida, o santuário foi desmontado, e partiram os filhos de Gérson e os filhos de Merari, encarregados de transportar o santuário.
18. A seguir partiu a bandeira do acampamento dos filhos de Rúben, por esquadrões, sob as ordens de Elisur, filho de Sedeur.
19. Rúben estava acompanhado pelo esquadrão dos filhos de Simeão, chefiado por Salamiel, filho de Surisadai,
20. e pelo esquadrão dos filhos de Gad, chefiado por Eliasaf, filho de Reuel.
21. Partiram, então, os filhos de Caat, encarregados de transportar o santuário, de modo que o santuário já estaria montado quando eles chegassem.
22. Partiu, depois, a bandeira do acampamento dos filhos de Efraim, por esquadrões, sob as ordens de Elisama, filho de Amiud.
23. Efraim estava acompanhado pelo esquadrão dos filhos de Manassés, chefiado por Gamaliel, filho de Fadassur,
24. e pelo esquadrão dos filhos de Benjamim, chefiados por Abidã, filho de Gedeão.
25. Por último, fechando a retaguarda, partiu a bandeira do acampamento dos filhos de Dã, por esquadrões, sob as ordens de Aiezer, filho de Amisadai.
26. Dã estava acompanhado pelo esquadrão dos filhos de Aser, chefiado por Fegiel, filho de Ocrã,
27. e pelo esquadrão dos filhos de Neftali, chefiado por Aíra, filho de Enã.
28. Foi essa a ordem de partida, por esquadrões, dos filhos de Israel, quando se puseram em marcha.
29. Moisés disse ao seu sogro Hobab, filho de Ragüel, o madianita: "Vamos partir para o lugar que Javé prometeu dar para nós. Venha conosco e o trataremos bem, porque Javé prometeu coisas boas para Israel".
30. Hobab respondeu: "Não vou. Prefiro voltar para a minha terra natal".
31. Moisés insistiu: "Não nos abandone, porque você conhece este deserto e os lugares onde podemos acampar. Você pode ser o nosso guia.
32. Se você for conosco, nós repartiremos com você as coisas boas que Javé nos der e o trataremos bem".
33. Partiram, então, da montanha de Javé e andaram durante três dias. Durante todo o tempo, a arca da aliança de Javé ia na frente, providenciando um local onde eles pudessem descansar.
34. Durante o dia a nuvem de Javé ficava sobre eles, desde quando partiram.
35. Quando a arca partia, Moisés falava: "Levanta-te, Javé! Que teus inimigos se dispersem e os que te odeiam fujam da tua presença".
36. Quando a arca estava em repouso, Moisés dizia: "Descansa, Javé, entre as multidões de Israel".

[Números 11]Números 11

LIBERDADE É CONQUISTA CONTÍNUA
1. O povo começou a queixar-se a Javé de suas desgraças. Ao ouvir a queixa, a ira dele se inflamou, e o fogo de Javé começou a devorar uma extremidade do acampamento.
2. O povo gritou a Moisés. Este intercedeu junto a Javé em favor deles, e o incêndio se apagou.
3. Esse local se chamou Lugar do Incêndio, porque aí o fogo de Javé ardeu contra eles.
4. A multidão que estava com eles ficou faminta. Então os filhos de Israel começaram a reclamar junto com eles, dizendo: "Quem nos dará carne para comer?
5. Temos saudade dos peixes que comíamos de graça no Egito, os pepinos, melões, verduras, cebolas e alhos!
6. Agora, perdemos até o apetite, porque não vemos outra coisa além desse maná!"
7. O maná era parecido com a semente de coentro e tinha aparência de resina.
8. O povo se espalhava para juntá-lo e o esmagava no moinho ou moía no pilão; depois o cozinhava numa panela e fazia bolos, com gosto de bolo amassado com azeite.
9. À noite, quando caía orvalho sobre o acampamento, caía também o maná.

O PROBLEMA DA LIDERANÇA
10. Moisés ouviu o povo reclamar, cada família na entrada da própria tenda, provocando a ira de Javé. Moisés ficou desgostoso,
11. e disse a Javé: "Por que tratas tão mal o teu servo? Por que gozo tão pouco do teu favor, a ponto de me impores o peso de todo este povo?
12. Por acaso, fui eu que concebi ou dei à luz este povo, para que me digas: 'Tome este povo nos braços, da maneira que a ama carrega a criança no colo, e leve-o para a terra que eu jurei dar aos pais deles'?
13. De onde vou tirar carne para dar a todo este povo? Eles vêm a mim reclamando: 'Dê-nos carne para comer'.
14. Eu sozinho não consigo carregar este povo, pois supera as minhas forças!
15. Se é assim que me pretendes tratar, prefiro a morte! Concede-me esse favor, e eu não terei que passar por essa desgraça!"

LIDERANÇA PARTICIPADA E REPRESENTATIVA
16. Javé respondeu a Moisés: "Reúna setenta anciãos de Israel, que você sabe que são anciãos e magistrados do povo. Leve-os à tenda da reunião, para que se apresentem aí com você.
17. Eu descerei aí e falarei com você. Separarei uma parte do espírito que você possui e passarei para eles, a fim de que repartam com você o peso do povo, e você não tenha mais que o carregar sozinho.
18. Então você dirá ao povo: Santifiquem-se para amanhã, e vocês comerão carne, pois vocês reclamaram a Javé, dizendo: 'Quem nos dará carne para comer? No Egito estávamos melhor!' Pois bem! Javé dará carne para vocês comerem,
19. e vocês não comerão apenas um dia ou dois, cinco, dez ou vinte.
20. Pelo contrário, vocês comerão o mês inteiro, até ficarem enjoados e vomitarem, porque rejeitaram Javé que está no meio de vocês, e reclamaram, dizendo: 'Por que saímos do Egito?' "
21. Moisés disse: "O povo que está comigo conta com seiscentas mil pessoas adultas, e tu dizes que darás carne para eles comerem o mês inteiro!
22. Ainda que matássemos as vacas e ovelhas, isso não seria suficiente e, ainda que reuníssemos todos os peixes do mar, nem assim lhes bastariam".
23. Javé respondeu a Moisés: "Será que o meu poder diminuiu? Você verá se a minha palavra vai cumprir-se ou não".
24. Moisés saiu e comunicou as palavras de Javé ao povo. Depois reuniu setenta anciãos do povo e os colocou ao redor da tenda da reunião.
25. Então Javé desceu na nuvem, falou com Moisés, separou uma parte do espírito que Moisés possuía, e a colocou nos setenta anciãos. Quando o espírito pousou sobre eles, puseram-se a profetizar; mas, depois, nunca mais o fizeram.

PLENA PARTICIPAÇÃO POPULAR
26. Dois homens do grupo tinham ficado no acampamento: um se chamava Eldad e o outro Medad. Embora estivessem na lista, não tinham ido à tenda. Mas o espírito pousou sobre eles e começaram a profetizar no acampamento.
27. Um jovem foi correndo contar a Moisés: "Eldad e Medad estão profetizando no acampamento!"
28. Josué, filho de Nun, que desde a juventude era ajudante de Moisés, interveio: "Moisés, meu senhor, proíba-os de fazer isso".
29. Moisés, porém, respondeu: "Você está com ciúme por mim? Oxalá todo o povo de Javé fosse profeta e recebesse o espírito de Javé!"
30. E Moisés voltou ao acampamento, junto com os anciãos de Israel.

QUEM NÃO PARTICIPA É EXCLUÍDO
31. Javé levantou do mar um vento que arrastou bandos de codornizes, fazendo-as cair no acampamento. Então, no raio de um dia de viagem ao redor do acampamento, o chão ficou coberto delas, formando uma camada de quase um metro de altura.
32. O povo passou o dia todo, a noite e o dia seguinte recolhendo codornizes; quem recolheu menos, chegou a juntar dez cargas de burro. E as estenderam ao redor do acampamento.
33. Estavam ainda com a carne na boca, sem ter mastigado, quando a ira de Javé se inflamou contra o povo, ferindo-o com grande mortandade.
34. O lugar ficou sendo chamado de Cemitério da Avidez, porque aí o povo enterrou as vítimas da sua avidez.
35. Daí partiram para Currais, onde acamparam.

[Números 12]Números 12

NÃO TRAIR O PROJETO INICIAL
1. Maria e Aarão falaram contra Moisés, por causa da mulher cuchita que ele havia tomado como esposa.
2. Eles disseram a Moisés: "Será que Javé falou somente a Moisés? Não falou também a nós?" E Javé os ouviu.
3. Moisés era o homem mais humilde entre todos os homens da terra.
4. De repente, Javé disse a Moisés, a Aarão e Maria: "Vão os três para a tenda da reunião". Os três foram
5. e Javé desceu numa coluna de nuvem, colocou-se à entrada da tenda e chamou Aarão e Maria. Eles se aproximaram,
6. e Javé disse: "Ouçam o que eu vou lhes dizer: Quando entre vocês há um profeta, eu me apresento a ele em visão e falo com ele em sonhos.
7. Não acontece assim com o meu servo Moisés, que é homem de confiança em toda a minha casa:
8. com ele eu falo face a face, às claras e sem enigmas; e ele vê a figura de Javé. Por que vocês se atreveram a falar contra o meu servo Moisés?"
9. A ira de Javé se inflamou contra eles, e Javé se retirou.
10. A nuvem se afastou da tenda, e a pele de Maria ficou toda esbranquiçada, como a neve. Ao voltar-se para ela, Aarão viu-a com a pele esbranquiçada.
11. Aarão disse a Moisés: "Por favor, meu senhor! Não peça contas da culpa pelos pecados que tivemos a loucura de cometer e da qual somos culpados.
12. Não deixe que Maria permaneça como um aborto que já sai do ventre da mãe com a carne meio carcomida".
13. Moisés suplicou a Javé: "Por favor, concede-lhe a cura!"
14. Então Javé disse a Moisés: "Se o pai dela lhe tivesse cuspido na cara, ela ficaria difamada por sete dias. Pois então, que ela fique isolada por sete dias, fora do acampamento, e só depois seja admitida novamente".
15. Isolaram Maria durante sete dias fora do acampamento, e o povo não partiu antes que ela voltasse.
16. Depois partiram de Currais e foram acampar no deserto de Farã.

[Números 13]Números 13

NÃO SE ACOVARDAR DIANTE DA REALIDADE
1. Javé falou a Moisés:
2. "Mande gente para explorar o país de Canaã, que vou dar aos filhos de Israel. Mande um de cada tribo, e que todos sejam chefes".
3. Seguindo a ordem de Javé, Moisés os enviou do deserto de Farã. Todos eram chefes dos filhos de Israel,
4. e seus nomes são os seguintes: da tribo de Rúben, Samua, filho de Zacur;
5. da tribo de Simeão, Safat, filho de Huri;
6. da tribo de Judá, Caleb, filho de Jefoné;
7. da tribo de Issacar, Igal, filho de José;
8. da tribo de Efraim, Oséias, filho de Nun;
9. da tribo de Benjamim, Falti, filho de Rafu;
10. da tribo de Zabulon, Gediel, filho de Sodi;
11. da tribo de Manassés, filho de José, Gadi, filho de Susi;
12. da tribo de Dã, Amiel, filho de Gemali;
13. da tribo de Aser, Setur, filho de Miguel;
14. da tribo de Neftali, Naabi, filho de Vapsi;
15. da tribo de Gad, Güel, filho de Maqui.
16. São esses os nomes dos homens que Moisés mandou explorar o país. Quanto a Oséias, filho de Nun, Moisés lhe deu o nome de Josué.
17. Moisés mandou que eles explorassem o país de Canaã, e lhes falou: "Subam pelo deserto do Negueb até chegar à montanha.
18. Observem como é o país e seus habitantes, se são fortes ou fracos, poucos ou numerosos.
19. Vejam se a terra é boa ou ruim; como é que são as cidades onde moram, se são abertas ou fortificadas.
20. Vejam se a terra é fértil ou estéril, se tem árvores ou não. Sejam corajosos e tragam frutos da terra". Era o tempo em que a uva começava a amadurecer.
21. Eles subiram e exploraram o país desde o deserto de Sin até Roob, junto à entrada de Emat.
22. Subiram pelo deserto e chegaram a Hebron, onde viviam Aimã, Sesai e Tolmai, filhos de Enac. Hebron tinha sido fundada sete anos antes que Tânis do Egito.
23. Chegando ao vale do Cacho, cortaram um ramo de videira com um cacho de uvas, e o penduraram numa vara transportada por dois homens; colheram também romãs e figos.
24. Esse lugar ficou sendo chamado vale do Cacho, por causa do cacho de uvas que os filhos de Israel aí cortaram.
25. Quarenta dias depois, voltaram os exploradores
26. e se apresentaram diante de Moisés, Aarão e toda a comunidade de Israel, no deserto de Farã, em Cades. Diante deles e da comunidade, fizeram seu relatório e mostraram os frutos da terra.
27. O relatório deles foi o seguinte: "Entramos na terra aonde você nos enviou. É uma terra onde corre leite e mel, e aqui vocês podem ver os frutos dela.
28. Mas o povo que mora no país é poderoso, e as cidades são grandes e fortificadas. Também vimos aí os filhos de Enac.
29. Os amalecitas ocupam a região do Negueb; os heteus, amorreus e jebuseus vivem na montanha; os cananeus moram junto do mar e às margens do Jordão".
30. Então Caleb fez o povo ficar em silêncio diante de Moisés, e falou: "Temos que subir e tomar posse dessa terra; nós podemos fazer isso".
31. Mas os homens que haviam acompanhado Caleb replicaram: "Não podemos atacar esse povo, porque ele é mais forte do que nós".
32. E, diante dos filhos de Israel, começaram a pôr defeitos na terra que haviam explorado: "A terra que fomos explorar é uma terra que devora seus habitantes; o povo que vimos nela são homens de grande estatura.
33. Aí nós vimos gigantes, os filhos de Enac, que são gigantes mesmo. Tanto para nós próprios, como para eles, nós parecíamos gafanhotos".

[Números 14]Números 14

AS TENTAÇÕES NA CAMINHADA
1. Então toda a comunidade de Israel começou a gritar e berrar, e o povo se queixou a noite inteira.
2. Os filhos de Israel murmuravam contra Moisés e Aarão, e toda a comunidade dizia: "Seria melhor se tivéssemos morrido na terra do Egito! É melhor morrer neste deserto!
3. Por que Javé nos trouxe a esta terra? Para morrermos pela espada e para que nossas mulheres e crianças se tornem escravas? Não seria melhor voltar para o Egito?"
4. E diziam uns aos outros: "Vamos escolher um chefe e voltar para o Egito".
5. Moisés e Aarão se prostraram por terra diante de toda a comunidade reunida dos filhos de Israel.
6. Dois daqueles que foram explorar a terra, Josué, filho de Nun, e Caleb, filho de Jefoné, rasgaram suas roupas.
7. Eles disseram a toda a comunidade dos filhos de Israel: "A terra que fomos explorar é boa, é uma terra excelente!
8. Se Javé estiver do nosso lado, ele nos fará entrar nessa terra e a dará para nós: é uma terra onde corre leite e mel.
9. Entretanto, não se revoltem contra Javé, não tenham medo do povo dessa terra. Nós os devoraremos como um pedaço de pão. Eles não estão mais protegidos do que nós, porque Javé está conosco. Não tenham medo deles!"
10. Toda a comunidade, porém, falava em apedrejá-los. Nesse momento, a glória de Javé apareceu na tenda da reunião, diante de todos os filhos de Israel.
11. Javé disse a Moisés: "Até quando esse povo vai me desprezar? Até quando se recusará a acreditar em mim, apesar de todos os sinais que tenho feito entre vocês?
12. Vou feri-lo com peste e deserdá-lo. De você, tirarei um povo grande e mais numeroso do que eles".
13. Moisés respondeu a Javé: "Os egípcios sabem que foste tu que tiraste este povo do meio deles com grande poder,
14. e dirão isso aos habitantes desta terra. Eles souberam, Javé, que tu estás no meio deste povo, que te mostras a ele face a face, que tua nuvem está sobre ele, e caminhas à sua frente de dia numa coluna de nuvem, e de noite numa coluna de fogo.
15. Se agora fazes este povo perecer, como se fosse um só homem, as nações ouvirão a notícia e dirão:
16. 'Javé não conseguiu levar esse povo à terra que havia prometido para eles; por isso o matou no deserto'.
17. Portanto, mostra tua grande força, conforme prometeste.
18. Javé, paciente e misericordioso, que perdoas a culpa e a transgressão, mas não nos deixas sem castigo; que castigas a culpa dos pais em seus filhos, netos e bisnetos:
19. perdoa a culpa deste povo, conforme a tua grande misericórdia, já que o trouxeste do Egito até aqui".
20. Javé disse: "Eu perdôo o povo, conforme você está pedindo.
21. Mas, por minha vida e pela glória de Javé que enche a terra,
22. todos os homens, que viram a minha glória e os sinais que eu fiz no Egito e no deserto, já me puseram à prova dez vezes, e não me obedeceram.
23. Eles não verão a terra que jurei dar a seus pais. Nenhum daqueles que me desprezaram verá essa terra.
24. Meu servo Caleb, porém, animado de outro espírito, ele me seguiu fielmente. Por isso eu o farei entrar na terra que ele explorou, e a descendência dele possuirá essa terra.
25. Visto que os amalecitas e cananeus habitam no vale, amanhã vocês deverão partir para o deserto, seguindo a rota do mar Vermelho".
26. E Javé continuou a dizer a Moisés e Aarão:
27. "Até quando essa comunidade perversa continuará murmurando contra mim? Ouvi os filhos de Israel se queixarem contra mim.
28. Diga a eles: Por minha vida - oráculo de Javé eu os tratarei conforme o que vocês me jogaram na cara.
29. Seus cadáveres cairão neste deserto. E todos os que foram recenseados, de vinte anos para cima, e que murmuraram contra mim,
30. não entrarão na terra onde jurei estabelecer vocês. A única exceção será Josué, filho de Nun, e Caleb, filho de Jefoné.
31. Quanto aos filhos de vocês, de quem vocês diziam que seriam levados como escravos, eu os farei entrar para conhecer a terra que vocês desprezaram.
32. Mas os cadáveres de vocês cairão neste deserto,
33. e por este deserto os filhos de vocês caminharão errantes durante quarenta anos, carregando a infidelidade de vocês, até que os cadáveres de vocês se desfaçam no deserto.
34. Vocês exploraram a terra durante quarenta dias. A cada dia corresponderá um ano. Pois bem! Vocês carregarão o peso de suas faltas por quarenta anos, para que vocês saibam o que significa abandonar a mim.
35. Eu sou Javé, e juro que vou tratar desse modo a essa comunidade que se revoltou contra mim: serão consumidos neste deserto e nele morrerão".
36. Quanto aos homens que Moisés enviou para explorar a terra e que colocaram a comunidade contra ele, fazendo pouco da terra,
37. esses homens, que fizeram pouco da terra, morreram fulminados diante de Javé.
38. De todos os que haviam explorado a terra, somente Josué, filho de Nun, e Caleb, filho de Jefoné, permaneceram vivos.
39. Moisés comunicou essas palavras a todos os filhos de Israel. E o povo ficou muito perturbado.
40. No dia seguinte, eles se levantaram de madrugada e subiram até o alto da montanha, dizendo: "Vamos subir ao lugar a respeito do qual Javé nos falou. Nós pecamos".
41. Moisés, porém, disse: "Por que vocês passam por cima da ordem de Javé? Isso não vai dar certo.
42. Não subam, porque Javé não está com vocês, e o inimigo os derrotará.
43. De fato, os amalecitas e cananeus os enfrentarão, e vocês cairão a golpes de espada. Vocês se afastaram de Javé, e por isso Javé não está com vocês".
44. Apesar disso, eles teimaram em subir ao topo do monte, enquanto Moisés e a arca da aliança de Javé permaneceram no acampamento.
45. Os amalecitas e cananeus, que habitavam na montanha, desceram e os derrotaram, destroçando-os até Horma.

[Números 15]Números 15

OS DONS DE JAVÉ
1. Javé falou a Moisés:
2. "Diga aos filhos de Israel: Quando vocês entrarem na terra que eu vou lhes dar, para que vocês habitem aí,
3. ao oferecerem a Javé uma oblação, de gado maior ou menor, uma oblação de perfume agradável para Javé, seja holocausto, seja sacrifício de comunhão voluntário, ou para cumprir um voto, ou por ocasião de uma festa,
4. aquele que fizer sua oferta a Javé, apresentará o seguinte: uma oferta de quatro litros e meio de flor de farinha, amassada com dois litros de azeite.
5. Juntamente com o holocausto ou com o sacrifício de comunhão, fará uma libação de dois litros de vinho para cada cordeiro.
6. Tratando-se de um carneiro, você fará uma oblação de nove litros de flor de farinha, amassada com dois litros e meio de azeite,
7. e uma libação de dois litros e meio de vinho, como perfume agradável para Javé.
8. Se o holocausto ou o sacrifício de comunhão, para fazer um voto ou ação de graças a Javé, for de um bezerro,
9. você deverá acrescentar uma oferta de treze litros e meio de flor de farinha, amassada com quatro litros de azeite,
10. e uma libação de quatro litros de vinho, oblação de perfume agradável para Javé.
11. Isso é o que se deve oferecer com um bezerro, um carneiro, uma ovelha ou um cabrito.
12. Vocês aplicarão sempre essa proporção.
13. Assim deverá fazer o nativo do país, quando apresentar uma oferta queimada, de perfume agradável para Javé.
14. E no futuro, se algum imigrante, que residir com vocês ou com seus descendentes, quiser apresentar uma oblação de perfume agradável para Javé, fará o mesmo que vocês.
15. Haverá um só rito para toda a comunidade, tanto para vocês como para o imigrante que mora no meio de vocês. Será, diante de Javé, um rito perene a ser conservado de geração em geração, valendo tanto para vocês como para o imigrante.
16. Haverá a mesma lei e o mesmo rito para vocês e para o imigrante que morar entre vocês".
17. Javé falou a Moisés:
18. "Diga aos filhos de Israel: Quando vocês tiverem entrado na terra, para onde eu os conduzo,
19. e comerem o pão nessa terra, vocês deverão separar uma oferta para apresentar a Javé:
20. separarão um pão feito com a primeira farinha, como vocês fazem com o tributo da eira.
21. Vocês deverão dar a Javé um tributo da massa do pão: isso vale para todas as gerações de vocês.

TOMAR CONSCIÊNCIA DOS ERROS COMETIDOS
22. Se vocês errarem sem querer, deixando de observar algum dos mandamentos que Javé deu a Moisés,
23. de tudo o que Javé ordenou a vocês por meio de Moisés, desde o dia em que Javé ordenou essas coisas e daí por diante,
24. vocês deverão fazer o seguinte: se o erro foi cometido pela comunidade sem querer, sem que a comunidade tenha percebido, a comunidade inteira oferecerá um bezerro como holocausto de perfume agradável para Javé, junto com a oblação e a libação, conforme o ritual. E oferecerá também um bode, como sacrifício pelo pecado.
25. O sacerdote fará o sacrifício pelo pecado por toda a comunidade dos filhos de Israel, e o pecado será perdoado a eles, pois foi feito sem querer. Eles levarão a oferta para ser queimada diante de Javé, e apresentarão diante de Javé o sacrifício pelo pecado, a fim de reparar o erro cometido sem querer.
26. Este será perdoado a toda a comunidade dos filhos de Israel, e também ao imigrante que mora entre eles, porque todo o povo pecou sem querer.
27. Se apenas uma pessoa pecar sem querer, oferecerá um cabrito de um ano, como sacrifício pelo pecado.
28. O sacerdote fará pela pessoa, diante de Javé, um sacrifício pelo pecado; e a pessoa ficará perdoada.
29. A mesma norma vale tanto para um filho de Israel como para um imigrante que mora no meio do povo, quando pecarem sem querer.
30. Todavia, quem procede com plena consciência, seja nativo, seja imigrante, comete ultraje contra Javé. Esse indivíduo deve ser excluído do meio do povo,
31. porque desprezou a palavra de Javé e violou seu mandamento. Essa pessoa deve ser excluída, pois a culpa está nela mesma".

VIOLAÇÃO DO SÁBADO
32. Enquanto os filhos de Israel estavam no deserto, surpreenderam um homem que recolhia lenha em dia de sábado.
33. E o levaram até Moisés, Aarão e toda a comunidade,
34. mantendo-o preso enquanto se decidia o que deveria ser feito com ele.
35. Javé disse a Moisés: "Esse homem é réu de morte. Toda a comunidade deverá apedrejá-lo fora do acampamento".
36. A comunidade o levou para fora do acampamento e o apedrejou. E o homem morreu, conforme Javé tinha ordenado a Moisés.

UM LEMBRETE DA ALIANÇA
37. Javé falou a Moisés:
38. "Diga aos filhos de Israel: Por todas as gerações, façam borlas e as costurem com linha violeta na franja de suas roupas.
39. Vendo essas borlas, vocês se lembrarão dos mandamentos de Javé. E elas ajudarão vocês a cumprir os mandamentos, sem ceder aos caprichos do coração e dos olhos, caprichos que poderiam levar vocês à infidelidade.
40. Desse modo vocês se lembrarão de todos os meus mandamentos e os colocarão em prática, vivendo consagrados ao seu Deus.
41. Eu sou Javé, o Deus de vocês, que os tirei da terra do Egito para ser o Deus de vocês. Eu sou Javé, o Deus de vocês".

[Números 16]Números 16

CONFLITOS NA LIDERANÇA
1. Coré, filho de Isaar, filho de Caat, filho de Levi, junto com Datã e Abiram, filhos de Eliab, e On, filho de Felet, sendo Eliab e Felet filhos de Rúben,
2. se revoltaram contra Moisés juntamente com duzentos e cinqüenta homens, chefes da comunidade, membros do conselho e pessoas de fama.
3. Eles se reuniram contra Moisés e Aarão, dizendo: "Chega! Todos os membros da comunidade são consagrados, e Javé está no meio deles. Por que vocês dois se colocam acima da comunidade de Javé?"
4. Quando ouviu isso, Moisés se prostrou com o rosto no chão.
5. Depois falou a Coré e aos outros que estavam com ele: "Amanhã cedo Javé mostrará quem é dele e quem é o consagrado, e ele o fará aproximar-se. Fará aproximar de si aquele que ele tiver escolhido.
6. Façam o seguinte: peguem os incensórios, vocês e todos que os seguem.
7. Amanhã vocês acenderão neles o fogo e colocarão incenso diante de Javé. Aquele que Javé escolher, esse será o consagrado. E, por ora, chega, filhos de Levi!"
8. Depois Moisés disse a Coré: "Agora, escutem, filhos de Levi!
9. O que é que vocês estão querendo? O Deus de Israel separou-os da comunidade de Israel, levando-os para perto dele, para vocês servirem no santuário de Javé e estarem à disposição para servir à comunidade.
10. Javé fez você e seus irmãos levitas se aproximarem dele. Agora vocês querem também o sacerdócio?
11. Vocês e seus seguidores se revoltaram contra Javé! Quem é Aarão, para vocês protestarem contra ele?"
12. Então Moisés mandou chamar Datã e Abiram, filhos de Eliab. Estes responderam: "Não iremos.
13. Por acaso não basta você nos ter feito sair de uma terra onde corre leite e mel, para nos fazer morrer neste deserto? Você quer ainda ser o nosso chefe?
14. Você não nos levou para uma terra onde corre leite e mel, nem nos deu como herança campos e vinhas! Você pensa que somos cegos? Não iremos".
15. Então Moisés ficou furioso e disse a Javé: "Não aceites a oferta deles. Eu não tirei deles sequer um burro, e não fiz mal a nenhum deles!"
16. Depois disse a Coré: "Amanhã, você e seus seguidores, e também Aarão, deverão apresentar-se a Javé.
17. Cada um pegue o seu incensório, coloque nele o incenso e o ofereça a Javé. Cada um dos duzentos e cinqüenta pegue o próprio incensório, juntamente com você e Aarão".
18. Cada um pegou o seu incensório, o acendeu e colocou incenso nele. A seguir, ficaram na porta da tenda da reunião com Moisés e Aarão.
19. Coré reuniu seus seguidores na entrada da tenda da reunião. E a glória de Javé manifestou-se a toda a comunidade.
20. Então Javé falou a Moisés e Aarão:
21. "Afastem-se desse grupo, porque vou destruí-lo num instante".
22. Moisés e Aarão caíram com o rosto por terra e suplicaram: "Deus, Deus dos espíritos de todos os seres vivos! Foi só um que pecou, e tu vais ficar irritado contra todos?"
23. Javé falou a Moisés:
24. "Diga às pessoas que se afastem das tendas de Coré, Datã e Abiram".
25. Moisés se levantou e se dirigiu aonde estavam Datã e Abiram. Os anciãos de Israel o seguiram.
26. Moisés falou à comunidade: "Afastem-se das tendas desses homens ímpios e não toquem nada do que pertence a eles, para vocês não se comprometerem com os pecados deles".
27. Eles se afastaram das tendas de Coré, Datã e Abiram, enquanto Datã e Abiram saíam com suas mulheres, filhos e crianças, para esperar na entrada da tenda.
28. Então Moisés disse: "Agora vocês ficarão sabendo que foi Javé quem me enviou para agir assim, e que eu não fiz nada por mim mesmo:
29. se estes homens morrerem de morte natural, conforme o destino de todos os homens, é sinal que Javé não me enviou.
30. Mas se Javé fizer alguma coisa estranha, se a terra se abrir e os engolir com todos os seus, descendo vivos à mansão dos mortos, então vocês ficarão sabendo que esses homens desprezaram Javé".
31. Logo que Moisés acabou de falar, o chão rachou debaixo dos pés deles,
32. a terra abriu sua boca e os engoliu com suas famílias, junto com os homens de Coré e todos os seus bens.
33. Desceram vivos à mansão dos mortos, juntamente com todas as coisas que lhes pertenciam. A terra os cobriu e eles desapareceram da comunidade.
34. Quando eles gritaram, os filhos de Israel, que estavam ao redor, fugiram correndo, pois pensavam que a terra iria engolir a eles também.
35. Saiu um fogo da parte de Javé e devorou os duzentos e cinqüenta homens que ofereciam o incenso.

[Números 17]Números 17

A FUNÇÃO DO LÍDER É ZELAR PELA COMUNIDADE
1. Javé falou a Moisés:
2. "Diga a Eleazar, filho do sacerdote Aarão, para tirar os incensórios do meio do fogo e espalhar as brasas, porque são santas.
3. Quanto aos incensórios desses homens, que pagaram o seu pecado com a própria vida, sejam transformados em chapas para revestir o altar, pois foram apresentados a Javé. Por isso ficaram consagrados e vão servir de lição para os filhos de Israel".
4. O sacerdote Eleazar pegou os incensórios de bronze trazidos pelos homens que o fogo havia destruído. Foram transformados em chapas para revestir o altar,
5. e assim lembrar aos filhos de Israel que nenhum estranho, que não seja da descendência de Aarão, deve apresentar-se para oferecer incenso a Javé, pois teria o mesmo destino de Coré e seu grupo. Eleazar fez tudo conforme Javé lhe havia ordenado por meio de Moisés.
6. No dia seguinte, toda a comunidade dos filhos de Israel protestou contra Moisés e Aarão, dizendo: "Vocês estão matando o povo de Javé".
7. E dado que a comunidade estava se amotinando contra Moisés e Aarão, estes foram para a tenda da reunião. A nuvem cobriu a tenda e a glória de Javé se manifestou.
8. Moisés e Aarão entraram na tenda,
9. e Javé lhes falou:
10. "Afastem-se dessa comunidade, pois vou consumi-la num instante!" Os dois se prostraram com o rosto por terra;
11. em seguida, Moisés disse a Aarão: "Pegue o incensório, coloque nele brasas do altar, coloque incenso, e vá depressa fazer a expiação pela comunidade, porque a ira de Javé se inflamou contra ela, e a praga já começou".
12. Aarão fez o que Moisés estava mandando, e correu para o meio da comunidade. Mas a praga já havia começado entre o povo. Então ele colocou o incenso, fez o rito de expiação pelo povo e,
13. ficando entre os mortos e os vivos, deteve a mortandade.
14. Os que morreram por causa da praga foram catorze mil e setecentos, além dos que morreram por causa de Coré.
15. Quando Aarão voltou para junto de Moisés, na tenda da reunião, a mortandade já tinha acabado.
16. Javé falou a Moisés:
17. "Diga aos filhos de Israel que tragam varas, uma para cada chefe de família, no total de doze, e cada um escreva nela o próprio nome.
18. Na vara de Levi, você deverá escrever o nome de Aarão, pois haverá uma vara para cada chefe de tribo.
19. Coloque as varas na tenda da reunião, diante do documento da aliança que eu fiz com eles.
20. A vara daquele que eu escolher, florescerá. Desse modo eu acabarei com os protestos dos filhos de Israel contra vocês".
21. Moisés pediu que os filhos de Israel lhe trouxessem doze varas, uma para cada chefe de tribo, e entre elas a vara de Aarão.
22. Moisés colocou as varas diante de Javé, na tenda da aliança.
23. No dia seguinte, Moisés entrou na tenda da aliança, e viu que havia florescido a vara de Aarão, representante da tribo de Levi: estava cheia de brotos, tinha dado flores e produzido amêndoas.
24. Moisés tirou as varas da presença de Javé e as levou aos filhos de Israel. Eles verificaram o fato e cada um recolheu a sua vara.
25. Javé disse a Moisés: "Coloque de novo a vara de Aarão diante do documento da aliança, para que seja conservada como advertência contra os rebeldes. Desse modo eles não murmurarão contra mim, e não morrerão".
26. E Moisés fez exatamente conforme Javé tinha ordenado.

FUNÇÕES DE SACERDOTES E LEVITAS
27. Os filhos de Israel reclamaram a Moisés: "Veja: nós vamos morrer, estamos todos perdidos.
28. Quem se aproxima do santuário de Javé acaba morrendo. Será que todos nós vamos morrer?"

[Números 18]Números 18

1. Javé disse a Aarão: "Você com seus filhos e sua família serão responsáveis pelas faltas cometidas contra o santuário. Você e seus filhos serão responsáveis pelas faltas cometidas no exercício do sacerdócio.
2. Reúna também com você os seus irmãos da tribo de Levi, a tribo de seu pai. Faça-os ficar junto de você, para que o ajudem quando você e seus filhos estiverem na tenda da aliança.
3. Eles ficarão a serviço de você e de toda a tenda, mas não deverão aproximar-se dos objetos sagrados, nem do altar, para que não venham a morrer nem eles nem vocês.
4. Serão seus ajudantes e responderão pela guarda da tenda da reunião e por todo o serviço da tenda, de modo que nenhum estranho se intrometa no meio de vocês.
5. Vocês é que responderão pela guarda do santuário e dos objetos sagrados, e assim nunca mais a Ira se inflamará contra os filhos de Israel.
6. Eu mesmo escolhi seus irmãos levitas, entre os filhos de Israel. Eles foram doados a Javé e entregues como dom a vocês, para prestarem serviço na tenda da reunião.
7. Você e seus filhos exercerão o sacerdócio naquilo que se refere ao altar e a tudo o que fica atrás do véu. Eu lhes entrego o exercício do sacerdócio como dom. O estranho que se aproximar deverá ser morto".

DIREITOS DOS SACERDOTES E LEVITAS
8. Javé disse a Aarão: "Entrego a você o direito de usufruir os tributos doados a mim; entrego a você e a seus filhos o que os filhos de Israel me oferecem, como privilégio da unção sacerdotal. É um direito perpétuo.
9. De tudo o que foi consagrado e das oblações que não são queimadas, pertence a você o seguinte: todas as ofertas, oblações, sacrifícios pelo pecado e sacrifícios de reparação, porque são coisas sagradas, que pertencerão a você e a seus filhos.
10. Vocês se alimentarão de coisas sagradas, e todos do sexo masculino poderão comer delas. Você as tratará como coisas sagradas.
11. Além disso, dentre as ofertas dos filhos de Israel, caberá a você a parte reservada de tudo aquilo que é erguido em gesto de apresentação. Eu a dou para você e para seus filhos e filhas, como direito perpétuo. Em sua casa, todos os que estiverem puros poderão comer dessas coisas.
12. Entrego a você a melhor parte do azeite, do vinho novo e do trigo, oferecidos como primícias a Javé.
13. Todos os primeiros produtos do seu país, que forem trazidos a Javé, pertencerão a você; e todos que estiverem puros em sua casa poderão comer deles.
14. Tudo aquilo que Israel dedica a Deus, pertencerá a você.
15. Todo primogênito, de homem ou animal, que eles oferecerem a Javé, pertencerá a você. Mas você deixará resgatar o primogênito do homem e também o primogênito do animal, quando este for impuro.
16. Você os deixará resgatar quando tiverem um mês, cobrando cinqüenta gramas de prata, conforme o peso padrão do santuário, que corresponde a dez gramas.
17. Os primogênitos da vaca, da ovelha e da cabra não poderão ser resgatados: são coisa consagrada. Você derramará o sangue deles sobre o altar e queimará a gordura, como oferta de perfume agradável para Javé;
18. a carne deles pertencerá a você, assim como o peito apresentado ritualmente, e também a coxa direita.
19. Entrego a você, a seus filhos e filhas, todos os tributos sagrados dos filhos de Israel, como direito perpétuo. É uma aliança perpétua para você e seus descendentes, uma aliança inviolável diante de Javé".
20. Javé disse a Aarão: "Você não receberá nenhuma herança, nem parte na terra. Para você, eu sou a sua parte e a sua herança no meio dos filhos de Israel.
21. Aos filhos de Levi dou como herança todos os dízimos recolhidos em Israel, para pagar os serviços que me prestam na tenda da reunião.
22. Os filhos de Israel nunca mais se aproximarão da tenda da reunião, pois pecariam e morreriam.
23. Os levitas desempenharão as tarefas da tenda da reunião e carregarão o peso da sua responsabilidade. É lei perpétua para seus descendentes, que não receberão herança no meio dos filhos de Israel.
24. Por essa razão, eu dou aos levitas como herança os dízimos que os filhos de Israel reservam para Javé. Por isso eu lhes disse que não receberão herança no meio dos filhos de Israel".
25. Javé falou a Moisés:
26. "Diga aos levitas: Quando vocês receberem dos filhos de Israel os dízimos que eu lhes dou como herança, ofereçam como tributo a Javé a décima parte dos dízimos.
27. Isso será considerado como tributo de vocês, como se fosse trigo tirado da eira ou vinho do tanque de pisar uvas.
28. Vocês também pagarão tributo a Javé por todos os dízimos que receberem dos filhos de Israel. Essa parte que vocês separarem para Javé será entregue ao sacerdote Aarão.
29. De todas as ofertas que receberem, reservarão uma parte para Javé, e essa parte sagrada vocês tirarão do melhor de todas as coisas.
30. Diga-lhes também: Quando vocês tiverem separado o melhor, todos esses dons pertencerão aos levitas, como se fossem produto da eira e do tanque de pisar uvas.
31. Vocês poderão comer essas coisas em qualquer lugar com suas famílias, porque é o salário de vocês pelo serviço na tenda da reunião.
32. Se vocês separarem a parte melhor, não estarão cometendo nenhum pecado, nem profanando as coisas consagradas pelos filhos de Israel, e por isso não morrerão".

[Números 19]Números 19

A ÁGUA DA PURIFICAÇÃO
1. Javé falou a Moisés e Aarão:
2. "Este é o estatuto legal que Javé ordena: Diga aos filhos de Israel que tragam para você uma novilha vermelha, sem mancha e sem defeito, e que nunca tenha usado canga.
3. E a entreguem ao sacerdote Eleazar, que a levará para fora do acampamento e a mandará imolar na presença dele.
4. Eleazar molhará um dedo no sangue dela e salpicará sete vezes na direção da tenda da reunião.
5. Depois mandará queimar a novilha na presença dele: serão queimados o couro, a carne, o sangue e os intestinos.
6. O sacerdote pegará, então, galhos de cedro, hissopo e púrpura escarlate, e jogará tudo isso no fogo onde a novilha está sendo queimada.
7. A seguir, o sacerdote lavará suas roupas, tomará banho, e voltará para o acampamento. Ficará impuro até à tarde.
8. Quem tiver queimado a novilha, também deverá lavar suas roupas e tomar banho. E ficará impuro até à tarde.
9. Um homem puro ficará encarregado de recolher as cinzas da novilha e colocá-las em lugar puro, fora do acampamento. A comunidade dos filhos de Israel conservará as cinzas para preparar a água purificadora: é um sacrifício pelo pecado.
10. Quem tiver recolhido as cinzas da novilha, deverá lavar suas roupas e ficará impuro até à tarde. Esta é uma lei perpétua para os filhos de Israel e para os imigrantes que vivem no meio deles:
11. quem tocar um cadáver humano, ficará impuro por sete dias.
12. Deverá ser purificado com a água da purificação no terceiro e no sétimo dia, e ficará puro. Se não fizer isso, não ficará puro.
13. Quem tocar um cadáver, isto é, o corpo de uma pessoa morta, e não se purificar, profanará a morada de Javé, e será excluído de Israel. Uma vez que a água da purificação não foi derramada sobre ele, está impuro, e a impureza continua com ele.
14. Lei para quando um homem morre dentro de uma tenda: Quem entrar na tenda e todo aquele que nela estiver, ficará impuro por sete dias.
15. Todo recipiente que estiver aberto, sobre o qual não houver uma cobertura ou tampa, ficará impuro.
16. Quem tocar, em campo aberto, o cadáver de um homem que tenha sido apunhalado, ou qualquer morto, ou ossos humanos, ou uma sepultura, ficará impuro por sete dias.
17. Para aquele que se tornou impuro, deve-se pegar das cinzas da vítima queimada em sacrifício pelo pecado, e derramar água corrente sobre as cinzas, numa vasilha.
18. Em seguida, um homem puro pegará um ramo de hissopo, o molhará na água e fará a aspersão sobre a tenda e sobre todos os utensílios e pessoas que aí estiverem, e também sobre o homem que tiver tocado um osso, um assassinado, um cadáver ou uma sepultura.
19. O homem puro fará a aspersão sobre o impuro, no terceiro e no sétimo dia. No sétimo dia, ele ficará livre do seu pecado, lavará suas roupas, tomará banho, e à tarde ficará puro.
20. O homem impuro, que não se purificar, será excluído da comunidade, porque poderia contaminar o santuário de Javé. A água da purificação não foi derramada sobre ele; por isso, continua impuro.
21. Isto é uma lei perpétua: quem tiver feito a aspersão com a água da purificação, deverá lavar suas roupas; quem tocar a água da purificação ficará impuro até à tarde.
22. Tudo aquilo que o impuro tocar ficará impuro; a pessoa que tocar o impuro ficará impura até à tarde".

[Números 20]Números 20

NÃO DESCONFIAR DE JAVÉ
1. A comunidade inteira dos filhos de Israel chegou no primeiro mês ao deserto de Sin. E o povo acampou em Cades. Aí morreu Maria, e foi sepultada.
2. Faltava água para a comunidade e as pessoas se amotinaram contra Moisés e Aarão.
3. O povo brigava com Moisés, dizendo: "Quem dera tivéssemos morrido quando nossos irmãos morreram diante de Javé!
4. Por que você trouxe a comunidade de Javé a este deserto, para morrermos aqui junto com nossos animais?
5. Por que você nos fez sair do Egito, para nos trazer a este lugar deserto, onde não se pode semear, sem figueiras, vinhas e romãzeiras, e até sem água para beber?"
6. Moisés e Aarão se afastaram da comunidade, foram para a entrada da tenda da reunião e se prostraram diante dela, com o rosto por terra. Então a glória de Javé apareceu a eles.
7. E Javé disse a Moisés:
8. "Pegue a vara, junto com seu irmão Aarão, e reúna a comunidade. Em seguida, na presença deles, ordene que a rocha dê água. Você tirará água da rocha para dar de beber à comunidade e aos animais".
9. Moisés pegou a vara que estava na presença de Javé, conforme este lhe havia ordenado.
10. Moisés e Aarão reuniram a comunidade diante da rocha. Então Moisés lhes falou: "Ouçam, rebeldes! Vocês acreditam que poderemos tirar água desta rocha?"
11. Moisés levantou a mão e bateu na rocha duas vezes com a vara: a água jorrou em abundância, e a comunidade e os animais puderam beber.
12. Então Javé disse a Moisés e Aarão: "Já que vocês não acreditaram em mim e não reconheceram a minha santidade na presença dos filhos de Israel, vocês não farão esta comunidade entrar na terra que eu vou dar a eles".
13. Essa é a fonte de Meriba, onde os filhos de Israel discutiram com Javé. E ele manifestou a sua santidade para eles.

PEDINDO PASSAGEM
14. De Cades, Moisés mandou mensageiros ao rei de Edom, com esta mensagem: "Assim diz o seu irmão Israel: Você sabe as dificuldades que temos passado.
15. Nossos antepassados desceram para o Egito, onde moramos por muito tempo. Os egípcios, porém, nos maltrataram, a nós e aos nossos antepassados.
16. Então gritamos para Javé e ele nos ouviu e mandou um anjo para nos tirar do Egito. Agora estamos em Cades, cidade que fica nos limites do seu território.
17. Deixe-nos atravessar o seu país; não passaremos pelos campos, nem pelas vinhas, e não beberemos da água dos poços. Seguiremos pela estrada real, sem nos desviar nem para a direita nem para a esquerda, até atravessar o seu território".
18. Mas o rei de Edom respondeu: "Não passe pelo meu país; caso contrário, marcharei contra você com a espada".
19. Os filhos de Israel insistiram: "Seguiremos pela estrada principal. Se nós ou nossos animais bebermos da sua água, pagaremos o preço a você. Deixe-nos atravessar a pé".
20. O rei de Edom respondeu: "Não atravessem". E saiu ao encontro deles com muita gente, fortemente armada.
21. Como Edom não quis deixar os filhos de Israel atravessar o território dele, tiveram que tomar um desvio.

MORTE DE AARÃO
22. A comunidade dos filhos de Israel levantou acampamento em Cades e chegou ao monte Hor.
23. Javé disse a Moisés e Aarão, perto do monte Hor, na fronteira da terra de Edom:
24. "Aarão vai se reunir com seus antepassados e não entrará na terra que eu vou dar aos filhos de Israel, porque vocês foram rebeldes às minhas ordens na fonte de Meriba.
25. Tome Aarão e seu filho Eleazar e faça-os subir o monte Hor.
26. Tire as vestes sacerdotais de Aarão e vista com elas o filho dele, Eleazar, pois Aarão se reunirá com seus antepassados e morrerá aí".
27. Moisés fez conforme Javé havia ordenado, e subiram ao monte Hor, diante de toda a comunidade.
28. Moisés tirou as vestes sacerdotais de Aarão, e com elas vestiu o filho dele, Eleazar. Aarão morreu aí, no alto do monte. Moisés e Eleazar desceram do monte,
29. e toda a comunidade viu que Aarão tinha morrido. E toda a casa de Israel chorou por Aarão durante trinta dias.

[Números 21]Números 21

CONSAGRAÇÃO AO EXTERMÍNIO
1. O rei de Arad, o cananeu, que habitava o Negueb, ficou sabendo que os filhos de Israel vinham pelo caminho de Atarim. Então os atacou e capturou alguns como prisioneiros.
2. Então Israel fez um voto a Javé: "Se entregares este povo em meu poder, eu consagrarei suas cidades ao extermínio".
3. Javé atendeu a Israel e lhe entregou os cananeus em seu poder. Então os filhos de Israel os consagraram ao extermínio, junto com as cidades deles. E o lugar ficou sendo chamado Horma.

O SINAL DE SALVAÇÃO
4. Do monte Hor, eles tomaram o caminho para o mar Vermelho, contornando o território de Edom. Mas o povo não suportou a viagem
5. e começou a murmurar contra Deus e contra Moisés, dizendo: "Por que nos tiraste do Egito? Foi para morrermos neste deserto? Não temos nem pão nem água, e estamos enjoados desse pão de miséria".
6. Então Javé mandou contra o povo serpentes venenosas que os picavam, e muita gente de Israel morreu.
7. O povo disse a Moisés: "Pecamos, falando contra Javé e contra você. Suplique a Javé que afaste de nós estas serpentes". Moisés suplicou a Javé pelo povo.
8. E Javé lhe respondeu: "Faça uma serpente venenosa e coloque-a sobre um poste: quem for mordido e olhar para ela, ficará curado".
9. Então Moisés fez uma serpente de bronze e a colocou no alto de um poste. Quando alguém era mordido por uma serpente, olhava para a serpente de bronze e ficava curado.

CONTINUANDO A CAMINHADA...
10. Os filhos de Israel partiram e acamparam em Obot.
11. Depois, partiram de Obot e acamparam em Jeabarim, no deserto que faz limite com Moab, do lado onde nasce o sol.
12. Daí partiram e acamparam junto à torrente de Zared.
13. Daí seguiram e acamparam no outro lado do rio Arnon, no deserto que sai do território dos amorreus, pois o Arnon é fronteira entre Moab e os amorreus.
14. Assim se diz no Livro das Guerras de Javé: "Vaeb, junto de Sufa e os afluentes do Arnon;
15. a ladeira das torrentes que correm na direção da sede de Ar, e junto à fronteira dos territórios de Moab".
16. Daí partiram para Beer. Esse é o poço onde Javé disse a Moisés: "Reúna o povo, e eu lhe darei água".
17. Então Israel cantava esta canção: "Brota, poço! Cantem para ele.
18. Poço que príncipes cavaram e chefes do povo abriram com cetros e bastões". Daí foram para Matana.
19. De Matana para Naaliel. De Naaliel para Bamot.
20. E de Bamot para o vale do campo de Moab, em direção às alturas do Fasga, que domina o deserto.

PRIMEIRAS VITÓRIAS
21. Israel enviou mensageiros para dizer a Seon, rei dos amorreus:
22. "Quero atravessar a sua terra. Não nos desviaremos pelos campos ou vinhas, nem beberemos água dos poços; iremos pela estrada real, até atravessar o seu território".
23. Seon, porém, não permitiu que Israel lhe atravessasse o território. Reuniu todo o seu povo, saiu contra Israel no deserto e o atacou em Jasa.
24. Israel, porém, o derrotou pela espada e conquistou-lhe a terra, desde o Arnon até o Jaboc, até o país dos amonitas, pois Jazer se encontrava na fronteira amonita.
25. Israel conquistou-lhe todas as cidades, e se estabeleceu em todas as cidades dos amorreus: Hesebon e os povoados do seu território.
26. Hesebon era a capital de Seon, rei dos amorreus. Ele havia lutado contra o rei anterior de Moab, de quem havia tomado todo o território, desde o Jaboc até o Arnon.
27. Por isso, cantam os poetas: "Entrem em Hesebon. Que seja edificada, restaurada a capital de Seon!
28. Saiu fogo de Hesebon, e chamas da capital de Seon. Fogo que devorou Ar Moab e consumiu as alturas do Arnon.
29. Ai de você, Moab! Você está perdido, povo de Camos! Seus filhos fugiram, e suas filhas ficaram escravas de Seon, rei dos amorreus.
30. Nós crivamos todos de flechas. Tudo ficou destruído, desde Hesebon até Dibon. Tudo devastamos até Nofe, tudo aquilo que se estende até Medaba".
31. Israel se estabeleceu, então, na terra dos amorreus.
32. Moisés enviou exploradores até Jazer, e Israel se apoderou dela e dos povoados do seu território, expulsando os amorreus que aí dominavam.
33. Depois mudaram de direção e subiram pelo caminho de Basã. Então Og, rei de Basã, com todo o seu povo, saiu contra eles e os atacou em Edrai.
34. Javé disse a Moisés: "Não tenha medo dele, porque eu vou entregá-lo em seu poder, com todo o povo e a terra dele. Trate-o como a Seon, rei dos amorreus, que habitava em Hesebon".
35. Os filhos de Israel o derrotaram, e também os filhos e todo o povo dele, sem deixar ninguém com vida. E tomaram posse do território dele.

[Números 22]III. O POVO DIANTE DA TERRA PROMETIDA

Números 22

O POVO É AMEAÇA
1. Os filhos de Israel partiram e acamparam nas estepes de Moab, no outro lado do Jordão, na frente de Jericó.
2. Balac, filho de Sefor, viu como Israel tinha tratado os amorreus.
3. Então Moab ficou com medo desse povo numeroso. Moab ficou apavorado diante dos filhos de Israel,
4. e disse aos anciãos de Madiã: "Essa multidão vai devorar tudo ao nosso redor, como o boi devora a erva do campo". Nesse tempo, o rei de Moab era Balac, filho de Sefor.
5. Ele enviou mensageiros a Balaão, filho de Beor, em Petor, seu país de origem, às margens do rio Eufrates. Mandou chamá-lo, dizendo: "Saiu do Egito um povo que está cobrindo a superfície da terra e que parou diante de mim.
6. Por favor, venha e amaldiçoe por mim esse povo, pois é mais poderoso do que eu. Desse modo poderemos derrotá-lo e expulsá-lo desta região. Eu sei que fica abençoado quem você abençoa; e quem você amaldiçoa, fica amaldiçoado".
7. Os anciãos de Moab e Madiã foram, levando o pagamento para o adivinho. Chegaram onde estava Balaão e lhe transmitiram a mensagem de Balac.
8. Balaão respondeu: "Fiquem aqui esta noite, e eu comunicarei a vocês o que Javé me disser". E os chefes de Moab ficaram com Balaão.
9. Deus se manifestou a Balaão e lhe perguntou: "Quem são esses homens que estão com você?"
10. Balaão respondeu a Deus: "Balac, filho de Sefor, rei de Moab, mandou-me esta mensagem:
11. Um povo saiu do Egito e está cobrindo a superfície da terra. Venha logo amaldiçoá-lo por mim, para ver se consigo guerrear contra eles e expulsá-los".
12. Deus disse a Balaão: "Não vá com eles e não amaldiçoe esse povo, pois ele é bendito".
13. Na manhã seguinte Balaão se levantou e disse aos chefes enviados por Balac: "Voltem para a sua terra, porque Javé não quer que eu vá com vocês".
14. Os chefes de Moab se levantaram, voltaram até Balac e lhe disseram: "Balaão não quis vir conosco".
15. Então Balac enviou outros chefes, mais numerosos e mais importantes que os primeiros.
16. Eles chegaram aonde estava Balaão e lhe disseram: "Assim diz Balac, filho de Sefor: Não recuse vir ao meu encontro,
17. pois eu o tornarei muito rico e farei tudo o que você me disser. Por favor, venha e amaldiçoe por mim esse povo".
18. Balaão respondeu aos chefes enviados por Balac: "Ainda que Balac me desse até o seu palácio cheio de ouro e prata, eu não poderia desobedecer a ordem de Javé, meu Deus, em coisa nenhuma, grande ou pequena.
19. Fiquem aqui esta noite até que eu saiba o que Javé me dirá desta vez".
20. Deus se manifestou a Balaão durante a noite e lhe disse: "Já que esses homens vieram chamar você, levante-se e vá com eles, mas você vai fazer o que eu lhe disser".
21. Na manhã seguinte Balaão se levantou, selou a sua jumenta e partiu com os chefes de Moab.
22. Ao ver Balaão partir, a ira de Javé se inflamou, e o Anjo de Javé parou na estrada para impedi-lo de passar. Balaão estava montado na sua jumenta e seus dois servos o acompanhavam.
23. A jumenta viu o Anjo de Javé parado na estrada e com a espada desembainhada na mão. Então desviou-se da estrada e se dirigiu para o campo. Balaão começou então a espancar a jumenta, para fazê-la voltar para a estrada.
24. O Anjo de Javé se colocou num caminho estreito, no meio das vinhas, com cerca dos dois lados.
25. Vendo o Anjo de Javé, a jumenta encostou-se na cerca, apertando nela o pé de Balaão. Ele tornou a espancá-la.
26. O Anjo de Javé foi para frente e parou numa passagem apertada, onde não era possível desviar-se nem para direita nem para a esquerda.
27. Vendo o Anjo de Javé, a jumenta caiu debaixo de Balaão. Este ficou furioso e começou a espancar a jumenta com o bastão.
28. Então Javé abriu a boca da jumenta, e ela disse a Balaão: "O que foi que eu fiz, para você me espancar três vezes?"
29. A essa pergunta Balaão respondeu: "É porque você está caçoando de mim. Se eu tivesse uma espada na mão, eu a mataria agora mesmo".
30. A jumenta disse a Balaão: "Não sou a sua jumenta em que você tem montado sempre até hoje? Costumo fazer assim com você?" Balaão respondeu: "Não".
31. Então Javé abriu os olhos de Balaão, e ele viu o Anjo de Javé parado na estrada, com a espada desembainhada na mão. Então Balaão se prostrou com o rosto por terra.
32. E o Anjo de Javé lhe disse: "Por que você está espancando a sua jumenta pela terceira vez? Eu vim para impedi-lo de passar, porque você está seguindo o mau caminho.
33. A jumenta me viu e se afastou de mim três vezes. Se ela não se tivesse desviado, eu já teria matado você, deixando-a viva".
34. Balaão respondeu ao Anjo de Javé: "Pequei, porque não sabia que estavas no caminho, diante de mim! Mas, se isso te desagrada, voltarei para casa".
35. O Anjo de Javé disse a Balaão: "Vá com esses homens, mas diga somente aquilo que eu disser a você". E Balaão continuou a viagem com os chefes enviados por Balac.
36. Quando Balac soube que Balaão estava chegando, foi ao encontro dele em Ar Moab, que fica junto do Arnon, na fronteira do território.
37. Balac disse a Balaão: "Não enviei mensageiros para chamar você? Por que você não veio? Será que não sou capaz de pagar o que você merece?"
38. Balaão respondeu a Balac: "Como você vê, estou aqui. Mas o que posso eu dizer? Só direi o que Javé me puser na boca".
39. Balaão foi com Balac e chegaram a Cariat-Husot.
40. Balac imolou bois e ovelhas, e ofereceu carne a Balaão e aos chefes que o acompanhavam.
41. Na manhã seguinte, Balac tomou consigo Balaão e subiu com ele a Bamot-Baal, de onde se podia ver até a extremidade do acampamento dos filhos de Israel.

[Números 23]Números 23

DEUS ABENÇOA O SEU POVO
1. Balaão disse a Balac: "Faça construir aqui sete altares e preparar para mim sete bezerros e sete carneiros".
2. Balac fez conforme Balaão havia pedido, e os dois ofereceram em holocausto um bezerro e um carneiro sobre cada altar.
3. Depois Balaão disse a Balac: "Fique de pé junto aos holocaustos que você está oferecendo, enquanto eu me afasto. Talvez Javé venha ao meu encontro. Comunicarei a você o que ele me manifestar". E Balaão foi para uma colina sem vegetação.
4. Deus foi ao encontro de Balaão, e este lhe disse: "Preparei sete altares e ofereci um bezerro e um carneiro sobre cada altar".
5. Então Javé colocou as palavras na boca de Balaão e lhe disse: "Volte para junto de Balac e fale isso".
6. Balaão voltou para junto de Balac e o encontrou ainda perto do seu holocausto, com todos os chefes de Moab.
7. Então Balaão pronunciou o seu poema: "Balac me fez vir de Aram, o rei de Moab me trouxe das montanhas do oriente: 'Venha e amaldiçoe Jacó, venha e fulmine Israel'.
8. Como amaldiçoarei, se Deus não amaldiçoa? Como fulminarei, se Javé não fulmina?
9. Sim, eu o vejo do alto do rochedo, eu o contemplo do alto das colinas: este é um povo que vive à parte, e não é contado entre as nações.
10. Quem poderia contar o pó de Jacó? Quem poderia numerar o acampamento de Israel? Possa eu morrer a morte dos justos, e o meu fim seja como o deles".
11. Então Balac disse a Balaão: "O que você está fazendo comigo? Eu trouxe você para amaldiçoar os meus inimigos, e você está abençoando?"
12. Balaão respondeu: "Devo dizer apenas aquilo que Javé me põe na boca".

O PROJETO DE DEUS NÃO É UM CRIME
13. Balac disse a Balaão: "Venha comigo a outro lugar, de onde você poderá ver o povo; daqui você só pode ver uma parte, e não o povo todo. De lá, você amaldiçoará para mim".
14. Então Balac o levou ao campo das Sentinelas, no cume do monte Fasga. Construiu sete altares e ofereceu em holocausto um bezerro e um carneiro sobre cada altar.
15. Então Balaão disse a Balac: "Fique de pé junto dos holocaustos, enquanto eu vou ao encontro de Javé".
16. Javé foi ao encontro de Balaão, colocou-lhe na boca suas palavras e lhe disse: "Volte para junto de Balac e fale isso".
17. Balaão voltou para junto de Balac e o encontrou ainda perto do seu holocausto, com todos os chefes de Moab. Balac lhe perguntou: "O que foi que Javé disse a você?"
18. Então Balaão pronunciou o seu poema: "Levante-se, Balac, e ouça; preste-me atenção, filho de Sefor.
19. Deus não mente como o homem, nem se arrepende como os humanos. Poderá ele dizer e não cumprir? Prometerá alguma coisa que depois não cumpra?
20. Recebi ordem de abençoar: pois eu abençoarei e não voltarei atrás.
21. Não se descobre maldade em Jacó, nem se encontra crime em Israel. Javé, o seu Deus, está com ele, e ele o aclama como rei.
22. Deus o tirou do Egito, e é para ele como chifres de búfalo.
23. Não há presságio contra Jacó, nem magia contra Israel: no tempo certo dirão a Jacó e a Israel o que Deus realiza.
24. Eis um povo que se levanta como leoa e se ergue como leão; não se deita antes de devorar a presa, e de beber o sangue dos que matou".
25. Balac disse a Balaão: "Se você não o amaldiçoa, pelo menos não abençoe".
26. Balaão lhe respondeu: "Já não lhe disse que só farei o que Javé me mandar?"

QUEM PODERÁ DESAFIAR O POVO DE DEUS?
27. Balac insistiu com Balaão: "Venha comigo. Vou levá-lo a outro lugar. Aí talvez Deus permita que você amaldiçoe o povo".
28. Então Balac levou Balaão ao cume do monte Fegor, que está diante do deserto.
29. Balaão pediu a Balac: "Construa-me aqui sete altares, e me prepare sete bezerros e sete carneiros".
30. Balac fez o que Balaão lhe pediu e ofereceu em holocausto um bezerro e um carneiro sobre cada altar.

[Números 24]Números 24

1. Balaão viu que Javé tinha prazer em abençoar Israel. Por isso, não foi em busca de presságios, como antes, mas virou-se para o deserto,
2. levantou os olhos e viu Israel acampado por tribos. Então o espírito de Deus desceu sobre ele,
3. e ele pronunciou o seu poema: "Oráculo de Balaão, filho de Beor, oráculo do homem de olhos penetrantes;
4. oráculo de quem ouve as palavras de Deus e conhece a ciência do Altíssimo. Ele vê o que o Todo-poderoso mostra, e entra em êxtase de olhos abertos:
5. Como são belas as suas tendas, Jacó, e suas moradas, Israel!
6. São como vales que se estendem, como jardins às margens de um rio, como árvores perfumadas que Javé plantou, como cedros ao longo das águas!
7. A água transborda de seu cântaro, e com a água sua semente se multiplica. Seu rei é mais alto que Agag, e seu reino será celebrado.
8. Deus tirou esse povo do Egito, e é para ele como chifres de búfalo. Ele devora o cadáver das nações inimigas, quebra seus ossos e as atravessa com suas flechas.
9. Ele se agacha e se deita como leão, ou como uma leoa. Quem o desafiará? Bendito seja quem abençoar você, e maldito seja quem o amaldiçoar".
10. Então Balac ficou irritado com Balaão, bateu palmas e lhe disse: "Chamei você para amaldiçoar meu inimigo, e você já o abençoou três vezes.
11. Pois agora fuja para a sua pátria. Eu lhe havia prometido riquezas, porém, Javé o deixou sem elas".
12. Balaão respondeu: "Eu já havia dito aos mensageiros que você me enviou:
13. 'Mesmo que Balac me dê seu palácio cheio de ouro e prata, eu não poderia ir contra a ordem de Javé, fazendo o mal ou o bem por conta própria. Só direi o que Javé me mandar' ".

O POVO DE DEUS TRIUNFARÁ
14. Balaão continuou: "Agora volto para o meu povo, mas antes vou explicar a você o que este povo fará no futuro ao seu povo".
15. E Balaão pronunciou o seu poema: "Oráculo de Balaão, filho de Beor; oráculo do homem de olhos penetrantes;
16. oráculo de quem ouve as palavras de Deus e conhece a ciência do Altíssimo. Ele vê o que o Todo-poderoso mostra, e entra em êxtase de olhos abertos:
17. Eu o vejo, mas não é agora; eu o contemplo, mas não de perto: uma estrela avança de Jacó, um cetro se levanta de Israel, e esmaga as têmporas de Moab e o crânio dos filhos de Set.
18. Edom se tornará conquista dele, e o inimigo Seir será sua propriedade. Israel triunfará.
19. Jacó dominará sobre seus inimigos e acabará com os que ficarem na capital".
20. Depois Balaão viu Amalec, e pronunciou o seu poema: "Amalec é a primeira das nações, mas o seu futuro será ruína eterna".
21. Depois viu os quenitas, e pronunciou o seu poema: "Sua morada é segura, Caim: você colocou seu ninho na rocha,
22. mas você será destruído, quando Assur o levar para o exílio".
23. E Balaão continuou o seu poema: "Ai de quem sobreviver depois que Deus assim agir!
24. Virão navios de Chipre e oprimirão Assur e Héber, mas no fim perecerão".
25. Depois Balaão voltou para a sua pátria. E Balac continuou o seu caminho.

[Números 25]Números 25

PERIGO DA IDOLATRIA
1. Israel fixou-se em Setim, e o povo começou a se prostituir com as filhas de Moab.
2. Estas convidaram o povo para comer dos sacrifícios a seus deuses e adorá-los.
3. Israel, então, ligou-se com o Baal de Fegor, e a ira de Javé se inflamou contra Israel.
4. Javé disse a Moisés: "Tome os chefes do povo e pendure-os num poste ao sol, diante de Javé, para que a ira ardente de Javé se afaste de Israel".
5. Moisés disse, então, aos juízes de Israel: "Que cada um mate os parentes que se ligaram com o Baal de Fegor".
6. Um filho de Israel levou para junto dos irmãos uma madianita, à vista de Moisés e de toda a comunidade dos filhos de Israel, enquanto eles choravam na entrada da tenda da reunião.
7. Vendo isso, Finéias, filho de Eleazar, filho do sacerdote Aarão, levantou-se no meio da comunidade, pegou uma lança,
8. seguiu o filho de Israel até à alcova e aí o transpassou junto com a mulher. Então se acabou a praga que feria os filhos de Israel.
9. Dentre eles, morreram vinte e quatro mil por causa da praga.
10. Javé falou a Moisés:
11. "Foi Finéias, filho de Eleazar, filho do sacerdote Aarão, quem fez cessar a minha ira contra os filhos de Israel, porque ele foi zeloso pelos meus direitos diante do povo, e o meu zelo não os consumiu.
12. Por isso eu prometo: ofereço para ele a minha aliança de paz.
13. O sacerdócio pertencerá a ele e seus descendentes, como pacto perpétuo, em recompensa do seu zelo por Deus e por ter feito a expiação pelos filhos de Israel".
14. O filho de Israel morto com a madianita se chamava Zambri, filho de Salu, chefe de família na tribo de Simeão.
15. A madianita morta se chamava Cozbi, filha de Sur, chefe de família em Madiã.
16. Javé ordenou a Moisés:
17. "Ataquem e derrotem os madianitas,
18. pois eles atacaram vocês com suas seduções, com os ritos de Fegor e com Cozbi, a filha de um chefe madianita, morta no dia da praga que surgiu por causa do problema de Fegor".

[Números 26]Números 26

COMO REPARTIR A TERRA?
1. Depois dessa praga, Javé falou a Moisés e Eleazar, filho do sacerdote Aarão:
2. "Façam o recenseamento de toda a comunidade, registrando por famílias todos os filhos de Israel maiores de vinte anos, aptos para o serviço militar".
3. Moisés e o sacerdote Eleazar fizeram o recenseamento dos filhos de Israel maiores de vinte anos, nas estepes de Moab, às margens do rio Jordão, na altura de Jericó,
4. conforme Javé havia ordenado a Moisés. Registro dos filhos de Israel que saíram do Egito:
5. Rúben, primogênito de Israel. Filhos de Rúben: Henoc e o clã dos henoquitas; Falu e o clã dos faluítas;
6. Hesron e o clã dos hesronitas; Carmi e o clã dos carmitas.
7. Esses são os clãs rubenitas: o total dos registrados foi de quarenta e três mil, setecentos e trinta.
8. Filho de Falu: Eliab.
9. Filhos de Eliab: Namuel, Datã e Abiram. Datã e Abiram eram homens de destaque no conselho, que se rebelaram contra Moisés e Aarão; estavam na companhia de Coré, quando este se revoltou contra Javé.
10. A terra abriu a boca e os engoliu, junto com Coré. Desse modo, todo o grupo morreu e o fogo devorou duzentos e cinqüenta homens, como sinal para o povo.
11. Os filhos de Coré, porém, não morreram.
12. Filhos de Simeão por clãs: Namuel e o clã dos namuelitas; Jamin e o clã dos jaminitas; Jaquin e o clã dos jaquinitas;
13. Zara e o clã dos zaraítas; Saul e o clã dos saulitas.
14. Esses são os clãs simeonitas. Formavam o total de vinte e dois mil e duzentos.
15. Filhos de Gad por clãs: Sefon e o clã dos sefonitas; Agi e o clã dos agitas; Suni e o clã dos sunitas;
16. Ozni e o clã dos oznitas; Heri e o clã dos heritas;
17. Arod e o clã dos aroditas; Areli e o clã dos arelitas.
18. Esses são os clãs gaditas. Formavam o total de quarenta mil e quinhentos.
19. Filhos de Judá: Her e Onã. Her e Onã morreram na terra de Canaã.
20. São estes os filhos de Judá e seus respectivos clãs: Sela e o clã dos selaítas; Farés e o clã dos faresitas; Zaré e o clã dos zareítas.
21. Filhos de Farés: Hesron e o clã dos hesronitas, Hamul e o clã dos hamulitas.
22. São esses os clãs judaítas. Formavam o total de setenta e seis mil e quinhentos.
23. Filhos de Issacar por clãs: Tola e o clã dos tolaítas; Fua e o clã dos fuaítas;
24. Jasub e o clã dos jasubitas; Semron e o clã dos semronitas.
25. São esses os clãs issacaritas. Formavam o total de sessenta e quatro mil e trezentos.
26. Filhos de Zabulon por clãs: Sared e o clã dos sareditas; Elon e o clã dos elonitas; Jalel e o clã dos jalelitas.
27. São esses os clãs zabulonitas. Formavam o total de sessenta mil e quinhentos.
28. Filhos de José por clãs: Manassés e Efraim.
29. Filhos de Manassés: Maquir e o clã dos maquiritas; Maquir gerou Galaad, do qual surgiu o clã galaadita.
30. Filhos de Galaad: Jezer e o clã dos jezeritas; Helec e o clã do helequitas;
31. Asriel e o clã dos asrielitas; Siquém e o clã dos siquemitas;
32. Semida e o clã dos semidaítas; Héfer e o clã dos hefritas;
33. Salfaad, filho de Héfer, não teve filhos, mas somente filhas. As filhas de Salfaad são: Maala, Noa, Hegla, Melca e Tersa.
34. São esses os clãs manassitas. Formavam o total de cinqüenta e dois mil e setecentos.
35. Filhos de Efraim por clãs: Sutala e o clã dos sutalaítas; Bequer e o clã dos bequeritas; Teen e o clã dos teenitas.
36. Filhos de Sutala: Herã e o clã dos heranitas.
37. São esses os clãs efraimitas. Formavam o total de trinta e dois mil e quinhentos. São esses os filhos de José por clãs.
38. Filhos de Benjamim por clãs: Bela e o clã dos belaítas; Asbel e o clã dos asbelitas; Airam e o clã dos airamitas;
39. Sufam e o clã dos sufamitas; Hufam e o clã dos hufamitas.
40. Filhos de Bela: Ared e Naamã. De Ared, o clã dos areditas; de Naamã, o clã dos naamanitas.
41. São esses os filhos de Benjamim por clãs. Formavam o total de quarenta e cinco mil e seiscentos.
42. Filhos de Dã por clãs: Suam e o clã dos suamitas. São esses os filhos de Dã por clãs.
43. O total do clã suamita era de sessenta e quatro mil e quatrocentos.
44. Filhos de Aser por clãs: Jemna e o clã dos jemnaítas; Jessui e o clã dos jessuítas; Beria e o clã dos beriaítas.
45. Filhos de Beria: Héber e o clã dos hebritas; Melquiel e o clã dos melquielitas.
46. Nome da filha de Aser: Sara.
47. São esses os clãs aseritas. Formavam o total de cinqüenta e três mil e quatrocentos.
48. Filhos de Neftali por clãs: Jasiel e o clã dos jasielitas; Guni e o clã dos gunitas;
49. Jeser e o clã dos jeseritas; Selém e o clã dos selemitas.
50. São esses os clãs neftalitas, conforme seus clãs. Os neftalitas formavam o total de quarenta e cinco mil e quatrocentos.
51. O total dos filhos de Israel era, portanto, seiscentos e um mil, setecentos e trinta.
52. Javé falou a Moisés:
53. "A terra será distribuída em herança para todos esses, de acordo com o número de inscritos.
54. Você dará uma propriedade maior àquele que é em maior número, e dará uma propriedade menor para aquele que tem menor número. A herança será distribuída em proporção ao número dos recenseados.
55. A divisão da terra, porém, será feita através de sorteio. A herança será recebida de acordo com o número dos nomes das famílias,
56. e a herança de cada tribo será repartida por sorteio, levando em conta o maior ou menor número".
57. Levitas recenseados por clãs: Gérson e o clã dos gersonitas; Caat e o clã dos caatitas; Merari e o clã dos meraritas.
58. São estes os clãs levitas: o clã dos lobnitas, o clã dos hebronitas, o clã dos moolitas, o clã dos musitas e o clã dos coreítas. Caat gerou Amram.
59. A esposa de Amram se chamava Jocabed, que era filha de Levi e nasceu no Egito. Filhos que ela teve com Amram: Aarão, Moisés e a irmã deles, Maria.
60. Filhos de Aarão: Nadab, Abiú, Eleazar e Itamar.
61. Nadab e Abiú morreram quando ofereciam a Javé um fogo irregular.
62. O total dos recenseados foi de vinte e três mil homens de um mês para cima. Não haviam sido recenseados com os outros filhos de Israel, pois não tinham recebido herança com eles.
63. Esse foi o recenseamento dos filhos de Israel que Moisés e o sacerdote Eleazar fizeram nas estepes de Moab, às margens do rio Jordão, na altura de Jericó.
64. Entre os registrados não havia nenhum dos que tinham sido registrados no recenseamento que Moisés e o sacerdote Aarão haviam feito no deserto do Sinai.
65. Javé tinha dito a respeito deles: "Morrerão todos no deserto e não ficará nenhum, além de Caleb, filho de Jefoné, e Josué, filho de Nun".

[Números 27]Números 27

REIVINDICAÇÃO DAS MULHERES
1. Chegaram, então, as filhas de Salfaad. Este era filho de Héfer, filho de Galaad, filho de Maquir, filho de Manassés; pertencia ao clã de Manassés, filho de José. Suas filhas se chamavam Maala, Noa, Hegla, Melca e Tersa.
2. Elas se apresentaram a Moisés, ao sacerdote Eleazar, aos chefes e a toda a comunidade, na entrada da tenda da reunião, e disseram:
3. "Nosso pai morreu no deserto. Não pertencia ao grupo de Coré, que se revoltou contra Javé. Ele morreu pelo seu próprio pecado e não deixou filhos.
4. Por que o nome de nosso pai deveria desaparecer do seu clã? Só porque não teve filhos? Dêem para nós uma propriedade entre os irmãos de nosso pai".
5. Moisés apresentou a causa delas a Javé.
6. Então Javé falou a Moisés:
7. "As filhas de Salfaad têm razão. Dê para elas uma propriedade como herança entre os irmãos do pai delas. Transmita a elas a herança do pai.
8. Depois diga aos filhos de Israel: 'Se um homem morrer sem deixar filhos, passem a herança para a filha dele.
9. Se não tiver uma filha, entreguem a herança aos irmãos dele.
10. Se não tiver irmãos, dêem a herança aos irmãos do pai dele.
11. Se o pai dele não tiver irmãos, dêem a herança ao parente mais próximo dentro do clã: este receberá a herança' ". Essa é a norma justa para os filhos de Israel, conforme Javé ordenou a Moisés.

O NOVO LÍDER
12. Javé falou a Moisés: "Suba ao monte Abarim e contemple a terra que eu vou dar aos filhos de Israel.
13. Depois de a contemplar, você se reunirá aos seus antepassados, como seu irmão Aarão.
14. Isso porque vocês foram rebeldes no deserto de Sin, quando a comunidade se revoltou contra mim, e vocês não demonstraram a minha santidade junto à fonte". Trata-se da fonte de Meriba, em Cades, no deserto de Sin.
15. Moisés falou a Javé:
16. "Então Javé, o Deus dos espíritos de todos os seres vivos, indique um chefe para a comunidade,
17. alguém que exerça a liderança, para que a comunidade de Javé não fique como rebanho sem pastor".
18. Javé respondeu a Moisés: "Tome Josué, filho de Nun, homem de grandes qualidades, e imponha a mão sobre ele.
19. Depois apresente-o ao sacerdote Eleazar e a toda a comunidade. Passe para Josué o cargo na presença deles,
20. e comunique a ele uma parte de sua própria autoridade, para que a comunidade de Israel obedeça a ele.
21. Então Josué se apresentará ao sacerdote Eleazar, que consultará Javé por ele, tirando a sorte por meio dos urim. Toda a comunidade, tanto Josué como os filhos de Israel, agirá conforme o oráculo".
22. Moisés fez o que Javé havia mandado: tomou Josué e o apresentou ao sacerdote Eleazar e a toda a comunidade.
23. Eleazar impôs sobre ele as mãos e lhe transmitiu o cargo, conforme Javé dissera por meio de Moisés.

[Números 28]Números 28

SACRIFÍCIOS DIÁRIOS
1. Javé falou a Moisés:
2. "Ordene aos filhos de Israel: Apresentem-me no tempo certo as minhas ofertas, os meus alimentos e as ofertas queimadas de perfume agradável.
3. Diga a eles: São estas as ofertas queimadas que vocês oferecerão a Javé: a cada dia dois cordeiros de um ano, perfeitos, como holocausto perpétuo.
4. Ofereça o primeiro cordeiro em holocausto pela manhã e o segundo em holocausto à tarde,
5. junto com a oblação de quatro litros e meio de flor de farinha amassada com dois litros de azeite de oliva refinado.
6. É o holocausto perpétuo que se oferecia outrora no monte Sinai como perfume agradável, uma oferta queimada para Javé.
7. A libação será de dois litros para cada cordeiro; no santuário será oferecida para Javé a libação de bebida fermentada.
8. Com o segundo cordeiro você fará o holocausto da tarde; faça-o com a mesma oblação e a mesma libação da manhã, como oferta queimada de perfume agradável para Javé.

SACRIFÍCIOS NO SÁBADO
9. No dia do sábado, ofereçam dois cordeiros de um ano, perfeitos, junto com a oblação de nove litros de flor de farinha amassada com azeite, com sua libação.
10. É o holocausto do sábado, a ser feito cada sábado, além do holocausto perpétuo e da respectiva libação.

SACRIFÍCIOS NA FESTA DA LUA NOVA
11. No primeiro dia de cada mês ofereçam, como holocausto para Javé, dois bezerros, um carneiro e sete cordeiros de um ano, todos perfeitos.
12. Para cada bezerro, juntem a oblação de treze litros e meio de flor de farinha amassada com azeite; para o carneiro, juntem a oblação de nove litros de flor de farinha amassada com azeite;
13. para cada cordeiro, juntem a oblação de quatro litros e meio de flor de farinha amassada com azeite. É o holocausto de perfume agradável, uma oferta queimada para Javé.
14. As libações que o acompanham serão de quatro litros de vinho por bezerro, de dois litros e meio para o carneiro e de dois litros para cada cordeiro. Esse é o holocausto mensal, para todos os meses do ano.
15. Além do holocausto perpétuo com sua respectiva libação, será oferecido a Javé um bode como sacrifício pelo pecado.

SACRIFÍCIOS NA FESTA DA PÁSCOA
16. No dia catorze do primeiro mês celebra-se a Páscoa de Javé,
17. e o dia quinze é dia de festa. Durante sete dias se comerão pães sem fermento;
18. no primeiro dia o povo se reunirá em assembléia santa e não realizará nenhum trabalho.
19. Ofereçam a Javé ofertas queimadas em holocausto: dois bezerros, um carneiro e sete cordeiros de um ano, todos perfeitos.
20. A oblação de flor de farinha amassada com azeite será de treze litros e meio para cada bezerro, nove litros para o carneiro,
21. e quatro litros e meio para cada um dos sete cordeiros.
22. Ofereçam também um bode para fazer o sacrifício pelo pecado de vocês.
23. Façam tudo isso além do holocausto da manhã, que é oferecido como holocausto perpétuo.
24. Façam o mesmo durante cada um dos sete dias: é alimento, oferta queimada de perfume agradável para Javé. Façam tudo isso, além do holocausto perpétuo, com sua correspondente libação.
25. No sétimo dia façam uma assembléia santa e não realizem nenhum trabalho.

SACRIFÍCIOS NA FESTA DAS SEMANAS
26. No dia dos primeiros frutos, quando vocês oferecerem a Javé uma oblação de frutos novos na festa das Semanas, façam uma assembléia santa e não realizem nenhum trabalho.
27. Ofereçam um holocausto de perfume agradável para Javé: dois bezerros, um carneiro e sete cordeiros de um ano, todos perfeitos.
28. A oblação de flor de farinha amassada com azeite será de treze litros e meio para cada bezerro, nove litros para o carneiro,
29. e quatro litros e meio para cada um dos sete cordeiros.
30. Ofereçam também um bode como sacrifício pelo pecado de vocês.
31. Façam tudo isso, além do holocausto perpétuo com sua oblação e respectivas libações.

[Números 29]Números 29

SACRIFÍCIOS NA FESTA DAS ACLAMAÇÕES
1. No primeiro dia do sétimo mês vocês farão uma assembléia santa e não realizarão nenhum trabalho. Será para vocês o dia da aclamação com as trombetas.
2. Ofereçam, em holocausto de perfume agradável para Javé, um bezerro, um carneiro e sete cordeiros de um ano, todos perfeitos.
3. A oblação de flor de farinha amassada com azeite será de treze litros e meio para o bezerro, nove litros para o carneiro
4. e quatro litros e meio para cada um dos sete cordeiros.
5. Ofereçam também um bode como sacrifício pelo pecado de vocês.
6. Façam tudo isso, além do holocausto mensal e da respectiva oblação, e além do holocausto perpétuo com sua oblação e respectivas libações, conforme o ritual. É uma oferta queimada de perfume agradável para Javé.

SACRIFÍCIOS NA FESTA DA EXPIAÇÃO
7. No décimo dia do sétimo mês vocês farão uma assembléia santa, jejuarão e não realizarão nenhum trabalho.
8. Ofereçam um holocausto de perfume agradável para Javé: um bezerro, um carneiro e sete cordeiros de um ano, que vocês escolherão entre aqueles que são perfeitos.
9. A oblação de flor de farinha amassada com azeite será de treze litros e meio para o bezerro, nove litros para o carneiro,
10. e quatro litros e meio para cada um dos sete cordeiros.
11. Ofereçam também um bode como sacrifício pelo pecado, além do sacrifício pelo pecado na festa da Expiação, e além do holocausto perpétuo com sua oblação e respectivas libações.

SACRIFÍCIOS NA FESTA DAS TENDAS
12. No dia quinze do sétimo mês vocês farão uma assembléia santa: não realizarão nenhum trabalho, e durante sete dias celebrarão a festa em honra de Javé.
13. Ofereçam um holocausto, oferta queimada de perfume agradável para Javé: treze bezerros, dois carneiros e catorze cordeiros de um ano, todos perfeitos.
14. A oblação de flor de farinha amassada com azeite será de treze litros e meio para cada um dos treze bezerros, nove litros para cada um dos dois carneiros,
15. e quatro litros e meio para cada um dos catorze cordeiros.
16. Ofereçam também um bode como sacrifício pelo pecado, além do holocausto perpétuo com sua oblação e respectivas libações.
17. No segundo dia ofereçam doze bezerros, dois carneiros e catorze cordeiros de um ano, todos perfeitos,
18. com a oblação e a libação correspondentes, a serem feitas conforme o ritual, segundo o número dos bezerros, carneiros e cordeiros;
19. e também um bode para o sacrifício pelo pecado. Tudo isso, além do holocausto perpétuo com sua oblação e respectivas libações.
20. No terceiro dia ofereçam onze bezerros, dois carneiros e catorze cordeiros de um ano, todos perfeitos,
21. com a oblação e as libações correspondentes, a serem feitas conforme o ritual, segundo o número dos bezerros, carneiros e cordeiros;
22. e também um bode para o sacrifício pelo pecado. Tudo isso, além do holocausto perpétuo com sua oblação e libações.
23. No quarto dia ofereçam dez bezerros, dois carneiros e catorze cordeiros de um ano, todos perfeitos,
24. com a oblação e as libações correspondentes, a serem feitas conforme o ritual, segundo o número dos bezerros, carneiros e cordeiros;
25. e também um bode para o sacrifício pelo pecado. Tudo isso, além do holocausto perpétuo com sua oblação e libações.
26. No quinto dia ofereçam nove bezerros, dois carneiros e catorze cordeiros de um ano, todos perfeitos,
27. com a oblação e as libações correspondentes, a serem feitas conforme o ritual, segundo o número dos bezerros, carneiros e cordeiros;
28. e também um bode para o sacrifício pelo pecado. Tudo isso, além do holocausto perpétuo com sua oblação e libações.
29. No sexto dia ofereçam oito bezerros, dois carneiros e catorze cordeiros de um ano, todos perfeitos,
30. com a oblação e as libações correspondentes, a serem feitas conforme o ritual, segundo o número dos bezerros, carneiros e cordeiros;
31. e também um bode para o sacrifício pelo pecado. Tudo isso, além do holocausto perpétuo com sua oblação e libações.
32. No sétimo dia ofereçam sete bezerros, dois carneiros e catorze cordeiros de um ano, todos perfeitos,
33. com a oblação e libações correspondentes, a serem feitas conforme o ritual, segundo o número dos bezerros, carneiros e cordeiros,
34. e também um bode para o sacrifício pelo pecado. Tudo isso, além do holocausto perpétuo com sua oblação e libações.
35. No oitavo dia vocês farão assembléia e não realizarão nenhum trabalho.
36. Ofereçam um holocausto de oferta queimada de perfume agradável para Javé: um bezerro, um carneiro e sete cordeiros de um ano, todos perfeitos,
37. com a oblação e as libações correspondentes, a serem feitas conforme o ritual, segundo o número dos bezerros, carneiros e cordeiros,
38. e também um bode para o sacrifício pelo pecado. Tudo isso, além do holocausto perpétuo com sua oblação e libações.
39. Esses são os sacrifícios que vocês oferecerão a Javé nas solenidades que celebrarem, além das ofertas por seus votos e sacrifícios voluntários, e além dos holocaustos, oblações, libações e sacrifícios de comunhão".

[Números 30]Números 30

1. Moisés comunicou aos filhos de Israel tudo o que Javé lhe havia ordenado.

VOTOS E PROMESSAS
2. Moisés falou aos chefes das tribos de Israel: "Assim ordena Javé:
3. Quando um homem fizer um voto a Javé ou se comprometer com alguma coisa sob juramento, não deverá faltar à palavra. Cumpra o que prometeu.
4. Quando uma mulher, ainda solteira e morando com o pai, fizer um voto ou se obrigar a uma promessa,
5. se o pai, conhecendo o voto ou a promessa que ela fez, nada lhe disser, então os votos dela são válidos e a promessa ficará de pé.
6. Contudo, se o pai, no dia em que tomou conhecimento, fez oposição à promessa, nenhum dos votos e promessas que ela fez serão válidos. Javé a dispensa, porque o pai dela desaprovou.
7. Se ela se casar comprometida pelo voto ou pela promessa que fez sem pensar,
8. e se o marido, ao tomar conhecimento, nada lhe disser no dia em que for informado, os votos e promessas que ela fez serão válidos.
9. Contudo, no dia em que o marido tomar conhecimento, se ele fizer oposição, o voto que ela fez ficará nulo, e a promessa que fez sem pensar não terá efeito. Javé os dispensará.
10. O voto de uma viúva ou repudiada e todas as promessas que fizer serão válidos.
11. Quando uma mulher faz um voto na casa do seu marido, ou se compromete com alguma coisa sob juramento,
12. se o marido, ao saber do fato, nada lhe diz e não lhe faz oposição, então os votos dela são válidos e a promessa que fez ficará de pé.
13. Contudo, se o marido, ao ser informado, os anula, então os votos e promessas dela ficam inválidos. Seu marido os desaprovou e Javé a dispensa.
14. O marido pode confirmar ou anular qualquer voto ou juramento de penitência feito pela sua mulher.
15. Contudo, se o marido nada lhe diz até o dia seguinte, então confirma todos os votos e promessas que a obrigam: ele os confirma com o silêncio que guardou ao ser informado.
16. Todavia, se foi informado e os anula mais tarde, ele próprio levará o peso da culpa de sua mulher".
17. São essas as ordens que Javé deu a Moisés para o marido e a mulher, e para o pai e a filha, quando esta ainda vive com seu pai.

[Números 31]Números 31

GUERRA SANTA
1. Javé disse a Moisés:
2. "Execute a vingança dos filhos de Israel contra os madianitas. Depois você se reunirá com seus antepassados".
3. Moisés disse ao povo: "Escolham homens entre vocês, e os armem para a guerra. Eles atacarão os madianitas para realizar contra estes a vingança de Javé.
4. Mandem para a guerra mil homens de cada uma das tribos de Israel".
5. Desse modo, forneceram para a guerra doze mil homens, mil de cada uma das tribos de Israel.
6. Moisés enviou-os para a guerra, mil de cada tribo, sob as ordens de Finéias, filho do sacerdote Eleazar, com as armas sagradas e as trombetas para o toque de combate.
7. Guerrearam contra Madiã, conforme Javé ordenara a Moisés, e mataram todos os homens.
8. Mataram também os reis de Madiã: Evi, Recém, Sur, Hur e Rebe, os cinco reis de Madiã; também passaram a fio de espada Balaão, filho de Beor.
9. Os filhos de Israel levaram como prisioneiras as mulheres madianitas com suas crianças, e saquearam todo o gado, rebanhos e bens.
10. Incendiaram as cidades e todos os povoados.
11. Em seguida, carregaram todos os despojos, homens e animais.
12. Levaram os prisioneiros, o saque e os despojos para Moisés, o sacerdote Eleazar e toda a comunidade de Israel, que estava acampada na estepe de Moab, às margens do rio Jordão, na altura de Jericó.
13. Moisés, o sacerdote Eleazar e todos os chefes da comunidade saíram para recebê-los fora do acampamento.
14. Moisés ficou furioso com os chefes da tropa, generais e capitães que voltavam da guerra,
15. e lhes disse: "Por que vocês deixaram as mulheres com vida?
16. Foram elas que, instigadas por Balaão, fizeram os filhos de Israel trair Javé no caso de Fegor: por causa delas houve uma praga sobre toda a comunidade de Javé.
17. Agora, portanto, matem todas as crianças do sexo masculino e todas as mulheres que tiveram relações sexuais com homens.
18. Deixem vivas apenas as meninas que não tiveram relações sexuais com homens, e elas pertencerão a vocês.
19. Quanto a vocês, fiquem sete dias fora do acampamento. Aqueles que tiverem matado alguém ou tocado em cadáver, deverão purificar-se, junto com os prisioneiros, no terceiro e no sétimo dia.
20. Purifiquem também toda roupa, objetos de couro ou de pêlo de cabra e todos os objetos de madeira".
21. O sacerdote Eleazar disse aos guerreiros que tinham voltado da guerra: "São estas as ordens que Javé deu a Moisés:
22. ouro, prata, bronze, ferro, estanho e chumbo,
23. tudo o que resiste ao fogo, vocês deverão purificar com o fogo e lavar com a água da purificação, e vocês deverão lavar com água tudo o que não resiste ao fogo.
24. No sétimo dia vocês lavarão as roupas e ficarão puros. Depois poderão entrar no acampamento".

PARTILHA E RECONHECIMENTO
25. Javé disse a Moisés:
26. "Reúna-se com o sacerdote Eleazar e os chefes de famílias da comunidade e faça a contagem dos despojos e prisioneiros, tanto pessoas como animais.
27. Depois divida os despojos pela metade: uma parte para os guerreiros que foram à batalha, e outra para o resto da comunidade.
28. Cobre dos soldados que foram para o combate um tributo para Javé: um sobre quinhentos, tanto de pessoas como de bois, jumentos e ovelhas.
29. Tudo isso, você tomará da metade que pertence aos soldados e entregará ao sacerdote Eleazar, como tributo para Javé.
30. Da outra metade, que couber aos filhos de Israel, cobre um por cinqüenta, tanto de pessoas como de bois, jumentos, ovelhas e todo tipo de animais, e os entregue aos levitas que exercem função no santuário de Javé".
31. Moisés e o sacerdote Eleazar fizeram o que Javé tinha ordenado a Moisés.
32. Contagem dos despojos que os combatentes haviam capturado: seiscentas e setenta e cinco mil ovelhas,
33. setenta e dois mil bois,
34. sessenta e um mil jumentos,
35. e trinta e duas mil mulheres que não tinham tido relações sexuais.
36. Porção que tocou aos que haviam lutado: trezentas e trinta e sete mil e quinhentas ovelhas,
37. das quais foi feito para Javé o tributo de seiscentas e setenta e cinco ovelhas;
38. trinta e seis mil bois, dos quais foi feito para Javé o tributo de setenta e dois bois;
39. trinta mil e quinhentos jumentos, dos quais foi feito para Javé o tributo de sessenta e um jumentos;
40. dezesseis mil pessoas, das quais foi feito para Javé o tributo de trinta e duas pessoas.
41. Moisés entregou o tributo de Javé ao sacerdote Eleazar, conforme Javé lhe havia ordenado.
42. Quanto à outra metade que Moisés tinha requisitado dos soldados para os filhos de Israel,
43. a conta foi a seguinte: trezentas e trinta e sete mil e quinhentas ovelhas,
44. trinta e seis mil bois,
45. trinta mil e quinhentos jumentos
46. e dezesseis mil pessoas.
47. Dessa metade que pertencia aos filhos de Israel, Moisés tomou um tributo de dois por cento de pessoas e animais e o entregou aos levitas, que tinham funções no santuário de Javé, conforme Javé havia ordenado a Moisés.
48. Os comandantes de tropas, generais e capitães, se aproximaram de Moisés,
49. e disseram: "Seus servos fizeram o recenseamento dos soldados sob sua ordem, e não falta nenhum.
50. Por isso, como reconhecimento a Javé por nos ter salvo a vida, cada um de nós oferece a Javé daquilo que saqueou em objetos de ouro, braceletes, pulseiras, anéis, brincos e colares, para fazer uma expiação por nós diante de Javé".
51. Moisés e o sacerdote Eleazar receberam o ouro que eles ofereciam em artigos trabalhados.
52. A oferta de ouro que fizeram a Javé deu um total de mil, seiscentos e setenta e cinco gramas, oferecidos pelos generais e capitães.
53. Os soldados ficaram com todo o ouro que cada um saqueou.
54. Moisés e o sacerdote Eleazar, porém, receberam o ouro dos generais e capitães, e o levaram para a tenda da reunião, como memorial dos filhos de Israel diante de Javé.

[Números 32]Números 32

SOLIDARIEDADE NA LUTA
1. Os filhos de Rúben e os filhos de Gad possuíam imensos rebanhos. Quando viram que as terras de Jazer e de Galaad eram boas para o rebanho,
2. foram a Moisés, ao sacerdote Eleazar e aos chefes da comunidade, e propuseram:
3. "Atarot, Dibon, Jazer, Nemra, Hesebon, Eleale, Sabama, Nebo e Meon,
4. o território dos povos, conquistado por Javé diante da comunidade de Israel, é uma terra boa para o rebanho, e nós, servos de você, possuímos rebanhos.
5. Por favor, faça que essa terra seja entregue a seus servos como propriedade, e não atravessaremos o Jordão".
6. Moisés respondeu aos filhos de Gad e Rúben: "Os irmãos de vocês irão para a guerra. E vocês? Ficarão aqui?
7. Vocês vão desencorajar os filhos de Israel, para que não se dirijam à terra que Javé lhes deu?
8. Foi o que fizeram os pais de vocês quando eu os enviei de Cades Barne para explorar o território!
9. Eles subiram até o vale do Cacho, exploraram o território e desencorajaram os filhos de Israel a não irem para a terra que Javé lhes havia dado.
10. Nesse dia, a ira de Javé se inflamou, e ele jurou:
11. 'Os homens de vinte anos para cima, que saíram do Egito, não verão a terra que eu prometi dar a Abraão, Isaac e Jacó, porque não foram fiéis a mim,
12. a não ser Caleb, filho do cenezeu Jefoné, e Josué, filho de Nun, porque foram fiéis a Javé'.
13. A ira de Javé se inflamou contra Israel, e ele os fez andar errantes pelo deserto durante quarenta anos, até que desaparecesse aquela geração que fez o que Javé reprova.
14. Agora vocês, corja de pecadores, estão ocupando o lugar dos pais de vocês para aumentar ainda mais o ardor da ira de Javé contra Israel!
15. Se vocês se afastarem de Javé, ele aumentará ainda mais a permanência de vocês no deserto, e vocês causarão a ruína de todo este povo".
16. Então eles se aproximaram de Moisés e disseram: "Queremos construir aqui currais para os rebanhos, e cidades para nossas crianças.
17. Nós, porém, iremos armados à frente dos filhos de Israel, até que eles cheguem ao lugar que lhes foi destinado. Enquanto isso, nossos filhos ficarão nas cidades fortificadas, protegidos diante dos habitantes da terra.
18. Não voltaremos para nossas casas enquanto cada filho de Israel não tiver ocupado sua herança.
19. Não teremos herança com eles no outro lado do Jordão, pois nossa herança será do lado de cá, a oriente do Jordão".
20. Moisés respondeu: "Se vocês fizerem isso e se armarem para combater diante de Javé;
21. se todos aqueles de vocês, que estão armados, atravessarem o Jordão diante de Javé, até que ele expulse, da presença de vocês, todos os seus inimigos;
22. se vocês não voltarem antes que a terra esteja submetida a vocês diante de Javé, então vocês serão inocentes diante de Javé e diante de Israel, e esta terra pertencerá a vocês como propriedade, por vontade de Javé.
23. Todavia, se não agirem assim, vocês pecarão contra Javé. E saibam que o pecado de vocês será castigado.
24. Agora, portanto, podem construir cidades para seus filhos, e currais para seus rebanhos, mas cumpram o que prometeram".
25. Os filhos de Gad e Rúben disseram a Moisés: "Seus servos farão o que o senhor está ordenando.
26. Nossas crianças, nossas mulheres, nossos rebanhos e nosso gado ficarão nas cidades de Galaad,
27. mas os seus servos, que estão armados para a guerra, irão combater diante de Javé, conforme o senhor ordenou".
28. Então Moisés deu ordens para eles, através do sacerdote Eleazar, de Josué, filho de Nun, e dos chefes de famílias e tribos de Israel.
29. Moisés lhes falou: "Se os filhos de Gad e Rúben atravessarem com vocês o Jordão, todos armados para lutar diante de Javé, quando a terra estiver submetida, vocês darão a eles o território de Galaad como propriedade.
30. Contudo, se eles não atravessarem armados com vocês, receberão sua propriedade na terra de Canaã".
31. Os filhos de Gad e Rúben responderam: "Faremos o que Javé está mandando a seus servos.
32. Atravessaremos armados diante de Javé para a terra de Canaã, mas a propriedade que nos caberá como herança será do lado de cá do Jordão".
33. Moisés deu aos filhos de Gad, aos filhos de Rúben e à meia tribo de Manassés, filho de José, o reino de Seon, rei dos amorreus, e o reino de Og, rei de Basã, com todas as cidades e povoados do território.
34. Os filhos de Gad reconstruíram as cidades fortificadas de Dibon, Atarot, Aroer,
35. Atrot-Sofã, Jazer, Jegbaá,
36. Bet-Nemra e Bet-Arã, e construíram currais para seus rebanhos.
37. Os filhos de Rúben reconstruíram Hesebon, Eleale, Cariataim,
38. Nebo e Baal-Meon. Mudaram o nome dessas cidades, e também reconstruíram Sabama. De fato, eles deram nomes novos às cidades que reconstruíram.
39. Os filhos de Maquir, filho de Manassés, invadiram e conquistaram o território de Galaad, expulsando os amorreus que aí moravam.
40. Moisés, então, deu o território de Galaad para a tribo de Maquir, filho de Manassés, que aí se estabeleceu.
41. Jair, filho de Manassés, foi e conquistou aldeias, dando-lhes o nome de Aldeias de Jair.
42. Nobe foi e tomou Canat e as cidades da vizinhança, dando-lhes seu próprio nome: Nobe.

[Números 33]Números 33

RELEMBRANDO A CAMINHADA
1. Etapas da viagem dos filhos de Israel, quando saíram do Egito por esquadrões, sob a chefia de Moisés e Aarão.
2. Moisés registrou os pontos de partida, etapa por etapa, quando saíram sob as ordens de Javé. E as etapas, na ordem de seus pontos de partida, são as seguintes:
3. No dia quinze do primeiro mês partiram de Ramsés. No dia seguinte ao da Páscoa, os filhos de Israel partiram de mão erguida, diante dos olhos de todos os egípcios,
4. enquanto os egípcios ainda estavam enterrando os primogênitos que Javé tinha feito morrer, para fazer justiça contra os deuses deles.
5. Os filhos de Israel partiram de Ramsés e acamparam em Sucot.
6. Depois partiram de Sucot e acamparam em Etam, que está no limite do deserto.
7. Saíram de Etam e voltaram em direção de Piairot, diante de Baal-Sefon, e acamparam diante de Magdol.
8. Saíram de Piairot e atravessaram o mar, alcançando o deserto. Depois de três dias de marcha pelo deserto de Etam, acamparam em Mara.
9. Partiram de Mara e chegaram a Elim, onde havia doze fontes e setenta palmeiras; e aí acamparam.
10. Partiram de Elim e acamparam junto ao mar Vermelho.
11. Partiram do mar Vermelho e acamparam no deserto de Sin.
12. Partiram do deserto de Sin e acamparam em Dafca.
13. Partiram de Dafca e acamparam em Alus.
14. Partiram de Alus e acamparam em Rafidim; mas aí o povo não encontrou água para beber.
15. Partiram de Rafidim e acamparam no deserto do Sinai.
16. Partiram do deserto do Sinai e acamparam no Cemitério da Avidez.
17. Partiram do Cemitério da Avidez e acamparam em Currais.
18. Partiram de Currais e acamparam em Retma.
19. Partiram de Retma e acamparam em Remon-Farés.
20. Partiram de Remon-Farés e acamparam em Lebna.
21. Partiram de Lebna e acamparam em Orvalho.
22. Partiram de Orvalho e acamparam em Conselho.
23. Partiram de Conselho e acamparam em Monte Claro.
24. Partiram de Monte Claro e acamparam em Tremendeira.
25. Partiram de Tremendeira e acamparam em Reunião.
26. Partiram de Reunião e acamparam em Fundão.
27. Partiram de Fundão e acamparam em Taré.
28. Partiram de Taré e acamparam em Doçura.
29. Partiram de Doçura e acamparam em Hesmona.
30. Partiram de Hesmona e acamparam em Vínculos.
31. Partiram de Vínculos e acamparam em Benê-Jacã.
32. Partiram de Benê-Jacã e acamparam em Cova Rachada.
33. Partiram de Cova Rachada e acamparam em Delícia.
34. Partiram de Delícia e acamparam em Passagem.
35. Partiram de Passagem e acamparam em Asiongaber.
36. Partiram de Asiongaber e acamparam no deserto de Sin, em Cades.
37. Partiram de Cades e acamparam no monte Hor, na fronteira do território de Edom.
38. O sacerdote Aarão subiu ao monte Hor, segundo a ordem de Javé, e aí morreu, no primeiro dia do quinto mês, quarenta anos depois que os filhos de Israel saíram do Egito.
39. Aarão morreu no monte Hor com cento e vinte e três anos.
40. O rei cananeu de Arad, que habitava no Negueb, na terra de Canaã, foi informado de que os filhos de Israel estavam chegando.
41. Estes partiram do monte Hor e acamparam em Sombrio.
42. Partiram de Sombrio e acamparam em Finon.
43. Partiram de Finon e acamparam em Obot.
44. Saíram de Obot e acamparam em Ruínas de Abarim, no território de Moab.
45. Partiram de Ruínas de Abarim e acamparam em Dibon-Gad.
46. Partiram de Dibon-Gad e acamparam em Elmon-Deblataim.
47. Partiram de Elmon-Deblataim e acamparam nos montes Abarim, diante do monte Nebo.
48. Partiram dos montes de Abarim e acamparam na estepe de Moab, junto ao rio Jordão, na altura de Jericó.
49. Na estepe de Moab, acamparam às margens do rio Jordão, desde Bet-Jesimot até o Prado das Acácias.

REPARTIR A TERRA COM IGUALDADE
50. Na estepe de Moab, às margens do rio Jordão, na altura de Jericó, Javé falou a Moisés:
51. "Diga aos filhos de Israel: Quando vocês atravessarem o rio Jordão e entrarem na terra de Canaã,
52. expulsem daí todos os governantes dela, destruam seus ídolos e imagens, e arrasem seus lugares altos.
53. Tomem posse da terra e habitem nela, pois eu lhes dei essa terra, para que vocês a possuam.
54. Dividam a terra, por sorteio, entre os clãs de vocês. Dêem como herança uma parte maior para aquele que é mais numeroso, e uma parte menor para aquele que é menos numeroso. A herança de cada um será onde cair o sorteio. Façam a divisão entre as tribos de vocês.
55. Contudo, se vocês não expulsarem os governantes da terra, aqueles que ficarem serão para vocês espinhos nos olhos e ferrões nas costas; eles serão seus inimigos na terra que vocês habitarem.
56. E eu farei com vocês aquilo que pensei fazer com eles".

[Números 34]Números 34

A HERANÇA DE JAVÉ PARA O SEU POVO
1. Javé falou a Moisés:
2. "Ordena aos filhos de Israel: Quando vocês entrarem na terra de Canaã, estarão na terra que lhes cabe como herança: a terra de Canaã com suas fronteiras.
3. A fronteira ao sul será o deserto de Sin e Edom. O limite sul começará na extremidade do mar Morto, a oriente.
4. Depois se voltará para o sul em direção à Subida dos Escorpiões, passará por Sin e chegará a Cades Barne, no sul. Em seguida, irá em direção a Hasar-Adar e passará por Asemona.
5. De Asemona, a fronteira se voltará na direção do rio do Egito e terminará no mar.
6. A fronteira marítima será o mar Mediterrâneo. Será o limite de vocês no lado oeste.
7. A fronteira norte será marcada desde o mar Mediterrâneo até o monte Hor.
8. Daí, traçarão uma linha até a entrada de Emat, e a fronteira terminará em Sedada.
9. Continuará em direção a Zefrona, e terminará em Hasar-Enon. Será essa a fronteira de vocês do lado norte.
10. A fronteira do lado leste irá de Hasar-Enon a Sefama.
11. De Sefama, a fronteira descerá na direção de Harbel, a leste de Ain; descendo ainda, costeará a leste o mar de Quineret.
12. Daí, a fronteira seguirá o rio Jordão e terminará no mar Morto. Essa é a terra de vocês com os limites que a cercam".
13. Então Moisés ordenou aos filhos de Israel: "Essa é a terra que vocês repartirão por sorteio e que Javé ordenou dar às nove tribos e meia.
14. Isso porque as tribos de Rúben, de Gad e a meia tribo de Manassés com suas famílias já receberam a sua herança.
15. Essas duas tribos e meia já receberam a sua herança no outro lado do Jordão, na altura de Jericó, a oriente".

OS REPRESENTANTES NA PARTILHA DA TERRA
16. Javé falou a Moisés:
17. "Lista das pessoas que repartirão a terra: O sacerdote Eleazar e Josué, filho de Nun.
18. Além deles, vocês escolherão um chefe de cada tribo, a fim de repartir a terra.
19. Esta é a lista dos chefes: da tribo de Judá, Caleb, filho de Jefoné;
20. da tribo de Simeão, Samuel, filho de Amiud;
21. da tribo de Benjamim, Elidad, filho de Caselon;
22. da tribo de Dã, o chefe Boci, filho de Jogli;
23. para os filhos de José: da tribo de Manassés, o chefe Haniel, filho de Efod;
24. e da tribo de Efraim, o chefe Camuel, filho de Seftã;
25. da tribo de Zabulon, o chefe Elisafã, filho de Farnac;
26. da tribo de Issacar, o chefe Faltiel, filho de Ozã;
27. da tribo de Aser, o chefe Aiud, filho de Salomi;
28. da tribo de Neftali, o chefe Fedael, filho de Amiud".
29. São esses os encarregados por Javé para repartir entre os filhos de Israel a herança

[Números 35] na terra de Canaã.

Números 35

OS LEVITAS NO MEIO DO POVO
1. Na estepe de Moab, às margens do rio Jordão, na altura de Jericó, Javé falou a Moisés:
2. "Ordene aos filhos de

Israel que dêem aos levitas, da herança que possuem, algumas cidades para eles morarem, e pastagens ao redor dessas cidades. Dêem essas cidades aos levitas.
3. Eles habitarão nessas cidades, e as pastagens dos arredores servirão para os rebanhos, o gado e todos os animais deles.
4. Ao redor das cidades dadas aos levitas, as pastagens se estenderão no raio de um quilômetro fora das muralhas da cidade.
5. A partir da muralha, meçam um quilômetro para o leste, um quilômetro para o sul, um quilômetro para o oeste e um quilômetro para o norte, ficando a cidade no centro: serão essas as pastagens das cidades dos levitas.
6. Dêem aos levitas aquelas seis cidades de refúgio, que vocês reservaram para o homicida se refugiar. Além delas, dêem aos levitas mais quarenta e duas cidades.
7. No total, vocês darão aos levitas quarenta e oito cidades com suas pastagens.
8. Tais cidades que pertencerão aos filhos de Israel, serão tomadas em maior número daqueles que têm mais, e em menor número daqueles que têm menos. Cada tribo cederá essas cidades aos levitas na proporção da herança que tiver recebido".

A TERRA DA VIDA
9. Javé falou a Moisés:
10. "Diga aos filhos de Israel: Quando vocês atravessarem o Jordão, entrando na terra de Canaã,
11. escolham cidades para servirem de refúgio ao homicida que tenha matado alguém sem querer.
12. Tais cidades servirão de refúgio para vocês contra o vingador do sangue, para que o homicida não seja morto sem ter comparecido diante da comunidade para ser julgado.
13. Escolham seis cidades de refúgio:
14. dêem três cidades do lado de cá do Jordão, e outras três na terra de Canaã. Serão cidades de refúgio.
15. Essas seis cidades servirão de refúgio, tanto para alguém dos filhos de Israel, como para o imigrante e para aquele que vive no meio de vocês, que tenha matado alguém sem querer.
16. Contudo, se essa pessoa feriu alguém com objeto de ferro, e daí causou a morte, é homicida. E o homicida é réu de morte.
17. Se alguém feriu com uma pedra capaz de causar a morte, e a pessoa morrer, é homicida. E o homicida é réu de morte.
18. Se feriu com objeto de madeira capaz de causar a morte, e a pessoa morrer, é homicida. E o homicida é réu de morte.
19. Cabe ao vingador do sangue matar o homicida. Quando o encontrar, ele o matará.
20. Se o homicida empurrou a vítima com ódio ou atirou contra ela alguma coisa e a matou;
21. ou ainda, se por inimizade a golpeou de modo mortal, aquele que feriu a vítima deve morrer: é um homicida que o vingador do sangue matará quando encontrar.
22. Todavia, se empurrou a vítima sem querer, sem ódio, ou atirou contra ela alguma coisa sem intenção de atingi-la;
23. Ou se não enxergou a vítima e deixou cair sobre ela uma pedra e a matou, sem ter contra ela nenhum ódio ou intenção de causar-lhe mal,
24. então a comunidade julgará entre aquele que feriu e o vingador do sangue,
25. salvando o homicida da mão do vingador do sangue. A comunidade o deixará voltar para a cidade de refúgio, onde se havia asilado, e ele aí ficará até à morte do sumo sacerdote, que foi ungido com óleo santo.
26. Se o homicida sair dos limites da cidade de refúgio, onde se havia asilado,
27. e se o vingador do sangue o encontrar fora dos limites da cidade ele refúgio, poderá matá-lo, sem medo de represálias.
28. Isso porque o homicida deve permanecer na cidade de refúgio até à morte do sumo sacerdote; só depois que o sumo sacerdote morrer, poderá voltar à terra de sua herança.
29. São normas de direito para vocês, válidas para todas as gerações, em qualquer lugar onde vocês habitarem.
30. Em casos de homicídio, o homicida será morto através do depoimento de testemunhas. Contudo, não basta uma testemunha para levar alguém à pena de morte.
31. Não aceitem resgate pela vida de um homicida condenado à morte, pois ele deverá morrer.
32. Também não aceitem resgate por alguém que se refugiou numa cidade de refúgio e quer voltar para sua terra antes da morte do sumo sacerdote.
33. Não profanem a terra onde vocês vivem: a terra fica profanada com o sangue, e pelo sangue derramado na terra não há expiação, a não ser pelo sangue daquele que o derramou.
34. Portanto, não contaminem a terra onde vocês vivem e na qual eu habito, pois eu, Javé, habito no meio dos filhos de Israel".

[Números 36]Números 36

A HERANÇA DA MULHER CASADA
1. Os chefes de família do clã dos filhos de Galaad, descendentes de Maquir, filho de Manassés, um dos clãs dos filhos de José, se apresentaram a Moisés e aos principais chefes de família dos filhos de Israel,
2. e disseram: "Javé ordenou ao meu senhor que repartisse a terra entre os filhos de Israel por sorteio. Meu senhor recebeu de Javé a ordem de dar a parte da herança de Salfaad, nosso irmão, às filhas dele.
3. Ora, se elas se casarem com alguém de outra tribo dos filhos de Israel, a parte que pertence a elas será tirada da parte de nossos pais. Então a parte da tribo à qual elas vão pertencer ficará maior, e a parte que nos coube por sorteio ficará menor.
4. Quando chegar o ano do jubileu para os filhos de Israel, a parte delas passará para a parte da tribo à qual vão pertencer, e será tirada da parte da nossa tribo".
5. Então Moisés comunicou aos filhos de Israel esta ordem de Javé: "A tribo dos filhos de José tem razão.
6. Javé ordena às filhas de Salfaad: Casem-se com quem quiserem, mas sempre dentro de algum clã da tribo do seu pai.
7. A herança dos filhos de Israel não passará de uma tribo

para outra; os filhos de Israel permanecerão ligados cada um à herança de sua tribo.
8. As filhas que tiverem alguma herança em qualquer uma das tribos dos filhos de Israel, deverão casar-se com alguém de um clã da tribo de seu pai. Desse modo, os filhos de Israel conservarão cada um a herança de seu pai.
9. Uma herança não poderá ser transferida de uma tribo para outra: cada uma das tribos dos filhos de Israel ficará ligada com a sua herança".
10. As filhas de Salfaad fizeram o que Javé tinha ordenado a Moisés.
11. Maala, Tersa, Hegla, Melca e Noa, filhas de Salfaad, casaram-se com seus primos por parte de pai.
12. Casaram-se dentro dos clãs dos filhos de Manassés, filho de José; por isso, a herança delas permaneceu na tribo do clã de seu pai.

CONCLUSÃO DO LIVRO
13. São essas as ordens e normas que Javé ordenou aos filhos de Israel por meio de Moisés, na estepe de Moab, às margens do rio Jordão, na altura de Jericó.
[Deuteronômio 1]I. PRIMEIRO DISCURSO DE MOISÉS: REVER O PASSADO EM VISTA DO FUTURO

Deuteronômio 1

UM LIVRO PARA SER INCULCADO
1. Palavra que Moisés dirigiu a todo o Israel, no outro lado do Jordão, isto é, no deserto ou na Arabá que está na frente de Suf, entre Farã, Tofel, Labã, Haserot e Dizaab.
2. São onze dias de marcha pelo caminho da serra de Seir, desde o Horeb até Cades Barne.
3. No primeiro dia do décimo primeiro mês do ano quarenta, Moisés falou aos filhos de Israel, conforme tudo o que Javé lhe ordenara.
4. Depois de ter vencido Seon, rei dos amorreus, que habitava em Hesebon, e Og, rei de Basã, que habitava em Astarot e Edrai,
5. no outro lado do Jordão, na terra de Moab, Moisés começou a inculcar esta lei, dizendo:

TERRA PROMETIDA, LUGAR DE JUSTIÇA
6. Javé nosso Deus falou-nos no Horeb: "Chega de ficar nesta montanha.
7. Comecem a caminhar e vão até a serra dos amorreus e até junto daqueles que habitam na Arabá, na região montanhosa, na Sefelá, no Negueb e no litoral. Vão para a terra dos cananeus e para o Líbano, até o grande rio, o Eufrates.
8. Essa é a terra que eu dei a vocês. Entrem para tomar posse da terra que Javé prometeu dar aos antepassados de vocês, a Abraão, Isaac e Jacó, e depois para a descendência deles".
9. Naquele tempo, eu falei a vocês: "Eu sozinho não consigo carregar vocês.
10. Javé seu Deus os multiplicou, e hoje vocês são numerosos como as estrelas do céu.
11. Que Javé, o Deus dos antepassados de vocês, os multiplique mil vezes mais, abençoando-os como lhes prometeu.
12. Como poderia eu, sozinho, carregar o peso, a carga e os processos de vocês?
13. Escolham homens sábios, inteligentes e competentes de cada uma das tribos, e eu os constituirei chefes de vocês".
14. Vocês me responderam: "O que você está propondo é bom".
15. Tomei, então, os chefes das tribos de vocês, homens sábios e competentes, e os constituí seus chefes: para cada tribo constituí chefes de mil, de cem, de cinqüenta e de dez, e também oficiais de justiça para as tribos.
16. Ao mesmo tempo, ordenei aos juízes de vocês: "Escutem seus irmãos para fazer justiça entre um homem e seu irmão ou imigrante que mora com ele.
17. Não façam acepção de pessoas no julgamento: escutem de maneira igual o pequeno e o grande. Não tenham medo de ninguém, porque a sentença vem de Deus. Se a causa for muito difícil para vocês, tragam para mim, e eu a resolverei".
18. Naquela ocasião eu ordenei tudo o que vocês deveriam fazer.

JAVÉ CAMINHA NA FRENTE DO SEU POVO
19. Partimos do Horeb e caminhamos através de todo aquele deserto grande e terrível, que vocês bem conhecem. Fomos em direção à serra dos amorreus, como Javé nosso Deus nos havia ordenado, e chegamos a Cades Barne.
20. Então eu lhes disse: "Vocês chegaram à serra dos amorreus, que Javé nosso Deus nos dará.
21. Veja! Javé seu Deus entrega a você esta terra: suba para possuí-la, como lhe falou Javé, Deus de seus antepassados. Não tenha medo nem se acovarde".
22. Mas vocês vieram todos a mim e disseram: "Vamos mandar homens à nossa frente, para que explorem a região por nós e nos informem qual é o caminho que deveremos subir e em que cidade poderemos entrar".
23. Gostei da proposta, de modo que tomei doze homens de vocês, um de cada tribo.
24. Eles partiram, subiram a serra, foram até o vale do Cacho e o exploraram.
25. Pegaram amostras de frutas da região e as trouxeram para nós, relatando o seguinte: "A terra que Javé nosso Deus nos vai dar é boa".
26. Vocês, porém, não quiseram subir, e se revoltaram contra a ordem de Javé seu Deus.
27. Vocês começaram a murmurar em suas tendas: "Javé nos odeia. Ele nos fez sair do Egito para nos entregar na mão dos amorreus e nos exterminar.
28. Para onde vamos subir? Nossos irmãos nos desencorajaram dizendo: 'É um povo numeroso e de estatura mais alta do que a nossa! As cidades são grandes e fortificadas até o céu! E ali nós vimos também descendentes dos enacim' ".
29. Eu lhes dizia: "Não fiquem aterrorizados nem tenham medo deles.
30. Javé seu Deus irá na frente de vocês. Ele combaterá em favor de vocês, como já fez no Egito diante dos seus olhos".
31. No deserto, você viu também que Javé seu Deus o carregou, como o homem carrega seu filho, durante todo o caminho que vocês percorreram, até chegar a este lugar.
32. Apesar disso, ninguém de vocês confiava em Javé seu Deus.
33. Ele ia na frente de vocês, procurando um lugar para o acampamento: durante a noite, por meio do fogo, para que vocês pudessem enxergar o caminho, e na nuvem durante o dia.

NÃO ADIANTA LUTAR SEM JAVÉ
34. Ouvindo o que vocês falavam, Javé ficou furioso e jurou:
35. "Nenhum dos homens desta geração perversa verá a terra boa que eu jurei dar aos antepassados de vocês,
36. exceto Caleb, filho de Jefoné. Ele a verá, pois eu vou dar-lhe a terra por onde ele passou, e também a seus filhos, pois ele seguiu a Javé sem reservas".
37. Por causa de vocês Javé também ficou furioso contra mim, e disse: "Você também não entrará lá.
38. É Josué, filho de Nun, quem lá entrará. Encoraje-o, pois é ele quem fará Israel tomar posse da terra.
39. As crianças de vocês, porém, das quais vocês diziam que seriam tomadas como presa, os filhos de vocês que ainda não sabem distinguir entre o bem e o mal, são eles que vão entrar lá. Eu lhes entregarei a terra, e eles a possuirão.
40. Quanto a vocês, meia volta! Sigam para o deserto, em direção ao mar Vermelho".
41. Vocês, porém, me responderam: "Pecamos contra Javé nosso Deus. Vamos subir para lutar, como Javé nosso Deus nos ordenou". Cada um de vocês pegou em armas de guerra, como se fosse coisa fácil subir a serra.
42. Então Javé me disse: "Diga-lhes que não subam nem lutem, porque eu não estou com eles, e o inimigo os derrotará".
43. Eu os avisei, mas vocês não me ouviram, revoltando-se contra a ordem de Javé. E subiram temerariamente em direção à serra.
44. O povo amorreu, que habitava a serra, saiu ao encontro de vocês, perseguiu vocês como abelhas, e os derrotou desde Seir até Horma.
45. Vocês voltaram chorando até a presença de Javé. No entanto, Javé não ouviu o clamor de vocês, nem lhes deu atenção.
46. Por isso vocês tiveram que ficar muito tempo vivendo em Cades.

[Deuteronômio 2]Deuteronômio 2

RESPEITAR AS NAÇÕES IRMÃS
1. Então nós demos a volta e partimos para o deserto a caminho do mar Vermelho, como Javé me havia ordenado. Durante muitos dias, contornamos a serra de Seir.
2. Então Javé me disse:
3. "Vocês já rodearam bastante essa região montanhosa. Dirijam-se para o norte.
4. Ordene ao povo: 'Vocês estão passando pela fronteira de seus irmãos, os filhos de Esaú, que habitam em Seir. Eles têm medo de vocês e, por isso, tenham muito cuidado:
5. não os ataquem, porque nada eu darei da terra deles para vocês, nem sequer um palmo do seu território: foi a Esaú que eu dei a propriedade da serra de Seir'.
6. Vocês comprarão deles alimento para comer e água para beber,
7. porque Javé seu Deus abençoou você em todo o trabalho de sua mão. Ele acompanhou você na caminhada por esse grande deserto. Durante quarenta anos Javé seu Deus esteve com você, e a você nada faltou".
8. Cruzamos o território de nossos irmãos, os filhos de Esaú, que habitam em Seir, e passamos pelo caminho da Arabá, de Elat e de Asiongaber. Depois voltamos, tomando o caminho do deserto de Moab.
9. Javé, então, me disse: "Não ataque Moab e não o provoque para a luta, pois nada eu darei a você do território dele. Eu dei Ar como propriedade aos filhos de Ló.
10. Antigamente os emim habitavam aí; eram um povo grande, numeroso e de alta estatura, como os enacim.
11. Eram considerados como os rafaim, e como os enacim; os moabitas, porém, os chamam de emim.
12. Em Seir habitavam outrora os horreus; os filhos de Esaú, porém, os desalojaram e exterminaram, habitando no lugar deles, assim como Israel fez para tomar posse da terra que Javé lhe havia dado.
13. Agora levantem acampamento, e atravessem o rio Zared". Atravessamos, então, o rio Zared.
14. De Cades Barne até atravessar o rio Zared, caminhamos durante trinta e oito anos, até que desapareceu do acampamento toda a geração de guerreiros, como Javé lhes tinha jurado.
15. A mão de Javé estava contra eles, fazendo-os desaparecer do acampamento até sua completa extinção.
16. Quando morreram todos os guerreiros do povo,
17. Javé me falou:
18. "Hoje você estará atravessando Ar, nas fronteiras de Moab,
19. e vai se aproximar dos filhos de Amon: não os ataque e não os provoque, pois nada eu darei da terra dos filhos de Amon como posse a você. Foi aos filhos de Ló que eu a dei como propriedade.
20. Era considerada terra dos rafaim; antigamente os rafaim habitavam nela, sendo que os amonitas os chamavam de zomzomim.
21. Este era um povo grande e numeroso, de estatura alta como os enacim. Javé, porém, os aniquilou, e os amonitas os desalojaram para habitar no lugar deles.
22. Javé tinha feito o mesmo para os filhos de Esaú, que habitavam em Seir, exterminando os horreus da frente deles, que os desalojaram e habitam em seu lugar até hoje.
23. Quanto aos aveus, que habitavam nos campos até Gaza, os caftorim saíram de Cáftor e os exterminaram, habitando depois em seu lugar.
24. Vamos! Levantem acampamento e atravessem o rio Arnon. Vou entregar em sua mão o amorreu Seon, rei de Hesebon, com a terra dele. Comece a conquista, provoque-o para a luta.
25. A partir de hoje eu começo a espalhar o terror e o medo de você entre os povos que existem debaixo do céu. Eles ouvirão a fama de vocês, tremerão de medo diante de vocês e desfalecerão".

PRIMEIRA VITÓRIA
26. Do deserto de Cademot enviei mensageiros a Seon, rei de Hesebon, com esta proposta de paz:
27. "Deixe-me passar por seu território. Seguirei pela estrada sem me desviar para a direita nem para a esquerda.
28. Pagaremos a você a comida que nos der e a água que bebermos. Deixe-nos atravessar a pé,
29. como nos fizeram os descendentes de Esaú que habitam em Seir, e os moabitas que habitam em Ar, até que atravessemos o rio Jordão para entrar na terra que Javé nosso Deus vai nos dar".
30. Seon, rei de Hesebon, não permitiu que passássemos pelo seu território. Javé Deus tornou obstinado o espírito dele e endureceu-lhe o coração, para o entregar em poder de vocês, como hoje se vê.
31. Javé me disse: "Veja! Estou começando a entregar Seon com seu território a você. Comece a conquistar o território dele".
32. Seon veio ao nosso encontro em Jasa, com todas as suas tropas.
33. Javé nosso Deus o entregou a nós, e nós o vencemos, e também os seus filhos e todo o seu exército.
34. Tomamos posse de todas as suas cidades e sacrificamos cada uma delas, como anátema: homens, mulheres e crianças, sem deixar nenhum sobrevivente.
35. Pegamos apenas o gado como despojo, e também o saque das cidades que conquistamos.
36. Desde Aroer, que está à margem do vale do Arnon, com a cidade que está dentro do vale, até Galaad, e diante de nós não houve cidade que resistisse: Javé nosso Deus entregou todas elas para nós.
37. Você só não se aproximou da terra dos amonitas, isto é, de toda a região do vale do rio Jaboc, e das cidades da serra, como Javé nosso Deus havia ordenado.

[Deuteronômio 3]Deuteronômio 3

SEGUNDA VITÓRIA
1. Então nos voltamos e subimos em direção a Basã. Og, rei de Basã, saiu ao nosso encontro com seu exército para nos guerrear em Edrai.
2. Javé me disse: "Não tenha medo dele, pois a você eu o entreguei com todo o seu exército e território. Trate-o como você tratou a Seon, o rei dos amorreus que habitava em Hesebon".
3. Javé nosso Deus nos entregou também Og, rei de Basã, com todo o seu exército. Nós os combatemos, até que não restou nenhum sobrevivente.
4. Conquistamos, então, todas as suas cidades, sem deixar nenhuma: ao todo, sessenta cidades na região de Argob, que era o reino de Og, em Basã.
5. Todas essas cidades eram fortificadas com altas muralhas e portas com trancas; sem contar grande número de cidades dos ferezeus.
6. Nós as sacrificamos como anátema, assim como havíamos feito com Seon, rei de Hesebon: destruímos cada cidade, com homens, mulheres e crianças.
7. Contudo, tomamos para nós todo o gado e os despojos das cidades.
8. Desse modo, conquistamos o território dos dois reis amorreus, no outro lado do Jordão, desde o rio Arnon até o monte Hermon.
9. (Os sidônios chamam o Hermon de Sarion; os amorreus, porém, o chamam de Sanir).
10. Tomamos todas as cidades do planalto, todo o Galaad e todo o Basã até Selca e Edrai, domínios de Og, rei de Basã.
11. Og, rei de Basã, era o único sobrevivente dos rafaim. Sua cama é a cama de ferro que está em Rabá dos amonitas: tem quatro metros e meio de comprimento e dois metros de largura, segundo o padrão normal.

SOLIDARIEDADE NA LUTA PELA TERRA
12. Ocupamos, então, todo o território desde Aroer, que está à margem do rio Arnon. Aos rubenitas e aos gaditas dei a metade da região montanhosa de Galaad, com suas cidades.
13. Para a meia tribo de Manassés dei o resto de Galaad e todo o Basã, que era o reino de Og. (Toda a região do Argob, todo o Basã se chamava terra dos rafaim.
14. Jair, filho de Manassés, tomou a região de Argob, até a fronteira dos gessuritas e dos maacatitas. Em vez de Basã, foi dado a esses lugares o nome de Aldeias de Jair, nome que permanece até o dia de hoje).
15. A Maquir dei Galaad.
16. Aos rubenitas e aos gaditas dei o território que vai de Galaad até o rio Arnon - o meio do rio serve de fronteira - e até o rio Jaboc, que é fronteira dos amonitas.
17. A Arabá e o rio Jordão servem de fronteira, desde Quineret até ao mar da Arabá, o mar Morto, nas encostas orientais do Fasga.
18. Então eu dei a vocês esta instrução: "Javé seu Deus entregou-lhes esta terra como propriedade. Todos os guerreiros de vocês marcharão à frente de seus irmãos, os filhos de Israel.
19. Somente as mulheres, as crianças e o gado (sei que vocês têm muito gado) ficarão nas cidades que lhes dei,
20. até que Javé conceda repouso a seus irmãos, assim como deu a vocês, e também eles tomem posse da terra que Javé vai lhes dar no outro lado do Jordão. Depois cada um voltará para a propriedade que lhes dei".
21. Na mesma ocasião, dei a Josué a seguinte instrução: "Você viu com os próprios olhos tudo o que Javé nosso Deus fez a esses dois reis. Javé vai fazer o mesmo com todos os reinos onde você entrar.
22. Não tenha medo deles, pois quem combate em favor de vocês é Javé, o seu Deus".

O LÍDER É SOLIDÁRIO COM O POVO
23. Então eu implorei a Javé:
24. "Javé, meu Senhor! Começaste a mostrar ao teu servo tua grandeza e a força de tua mão. Qual é o deus, no céu e na terra, que pode realizar obras e feitos tão poderosos como os teus?
25. Deixa-me passar. Deixa-me ver a boa terra que está do outro lado do Jordão, essa boa serra e o Líbano".
26. Javé, porém, estava irritado comigo por causa de vocês, e não me atendeu. Ele apenas me disse: "Chega! Não me fale mais nada sobre isso.
27. Suba até o alto do Fasga, levante seus olhos para o oeste, para o norte, para o sul e para o leste, e contemple com seus próprios olhos, porque você não atravessará o Jordão.
28. Dê instruções a Josué. Encoraje-o, fortifique-o, pois é ele quem vai atravessar à frente deste povo, fazendo-o tomar posse da terra que você está contemplando".
29. Então permanecemos no vale, diante de Bet-Fegor.

[Deuteronômio 4]Deuteronômio 4

FIDELIDADE A JAVÉ PARA UMA VIDA NOVA
1. Agora, Israel, ouça os estatutos e normas que eu hoje lhes ensino a praticar, a fim de que vocês vivam e entrem para possuir a terra que Javé, o Deus de seus antepassados, vai dar a vocês.
2. Não acrescentem nada ao que eu lhes ordeno, nem retirem coisa nenhuma. Observem os mandamentos de Javé seu Deus do modo como eu lhes ordeno.
3. Vocês viram com os próprios olhos o que Javé fez em Baal-Fegor: Javé seu Deus exterminou do seu meio todos os que seguiram o Baal de Fegor.
4. Vocês, porém, permaneceram apegados a Javé seu Deus, e por isso hoje estão todos vivos.
5. Vejam! Estou lhes ensinando estatutos e normas, como Javé meu Deus me ordenou, para que vocês os coloquem em prática na terra onde estão agora entrando, a fim de tomarem posse dela.
6. Portanto, coloquem tudo em prática, pois isso tornará vocês sábios e inteligentes diante dos povos. Ao ouvirem todos esses estatutos, os povos comentarão: "Que povo é tão sábio e inteligente como essa grande nação?"
7. De fato, que grande nação tem um Deus tão próximo, como Javé nosso Deus, todas as vezes que o invocamos?
8. Que grande nação tem estatutos e normas tão justas como toda esta lei que eu lhes proponho hoje?

DEUS NÃO PODE SER REPRESENTADO
9. Apenas tenha cuidado! Preste muita atenção em sua vida para não se esquecer dos acontecimentos que seus olhos viram e que eles nunca se apartem de sua memória, nenhum dia da sua vida. Ensine-os a seus filhos e a seus netos.
10. No dia em que você estava diante de Javé seu Deus no Horeb, Javé me disse: "Reúna o povo junto a mim, para que eu os faça ouvir minhas palavras e aprendam a me temer enquanto viverem sobre a terra, e as ensinem a seus filhos".
11. Vocês se aproximaram e ficaram ao pé da montanha. A montanha ardia em fogo até o céu, em meio a trevas e nuvens escuras.
12. Então Javé falou a vocês do meio do fogo. Vocês ouviram o som das palavras, mas não viram nenhuma forma: ouvia-se apenas uma voz.
13. Ele lhes comunicou então a sua Aliança, para que vocês a cumprissem: as Dez Palavras, que ele escreveu em duas tábuas de pedra.
14. Nessa mesma ocasião, Javé me ordenou que ensinasse a vocês estatutos e normas, que vocês deveriam cumprir na terra, para onde estão atravessando, a fim de tomarem posse.
15. Prestem atenção em si mesmos! Vocês não viram nenhuma forma no dia em que Javé lhes falou no Horeb, no meio do fogo.
16. Portanto, não se pervertam, fazendo para vocês imagem esculpida em forma de ídolo: imagem de homem ou de mulher,
17. imagem de animal terrestre, de pássaro que voa no céu,
18. de réptil que rasteja sobre a terra, ou imagem de peixe que vive nas águas que estão sob a terra.
19. Levantando os olhos para o céu e vendo o sol, a lua, as estrelas e todo o exército do céu, não se deixe seduzir para adorá-los e servi-los. São coisas que Javé seu Deus repartiu entre todos os povos que vivem debaixo do céu.
20. Quanto a vocês, porém, Javé os tomou e os tirou do Egito, daquela fornalha de ferro, para que sejam o povo da sua herança, como hoje se vê.

O CASTIGO É SERVIR A DEUSES QUE NÃO LIBERTAM
21. Por causa de vocês, Javé ficou furioso comigo e jurou que eu não atravessaria o Jordão e não entraria na boa terra que Javé seu Deus dará a você como herança.
22. Vejam! Eu vou morrer nesta terra sem atravessar o Jordão. Vocês, porém, vão atravessá-lo e tomar posse dessa terra boa.
23. Prestem atenção em si mesmos: não se esqueçam da Aliança que Javé seu Deus concluiu com vocês, e não façam imagem esculpida nenhuma, de coisa alguma que Javé seu Deus lhe proibiu,
24. porque Javé seu Deus é um fogo devorador. Ele é um Deus ciumento.
25. Quando tiverem gerado filhos e netos e envelhecerem na terra, se vocês se corromperem fazendo alguma imagem esculpida, praticando assim o que Javé seu Deus reprova e o irritando,
26. eu tomo o céu e a terra como testemunhas contra vocês. Vocês serão logo e completamente exterminados da face da terra, da qual vão tomar posse ao atravessar o Jordão. Vocês não prolongarão seus dias sobre ela, pois serão completamente aniquilados.
27. Javé os espalhará entre os povos, e apenas um pequeno número restará de vocês no meio das nações, para onde Javé os tiver conduzido.
28. Aí vocês servirão a deuses feitos por mãos humanas, deuses de madeira e de pedra, que não podem ver nem ouvir, nem comer nem cheirar.
29. De lá, então, você buscará Javé seu Deus e, se o procurar com todo o coração e com toda a alma, você o encontrará.
30. Com o passar dos anos, todas essas coisas atingirão você. Mas você se voltará para Javé seu Deus e obedecerá à voz dele,
31. porque Javé seu Deus é um Deus misericordioso: ele não vai abandonar e destruir você, pois nunca se esquecerá da aliança que concluiu com seus antepassados por meio de juramento.

O ÚNICO DEUS VIVO
32. Pergunte aos tempos passados, que vieram antes de você, desde o dia em que Deus criou o homem sobre a terra. De uma ponta do céu até a outra já existiu por acaso coisa tão grande como essa? Ouviu-se algo semelhante?
33. Existe, por acaso, um povo que tenha ouvido a voz do Deus vivo, falando do meio do fogo, como você ouviu, e ainda permaneceu vivo?
34. Ou existe algum Deus que tenha vindo para escolher uma nação do meio de outra nação, com provas, sinais, prodígios e combates, com mão forte e braço estendido, por meio de grandes terrores, como tudo o que Javé seu Deus fez no Egito diante dos olhos de vocês?
35. Foi a você que ele mostrou tudo isso, para você ficar sabendo que Javé é o único Deus e que não existe outro além dele.
36. Do céu, ele fez você ouvir a sua voz para o instruir; ele fez você ver o seu grande fogo sobre a terra. E você ouviu suas palavras vindas do meio do fogo.
37. E porque ele amava os antepassados de você, e escolheu seus descendentes depois deles, ele próprio com sua presença e sua grande força tirou você do Egito.
38. Ele desalojou nações maiores e mais poderosas do que você, para o introduzir na terra delas e dá-la a você em herança, como hoje se vê.
39. Portanto, reconheça hoje e medite em seu coração: Javé é o único Deus, tanto no alto do céu, como aqui em baixo, na terra. Não existe outro.
40. Observe os estatutos e os mandamentos dele, que hoje ordeno a você. Assim tudo correrá bem para você e para os filhos que vierem depois de você, e para que seus dias se prolonguem na terra que Javé seu Deus lhe dará para todo o sempre.

CIDADES DE REFÚGIO
41. Moisés reservou três cidades no lado leste do Jordão,
42. para que aí pudesse refugiar-se o homicida que tivesse matado o próprio irmão sem premeditar, sem o ter odiado antes. Fugindo para uma dessas cidades, ele poderia salvar a própria vida.
43. Para os rubenitas era Bosor, no deserto sobre o planalto. Para os gaditas, Ramot em Galaad. E para os manassitas, Golã em Basã.

II. SEGUNDO DISCURSO DE MOISÉS: O FUNDAMENTO DA ALIANÇA

RESUMO HISTÓRICO
44. Esta é a Lei que Moisés promulgou para os filhos de Israel.
45. São estes os testemunhos, estatutos e normas que Moisés comunicou aos filhos de Israel, quando saíram do Egito.
46. Ele os comunicou no outro lado do Jordão, no vale próximo a Bet-Fegor, na terra de Seon, o rei dos amorreus que habitava em Hesebon. Moisés e os filhos de Israel o venceram ao saírem do Egito,
47. conquistando o seu território, assim como o território de Og, rei de Basã. Eram dois reis amorreus que viviam no lado oriental do Jordão.
48. O território conquistado ia desde Aroer, que está nas encostas do vale do rio Arnon, até o monte Sarion, isto é, o Hermon,
49. toda a região da Arabá no lado oriental do Jordão, até ao mar da Arabá, ao pé das encostas do Fasga.

[Deuteronômio 5]Deuteronômio 5

PRINCÍPIOS BÁSICOS DA ALIANÇA
1. Moisés convocou todo o Israel e disse: "Ouça, Israel, os estatutos e normas que hoje eu proclamo aos seus ouvidos, para que os aprendam e cuidem de praticar:
2. Javé nosso Deus fez uma aliança conosco no Horeb.
3. Javé não fez essa aliança com nossos antepassados, mas conosco, que hoje aqui estamos, todos vivos.
4. Javé falou com vocês, face a face, sobre a montanha, do meio do fogo.
5. Eu estava entre Javé e vocês, para lhes anunciar a palavra de Javé, pois vocês ficaram com medo do fogo e não subiram à montanha. Javé então me falou:
6. 'Eu sou Javé seu Deus, que o tirou da terra do Egito, da casa da escravidão.
7. Não tenha outros deuses diante de mim.
8. Não faça ídolos para você, nenhuma representação do que existe no céu, na terra ou nas águas que estão debaixo da terra.
9. Não se prostre diante desses deuses, nem os sirva, porque eu, Javé seu Deus, sou um Deus ciumento: quando me odeiam, eu castigo a culpa dos pais em seus filhos, netos e bisnetos;
10. e trato com amor, por mil gerações, quando me amam e guardam os meus mandamentos.
11. Não pronuncie em vão o nome de Javé seu Deus, porque Javé não deixará sem punição aquele que pronunciar o seu nome em vão.
12. Observe o dia de sábado, para santificá-lo, como ordenou Javé seu Deus.
13. Trabalhe durante seis dias e faça todas as suas tarefas.
14. O sétimo dia, porém, é o sábado de Javé seu Deus. Não faça trabalho nenhum, nem você, nem seu filho, nem sua filha, nem seu escravo, nem sua escrava, nem seu boi, nem seu jumento, nem qualquer um de seus animais, nem o imigrante que vive em suas cidades. Desse modo, seu escravo e sua escrava poderão repousar como você.
15. Lembre-se: você foi escravo na terra do Egito, e Javé seu Deus o tirou de lá com mão forte e braço estendido. É por isso que Javé seu Deus ordenou que você guardasse o dia de sábado.
16. Honre seu pai e sua mãe, como Javé seu Deus lhe ordenou, para que sua vida se prolongue e tudo corra bem para você na terra que Javé seu Deus agora lhe dá.
17. Não mate.
18. Não cometa adultério.
19. Não roube.
20. Não dê falso testemunho contra seu próximo.
21. Não cobice a mulher do seu próximo, nem deseje para você a casa do seu próximo, nem o campo, nem o escravo, nem a escrava, nem o boi, nem o jumento, nem coisa alguma que pertença ao seu próximo'.
22. Foram essas as palavras que Javé dirigiu em alta voz a toda a assembléia de vocês reunida no monte, do meio do fogo, em meio a trevas, nuvens e escuridão. Sem nada acrescentar, Javé as gravou sobre duas tábuas de pedra e as entregou a mim.

RENOVAÇÃO DA ALIANÇA
23. Quando vocês ouviram a voz que vinha do meio das trevas, enquanto a montanha ardia em fogo, vocês todos, chefes das tribos e anciãos, se aproximaram de mim
24. e disseram: 'Javé nosso Deus mostrou-nos a sua glória e grandeza, e nós ouvimos a sua voz do meio do fogo. Hoje vimos que Deus pode falar ao homem, sem que este morra.
25. E agora, por que iríamos morrer? Esse fogo pode nos devorar! Se continuarmos a ouvir a voz de Javé nosso Deus nós vamos morrer.
26. De fato, qual é o mortal capaz de ouvir como nós a voz do Deus vivo falando do meio do fogo, e ainda continuar vivo?
27. Aproxime-se você, e ouça tudo o que Javé nosso Deus vai dizer. Depois você nos comunicará tudo o que Javé nosso Deus falar a você: nós ouviremos e colocaremos em prática'.
28. Javé ouviu o que vocês me falaram e me disse: 'Escutei o que esse povo falou a você. Ele tem razão.
29. Tomara que conserve sempre essa atitude, para me temer e observar continuamente todos os meus mandamentos, de modo que tudo corra bem para ele e seus filhos para sempre.
30. Vá e diga-lhes: Voltem para suas tendas.
31. Quanto a você, fique aqui comigo, para que eu lhe comunique todos os mandamentos, estatutos e normas que você ensinará a eles a fim de que os pratiquem na terra cuja posse eu lhes darei'.

A OBEDIÊNCIA QUE LEVA À VIDA
32. Portanto, procurem agir de acordo com todas as coisas que Javé seu Deus lhes manda. Não se desviem nem para a direita nem para a esquerda.
33. Sigam o caminho que Javé seu Deus lhes ordenou, para que vivam, sejam felizes e prolonguem a vida na terra que irão ocupar.

[Deuteronômio 6]Deuteronômio 6

1. São estes os mandamentos, estatutos e normas que Javé seu Deus mandou ensinar a vocês, para que os coloquem em prática ali na terra onde vão entrar a fim de tomarem posse.
2. Tema a Javé seu Deus, e observe todos os seus estatutos e mandamentos que hoje eu ordeno a você, a seu filho e a seu neto, durante todos os dias de sua vida, para que sua vida se prolongue.
3. Portanto, Israel, ouça e procure colocar em prática o que será bom para você e que o multiplicará muito, como Javé, o Deus de seus antepassados, lhe disse ao entregar a você uma terra onde corre leite e mel.

O AMOR É A TAREFA DA VIDA
4. Ouça, Israel! Javé nosso Deus é o único Javé.
5. Portanto, ame a Javé seu Deus com todo o seu coração, com toda a sua alma e com toda a sua força.
6. Que estas palavras, que hoje eu lhe ordeno, estejam em seu coração.
7. Você as inculcará em seus filhos, e delas falará sentado em sua casa e andando em seu caminho, estando deitado e de pé.
8. Você também as amarrará em sua mão como sinal, e elas serão como faixa entre seus olhos.
9. Você as escreverá nos batentes de sua casa e nas portas da cidade.

NÃO SE ESQUEÇA DE JAVÉ
10. Quando Javé seu Deus o introduzir na terra que jurou a seus antepassados Abraão, Isaac e Jacó, que daria a você, com cidades grandes e ricas que você não construiu,
11. casas cheias de riquezas que você não encheu, poços abertos que você não cavou, vinhas e olivais que você não plantou; quando você comer e ficar satisfeito,
12. preste atenção a si mesmo: não se esqueça de Javé, que tirou você do Egito, da casa da escravidão.
13. É a Javé seu Deus que você temerá; sirva a ele e jure pelo seu nome.
14. Não sigam deuses estrangeiros, deuses de povos vizinhos,
15. porque Javé seu Deus é um Deus ciumento que mora no meio de você. A cólera de Javé seu Deus se inflamaria contra você, e ele o exterminaria da face da terra.
16. Não tentem a Javé seu Deus, como vocês o tentaram em Massa.
17. Observem cuidadosamente os mandamentos de Javé seu Deus, e também os testemunhos e estatutos que ele ordenou a você.
18. Faça o que é correto e bom aos olhos de Javé, para que tudo corra bem, e você chegue a tomar posse da terra boa que Javé prometeu a seus antepassados,
19. expulsando de sua frente todos os seus inimigos. Foi isso que Javé prometeu.

EDUCAR PARA A JUSTIÇA
20. Amanhã seu filho vai lhe perguntar: 'O que significam esses testemunhos, estatutos e normas que Javé nosso Deus ordenou a vocês?'
21'. Então você responderá a seu filho: 'Nós éramos escravos do Faraó no Egito, mas Javé nos tirou do Egito com mão forte.
22. Diante dos nossos olhos Javé realizou sinais e prodígios grandes e terríveis contra o Egito, contra o Faraó e toda a sua corte.
23. Quanto a nós, porém, ele nos tirou de lá para nos introduzir aqui e nos dar a terra que havia prometido a nossos antepassados.
24. Javé, então, nos ordenou cumprir todos esses estatutos, temendo a Javé nosso Deus, para que sempre tudo nos corra bem e para nos dar a vida, como hoje se vê.
25. Esta será a nossa justiça: cuidarmos de colocar em prática todos esses mandamentos diante de Javé nosso Deus, conforme ele nos ordenou'.

[Deuteronômio 7]Deuteronômio 7

UM POVO CONSAGRADO A JAVÉ
1. Quando Javé seu Deus o introduzir na terra onde você está entrando para tomar posse; quando ele tiver expulsado nações mais numerosas que você - os heteus, gergeseus, amorreus, cananeus, ferezeus, heveus e jebuseus - sete nações mais numerosas que você;
2. quando Javé seu Deus as entregar a você, você as vencerá e as sacrificará como anátema. Não faça aliança nenhuma com elas e não as trate com piedade.
3. Não crie laços de parentesco com elas: não dê sua filha a um dos filhos delas, nem tome uma das filhas delas para o seu filho,
4. porque o seu filho se afastaria de mim para servir outros deuses; então a cólera de Javé se inflamaria contra você e o destruiria rapidamente.
5. Vocês devem tratá-las da seguinte maneira: demolir seus altares, destruir suas estelas, arrancar seus postes sagrados e queimar seus ídolos.
6. Pois você é um povo consagrado a Javé seu Deus: foi a você que Javé seu Deus escolheu para que pertença a ele como povo próprio, entre todos os povos da terra.

A ESCOLHA DE JAVÉ
7. Se Javé se afeiçoou a vocês e os escolheu, não é porque vocês são os mais numerosos entre todos os outros povos; pelo contrário, vocês são o menor de todos os povos!
8. Foi por amor a vocês e para manter a promessa que ele jurou aos antepassados de vocês. É por isso que Javé os tirou com mão forte e os resgatou da casa da escravidão, da mão do Faraó, rei do Egito.
9. Saiba, portanto, que Javé seu Deus é o único Deus, o Deus fiel, que mantém a aliança e o amor por mil gerações, em favor dos que o amam e observam seus mandamentos.
10. Mas ele é também aquele que retribui diretamente aos que o odeiam: faz perecer sem demora aquele que o odeia, retribuindo-lhe diretamente.
11. Observe, pois, os mandamentos, estatutos e normas que eu hoje lhe ordeno cumprir.
12. Se vocês ouvirem essas normas e as colocarem em prática, Javé seu Deus também manterá com você a aliança e o amor que ele jurou a seus antepassados.
13. Ele o amará, abençoará e multiplicará; abençoará o fruto do seu ventre e o fruto do seu solo; abençoará seu trigo, seu vinho novo, seu óleo, a cria de suas vacas e a prole de suas ovelhas, na terra que vai dar a você, conforme prometeu a seus antepassados.
14. Você vai ser abençoado mais do que todos os outros povos: no seu meio, nem o homem, nem a mulher, nem o seu gado serão estéreis.
15. Javé afastará de você qualquer doença e todas as graves enfermidades do Egito, que você conhece muito bem. Ele as mandará não para você, mas para todos os que odeiam a você.

O POVO DE DEUS NÃO DEVE TEMER
16. Devore, portanto, todos os povos que Javé seu Deus entregar a você. Não os trate com piedade, nem sirva a seus deuses. Seria uma armadilha para você.
17. Talvez você pense: 'Estas nações são mais numerosas do que eu. Como poderia expulsá-las?'
18. Não tenha medo delas. Lembre-se do que Javé seu Deus fez ao Faraó e a todo o Egito;
19. as grandes provas que os olhos de vocês viram, os sinais e prodígios, a mão forte e o braço estendido com que Javé seu Deus fez você sair de lá. Javé seu Deus tratará do mesmo modo a todos os povos de que você tem medo.
20. Javé seu Deus, além disso, mandará vespas contra eles, de modo que perecerão até os que restarem e se esconderem de você.
21. Não trema diante deles, porque Javé seu Deus, que habita no meio de você, é Deus grande e terrível.
22. Javé seu Deus irá expulsando pouco a pouco da frente de você essas nações. Você não poderá exterminá-las rapidamente, senão as feras do campo se multiplicariam contra você.
23. É Javé seu Deus quem vai entregar essas nações a você: elas ficarão perturbadas até serem completamente exterminadas.
24. Javé entregará os reis delas, e você fará desaparecer o nome delas de debaixo do céu: ninguém lhe resistirá, até que você destrua a todos.
25. Queime as imagens dos deuses delas; não cobice a prata e o ouro que os recobrem, nem os tome para você, para não cair numa armadilha, pois são coisa abominável a Javé seu Deus.
26. Portanto, não coloque uma coisa abominável dentro de casa: você se tornaria anátema como ela. Considere essas coisas como imundas e abomináveis, pois elas são anátemas.

[Deuteronômio 8]Deuteronômio 8

PEDAGOGIA DO DESERTO
1. Observem todos os mandamentos que hoje lhes ordeno cumprir, para que vivam e se multipliquem, entrem e tomem posse da terra que Javé prometeu com juramento a seus antepassados.
2. Lembre-se, porém, de todo o caminho que Javé seu Deus fez você percorrer durante quarenta anos no deserto, a fim de o humilhar e o colocar à prova, para conhecer suas intenções: será que você iria observar os mandamentos dele ou não?
3. Ele humilhou você, fez você sentir fome e o alimentou com o maná, que nem você nem seus antepassados conheciam, tudo para mostrar a você que o homem não vive só de pão, mas que o homem vive de tudo aquilo que sai da boca de Javé.
4. As roupas que você usava não se gastaram, nem seu pé inchou durante esses quarenta anos.
5. Portanto, reconheça em seu coração que Javé seu Deus educava você como o homem educa o próprio filho.

O TEMOR DE JAVÉ
6. Observe os mandamentos de Javé seu Deus para você andar nos caminhos dele e o temer.
7. Olhe! Javé seu Deus vai introduzir você numa terra boa: terra cheia de ribeirões de água e de fontes profundas que jorram no vale e na montanha;
8. terra de trigo e cevada, de vinhas, figueiras e romãzeiras, terra de oliveiras, de azeite e de mel;
9. terra onde você comerá pão sem escasses, pois nela nada lhe faltará; terra cujas pedras são de ferro, e de cujas montanhas você extrairá o cobre.
10. Quando você comer e ficar satisfeito, bendiga a Javé seu Deus pela boa terra que lhe deu.
11. Contudo, preste atenção a si mesmo, para não se esquecer de Javé seu Deus e não deixar de cumprir seus mandamentos, normas e estatutos, que hoje eu ordeno a você.
12. Não aconteça que, tendo comido e estando satisfeito, havendo construído casas boas e habitando nelas,
13. tendo se multiplicado seus bois e aumentado suas ovelhas, e multiplicando-se também sua prata e seu ouro e tudo o que você possui,
14. não aconteça que seu coração fique cheio de orgulho, e você se esqueça de Javé seu Deus, que o tirou do Egito, da casa da escravidão;
15. que conduziu você através daquele grande e terrível deserto, cheio de serpentes venenosas, escorpiões e sede; que fez jorrar para você água da mais dura pedra, onde não havia água;
16. que sustentava você no deserto com o maná, que seus antepassados não conheceram: tudo isso para humilhar e provar você, a fim de lhe fazer o bem no futuro.
17. Portanto, não vá pensar: 'Foi a minha força e o poder de minhas mãos que me conquistaram essas riquezas'.
18. Lembre-se de Javé seu Deus, pois é ele quem lhe dá força para se enriquecer, mantendo a aliança que jurou a seus antepassados, como hoje se vê.
19. Todavia, se você esquecer completamente Javé seu Deus, seguindo, servindo e adorando outros deuses, hoje eu lhes garanto que vocês morrerão.
20. Vocês perecerão exatamente como as nações que Javé destruirá diante de vocês, por não terem obedecido a Javé seu Deus.

[Deuteronômio 9]Deuteronômio 9

DIANTE DE DEUS NÃO EXISTE MÉRITO
1. Ouça, Israel: Hoje você está atravessando o rio Jordão para conquistar nações maiores e mais poderosas que você, cidades grandes e fortificadas até o céu.
2. Os enacim são um povo forte e de grande estatura. Você os conhece, porque ouviu dizer: 'Quem poderia resistir aos filhos de Enac?'
3. Por isso hoje você ficará sabendo que Javé seu Deus vai atravessar na sua frente como fogo devorador. Ele é quem vai exterminá-los e submetê-los a você. Então você os desalojará e rapidamente os destruirá, como Javé prometeu.
4. Quando Javé seu Deus os tiver expulsado da sua frente, não vá pensar: 'Foi por causa da minha justiça que Javé me fez entrar e tomar posse desta terra'. Não. É por causa da injustiça dessas nações que Javé as expulsará da sua frente.
5. Se você vai conquistar essas terras, não é por causa da sua justiça e honradez, e sim porque Javé seu Deus vai expulsá-las da sua frente por causa da injustiça delas, e também para cumprir a promessa que ele havia jurado a seus antepassados Abraão, Isaac e Jacó.
6. Saiba, portanto: não é por causa da justiça de você que Javé seu Deus lhe concede possuir esta terra boa, pois você é um povo de cabeça dura.

REVENDO OS PRIMEIROS ERROS
7. Lembre-se, e não se esqueça, de que no deserto você irritou Javé seu Deus. Vocês estão sendo rebeldes a Javé, desde o dia em que saíram do Egito até que chegaram a este lugar.
8. Até mesmo no Horeb vocês irritaram a Javé. E Javé ficou furioso com vocês e quis destruí-los.
9. Quando eu subi à montanha para receber as tábuas de pedra, as tábuas da aliança que Javé fez com vocês, eu fiquei na montanha durante quarenta dias e quarenta noites, sem comer pão nem beber água.
10. Então Javé me entregou as duas tábuas de pedra, escritas pelo dedo de Deus. Nelas estavam todas as palavras que Javé tinha falado com vocês na montanha, do meio do fogo, no dia da assembléia.
11. Depois de quarenta dias e quarenta noites, Javé me entregou as duas tábuas de pedra, as tábuas da aliança,
12. e me disse: 'Levante-se e desça depressa, porque o seu povo, o povo que você tirou do Egito, já se corrompeu. Já se desviaram do caminho que eu lhes ordenei: fundiram para si um ídolo de metal'.
13. E Javé acrescentou: 'Vejo que esse povo é um povo de cabeça dura.
14. Deixe-me destruí-lo e apagar o nome dele de debaixo do céu. Eu farei de você uma nação mais poderosa e numerosa do que esta'.
15. Virei-me e comecei a descer da montanha, enquanto ela ardia em fogo. Eu levava nas mãos as duas tábuas da aliança.
16. Então olhei, e era um fato: vocês tinham pecado contra Javé seu Deus. Tinham feito um bezerro de metal derretido, afastando-se bem depressa do caminho que Javé lhes havia ordenado.
17. Peguei então as duas tábuas, joguei-as com as duas mãos, quebrando-as diante dos olhos de vocês.
18. Depois me prostrei diante de Javé, como da primeira vez, durante quarenta dias e quarenta noites. Não comi pão nem bebi água, por causa do pecado que vocês cometeram, fazendo o que era mau aos olhos de Javé, a ponto de provocar a sua cólera.
19. Fiquei com medo da cólera e do furor que Javé estava dirigindo contra vocês, pois ele queria até destruí-los. Javé, porém, me ouviu ainda esta vez.
20. Javé também ficou furioso contra Aarão, e queria destruí-lo. E nesse dia eu supliquei também por Aarão.
21. Depois peguei o pecado que vocês tinham cometido, o bezerro, e o queimei. Em seguida o esmaguei, moendo completamente, até transformá-lo em pó, e o joguei no riacho que desce da montanha.
22. Vocês também irritaram continuamente a Javé em Tabera, em Massa e em Cemitério da Avidez.
23. E quando Javé enviou vocês de Cades Barne, ele disse: 'Subam e tomem posse da terra que eu lhes dei'. Mas vocês se revoltaram contra a ordem de Javé seu Deus, e não lhe deram crédito nem lhe obedeceram.
24. Vocês são rebeldes a Javé desde o dia em que eu os conheci.
25. Prostrei-me então diante de Javé. E fiquei prostrado durante quarenta dias e quarenta noites, porque Javé ameaçava destruir vocês.
26. Então supliquei a Javé: 'Javé, meu Senhor, não destruas o teu povo, a tua herança. Tu o resgataste com tua grandeza. Tu o tiraste do Egito com mão forte.
27. Lembra-te dos teus servos. Abraão, Isaac e Jacó. Não olhes para a teimosia deste povo, para a sua maldade e seu pecado,
28. para que não venham a dizer na terra de onde nos tiraste: Javé não foi capaz de conduzi-los para a terra que lhes tinha prometido! Ele os fez sair por ódio, para matá-los no deserto!
29. Apesar de tudo, eles são o teu povo e a tua herança. Tu os fizeste sair com a tua grande força e com o teu braço estendido'.

[Deuteronômio 10]Deuteronômio 10

SINAL DE COMPROMISSO
1. Naquela ocasião, Javé me disse: 'Corte duas tábuas de pedra, como as primeiras, e suba até mim na montanha. Faça também uma arca de madeira.
2. Sobre as tábuas eu vou escrever as palavras que estavam sobre aquelas primeiras tábuas que você quebrou. E você as colocará na arca'.
3. Então eu fiz uma arca de madeira de acácia, cortei duas tábuas de pedra, como as primeiras, e subi à montanha com as duas tábuas na mão.
4. Então Javé escreveu sobre as tábuas o mesmo texto que havia escrito antes, as Dez Palavras que Javé tinha falado para vocês na montanha, do meio do fogo, no dia da assembléia. Em seguida, Javé me entregou as tábuas.
5. Depois virei-me, desci da montanha e coloquei as duas tábuas na arca que eu havia preparado. Elas continuam ali, como Javé me ordenou.
6. Os filhos de Israel partiram, então, dos poços de Benê-Jacã para Mosera. Foi aí que Aarão morreu e foi sepultado. Seu filho Eleazar lhe sucedeu no sacerdócio.
7. Daí partiram para Gadgad, e de Gadgad para Jetebata, uma terra cheia de ribeirões de água.
8. Foi nessa ocasião que Javé destacou a tribo de Levi para levar a arca da aliança de Javé e ficar à disposição de Javé, para servi-lo e abençoar em seu nome, até o dia de hoje.
9. É por isso que Levi não recebeu parte na herança de seus irmãos: a herança dele é Javé, como Javé seu Deus lhe havia falado.
10. Fiquei na montanha por quarenta dias e quarenta noites, como na primeira vez. Ainda desta vez Javé me ouviu e não quis destruir você.
11. Javé então me disse: 'Levante-se e caminhe à frente deste povo, para que tomem posse da terra que eu lhes darei, conforme prometi a seus antepassados'.

AS EXIGÊNCIAS DA ALIANÇA
12. E agora, Israel, o que é que Javé seu Deus lhe pede? Somente isto: que você tema a Javé seu Deus. Que ande em seus caminhos e o ame. Que sirva Javé seu Deus com todo o seu coração e com toda a sua alma.
13. E que observe os mandamentos de Javé e os estatutos que eu hoje lhe ordeno, para o seu bem.
14. Veja! É a Javé seu Deus que pertencem o céu e o céu do céu, a terra e tudo o que nela existe.
15. Apesar disso, foi somente com os antepassados de vocês que Javé se ligou para amá-los. E depois deles, escolheu dentre todos os povos a descendência deles, que são vocês, como hoje se vê.
16. Circuncidem portanto o coração, e nunca mais tenham cabeça dura,
17. porque Javé seu Deus é o Deus dos deuses e o Senhor dos senhores, o Deus grande, valente e terrível, que não faz diferença entre as pessoas e não aceita suborno.
18. Ele faz justiça ao órfão e à viúva e ama o imigrante, dando-lhe pão e roupa.
19. Portanto, amem o imigrante, porque vocês foram imigrantes no Egito.
20. Tema e sirva a Javé seu Deus, apegue-se a ele e jure pelo seu nome.
21. É a ele que você deve louvar, porque ele é o seu Deus. Ele fez em favor de você essas coisas grandes e terríveis, que você viu com os próprios olhos.
22. Os seus antepassados, quando desceram para o Egito, eram apenas setenta pessoas. Agora, porém, Javé seu Deus tornou você numeroso como as estrelas do céu.

[Deuteronômio 11]Deuteronômio 11

A VERDADEIRA EDUCAÇÃO
1. Ame a Javé seu Deus e observe continuamente o que ele ordena: seus estatutos, normas e mandamentos.
2. Foram vocês que fizeram a experiência, e não seus filhos. Eles não conheceram nem viram a educação dada por Javé seu Deus, nem a sua grandeza, a sua mão forte e o seu braço estendido,
3. os sinais e as obras que ele realizou no Egito contra o Faraó, rei do Egito, e contra toda a terra dele;
4. o que ele fez contra o exército do Egito, contra seus cavalos e carros: fez as águas do mar Vermelho caírem por cima deles, quando estavam perseguindo vocês. Javé os aniquilou até o dia de hoje.
5. E o que fez por vocês no deserto, até que chegassem a este lugar.
6. E ainda o que fez a Datã e Abiram, filhos de Eliab, o rubenita: a terra abriu a boca e os engoliu, junto com suas famílias, tendas e tudo o que possuíam no meio de todo o Israel.
7. Vocês viram com os próprios olhos todas as grandes obras que Javé realizou.

A VIDA DEPENDE DA FIDELIDADE
8. Observem, portanto, todos os mandamentos que eu hoje lhes ordeno, para que se tornem fortes, entrem lá e tomem posse da terra, para a qual estão atravessando, a fim de conquistá-la.
9. Desse modo vocês prolongarão seus dias na terra que Javé prometeu dar a seus antepassados e aos descendentes deles, uma terra onde corre leite e mel.
10. A terra, onde você está entrando para tomar posse, não é como a terra do Egito, de onde vocês saíram. Aí você espalhava a semente e regava com os pés, como se fosse uma horta.
11. A terra, para onde vocês estão indo a fim de conquistá-la, é uma terra de montes e vales que bebem água da chuva do céu!
12. É a terra da qual Javé seu Deus cuida. Ele está sempre olhando por ela, do começo ao fim do ano.
13. Se vocês obedecerem aos mandamentos que hoje lhes ordeno, amando a Javé seu Deus e servindo-o com todo o seu coração e com toda a sua alma,
14. eu darei chuva para vocês no tempo certo: chuvas de outono e de primavera. Desse modo, você poderá recolher seu trigo, seu vinho novo e seu óleo.
15. Também darei erva no campo para o seu rebanho, de modo que você poderá comer e ficar satisfeito.
16. Contudo, prestem atenção a si mesmos, para que o coração de vocês não se deixe seduzir nem se desviem para servir a outros deuses, prostrando-se diante deles.
17. A cólera de Javé se inflamaria contra vocês, e ele fecharia o céu: assim não haveria mais chuva, e a terra não daria o seu produto. Desse modo vocês desapareceriam rapidamente da terra boa que Javé lhes vai dar.

BÊNÇÃO E MALDIÇÃO: A VIDA DEPENDE DA ESCOLHA
18. Coloquem essas minhas palavras no seu coração e na sua alma! Amarrem essas palavras na mão como sinal. E que elas sejam para vocês como faixa entre os olhos.
19. Vocês devem ensiná-las a seus filhos, falando delas sentado em casa e andando pelo caminho, deitado e de pé.
20. Você deverá escrevê-las nos batentes da sua casa e nas portas da sua cidade,
21. para que os dias de vocês e os dias de seus filhos se multipliquem sobre a terra que Javé jurou dar aos antepassados de vocês, e sejam dias tão numerosos quanto os dias em que o céu permanecer sobre a terra.
22. Se vocês observarem fielmente todos os mandamentos que hoje lhes ordeno, amando a Javé seu Deus, seguindo os seus caminhos e apegando-se a ele,
23. Javé expulsará diante de vocês todas essas nações, a fim de que vocês tomem posse de nações maiores e mais poderosas que vocês.
24. Todo lugar onde vocês pisarem, pertencerá a vocês: suas fronteiras irão desde o deserto até o Líbano, desde o rio Eufrates até o mar ocidental.
25. Ninguém poderá resistir a vocês, porque Javé seu Deus vai espalhar o medo e o terror de vocês em qualquer terra que pisarem, conforme lhes falou.
26. Vejam! Hoje eu estou colocando diante de vocês a bênção e a maldição.
27. A bênção, se vocês obedecerem aos mandamentos de Javé seu Deus, que eu hoje lhes ordeno.
28. A maldição, se não obedecerem aos mandamentos de Javé seu Deus, desviando-se do caminho que eu hoje lhes ordeno, para seguir outros deuses que vocês não conheceram.
29. Quando Javé seu Deus tiver introduzido você na terra para onde você se dirige, a fim de tomar posse dela, você deverá colocar a bênção sobre o monte Garizim e a maldição sobre o monte Ebal.
30. Esses montes estão do outro lado do Jordão, a caminho do poente, na terra dos cananeus que habitam na Arabá, diante de Guilgal, perto do carvalhal de Moré.
31. Vocês estão para atravessar o Jordão e tomar posse da terra que Javé seu Deus vai lhes dar. Quando vocês tomarem posse dela e nela habitarem,
32. cuidem de colocar em prática todos os estatutos e normas que hoje estou promulgando para vocês.

[Deuteronômio 12]III. O CÓDIGO DEUTERONÔMICO: PROJETO DE UMA NOVA SOCIEDADE

Deuteronômio 12

INTRODUÇÃO
1. São estes os estatutos e normas que vocês colocarão em prática na terra cuja posse Javé, o Deus dos seus antepassados, dará a vocês durante todos os dias em que vocês viverem sobre a terra.

1. A RELAÇÃO COM DEUS

INVOCAR O NOME DE JAVÉ
2. Vocês destruirão completamente todos os lugares onde as nações, que vocês irão conquistar, serviam aos deuses delas, tanto sobre os altos montes como sobre as colinas e debaixo de qualquer árvore frondosa.
3. Destruam os altares delas, despedacem suas estelas, queimem seus postes sagrados e esmaguem os ídolos de seus deuses, fazendo assim que desapareça do lugar o nome deles.
4. Não os imitem ao prestar culto a Javé, o Deus de vocês.
5. Pelo contrário, vocês o buscarão somente no lugar que Javé seu Deus tiver escolhido entre todas as tribos, para aí colocar o seu nome e aí fazê-lo habitar.
6. Levem para esse lugar seus holocaustos e sacrifícios, dízimos e ofertas, sacrifícios votivos e sacrifícios espontâneos, os primogênitos das vacas e das ovelhas.
7. E nesse lugar vocês comerão, diante de Javé seu Deus, festejando com suas famílias por tudo o que vocês tiverem realizado e que foi abençoado por Javé seu Deus.
8. Não procedam como estamos procedendo aqui hoje: cada um fazendo o que bem entende,
9. pois até agora vocês ainda não entraram no lugar do repouso e na herança que Javé seu Deus vai dar a vocês.
10. Vocês atravessarão o Jordão e habitarão na terra que Javé seu Deus vai lhes dar como herança. Ele protegerá vocês de todos os inimigos vizinhos, para que vocês vivam tranqüilos.
11. No lugar que Javé seu Deus tiver escolhido para fazer habitar o seu nome, aí é que vocês levarão tudo o que eu lhes ordenei: holocaustos, sacrifícios, dízimos, donativos e todas as ofertas escolhidas que tiverem prometido como voto a Javé.
12. Vocês farão uma festa diante de Javé seu Deus, com seus filhos e filhas, escravos e escravas, e com o levita que vive nas cidades de vocês, porque ele não tem parte nem herança com vocês.
13. Preste atenção a si mesmo: Não ofereça seus holocaustos em qualquer lugar que você vê,
14. pois é só no lugar que Javé tiver escolhido numa de suas tribos que você deverá oferecer seus holocaustos; é aí que deverá colocar em prática tudo o que eu lhe ordeno.
15. Entretanto, quando você quiser, poderá imolar um animal e comer a carne dele em qualquer de suas cidades, conforme a bênção que Javé lhe tiver dado. Poderá comer tanto o puro como o impuro, assim como se come a gazela e o cervo.
16. Mas você não poderá comer o sangue: derrame-o no chão como água.
17. Você não poderá comer, em suas cidades, o dízimo do trigo, do vinho novo e do óleo, nem os primogênitos de suas vacas e ovelhas, nem coisa alguma dos sacrifícios votivos que você tiver prometido, nem dos sacrifícios espontâneos, nem das ofertas voluntárias.
18. Você os comerá diante de Javé seu Deus, somente no lugar que Javé seu Deus tiver escolhido, junto com seu filho e sua filha, seu servo e sua serva, e com o levita que vive em sua cidade. Por todo o sucesso de suas tarefas, você fará uma festa, diante de Javé seu Deus.
19. Preste atenção a si mesmo: enquanto você viver na sua terra, nunca abandone o levita.
20. Quando Javé seu Deus lhe tiver alargado o seu território, conforme lhe prometeu, e você quiser comer carne, porque está com vontade, poderá comer o quanto quiser.
21. Se estiver muito longe o lugar escolhido por Javé seu Deus para aí colocar o nome dele, você então poderá, como lhe ordenei, imolar vacas e ovelhas que Javé seu Deus lhe tiver dado. Poderá comer em suas cidades o quanto quiser.
22. Você as comerá da maneira que se come a gazela e o cervo: o puro junto com o impuro.
23. Porém, de nenhum modo coma o sangue, pois o sangue é a vida. Portanto, não coma a vida com a carne.
24. Não o coma nunca. Derrame-o no chão como água.
25. Não o coma, e assim tudo correrá bem para você e para os filhos que vierem depois de você. Desse modo, você estará fazendo o que agrada a Javé.
26. Todavia, daquelas coisas que pertencem a você, tome o que tiver consagrado, e também seus sacrifícios votivos, e vá ao lugar que Javé tiver escolhido.
27. Ofereça aí os seus holocaustos, a carne e o sangue, sobre o altar de Javé seu Deus; o sangue dos sacrifícios de comunhão será derramado sobre o altar de Javé seu Deus, e você poderá comer a carne.
28. Ouça com atenção e coloque em prática todas as coisas que estou ordenando, para que tudo corra sempre bem para você e para seus filhos que vierem depois de você, pois assim estará fazendo o que é bom e agradável a Javé seu Deus.
29. Quando Javé seu Deus eliminar da sua frente as nações, na terra das quais você vai entrar para as desapossar; quando você as desapossar e aí estiver morando,
30. preste atenção a si mesmo! Não se deixe seduzir; não imite essas nações, depois que elas forem eliminadas de diante de você. Tome cuidado para não procurar os deuses delas, dizendo: 'Como é que essas nações serviam seus deuses? Vou fazer a mesma coisa'!
31. Não aja dessa maneira para com Javé seu Deus, porque elas faziam aos deuses delas tudo o que é abominação para Javé, tudo o que ele detesta. Essas nações chegaram até a queimar seus próprios filhos e filhas para os deuses delas!

[Deuteronômio 13]Deuteronômio 13

1. Cuidem de colocar em prática tudo o que eu ordeno a vocês. Não acrescentem e não tirem nada.

CORTAR A IDOLATRIA PELA RAIZ
2. Quando no meio de vocês aparecer algum profeta ou intérprete de sonhos e apresentar a você um sinal ou prodígio
3. se esse sinal ou prodígio que ele anunciou se realiza e ele convida você: 'Vamos seguir outros deuses (que você não conheceu) e vamos adorá-los'
4. não dê ouvidos a esse profeta ou intérprete de sonhos. Trata-se de uma prova com que Javé seu Deus experimenta vocês, para saber se vocês de fato amam a Javé seu Deus com todo o coração e com todo o ser.
5. Sigam a Javé seu Deus e a ele temam; observem seus mandamentos e lhe obedeçam; sirvam a ele, e a ele se apeguem.
6. Quanto ao profeta ou intérprete de sonhos, deverá ser morto, porque propôs uma revolta contra Javé seu Deus, que tirou vocês do Egito e os resgatou da casa da escravidão, e porque procurou afastar você do caminho pelo qual Javé seu Deus havia mandado seguir. Desse modo, você estará eliminando o mal do seu meio.
7. Se seu irmão, filho de seu pai ou de sua mãe, ou seu filho, sua filha, ou a esposa que repousa em seus braços, ou o amigo íntimo quiser seduzir você secretamente, convidando: 'Vamos servir outros deuses' (deuses que nem você nem seus antepassados conheceram,
8. deuses de povos vizinhos, próximos ou distantes de você, de uma extremidade da terra à outra),
9. não faça caso, nem dê ouvidos. Não tenha piedade dele, não use de compaixão, nem esconda o erro dele.
10. Pelo contrário: você deverá matá-lo. E para matá-lo, sua mão será a primeira. Em seguida, a mão de todo o povo.
11. Apedreje-o até que morra, pois tentou afastar você de Javé seu Deus, que o tirou do Egito, da casa da escravidão.
12. E todo o Israel ouvirá, ficará com medo, e nunca mais se fará em seu meio uma ação má como essa.
13. Você poderá ouvir alguém dizer que, numa das cidades que Javé seu Deus dá a você para morar,
14. apareceram vagabundos no meio do povo e seduziram os habitantes da sua cidade, dizendo: 'Vamos servir a outros deuses' (que vocês não conheceram).
15. Então você deverá investigar, fazendo pesquisa e interrogando cuidadosamente. Caso seja verdade e o fato seja constatado, se essa abominação tiver sido realmente praticada em seu meio,
16. você deverá passar a fio de espada os habitantes dessa cidade. Sacrifique-a como anátema, juntamente com tudo o que nela existe.
17. Reúna todos os despojos no meio da praça e queime a cidade e os despojos para Javé seu Deus. Ela ficará em ruínas para sempre, e nunca mais será reconstruída.
18. Em sua mão nada ficará do que for sacrificado como anátema. Desse modo, Javé deixará sua cólera, perdoará você, terá piedade e o multiplicará, como jurou a seus antepassados.
19. Assim acontecerá se você obedecer a Javé seu Deus, observando todos os seus mandamentos, que hoje lhe ordeno, e praticando o que Javé seu Deus aprova.

[Deuteronômio 14]Deuteronômio 14

UM POVO DE IRMÃOS
1. Vocês são filhos de Javé seu Deus. Por isso, nunca se marcarão com nenhum corte nem raparão a cabeça por um morto.
2. Você é um povo consagrado a Javé seu Deus: foi a você que Javé escolheu, para que pertença a ele como povo próprio, entre todos os povos da terra.

ANIMAIS PUROS E IMPUROS
3. Não coma nada que seja abominável.
4. São estes os animais que vocês poderão comer: boi, carneiro, cabra,
5. cervo, gazela, gamo, cabrito montês, antílope, órix e cabra selvagem.
6. Poderão comer também qualquer animal que tenha o casco fendido e que rumine.
7. Porém, há ruminantes e animais com casco fendido que vocês não poderão comer: o camelo, a lebre e o texugo, que ruminam, mas não têm casco fendido. Esses serão impuros para vocês.
8. Quanto ao porco, que tem casco fendido mas não rumina, vocês o considerarão impuro: não comam sua carne, nem toquem no seu cadáver.
9. De tudo o que vive na água, vocês poderão comer todos os que têm barbatanas e escamas.
10. Não comam, porém, os que não tiverem barbatanas e escamas: serão impuros para vocês.
11. Vocês podem comer todas as aves puras,
12. mas não podem comer o abutre, o giapeto, o xofrango,
13. o milhafre negro, as diversas espécies de milhafre vermelho,
14. todas as espécies de corvo,
15. o avestruz, a coruja, a gaivota e as diversas espécies de gavião,
16. o mocho, o íbis, o grão-duque,
17. o pelicano, o abutre branco, o alcatraz,
18. a cegonha, as diversas espécies de garça, a poupa e o morcego.
19. Considerem impuros todos os bichos que voam: não comam deles.
20. Podem comer todas as aves puras.
21. Não comam nenhum animal que tenha morrido por si. Você o dará ao imigrante que vive em sua cidade, para que ele o coma, ou venderá a um estrangeiro. Porque você é um povo consagrado a Javé seu Deus. Não cozinhe o cabritinho no leite da mãe dele.

RECONHECER E REPARTIR O DOM DE DEUS
22. Todos os anos você separará o dízimo de qualquer produto de seus campos
23. e o comerá diante de Javé seu Deus, no lugar que ele tiver escolhido para aí fazer habitar o nome dele; nesse lugar você comerá o dízimo do trigo, do vinho novo e do óleo, e também os primogênitos das vacas e das ovelhas, para que você aprenda continuamente a temer Javé seu Deus.
24. Se o caminho for longo demais e você não puder levar o dízimo, porque fica muito longe o lugar escolhido por Javé seu Deus para aí colocar o nome dele, e Javé seu Deus tiver abençoado você,
25. então venda, pegue o dinheiro e vá ao lugar que Javé seu Deus tiver escolhido.
26. Aí você trocará o seu dinheiro por aquelas coisas que desejar: vacas, ovelhas, vinho, bebida embriagante, tudo o que você quiser. Você comerá aí, diante de Javé seu Deus, e festejará com a família.
27. Mas não abandone o levita que mora em suas cidades, pois ele não tem parte nem herança com você.
28. A cada três anos você pegará o dízimo da colheita do ano e o colocará nas portas da cidade.
29. Então virá o levita que não recebeu uma parte na herança de vocês, o imigrante, o órfão e a viúva que vivem nas suas cidades, e comerão até ficarem saciados. Desse modo, Javé seu Deus abençoará você em todo trabalho que você realizar.

[Deuteronômio 15]Deuteronômio 15

ANO DA REMISSÃO: A SOCIEDADE SE RENOVA
1. A cada sete anos, você celebrará o ano da remissão das dívidas.
2. Isso quer dizer o seguinte: Todo credor que tenha emprestado alguma coisa a seu próximo, perdoará o que tiver emprestado. Não explorará seu próximo, nem seu irmão, porque terá sido proclamada a remissão em honra de Javé.
3. Você poderá explorar o estrangeiro, mas deixará quites aquilo que tiver emprestado ao irmão.
4. É verdade que no meio de você não haverá nenhum pobre, porque Javé vai abençoar você na terra que Javé seu Deus dará a você, para que a possua como herança.
5. Isso, porém, com a condição de que você obedeça de fato a Javé seu Deus, cuidando de colocar em prática todos os mandamentos que eu hoje lhe ordeno.
6. Quando Javé seu Deus tiver abençoado você, conforme prometeu, você emprestará a muitas nações e nunca pedirá emprestado; dominará muitas nações, mas nunca será dominado.
7. Quando no seu meio houver um pobre, mesmo que seja um só de seus irmãos, numa só de suas cidades, na terra que Javé seu Deus dará a você, não endureça o coração, nem feche a mão para esse irmão pobre.
8. Pelo contrário, abra a mão e empreste o que está faltando para ele, na medida que o necessitar.
9. Preste atenção a si mesmo, e não lhe venha à mente este pensamento mesquinho: 'Já está chegando o sétimo ano, o ano da remissão'. E você se torne avarento com seu irmão pobre, não lhe dando nada. Ele clamaria a Javé contra você, e em você haveria um pecado.
10. Quando você lhe der alguma coisa, não o faça de má vontade, porque, em resposta a esse gesto, Javé seu Deus abençoará você em todo o seu trabalho e em todas as suas iniciativas.
11. Veja bem! Não faltam indigentes na terra. É por isso que eu ordeno a você: abra a mão em favor do seu irmão, do seu pobre e do seu indigente na terra onde você está.

É POSSÍVEL RECOMEÇAR UMA VIDA LIVRE
12. Quando um de seus irmãos, hebreu ou hebréia, for vendido a você como escravo, ele servirá a você durante seis anos. No sétimo ano, você o deixará ir em liberdade.
13. Contudo, quando você o deixar que vá em liberdade, não o despeça de mãos vazias:
14. carregue os ombros dele com o produto do rebanho de você, da sua colheita de cereais e de uva. Dê-lhe de acordo com a bênção que Javé seu Deus tiver concedido a você.
15. Lembre-se de que você foi escravo no Egito, e que Javé seu Deus resgatou você. É por isso que eu hoje lhe dou essa ordem.
16. Mas se ele diz: 'Não quero ir embora porque me afeiçoei a você e à sua família', dado que se sente bem com você,
17. pegue então uma sovela e fure a orelha dele contra a porta, e então ele ficará sendo seu escravo para sempre. Faça o mesmo com a sua escrava.
18. Que não pareça difícil a você deixá-lo ir em liberdade: ele serviu a você durante seis anos pela metade do salário de um diarista. E Javé seu Deus abençoará você em tudo o que você fizer.

RECONHECER QUE A VIDA É UM DOM
19. Todo primogênito macho que nascer de suas vacas ou ovelhas deverá ser consagrado a Javé seu Deus. Não trabalhe com o primogênito de suas vacas, nem tosquie o primogênito de suas ovelhas.
20. Você o comerá em cada ano diante de Javé seu Deus, junto com sua família, no lugar que Javé tiver escolhido.
21. Se o primogênito tiver algum defeito - se for manco ou cego, ou tiver algum outro defeito grave -, não o sacrifique a Javé seu Deus;
22. você poderá comê-lo em sua própria cidade, o puro junto com o impuro, assim como se come a gazela ou o cervo.
23. Não coma, porém, o sangue: derrame-o no chão como água.

[Deuteronômio 16]Deuteronômio 16

AS FESTAS PRINCIPAIS
1. Respeite o mês de abib, celebrando uma páscoa para Javé seu Deus, porque foi numa noite do mês de abib que Javé seu Deus tirou você do Egito.
2. Sacrifique para Javé seu Deus uma páscoa, ovelhas e bois, no lugar que Javé seu Deus tiver escolhido para aí fazer habitar o nome dele.
3. Não coma pão fermentado com a páscoa. Durante sete dias você comerá com ela pães sem fermento - um pão de miséria -, pois você saiu do Egito às pressas. Assim durante todos os dias da sua vida, você vai se lembrar do dia em que saiu do Egito.
4. Durante sete dias não deverá haver fermento em todo o seu território, e não deverá sobrar para a manhã seguinte coisa nenhuma da carne que você tiver sacrificado na tarde do primeiro dia.
5. Você não poderá sacrificar a páscoa em qualquer cidade que Javé seu Deus vai dar a você,
6. mas somente no lugar que Javé seu Deus tiver escolhido para aí fazer habitar o nome dele. Sacrifique a páscoa à tarde, ao pôr-do-sol, hora em que você saiu do Egito.
7. Você a cozinhará e comerá no lugar que Javé seu Deus tiver escolhido. Na manhã seguinte, você voltará para suas tendas.
8. Durante seis dias você comerá pães sem fermento e, no sétimo dia, fará uma reunião solene em honra de Javé seu Deus. Não faça nenhum trabalho.
9. Conte sete semanas. A partir do momento em que você começar a ceifar as espigas, conte sete semanas.
10. Celebre então a festa das semanas em honra de Javé seu Deus. A oferta espontânea que você fizer deverá ser proporcional ao modo como Javé seu Deus tiver abençoado você.
11. E você fará uma festa diante de Javé seu Deus - junto com seu filho e sua filha, seu escravo e sua escrava, com o levita que vive em sua cidade e o imigrante, o órfão e a viúva que vivem em seu meio - no lugar que Javé seu Deus tiver escolhido para aí fazer habitar o nome dele.
12. Lembre-se que você foi escravo no Egito, e cuide de colocar em prática esses estatutos.
13. Celebre a festa das tendas durante sete dias, depois de ter recolhido o produto da sua colheita de cereais e de uva.
14. Faça uma festa alegre com seu filho e sua filha, seu escravo e sua escrava, o levita e o imigrante, o órfão e a viúva que vivem em suas cidades.
15. Durante sete dias você festejará em honra de Javé seu Deus, no lugar que Javé tiver escolhido, pois Javé seu Deus vai abençoá-lo em todas as suas colheitas e em todo trabalho de sua mão, para que você fique cheio de alegria.
16. Por isso, três vezes por ano todo homem deverá comparecer diante de Javé seu Deus, no lugar que ele tiver escolhido: na festa dos Pães sem fermento, na festa das Semanas e na festa das Tendas. Que ninguém se apresente de mãos vazias diante de Javé:
17. cada um traga seu dom, conforme a bênção que Javé seu Deus lhe tiver proporcionado.

2. O EXERCÍCIO DA AUTORIDADE

JUÍZES: JULGAR COM JUSTIÇA
18. Nomeie juízes e oficiais de justiça para cada uma das suas cidades que Javé seu Deus vai dar para cada uma de suas tribos, para que julguem o povo com sentenças justas.
19. Não perverta o direito, não faça diferença entre as pessoas, nem aceite suborno, pois o suborno cega os olhos dos sábios e falseia a causa dos justos.
20. Busque somente a justiça, para que você viva e tome posse da terra que Javé seu Deus vai dar a você.

DESVIOS DO CULTO
21. Não plante um poste sagrado ou árvore junto a um altar que você tenha feito para Javé seu Deus,
22. nem levante uma estela, porque Javé seu Deus a odeia.

[Deuteronômio 17]Deuteronômio 17

1. Nunca sacrifique para Javé seu Deus um boi ou ovelha com defeito grave: seria abominação para Javé seu Deus.
2. Se em alguma das cidades, que Javé seu Deus vai dar a você, for encontrado homem ou mulher que faça o que Javé seu Deus reprova, violando sua aliança,
3. para servir a outros deuses e adorá-los - o sol, a lua ou todo o exército do céu - fazendo o que eu proibi;
4. se isso lhe for denunciado, ou você ficar sabendo, faça primeiro cuidadosa investigação. Se for verdade e se for constatado que tal abominação foi cometida em Israel,
5. você levará às portas da cidade o homem ou mulher que tenha cometido essa má ação, e o apedrejará até que morra.
6. Você poderá condenar alguém à morte somente com a deposição de duas ou três testemunhas; ninguém será morto pela deposição de uma só testemunha.
7. E as primeiras pessoas a apedrejá-lo serão as testemunhas e, depois delas, todo o povo. Desse modo você eliminará o mal do meio de você.

O TRIBUNAL SUPERIOR
8. Quando você tiver que julgar uma causa que pareça muito difícil - causas duvidosas de homicídio, contenda, lesões mortais, ou causas controvertidas em sua cidade - suba ao lugar que Javé seu Deus tiver escolhido.
9. Vá até os sacerdotes levitas e o juiz que estiver em função nesses dias. Eles investigarão e anunciarão a sentença a você.
10. Faça tudo de acordo com a sentença que eles anunciarem a você nesse lugar que Javé tiver escolhido. Cuide de agir conforme as instruções deles.
11. Cumpra a decisão que eles derem e coloque em prática a sentença, sem se desviar nem para a direita nem para a esquerda.
12. Quem agir com presunção, sem obedecer ao sacerdote, que está aí para servir a Javé seu Deus, e nem ao juiz, tal homem deverá ser morto. Desse modo você eliminará o mal do meio de Israel.
13. Ao ouvir isso, todo o povo temerá e nunca mais agirá com presunção.

REI: OS LIMITES DA AUTORIDADE POLÍTICA
14. Quando tiver entrado na terra que Javé seu Deus vai dar a você, e tiver tomado posse dela e nela viver, e você disser: 'Quero nomear um rei para mim, assim como todas as nações que me rodeiam',
15. então você deverá nomear para si um rei que tenha sido escolhido por Javé seu Deus. Um de seus irmãos é que você nomeará como seu rei. Não poderá nomear um estrangeiro, que não seja seu irmão.
16. O rei não deverá multiplicar cavalos para si, nem fazer que o povo volte ao Egito, para aumentar sua cavalaria, pois Javé disse a vocês: 'Nunca mais voltem por esse caminho'.
17. Ele também não deverá multiplicar o número de suas mulheres, para que sua mente não se desvie. E também não acumulará para si prata e ouro.
18. Quando subir ao trono, ele mandará escrever num livro, para seu próprio uso, uma cópia desta lei, ditada pelos sacerdotes levitas.
19. Ela ficará sempre com ele, que a lerá todos os dias de sua vida, para que aprenda a temer a Javé seu Deus, observando todas as palavras desta lei e colocando estes estatutos em prática.
20. Desse modo, ele não se levantará orgulhosamente sobre seus irmãos, nem se desviará desses mandamentos, nem para a direita nem para a esquerda. Assim, ele prolongará os dias do seu reinado, junto com seus filhos, no meio de Israel.

[Deuteronômio 18]Deuteronômio 18

JAVÉ, A HERANÇA DOS LEVITAS
1. Os sacerdotes levitas, a tribo inteira de Levi, não terão parte nem herança em Israel. Eles viverão da herança de Javé, comendo das oblações oferecidas a ele.
2. Essa tribo não terá parte na herança de seus irmãos. Javé é a herança dela, conforme ele próprio lhe falou.
3. São estes os direitos que os sacerdotes têm sobre o povo, sobre aqueles que oferecem um sacrifício: do boi ou da ovelha, serão dados ao sacerdote o quarto dianteiro, as mandíbulas e o estômago.
4. E você, dê a ele os primeiros frutos do seu trigo, do seu vinho novo e do seu óleo, como também o primeiro produto da tosquia do seu rebanho.
5. Pois foi ele que Javé seu Deus escolheu dentre todas as suas tribos, junto com seus filhos, para estar diante de Javé seu Deus, realizando o serviço divino e dando todos os dias a bênção em nome de Javé.
6. Quando vier um levita de alguma das suas cidades, onde quer que ele more em todo o Israel, e com todo o desejo do coração vier para o lugar que Javé tiver escolhido,
7. poderá oficiar em nome de Javé seu Deus, da mesma forma que todos os seus irmãos que aí permanecem a serviço de Javé.
8. Ele poderá comer uma parte igual à que lhes cabe, independente do produto da venda do patrimônio dele.

PROFETA: HOMEM DO DISCERNIMENTO
9. Quando você entrar na terra que Javé seu Deus vai lhe dar, não imite as práticas abomináveis das nações que aí vivem.
10. Não haja em seu meio alguém que queime o próprio filho ou filha, nem que faça presságio, pratique astrologia, adivinhação ou magia,
11. nem que pratique encantamentos, consulte espíritos ou adivinhos, ou também que invoque os mortos.
12. Pois quem pratica essas coisas é abominável para Javé, e é por causa dessas práticas abomináveis que Javé seu Deus vai desalojar essas nações.
13. Você pertencerá inteiramente a Javé seu Deus.
14. As nações que você vai conquistar ouvem astrólogos e adivinhos. Javé seu Deus, porém, não permite que você faça isso.
15. Javé seu Deus fará surgir, dentre seus irmãos, um profeta como eu em seu meio, e vocês o ouvirão.
16. Foi o que você pediu a Javé seu Deus, no Horeb, no dia da assembléia: 'Não quero continuar ouvindo a voz de Javé meu Deus, nem quero ver mais este fogo terrível, para não morrer'.
17. Javé me disse: 'Eles têm razão.
18. Do meio dos irmãos deles, eu farei surgir para eles um profeta como você. Vou colocar minhas palavras em sua boca, e ele dirá para eles tudo o que eu lhe mandar.
19. Se alguém não ouvir as minhas palavras, que esse profeta pronunciar em meu nome, eu mesmo pedirei contas a essa pessoa.
20. Contudo, se o profeta tiver a ousadia de dizer em meu nome alguma coisa que eu não tenha mandado, ou se ele falar em nome de outros deuses, tal profeta deverá ser morto'.
21. Talvez você se pergunte: 'Como vamos distinguir se uma palavra não é palavra de Javé?'
22. Se o profeta fala em nome de Javé, mas a palavra não se cumpre e não se realiza, trata-se então de uma palavra que Javé não disse. Tal profeta falou com presunção. Não tenha medo dele.

[Deuteronômio 19]Deuteronômio 19
3. LEIS CIVIS: O RESPEITO PELA VIDA

PROTEÇÃO PARA O INOCENTE
1. Quando Javé seu Deus tiver eliminado as nações, cuja terra Javé seu Deus vai lhe dar, e quando você as conquistar e estiver morando nas cidades e casas delas,
2. deverá separar três cidades na terra que Javé seu Deus lhe dará.
3. Construa estradas, meça as distâncias e divida em três partes o território que Javé seu Deus lhe dará como herança. Isso para que qualquer homicida encontre refúgio na cidade.
4. O homicida que aí poderá refugiar-se é aquele que tiver matado seu próximo involuntariamente, sem tê-lo odiado antes.
5. Por exemplo: alguém vai ao bosque com seu próximo para cortar lenha; impelindo com força o machado para cortar a árvore, o ferro escapa do cabo, atinge o companheiro e o mata. Tal pessoa poderá, então, refugiar-se numa dessas cidades, ficando com a vida a salvo.
6. Isso para que o vingador do sangue, enfurecido, não persiga o homicida e o alcance (porque o caminho é longo), matando-o sem motivo suficiente, pois antes ele não era inimigo do outro.
7. É por isso que eu lhe ordeno: separe três cidades.
8. E quando Javé seu Deus fizer com que suas fronteiras se alarguem, como jurou a seus antepassados, e lhe der toda a terra que prometeu dar a seus antepassados
9. com a condição de que você coloque em prática todos estes mandamentos que hoje eu lhe ordeno, amando a Javé seu Deus e andando continuamente em seus caminhos você acrescentará mais três cidades àquelas três primeiras,
10. para que não se derrame sangue inocente na terra que Javé seu Deus lhe dará como herança, e sobre você não recaia um homicídio.
11. Todavia, se alguém é inimigo do seu próximo e lhe arma uma cilada, atacando-o e ferindo-o mortalmente, e depois se refugia numa dessas cidades,
12. os anciãos da sua cidade mandarão pessoas para tirá-lo de lá e entregá-lo ao vingador do sangue, para que seja morto.
13. Não tenha piedade dele. Desse modo, você eliminará de Israel o derramamento de sangue inocente, e será feliz.

A TERRA É PARA TODOS
14. Não desloque as cercas do vizinho, colocadas pelos antepassados no patrimônio que você irá receber como herança na terra que Javé seu Deus lhe dará como propriedade.

O DIREITO À BOA FAMA
15. Uma só testemunha não é suficiente contra alguém, seja qual for o caso de crime ou pecado. Em todo pecado que alguém tiver cometido, o processo será aberto pelo depoimento pessoal de duas ou três testemunhas.
16. Quando uma falsa testemunha se levantar contra alguém, acusando-o de rebelião,
17. as duas partes em litígio se apresentarão diante de Javé, aos sacerdotes e juízes que estiverem nesses dias em função.
18. Os juízes deverão fazer cuidadosa investigação. Se a testemunha for falsa e tiver caluniado o seu irmão,
19. então vocês a tratarão do mesmo modo como ela própria maquinava tratar o seu próximo. Desse modo, você eliminará o mal do seu meio.
20. Os outros ouvirão, ficarão com medo, e nunca mais cometerão mal semelhante em seu meio.
21. Não tenha piedade: vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé.

[Deuteronômio 20]Deuteronômio 20

O DIREITO DE LUTAR PELA LIBERDADE E PELA VIDA
1. Quando você sair para a guerra contra os inimigos, ao ver cavalos, carros e tropas mais numerosas do que as suas, não tenha medo, pois com você está Javé seu Deus, que o fez subir do Egito.
2. Quando vocês estiverem para começar o combate, o sacerdote se aproximará para falar à tropa,
3. e dirá: 'Escute, Israel! Vocês hoje estão prontos para guerrear contra seus inimigos. Não se acovardem, nem fiquem com medo, não tremam nem se apavorem diante deles,
4. porque Javé seu Deus marcha com vocês, lutando em seu favor contra os inimigos, para dar a vitória a vocês'.
5. Os chefes também falarão ao povo, dizendo: 'Quem construiu uma casa nova e ainda não a consagrou? Pode retirar-se e voltar para casa, a fim de que não morra na batalha e outro consagre a casa.
6. Quem plantou uma vinha e ainda não colheu os seus primeiros frutos? Pode retirar-se e voltar para casa, a fim de que não morra na batalha e outro colha os primeiros frutos.
7. Quem é noivo de uma mulher e ainda não se casou com ela? Pode retirar-se e voltar para casa, a fim de que não morra na batalha e outro se case com ela'.
8. E os chefes continuarão a falar para a tropa: 'Quem está com medo e se sente covarde? Pode retirar-se e voltar para casa, a fim de que a covardia não contagie seus irmãos'.
9. Quando acabarem de falar à tropa, os chefes nomearão os comandantes para liderar as tropas.

ELIMINAR A POSSIBILIDADE DE CONTÁGIO
10. Quando você estiver para atacar uma cidade, primeiro lhe proponha a paz.
11. Se ela aceitar a paz e abrir as portas para você, todos os habitantes lhe servirão em trabalhos forçados.
12. Todavia, se ela não aceitar sua proposta de paz, mas declarar guerra, você a cercará.
13. Javé seu Deus a entregará em seu poder, e você passará a fio de espada todos os homens.
14. Quanto às mulheres, crianças, animais e tudo o que houver na cidade, você os tomará como despojo, e comerá o despojo dos inimigos que Javé seu Deus entregou a você.
15. Faça assim com todas as cidades que estiverem distantes e não pertencem a estas nações.
16. Todavia, quanto às cidades dessas nações que Javé seu Deus vai dar a você como herança, não deixe sobreviver nenhum ser vivo:
17. sacrifique como anátema os heteus, os amorreus, os cananeus, os ferezeus, os heveus e os jebuseus, conforme Javé seu Deus lhe ordenou,
18. para que não ensinem vocês a praticar nenhuma das práticas abomináveis que eles cometem com seus deuses: vocês estariam pecando contra Javé seu Deus.

RESPEITAR A VIDA DA NATUREZA
19. Quando você tiver que cercar uma cidade durante muito tempo, antes de atacá-la e tomá-la, não corte as árvores a machado; alimente-se delas sem cortá-las: Por acaso a árvore do campo é um homem, para que você a trate como inimigo?
20. Contudo, se você sabe que tal árvore não é frutífera, então pode cortá-la e usá-la para fazer instrumentos de assalto contra a cidade que está em guerra contra você, até que a tenha conquistado.

[Deuteronômio 21]Deuteronômio 21

O SANGUE CLAMA A DEUS
1. Quando for encontrado um homem morto no campo, na terra que Javé seu Deus vai dar a você como propriedade, e ninguém souber quem foi que o matou,
2. os anciãos e juízes sairão e medirão as distâncias até às cidades que estiverem ao redor do morto,
3. para determinar a cidade mais próxima. A seguir, os anciãos da cidade mais próxima tomarão uma novilha, com a qual não se tenha trabalhado e que ainda não tenha usado canga.
4. Os anciãos dessa cidade levarão a novilha até um riacho permanente, no lugar onde ninguém trabalha nem semeia. E aí, sobre o riacho, desnucarão a novilha.
5. Depois se aproximarão os sacerdotes levitas, pois foram eles que Javé seu Deus escolheu para o seu serviço e para abençoar em nome de Javé, cabendo também a eles resolver qualquer litígio ou crime.
6. Os anciãos da cidade mais próxima do lugar do crime lavarão as mãos sobre a novilha desnucada,
7. fazendo a seguinte declaração: 'Nossas mãos não derramaram este sangue e nossos olhos não viram nada.
8. Perdoa o teu povo Israel, que resgataste, ó Javé. Não permitas que o sangue inocente recaia sobre Israel, teu povo, e este sangue lhe será perdoado'.
9. Desse modo, você eliminará do seu meio o derramamento de sangue inocente e fará o que Javé aprova.

RESPEITO PARA COM A MULHER
10. Quando você guerrear contra seus inimigos, e Javé seu Deus os entregar em seu poder, e você tiver feito prisioneiros,
11. se encontrar entre eles uma mulher bonita e se enamorar dela, você poderá tomá-la como esposa,
12. e levá-la para casa. Ela então raspará a cabeça, cortará as unhas,
13. tirará a roupa de prisioneira e ficará na casa onde você mora. Durante um mês ela chorará seu pai e sua mãe. Depois do luto, você se unirá a ela e se tornará seu marido e ela será sua esposa.
14. Mais tarde, caso você não goste mais dela, deixe-a ir em liberdade, mas não a venda por dinheiro; não queira tirar lucro depois de a ter usado.

JUSTIÇA NO RELACIONAMENTO FAMILIAR
15. Se alguém tiver duas mulheres e gostar de uma e não da outra, e as duas lhe tiverem dado filhos, se o primogênito é filho da mulher da qual ele não gosta,
16. esse homem, quando repartir a herança entre os filhos, não poderá tratar o filho da mulher que ama como se fosse o mais velho, prejudicando o filho da mulher da qual não gosta, mas que é o verdadeiro primogênito.
17. Deverá reconhecer como primogênito o filho da mulher da qual ele não gosta, dando a ele porção dupla de tudo quanto possui, pois esse filho é o primeiro fruto da sua virilidade. A ele pertence o direito de primogenitura.

RESPEITO AOS PAIS
18. Se alguém tiver um filho rebelde e incorrigível, que não obedece ao pai e à mãe e não os ouve, nem quando o corrigem,
19. o pai e a mãe o pegarão e o levarão aos anciãos da cidade para ser julgado.
20. E dirão aos anciãos da cidade: 'Este nosso filho é rebelde e incorrigível: não nos obedece, é devasso e beberrão'.
21. E todos os homens da cidade o apedrejarão até que morra. Desse modo, você eliminará o mal do seu meio, e todo o Israel ouvirá e ficará com medo.

NÃO CONTAMINAR A TERRA DA VIDA
22. Se um homem sentenciado à pena de morte, for executado e suspenso a uma árvore,
23. seu cadáver não poderá permanecer na árvore durante a noite. Você deverá sepultá-lo no mesmo dia, pois quem é suspenso torna-se um maldito de Deus. Desse modo, você não tornará impuro o solo que Javé seu Deus lhe dará como herança.

[Deuteronômio 22]Deuteronômio 22

CADA UM POR TODOS
1. Se você vê extraviados o boi ou a ovelha de seu irmão, não fique indiferente a eles: devolva-os a seu irmão.
2. Se seu irmão não é seu vizinho ou se você não o conhece, recolha na sua propriedade o boi ou a ovelha e guarde-os até que seu irmão os procure. Então você os devolverá.
3. Faça o mesmo com o asno, com o manto e com qualquer objeto perdido por seu irmão e que você tenha encontrado. Não fique indiferente a eles.
4. Se você vê o asno ou o boi do seu irmão caídos no caminho, não fique indiferente: ajude-o a levantar o animal.

RESPEITAR A ORDEM DA NATUREZA
5. A mulher não deverá usar artigo masculino, nem o homem se vestirá com roupa de mulher, pois quem assim age é abominável para Javé seu Deus.

RESPEITAR A MATERNIDADE
6. Se pelo caminho, numa árvore ou no chão, você encontrar um ninho de pássaros com filhotes ou ovos, e a mãe sobre os filhotes ou sobre os ovos, não pegue a mãe que está sobre os filhotes;
7. deixe primeiro a mãe voar em liberdade, e depois pegue os filhotes, para que tudo lhe corra bem e você prolongue seus dias.

RESPEITAR A VIDA DO IRMÃO
8. Quando você construir uma casa nova, faça um parapeito no terraço; desse modo, estará evitando que sua casa seja responsável pela vingança do sangue, caso alguém caia do terraço.

PRESCRIÇÕES DIVERSAS
9. Não semeie na sua vinha duas espécies de sementes, para evitar que a vinha inteira fique consagrada, tanto a semente que você semear, como o fruto da vinha.
10. Não are com boi e asno na mesma junta.
11. Não vista roupa mesclada de lã e linho.
12. Faça borlas nas quatro pontas do manto com que você se cobrir.

RESPEITAR A BOA FAMA DA MULHER
13. Se um homem se casa com uma mulher e começa a detestá-la depois de ter tido relações com ela,
14. acusando-a de atos vergonhosos e difamando-a publicamente, dizendo: 'Casei-me com esta mulher mas, quando me aproximei dela, descobri que não era virgem',
15. o pai e a mãe da jovem pegarão a prova da virgindade dela e levarão a prova aos anciãos da cidade para que julguem o caso.
16. Então o pai da jovem dirá aos anciãos: 'Dei minha filha como esposa a este homem, mas ele a detesta,
17. e a está acusando de atos vergonhosos, dizendo que minha filha não era virgem. Mas aqui está a prova da virgindade da minha filha!' E estenderá o lençol diante dos anciãos da cidade.
18. Os anciãos da cidade pegarão o homem, mandarão castigá-lo
19. e o multarão em cem moedas de prata, que serão entregues ao pai da jovem, por ter sido difamada publicamente uma virgem de Israel. Além disso, ela continuará sendo mulher dele, e o marido não poderá mandá-la embora durante toda a sua vida.
20. Se a denúncia for verdadeira, isto é, se não acharem a prova da virgindade da moça,
21. levarão a jovem até à porta da casa de seu pai e os homens da cidade a apedrejarão até que morra, pois ela cometeu uma infâmia em Israel, desonrando a casa do seu pai. Desse modo, você eliminará o mal do seu meio.

CASOS DE ADULTÉRIO
22. Se um homem for pego em flagrante tendo relações sexuais com uma mulher casada, ambos serão mortos, tanto o homem como a mulher. Desse modo, você eliminará o mal de Israel.
23. Se houver uma jovem prometida a um homem, e um outro tiver relações com ela na cidade,
24. vocês levarão os dois à porta da cidade e os apedrejarão até que morram: a jovem por não ter gritado por socorro na cidade, e o homem por ter violentado a mulher do seu próximo. Desse modo, você eliminará o mal do seu meio.
25. Contudo, se o homem encontrou a jovem no campo, a violentou e teve relações com ela, morrerá somente o homem que teve relações com ela;
26. não faça nada à jovem, porque ela não tem pecado que mereça a morte. É como o caso do homem que ataca seu próximo e o mata:
27. ele a encontrou no campo e a jovem pode ter gritado, mas não havia quem a socorresse.

CASO DE VIOLAÇÃO
28. Se um homem encontra uma jovem que não está prometida em casamento e a agarra e tem relações com ela e é pego em flagrante,
29. o homem que teve relações com ela dará ao pai da jovem cinqüenta moedas de prata, e ela ficará sendo sua mulher. Uma vez que a violentou, não poderá mandá-la embora durante toda a sua vida.

[Deuteronômio 23]Deuteronômio 23

CASO DE INCESTO
1. Um homem não tomará a mulher de seu pai, para não retirar dela o pano do manto de seu pai.

PARTICIPAÇÃO NAS ASSEMBLÉIAS
2. O homem com testículos esmagados ou com o membro viril cortado não poderá entrar na assembléia de Javé.
3. Nenhum bastardo poderá entrar na assembléia de Javé, e seus descendentes até a décima geração não poderão entrar na assembléia de Javé.
4. O amonita e o moabita não poderão entrar na assembléia de Javé, e também seus descendentes nem na décima geração serão admitidos nela.
5. Isso porque não foram ao encontro de vocês com pão e água, quando vocês caminhavam depois da saída do Egito e porque pagaram Balaão, filho de Beor, de Petor em Aram Naaraim, para que amaldiçoasse você.
6. No entanto, Javé seu Deus não fez caso de Balaão, e Javé seu Deus transformou a maldição em bênção, porque Javé seu Deus ama você.
7. Portanto, enquanto você viver, nunca favoreça a prosperidade e a felicidade deles.
8. Não considere o edomita como abominável, pois ele é seu irmão. Não considere o egípcio como abominável, porque você foi um estrangeiro na terra dele.
9. Na terceira geração, os descendentes deles terão acesso à assembléia de Javé.

PUREZA NO ACAMPAMENTO
10. Quando você estiver acampado contra o inimigo, guarde-se de todo tipo de mal.
11. Se, em seu meio, alguém de vocês ficar impuro por causa de uma polução noturna, deverá sair para fora do acampamento, e não voltará.
12. Ao entardecer, ele tomará banho, e ao pôr-do-sol poderá voltar ao acampamento.
13. Providencie um lugar fora do acampamento para suas necessidades.
14. Junto com o equipamento, tenha sempre uma pá. Quando você sair para fazer as necessidades, cave com ela e, ao terminar, cubra as fezes.
15. Porque Javé seu Deus anda pelo acampamento para protegê-lo e entregar os inimigos a você. Por isso o acampamento deve ser santo, para que Javé não veja nada de inconveniente e não se afaste de você.

RESPEITAR A LIBERDADE
16. Quando um escravo fugir do seu patrão e se refugiar junto a você, não o devolva ao patrão.
17. Ele permanecerá com você, entre os seus, no lugar que escolher, numa de suas cidades, onde lhe pareça melhor. Não o explore.

JAVÉ NÃO ACEITA OFERTAS IDOLÁTRICAS
18. Entre as israelitas não haverá prostituta sagrada, nem prostituto sagrado entre os israelitas.
19. Não leve à casa de Javé seu Deus, como cumprimento de um voto, o salário de uma prostituta sagrada, nem o pagamento de um prostituto sagrado, porque os dois são abomináveis para Javé seu Deus.

IRMÃO NÃO É FONTE DE LUCRO
20. Não empreste ao seu irmão com juros, quer se trate de empréstimo em dinheiro, quer em alimento ou qualquer outra coisa sobre a qual é costume cobrar juros.
21. Você poderá emprestar com juros ao estrangeiro. Mas ao seu irmão empreste sem cobrar juros, para que Javé seu Deus abençoe tudo o que você fizer na terra em que você está entrando para dela tomar posse.

CUMPRIR O QUE SE PROMETE
22. Quando você oferecer um voto a Javé seu Deus, não tarde em cumpri-lo, porque Javé seu Deus o reclamará de você, e em você haveria um pecado.
23. Se você não fizer nenhum voto, não estará pecando.
24. Mas terá de cumprir o voto que fez, uma vez que, com sua própria boca, você prometeu espontaneamente um voto a Javé seu Deus.

TODOS TÊM DIREITO AOS BENS NECESSÁRIOS PARA A SOBREVIVÊNCIA
25. Quando você entrar na vinha do seu próximo, pode comer à vontade até ficar saciado, mas não carregue nada em seu cesto.
26. E quando entrar na plantação do seu próximo, pode arrancar as espigas com a mão, mas não passe a foice na plantação do seu próximo.

[Deuteronômio 24]Deuteronômio 24

LEI DO DIVÓRCIO
1. Quando um homem se casa com uma mulher e consuma o matrimônio, se depois ele não gostar mais dela, por ter visto nela alguma coisa inconveniente, escreva para ela um documento de divórcio e o entregue a ela, deixando-a sair de casa em liberdade.
2. Tendo saído de sua casa, se ela se casar com outro,
3. e também este se divorciar dela e lhe entregar nas mãos um documento de divórcio e a deixar ir embora em liberdade, ou se o segundo marido morrer,
4. então o primeiro marido, que se havia divorciado dela, não poderá casar-se outra vez com ela, pois estará contaminada: seria um ato abominável diante de Javé. Você não deve tornar culpada de pecado a terra que Javé seu Deus vai lhe dar como herança.

DIREITO DE FORMAR UM LAR
5. Quando um homem for recém-casado, não ficará obrigado ao serviço militar nem a outros trabalhos públicos: terá um ano de licença em casa, alegrando a mulher com quem se casou.

NÃO PENHORAR A VIDA
6. Não tome como penhor as duas mós do moinho, nem mesmo a mó de cima, porque seria o mesmo que penhorar uma vida.

RESPEITAR A LIBERDADE
7. Se alguém for pego em flagrante, seqüestrando um irmão israelita, para explorá-lo ou vendê-lo, tal seqüestrador deverá ser morto. Desse modo, você eliminará o mal de seu meio.

INSTRUÇÃO EM CASO DE LEPRA
8. Quando houver lepra, cumpra exatamente as instruções dadas pelos sacerdotes levitas. Ponham em prática tudo o que ordenei a eles.
9. Lembre-se do que Javé seu Deus fez a Maria, no caminho, quando vocês saíram do Egito.

O POBRE É O JUIZ
10. Quando você fizer algum empréstimo a seu próximo, não entre na casa dele para pegar alguma coisa como penhor.
11. Fique do lado de fora, e o homem a quem você fez o empréstimo, ele é que sairá para lhe trazer o penhor.
12. Se ele for pobre, você não irá dormir conservando o penhor tirado dele;
13. ao pôr-do-sol você deverá devolver sem falta o penhor, para que ele durma com seu manto e abençoe você. Quanto a você, isso será um ato de justiça diante de Javé seu Deus.

JUSTIÇA NO TRABALHO
14. Não explore um assalariado pobre e necessitado, seja ele um de seus irmãos ou imigrante que vive em sua terra, em sua cidade.
15. Pague-lhe o salário a cada dia, antes que o sol se ponha, porque ele é pobre e sua vida depende disso. Assim, ele não clamará a Javé contra você, e em você não haverá pecado.

RESPONSABILIDADE PESSOAL
16. Os pais não serão mortos pela culpa dos filhos, nem os filhos pela culpa dos pais. Cada um será executado por causa de seu próprio crime.

JUSTIÇA PARA COM OS OPRIMIDOS
17. Não distorça o direito do estrangeiro e do órfão, nem tome como penhor a roupa da viúva.
18. Lembre-se: você foi escravo no Egito e daí Javé seu Deus o resgatou. É por isso que eu lhe ordeno agir desse modo.

OS POBRES RECEBEM EM NOME DE JAVÉ
19. Quando você estiver ceifando a colheita em seu campo e esquecer atrás um feixe, não volte para pegá-lo: deixe-o para o imigrante, o órfão e a viúva. Desse modo, Javé seu Deus abençoará você em todo o seu trabalho.
20. Quando você sacudir as azeitonas da sua oliveira, não volte para catar o que tiver sobrado: o resto será para o imigrante, o órfão e a viúva.
21. Quando você colher as uvas da sua vinha, não volte para catar o que tiver sobrado: o resto será para o imigrante, o órfão e a viúva.
22. Lembre-se: você foi escravo no Egito. É por isso que eu lhe ordeno agir desse modo.

[Deuteronômio 25]Deuteronômio 25

PUNIÇÃO TEM LIMITES
1. Quando houver demanda entre dois homens e forem à justiça, eles serão julgados, absolvendo-se o inocente e condenando-se o culpado.
2. Se o culpado merecer açoites, o juiz o fará deitar-se no chão e mandará açoitá-lo em sua presença, com número de açoites proporcional à culpa.
3. Podem açoitá-lo até quarenta vezes, não mais; isso para não acontecer que a ferida se torne grave, caso seja açoitado mais vezes, e seu irmão fique marcado diante de você.

O DIREITO DE USUFRUIR
4. Não coloque focinheira no boi que debulha o grão.

LEI DO LEVIRATO
5. Quando dois irmãos moram juntos e um deles morre sem deixar filhos, a viúva não sairá de casa para casar-se com nenhum estranho; seu cunhado se casará com ela, cumprindo o dever de cunhado.
6. O primogênito que nascer receberá o nome do irmão morto, para que o nome deste não se apague em Israel.
7. Contudo, se o cunhado se nega a casar-se com a viúva, esta irá aos anciãos no tribunal, e dirá: 'Meu cunhado se nega a transmitir o nome de seu irmão em Israel; não quer cumprir comigo seu dever de cunhado'.
8. Os anciãos da cidade o convocarão e procurarão convencê-lo. Se ele persiste e diz que não quer se casar com ela,
9. então a viúva se aproximará dele, diante dos anciãos, lhe tirará a sandália do pé, lhe cuspirá no rosto, e fará esta declaração: 'Isto é o que se faz com um homem que não edifica a casa do seu irmão'.
10. E em Israel ele ficará com o apelido de 'a família do descalçado'.

RESPEITO PELA GERAÇÃO
11. Quando homens estiverem brigando, um homem contra seu irmão, e a mulher de um deles se aproximar para livrar o marido dos socos do outro e estender a mão, agarrando o outro nas partes vergonhosas,
12. corte a mão dela. Não tenha piedade.

JUSTIÇA NO COMÉRCIO
13. Não tenha em sua bolsa dois tipos de peso: um mais pesado e outro mais leve.
14. Não tenha em sua casa dois tipos de medida: uma que seja maior e outra menor.
15. Tenha um peso exato e justo e uma medida exata e justa, para que seus dias se prolonguem sobre a terra que Javé seu Deus vai lhe dar.
16. Porque Javé seu Deus abomina todos os que fazem tais coisas, todos os que cometem injustiça.

ATACAR INDEFESOS É NÃO TEMER A DEUS
17. Lembre-se do que Amalec fez no caminho, quando você saiu do Egito:
18. ele veio ao seu encontro, quando você estava cansado e sem forças e, sem temer a Deus, atacou pelas costas todos os desfalecidos que iam atrás.
19. Quando Javé seu Deus puser fim às hostilidades com os inimigos que cercam você, na terra que Javé seu Deus lhe dará como herança, você deverá apagar de debaixo do céu a memória de Amalec. Não se esqueça disso.

[Deuteronômio 26]4. CONCLUSÃO: A VERDADEIRA RELIGIÃO

Deuteronômio 26

CREIO NO DEUS QUE LIBERTA
1. Quando você entrar na terra que Javé seu Deus vai lhe dar como herança, quando tomar posse dela e habitar aí,
2. pegue os primeiros frutos que você recolher da terra que Javé seu Deus vai lhe dar, coloque-os num cesto e vá ao lugar que Javé seu Deus tiver escolhido para aí fazer habitar o nome dele.
3. Vá ao sacerdote em função nesses dias e diga-lhe: 'Hoje eu confesso a Javé meu Deus que entrei na terra que Javé tinha jurado a nossos antepassados que nos daria'.
4. O sacerdote receberá o cesto de sua mão, e o colocará diante do altar de Javé seu Deus.
5. Então você, tomando a palavra, dirá diante de Javé seu Deus: 'Meu pai era um arameu errante: ele desceu ao Egito e aí residiu com poucas pessoas. Depois tornou-se uma nação grande, forte e numerosa.
6. Os egípcios, porém, nos maltrataram e humilharam, impondo uma dura escravidão sobre nós.
7. Clamamos então a Javé, Deus dos nossos antepassados, e Javé ouviu a nossa voz. Ele viu nossa miséria, nosso sofrimento e nossa opressão.
8. E Javé nos tirou do Egito com mão forte e braço estendido, em meio a grande terror, com sinais e prodígios.
9. E nos trouxe a este lugar, dando-nos esta terra: uma terra onde corre leite e mel.
10. Por isso, aqui estou, Javé, com os primeiros frutos da terra que tu me deste'. E você colocará os primeiros frutos diante de Javé seu Deus e diante de Javé seu Deus se prostrará.
11. Então você se alegrará com todas as coisas boas que Javé seu Deus lhe terá dado, a você e à sua família. E também festejarão com você o levita e o imigrante que vive em seu meio.

OS POBRES SÃO O SACRAMENTO DA PRESENÇA DE DEUS
12. A cada três anos, no ano dos dízimos, quando você tiver acabado de separar todo dízimo de sua colheita e o tiver dado ao levita, ao imigrante, ao órfão e à viúva, para que comam e fiquem saciados nas suas cidades,
13. você confessará diante de Javé seu Deus: 'Eu tirei de minha casa o que estava consagrado e o dei ao levita, ao imigrante, ao órfão e à viúva, conforme a ordem que me deste. Não violei nem esqueci os teus mandamentos.
14. Não comi nada disso durante o meu luto, não tirei nada quando estava impuro, e nada ofereci por um morto. Obedeci a Javé meu Deus e agi conforme tudo o que me ordenaste.
15. Inclina-te da tua morada santa, aí do céu, e abençoa o teu povo Israel, como também a terra que nos deste, como juraste aos nossos antepassados, uma terra onde corre leite e mel'.

RELIGIÃO É ALIANÇA E COMPROMISSO
16. Javé seu Deus ordena hoje que você cumpra esses estatutos e normas. Cuide de colocá-los em prática com todo o seu coração e com toda a sua alma.
17. Hoje você fez Javé declarar que ele seria o seu Deus, com a condição de que você andaria nos caminhos dele, observando seus estatutos, mandamentos e normas, dando assim ouvidos à sua voz.
18. E Javé hoje fez você declarar que seria o seu povo próprio, conforme ele mesmo lhe prometeu, observando todos os mandamentos.
19. Desse modo, ele tornará você superior, em honra, fama e glória, a todas as nações que ele fez. E você será um povo consagrado a Javé seu Deus, conforme ele prometeu".

[Deuteronômio 27]IV. BÊNÇÃOS E MALDIÇÕES: VIDA OU MORTE

Deuteronômio 27

AS PEDRAS DO COMPROMISSO
1. Moisés e os anciãos de Israel ordenaram ao povo: "Observem todos os mandamentos que hoje lhes ordeno.
2. No dia em que vocês atravessarem o rio Jordão para entrar na terra que Javé seu Deus dará a você, levante grandes pedras e as cubra de cal.
3. Sobre elas você deverá escrever todas as palavras desta Lei, quando você atravessar para entrar na terra que Javé seu Deus lhe dará, uma terra onde corre leite e mel, conforme lhe prometeu Javé, Deus de seus antepassados.
4. Depois de atravessar o Jordão, conforme hoje lhes ordeno, vocês levantarão sobre o monte Ebal essas pedras e as cobrirão de cal.
5. Aí você construirá um altar para Javé seu Deus, um altar com pedras não trabalhadas com ferro.
6. Construa o altar de Javé seu Deus com pedras brutas, e ofereça sobre ele holocaustos a Javé seu Deus.
7. Ofereça aí sacrifícios de comunhão e coma, festejando diante de Javé seu Deus.
8. Escreva sobre essas pedras todas as palavras desta Lei, gravando-as bem".
9. Em seguida, Moisés e os sacerdotes levitas falaram a todo o Israel: "Fique em silêncio e escute, Israel: Hoje você se tornou o povo de Javé seu Deus.
10. Obedeça, portanto, a Javé seu Deus e coloque em prática os mandamentos e estatutos que hoje lhe ordeno".

OBRIGAÇÕES DE CONSCIÊNCIA
11. Nesse dia, Moisés ordenou ao povo:
12. "Quando vocês atravessarem o Jordão, as tribos de Simeão, Levi, Judá, Issacar, José e Benjamim se colocarão sobre o monte Garizim, para pronunciar a bênção sobre o povo.
13. As tribos de Rúben, Gad, Aser, Zabulon, Dã e Neftali se colocarão sobre o monte Ebal, para pronunciar a maldição.
14. Os levitas entoarão em alta voz, dizendo a todos os homens de Israel:
15. 'Maldito seja quem faz um ídolo esculpido ou derretido, abominação para Javé, obra de artesão, e o guarda em lugar escondido'. E todo o povo responderá: 'Amém'.
16. 'Maldito seja quem despreza seu pai e sua mãe'. E todo o povo responderá: 'Amém'.
17. 'Maldito seja quem desloca a cerca do seu vizinho'. E todo o povo responderá: 'Amém'.
18. 'Maldito seja quem extravia um cego no caminho'. E todo o povo responderá: 'Amém'.
19. 'Maldito seja quem distorce o direito do imigrante, do órfão e da viúva'. E todo o povo responderá: 'Amém'.
20. 'Maldito seja quem se deita com a mulher do seu pai, pois retira dela o pano do manto do seu pai'. E todo o povo responderá: 'Amém'.
21. 'Maldito seja quem se deita com um animal'. E todo o povo responderá: 'Amém'.
22. 'Maldito seja quem se deita com sua irmã, filha de seu pai ou filha de sua mãe'. E todo o povo responderá: 'Amém'.
23. 'Maldito seja quem se deita com sua sogra'. E todo o povo responderá: 'Amém'.
24. 'Maldito seja quem mata seu próximo às escondidas'. E todo o povo responderá: 'Amém'.
25. 'Maldito seja quem se deixa subornar para matar um inocente'. E todo o povo responderá: 'Amém'.
26. 'Maldito seja quem não mantém as ordens desta Lei, não as colocando em prática'. E todo o povo responderá: 'Amém'.

[Deuteronômio 28]Deuteronômio 28

A FIDELIDADE PRODUZ A BÊNÇÃO
1. Se você obedecer de fato a Javé seu Deus, cuidando de colocar em prática todos os mandamentos que eu hoje lhe ordeno, Javé seu Deus tornará você superior a todas as nações da terra.
2. São estas as bênçãos que virão sobre você e o acompanharão, se você obedecer a Javé seu Deus:
3. Você será abençoado na cidade e abençoado também no campo.
4. Será abençoado o fruto do seu ventre, o fruto do seu solo, o fruto de seus animais, a cria de suas vacas e a prole de suas ovelhas.
5. Será abençoado o seu cesto e a sua amassadeira.
6. Será abençoado ao entrar e abençoado ao sair.
7. Javé entregará, já vencidos, os inimigos que se levantarem contra você; eles sairão contra você por um caminho, e por sete caminhos fugirão.
8. Javé mandará que a bênção fique com você em seus celeiros e em tudo o que você fizer. E o abençoará na terra que Javé seu Deus lhe dará.
9. Javé fará de você um povo a ele consagrado, conforme prometeu, se você observar os mandamentos de Javé seu Deus e andar pelos caminhos dele.
10. Todos os povos da terra verão que sobre você foi invocado o nome de Javé, e ficarão com medo de você.
11. Javé lhe concederá abundância de bens, com o fruto do seu ventre, dos seus animais e da sua terra, essa terra que Javé prometeu a seus antepassados que daria a você.
12. Javé abrirá para você o tesouro do céu, dando no tempo certo a chuva para a terra e abençoando todo trabalho que você realizar. Desse modo, você emprestará a muitas nações, e nunca tomará emprestado.
13. Javé fará de você a cabeça e não a cauda; você estará sempre por cima, e não por baixo. Isso, porém, com a condição de que você obedeça aos mandamentos de Javé seu Deus, que hoje eu lhe ordeno observar e colocar em prática.
14. Não se desvie para a direita nem para a esquerda, em tudo o que eu hoje lhes ordeno, indo atrás de outros deuses para servi-los.

A INFIDELIDADE TRAZ A MALDIÇÃO
15. Contudo, se você não obedecer a Javé seu Deus, não colocando em prática todos os seus mandamentos e estatutos que eu hoje lhe ordeno, virão sobre você todas estas maldições e o atingirão:
16. Você será maldito na cidade e maldito também no campo.
17. Maldito será o seu cesto e a sua amassadeira.
18. Maldito será o fruto do seu ventre, o fruto da sua terra, a cria de suas vacas e a prole de suas ovelhas.
19. Você será maldito ao entrar e maldito também ao sair.
20. Javé mandará contra você a maldição, o pânico e a ameaça em tudo o que você fizer, até que seja exterminado e pereça rapidamente por causa da maldade de suas ações, pelas quais você me abandonou.
21. Javé fará que a peste se apegue a você, até eliminá-lo da terra em que está entrando para dela tomar posse.
22. Javé ferirá você com tísica e febre, inflamação e delírio, secura, ferrugem e mofo, que o perseguirão até que você pereça.
23. O céu sobre a sua cabeça ficará como bronze, e a terra sob seus pés ficará como ferro.
24. Javé transformará a chuva em cinza e pó, que cairão sobre você, até que fique em ruínas.
25. Javé entregará você, já vencido, aos seus inimigos: você sairá ao encontro deles por um caminho, e por sete caminhos fugirá. Você se transformará em objeto de espanto para todos os reinos da terra.
26. Seu cadáver será alimento de todas as aves do céu e animais da terra, e ninguém os espantará.
27. Javé ferirá você com úlceras do Egito, com tumores, crostas e sarnas, que você não poderá curar.
28. Javé ferirá você com loucura, cegueira e demência.
29. Você ficará tateando ao meio-dia, como o cego que tateia na escuridão, e em seus caminhos nada será bem sucedido. Você será oprimido e explorado todos os dias, e ninguém o socorrerá:
30. você se casará com uma mulher, e outro homem a possuirá; construirá uma casa, e não habitará nela; plantará uma vinha, e não colherá as uvas;
31. seu boi será morto diante de seus olhos, e dele você não comerá; seu jumento será roubado na sua frente, e não o devolverão; suas ovelhas serão dadas aos inimigos, e não haverá quem o ajude;
32. seus filhos e suas filhas serão entregues a outro povo: seus olhos verão tudo isso e ficarão consumidos de saudade o dia inteiro, e você nada poderá fazer;
33. o produto da sua terra e de todo o seu trabalho será comido por um povo que você não conhece, e você será oprimido e maltratado todos os dias;
34. você ficará louco com o espetáculo que seus olhos verão.
35. Javé ferirá você com úlcera maligna nos joelhos e nas pernas, da qual você não poderá ficar bom, desde a sola dos pés até o alto da cabeça.
36. Javé levará você, junto com o rei que você tiver constituído, para uma nação que nem você nem seus antepassados conheceram. E aí você servirá a outros deuses, feitos de madeira e pedra.
37. Você se tornará motivo de assombro, piada e caçoada, em meio a todos os outros povos, para onde Javé o tiver conduzido.
38. Você lançará muitas sementes no campo, mas colherá pouco porque o gafanhoto as comerá.
39. Você plantará e cultivará vinhas, mas não beberá vinho nem colherá nada, pois a praga as devorará.
40. Você terá oliveiras em todo o seu território, porém, não se ungirá com o óleo, porque as azeitonas cairão.
41. Você gerará filhos e filhas que não pertencerão a você, pois irão para o exílio.
42. Os insetos se apoderarão de todas as suas árvores frutíferas.
43. O imigrante que vive em seu meio se elevará cada vez mais alto às custas de você, enquanto você descerá cada vez mais baixo.
44. Ele poderá emprestar a você, e você nada lhe poderá emprestar: ele ficará como cabeça, e você como cauda.
45. Todas essas maldições virão sobre você, o perseguirão e o atingirão, até que seja exterminado, porque você não obedeceu a Javé seu Deus, desobedecendo aos mandamentos e estatutos que ele ordenou.
46. Essas maldições serão para sempre um sinal e um prodígio contra sua descendência.
47. Uma vez que você não serviu a Javé seu Deus com alegria e generosidade quando estava na abundância,
48. então você servirá, na fome e na sede, com nudez e privação total, ao inimigo que Javé enviará contra você. O inimigo lhe colocará no pescoço uma canga de ferro, até que você seja exterminado.
49. Javé erguerá contra você uma nação distante, dos confins da terra, como águia veloz, uma nação cuja língua você não entende,
50. nação de cara dura, que não respeita o ancião e não tem piedade do jovem.
51. Ela comerá o fruto de seus animais e o fruto de sua terra, até que você seja exterminado; não deixará para você nem trigo, nem vinho novo, nem óleo, nem a cria de suas vacas, nem a prole de suas ovelhas, até que você fique destruído.
52. Ela cercará você em todas as suas cidades, até que venham abaixo, por toda a terra, os muros altos e fortificados, nos quais você colocava toda a sua segurança. Essa nação cercará você em todas as suas cidades, por toda a terra que Javé seu Deus tiver dado a você.
53. Então, na angústia do cerco com que o inimigo o apertar, você irá comer o fruto do seu ventre: a carne dos filhos e filhas que Javé seu Deus tiver dado a você.
54. O mais delicado e refinado homem do seu meio olhará com maldade para o seu irmão, para a mulher que ele estreitava em seu peito e para os filhos que lhe restar,
55. pois terá de repartir com algum deles a carne dos filhos que está para comer, pois nada mais lhe restará na angústia do cerco com que o inimigo vai apertar você em todas as suas cidades.
56. A mais delicada e refinada das mulheres do seu meio, tão delicada e refinada que nunca pôs a sola dos pés no chão, olhará com maldade para o homem que ela estreitava em seu seio e também para seu filho e sua filha,
57. e para a placenta que lhe sai por entre as pernas, e para o filho que acaba de dar à luz, porque, faltando tudo, ela os comerá às escondidas, por causa da angústia do cerco com que o inimigo vai apertar você em todas as suas cidades.
58. Se você não colocar em prática todas as palavras desta Lei escritas neste livro, temendo o nome glorioso e terrível de Javé seu Deus,
59. Javé ferirá você e sua descendência com pragas espantosas, pragas tremendas e persistentes, doenças graves e incuráveis.
60. Ele voltará contra você as pragas do Egito que o horrorizavam, e elas grudarão em você.
61. E ainda mais: Javé lançará contra você todas as doenças e pragas que não estão escritas neste livro da Lei, até que você seja exterminado.
62. Restarão de vocês poucos homens, vocês que eram tão numerosos como as estrelas do céu. Uma vez que você não obedeceu a Javé seu Deus,
63. então do mesmo modo que Javé tinha prazer em lhes fazer o bem e os multiplicar, assim também ele terá prazer em destruí-los e exterminá-los: vocês serão arrancados da terra em que estão entrando para dela tomar posse.
64. Javé espalhará você por entre todos os povos, de um a outro extremo da terra, e aí você servirá a outros deuses, que nem você nem seus pais conheceram, deuses feitos de madeira e pedra.
65. No meio dessas nações, você nunca terá tranqüilidade, e a sola do seu pé não encontrará onde descansar. Aí Javé dará a você um coração inquieto, olhos mortiços e respiração fraca.
66. Sua vida penderá à sua frente por um fio. Você ficará apavorado noite e dia e não acreditará mais na vida.
67. Pela manhã, você dirá: 'Quem me dera já fosse tarde!' E pela tarde dirá: 'Quem me dera já fosse manhã!' Tudo isso por causa do pavor que se apoderará do seu coração e pelo espetáculo que seus olhos contemplarão.
68. Javé fará vocês voltarem de barco ao Egito, ou pelo caminho do qual eu lhes tinha dito: 'Vocês nunca mais o verão!' Aí vocês se colocarão à venda como escravos e escravas para seus inimigos, e não haverá comprador".

V. TERCEIRO DISCURSO DE MOISÉS: ESCOLHER ENTRE A VIDA E A MORTE

ENCONTRAR DEUS NA HISTÓRIA
69. Palavras conclusivas da aliança que Javé mandou Moisés fazer com os israelitas, na terra de Moab, além da aliança que já havia feito com eles no Horeb.

[Deuteronômio 29]Deuteronômio 29

1. Moisés convocou todo o Israel, e disse: "Vocês mesmos viram tudo o que Javé fez na terra do Egito contra o Faraó, contra seus ministros e contra todo o país deles:
2. as grandes provas que seus olhos viram, aqueles sinais e prodígios grandiosos.
3. Contudo, Javé não tinha dado a vocês, até o dia de hoje, um coração para compreender, olhos para ver e ouvidos para ouvir.
4. Eu fiz vocês caminharem quarenta anos pelo deserto, sem que as suas vestes envelhecessem e as sandálias de seus pés gastassem.
5. Vocês não tiveram pão para comer, nem bebida embriagante para beber, para que vocês compreendessem que eu sou Javé, o Deus de vocês.
6. Depois vocês chegaram a este lugar. Seon, rei de Hesebon, e Og, rei de Basã, saíram ao nosso encontro para a guerra, mas nós os derrotamos.
7. Conquistamos deles os territórios e os demos como herança a Rúben, Gad e à meia tribo de Manassés.

ALIAR-SE COM DEUS
8. Observem as palavras desta aliança e as ponham em prática, para serem bem sucedidos em tudo quanto fizerem.
9. Vocês se apresentaram hoje diante de Javé seu Deus, os chefes de suas tribos, os anciãos, os oficiais e todos os homens de Israel,
10. com as crianças e mulheres, inclusive o imigrante que está no seu acampamento, desde aquele que corta a madeira até aquele que tira água para você,
11. a fim de entrar na aliança de Javé seu Deus e aceitar o pacto sob condição, que Javé seu Deus assume hoje com você.
12. Desse modo, ele hoje vai constituir você como povo dele, e ele mesmo se tornará o Deus de você, conforme lhe falou e havia prometido a seus antepassados Abraão, Isaac e Jacó.
13. Não é somente com vocês que estou concluindo esta aliança e este pacto sob condição.
15. Eu estou concluindo esta aliança com aquele que está aqui conosco, hoje, diante de Javé nosso Deus, e também com aquele que não está aqui conosco hoje.

CONDIÇÃO FUNDAMENTAL: SERVIR A JAVÉ
15. Vocês sabem que habitamos lá no Egito e de que modo atravessamos aquelas nações.
16. Vocês viram as abominações e os ídolos delas, feitos de madeira, de pedra, de prata e de ouro.
17. Que não haja entre vocês homem ou mulher, clã ou tribo, cujo coração se desvie hoje de Javé nosso Deus, para servir os deuses daquelas nações. Que não haja entre vocês raízes que produzam plantas venenosas ou amargas.
18. Portanto, ouvindo as palavras deste pacto sob condição, alguém poderá felicitar a si próprio, dizendo: 'Vou ter paz, mesmo que ande conforme a dureza do meu coração, pois a abundância de água fará minha sede desaparecer'.
19. Nesse caso, Javé jamais consentirá em perdoá-lo. Pelo contrário, sua ira e ciúme se inflamarão contra tal homem, caindo sobre ele toda a maldição escrita neste livro. E Javé apagará o nome dele de debaixo do céu.
20. Para a perdição dele, Javé o separará de todas as tribos de Israel, conforme as maldições da aliança, escritas neste livro da Lei.

O CASTIGO DA INFIDELIDADE
21. A geração futura, os filhos que virão depois de vocês e o estrangeiro vindo de uma terra distante, verão as pragas desta terra e as doenças com que Javé a castigará:
22. enxofre e sal, terra queimada onde não se semeia e nada brota nem cresce, catástrofe como a de Sodoma e Gomorra, Adama e Seboim, que Javé destruiu em sua ira e furor.
23. Todas as nações perguntarão: 'Por que Javé agiu assim com esta terra? O que significa o ardor de tão grande ira?'
24. E responderão: 'É porque eles abandonaram a aliança que Javé, Deus de seus antepassados, tinha feito com eles, quando os tirou do Egito.
25. Eles foram servir a outros deuses e os adoraram, deuses que eles não conheciam e que Javé não lhes tinha dado.
26. Então a ira de Javé se inflamou contra esta terra, fazendo cair sobre ela todas as maldições escritas neste livro.
27. Javé os arrancou da própria terra, com ira, furor e grande indignação, e os atirou em outra terra, como hoje se pode ver'.

PRATICAR A JUSTIÇA
28. As coisas escondidas pertencem a Javé nosso Deus; as coisas reveladas, porém, pertencem para sempre a nós e a nossos filhos, para colocarmos em prática todas as palavras desta Lei.

[Deuteronômio 30]Deuteronômio 30

NEM TUDO ESTÁ PERDIDO
1. Quando se cumprirem todas essas palavras em você, isto é, a bênção e a maldição que eu lhe propus, e você meditar nelas, vivendo no meio de todas as nações para onde Javé seu Deus o tiver expulsado,
2. então você se converterá, de todo o seu coração e de toda a sua alma para Javé seu Deus; você e seus filhos obedecerão a ele, conforme eu lhe ordeno hoje.
3. Então Javé seu Deus se compadecerá de você e mudará a sua sorte. Javé seu Deus voltará atrás e reunirá você de todos os povos, entre os quais ele o havia espalhado.
4. Ainda que você tivesse sido expulso para o fim do mundo, daí Javé seu Deus o reuniria e daí o tomaria
5. para o introduzir novamente na terra que seus antepassados possuíram, a fim de que você a possua. Ele fará você feliz e o multiplicará ainda mais que os seus antepassados.
6. Javé seu Deus circuncidará o seu coração e o coração dos seus descendentes, para que você ame a Javé seu Deus com todo o coração e com toda a alma, e viva.
7. Javé seu Deus fará recair todas essas maldições sobre os inimigos, sobre os que odiaram e perseguiram você.
8. Quanto a você, volte a obedecer a Javé seu Deus, colocando em prática todos os mandamentos dele, que eu hoje lhe ordeno.
9. Javé seu Deus fará prosperar as iniciativas suas, o fruto do seu ventre, o fruto dos seus animais e o fruto do seu solo. Porque Javé voltará a ter prazer com a felicidade de você, assim como tinha prazer com a felicidade de seus antepassados.
10. A condição, porém, é que você obedeça a Javé seu Deus, observando-lhe os mandamentos e estatutos escritos neste livro da Lei, e que você se converta com todo o coração e com toda a alma para Javé seu Deus.

NÃO HÁ COMO SE DESCULPAR
11. Este mandamento que hoje lhe ordeno não é muito difícil, nem está fora do seu alcance.
12. Ele não está no céu, para que você fique perguntando: 'Quem subirá por nós até o céu para trazê-lo a nós, a fim de que possamos ouvi-lo e colocá-lo em prática?'
13. Também não está no além-mar, para que você fique perguntando: 'Quem atravessará por nós o mar, para trazer esse mandamento a nós, a fim de que possamos ouvi-lo e colocá-lo em prática?'
14. Sim, essa palavra está ao seu alcance: está na sua boca e no seu coração, para que você a coloque em prática.

ESCOLHER ENTRE A VIDA E A MORTE
15. Veja: hoje eu estou colocando diante de você a vida e a felicidade, a morte e a desgraça.
16. Se você obedecer aos mandamentos de Javé seu Deus, que hoje lhe ordeno, amando a Javé seu Deus, andando em seus caminhos e observando os seus mandamentos, estatutos e normas, você viverá e se multiplicará. Javé seu Deus o abençoará na terra onde você está entrando para tomar posse dela.
17. Todavia, se o seu coração se desviar e você não obedecer, se você se deixar seduzir e adorar e servir a outros deuses,
18. eu hoje lhe declaro: é certo que vocês perecerão! Vocês não prolongarão seus dias sobre a terra, onde estão entrando, ao atravessar o Jordão, para dela tomar posse.
19. Hoje eu tomo o céu e a terra como testemunhas contra vocês: eu lhe propus a vida ou a morte, a bênção ou a maldição. Escolha, portanto, a vida, para que você e seus descendentes possam viver,
20. amando a Javé seu Deus, obedecendo-lhe e apegando-se a ele, porque ele é a sua vida e o prolongamento de seus dias. Desse modo você poderá habitar sobre a terra que Javé jurou dar a seus antepassados Abraão, Isaac e Jacó".

[Deuteronômio 31]VI. APÊNDICE: A HISTÓRIA CONTINUA

Deuteronômio 31

UM NOVO LÍDER
1. Moisés falou essas palavras a todo o Israel.
2. Depois acrescentou: "Hoje eu estou com cento e vinte anos. Não posso mais ser chefe, e Javé me disse: 'Você não atravessará o rio Jordão'.
3. Quem vai à frente de você é o próprio Javé seu Deus. Ele destruirá essas nações que estão na sua frente e as conquistará. Josué irá à frente de você, conforme disse Javé.
4. E Javé tratará essas nações da maneira como tratou Seon e Og, os reis amorreus e a terra deles, que ele reduziu a ruínas.
5. Javé entregará essas nações, e vocês as tratarão conforme os mandamentos que lhes ordenei.
6. Sejam fortes e corajosos! Não tenham medo, nem fiquem apavorados diante delas, porque Javé seu Deus é quem vai com você. Ele não o deixará, e jamais o abandonará".
7. Então Moisés chamou Josué e, na presença de todo o Israel, disse a ele: "Seja forte e corajoso! Pois você entrará com todo este povo na terra que Javé prometeu dar a seus antepassados, e você repartirá a herança entre eles.
8. O próprio Javé irá à sua frente. Ele estará com você; não o deixará, e jamais o abandonará. Não tenha medo, nem se acovarde".

MANTER VIVA A CONSCIÊNCIA DO PROJETO
9. Então Moisés escreveu esta Lei e a entregou aos sacerdotes levitas, que carregavam a arca da aliança de Javé, e também a todos os anciãos de Israel.
10. E Moisés lhes ordenou: "No fim de cada sete anos, no ano da remissão, durante a festa das Tendas,
11. quando todo o Israel vier apresentar-se diante de Javé seu Deus, no lugar que ele tiver escolhido, você proclamará esta Lei a todo o Israel.
12. Reúna o povo, homens e mulheres, as crianças e o imigrante que está em suas cidades, para que ouçam e aprendam a temer Javé, o Deus de vocês, e coloquem em prática todas as palavras desta Lei.
13. E seus filhos que ainda não sabem, ouvirão e aprenderão a temer Javé, o Deus de vocês, todos os dias em que viverem na terra, da qual vocês tomarão posse ao atravessar o Jordão".

O CÂNTICO DO JULGAMENTO
14. Então Javé disse a Moisés: "O dia da sua morte está chegando. Chame Josué e apresentem-se na tenda da reunião, para que eu dê a ele as minhas ordens". Moisés e Josué foram à tenda da reunião.
15. Javé apareceu na tenda numa coluna de nuvem, que se colocou à entrada da tenda.
16. Javé disse a Moisés: "Veja! Você vai descansar com os seus antepassados, e este povo se prostituirá com os deuses da terra estrangeira onde está para entrar. Ele vai me abandonar, rompendo a aliança que fiz com eles.
17. Nesse dia, minha cólera se inflamará contra o povo, e eu os abandonarei, e esconderei deles a minha face. Então ele será devorado, e muitos males e desgraças o atingirão. E nesse dia o povo dirá: 'Deus não está mais comigo. É por isso que essas desgraças me atingiram'.
18. Sim, nesse dia eu esconderei a minha face, por causa de todo o mal que o povo terá feito ao se voltar para outros deuses.
19. Agora escrevam este cântico e o ensinem aos israelitas. Coloque-o na boca deles, para que seja um testemunho a meu favor contra os israelitas.
20. Quando eu tiver introduzido o povo na terra onde corre leite e mel, que eu prometi dar a seus antepassados, ele comerá até ficar satisfeito, engordará e se voltará para outros deuses e os servirá, desprezando-me e rompendo a minha aliança.
21. Por isso, quando muitos males e desgraças o tiverem atingido, este cântico deporá contra ele como testemunho, porque não será esquecido pelos seus descendentes. Conheço bem o projeto que ele está fazendo hoje, antes mesmo que eu o introduza na terra que prometi".
22. Nesse mesmo dia, Moisés escreveu este cântico e o ensinou aos israelitas.
23. Então Javé ordenou a Josué, filho de Nun: "Seja forte e corajoso! Pois você introduzirá os israelitas na terra que eu lhes prometi. Eu estarei sempre com você".

ESTE LIVRO É UM TESTEMUNHO
24. Quando acabou de escrever num livro toda esta Lei,
25. Moisés ordenou aos levitas que carregavam a arca da aliança de Javé:
26. "Peguem este livro da Lei e o coloquem ao lado da arca da aliança de Javé seu Deus. Ele ficará aí como testemunho contra você,
27. porque eu conheço bem o espírito rebelde e a cabeça dura que você tem. Se vocês se revoltam contra Javé enquanto ainda estou vivo, o que acontecerá depois da minha morte?"

O POVO DIANTE DO JULGAMENTO
28. Moisés continuou: "Reúnam junto a mim todos os anciãos das tribos e os oficiais, para que eu recite estas palavras na presença deles, e tome o céu e a terra como testemunhas contra eles.
29. Porque eu sei que depois da minha morte vocês vão se corromper completamente, desviando-se do caminho que lhes ordenei. Então o mal lhes acontecerá no futuro, porque vocês terão praticado o que Javé reprova, irritando-o com as ações de vocês".
30. Então Moisés recitou até o fim, na presença de toda a assembléia de Israel, o seguinte cântico:

[Deuteronômio 32]1. CÂNTICO DE MOISÉS: A LIÇÃO DA HISTÓRIA

Deuteronômio 32

DEUS É JUSTIÇA
1. Escute, ó céu, que eu falarei. Ouça, ó terra, as palavras da minha boca.
2. Desça como chuva meu ensinamento e minha palavra se espalhe como orvalho; como chuvisco sobre relva macia e aguaceiro em grama verdejante.
3. Vou proclamar o nome de Javé, e vocês engrandeçam o nosso Deus.
4. Ele é a Rocha, e sua obra é perfeita, porque toda a sua conduta é o Direito. É Deus fiel e sem injustiça: Ele é a Justiça e a Retidão.

ISRAEL SE CORROMPEU
5. Os filhos degenerados pecaram contra ele, são uma geração depravada e pervertida.
6. É isso que vocês devolvem a Javé, povo idiota e sem sabedoria? Ele não é o pai e criador de vocês? Ele próprio fez você e o sustentou.

DEUS BENEFICIOU ISRAEL
7. Recorde os dias que se foram, repasse gerações e gerações. Pergunte a seu pai e ele contará, interrogue os anciãos e eles lhe dirão.
8. Quando o Altíssimo repartia as nações e quando espalhava os filhos de Adão, ele marcou fronteiras para os povos, conforme o número dos filhos de Deus.
9. Mas a parte de Javé foi o seu povo, o lote da sua herança foi Jacó.
10. Ele o encontrou numa terra árida, num deserto solitário e cheio de uivos. Cercou-o, cuidou dele e o guardou com carinho, como se fosse a menina de seus olhos.
11. Como águia que cuida do seu ninho e revoa por cima dos filhotes, ele o tomou, estendendo suas asas, e o carregou em cima de suas penas.
12. O único a conduzi-lo foi Javé. Nenhum deus estrangeiro o acompanhou.
13. Ele o colocou sobre os montes e o alimentou com produtos do campo. Ele o criou com mel silvestre, e com óleo de uma dura pedreira;
14. com coalhada de vaca e leite de ovelha, gordura de carneiros e cordeiros; com manadas de Basã e cabritos, com a flor da farinha de trigo e o sangue da uva, que bebe fermentado.

ISRAEL ABANDONOU A DEUS
15. Jacó comeu e ficou satisfeito, Jesurun engordou e deu coices - ficou gordo, robusto e corpulento - rejeitou o Deus que o fizera, desprezou sua Rocha salvadora.
16. Eles lhe provocaram o ciúme com deuses estranhos e o irritaram com suas abominações.
17. Sacrificaram a demônios, falsos deuses, a deuses que não haviam conhecido, deuses novos, recentemente chegados, que seus antepassados não temiam.
18. Você desprezou a Rocha que o gerou e esqueceu o Deus que lhe deu a vida.

DEUS CORRIGE ISRAEL
19. Javé viu tudo, ficou enfurecido, e rejeitou seus filhos e suas filhas.
20. Ele disse: "Vou esconder deles o meu rosto e ver qual será o seu futuro", porque são uma geração pervertida, são filhos que não têm fidelidade.
21. Eles provocaram meu ciúme com um deus falso, e me irritaram com seus ídolos vazios. Por isso vou provocar o ciúme deles com um povo falso, vou irritá-los com uma nação idiota.
22. O fogo da minha ira está ardendo e vai queimar até a mansão dos mortos; vai devorar a terra e seus produtos, e abrasar o alicerce das montanhas.
23. Vou acumular males sobre eles e contra eles vou esgotar as minhas flechas.
24. Ficarão enfraquecidos pela fome, consumidos por febres e pestes violentas. Mandarei contra eles os dentes das feras com o veneno de serpentes do deserto.
25. Fora, a espada levará seus filhos e, dentro o terror se instalará. Todos perecerão: o jovem e a donzela, a criança de peito e o velho de cabelos brancos.

JAVÉ ACUSA AS NAÇÕES
26. Então pensei: "Vou reduzi-los a pó, e apagar sua memória do meio dos homens".
27. Mas eu temi a arrogância dos inimigos, a má interpretação dos adversários. Eles diriam: "Nossa mão venceu, não foi Javé quem fez isso".
28. Porque é uma nação sem juízo e que não tem inteligência.
29. Se fossem sábios, entenderiam tudo isso e saberiam discernir o seu futuro.
30. Como pode um homem sozinho perseguir mil, e dois pôr em fuga dez mil? Não é porque sua Rocha os vendeu e porque Javé os entregou?
31. Sim, a rocha deles não é como a nossa Rocha e nossos inimigos podem atestar.
32. Pois a vinha deles é vinha de Sodoma e vem das plantações de Gomorra; suas uvas são uvas venenosas e seus cachos são amargos.
33. O vinho deles é veneno de serpente, violenta peçonha de cobras.

JAVÉ CORRIGE AS NAÇÕES
34. Isso não está guardado junto a mim e lacrado em meus tesouros?
35. A mim pertencem a vingança e a represália no dia em que o pé deles escorregar, porque o dia da ruína deles já vem chegando, e o seu destino futuro se aproxima.
36. Sim, Javé fará justiça a seu povo e terá piedade de seus servos. Ao ver que a mão deles vai fraquejando, e não há mais nem livre nem escravo,
37. Javé dirá: "Onde estarão os deuses deles, a rocha onde buscavam seu refúgio?
38. Vocês não comiam a gordura dos sacrifícios deles? Não bebiam o vinho de suas libações? Que esses deuses se ponham em pé e os socorram e sejam eles a proteção de vocês!
39. E agora, vejam bem: Eu sou eu e fora de mim não existe outro Deus. Eu faço morrer e faço viver, sou eu que firo e torno a curar, e ninguém se livra da minha mão.
40. Sim, eu levanto a mão para o céu e juro: Tão verdade como eu vivo eternamente,
41. quando eu afiar minha espada fulgurante e minha mão agarrar o Direito, eu tomarei vingança do meu adversário e retribuirei àqueles que me odeiam.
42. Embriagarei minhas flechas com sangue e minha espada devorará a carne, sangue dos mortos e cativos, da cabeça dos chefes inimigos".
43. Nações, aclamem todas a Javé com seu povo, porque ele vinga o sangue de seus servos, tomando vingança de seus adversários. Ele purifica a sua terra e o seu povo.
44. Moisés foi com Josué, filho de Nun, e recitou esse cântico inteiro na presença do povo.

A FONTE DA VIDA
45. Moisés terminou de falar essas palavras a todo o Israel,
46. e acrescentou: "Fiquem atentos a todas as palavras que hoje tomo como testemunho contra vocês. E vocês mandarão que seus filhos as observem, colocando em prática todas as palavras desta Lei.
47. Não é uma palavra inútil, porque ela é a vida de vocês, e é por meio dessa palavra que vocês prolongarão a vida na terra, da qual vão tomar posse, depois de atravessar o rio Jordão".
48. Nesse mesmo dia, Javé falou a Moisés:
49. "Suba à região montanhosa de Abarim, sobre o monte Nebo, na terra de Moab, na frente de Jericó, e contemple a terra de Canaã, que eu vou dar como propriedade aos filhos de Israel.
50. Você morrerá no monte em que tiver subido e se reunirá com seus antepassados, assim como seu irmão Aarão, que se reuniu ao seu povo no monte Hor.
51. Porque vocês foram infiéis a mim no meio dos israelitas, junto às águas de Meriba em Cades, no deserto de Sin, e não reconheceram a minha santidade no meio dos israelitas.
52. Por isso, você contemplará de longe a terra, mas não poderá entrar na terra que eu vou dar aos israelitas".

[Deuteronômio 33]2. BÊNÇÃO DE MOISÉS: UM POVO ABENÇOADO POR JAVÉ

Deuteronômio 33

1. Esta é a bênção que Moisés, homem de Deus, antes de morrer pronunciou sobre os israelitas:
2. Javé veio do Sinai, amanheceu para eles de Seir, resplandeceu do monte Farã. Veio a eles da assembléia de Cades, desde o sul até as encostas.
3. Na frente, vai o favorito dos povos, à sua direita seguem os guerreiros e com a esquerda ele dirige seus santos. Eles se prostram à sua passagem e marcham sob suas ordens.
4. Moisés deu-nos uma lei, uma herança para a assembléia de Jacó.
5. Houve um rei em Jesurun, quando os chefes do povo se reuniram e, ao mesmo tempo, as tribos de Israel.
6. Viva Rúben e não morra, e sejam inumeráveis os seus homens.
7. Eis o que ele diz sobre Judá: Ouve, Javé, a voz de Judá e introduze-o no teu povo. Que tuas mãos o defendam: tu o protegerás contra os inimigos.
8. Sobre Levi ele diz: Entrega a Levi teus

Urim, e teus

Tumim ao homem que amas, que puseste à prova em Massa e desafiaste junto às águas de Meriba.
9. Ele diz de seu pai e de sua mãe: "Eu nunca vi vocês". Ele não reconhece mais seus irmãos e ignora seus filhos. Sim, eles observam a tua palavra e guardam a tua aliança.
10. Eles ensinam as tuas normas a Jacó e tua lei a Israel. Eles oferecem incenso em tua presença e holocaustos em teu altar.
11. Abençoa a força dele, ó Javé, e aceita a obra de suas mãos. Fere os rins dos adversários dele, e que os inimigos dele não se levantem.
12. Sobre Benjamim ele diz: O amado de Javé habita tranqüilo junto àquele que o protege todos os dias, e que repousa entre suas colinas.
13. Sobre José ele diz: A terra dele é abençoada por Javé: dele é o melhor orvalho do céu e do abismo subterrâneo;
14. o melhor dos produtos anuais e o melhor dos frutos mensais;
15. os primeiros frutos dos montes antigos e o melhor das colinas de outrora;
16. o melhor da terra e da sua riqueza. Que o favor daquele que habita na sarça desça sobre a cabeça de José, sobre a fronte do escolhido entre seus irmãos.
17. Ele é seu touro primogênito e a glória lhe pertence. Seus chifres são chifres de búfalo: com eles investe contra os povos até as extremidades da terra. São estas as miríades de Efraim e estes os milhares de Manassés.
18. Para Zabulon ele diz: Seja feliz em suas expedições, Zabulon, e você, Issacar, em suas tendas.
19. Sobre a montanha onde os povos invocam, eles oferecem sacrifícios de justiça, pois exploram as riquezas do mar e os tesouros escondidos na areia.
20. Sobre Gad ele diz: Abençoado aquele que amplia Gad. Ele se agacha como leoa, destroçando braços e crânio.
21. Ele escolheu para si os primeiros frutos, a parte reservada ao chefe. Tornou-se chefe do povo, executando a justiça de Javé e suas normas sobre Israel.
22. Sobre Dã ele diz: Dã é um filhote de leão, que salta de Basã.
23. Sobre Neftali ele diz: Neftali é saciado de favores e repleto das bênçãos de Javé: ele toma posse do mar e do sul.
24. Sobre Aser ele diz: Abençoado seja Aser entre os filhos, seja ele o favorito entre os irmãos, e banhe seu pé no óleo.
25. De ferro e bronze sejam suas trancas, e sua força dure como seus dias.
26. Ninguém é como o Deus de Jesurun: ele cavalga o céu em seu auxílio e as nuvens, com sua majestade.
27. O Deus de outrora é o seu refúgio; aqui embaixo, ele é o braço eterno que expulsa o inimigo de sua frente, e vai dizendo: "Destrua!"
28. Israel repousa em segurança; a fonte de Jacó fica separada, numa terra de trigo e vinho, sob um céu que destila orvalho.
29. Feliz de você, Israel! Quem é como você, povo salvo por Javé? Ele é o escudo que o protege e a espada que o conduz à vitória. Seus inimigos vão querer adular você, mas você lhes pisará nas costas.

[Deuteronômio 34]Deuteronômio 34

MORTE DE MOISÉS
1. Então Moisés subiu das estepes de Moab ao monte Nebo, ao pico do Fasga, que fica na frente de Jericó. E Javé lhe mostrou toda a terra: desde Galaad até Dã,
2. todo o Neftali, a terra de Efraim e Manassés, toda a terra de Judá até o mar Mediterrâneo,
3. o Negueb, o distrito da planície de Jericó, cidade das palmeiras, até Segor.
4. E Javé falou a Moisés: "Essa é a terra que prometi a Abraão, Isaac e Jacó, quando eu disse: 'Eu a darei à sua descendência'. Eu estou lhe mostrando essa terra, mas você não atravessará até ela".
5. E Moisés, servo de Javé, morreu aí mesmo, na terra de Moab, conforme a palavra de Javé.
6. Foi sepultado no vale, na terra de Moab, na frente de Bet-Fegor. Até hoje, ninguém sabe onde fica a sepultura dele.
7. Moisés tinha cento e vinte anos quando morreu. Sua vista não tinha enfraquecido, nem se esgotara seu vigor.
8. Os israelitas choraram por Moisés, nas estepes de Moab, durante trinta dias, até que terminou o luto por Moisés.
9. Josué, filho de Nun, estava repleto do espírito de sabedoria, pois Moisés havia imposto as mãos sobre ele. E os israelitas obedeceram a Josué, agindo conforme Javé tinha ordenado a Moisés.

MOISÉS, MODELO DE PROFETA
10. Em Israel nunca mais surgiu outro profeta como Moisés, a quem Javé conhecia face a face.
11. Ninguém o igualou em todos os sinais e prodígios que Javé o mandou realizar no Egito contra o Faraó, contra toda a sua corte e contra sua terra.
12. Ninguém se igualou a Moisés na mão forte e em todos os feitos grandiosos e terríveis que ele realizou aos olhos de todo o Israel.


[Josué 1]Josué 1
I. CONQUISTA DA TERRA

CONDIÇÃO PARA TER A TERRA
1. Depois da morte de Moisés, servo de Javé, Javé falou a Josué, filho de Nun, auxiliar de Moisés:
2. "Meu servo Moisés morreu. Agora levante-se e atravesse o rio Jordão, com todo este povo, para a terra que eu vou lhes dar.
3. Todo lugar que a planta dos pés de vocês pisar, eu o dei a vocês, conforme prometi a Moisés.
4. O território de vocês irá desde o deserto até o Líbano, e desde o grande rio Eufrates até o mar Mediterrâneo, no ocidente.
5. Ninguém poderá resistir a você durante toda a sua vida. Assim como estive com Moisés, estarei também com você: nunca o abandonarei nem o deixarei desamparado.
6. Seja firme e corajoso, porque você fará esse povo herdar esta terra que jurei dar a seus antepassados.
7. Apenas seja firme e corajoso, para cumprir toda a Lei que meu servo Moisés lhe ordenou. Não se desvie dela, nem para a direita nem para a esquerda, e você terá sucesso em todos os seus empreendimentos.
8. Que o livro dessa Lei esteja sempre em seus lábios: medite nele dia e noite, para agir de acordo com tudo o que nele está escrito. Desse modo, você será bem-sucedido em seus empreendimentos e sempre terá sucesso.
9. Sou eu que estou mandando que você seja firme e corajoso. Portanto, não tenha medo e não se acovarde, porque Javé seu Deus está com você aonde quer que você vá".

SOLIDARIEDADE NA LUTA
10. Então Josué ordenou aos oficiais do povo:
11. "Passem pelo meio do acampamento e dêem esta ordem ao povo: 'Abasteçam-se de víveres, porque dentro de três dias vocês atravessarão o rio Jordão para tomar posse da terra que Javé seu Deus lhes dá' ".
12. Josué disse aos rubenitas, aos gaditas e à meia tribo de Manassés:
13. "Lembrem-se do que lhes ordenou Moisés, servo de Javé: 'Javé seu Deus concede repouso a vocês e lhes dá esta terra'.
14. As mulheres, crianças e rebanhos de vocês ficarão na terra que Moisés lhes deu na Transjordânia. Vocês, porém, todos os homens de guerra, atravessarão o Jordão bem armados, na frente de seus irmãos, para ajudá-los,
15. até que Javé conceda descanso aos seus irmãos, da mesma forma que deu a vocês, e até que eles também tomem posse da terra que Javé seu Deus lhes dá. Então vocês poderão voltar para a terra que lhes pertence e tomar posse da terra que Moisés, servo de Javé, deu a vocês na Transjordânia, no lado oriental".
16. Eles responderam a Josué: "Faremos tudo o que você nos ordenou e iremos para onde você mandar.
17. Obedeceremos a você, da mesma forma que obedecíamos a Moisés. Basta que Javé esteja com você, assim como estava com Moisés.
18. Quem se revoltar e não obedecer às suas ordens, sejam quais forem, será morto. Basta que você seja firme e corajoso".

[Josué 2]Josué 2

ESPIONAGEM E ALIANÇA
1. De Setim, Josué, filho de Nun, mandou secretamente dois espiões para examinar a terra, especialmente Jericó. Eles foram e entraram na casa de uma prostituta chamada Raab, e aí se hospedaram.
2. Então informaram ao rei de Jericó: "Cuidado! Esta noite chegaram aqui uns israelitas para espionar a terra".
3. Então o rei de Jericó mandou dizer a Raab: "Mande sair os homens que entraram em sua casa, porque eles vieram para espionar toda a terra".
4. A mulher, porém, escondeu logo os dois homens, e respondeu: "De fato, esses homens vieram aqui, mas eu não sabia de onde eram.
5. Quando iam fechar a porta da cidade, à noite, eles foram embora, não sei para onde. Se vocês os seguirem logo, certamente os alcançarão".
6. Ela, porém, tinha feito os dois espiões subirem ao terraço e os escondera entre feixes de linho que estavam aí empilhados.
7. Os guardas saíram em busca deles pelo caminho que leva aos vaus do Jordão. E a porta da cidade foi fechada depois que eles saíram.
8. Antes que os espiões se deitassem, Raab subiu ao terraço,
9. e lhes disse: "Eu sei que Javé entregou a vocês esta terra. Estamos apavorados, e todos os habitantes da terra tremem diante de vocês.
10. Porque soubemos como Javé secou a água do mar Vermelho diante de vocês, quando saíram do Egito, e o que vocês fizeram aos dois reis amorreus da Transjordânia, Seon e Og, que vocês exterminaram.
11. Ao ouvirmos isso, ficamos desencorajados, e ninguém mais consegue respirar diante de vocês, porque Javé seu Deus é Deus tanto lá em cima no céu, como cá embaixo na terra.
12. Agora, jurem-me por Javé que, assim como eu os tratei com misericórdia, vocês também tratarão com misericórdia a minha família. Dêem-me um sinal seguro
13. de que vocês deixarão com vida meu pai, minha mãe, meus irmãos e irmãs e todos os meus familiares, e de que vocês nos livrarão da matança".
14. Os homens juraram: "Nossa vida em troca da vida de vocês, com a condição de que você não nos denuncie. Quando Javé nos entregar esta terra, nós a trataremos com lealdade e fidelidade".
15. Então ela os desceu por uma corda pela janela, porque a casa onde vivia era pegada à muralha.
16. E lhes disse: "Fujam para a montanha, para que os perseguidores não encontrem vocês. Escondam-se durante três dias, até que eles voltem. Depois continuem o seu caminho.
17. Os homens disseram: "Ficaremos livres do juramento que você nos exigiu
18. se você, quando chegarmos à terra, não amarrar este cordão vermelho na janela pela qual estamos descendo, e não reunir com você, em sua casa, seu pai, sua mãe, seus irmãos e toda a família de seu pai.
19. Quem sair para a rua será responsável pela própria morte, e não nós. E nós seremos responsáveis pela morte de quem estiver com você em sua casa, se alguém o tocar.
20. Contudo, se você nos denunciar, não responderemos pelo juramento que você nos fez prestar".
21. Ela respondeu: "De acordo". E os despediu. Eles foram embora, e ela amarrou o cordão vermelho na janela.
22. Eles foram para a montanha e aí ficaram três dias, até que os perseguidores voltassem; por mais que estes procurassem, não conseguiram encontrar os espiões.
23. Então os dois homens desceram da montanha, atravessaram o rio Jordão e foram até Josué, filho de Nun, contando tudo o que havia acontecido com eles.
24. Disseram a Josué: "Realmente Javé está entregando esta terra em nossas mãos. Os habitantes estão tremendo diante de nós".

[Josué 3]Josué 3

ENTRADA NA TERRA PROMETIDA
1. Josué levantou-se de madrugada e partiu de Setim, junto com todos os israelitas. Chegaram ao Jordão e aí pernoitaram antes de atravessar.
2. Três dias depois, os oficiais passaram pelo acampamento,
3. dando esta ordem ao povo: "Quando vocês virem a arca da aliança de Javé seu Deus e os sacerdotes levitas que a levam, deixem o lugar em que estão e comecem a segui-la.
4. Mas conservem sempre a distância de mais ou menos mil metros entre vocês e a arca. Mantenham-se à distância, para ver o caminho que deverão seguir, porque vocês nunca passaram por ele".
5. Josué ordenou ao povo: "Purifiquem-se, porque amanhã Javé realizará maravilhas no meio de vocês".
6. Aos sacerdotes, Josué ordenou: "Levem a arca da aliança e atravessem na frente do povo". Eles levaram a arca e foram na frente do povo.
7. Javé disse a Josué: "Hoje eu vou começar a engrandecer você aos olhos de todo o Israel, para que saibam que eu estou com você, assim como estive com Moisés.
8. Quanto a você, ordene aos sacerdotes que levam a arca da aliança: 'Ao chegarem à beira da água do Jordão, fiquem parados aí' ".
9. Josué disse, então, aos israelitas: "Aproximem-se para ouvir as palavras de Javé seu Deus".
10. E continuou: "Com isto vocês saberão que o Deus vivo está no meio de vocês e que expulsará de diante de vocês os cananeus, heteus, heveus, ferezeus, gergeseus, amorreus e jebuseus.
11. A arca da aliança do Senhor de toda a terra vai atravessar o Jordão na frente de vocês.
12. Agora, portanto, escolham doze homens das tribos de Israel, um de cada tribo.
13. Quando a sola dos pés dos sacerdotes, que levam a arca de Javé, Senhor de toda a terra, tocar a água do Jordão, a água do Jordão ficará cortada: a água que vem de cima ficará parada num só monte".
14. Quando o povo deixou as tendas para atravessar o Jordão, os sacerdotes que levavam a arca da aliança caminhavam na frente do povo.
15. Chegando ao Jordão, quando os sacerdotes que levavam a arca molharam os pés na beira da água - pois o Jordão transborda sobre as margens durante o tempo da ceifa -
16. a água que vinha de cima parou, levantando-se num só monte, bem longe, em Adam, cidade que fica ao lado de Sartã; e a água que descia ao mar da Arabá, o mar Morto, escoou totalmente, de modo que o povo pôde atravessar diante de Jericó.
17. Os sacerdotes, que levavam a arca da aliança de Javé, ficaram parados no leito seco, no meio do Jordão, enquanto todo o Israel atravessava a pé enxuto, até que todos acabaram de atravessar.

[Josué 4]Josué 4

TRAVESSIA PARA UM NOVO SISTEMA DE VIDA
1. Quando todo o povo acabou de atravessar o Jordão, Javé disse a Josué:
2. "Escolham doze homens do povo, um de cada tribo,
3. e mandem que eles tirem daqui, do meio do Jordão, do lugar onde os sacerdotes pisaram, doze pedras. Levem as pedras com vocês e as coloquem no acampamento onde irão pernoitar".
4. Josué chamou os doze homens que havia escolhido entre os israelitas, um de cada tribo,
5. e ordenou: "Passem na frente da arca de Javé seu Deus para o meio do Jordão, e cada um carregue no ombro uma pedra, conforme o número das tribos de Israel,
6. a fim de que isso venha a ser um sinal no meio de vocês. Amanhã, quando seus filhos perguntarem o que significam essas pedras,
7. vocês responderão: 'É que a água do Jordão foi cortada diante da arca da aliança de Javé. Quando a arca passou pelo Jordão, a água foi cortada, e estas pedras ficaram entre os israelitas como lembrança para sempre' ".
8. Os israelitas fizeram o que Josué havia mandado: pegaram doze pedras do meio do Jordão, como Javé ordenara a Josué, segundo o número das tribos de Israel; e as levaram para o acampamento, e aí as colocaram.
9. Josué levantou doze pedras no meio do Jordão, no lugar onde haviam pisado os pés dos sacerdotes que levavam a arca da aliança. E elas estão aí até o dia de hoje.
10. Os sacerdotes que levavam a arca ficaram parados no meio do Jordão, até que se cumpriu tudo o que Javé mandara Josué dizer ao povo, conforme tudo o que Moisés tinha ordenado a Josué. E o povo se apressou em atravessar.
11. Quando todos acabaram de atravessar, atravessou também a arca de Javé, e os sacerdotes se colocaram diante do povo.
12. À frente dos israelitas atravessaram os rubenitas, os gaditas e a meia tribo de Manassés, em ordem de batalha, conforme Moisés lhes havia ordenado.
13. Cerca de quarenta mil homens de guerra, armados, atravessaram à frente de Javé para o combate, em direção à planície de Jericó.
14. Nesse dia, Javé engrandeceu a Josué diante de todo o Israel, para que o respeitassem, da mesma forma que haviam respeitado a Moisés enquanto viveu.
15. Javé disse, então, a Josué:
16. "Mande que os sacerdotes que levam a arca do testemunho subam do Jordão".
17. Josué ordenou aos sacerdotes: "Subam do Jordão".
18. Quando os sacerdotes, que levavam a arca da aliança de Javé, subiram do meio do Jordão, assim que a sola dos pés dos sacerdotes tocou a terra seca, as águas do Jordão voltaram para o lugar e correram como antes, cobrindo inteiramente as duas margens.
19. O povo atravessou o Jordão no dia dez do primeiro mês e acampou em Guilgal, no extremo leste de Jericó.
20. Josué colocou em Guilgal as doze pedras que haviam tirado do Jordão,
21. e disse aos israelitas: "Amanhã, quando os filhos de vocês perguntarem aos pais o que significam essas pedras,
22. vocês dirão a eles: 'Israel atravessou o Jordão a pé enxuto.
23. Javé seu Deus secou a água do Jordão diante de vocês, até que tivessem atravessado, da mesma forma como Javé seu Deus fez com o mar Vermelho, que ele secou diante de nós, até que tivéssemos atravessado.
24. Isso aconteceu para que todos os povos da terra saibam como é forte a mão de Javé, a fim de que vocês temam sempre a Javé seu Deus' ".

[Josué 5]Josué 5

OS PODEROSOS TÊM MEDO DE UM POVO LIVRE
1. Todos os reis dos amorreus que se encontram no oeste, na Cisjordânia, e todos os reis dos cananeus que habitavam junto ao mar, souberam que Javé tinha secado as águas do Jordão diante dos israelitas até que tivessem atravessado. Ficaram desencorajados, e ninguém mais conseguia respirar diante dos israelitas.

COMPROMISSO COM O PROJETO DE JAVÉ
2. Nesse tempo Javé disse a Josué: "Fabrique facas de pedra e faça uma nova circuncisão dos israelitas".
3. Então Josué fez facas de pedra e circuncidou os israelitas na colina dos Prepúcios.
4. O motivo dessa circuncisão foi que todos os homens saídos do Egito, todos os guerreiros, tinham morrido no caminho do deserto, depois que saíram do Egito.
5. Todos os que tinham saído do Egito eram circuncidados, mas todos os que nasceram no caminho do deserto, depois da saída do Egito, não eram circuncidados.
6. Os israelitas tinham caminhado pelo deserto durante quarenta anos, até que desapareceu toda a geração de guerreiros que tinham saído do Egito e que não obedeceram a Javé. Javé lhes havia jurado que eles não veriam a terra que Javé tinha jurado dar a seus antepassados, uma terra onde corre leite e mel.
7. Javé, porém, deu descendentes para eles, e foi a estes que Josué circuncidou, pois estavam sem circuncisão, uma vez que não tinham sido circuncidados no caminho.
8. Quando terminaram de circuncidar a todos, ficaram no lugar do acampamento até se restabelecerem.
9. Então Javé disse a Josué: "Hoje eu tirei de vocês a vergonha do Egito". Por isso, deram a esse lugar o nome de Guilgal, até o dia de hoje.

ETAPA FINAL DA LIBERTAÇÃO
10. Os israelitas ficaram acampados em Guilgal e celebraram a Páscoa no dia catorze do mesmo mês, à tarde, na planície de Jericó.
11. A partir do dia seguinte à Páscoa, comeram dos produtos da terra; no mesmo dia, comeram pão sem fermento e trigo tostado.
12. No dia seguinte, quando começaram a comer os produtos da terra, o maná parou de cair. Não houve mais maná para os israelitas e, nesse ano, eles comeram dos frutos da terra de Canaã.

ENCONTRO COM JAVÉ
13. Estando perto de Jericó, Josué levantou os olhos e viu em pé diante de si um homem com a espada desembainhada na mão. Josué se aproximou dele e perguntou: "És a nosso favor ou a favor dos nossos inimigos?"
14. Ele respondeu: "Eu sou chefe do exército de Javé, e acabo de chegar". Então Josué prostrou-se com o rosto por terra e o adorou. A seguir perguntou: "O que diz o meu Senhor a seu servo?"
15. O chefe do exército de Javé respondeu: "Tire as sandálias dos pés, porque o lugar onde você está pisando é lugar sagrado". E Josué assim o fez.

[Josué 6]Josué 6

CELEBRAÇÃO DA PRIMEIRA VITÓRIA
1. Jericó estava fechada e bem trancada por causa dos israelitas. Ninguém saía e ninguém entrava.
2. Javé disse a Josué: "Veja! Eu estou entregando em sua mão a cidade de Jericó, junto com o rei e os soldados.
3. Vocês, todos os guerreiros, rodeiem a cidade, dando uma volta ao redor. Façam isso durante seis dias.
4. Sete sacerdotes levarão sete trombetas diante da arca; no sétimo dia dêem sete voltas em torno da cidade, e os sacerdotes tocarão as trombetas.
5. Quando for dado um toque longo e vocês ouvirem o toque da trombeta, todo o povo lançará o grito de guerra: as muralhas da cidade virão abaixo, e o povo a assaltará, cada um do seu lugar".
6. Josué, filho de Nun, convocou os sacerdotes e lhes deu esta ordem: "Levem a arca da aliança; sete sacerdotes levem também sete trombetas na frente da arca de Javé".
7. E em seguida disse ao povo: "Vão e rodeiem a cidade. Os guerreiros passem na frente da arca de Javé".
8. E foi feito como Josué havia ordenado ao povo. Sete sacerdotes com sete trombetas passaram à frente de Javé e começaram a tocar as trombetas. A arca da aliança de Javé ia atrás deles.
9. Os guerreiros iam na frente dos sacerdotes que tocavam as trombetas. O restante ia atrás da arca; todos marchavam ao som das trombetas.
10. Josué tinha ordenado ao povo: "Não lancem o grito de guerra. Fiquem em silêncio. Não digam uma só palavra até que eu mande vocês gritarem. Só então, vocês vão gritar".
11. A arca de Javé rodeou a cidade, dando uma volta. Depois voltaram ao acampamento, onde pernoitaram.
12. Josué levantou-se de madrugada, e os sacerdotes levaram a arca de Javé;
13. os sete sacerdotes que levavam as sete trombetas iam na frente da arca de Javé, tocando as trombetas. Os guerreiros iam na frente dos sacerdotes que tocavam as trombetas. O restante ia atrás da arca de Javé; todos marchavam ao som das trombetas.
14. No segundo dia, rodearam a cidade uma vez e depois voltaram para o acampamento. Fizeram isso durante seis dias.
15. No sétimo dia, ao romper da aurora, levantaram-se e rodearam a cidade sete vezes, do mesmo modo. Somente no sétimo dia rodearam a cidade sete vezes.
16. Na sétima volta, os sacerdotes tocaram as trombetas. Então Josué disse ao povo: "Gritem, porque Javé entregou a cidade para vocês.
17. A cidade, com tudo o que nela existe, será consagrada ao extermínio em honra de Javé. Só ficarão com vida a prostituta Raab e todos os que estiverem com ela na casa, pois ela escondeu os mensageiros que enviamos.
18. Quanto a vocês, cuidado com as coisas consagradas ao extermínio; não peguem aquilo que vocês consagraram ao extermínio. Isso faria o acampamento de Israel se tornar consagrado ao extermínio, trazendo uma desgraça.
19. Toda a prata, ouro, objetos de bronze e de ferro serão consagrados a Javé e destinados ao tesouro de Javé".
20. O povo lançou o grito e tocaram-se as trombetas. Ao ouvir o toque de trombeta, o povo deu um grande grito e a muralha da cidade veio abaixo. O povo entrou para a cidade, cada um do seu lugar, e tomou a cidade.
21. Consagraram ao extermínio tudo o que havia na cidade: homens e mulheres, jovens e velhos, vacas, ovelhas e burros; passaram tudo ao fio da espada.
22. Josué disse, então, aos dois homens que haviam espionado a terra: "Vão à casa da prostituta e a retirem daí, com tudo o que estiver com ela, conforme vocês lhe prometeram".
23. Os espiões foram e retiraram Raab, junto com o pai, a mãe, os irmãos e tudo o que ela possuía. Tiraram também todo o seu clã e o deixaram fora do acampamento de Israel.
24. Incendiaram a cidade e tudo o que nela havia. Quanto à prata, o ouro, os objetos de bronze e de ferro, levaram para o tesouro de Javé.
25. Josué conservou a vida da prostituta Raab, bem como a família de seu pai e tudo o que possuíam. Ela permanece no meio de Israel até o dia de hoje, por ter escondido os mensageiros que Josué tinha enviado para espionar Jericó.
26. Nesse tempo, Josué fez um juramento: "Seja maldito por Javé quem reconstruir esta cidade: os alicerces lhe custarão o primogênito e as portas lhe custarão o caçula".
27. Javé estava com Josué, e sua fama correu por toda a terra.

[Josué 7]Josué 7

A COBIÇA CORROMPE
1. Os israelitas cometeram um ato de infidelidade quanto às coisas consagradas ao extermínio: Acã, filho de Carmi, neto de Zabdi, bisneto de Zaré, da tribo de Judá, se apossou de coisas consagradas. E a ira de Javé se acendeu contra os israelitas.
2. De Jericó, Josué mandou alguns homens até Hai, que está perto de Bet-Áven, ao leste de Betel, e lhes ordenou: "Subam para espionar a terra". Os homens subiram e espionaram Hai.
3. Voltando a Josué, lhe disseram: "Não é preciso que todo o povo suba; bastam dois ou três mil homens para conquistar Hai. Não é necessário cansar todo o povo, porque eles são poucos".
4. Então foram para Hai cerca de três mil homens do povo, mas tiveram que fugir diante dos habitantes de Hai.
5. Os homens de Hai mataram trinta e seis deles e perseguiram os outros, desde a porta da cidade até Sabarim, derrotando-os na descida. O coração do povo se derreteu e ficou como água.
6. Então Josué rasgou as roupas e prostrou-se com o rosto por terra diante da arca de Javé até o entardecer. Junto com ele estavam os anciãos de Israel, jogando pó sobre suas cabeças.
7. Josué suplicou: "Ah! Senhor Javé, por que fizeste este povo atravessar o Jordão? Foi para nos entregar na mão dos amorreus e nos fazer perecer? Oxalá nos tivéssemos contentado em ficar no outro lado do Jordão!
8. Perdão, Senhor! O que vou dizer, depois que Israel virou as costas diante dos inimigos?
9. Os cananeus e todos os habitantes da terra vão ouvir isso, farão um cerco contra nós e apagarão o nosso nome da terra! E o que farás tu com teu grande nome?"
10. Javé respondeu a Josué: "Levante-se. O que é que você está fazendo aí com o rosto por terra?
11. Israel pecou; eles violaram a aliança que eu lhes ordenara: pegaram coisas consagradas ao extermínio, roubaram e esconderam, colocando-as entre as coisas deles.
12. Por isso os israelitas não poderão resistir aos inimigos: fugirão dos inimigos, porque se tornaram consagrados ao extermínio. Não ficarei mais no meio de vocês, se não fizerem desaparecer do meio de vocês o que foi consagrado ao extermínio.
13. Levante-se e purifique o povo, dizendo-lhes: "Santifiquem-se para amanhã, pois assim diz Javé, o Deus de Israel: Há uma coisa consagrada ao extermínio no meio de você, Israel! E vocês não poderão resistir aos inimigos, enquanto não eliminarem do meio de vocês as coisas consagradas ao extermínio.
14. Pela manhã, vocês se aproximarão por tribos: a tribo que Javé indicar por sorte se aproximará por clãs; o clã que Javé indicar por sorte se aproximará por famílias; a família que Javé indicar por sorte se aproximará por pessoas.
15. Quem for indicado por sorte como responsável pela coisa consagrada ao extermínio, será queimado com tudo o que possui, porque violou a aliança de Javé e cometeu uma infâmia em Israel".
16. Josué levantou-se de madrugada e fez Israel aproximar-se por tribos. E a sorte caiu sobre a tribo de Judá.
17. Fazendo os clãs de Judá se aproximar, a sorte caiu sobre o clã de Zaré; fazendo o clã de Zaré se aproximar por famílias, a sorte caiu sobre a família de Zabdi;
18. fazendo a família de Zabdi aproximar-se pessoa por pessoa, a sorte caiu sobre Acã, filho de Carmi, neto de Zabdi, bisneto de Zaré, da tribo de Judá.
19. Então Josué disse a Acã: "Meu filho, dê glória a Javé, Deus de Israel, e apresente-lhe a sua confissão. Conte-me o que foi que você fez, e não me esconda nada".
20. Acã respondeu a Josué: "É verdade. Eu pequei contra Javé, Deus de Israel, pois fiz o seguinte:
21. entre os despojos, vi uma capa babilônica muito bonita, duzentas moedas de prata e uma barra de ouro que pesava meio quilo; eu os cobicei e peguei. Estão escondidos no chão, no meio da minha tenda, com a prata por baixo".
22. Josué mandou alguns, que foram correndo à tenda, e tudo estava aí escondido, com a prata por baixo.
23. Pegaram então os objetos do meio da tenda e os levaram a Josué e a todos os israelitas, colocando-os diante de Javé.
24. Josué então pegou Acã, bisneto de Zaré, com a prata, a capa e a barra de ouro, bem como seus filhos e filhas, seus bois, jumentos e ovelhas, sua tenda e tudo o que possuía. Em companhia de todo o Israel, fez que subissem ao vale de Acor,
25. e Josué lhe disse: "Você nos desgraçou. Por isso, hoje mesmo Javé desgraçará você". Então todo o Israel apedrejou Acã. E depois de apedrejá-lo, o queimaram.
26. Em seguida, levantaram sobre ele um montão de pedras, que permanece até o dia de hoje. Foi assim que Javé aplacou o furor de sua ira. Por isso, esse lugar se chamava vale de Acor, até o dia de hoje.

[Josué 8]Josué 8

ESTRATÉGIA DA CONQUISTA
1. Javé disse a Josué: "Não tenha medo e não se acovarde. Leve com você todos os guerreiros. Levante-se, e suba contra Hai. Veja! Eu estou entregando em suas mãos o rei de Hai, junto com o povo, a cidade e as terras dele.
2. Faça com Hai e o seu rei como você fez com Jericó e o seu rei. Vocês poderão pegar para si os despojos e o gado. Preparem uma emboscada contra a cidade, por trás dela".
3. Josué e os guerreiros se prepararam para atacar Hai. Josué escolheu trinta mil guerreiros valentes e os enviou durante a noite,
4. ordenando: "Atenção! Preparem uma emboscada atrás da cidade; não se distanciem muito da cidade e fiquem de prontidão.
5. Eu e o meu pessoal nos aproximaremos da cidade, e quando eles saírem ao nosso encontro como da primeira vez, nós vamos fugir deles.
6. E eles vão nos perseguir; assim os atrairemos para longe da cidade, pois pensarão: 'Estão fugindo de nós como da primeira vez'.
7. Então vocês sairão da emboscada e se apossarão da cidade. Javé seu Deus entregará a cidade nas mãos de vocês.
8. Depois de tomar a cidade, vocês a incendiarão, agindo de acordo com a palavra de Javé. Vejam que isso é uma ordem!"
9. Josué os enviou e eles foram se colocar no lugar da emboscada, entre Betel e Hai, ao oeste de Hai. Entretanto, Josué passou a noite no meio do povo.
10. No dia seguinte, levantou-se de madrugada e passou revista ao povo. Depois, junto com os anciãos de Israel, subiu contra Hai, à frente do povo.
11. Todos os guerreiros que ficaram com ele subiram também e foram se aproximando bem na frente da cidade e acamparam ao norte de Hai. Entre eles e Hai havia um vale.
12. Josué havia tomado cerca de cinco mil homens e os colocara de emboscada entre Betel e Hai, ao oeste da cidade.
13. O povo ficou no acampamento maior ao norte da cidade, e a emboscada ao oeste da cidade. Nessa noite, Josué foi até o meio do vale.
14. Quando o rei de Hai viu isso, ele e todo o povo da cidade se levantaram depressa e saíram para ir ao encontro de Israel e dar combate na descida, diante do deserto; o rei, porém, não sabia que havia uma emboscada contra ele, atrás da cidade.
15. Josué e todo o Israel, fingindo-se derrotados, fugiram pelo caminho do deserto.
16. Todo o povo da cidade saiu gritando e perseguindo os israelitas. Ao perseguir Josué, eles se afastaram da cidade.
17. Em Hai não ficou um homem sequer; todos saíram perseguindo Israel; e ao perseguir Israel, deixaram a cidade aberta.
18. Então Javé disse a Josué: "Estenda contra Hai a lança que você tem na mão, pois eu vou entregar a você essa cidade". E Josué estendeu contra a cidade a lança que tinha na mão.
19. Quando ele estendeu a mão, os que estavam na emboscada saíram correndo do seu lugar, entraram na cidade, a tomaram e a incendiaram rapidamente.
20. Os homens de Hai viraram para trás e viram a fumaça da cidade subindo ao céu. Ninguém deles sabia para que lado escapar, pois o povo que fugia para o deserto voltou para atacar os perseguidores.
21. Vendo que os homens da emboscada tinham tomado a cidade, pois da cidade a fumaça subia, Josué e todo o Israel voltaram e atacaram os homens de Hai.
22. Os outros que estavam na cidade saíram, fazendo os homens de Hai ficar encurralados entre os israelitas, que os derrotaram, a ponto de não sobrar nenhum sobrevivente ou fugitivo.
23. O rei de Hai foi capturado vivo e levado a Josué.
24. Quando Israel terminou de matar todos os habitantes de Hai no campo, no deserto onde eles os haviam perseguido, e depois que todos eles caíram ao fio da espada, os israelitas voltaram para Hai e passaram ao fio da espada toda a população.
25. O total dos que caíram nesse dia, entre homens e mulheres, foi de doze mil, isto é, toda a população de Hai.
26. Josué não retirou a mão com que havia estendido a lança, enquanto não foram eliminados todos os habitantes de Hai.
27. Entretanto, Israel tomou como saque o gado e os despojos dessa cidade, como Javé havia ordenado a Josué.
28. Josué incendiou Hai e a reduziu para sempre a um monte de ruínas, que permanece até o dia de hoje.
29. Quanto ao rei de Hai, mandou pendurá-lo numa árvore até o entardecer. Ao pôr-do-sol, Josué mandou que descessem da árvore o cadáver. E jogaram o cadáver à porta da cidade e levantaram sobre ele um montão de pedras, que permanece até o dia de hoje.

O CULTO E A CONSTITUIÇÃO DA NOVA SOCIEDADE
30. Josué construiu, então, para Javé, Deus de Israel, um altar no monte Ebal,
31. conforme Moisés, servo de Javé, havia ordenado aos israelitas, segundo o que está escrito no livro da Lei de Moisés: um altar de pedras brutas, sobre as quais nenhum instrumento de ferro tenha sido passado. E sobre ele ofereceram holocaustos a Javé e apresentaram sacrifícios de comunhão.
32. Josué escreveu sobre as pedras uma cópia da Lei que Moisés havia escrito diante dos israelitas.
33. Todo o Israel, com os anciãos, os oficiais e os juízes, estava de ambos os lados da arca, diante dos sacerdotes levitas, que carregavam a arca da aliança de Javé. E estavam juntos, tanto imigrantes como nativos: metade deles diante do monte Garizim, e a outra metade diante do monte Ebal, conforme tinha ordenado Moisés, servo de Javé, quando abençoou o povo de Israel pela primeira vez.
34. A seguir, Josué leu todas as palavras da Lei, as bênçãos e maldições, conforme tudo o que está escrito no livro da Lei.
35. Josué não omitiu nenhuma palavra que Moisés tinha ordenado; leu tudo para a assembléia de Israel, inclusive para as mulheres, crianças e imigrantes que viviam com eles.

[Josué 9]Josué 9

LUTA E OPOSIÇÃO
1. Ouvindo essas notícias, todos os reis da Cisjordânia, da região montanhosa, da planície e de toda a costa do mar Mediterrâneo, até o Líbano, tanto heteus, como amorreus, cananeus, ferezeus, heveus e jebuseus,
2. se aliaram de comum acordo para combater contra Josué e Israel.

ALIADOS ESTRATÉGICOS
3. Os habitantes de Gabaon, ouvindo o que Josué tinha feito com Jericó e Hai,
4. usaram um estratagema: juntaram provisões, carregaram os jumentos com sacos velhos e odres de vinho velhos, rasgados e consertados;
5. calçaram os pés com sandálias velhas remendadas, vestiram-se com roupas velhas, e o pão que levavam para comer era seco e esmigalhado.
6. Foram, então, encontrar Josué no acampamento em Guilgal, e disseram a Josué e aos israelitas: "Estamos chegando de uma terra distante. Façam aliança conosco".
7. Os israelitas responderam a esses heveus: "Certamente vocês vivem aqui perto. Como podemos fazer aliança com vocês?!"
8. Eles responderam a Josué: "Somos seus servos". Josué insistiu: "Quem são vocês e de onde estão vindo?"
9. Eles responderam: "Seus servos vêm de uma terra muito distante, por causa do nome de Javé seu Deus, pois ouvimos falar da fama dele e de tudo o que realizou no Egito.
10. Sabemos de tudo o que ele fez aos dois reis amorreus da Transjordânia: a Seon, rei de Hesebon, e a Og, rei de Basã, em Astarot.
11. Nossos anciãos e o povo da nossa terra nos aconselharam: 'Peguem provisões para o caminho e vão ao encontro deles, e façam a proposta de se tornarem servos deles'. Portanto, façam aliança conosco.
12. Vejam o nosso pão: estava quente quando o pegamos em nossas casas, no dia em que partimos para vir até vocês; e agora aqui está ele, seco e esmigalhado.
13. Estes odres de vinho eram novos quando os enchemos; e agora aqui estão, todos rasgados. Nossas roupas e sandálias estão gastas por causa do longo caminho que fizemos".
14. Os oficiais de Josué experimentaram as provisões, mas não consultaram Javé.
15. Josué os tratou pacificamente e fez aliança com eles, comprometendo-se a respeitar-lhes a vida. Os responsáveis pela comunidade também prestaram um juramento a eles.
16. Três dias depois de terem feito aliança com eles, ficaram sabendo que eram seus vizinhos e que viviam aí perto,
17. pois os israelitas partiram e chegaram três dias depois às cidades deles: Gabaon, Cafira, Berot e Cariat-Iarim.
18. Os israelitas não os atacaram, porque os responsáveis pela comunidade lhes haviam feito um juramento por Javé, Deus de Israel. Por isso, toda a comunidade murmurou contra os responsáveis.
19. Então os responsáveis explicaram à comunidade: "Nós fizemos a eles um juramento por Javé, Deus de Israel, e por isso agora não podemos tratá-los mal.
20. Vamos fazer o seguinte: respeitaremos a vida deles, para que não nos aconteça um castigo, por causa do juramento que já fizemos a eles".
21. Os responsáveis então decidiram: "Eles ficarão vivos, mas se tornarão rachadores de lenha e carregadores de água para toda a comunidade". Todos concordaram com a proposta dos responsáveis.
22. Então Josué mandou chamar os gabaonitas e lhes disse: "Por que vocês nos enganaram, dizendo que vinham de longe, quando na verdade moram perto de nós?
23. Pois bem! Daqui para frente vocês serão malditos. Não deixarão de ser escravos, rachando lenha e carregando água para a casa de meu Deus".
24. Eles responderam a Josué: "Nós, seus servos, fomos informados de que Javé seu Deus tinha garantido a Moisés, seu servo, que entregaria a vocês toda a terra e exterminaria, diante de vocês, todos os habitantes. Nós tememos muito pela nossa vida, e por isso agimos assim.
25. Agora estamos em suas mãos: trate-nos conforme lhe parecer melhor e justo".
26. E Josué tratou-os como havia combinado, livrando-os da mão dos israelitas, que não os mataram.
27. Nesse dia, Josué os colocou como rachadores de lenha e carregadores de água a serviço da comunidade e do altar de Javé, no lugar escolhido por Javé, até o dia de hoje.

[Josué 10]Josué 10

REAÇÃO DOS PODEROSOS
1. Adonisedec, rei de Jerusalém, soube que Josué havia tomado Hai e a consagrara ao extermínio; que havia tratado Hai e seu rei como fizera com Jericó e seu rei; e que os habitantes de Gabaon tinham feito aliança com Israel e viviam no meio dos israelitas.
2. Adonisedec ficou apavorado, pois Gabaon era uma cidade grande, como as cidades reais; era uma cidade maior do que Hai, e seus guerreiros eram todos valentes.
3. Então Adonisedec, rei de Jerusalém, enviou mensageiros a Hoam, rei de Hebron; a Faram, rei de Jarmut; a Jáfia, rei de Laquis; e a Dabir, rei de Eglon:
4. "Subam até aqui e me ajudem! Precisamos derrotar Gabaon, porque essa cidade fez aliança com Josué e os israelitas".
5. Os cinco reis amorreus - os reis de Jerusalém, de Hebron, de Jarmut, de Laquis e de Eglon - se reuniram, subiram com seus exércitos, cercaram e atacaram Gabaon.
6. Os gabaonitas mandaram dizer a Josué, no acampamento de Guilgal: "Não abandone seus servos; venham depressa até aqui para nos salvar. Ajude-nos, pois todos os reis amorreus que habitam na serra se reuniram contra nós".
7. Então Josué subiu de Guilgal, levando todo o pessoal de guerra e todos os guerreiros valentes.
8. Javé disse a Josué: "Não tenha medo deles, que eu os entregarei em suas mãos, e nenhum deles conseguirá opor resistência a você".
9. Josué partiu de Guilgal e, depois de ter marchado a noite toda, atacou de surpresa os reis.
10. Javé dispersou os inimigos diante de Israel, causando-lhes uma grande derrota em Gabaon; e os perseguiu até o caminho da subida de Bet-Horon, derrotando-os até Azeca e Maceda.
11. Enquanto eles estavam fugindo diante de Israel, na descida de Bet-Horon, Javé mandou do céu uma forte chuva de pedras grandes, que matou os inimigos até Azeca. Morreu mais gente por causa da chuva de pedras do que pela espada dos israelitas.
12. No dia em que Javé entregou os amorreus aos israelitas, Josué falou a Javé e disse na presença de Israel: "Sol, detenha-se em Gabaon! E você, lua, no vale de Aialon!"
13. E o sol se deteve e a lua ficou parada, até que o povo se vingou dos inimigos. No Livro do Justo está escrito assim: "O sol ficou parado no meio do céu e um dia inteiro ficou sem ocaso.
14. Nem antes, nem depois houve um dia como esse, quando Javé obedeceu à voz de um homem. É porque Javé lutava a favor de Israel".
15. Depois Josué voltou, com todo o Israel, para o acampamento de Guilgal.
16. Os cinco reis amorreus fugiram e se esconderam na caverna de Maceda.
17. Informaram então a Josué que os cinco reis estavam escondidos na caverna de Maceda.
18. Josué disse: "Rolem pedras grandes à entrada da caverna e coloquem guardas aí.
19. Vocês, porém, não parem: persigam os inimigos, cortem a retaguarda e não os deixem entrar nas cidades deles, pois Javé, o Deus de vocês, os entregou em suas mãos".
20. Quando Josué e os israelitas acabaram de derrotar os inimigos, exterminando-os, aqueles que conseguiram escapar vivos entraram nas cidades fortificadas.
21. Todo o povo voltou são e salvo para o acampamento de Josué, em Maceda. E ninguém abriu a boca contra Israel.
22. Então Josué disse: "Abram a entrada da caverna, tirem de lá os cinco reis e os tragam aqui".
23. Foram e levaram da caverna os cinco reis: os reis de Jerusalém, de Hebron, de Jarmut, de Laquis e de Eglon.
24. Quando levaram esses reis, Josué convocou todos os homens de Israel e disse aos comandantes que o haviam acompanhado: "Venham aqui e coloquem o pé sobre o pescoço de cada um desses reis". Eles se aproximaram e puseram o pé sobre o pescoço dos reis.
25. Josué disse: "Não tenham medo, nem se acovardem. Sejam fortes e corajosos, porque Javé tratará da mesma forma a todos os inimigos, contra os quais vocês terão que lutar".
26. Em seguida, Josué matou os reis e mandou suspendê-los em cinco árvores, onde eles ficaram suspensos até o entardecer.
27. Ao pôr-do-sol, Josué mandou que fossem tirados das árvores e jogados na caverna onde haviam se escondido. Colocaram pedras grandes à entrada da caverna, as quais permanecem aí até o dia de hoje.

A CONQUISTA DO SUL
28. Nesse mesmo dia, Josué tomou Maceda, passou os habitantes ao fio da espada, consagrando ao extermínio o rei e todas as pessoas que nela se encontravam. Não deixou nenhum sobrevivente e tratou o rei de Maceda como havia tratado o rei de Jericó.
29. Então Josué passou, com todo o Israel, de Maceda para Lebna, e começou o combate contra Lebna.
30. Javé entregou também Lebna nas mãos de Israel, que passou ao fio da espada o rei e todos os que viviam na cidade. Não deixou nenhum sobrevivente, e tratou o rei como havia tratado ao rei de Jericó.
31. Então Josué passou, com todo o Israel, de Lebna para Laquis. Acampou em frente e começou a combatê-la.
32. Javé entregou Laquis na mão de Israel que, no dia seguinte, tomou a cidade e passou ao fio da espada todas as pessoas que aí viviam, da mesma forma como já havia feito com Lebna.
33. Horam, rei de Gazer, subiu para socorrer Laquis, mas Josué o derrotou juntamente com seu exército, sem lhe deixar nenhum sobrevivente.
34. Então Josué passou, com todo o Israel, de Laquis para Eglon. Acampou em frente e começou a combatê-la.
35. Nesse mesmo dia, tomaram a cidade e passaram ao fio da espada os habitantes, consagrando ao extermínio todas as pessoas que nela viviam, conforme tudo o que já haviam feito a Laquis.
36. Depois Josué subiu, com todo o Israel, de Eglon para Hebron e começou a combatê-la.
37. Tomaram a cidade e passaram ao fio da espada seu rei, e também toda a sua população e as cidades dependentes. Não ficou nenhum sobrevivente, conforme o que já haviam feito com Eglon. Consagraram a cidade ao extermínio, juntamente com todas as pessoas que nela viviam.
38. Em seguida, Josué voltou, com todo o Israel, para Dabir, e começou a combatê-la.
39. Tomou a cidade, bem como seu rei e todas as cidades dependentes; passaram a população ao fio da espada, consagrando ao extermínio todas as pessoas que nela viviam. Não ficou nenhum sobrevivente. Josué tratou Dabir e seu rei da mesma forma como havia feito a Hebron, a Lebna e a seus reis.
40. Desse modo, Josué conquistou toda a região montanhosa, o Negueb, a planície e as descidas das águas, juntamente com seus reis. Não deixou nenhum sobrevivente, mas consagrou ao extermínio todo ser vivo, como Javé, o Deus de Israel, havia ordenado.
41. Josué conquistou desde Cades Barne até Gaza e toda a terra de Gósen até Gabaon.
42. Josué tomou todos esses reis e seus territórios de uma só vez, porque Javé, Deus de Israel, combatia em favor de Israel.
43. E Josué voltou, com todo o Israel, para o acampamento em Guilgal.

[Josué 11]Josué 11

A TERRA FICOU EM PAZ
1. Jabin, rei de Hasor, ficou sabendo dessas coisas e mandou mensageiros a Jobab, rei de Merom; ao rei de Semeron; ao rei de Acsaf;
2. aos reis que estavam na região montanhosa do norte e na planície ao sul de Quineret, nas planícies e nos planaltos de Dor, junto ao mar;
3. e aos cananeus do oriente e do ocidente; aos amorreus, heteus, ferezeus, jebuseus da serra e heveus aos pés do Hermon, na terra de Masfa.
4. Eles saíram com suas tropas, um exército tão numeroso como a areia da praia, com muitíssimos cavalos e carros.
5. Todos esses reis se aliaram e foram juntos acampar perto do riacho Merom, para lutar contra Israel.
6. Javé disse a Josué: "Não tenha medo deles, pois amanhã, a esta hora, eu os entregarei todos mortos na frente de Israel. Corte os tendões dos cavalos e queime os carros".
7. Josué e seu pessoal de guerra foram contra eles no riacho Merom e caíram sobre eles de surpresa.
8. Javé os entregou nas mãos de Israel, que os derrotou e perseguiu até a grande Sidônia, até Maserefot, no oeste, e até o vale de Masfa, no leste. Os israelitas os derrotaram, a ponto de não deixar um único sobrevivente.
9. Josué os tratou como Javé lhe havia ordenado: cortou os tendões dos cavalos e queimou os carros.
10. Nesse mesmo tempo, Josué voltou, tomou Hasor e matou o rei ao fio de espada. Hasor era antes a capital de todos esses reinos.
11. Passaram também ao fio da espada todas as pessoas que nela viviam, consagrando-as ao extermínio; não deixou ficar um único ser vivo, e incendiou Hasor.
12. Josué tomou todas essas cidades e seus reis e os passou ao fio da espada, consagrando-os ao extermínio, conforme Moisés, servo de Javé, havia ordenado.
13. Israel, porém, não incendiou as cidades que estavam sobre as colinas; a única exceção foi Hasor, incendiada por Josué.
14. Os israelitas saquearam os despojos e o gado dessas cidades, mas passaram todas as pessoas ao fio da espada, não deixando nenhum sobrevivente.
15. O que Javé tinha ordenado a Moisés, seu servo, também Moisés ordenou a Josué, e Josué cumpriu: não deixou de realizar nada do que Javé tinha ordenado a Moisés.
16. Desse modo, Josué tomou essa terra toda: a região montanhosa, o Negueb, toda a terra de Gósen, a planície, a Arabá, a serra de Israel e sua planície,
17. desde o monte Pelado, que sobe na direção de Seir, até Baal-Gad, no vale do Líbano, ao pé do monte Hermon. Também prendeu todos os seus reis e os matou.
18. Josué esteve muito tempo guerreando contra todos esses reis.
19. Com exceção dos heveus que habitavam em Gabaon, nenhuma cidade fez as pazes com os israelitas, que conquistaram todas a custo de guerra.
20. De fato, Javé tinha endurecido o coração desses reis, para guerrearem contra Israel, a fim de que fossem exterminados sem piedade e completamente destruídos, como Javé tinha ordenado a Moisés.
21. Nesse tempo, Josué eliminou os enacim da região montanhosa de Hebron, de Dabir, de Anab, de toda a serra de Judá e de toda a serra de Israel. Josué os consagrou ao extermínio junto com suas cidades.
22. Nenhum dos enacim restou na terra de Israel; só ficaram alguns em Gaza, Gat e Azoto.
23. Josué se apoderou de toda a terra, como Javé tinha prometido a Moisés. E Josué entregou a terra como herança aos israelitas, repartindo-a em lotes, segundo as tribos. E a terra ficou em paz, sem guerra.

[Josué 12]Josué 12

REIS DERROTADOS
1. São estes os reis da terra que os israelitas derrotaram e de cuja terra tomaram posse na Transjordânia, do lado leste, desde o ribeiro Arnon até ao monte Hermon, bem como toda a Arabá no lado oriental:
2. Seon, rei dos amorreus, que habitava em Hesebon e dominava desde Aroer, que está à beira do vale do Arnon, e desde o meio do vale e a metade de Galaad até o rio Jaboc, fronteira dos amonitas;
3. desde a Arabá até o mar de Genesaré para o oriente, e até ao mar de Arabá, o mar Morto, para o oriente, no caminho de Bet-Jesimot, e ao sul, abaixo das encostas do Fasga.
4. Em seguida o território de Og, rei de Basã, um dos últimos dos rafaim, que habitava em Astarot e Edrai,
5. e dominava o monte Hermon, Saleca e todo o Basã até às fronteiras dos gessuritas e dos maacatitas, bem como a metade de Galaad, fronteira de Seon, rei de Hesebon.
6. Moisés, servo de Javé, e os israelitas os derrotaram. E Moisés, servo de Javé, deu as terras deles como propriedade aos rubenitas, aos gaditas e à meia tribo de Manassés.
7. São estes os reis da terra que Josué e os israelitas derrotaram na Cisjordânia, no oeste, desde Baal-Gad, no vale do Líbano, até ao monte Pelado, que sobe para Seir, cujas terras Josué entregou como propriedade às tribos de Israel, repartindo-as em lotes,
8. na região montanhosa e na planície, na Arabá e nas encostas, no deserto e no Negueb, onde estavam os heteus, amorreus, cananeus, ferezeus, heveus e jebuseus:
9. Rei de Jericó, um. Rei de Hai, que está junto de Betel, um.
10. Rei de Jerusalém, um. Rei de Hebron, um.
11. Rei de Jarmut, um. Rei de Laquis, um.
12. Rei de Eglon, um. Rei de Gazer, um.
13. Rei de Dabir, um. Rei de Gader, um.
14. Rei de Horma, um. Rei de Arad, um.
15. Rei de Lebna, um. Rei de Odolam, um.
16. Rei de Maceda, um. Rei de Betel, um.
17. Rei de Tafua, um. Rei de Ofer, um.
18. Rei de Afec, um. Rei de Saron, um.
19. Rei de Merom, um. Rei de Hasor, um.
20. Rei de Semeron Meron, um. Rei de Acsaf, um.
21. Rei de Tanac, um. Rei de Meguido, um.
22. Rei de Cedes, um. Rei de Jecnaam do Carmelo, um.
23. Rei de Dor, na região de Dor, um. Rei de Goim, em Guilgal, um.
24. Rei de Tersa, um. Ao todo, trinta e um reis.

[Josué 13]Josué 13
II. PARTILHA DA TERRA

AINDA HÁ MUITO QUE FAZER
1. Josué envelheceu e estava com idade avançada, quando Javé lhe disse: "Você está velho e com idade avançada, e ainda ficou muitíssima terra por conquistar.
2. Eis a terra que ainda ficou: Todas as regiões dos filisteus e toda Gessur,
3. desde Sior, que está frente ao Egito, até o território de Acaron, ao norte, que é considerado como pertencente aos cananeus. Cinco principados filisteus: de Gaza, de Azoto, de Ascalon, de Gat, e de Acaron. E ainda há os aveus
4. do sul. Toda a terra dos cananeus e Maara, que pertence aos sidônios, até Afeca, até a fronteira dos amorreus.
5. E ainda a terra dos habitantes de Biblos, e todo o Líbano oriental, desde Baal-Gad, aos pés do monte Hermon, até a entrada de Emat.
6. E todos os que habitam na região montanhosa, desde o Líbano até Maserefot no oeste. E todos os sidônios. Eu os expulsarei da frente dos israelitas. Você deve repartir a terra como herança a Israel, conforme lhe ordenei.
7. Agora, portanto, reparta esta terra, para que seja a herança das nove tribos e da meia tribo de Manassés".

TRIBOS DA TRANSJORDÂNIA
8. Com a outra meia tribo de Manassés, os rubenitas e os gaditas já haviam recebido sua herança na Transjordânia, ao leste, como já lhes havia dado Moisés, servo de Javé:
9. de Aroer, que está na borda do vale do Arnon, junto com a cidade que está no meio do vale; todo o planalto de Madaba até Dibon;
10. e todas as cidades de Seon, rei dos amorreus que reinava em Hesebon, até à fronteira dos amonitas;
11. e ainda Galaad e o território dos gessuritas e dos maacatitas, como também todo o monte Hermon e todo o Basã até Saleca;
12. e todo o reino de Og em Basã, que reinava em Astarot e Edrai, que ficara do resto dos rafaim, que Moisés havia derrotado e expulsado.
13. Os israelitas, porém, não puderam expulsar os gessuritas e maacatitas. Por isso Gessur e Maacat continuaram a habitar no meio de Israel até ao dia de hoje.
14. Apenas à tribo de Levi é que Moisés não deu nenhuma herança: a herança dela são as ofertas feitas a Javé, Deus de Israel, como já lhe havia dito.

TRIBO DE RÚBEN
15. Moisés deu uma parte à tribo dos rubenitas, conforme seus clãs.
16. Seu território vai desde Aroer, que está na borda do vale do Arnon, junto com a cidade que está no meio do vale, e todo o planalto de Medaba;
17. Hesebon e todas as cidades que estão no planalto: Dibon, Bamot-Baal, Bet-Baal-Meon,
18. Jasa, Cedimot, Mefaat,
19. Cariataim, Sábama, Sarat-Asaar na serra de Arabá,
20. Bet-Fegor; as encostas do Fasga; Bet-Jesimot;
21. todas as cidades do planalto e todo o reino de Seon, rei dos amorreus, que reinava em Hesebon, a quem Moisés derrotou, derrotando também aos príncipes de Madiã, Evi, Recém, Sur, Hur e Rebe, vassalos de Seon, que habitavam na terra.
22. Quanto ao adivinho Balaão, filho de Beor, os israelitas o mataram à espada junto com os demais.
23. A fronteira dos rubenitas é o Jordão com imediações. Esta é a herança dos rubenitas, conforme seus clãs: as cidades com suas aldeias.

TRIBO DE GAD
24. Moisés deu uma parte à tribo de Gad, aos gaditas, conforme seus clãs.
25. Seu território é Jazer, todas as cidades de Galaad, a metade da terra dos amonitas, até Aroer, que está defronte de Rabá;
26. desde Hesebon até Ramot-Masfa e Betonim, desde Maanaim até o território de Lo-Dabar;
27. e, no vale, Bet-Aram, Bet-Nemra, Sucot e Safon, o resto do reino de Seon, rei de Hesebon, com o Jordão e imediações, até à extremidade do mar de Genesaré, na Transjordânia, ao leste.
28. Essa é a herança dos gaditas, conforme seus clãs: as cidades com suas aldeias.

MEIA TRIBO DE MANASSÉS
29. Moisés deu uma parte à meia tribo de Manassés, conforme seus clãs.
30. Seu território vai desde Maanaim, todo o Basã, todo o reino de Og, rei de Basã, e todas as aldeias de Jair que estão em Basã: cerca de sessenta cidades;
31. a metade de Galaad, Astarot e Edrai, cidades do reino de Og em Basã, ficou para os descendentes de Maquir, filho de Manassés, isto é, para a metade dos maquiritas, conforme seus clãs.
32. Foi essa a herança que Moisés repartiu nas estepes de Moab, na Transjordânia, ao leste de Jericó.
33. À tribo de Levi, porém, Moisés não deu nenhuma herança, porque Javé, Deus de Israel, é herança dela, como já lhes havia dito.

[Josué 14]Josué 14

TRIBOS AO OESTE DO JORDÃO
1. Eis o que os israelitas herdaram na terra de Canaã, o que o sacerdote Eleazar, Josué filho de Nun, e os chefes de família das tribos dos israelitas lhes deram como herança.
2. A herança foi dada por sorte, como Javé ordenara por meio de Moisés, para as nove tribos e a meia tribo,
3. uma vez que Moisés já havia dado na Transjordânia uma herança às duas tribos e à meia tribo. Aos levitas, porém, não deu nenhuma herança no meio dos outros.
4. Os descendentes de José, de fato, formavam duas tribos: Manassés e Efraim. E aos levitas não foi dada uma parte na terra, mas apenas cidades para habitarem, com os arredores para seus rebanhos e bens.
5. Os israelitas agiram como Javé ordenara a Moisés, e repartiram a terra.

A PARTE DE CALEB
6. Os descendentes de Judá foram ao encontro de Josué em Guilgal. Então Caleb, filho de Jefoné, o cenezeu, lhe disse: "Você sabe o que Javé falou a Moisés, homem de Deus, em Cades Barne, a respeito de mim e de você.
7. Eu tinha quarenta anos quando Moisés, servo de Javé, me enviou de Cades Barne para explorar a terra, e eu lhe fiz um relatório merecedor de fé.
8. Meus irmãos que haviam subido comigo desanimaram o povo. Eu, porém, segui fielmente a Javé meu Deus.
9. E nesse dia Moisés prometeu: 'A terra onde pisou o seu pé pertencerá a você e a seus filhos, como herança para sempre, porque você seguiu fielmente a Javé meu Deus'.
10. Pois bem, Javé me conservou vivo, conforme prometera. Quarenta e cinco anos se passaram desde que Javé falou isso a Moisés, quando Israel andava pelo deserto. Eis que agora eu tenho oitenta e cinco anos.
11. Hoje ainda estou forte, como no dia em que Moisés me enviou: sinto-me agora tão forte como naquela ocasião, para ir e voltar da guerra.
12. Dê-me, portanto, esta montanha, da qual Javé falou naquele dia; pois naquele dia você ouviu que aí estavam os enacim e grandes cidades fortificadas. Tomara que Javé esteja comigo, e eu consiga expulsá-los, como Javé prometeu".
13. Josué abençoou Caleb, filho de Jefoné, e lhe deu Hebron como herança.
14. É por isso que Hebron pertence a Caleb, filho de Jefoné, o cenezeu, até ao dia de hoje, visto que ele seguiu fielmente a Javé, Deus de Israel.
15. Outrora o nome de Hebron era Cariat-Arbe. Arbe tinha sido o maior homem dentre os enacim. E a terra ficou em paz, sem guerra.

[Josué 15]Josué 15

TRIBO DE JUDÁ
1. A porção que tocou à tribo dos descendentes de Judá, conforme seus clãs, estende-se até à fronteira de Edom, ao sul do deserto de Sin, no extremo sul.
2. Sua fronteira sul vai desde o mar Morto, desde a língua de terra que olha para o sul,
3. e se prolonga para o sul da subida dos Escorpiões, passa por Sin e sobe ao sul de Cades Barne; passa por Hesron, sobe a Adar e rodeia Carca;
4. depois corre por Asemona, prolonga-se até o rio do Egito, terminando no mar. "Esta será a fronteira sul de vocês".
5. Sua fronteira no lado oriental é o mar Morto até à foz do Jordão. Do lado norte, a fronteira vai desde a língua de mar que há na foz do Jordão,
6. sobe depois a Bet-Hogla, passa ao norte de Bet-Arabá e sobe até à Pedra de Boen, filho de Rúben,
7. essa fronteira sobe ainda até Dabir, desde o vale de Acor, olhando para o norte, rumo a Guilgal, que está em frente à encosta de Adomim, ao sul do riacho; daí, a fronteira passa junto das águas de En-Sames, para terminar na direção de En-Roguel;
8. deste ponto, sobe pelo vale de Ben-Enom, pelo flanco sul dos jebuseus - isto é, Jerusalém e sobe até ao topo do monte que está diante do vale de Enom, no oeste, na extremidade do vale dos rafaim, ao norte;
9. a fronteira dobra depois, desde o topo do monte até à fonte das águas de Neftoa, prolonga-se até às cidades do monte Efron e vira na direção de Baala, isto é, Cariat-Iarim.
10. De Baala, a fronteira volta-se para o oeste até o monte Seir; passa ao lado do monte de Jearim ao norte, isto é, Queslon; depois, descendo a Bet-Sames, passa por Tamna.
11. A fronteira segue ainda ao lado de Acaron para o norte e, indo a Secron, passa o monte de Baala, saindo de Jebneel, terminando no mar.
12. O limite oeste era o Grande Mar e imediações. Esse é, de todos os lados, o território dos descendentes de Judá, conforme seus clãs.

OS CALEBITAS OCUPAM HEBRON
13. Para Caleb, filho de Jefoné, Josué deu uma parte no meio dos descendentes de Judá, como Javé lhe ordenara, isto é, Cariat-Arbe, que é Hebron. Arbe era o pai de Enac.
14. Caleb expulsou daí os três filhos de Enac: Sesai, Aimã e Tolmai, descendentes de Enac.
15. Daí subiu contra os habitantes de Dabir, outrora chamada Cariat-Séfer.
16. Disse Caleb: "A quem derrotar Cariat-Séfer e a capturar, darei minha filha Acsa por mulher".
17. E quem a tomou foi Otoniel, filho de Cenez, parente de Caleb; este lhe deu a filha Acsa por mulher.
18. Ora, desde que esta chegou, Otoniel insistiu com ela que pedisse ao pai um campo. Então ela apeou do jumento, e Caleb lhe perguntou: "O que você quer?"
19. Ela respondeu: "Dê-me um presente. Você me deu terra seca. Dê-me também fontes de água". Então ele deu para ela as fontes de cima e as fontes de baixo.
20. Essa é a herança da tribo dos descendentes de Judá, conforme seus clãs.

LUGARES OCUPADOS POR JUDÁ
21. As cidades dos descendentes de Judá no extremo sul, rumo à fronteira de Edom, no Negueb, são estas: Cabseel, Arad, Jagur,
22. Cina, Dimona, Aroer,
23. Cades, Hasor-Jetnã,
24. Zif, Telém, Balot,
25. Hasor-Adata, Cariot-Hesron que é Hasor -,
26. Amam, Sama, Molada,
27. Haser-Gada, Hasemon, Bet-Félet,
28. Hasor-Sual, Bersabéia com suas imediações,
29. Baala, Jim, Esem,
30. Eltolad, Cesil, Horma,
31. Siceleg, Madmana, Sensena,
32. Lebaot, Selim, Ain e Remon: ao todo, vinte e nove cidades com suas aldeias.
33. E na Planície: Estaol, Saraá, Asena,
34. Zanoe, En-Ganim, Tafua, Enaim,
35. Jarmut, Odolam, Soco, Azeca,
36. Saraim, Aditaim, Gedera e Gederotaim: catorze cidades com suas aldeias.
37. Sanã, Hadasa, Magdol-Gad,
38. Deleã, Masfa, Jecetel,
39. Laquis, Bascat, Eglon,
40. Quebon, Leemas, Cetlis,
41. Gederot, Bet-Dagon, Naama e Maceda: dezesseis cidades com suas aldeias.
42. Lebna, Eter, Asã,
43. Jefta, Esna, Nesib,
44. Ceila, Aczib e Maresa: nove cidades com suas aldeias.
45. Acaron, com suas vilas e aldeias;
46. e desde Acaron até ao mar, todas as que estão no lado de Azoto, com suas aldeias.
47. Azoto com suas vilas e aldeias; Gaza com suas vilas e aldeias até ao rio do Egito e o Grande Mar com suas imediações.
48. E na serra: Saamir, Jeter, Soco,
49. Dana, Cariat-Séfer, que é Dabir,
50. Anab, Estemo, Anim,
51. Gósen, Holon e Gilo: onze cidades com suas aldeias.
52. Arab, Duma, Esaã,
53. Janum, Bet-Tafua, Afeca,
54. Hamata, Cariat-Arbe, que é Hebron, e Sior: nove cidades com suas aldeias.
55. Maon, Carmel, Zif, Jota,
56. Jezrael, Jucadam, Zanoe,
57. Acain, Gabaá e Tamna: dez cidades com suas aldeias.
58. Halul, Bet-Sur, Gedor,
59. Maret, Bet-Anot e Eltecon: seis cidades com suas aldeias. (Técua, Éfrata, hoje Belém, Fegor, Etam, Gulon, Tatam, Sores, Carem, Galim, Beter e Manaat: onze cidades com suas aldeias).
60. Cariat-Baal, que é Cariat-Iarim, e Areba: duas cidades com suas aldeias.
61. No deserto: Bet-Arabá, Medin, Sacaca,
62. Nebsã, Cidade do Sal e Engadi: seis cidades com suas aldeias.
63. Os descendentes de Judá, porém, não conseguiram expulsar os jebuseus que habitavam em Jerusalém. É por isso que os jebuseus habitam com os descendentes de Judá em Jerusalém até o dia de hoje.

[Josué 16]Josué 16

TRIBO DE EFRAIM
1. A sorte que tocou aos descendentes de José vai desde o Jordão, perto de Jericó, ao leste das águas de Jericó. É o deserto que sobe de Jericó pela montanha de Betel;
2. saindo de Betel, vai até Luza, passando pela fronteira dos araquitas, em Atarot,
3. e desce pelo oeste até à fronteira dos jeflatitas, até à fronteira de Bet-Horon Inferior, e até Gazer, terminando no mar.
4. Foi assim que Manassés e Efraim, filhos de Josué, tiveram também a sua herança.
5. Eis o território dos efraimitas, conforme seus clãs: A fronteira da sua herança ao leste é Atarot-Arac, até Bet-Horon superior;
6. ao oeste, a fronteira vai em direção ao mar com Macmetat ao norte, de onde torna para o leste até Tanat-Silo, passando depois ao leste de Janoe;
7. desce desde Janoe até Atarot e Naarata, chega a Jericó, terminando no Jordão;
8. de Tafua a fronteira vai para o oeste pelo riacho de Caná, terminando no mar. Essa é a herança da tribo dos efraimitas, conforme seus clãs,
9. sem contar as cidades reservadas aos efraimitas no meio da herança dos manasseítas: todas essas cidades com suas aldeias.
10. Eles, porém, não conseguiram expulsar os cananeus que habitavam em Gazer. É por isso que os cananeus habitam no meio de Efraim até ao dia de hoje, mas estão sujeitos a trabalhos forçados.

[Josué 17]Josué 17

TRIBO DE MANASSÉS
1. Eis a porção que tocou à tribo de Manassés, por ser o primogênito de José. A Maquir, primogênito de Manassés, pai de Galaad, ficou Galaad e Basã, pois ele era homem de guerra.
2. Aos outros filhos de Manassés, conforme seus clãs, coube o seguinte: aos filhos de Abiezer, aos filhos de Helec, aos filhos de Esriel, aos filhos de Sequem, aos filhos de Héfer, aos filhos de Semida, isto é, aos filhos de sexo masculino de Manassés, filho de José, conforme seus clãs.
3. Salfaad, filho de Héfer, filho de Galaad, filho de Maquir, filho de Manassés, não teve filhos, mas somente filhas, que se chamavam Maala, Noa, Hegla, Melca e Tersa.
4. Elas se apresentaram ao sacerdote Eleazar, a Josué, filho de Nun, e aos representantes. E disseram: "Javé ordenou a Moisés que nos desse uma herança no meio de nossos irmãos". Então eles deram a elas, conforme a ordem de Javé, uma herança no meio dos irmãos de seu pai.
5. Desse modo, couberam também dez partes a Manassés, além da terra de Galaad e Basã, na Transjordânia,
6. pois as filhas de Manassés receberam uma herança no meio de seus filhos, enquanto a terra de Galaad ficou para os outros filhos de Manassés.
7. A fronteira de Manassés vai desde Aser até Macmetat, ao leste de Siquém; pelo sul essa fronteira vai até aos habitantes da fonte de Tafua.
8. Manassés tinha a terra de Tafua. Tafua, porém, embora estivesse no território de Manassés, pertencia aos efraimitas.
9. A fronteira desce então até o riacho de Caná. As cidades, entre as de Manassés, ao sul do riacho, pertenciam a Efraim. E a fronteira de Manassés estava ao norte do riacho, terminando no mar.
10. E o limite de Efraim ao sul e de Manassés ao norte, era o mar. Estavam em contato com Aser ao norte e Issacar ao leste.
11. Em Issacar e Aser, Manassés tinha Betsã e suas vilas, Jeblaam e suas vilas, os habitantes de Dor e suas vilas, os habitantes de Endor e suas vilas, os habitantes de Tanac e suas vilas, e os habitantes de Meguido e suas vilas: são as três colinas.
12. Os descendentes de Manassés, porém, não conseguiram expulsar os habitantes dessas cidades, e os cananeus continuaram habitando nessa terra.
13. Quando se tornaram fortes, os israelitas submeteram os cananeus a trabalhos forçados, mas não chegaram a expulsá-los.

REIVINDICAÇÃO DOS FILHOS DE JOSÉ
14. Os descendentes de José reclamaram com Josué: "Por que você nos deu como herança apenas uma porção, só uma parte, sendo nós um povo tão numeroso, visto que Javé nos abençoou até agora?"
15. Josué respondeu-lhes: "Se você é um povo tão numeroso, suba ao bosque e abra aí um lugar para vocês na terra dos ferezeus e dos rafaim, já que a serra de Efraim é estreita demais para você".
16. Os descendentes de José replicaram: "A serra não é suficiente para nós, ainda mais que todos os cananeus que habitam na terra do vale têm carros de ferro, tanto aqueles que estão em Betsã e suas vilas, como aqueles que estão no vale de Jezrael".
17. Josué disse então a Efraim e Manassés, a família de José: "Vocês são um povo numeroso e forte. Por isso, não terão apenas uma parte,
18. mas a serra toda será de vocês. Embora seja um bosque, vocês o cortarão, e pertencerá todo a vocês, até às extremidades. Além disso, vocês expulsarão os cananeus, ainda que eles tenham carros de ferro e sejam fortes".

[Josué 18]Josué 18

PARTILHA DA TERRA
1. Toda a comunidade dos israelitas reuniu-se em Silo, e aí armaram a tenda da reunião. A terra tinha sido submetida a eles.
2. Contudo, dentre os israelitas restavam sete tribos que ainda não haviam recebido sua herança.
3. Josué disse então aos israelitas: "Até quando vocês vão esperar para tomar posse da terra que Javé, Deus de seus antepassados, lhes deu?
4. Escolham três homens de cada tribo, e eu os enviarei. Eles se disporão, percorrerão a terra e farão dela um mapa dividido por heranças. Depois voltarão a mim.
5. Dividirão a terra em sete partes: Judá permanecerá no seu território, ao sul, e a casa de José no seu, ao norte.
6. Façam o mapa da terra em sete partes e tragam a mim, para que eu faça sorteio entre vocês aqui diante de Javé, nosso Deus.
7. Os levitas não têm nenhuma parte entre vocês, porque a parte deles é serem sacerdotes de Javé. Quanto a Gad, a Rúben e à meia tribo de Manassés, já receberam na Transjordânia a herança que Moisés, servo de Javé, lhes deu".
8. Quando os homens se dispuseram para partir, Josué ordenou aos que iam fazer o mapa da terra: "Percorram a terra para fazer o mapa. Depois, voltem a mim, para que eu faça o sorteio entre vocês diante de Javé, em Silo".
9. Os homens partiram, atravessaram a terra e a mapearam num livro, cidade por cidade, em sete partes. Depois voltaram a Josué, no acampamento de Silo.
10. Então Josué fez sorteio entre eles diante de Javé, em Silo. Foi aí que Josué distribuiu a terra em partes para os israelitas.

TRIBO DE BENJAMIM
11. O sorteio foi feito para a tribo dos benjaminitas, conforme seus clãs. O território que lhes coube no sorteio fica entre os descendentes de Judá e os descendentes de José.
12. Do lado norte, sua fronteira parte do Jordão; sobe ao lado de Jericó para o norte; depois, sobe pela serra na direção oeste, terminando no deserto, em Bet-Áven;
13. daí, a fronteira passa por Luza, ao lado de Luza - isto é, Betel - em direção ao sul, descendo depois até Atarot-Adar, pelo monte que está no sul de Bet-Horon Inferior.
14. A fronteira dobra então e volta do lado oeste para o sul, desde o monte que está diante de Bet-Horon ao sul, indo terminar em Cariat-Baal, isto é, Cariat-Iarim, cidade dos descendentes de Judá. Esse é o lado ocidental.
15. O lado sul começa em Cariat-Iarim. A fronteira segue para o oeste em direção à fonte das águas de Neftoa;
16. depois, a fronteira desce até à extremidade do monte que está em frente ao vale de Ben-Enom, ao norte do vale dos rafaim; e vai descendo o vale de Enom, ao lado dos jebuseus para o sul, indo até En-Roguel;
17. dobra então para o norte, chega a En-Sames, de onde sai para o círculo de pedras que está diante da subida de Adomim, e desce até à Pedra de Boen, descendente de Rúben;
18. passa depois a Quetef, na encosta para o norte, diante de Arabá, e desce para a Arabá.
19. A fronteira passa depois ao lado de Bet-Hegla ao norte, para terminar na laguna do mar Morto ao norte, na extremidade sul do Jordão. Essa é a fronteira sul.
20. No lado oriental a fronteira é o Jordão. Essa é a herança dos benjaminitas, conforme seus clãs, com as fronteiras de todos os lados.

CIDADES DE BENJAMIM
21. E são estas as cidades da tribo dos benjaminitas, conforme seus clãs: Jericó, Bet-Hegla, Amec-Casis,
22. Bet-Arabá, Samaraim, Betel,
23. Avim, Fara, Efra,
24. Cafar-Emona, Ofni e Gaba; são doze cidades com suas aldeias.
25. Gabaon, Ramá, Berot,
26. Masfa, Cafira, Mosa,
27. Recém, Jarafel, Tarala,
28. Sela-Elef, Jebus, que é Jerusalém, Gabaá e Cariat: catorze cidades com suas aldeias. Essa é a herança dos benjaminitas, conforme seus clãs.

[Josué 19]Josué 19

TRIBO DE SIMEÃO
1. Na segunda vez, o sorteio saiu para Simeão, para a tribo dos simeonitas, conforme seus clãs. Sua herança ficou no meio da herança dos descendentes de Judá.
2. Tocou para eles como herança: Bersabéia, Saba, Molada,
3. Haser-Sual, Bela, Asem,
4. Eltolad, Betul, Horma,
5. Siceleg, Bet-Marcabot, Haser-Susa,
6. Bet-Lebaot e Saroen: treze cidades com suas aldeias.
7. Ain, Remon, Atar e Asã: quatro cidades com suas aldeias,
8. e também todas as aldeias que estão ao redor dessas mesmas cidades, até Baalat-Beer, que é Ramá do Negueb. Essa foi a herança da tribo dos simeonitas, conforme seus clãs.
9. A herança dos simeonitas foi tirada da parte dos descendentes de Judá, pois era demasiadamente grande para eles. É por isso que os simeonitas receberam sua herança no meio da herança dos descendentes de Judá.

TRIBO DE ZABULON
10. Na terceira vez, o sorteio saiu para Zabulon, conforme seus clãs. A fronteira da sua herança vai até Sadud,
11. sobe pelo oeste até Merala, toca Debaset e chega até ao riacho que está na frente de Jecnaam.
12. De Sadud, ela se volta para o leste, para o sol nascente, até ao limite de Ceselet-Tabor; sai na direção de Daberet e sobe até Jáfia;
13. daí, continua para o leste, passa por Gat-Héfer e Etacasim, continua até Remon e dobra na direção de Noa;
14. depois, a fronteira contorna pelo norte de Hanaton, para terminar no vale de Jectael;
15. aí estão Catet, Naalol, Semeron, Jerala e Belém: doze cidades com suas aldeias.
16. Essa é a herança dos zabulonitas, conforme seus clãs: todas essas cidades com suas aldeias.

TRIBO DE ISSACAR
17. Na quarta vez, o sorteio saiu para Issacar, para os descendentes de Issacar, conforme seus clãs.
18. Seu território compreende: Jezrael, Casalot, Suném,
19. Hafaraim, Seon, Anaarat,
20. Daberat, Cesion, Abes,
21. Ramet, En-Ganim, En-Hada, Bet-Fases.
22. A fronteira chega ao Tabor, Seesima e Bet-Sames, terminando no Jordão: dezesseis cidades com suas aldeias.
23. Essa é a herança dos descendentes de Issacar, conforme seus clãs: todas essas cidades com suas aldeias.

TRIBO DE ASER
24. Na quinta vez, o sorteio saiu para a tribo dos aseritas, conforme seus clãs.
25. Seu território compreende Halcat, Cali, Beten, Acsaf,
26. Elmelec, Amaad e Messal; sua fronteira oeste toca o Carmelo e o rio Labanat,
27. volta-se para o leste até Bet-Dagon, toca Zabulon e o vale de Jeftael, ao norte de Bet-Emec e de Neiel, e sai pela esquerda em direção a Cabul,
28. Abdon, Roob, Hamon e Caná, até a grande Sidônia;
29. a fronteira volta depois para Ramá, até à cidade fortificada de Tiro; torna então a Hosa, terminando no mar, na região de Aczib.
30. Aí estão Aco, Afec e Roob: vinte e duas cidades com suas aldeias.
31. Essa é a herança da tribo dos descendentes de Aser, conforme seus clãs: todas essas cidades com suas aldeias.

TRIBO DE NEFTALI
32. Na sexta vez, o sorteio saiu para os descendentes de Neftali, conforme seus clãs:
33. sua fronteira vai desde Helef e do carvalho de Saananim, Adami-Neceb, Jebnael, até Lecum, terminando no Jordão.
34. A fronteira volta para o oeste até Aznot-Tabor, de onde passa para Hucoca: toca Zabulon ao sul, Aser a oeste e o Jordão ao leste.
35. As cidades fortificadas são: Asedim, Ser, Emat, Recat, Quineret,
36. Edema, Rama, Hasor,
37. Cedes, Edrai, En-Hasor,
38. Jeron, Magdalel, Horém, Bet-Anat e Bet-Sames: dezenove cidades com suas aldeias.
39. Essa é a herança da tribo dos descendentes de Neftali, conforme seus clãs: todas essas cidades com suas aldeias.

TRIBO DE DÃ
40. Na sétima vez, o sorteio saiu para a tribo dos danitas, conforme seus clãs.
41. O território da sua herança compreende Saraá, Estaol, Ir-Sames,
42. Salebi, Aialon, Silata,
43. Elon, Tamna, Acaron,
44. Eltece, Gebeton, Baalat,
45. Azor, Benê-Barac, Gat-Remon,
46. as águas do Jarcon e do Racon, com o território que está diante de Jope.
47. O território dos danitas, contudo, saíra pequeno. Então os danitas subiram para guerrear contra Lesem, e a tomaram, passando-a ao fio da espada. Apossaram-se dela e aí habitaram, dando-lhe o nome de Dã, por causa de Dã, o nome de seu antepassado.
48. Essa foi a herança da tribo dos danitas, conforme seus clãs: todas essas cidades com suas aldeias.
49. E assim terminaram de repartir a terra em herança, conforme seus territórios. Em seguida, os israelitas deram a Josué, filho de Nun, uma herança no meio deles.
50. Conforme a ordem de Javé, deram-lhe a cidade que ele pedira, Tamnat-Saraá, na serra de Efraim. Ele reconstruiu a cidade e aí se estabeleceu.
51. São essas as heranças que o sacerdote Eleazar e Josué, filho de Nun, junto com os chefes de família das tribos dos israelitas, repartiram, tirando a sorte em Silo, diante de Javé, na porta da tenda da reunião. E assim terminaram de repartir a terra.

[Josué 20]Josué 20

CIDADES DE REFÚGIO
1. Javé disse a Josué:
2. "Fale aos israelitas: Separem as cidades de refúgio, sobre as quais eu lhes falei por meio de Moisés.
3. E assim poderá fugir para elas o homicida que tiver matado alguém involuntariamente, sem querer. Assim elas servirão para vocês de refúgio diante do vingador do sangue.
4. O homicida poderá fugir para uma dessas cidades e, colocando-se junto à entrada da porta da cidade, poderá expor o caso aos anciãos dessa cidade. Estes o acolherão na cidade e lhe darão um lugar para que habite com eles.
5. Se o vingador do sangue o perseguir, eles não lhe poderão entregar o homicida, pois foi sem querer que matou o próximo, e não porque antes o tivesse odiado.
6. Ele se estabelecerá nessa cidade até comparecer para o julgamento diante da comunidade, até à morte do chefe dos sacerdotes que estiver em função nesses dias. Depois disso, o homicida poderá retornar, voltando para sua cidade e sua casa, para a cidade de onde fugira".
7. Eles consagraram então Cedes, na Galiléia, na serra de Neftali. Siquém, na serra de Efraim e Cariat-Arbe, que é Hebron, na serra de Judá.
8. Na Transjordânia, ao leste de Jericó, separaram Bosor, no deserto, no planalto da tribo de Rúben. Ramot de Galaad, na tribo de Gad. E Golã em Basã, na tribo de Manassés.
9. Foram essas as cidades designadas para todos os israelitas e para o imigrante que estivesse vivendo entre eles, a fim de que nelas pudesse refugiar-se quem tivesse matado involuntariamente. Desse modo, não morreria pela mão do vingador do sangue antes de ter comparecido diante da comunidade.

[Josué 21]Josué 21

CIDADES LEVÍTICAS
1. Os chefes de família de Levi se apresentaram ao sacerdote Eleazar, a Josué, filho de Nun, e aos chefes de família das tribos dos israelitas,
2. em Silo, na terra de Canaã. E lhes disseram: "Javé ordenou, por meio de Moisés, que nos fossem dadas cidades para habitar, junto com seus arredores para nossos rebanhos".
3. Então, conforme a ordem de Javé, os israelitas, de sua herança, deram para os levitas as seguintes cidades junto com seus arredores:
4. O sorteio saiu para os clãs dos caatitas. Assim, os descendentes do sacerdote Aarão, dentre os levitas, receberam por sorteio treze cidades da tribo de Judá, da tribo de Simeão e da tribo de Benjamim.
5. Os outros descendentes de Caat receberam por sorteio dez cidades dos clãs da tribo de Efraim, da tribo de Dã e da meia tribo de Manassés.
6. Os descendentes de Gérson receberam por sorteio treze cidades em Basã, dos clãs da tribo de Issacar, da tribo de Neftali e da meia tribo de Manassés.
7. Os descendentes de Merari, conforme seus clãs, receberam por sorteio doze cidades da tribo de Rúben, da tribo de Gad e da tribo de Zabulon.
8. Os israelitas deram aos levitas essas cidades junto com os arredores, fazendo sorteio, como Javé havia ordenado por meio de Moisés.

PARTE DOS CAATITAS
9. Da tribo dos descendentes de Judá e da tribo dos descendentes de Simeão, eles deram as seguintes cidades que vão ser designadas pelos nomes:
10. Para os descendentes de Aarão, pertencentes aos clãs dos caatitas, dentre os levitas - porquanto na primeira vez o sorteio saiu para eles -
11. deram Cariat-Arbe, que é Hebron, na serra de Judá, com os arredores que a cercam. Arbe era o pai de Enac.
12. O campo da cidade com suas aldeias, porém, foi dado como propriedade a Caleb, filho de Jefoné.
13. Como cidades de refúgio para o homicida, deram aos descendentes do sacerdote Aarão: Hebron com os arredores, Lebna com os arredores,
14. Jeter com os arredores, Estemo com os arredores,
15. Holon com os arredores, Dabir com os arredores,
16. Asã com os arredores, Jeta com os arredores, Bet-Sames com os arredores: nove cidades dessas duas tribos.
17. Da tribo de Benjamim: Gabaon com os arredores, Gaba com os arredores,
18. Anatot com os arredores, Almon com os arredores: quatro cidades.
19. Total das cidades dos sacerdotes, descendentes de Aarão: treze cidades com os arredores.
20. Os clãs levíticos dos outros filhos de Caat receberam por sorteio cidades da tribo de Efraim.
21. Como cidades de refúgio para o homicida lhes deram: Siquém com os arredores na serra de Efraim, Gazer com os arredores,
22. Cibsaim com os arredores, Bet-Horon com os arredores: quatro cidades.
23. Da tribo de Dã: Eltece com os arredores, Gebaton com os arredores,
24. Aialon com os arredores, Gat-Remon com os arredores: quatro cidades.
25. Da meia tribo de Manassés: Tanac com os arredores, Jeblaam com os arredores: duas cidades.
26. Total: dez cidades com os arredores, para os clãs dos outros filhos de Caat.

PARTE DOS DESCENDENTES DE GÉRSON
27. Aos descendentes de Gérson, dos clãs levíticos, deram como cidades de refúgio para o homicida, na meia tribo de Manassés: Golã em Basã com os arredores e Beesterá com os arredores: duas cidades.
28. Da tribo de Issacar: Cesion com os arredores, Daberat com os arredores,
29. Jarmut com os arredores, En-Ganim com os arredores: quatro cidades.
30. Da tribo de Aser: Masal com os arredores, Abdon com os arredores,
31. Helcat com os arredores, Roob com os arredores: quatro cidades.
32. Da tribo de Neftali, deram como cidades de refúgio para o homicida: Cedes na Galiléia com os arredores, Hamot-Dor com os arredores, Cartã com os arredores: três cidades.
33. Total das cidades dos gersonitas, conforme seus clãs: treze cidades com os arredores.

PARTE DOS DESCENDENTES DE MERARI
34. Aos outros levitas dos clãs dos descendentes de Merari, deram da parte da tribo de Zabulon: Jecnaam com os arredores, Carta com os arredores,
35. Demna com os arredores, Naalol com os arredores: quatro cidades.
36. Da tribo de Rúben: Bosor com os arredores, Jasa com os arredores,
37. Cedimot com os arredores, Mefaat com os arredores: quatro cidades.
38. Da tribo de Gad, deram como cidades de refúgio para o homicida: Ramot de Galaad com os arredores, Maanaim com os arredores,
39. Hesebon com os arredores, Jazer com os arredores; total dessas cidades: quatro.
40. Total das cidades que tocaram por sorteio aos outros descendentes de Merari conforme seus clãs, que pertenciam aos clãs dos levitas: doze cidades.
41. Total das cidades levíticas no meio da propriedade dos israelitas: quarenta e oito cidades com os arredores.
42. Cada uma dessas cidades incluía os arredores. Assim acontecia com todas essas cidades.

FINAL DA PARTILHA
43. Desse modo, Javé deu a Israel toda a terra que jurara dar a seus antepassados. Eles tomaram posse e nela se estabeleceram.
44. Javé lhes concedeu repouso de todos os lados, conforme tudo o que havia jurado a seus antepassados. Nenhum dos inimigos conseguiu resistir a eles: Javé lhes entregou todos os inimigos.
45. Nenhuma coisa falhou de todas as boas palavras que Javé havia dito à casa de Israel. Todas se cumpriram.

[Josué 22]III. O FUTURO DEPENDE DA FIDELIDADE A JAVÉ

Josué 22

O ELO DE UNIÃO
1. Então Josué convocou os rubenitas, os gaditas e a meia tribo de Manassés,
2. e lhes disse: "Vocês obedeceram a todas as ordens de Moisés, servo de Javé, e fizeram também tudo o que eu lhes ordenei.
3. Vocês não abandonaram seus irmãos durante todo esse tempo, até o dia de hoje. Vocês procuraram obedecer aos mandamentos de Javé seu Deus.
4. Agora Javé seu Deus concedeu a seus irmãos o descanso prometido. Podem, portanto, voltar para as tendas de vocês, para a terra que lhes pertence, a qual Moisés, servo de Javé, lhes deu na Transjordânia.
5. Entretanto, procurem colocar em prática o mandamento e a Lei que Moisés, servo de Javé, lhes ordenou: Amem a Javé seu Deus. Andem em todos os seus caminhos. Guardem seus mandamentos. Apeguem-se a Javé e o sirvam com todo o coração e com toda a alma".
6. E Josué, depois de abençoá-los, despediu-se deles. E eles foram para as suas tendas.
7. Moisés tinha dado terras em Basã à meia tribo de Manassés. Para a outra metade, Josué deu terras entre seus irmãos, ao oeste, na Cisjordânia. Josué também os despediu para suas tendas, abençoando-os:
8. "Voltem para suas tendas, cheios de riquezas, com muitos rebanhos, com prata e ouro, bronze e ferro, e muitas roupas. Repartam com seus irmãos os despojos de seus inimigos".

TESTEMUNHO DE FIDELIDADE
9. Então os rubenitas, os gaditas e a meia tribo de Manassés foram embora, deixando os israelitas em Silo, na terra de Canaã. Dirigiram-se para a terra de Galaad, que lhes pertencia e que haviam recebido como posse, conforme a ordem de Javé, dada por intermédio de Moisés.
10. Quando chegaram à região do rio Jordão, na terra de Canaã ou rubenitas, os gaditas e a meia tribo de Manassés construíram aí, junto ao Jordão, um altar grande e bem visível.
11. Os israelitas ficaram sabendo que os rubenitas, os gaditas e a meia tribo de Manassés haviam construído esse altar na frente da terra de Canaã, na região do rio Jordão, em território israelita.
12. Ao tomar conhecimento disso, reuniram a comunidade dos israelitas em Silo para fazer guerra contra eles.
13. E para conversar com os rubenitas, os gaditas e a tribo de Manassés, os israelitas resolveram enviar Finéias, filho do sacerdote Eleazar,
14. e mais dez chefes, um de cada tribo de Israel, que eram chefes de família entre as famílias de Israel.
15. Eles foram a Galaad para conversar com os rubenitas, gaditas e a meia tribo de Manassés. E disseram para eles:
16. "Assim fala toda a comunidade de Israel: Que infidelidade é essa que vocês cometeram contra o Deus de Israel, deixando hoje de seguir Javé? Vocês construíram um altar, revoltando-se contra Javé!
17. Por acaso, não nos basta o crime de Fegor, do qual ainda não estamos purificados até o dia de hoje, e que atraiu uma praga sobre a comunidade de Javé?
18. Vocês hoje estão se revoltando contra Javé, amanhã ele vai ficar irado contra toda a comunidade de Israel.
19. Se a terra que vocês receberam como propriedade está impura, passem para a terra da propriedade de Javé, onde se encontra a moradia de Javé, e se estabeleçam em nosso meio. Mas não se revoltem contra Javé, nem nos façam participar da rebelião de vocês, construindo para vocês um altar, além do altar oficial de Javé nosso Deus.
20. Quando Acã, bisneto de Zaré, cometeu uma infidelidade em relação às coisas que estavam consagradas ao extermínio, não foi sobre toda a comunidade de Israel que veio a ira? Aquele homem não foi o único a morrer por causa de seu crime".
21. Os rubenitas, os gaditas e a meia tribo de Manassés responderam aos chefes de família de Israel:
22. "Javé, Deus dos deuses, Javé bem o sabe! E Israel também deve saber: se houve uma revolta ou infidelidade contra Javé, que ele hoje mesmo nos castigue.
23. Se construímos um altar para voltar as costas para Javé, e para nele oferecer holocaustos, oblações e sacrifícios de comunhão, que Javé nos peça contas!
24. Pelo contrário, nós construímos um altar com esta preocupação: amanhã, os filhos de vocês perguntarão aos nossos: 'O que é que vocês têm em comum com Javé, Deus de Israel?'
25. Javé colocou o rio Jordão como fronteira entre nós e vocês, filhos de Rúben e de Gad. Vocês não têm relação nenhuma com Javé! Desse modo, os filhos de vocês afastariam os nossos filhos do culto a Javé.
26. Por isso decidimos: 'Vamos construir este altar, não para fazer holocaustos ou sacrifícios,
27. mas como testemunho entre nós e vocês, e entre nossos futuros descendentes, demonstrando que queremos servir a Javé na presença dele, com nossos holocaustos e sacrifícios de comunhão'. Desse modo, os filhos de vocês não poderão dizer um dia aos nossos filhos: 'Vocês não têm relação nenhuma com Javé!'
28. Então pensamos: 'Se amanhã disserem algo a nós ou aos nossos descendentes, nós explicaremos: Vejam a forma deste altar de Javé que nossos pais fizeram. Não é para fazer holocaustos ou apresentar sacrifícios, mas apenas para ser um testemunho entre nós e vocês'.
29. Longe de nós nos revoltarmos contra Javé ou lhe voltarmos hoje as costas, construindo um altar para oferecer holocaustos, apresentar ofertas e sacrifícios de comunhão, fora do altar de Javé nosso Deus, que está na frente da moradia dele".
30. Quando o sacerdote Finéias, os responsáveis da comunidade e os chefes de família de Israel, que o acompanhavam, ouviram as explicações dos rubenitas, dos gaditas e dos manasseítas, ficaram satisfeitos.
31. Então Finéias, filho do sacerdote Eleazar, disse aos rubenitas, aos gaditas e aos manasseítas: "Hoje sabemos que Javé está no meio de nós, pois vocês não cometeram tal infidelidade contra Javé. Desse modo, vocês livraram os israelitas do castigo de Javé".
32. Finéias, filho do sacerdote Eleazar, e os responsáveis deixaram os rubenitas e os gaditas na terra de Galaad e voltaram para a terra de Canaã, para junto dos israelitas, informando-os de tudo.
33. Os israelitas ficaram satisfeitos e deram graças a Deus. Ninguém mais falou em subir para guerrear contra eles, destruindo a terra em que os rubenitas e os gaditas habitavam.
34. Por isso, os rubenitas e os gaditas chamaram o altar de "Ele é testemunho entre nós de que Javé é Deus".

[Josué 23]Josué 23

TESTAMENTO DE JOSUÉ
1. Passou-se muito tempo desde que Javé havia dado descanso a Israel, no meio dos seus inimigos vizinhos. Já em idade avançada,
2. Josué convocou todo o Israel, os anciãos, os chefes de família, os juízes e os oficiais, e lhes disse: "Eu já estou velho, em idade avançada.
3. Vocês viram tudo o que Javé seu Deus fez em favor de vocês contra essas nações. Foi Javé seu Deus quem lutou por vocês.
4. Vejam: através de sorteio eu reparti para vocês, como propriedade para as suas tribos, todas essas nações que ainda restam, juntamente com aquelas que destruí, desde o rio Jordão até o grande Mar, no ocidente.
5. O próprio Javé seu Deus expulsará essas nações diante de vocês. Ele mesmo as desalojará, para que vocês tomem posse de suas terras, como lhes prometeu Javé seu Deus.
6. Procurem ser muito fortes na observância e no cumprimento de tudo o que está escrito no livro da Lei de Moisés, sem se desviarem, nem para a direita nem para a esquerda.
7. Não se misturem com essas nações que ainda restam no meio de vocês. Não invoquem os deuses delas, nem jurem por eles. Não os sirvam nem os adorem.
8. Apeguem-se unicamente a Javé seu Deus, como vocês têm feito até o dia de hoje.
9. Diante de vocês, Javé expulsou nações grandes e poderosas, e até agora ninguém foi capaz de opor resistência a vocês.
10. Um só de vocês pôde perseguir mil, porque o próprio Javé seu Deus lutava por vocês, como ele havia prometido.
11. Portanto, prestem atenção a vocês mesmos: Amem a Javé seu Deus.
12. Todavia, se vocês se desviarem e se unirem a essas nações que ainda restam em seu meio, se vocês se misturarem com elas, e elas com vocês,
13. fiquem certos de uma coisa: Javé seu Deus não expulsará mais essas nações de diante de vocês, e elas serão laço e armadilha para vocês, chicote em suas costas, espinho em seus olhos, até que vocês desapareçam completamente desta boa terra que Javé seu Deus lhes deu.
14. Vejam! Hoje eu sigo o caminho de todo homem. Reconheçam com todo o coração e com toda a alma: de todas as promessas que Javé seu Deus lhes fez, nenhuma delas ficou sem se cumprir. Tudo se realizou para vocês. Nenhuma delas falhou.
15. Assim como se realizaram para vocês todas as promessas feitas por Javé seu Deus, do mesmo modo Javé realizará contra vocês todas as maldições dele, até eliminar totalmente vocês desta boa terra que Javé seu Deus lhes deu.
16. Se vocês transgredirem a aliança que Javé seu Deus lhes ordenou, e servirem a outros deuses, adorando-os, então a ira de Javé se acenderá contra vocês e rapidamente vocês desaparecerão da boa terra que ele lhes deu".

[Josué 24]Josué 24

O COMPROMISSO DECISIVO
1. Josué reuniu as tribos de Israel em Siquém. Convocou todos os anciãos de Israel, os chefes, juízes e oficiais. E todos se apresentaram diante de Deus.
2. Então Josué falou a todo o povo: "Assim diz Javé, o Deus de Israel: Outrora, os seus antepassados, Taré, pai de Abraão e de Nacor, habitavam do outro lado do rio Eufrates e serviam a outros deuses.
3. Eu, porém, tomei Abraão, antepassado de vocês, e o fiz sair do outro lado do Eufrates para percorrer toda a terra de Canaã. Multipliquei a descendência dele e lhe dei Isaac.
4. Para Isaac, dei Jacó e Esaú. Para Esaú, dei como herança a serra de Seir, enquanto Jacó e seus filhos desceram para o Egito.
5. Então enviei Moisés e Aarão para castigar o Egito com os prodígios que realizei e fiz vocês saírem de lá.
6. Tirei do Egito seus antepassados que chegaram até o mar. Os egípcios perseguiram os antepassados de vocês com carros e cavaleiros, até o mar Vermelho.
7. Vocês clamaram a Javé, e ele colocou uma densa nuvem entre vocês e os egípcios; e fez o mar voltar-se contra eles, afogando-os. Vocês viram com seus próprios olhos o que eu fiz no Egito. Depois, vocês habitaram no deserto por muito tempo.
8. Do deserto, eu fiz vocês entrarem na terra dos amorreus que habitavam na Transjordânia. Eles fizeram guerra contra vocês, mas eu os entreguei em suas mãos, e vocês tomaram posse da terra deles, depois que eu os destruí diante de vocês.
9. Depois veio Balac, filho de Sefor, rei de Moab, e guerreou contra Israel. Ele mandou chamar Balaão, filho de Beor, para amaldiçoar vocês.
10. Mas eu não quis ouvir Balaão: ele teve de abençoar vocês, e eu livrei vocês das mãos dele.
11. A seguir, vocês atravessaram o rio Jordão para chegar a Jericó. Mas os chefes de Jericó guerrearam contra vocês. E todos eles, amorreus, ferezeus, cananeus, heteus, gergeseus, heveus e jebuseus, eu os entreguei em suas mãos.
12. Mandei vespas na frente de vocês para expulsarem os dois reis amorreus. Isso não foi feito nem com a espada nem com o arco de vocês.
13. Eu dei a vocês uma terra que não lhes custou nada, cidades que vocês não construíram e onde agora vivem, plantações de uvas e azeitonas que vocês não plantaram, e das quais vocês se alimentam.
14. Agora, portanto, temam a Javé, servindo-o com integridade e fidelidade. Tirem do meio de vocês os deuses, a quem seus antepassados serviram no outro lado do rio Eufrates e no Egito. Sirvam a Javé.
15. Contudo, se vocês acham que não é bom servir a Javé, escolham hoje a quem vocês querem servir: aos deuses que seus antepassados serviram no outro lado do rio Eufrates, ou aos deuses dos amorreus, na terra dos quais agora vocês habitam. Eu e minha família serviremos a Javé".
16. Então o povo respondeu: "Longe de nós abandonar Javé para servir a outros deuses!
17. Foi Javé nosso Deus quem nos tirou, a nós e a nossos antepassados, da terra do Egito, da casa da escravidão. Foi ele quem fez esses grandes sinais diante de nossos olhos, e nos protegeu por todo o caminho que percorremos e entre todos os povos no meio dos quais atravessamos.
18. Foi Javé quem expulsou de diante de nós todos os povos e os amorreus que habitavam a terra. Portanto, nós também serviremos a Javé, pois ele é o nosso Deus".
19. Josué replicou: "Vocês não poderão servir a Javé, porque ele é um Deus santo, um Deus ciumento. Ele não perdoará suas transgressões e pecados.
20. Se vocês abandonarem Javé para servir aos deuses estrangeiros, ele se voltará de novo contra vocês, e os maltratará e destruirá, apesar de lhes ter feito o bem".
21. O povo respondeu a Josué: "Não! Nós serviremos a Javé".
22. Então Josué disse ao povo: "Vocês são testemunhas contra vocês mesmos de que escolheram servir a Javé". O povo respondeu: "Nós somos testemunhas".
23. Josué disse: "Pois bem! Joguem fora os deuses estrangeiros que vocês têm, e inclinem o coração para Javé, o Deus de Israel".
24. O povo disse a Josué: "Nós serviremos a Javé nosso Deus e a ele obedeceremos".
25. Nesse dia, Josué fez uma aliança com o povo e, em Siquém, estabeleceu para eles um estatuto e um direito.
26. Josué escreveu essas palavras no livro da Lei de Deus. Depois, pegou uma grande pedra e a ergueu aí, debaixo do carvalho que está no santuário de Javé.
27. Em seguida, disse ao povo: "Esta pedra será um testemunho contra nós, porque ela ouviu todas as palavras que Javé nos disse. Será um testemunho contra vocês, para que não reneguem o seu Deus".
28. Em seguida, Josué despediu o povo, e cada um voltou para a sua herança.

IV. APÊNDICES

DEUS CUMPRIU A PROMESSA
29. Algum tempo depois morreu Josué, filho de Nun, servo de Javé, com cento e dez anos.
30. Foi enterrado no território que recebeu como herança em Tamnat-Sare, que está na região montanhosa de Efraim, ao norte do monte Gaás.
31. Israel serviu a Javé enquanto viveu Josué e enquanto viveram depois de Josué todos os anciãos que tinham conhecido todas as obras que Javé tinha realizado em favor de Israel.
32. Os ossos de José, que os filhos de Israel tinham trazido do Egito, foram enterrados em Siquém, na parte do campo que Jacó havia comprado dos filhos de Hemor, pai de Siquém, por cem moedas de prata e que se tornara herança dos filhos de José.
33. Depois morreu Eleazar, filho de Aarão. Foi enterrado em Gabaá, cidade que pertencia a seu filho Finéias, e que lhe fora dada na região montanhosa de Efraim.
[Juízes 1]I. A CONQUISTA CONTINUA

Juízes 1

CONQUISTA É ESFORÇO CONTÍNUO
1. Depois que Josué morreu, os israelitas consultaram a Javé: "Quem de nós irá na frente para combater os cananeus?"
2. Javé respondeu: "Judá irá na frente, porque eu entreguei a terra nas mãos dele".
3. Então Judá disse a seu irmão Simeão: "Venha comigo para a região que me coube por sorteio. Lutaremos contra os cananeus, e depois eu irei com você até a região que lhe coube por sorteio". E Simeão foi com ele.
4. Então Judá subiu, e Javé lhe entregou os cananeus e ferezeus; derrotaram dez mil homens em Bezec.
5. Quando derrotaram os cananeus e ferezeus, encontraram Adonibezec em Bezec, e lutaram contra ele.
6. Adonibezec fugiu, mas eles o perseguiram, o agarraram e lhe cortaram os polegares das mãos e dos pés.
7. Adonibezec disse então: "Setenta reis, com os polegares cortados das mãos e dos pés, catavam as migalhas debaixo da minha mesa. Deus agora está me cobrando aquilo que eu mesmo fiz". E levaram Adonibezec para Jerusalém, onde ele morreu.
8. Os descendentes de Judá atacaram Jerusalém e a conquistaram. Mataram os habitantes a fio de espada e puseram fogo na cidade.
9. Em seguida, os descendentes de Judá desceram para atacar os cananeus que habitavam na região montanhosa, no Negueb e na planície.
10. Judá também enfrentou os cananeus que moravam em Hebron, que antigamente se chamava Cariat-Arbe, e derrotou Sesai, Aimã e Tolmai.
11. Daí, atacou os habitantes de Dafir, que antigamente se chamava Cariat-Sefer.
12. Caleb havia dito: "Darei como esposa minha filha Acsa para quem tomar Cariat-Sefer de assalto".
13. Otoniel, filho de Cenez, irmão mais novo de Caleb, conquistou Cariat-Sefer, e Caleb lhe deu sua filha Acsa como esposa.
14. No dia do casamento, Otoniel induziu Acsa a pedir um terreno ao pai. Ela então apeou do jumento, e Caleb lhe perguntou: "O que você quer?"
15. Ela respondeu: "Faça-me um favor. Você me deu terra árida; dê-me também alguma fonte de água". E Caleb lhe deu as fontes do alto e as fontes de baixo.
16. Os descendentes do sogro quenita de Moisés subiram da cidade das Palmeiras com os descendentes de Judá, foram para o deserto de Judá, ao sul de Arad, e se estabeleceram entre os amalecitas.
17. Depois Judá acompanhou seu irmão Simeão, e juntos derrotaram os cananeus que moravam em Sefat, e entregaram a cidade ao extermínio. Por isso a cidade ficou sendo chamada Horma.
18. E Judá tomou Gaza, Ascalon e Acaron, com seus respectivos territórios.
19. Javé estava com Judá, que expulsou os habitantes da região montanhosa, mas não conseguiu expulsar os habitantes da planície, porque estes possuíam carros de ferro.
20. Conforme fora estabelecido por Moisés, Hebron foi dada a Caleb, que daí expulsou os três filhos de Enac.
21. Os benjaminitas, porém, não expulsaram os jebuseus que habitavam em Jerusalém. Por isso os jebuseus habitam com os benjaminitas em Jerusalém até o dia de hoje.
22. Os da casa de José, por sua vez, subiram contra Betel, e Javé estava com eles.
23. A casa de José mandou fazer um reconhecimento nas vizinhanças de Betel, cidade que antes se chamava Luza.
24. Os espiões viram alguém saindo da cidade e lhe disseram: "Mostre-nos por onde se entra na cidade, e nós lhe pouparemos a vida".
25. O homem lhes mostrou por onde entrar na cidade. E eles passaram a cidade a fio de espada, mas pouparam esse homem e toda a sua família.
26. Esse homem foi para a terra dos heteus e aí construiu uma cidade, à qual deu o nome de Luza. Esse é o nome dela até o dia de hoje.
27. Manassés não conseguiu expulsar os habitantes de Betsã, de Tanac, de Dor, de Jeblaam, de Meguido e dos seus respectivos arredores. E assim os cananeus continuaram morando nessas regiões.
28. Quando Israel se tornou mais forte, obrigou os cananeus a fazer trabalhos forçados, mas não conseguiu expulsá-los.
29. Efraim também não conseguiu expulsar os cananeus que moravam em Gazer. E os cananeus continuaram morando em Gazer, no meio de Efraim.
30. Zabulon não conseguiu expulsar os habitantes de Cetron, nem os de Naalol. Por isso os cananeus continuaram no meio deles, embora submetidos a trabalhos forçados.
31. Aser não conseguiu expulsar os habitantes de Aco, nem os de Sidônia, de Maaleb, de Aczib, de Helba, de Afec e de Roob.
32. Os aseritas, portanto, ficaram morando no meio dos cananeus da região, porque não conseguiram expulsá-los.
33. Neftali não conseguiu expulsar os habitantes de Bet-Sames, nem os de Bet-Anat. Ficou morando no meio dos cananeus da região, mas os habitantes de Bet-Sames e Bet-Anat os serviam com trabalhos forçados.
34. Quanto aos danitas, os amorreus os encurralaram na região montanhosa, não lhes permitindo descer para o vale.
35. Desse modo, os amorreus continuaram morando em Ar-Hares, Aialon e Salebim. Mas quando a casa de José se fortaleceu, os amorreus foram submetidos a trabalhos forçados.
36. O território dos edomitas se estendia desde a subida dos Escorpiões e de Pedra para a frente.

[Juízes 2]Juízes 2

O DESAFIO HISTÓRICO
1. O anjo de Javé subiu de Guilgal para Betel, e disse: "Eu tirei vocês do Egito e os trouxe à terra que prometi a seus antepassados. Eu também tinha dito: 'Jamais romperei minha aliança com vocês,
2. contanto que não façam aliança com os habitantes desta terra, e destruam os altares deles'. Mas vocês não me obedeceram. Por que fizeram assim?
3. Por isso, também eu lhes digo: 'Não expulsarei os cananeus diante de vocês. Eles continuarão ao lado de vocês, e os deuses deles serão armadilha para vocês' ".
4. Logo que o anjo de Javé disse tais palavras a todos os israelitas, o povo começou a chorar aos gritos.
5. Por isso deram ao lugar o nome de Boquim. E aí ofereceram sacrifícios a Javé.

II. A DINÂMICA DO PROCESSO HISTÓRICO

ALIENAÇÃO E ESCRAVIDÃO, CONSCIENTIZAÇÃO E LIBERTAÇÃO
6. Josué despediu o povo, e cada um dos israelitas foi tomar posse da propriedade que havia recebido como herança.
7. O povo serviu a Javé durante todo o tempo que Josué viveu, e também durante toda a vida dos anciãos que continuaram vivos depois de Josué e que tinham visto todas as grandes obras que Javé tinha feito em favor de Israel.
8. Josué, filho de Nun, servo de Javé, morreu com cento e dez anos.
9. Foi enterrado no território que lhe tocava como propriedade em Tamnat-Hares, na região montanhosa de Efraim, ao norte do monte Gaás.
10. E toda essa geração foi também reunir-se com seus antepassados. Veio depois outra geração que não conheceu Javé, nem as grandes obras que ele tinha feito em favor de Israel.
11. Então os israelitas fizeram o que Javé reprova: prestaram culto aos ídolos,
12. abandonando Javé, Deus de seus antepassados, que os tinha tirado do Egito. Foram atrás de outros deuses, deuses de povos vizinhos, e os adoraram, provocando Javé.
13. Abandonaram Javé e prestaram culto a Baal e a Astarte.
14. A ira de Javé se inflamou então contra Israel, e ele os entregou ao poder de assaltantes, que os despojaram e venderam aos inimigos vizinhos, de modo que os israelitas já não conseguiam resistir.
15. Em qualquer coisa que realizavam, a mão de Javé estava contra eles, exatamente como Javé lhes tinha dito e jurado. E chegaram a uma situação desesperadora.
16. Então Javé fez surgir juízes que os libertavam dos assaltantes.
17. No entanto, eles não davam ouvidos nem mesmo aos juízes. Pelo contrário, prostituíam-se com outros deuses e prostravam-se diante deles. Bem depressa se afastaram do caminho seguido pelos antepassados, que haviam obedecido aos mandamentos de Javé. Eles, porém, não agiram da mesma forma.
18. Quando Javé lhes fazia surgir juízes, Javé estava com o juiz e os libertava dos inimigos durante toda a vida do juiz. Porque Javé se compadecia dos gemidos deles frente à tirania dos opressores.
19. No entanto, logo que o juiz morria, eles tornavam a corromper-se mais ainda que seus antepassados, seguindo outros deuses, aos quais prestavam culto e diante deles se prostravam. Não desistiam de suas práticas, nem de sua conduta obstinada.
20. Por isso, a ira de Javé se inflamou contra Israel. E Javé declarou: "Já que essa gente violou a aliança que eu fiz com seus antepassados, e não me obedeceu,
21. eu também, de minha parte, não expulsarei da presença deles nenhuma das nações que Josué deixou ficar, quando morreu.
22. Com essas nações eu vou provar Israel, para ver se segue ou não o caminho de Javé, para ver se caminha por ele como seus antepassados".
23. Por isso, Javé deixou ficar essas nações. Não as expulsou e não as entregou a Josué.

[Juízes 3]Juízes 3

1. São estas as nações que Javé deixou ficar, para com elas provar os israelitas que não tinham conhecido as guerras de Canaã.
2. (Foi para ensinar a estratégia militar para as novas gerações de israelitas, que não tinham experiência de guerra).
3. São estas as nações: os cinco principados filisteus, todos os cananeus, os sidônios, e também os heteus que habitam as montanhas do Líbano, desde o monte Baal-Hermon até a entrada de Emat.
4. Essas nações serviram para provar Israel e ver se ele obedeceria aos mandamentos de Javé, promulgados a seus antepassados por meio de Moisés.
5. Assim, os israelitas viveram no meio dos cananeus, heteus, amorreus, ferezeus, heveus e jebuseus.
6. Tomaram as filhas deles como esposas, deram para eles suas filhas em casamento, e prestaram culto aos deuses deles.

III. OS JUÍZES: AGENTES DA LIBERTAÇÃO

OTONIEL
7. Os israelitas fizeram o que Javé reprova: esqueceram-se de Javé seu Deus e serviram a Baal e Aserá.
8. Então se acendeu contra os israelitas a ira de Javé, que os entregou nas mãos de Cusã-Rasataim, rei de Aram Entre-Rios. E os israelitas ficaram submetidos a Cusã-Rasataim durante oito anos.
9. Os israelitas clamaram a Javé. E Javé fez surgir para eles um salvador, que os libertou. Foi Otoniel, filho de Cenez, irmão caçula de Caleb.
10. O espírito de Javé esteve sobre Otoniel, que foi juiz em Israel. Ele saiu para a guerra, e Javé entregou em seu poder Cusã-Rasataim, rei de Aram. E ele triunfou sobre Cusã-Rasataim.
11. A região ficou em paz durante quarenta anos. Depois Otoniel, filho de Cenez, morreu.

AOD
12. Os israelitas tornaram a fazer o que Javé reprova. Então Javé fortaleceu Eglon, rei de Moab, contra os israelitas, porque faziam o que Javé reprova.
13. Eglon se aliou com os amonitas e amalecitas, e marchou contra Israel, o derrotou e lhe tomou a cidade das Palmeiras.
14. Os israelitas tiveram que servir Eglon, rei de Moab, durante dezoito anos.
15. Então eles clamaram a Javé, e este fez surgir para eles um salvador: Aod, filho de Gera, benjaminita, homem canhoto. Através dele, os israelitas mandaram um tributo para Eglon, rei de Moab.
16. Aod mandou fazer um punhal de dois gumes, com um palmo de comprimento, e o escondeu do lado direito, debaixo das roupas.
17. Depois foi apresentar o tributo a Eglon, rei de Moab, que era homem muito gordo.
18. Depois de entregar o tributo, Aod partiu com os carregadores.
19. Ao chegar ao lugar chamado Ídolos, que fica perto de Guilgal, voltou e disse a Eglon: "Majestade, tenho uma mensagem secreta para lhe comunicar". O rei pediu que os deixassem a sós. E todos os que aí estavam se retiraram.
20. Então Aod se aproximou do rei, que estava sentado na sua sala particular de verão, no andar superior, e lhe disse: "Tenho uma mensagem de Deus para lhe comunicar". Quando o rei se levantou do trono,
21. Aod estendeu a mão esquerda, apanhou o punhal do lado direito e o enterrou na barriga de Eglon.
22. Até o cabo entrou com a lâmina, e a gordura se fechou por cima dela, porque Aod não retirou o punhal da barriga.
23. Aod fugiu pela porta dos fundos, depois de trancar as portas da sala de cima.
24. Logo que Aod saiu, chegaram os servos e, vendo que as portas da sala de cima estavam trancadas, pensaram: "Certamente ele está fazendo suas necessidades na sala de verão".
25. Esperaram bastante tempo, até que ficaram inquietos, pois o rei não abria as portas da sala de cima. Então pegaram a chave, abriram, e viram seu senhor caído no chão e morto.
26. Enquanto eles estavam esperando, Aod conseguiu escapar e, passando por Ídolos, refugiou-se em Seira.
27. Logo que chegou, tocou a trombeta na região montanhosa de Efraim. E os israelitas desceram da região montanhosa, com Aod à frente.
28. Aod disse então para eles: "Sigam-me, porque Javé entregou para vocês os inimigos moabitas". Eles seguiram Aod, se apoderaram dos vaus do Jordão para impedir a travessia dos moabitas, e não deixaram passar ninguém.
29. Nessa ocasião, derrotaram cerca de dez mil moabitas, todos guerreiros, e ninguém escapou.
30. Nesse dia, Moab foi dominado por Israel, e a região ficou em paz durante oitenta anos.

SAMGAR
31. Depois de Aod, veio Samgar, filho de Anat. Ele, com uma vara de tocar bois, derrotou seiscentos filisteus. Também ele salvou Israel.

[Juízes 4]Juízes 4

DÉBORA E BARAC
1. Depois que Aod morreu, os israelitas tornaram a fazer o que Javé reprova.
2. E Javé os entregou a Jabin, rei de Canaã, que reinava em Hasor. O general do exército era Sísara, e residia em Haroset-Goim.
3. Os israelitas clamaram a Javé, porque Jabin tinha novecentos carros de ferro e estava oprimindo duramente Israel, já fazia vinte anos.
4. Nesse tempo, era juiz em Israel a profetisa Débora, mulher de Lapidot.
5. Seu tribunal ficava debaixo da palmeira de Débora, entre Ramá e Betel, nas montanhas de Efraim. E os israelitas a procuravam para decidir suas questões.
6. Débora mandou chamar Barac, filho de Abinoem, que morava em Cedes de Neftali, e lhe disse: "Javé, Deus de Israel, manda que você vá ao monte Tabor e reúna dez mil homens das tribos de Neftali e Zabulon.
7. Javé atrairá para você, junto ao rio Quison, o chefe do exército de Jabin, Sísara, com seus carros e sua numerosa tropa, e o entregará a você".
8. Barac respondeu: "Se você for comigo, eu vou. Se você não for, eu não vou".
9. Débora respondeu: "Está bem. Eu vou com você. Mas a glória dessa expedição que você vai realizar não será sua, pois Javé entregará Sísara nas mãos de uma mulher". E Débora se dispôs para ir com Barac até Cedes.
10. Barac convocou Zabulon e Neftali em Cedes: dez mil homens se uniram a ele; e Débora também foi junto.
11. O quenita Héber tinha-se afastado da sua tribo, que era descendente de Hobab, sogro de Moisés, e tinha armado suas tendas junto do carvalhal de Saananim, perto de Cedes.
12. Informaram Sísara que Barac, filho de Abinoem, tinha subido ao monte Tabor.
13. Então Sísara mobilizou seus novecentos carros de ferro e toda a tropa de Haroset-Goim para ir ao rio Quison.
14. Débora disse a Barac: "Vamos. Hoje mesmo Javé vai entregar Sísara em seu poder. Javé está marchando à sua frente". Barac desceu do monte Tabor junto com seus dez mil homens.
15. Javé derrotou Sísara com todos os seus carros e todo o seu exército, diante de Barac. Sísara teve que descer do carro e fugir a pé.
16. Barac perseguiu o exército e os carros até Haroset-Goim. Todo o exército de Sísara caiu ao fio da espada, e nenhum homem conseguiu escapar.
17. Enquanto isso, Sísara fugiu a pé até a tenda de Jael, mulher do quenita Héber, pois havia paz entre Jabin, rei de Hasor, e a família de Héber, o quenita.
18. Jael saiu ao encontro de Sísara, e lhe disse: "Entre, meu senhor. Entre sem medo, pois a casa é sua". Sísara entrou na tenda e Jael o cobriu com um manto.
19. Sísara pediu: "Dê-me um pouco de água para beber, pois estou com sede". Jael abriu uma vasilha com leite, deu-lhe de beber e o cobriu.
20. Sísara lhe disse: "Fique na entrada da tenda. Se vier alguém e lhe perguntar se há alguém aqui dentro, você dirá que não".
21. Mas Jael, mulher de Héber, pegou uma das estacas da tenda, apanhou um martelo, aproximou-se na ponta dos pés e cravou a estaca nas têmporas de Sísara, até pregá-lo no chão. E Sísara morreu, enquanto dormia profundamente, por causa do cansaço.
22. Nesse momento, apareceu Barac, que estava perseguindo Sísara. Jael foi ao seu encontro, dizendo: "Venha comigo e eu lhe mostrarei o homem que você está procurando". Barac entrou na tenda e viu Sísara caído e morto, com a estaca cravada nas têmporas.
23. Nesse dia, Deus derrotou Jabim, rei de Canaã, diante dos israelitas.
24. Estes se tornaram cada vez mais fortes contra Jabin, rei de Canaã, até que o conseguiram eliminar.

[Juízes 5]Juízes 5

CÂNTICO DE DÉBORA: CELEBRAÇÃO DA VITÓRIA
1. Nesse dia, Débora e Barac, filho de Abinoem, entoaram este cântico:

INTRODUÇÃO
2. Havia chefes em Israel para assumir o comando; apresentaram-se voluntários para alistar-se em massa. Bendigam todos a Javé!
3. Ouçam, reis! Escutem, governadores! Eu vou cantar, cantar para Javé. Vou celebrar Javé, o Deus de Israel.
4. Javé, quando saíste de Seir, avançando dos campos de Edom, a terra tremia, o céu ribombava e as nuvens se desfaziam em água;
5. os montes se agitavam diante de Javé, que vem do Sinai, diante de Javé, o Deus de Israel.

A VITÓRIA
6. No tempo de Samgar, filho de Anat, no tempo de Jael, as caravanas cessaram, os que viajavam seguiam por desvios, iam por trilhas tortuosas.
7. Os camponeses se saciaram. Em Israel se saciaram com os despojos, quando você, Débora, surgiu, quando você, mãe de Israel, se levantou.
8. Os sacrifícios para os deuses cessaram, o pão faltou nos armazéns, sem que se visse escudo ou lança entre os quarenta mil de Israel.

A CONVOCAÇÃO
9. Meu coração está voltado para os comandantes de Israel, para os voluntários do povo: bendigam todos a Javé!
10. Vocês que montam jumentas brancas e se assentam em tapetes; vocês que vão pelos caminhos, cantem!
11. Juntem-se ao grito dos homens enfileirados entre os bebedouros. Aí eles celebram as vitórias de Javé, as vitórias dos camponeses em Israel, quando o povo de Javé correu às portas.
12. Desperte, Débora, desperte! Desperte logo e entoe um canto. Vamos, Barac! Vamos, filho de Abinoem! Domine os que o haviam aprisionado.
13. Então os sobreviventes desceram com os nobres e o povo de Javé me ajudou contra os poderosos.
14. Os príncipes de Efraim estão no vale, e atrás de você, com as tropas, vem Benjamim. De Maquir desceram os comandantes, e de Zabulon os que levam bastões de oficial.
15. Os chefes de Issacar estão com Débora e, no vale, também Barac aperta o passo. Nos clãs de Rúben, os planos são grandes!
16. Por que você ficou sentado entre os currais, escutando a flauta dos pastores? Nos clãs de Rúben, os planos são grandes!
17. Galaad ficou do outro lado do Jordão, e Dã continua com seus barcos. Aser permaneceu na orla do mar, e ficou junto às suas enseadas.
18. Zabulon é um povo que arriscou a vida, como Neftali em seus campos elevados!

A BATALHA
19. Chegaram os reis para o combate, os reis de Canaã combateram em Tanac, junto às águas de Meguido, mas não ganharam uma peça de prata sequer.
20. Do alto céu as estrelas combateram, de seus caminhos lutaram contra Sísara.
21. A torrente Quison os arrastou, foi impetuosa a torrente Quison: a torrente pisoteou os valentes.
22. Os cascos dos cavalos martelaram, ao galope desenfreado dos corcéis.
23. Amaldiçoem Meroz, amaldiçoem, diz o anjo de Javé; amaldiçoem os seus governantes, porque não auxiliaram Javé, não auxiliaram Javé contra os poderosos.

JAEL
24. Que Jael seja bendita entre as mulheres, a mulher de Héber, o quenita; bendita seja entre as que habitam em tendas.
25. Ele pediu água, ela trouxe leite; na taça dos nobres serviu-lhe coalhada.
26. Com a esquerda ela pegou a estaca e com a direita um martelo de operário; golpeou Sísara, rachando-lhe a cabeça, e de um golpe atravessou-lhe as têmporas.
27. Ele se encurvou entre os pés dela e caiu deitado; encurvou-se entre os pés dela e caiu; encurvado, ali mesmo caiu, e ficou aniquilado.

A MÃE DE SÍSARA
28. A mãe de Sísara olha pela janela e se lamenta por trás da persiana: "Por que o carro dele tarda a chegar? Por que a marcha de seus carros é tão lenta?"
29. A mais sábia das donzelas lhe responde, e ela fica repetindo:
30. "Certamente encontraram despojos e agora estão repartindo: uma ou duas mulheres para cada guerreiro, e para Sísara panos coloridos, um despojo colorido e bordado; uma veste colorida e duas bordadas, e um despojo para o meu pescoço".

CONCLUSÃO
31. Desse modo pereçam teus inimigos, Javé, e teus amigos sejam fortes como o sol em seu fulgor. E a região ficou em paz durante quarenta anos.

[Juízes 6]Juízes 6

NOVO DESAFIO
1. Os israelitas fizeram o que Javé reprova. E Javé os entregou aos madianitas por sete anos.
2. O regime de Madiã foi tirânico sobre Israel. Para escapar de Madiã, os israelitas tiveram que usar as grutas nas montanhas, as cavernas e os esconderijos.
3. Quando os israelitas semeavam, os madianitas, amalecitas e orientais os atacavam:
4. acampavam na terra dos israelitas e destruíam todos os produtos semeados até perto de Gaza. Não deixavam para Israel nenhum meio de sobrevivência, nenhum cordeiro, nenhum boi e nenhum jumento.
5. Chegavam com seus rebanhos e tendas, numerosos como gafanhotos, homens e camelos sem conta, invadindo e arrasando a terra.
6. Desse modo, os madianitas reduziram Israel à miséria. Então os israelitas clamaram a Javé.

O PROFETA ANALISA A SITUAÇÃO
7. Quando os israelitas clamaram a Javé por causa dos madianitas,
8. Javé enviou para eles um profeta, que lhes falou: "Assim diz Javé, o Deus de Israel: Eu fiz vocês saírem do Egito e os tirei da casa da escravidão.
9. Eu livrei vocês do poder egípcio e do poder daqueles que os oprimiam. Eu os expulsei diante de vocês, e a vocês eu entreguei a terra deles.
10. Eu disse a vocês: 'Eu sou Javé seu Deus. Não tenham medo dos deuses dos amorreus, em cuja terra vão morar'. Mas vocês não me ouviram".

VOCAÇÃO DE GEDEÃO
11. O anjo de Javé chegou e se assentou debaixo do carvalho que está em Efra, na propriedade de Joás, filho de Abiezer. Foi quando Gedeão, filho de Joás, estava debulhando o trigo no tanque de pisar uvas, para escondê-lo dos madianitas.
12. O anjo de Javé apareceu a Gedeão e lhe disse: "Javé está com você, valente guerreiro!"
13. Gedeão respondeu: "Meu Senhor, se Javé está conosco, por que nos aconteceu tudo isso? Onde estão as maravilhas de que nossos antepassados falavam: 'Javé nos tirou do Egito...'? O fato é que agora Javé nos abandonou e nos entregou na mão dos madianitas".
14. Então Javé se voltou para Gedeão e disse: "Vá. Com suas próprias forças, salve Israel dos madianitas. Sou eu que envio você".
15. Gedeão replicou: "Meu Senhor, como posso salvar Israel? Meu clã é o mais fraco da tribo de Manassés, e eu sou o caçula da casa de meu pai!"
16. Javé lhe disse: "Eu estarei com você, e você derrotará os madianitas como se fossem um só homem".
17. Gedeão insistiu: "Se alcancei teu favor, dá-me um sinal de que és tu quem fala comigo.
18. Não vás embora antes que eu volte e te faça uma oferta". Javé respondeu: "Ficarei aqui até você voltar".
19. Gedeão foi preparar um cabrito e fez pães sem fermento com uma medida de farinha. Colocou a carne numa cesta e o caldo na panela. Trouxe tudo e ofereceu a Javé, debaixo do carvalho.
20. O anjo de Javé lhe disse: "Pegue a carne e os pães sem fermento, coloque-os sobre esta rocha, e derrame o caldo por cima". Assim fez Gedeão.
21. O anjo de Javé estendeu a ponta do bastão que tinha na mão, tocou na carne e nos pães sem fermento, e da rocha subiu um fogo, que consumiu a carne e os pães. Nesse momento, o anjo de Javé desapareceu.
22. Gedeão percebeu que era o anjo de Javé, e exclamou: "Ah! Meu Senhor Javé! Eu vi o anjo de Javé face a face!"
23. Javé lhe respondeu: "Fique em paz e não tenha medo, porque você não morrerá".
24. Então Gedeão construiu aí um altar para Javé, e lhe deu o nome de "Javé é Paz", um altar que existe em Efra de Abiezer, até o dia de hoje.

A RUPTURA COM A IDOLATRIA
25. Nessa mesma noite, Javé disse a Gedeão: "Pegue o boi que seu pai possui e outro boi de sete anos. Destrua o altar de Baal, que pertence a seu pai, e corte o poste sagrado que está ao lado.
26. Em seguida, construa um altar para Javé seu Deus no alto desse lugar, com pedras bem colocadas. Pegue, então, o boi e ofereça em holocausto sobre a lenha do poste sagrado que você tiver cortado".
27. Gedeão escolheu dez homens entre seus servos, e fez o que Javé lhe havia mandado. Gedeão fez isso de noite e não de dia, pois tinha medo da sua família e do povo da cidade.
28. No dia seguinte, bem cedo, o povo da cidade viu que o altar de Baal fora destruído, o poste sagrado que estava ao lado tinha sido cortado, e o boi fora sacrificado sobre o altar recém-construído.
29. E comentaram: "Quem será que fez isso?" Perguntaram, fizeram averiguações e chegaram à conclusão: "Foi Gedeão, filho de Joás".
30. Os habitantes da cidade disseram então a Joás: "Entregue-nos seu filho para que seja morto, pois ele destruiu o altar de Baal e cortou o poste sagrado que estava ao lado".
31. Joás respondeu a todos os que o ameaçavam: "E vocês têm que defender Baal? São vocês que devem ajudar Baal? Quem o defender, morrerá antes do nascer do sol. Se Baal é Deus, que ele próprio se defenda, pois Gedeão destruiu o altar dele".
32. Nesse dia, puseram em Gedeão o apelido de Jerobaal, comentando: "Que Baal defenda a si próprio, pois Gedeão destruiu o altar dele".

A REORGANIZAÇÃO DO POVO
33. Os madianitas, amalecitas e orientais se aliaram, atravessaram o rio Jordão e acamparam na planície de Jezrael.
34. O espírito de Javé se apoderou de Gedeão, que tocou a trombeta, e Abiezer se agrupou a ele.
35. Gedeão mandou mensageiros a toda a tribo de Manassés, que se uniu a ele. Também enviou mensageiros para Aser, Zabulon e Neftali; e todos se aliaram a ele.

SINAIS: JAVÉ ESTÁ COM GEDEÃO
36. Gedeão disse a Deus: "Se, de fato, tu vais salvar Israel por meio de mim, como disseste,
37. vou colocar no terreiro um pedaço de lã de carneiro. Se o orvalho cair somente sobre o pedaço de lã, e o terreiro estiver seco, então ficarei sabendo que tu libertarás Israel por meio de mim, conforme disseste".
38. E assim fez Gedeão. Quando madrugou no dia seguinte, ele torceu o pedaço de lã, e com o orvalho que nela estava encheu um copo d'água.
39. Gedeão insistiu ainda com Deus: "Não te irrites comigo se eu pedir mais uma vez. Permite que eu faça de novo a prova do pedaço de lã: que ele fique seco e a terra em volta se cubra de orvalho".
40. E Deus assim fez nessa noite: o pedaço de lã ficou seco, enquanto havia orvalho na terra em volta.

[Juízes 7]Juízes 7

O EXÉRCITO POPULAR DE GEDEÃO
1. Jerobaal, que é Gedeão, madrugou e foi acampar junto a En-Harod com o povo que o acompanhava. O acampamento de Madiã ficava no vale ao norte, junto à colina de Moré.
2. Então Javé disse a Gedeão: "O povo que está com você é numeroso demais para que eu entregue Madiã em seu poder. Israel poderia gloriar-se, dizendo: 'Eu consegui a vitória graças ao meu poder!'.
3. Anuncie, portanto, a todo o povo: 'Quem estiver com medo e tremendo, pode voltar' ". E Gedeão os colocou à prova: vinte e dois mil homens voltaram para casa. E ainda ficaram dez mil.
4. Javé disse a Gedeão: "Ainda é muita gente. Faça-os descer até a fonte, e aí eu farei uma seleção para você. A quem eu disser que pode ir com você, esse irá. Mas a quem eu disser que não pode ir com você, esse não irá".
5. Gedeão fez todo o povo descer à beira da água, e Javé lhe disse: "Todos os que beberem água com a língua, como faz o cão, você os colocará de um lado; e os que se ajoelharem para beber, você os colocará do outro lado".
6. Trezentos homens lamberam a água, levando as mãos à boca; os outros se ajoelharam para beber.
7. Então Javé disse a Gedeão: "Com os trezentos que lamberam a água, eu vou salvar vocês, entregando Madiã em seu poder. Os outros podem voltar para casa".
8. Eles pegaram as provisões e as trombetas, e Gedeão despediu os israelitas, cada um para a sua tenda, ficando apenas com os trezentos. O acampamento de Madiã estava embaixo, no vale.

A GUERRILHA
9. Nessa noite, Javé disse a Gedeão: "Levante-se e desça até o acampamento inimigo, pois eu vou entregá-lo a você.
10. Se você tem medo de descer, vá com o seu servo Fara.
11. Quando você escutar o que eles dizem, ficará animado e descerá para atacá-los". E Gedeão foi com o seu servo Fara até a frente do acampamento.
12. Os madianitas, amalecitas e orientais estavam deitados no vale. Eram numerosos como gafanhotos, e seus camelos eram incontáveis como areia da praia.
13. Gedeão chegou perto e ouviu um homem contando um sonho ao companheiro: "Veja só o que sonhei: Meu pão de cevada estava rolando no acampamento de Madiã, atingiu a tenda, chocou-se contra ela e a fez cair de alto a baixo".
14. O companheiro respondeu: "Isso só pode ser a espada de Gedeão, filho de Joás, o israelita. Deus entregou Madiã e todo este acampamento nas mãos dele".
15. Quando Gedeão ouviu o sonho e a interpretação, prostrou-se por terra. Depois voltou ao acampamento israelita e disse: "Levantem-se, porque Javé entrega a vocês o acampamento de Madiã".
16. Gedeão dividiu os trezentos homens em três grupos. Depois, para cada um distribuiu uma trombeta, um pote vazio e uma tocha dentro do pote,
17. dizendo: "Prestem atenção em mim, e façam o que eu fizer. Quando eu chegar à frente do acampamento, façam o que eu fizer.
18. Eu e todos os que estão comigo vamos tocar a trombeta. Então, vocês também tocarão as trombetas ao redor do acampamento, e gritarão: 'Por Javé e por Gedeão!' "
19. Gedeão e os cem homens que o acompanhavam chegaram à frente do acampamento na hora em que começava a troca da guarda, à meia-noite. Quando se estava fazendo a troca da guarda, Gedeão tocou a trombeta e quebrou o pote que levava na mão.
20. Nesse momento, os três grupos tocaram as trombetas e quebraram os potes. A seguir, levantaram a tocha na mão esquerda e a trombeta na direita, gritando: "Espada por Javé e por Gedeão!"
21. E ficaram parados, cada um no seu lugar, ao redor do acampamento. O acampamento inimigo ficou alvoroçado e começaram a gritar e fugir.
22. Enquanto os trezentos homens tocavam as trombetas, Javé fez com que uns e outros no acampamento se matassem ao fio da espada. Depois fugiram até Bet-Seta, perto de Sartã, até junto de Abel-Meúla, perto de Tebat.
23. Os israelitas de Neftali, de Aser e de todo o Manassés se uniram e perseguiram Madiã.
24. Gedeão tinha enviado mensageiros por todas as montanhas de Efraim, avisando: "Ocupem antes deles as fontes de água até Bet-Bera e o Jordão". Os efraimitas então se reuniram e ocuparam as fontes de água até Bet-Bera e o Jordão.
25. E prenderam Oreb e Zeb, os dois chefes dos madianitas. Mataram Oreb no rochedo de Oreb, e Zeb no tanque de pisar uvas de Zeb. Depois perseguiram os madianitas e levaram a Gedeão as cabeças de Oreb e Zeb, no outro lado do Jordão.

[Juízes 8]Juízes 8

1. Os efraimitas se queixaram a Gedeão: "Por que você fez isso conosco? Porque não nos convocou quando saiu para combater Madiã?" E discutiram violentamente com Gedeão.
2. Ele, porém, respondeu: "Que fiz eu em comparação com o que vocês fizeram? Vale mais o restolho de Efraim do que a vindima de Abiezer!
3. Foi na mão de vocês que Javé entregou Oreb e Zeb, os chefes de Madiã. Que pude fazer eu, em comparação com o que vocês fizeram?" Ao ouvir isso, a ira dos efraimitas se acalmou.

FALTA DE SOLIDARIEDADE
4. Gedeão chegou até o rio Jordão e o atravessou com seus trezentos homens, já esgotados e famintos.
5. Então Gedeão pediu ao povo de Sucot: "Por favor! Dêem alguns pães para os homens que me acompanham pois estão cansados, e estou perseguindo Zebá e Sálmana, reis de Madiã".
6. As autoridades de Sucot perguntaram: "Por acaso vocês já prenderam Zebá e Sálmana para darmos comida ao exército de vocês?"
7. Gedeão respondeu: "Muito bem. Quando Javé tiver entregue Zebá e Sálmana em minhas mãos, vou rasgar a carne de vocês com espinhos e cardos do deserto".
8. Depois, Gedeão subiu daí para Fanuel, e fez o mesmo pedido aos homens de Fanuel, que responderam como os de Sucot.
9. Gedeão disse ao povo de Fanuel: "Quando eu voltar vitorioso, vou derrubar esta torre".
10. Zebá e Sálmana estavam em Carcar, com seu exército, cerca de quinze mil homens. Era o que restava do exército dos orientais, pois as baixas tinham sido de cento e vinte mil homens.
11. Gedeão subiu pela rota dos beduínos, a leste de Nob e Jegbaá, e atacou o inimigo quando este menos esperava.
12. Zebá e Sálmana escaparam, mas Gedeão perseguiu e capturou os dois reis de Madiã. O resto do exército debandou.
13. Depois da batalha, Gedeão, filho de Joás, voltou pela encosta de Hares.
14. Deteve um jovem de Sucot e lhe pediu o nome das autoridades e anciãos de Sucot. E o jovem deu por escrito o nome de setenta e sete homens.
15. Gedeão, filho de Joás, se dirigiu aos homens de Sucot e lhes disse: "Aqui estão Zebá e Sálmana, a respeito dos quais vocês caçoaram de mim, dizendo: 'Por acaso vocês já prenderam Zebá e Sálmana para darmos comida a seus homens cansados'?"
16. Gedeão pegou os anciãos da cidade e rasgou a carne deles com espinhos e cardos do deserto.
17. Destruiu também a torre de Fanuel e massacrou os habitantes da cidade.
18. Depois perguntou a Zebá e a Sálmana: "Como eram os homens que vocês mataram no Tabor?" Eles responderam: "Eram como você. Pareciam filhos de reis".
19. Gedeão exclamou: "Eram meus irmãos maternos! Pela vida de Javé, se vocês os tivessem deixado vivos, eu agora não mataria vocês".
20. Então ordenou a Jeter, seu filho mais velho: "Vamos, mate-os". Mas o moço não desembainhava a espada: era ainda muito jovem e tinha medo.
21. Zebá e Sálmana pediram: "Vamos, mate-nos você. Pois você é homem valente". Então Gedeão foi e matou Zebá e Sálmana, levando consigo os enfeites em forma de meia-lua que adornavam os camelos deles.

SÓ JAVÉ É REI
22. Os israelitas disseram a Gedeão: "Seja nosso rei, você e depois seu filho e seu neto, pois você nos salvou dos madianitas".
23. Gedeão respondeu: "Nem eu, nem meu filho seremos reis de vocês. O rei de vocês será Javé".
24. E acrescentou: "Vou pedir uma coisa para vocês: 'Cada um me dê um anel de sua parte nos despojos' ". Os vencidos usavam anéis de ouro, porque eram ismaelitas.
25. Eles responderam: "Daremos com prazer". Gedeão estendeu a capa, e cada um foi colocando um anel de sua parte nos despojos.
26. O peso dos anéis que Gedeão pediu foi de dezenove quilos de ouro, sem contar os enfeites em forma de meia-lua, os brincos e as vestes de púrpura que os reis madianitas usavam, além dos colares dos camelos.
27. Com tudo isso, Gedeão fez um efod e o colocou na cidade de Efra. Todo o Israel aí se prostituiu, seguindo a Gedeão, e isso foi uma armadilha para Gedeão e sua família.
28. Madiã foi derrotado diante dos israelitas e nunca mais levantou a cabeça. Desse modo, a região descansou quarenta anos, enquanto Gedeão viveu.
29. E Jerobaal, filho de Joás, foi viver em sua casa.
30. Gedeão teve setenta filhos, pois tinha muitas mulheres.
31. Ele tinha uma concubina em Siquém, que lhe gerou um filho, a quem deu o nome de Abimelec.
32. Gedeão, filho de Joás, morreu em velhice feliz, e o enterraram na sepultura de seu pai, em Efra de Abiezer.
33. Depois da morte de Gedeão, os israelitas voltaram a se prostituir com os ídolos e tomaram Baal-Berit como deus.
34. Os israelitas não se lembraram mais de Javé seu Deus, que os tinha livrado do poder de todos os inimigos vizinhos.
35. Não se mostraram agradecidos à família de Jerobaal-Gedeão, por todo o bem que ele havia feito a Israel.

[Juízes 9]Juízes 9

O PROCESSO DO PODER
1. Abimelec, filho de Jerobaal, foi a Siquém para a casa de seus tios maternos. E propôs o seguinte a eles e a todos os parentes de seu avô materno:
2. "Digam aos senhores de Siquém: 'O que é melhor para vocês? Que setenta homens, os filhos de Jerobaal, governem vocês, ou que um só os governe? E lembrem-se de que eu sou do mesmo sangue de vocês' ".
3. Então os tios maternos de Abimelec comunicaram isso aos senhores de Siquém, e estes tomaram o partido de Abimelec, dizendo: "Ele é nosso parente".
4. Deram a Abimelec oitocentos gramas de prata do templo de Baal-Berit, e Abimelec usou esse dinheiro para contratar alguns homens desocupados e aventureiros, que se colocaram à sua disposição.
5. Foi à casa de seu pai em Efra e matou sobre a mesma pedra seus irmãos, os setenta filhos de Jerobaal. No entanto, Joatão, o filho caçula de Jerobaal, escapou porque se havia escondido.
6. Depois todos os senhores de Siquém e todos os de Bet-Melo se reuniram perto do carvalho da estela que está em Siquém, e proclamaram Abimelec como rei.

O PODER É UMA ARMADILHA
7. Quando Joatão soube disso, subiu ao topo do monte Garizim, e gritou: "Ouçam-me, senhores de Siquém, para que Deus também ouça vocês.
8. Certo dia, as árvores se puseram a caminho para ungir um rei que reinasse sobre elas. Disseram à oliveira: 'Reine sobre nós'.
9. A oliveira respondeu: 'Vocês acham que vou deixar o meu azeite, que honra deuses e homens, para ficar balançando sobre as árvores?'
10. Então as árvores disseram à figueira: 'Venha você, e reine sobre nós'.
11. A figueira respondeu: 'Vocês acham que vou deixar o meu doce fruto saboroso, para ficar balançando sobre as árvores?'
12. Então as árvores disseram à videira: 'Venha você, e reine sobre nós'.
13. A videira respondeu: 'Vocês acham que vou deixar meu vinho novo, que alegra deuses e homens, para ficar balançando sobre as árvores?'
14. Então todas as árvores disseram ao espinheiro: 'Venha você, e reine sobre nós'.
15. Então o espinheiro respondeu às árvores: 'Se vocês querem mesmo me ungir para reinar sobre vocês, venham e se abriguem debaixo da minha sombra. Senão, sairá fogo do espinheiro e devorará os cedros do Líbano'.
16. Pois bem! Será que vocês procederam com sinceridade e lealdade proclamando Abimelec como rei? Será que vocês agiram bem com Jerobaal e sua família? Será que vocês se comportaram com ele conforme os favores que ele fez a vocês?
17. Meu pai lutou por vocês e até arriscou a vida para livrá-los do poder de Madiã.
18. No entanto, hoje vocês se revoltaram contra a família do meu pai, assassinaram sobre a mesma pedra os setenta filhos dele, e proclamaram rei dos senhores de Siquém esse Abimelec, filho de uma escrava do meu pai, com o pretexto de que ele é parente de vocês.
19. Muito bem! Se vocês agiram com sinceridade e lealdade com Jerobaal e sua família, então façam festa com Abimelec, e que ele festeje com vocês.
20. Caso contrário, que saia fogo de Abimelec e devore os senhores de Siquém e de Bet-Melo, e que saia fogo dos senhores de Siquém e de Bet-Melo, e devore Abimelec".
21. Depois Joatão tornou a fugir e foi para Bera. Aí ficou, longe do seu irmão Abimelec.

O ESPÍRITO DA DIVISÃO
22. Abimelec governou Israel durante três anos.
23. Depois disso, Deus enviou um espírito mau entre Abimelec e os senhores de Siquém, e estes traíram Abimelec.
24. Desse modo, o assassinato dos setenta filhos de Jerobaal e o sangue deles caiu sobre Abimelec, que os havia assassinado, e sobre os senhores de Siquém, que tinham sido cúmplices no massacre.
25. Os senhores de Siquém tinham armado emboscadas no alto dos montes e assaltavam todos os que passavam pelo caminho. E Abimelec foi informado disso.

TENTATIVA FRUSTRADA
26. Gaal, filho de Obed, foi a Siquém com seus irmãos e ganhou a confiança dos senhores de Siquém.
27. Saíram ao campo para colher as uvas, pisaram as uvas e celebraram a festa. Foram ao templo do seu deus; aí comeram e beberam, amaldiçoando Abimelec.
28. Gaal, filho de Obed, disse: "Quem é Abimelec e o que é Siquém, para ficarmos a serviço deles? Por acaso ele não é o filho de Jerobaal, e Zebul não é o governador deles? Que sirvam o povo de Hemor, pai de Siquém! Por que nós deveríamos servir Abimelec?
29. Eu gostaria de ter o poder sobre esse povo. Então eu pegaria Abimelec e lhe diria: 'Reforce seu exército e venha para o combate'!"
30. Zebul, governador da cidade, ouviu o que havia dito Gaal, filho de Obed. Ficou cheio de raiva
31. e mandou secretamente mensageiros a Abimelec, avisando-o: "Gaal, filho de Obed, chegou com seus irmãos a Siquém e estão subvertendo a cidade contra você.
32. Venha de noite com seu pessoal e fique de emboscada no campo.
33. De manhãzinha, apareça e ataque a cidade. Quando Gaal e os que estão com ele saírem ao seu encontro, faça o que você achar melhor".
34. Abimelec se pôs a caminho de noite com seu pessoal, e armaram emboscada diante de Siquém, divididos em quatro grupos.
35. Gaal, filho de Obed, saiu e parou na porta da cidade. Então Abimelec, com seu pessoal, saiu da emboscada.
36. Vendo toda essa gente, Gaal disse a Zebul: "Veja! Está descendo gente do alto dos montes". Zebul respondeu: "O que você está vendo é a sombra dos montes, e pensa que é gente".
37. Gaal insistiu: "Está descendo gente do Umbigo da Terra, e mais um grupo está vindo pela estrada do carvalho dos Adivinhos".
38. Então Zebul lhe disse: "Onde está agora essa boca que falava: 'Quem é Abimelec, para que sejamos seus escravos?' São esses que você desprezava. Saia agora e lute contra eles".
39. Então Gaal saiu à frente dos senhores de Siquém e começou a lutar contra Abimelec.
40. E Abimelec o perseguiu. Gaal fugiu e muitos caíram mortos antes de chegar à porta da cidade.
41. Abimelec voltou para Aruma, e Zebul expulsou, de Siquém, Gaal e seus irmãos.

A VINGANÇA
42. No dia seguinte, o povo saiu para o campo, e Abimelec foi informado.
43. Tomou então seu pessoal, o dividiu em três grupos, e se pôs de emboscada no campo. Quando viu o povo sair da cidade, lançou-se ao ataque e o massacrou.
44. Abimelec e seu pessoal avançaram e se colocaram na entrada da porta da cidade, enquanto os outros dois grupos atacavam e massacravam os que tinham saído pelo campo.
45. Abimelec atacou a cidade o dia inteiro. Depois de tomá-la, massacrou os habitantes, destruiu a cidade e espalhou sal sobre ela.
46. Ao saber disso, todos os senhores da Torre de Siquém se refugiaram na cripta do templo de El-Berit.
47. Quando Abimelec soube que todos os senhores da Torre de Siquém estavam reunidos,
48. subiu ao monte Selmon com todo o seu pessoal, pegou do machado, cortou um galho de árvore, o colocou nos ombros, e disse aos outros: "Depressa. Façam a mesma coisa".
49. Cada um cortou um galho de árvore e seguiu Abimelec. Amontoaram os galhos sobre a cripta e os queimaram sobre aqueles que aí estavam escondidos. Todos os habitantes da Torre de Siquém morreram, cerca de mil, entre homens e mulheres.

MORTE DO OPRESSOR
50. Depois disso, Abimelec avançou contra Tebes, a cercou e tomou.
51. No centro da cidade havia uma torre fortificada, onde todos os homens, mulheres e senhores da cidade se refugiaram. Fecharam a porta e subiram ao terraço.
52. Abimelec se aproximou da torre, procurando assaltá-la. Quando chegou perto da porta para atear fogo,
53. uma mulher jogou uma mó de moinho sobre a cabeça dele e lhe fraturou o crânio.
54. Abimelec chamou logo o escudeiro e disse: "Pegue a espada e mate-me, para não dizerem que uma mulher me matou". O escudeiro o atravessou com a espada, e ele morreu.
55. Quando os israelitas viram que Abimelec tinha morrido, voltou cada um para sua casa.
56. Desse modo, Deus fez cair sobre Abimelec o mal que ele tinha feito a seu pai, massacrando seus setenta irmãos.
57. Do mesmo modo, Deus fez cair sobre os habitantes de Siquém todo o mal que haviam feito. E assim se cumpriu a maldição de Joatão, filho de Jerobaal.

[Juízes 10]Juízes 10

TOLA E JAIR
1. Depois de Abimelec, surgiu Tola, filho de Fua, filho de Dodo, para livrar Israel. Ele era da tribo de Issacar e vivia em Samir, na região montanhosa de Efraim.
2. Foi juiz em Israel durante vinte e três anos. Depois morreu, e foi sepultado em Samir.
3. Depois de Tola, surgiu Jair de Galaad, que julgou Israel durante vinte e dois anos.
4. Jair tinha trinta filhos, que montavam trinta jumentos, e possuíam trinta cidades, que ainda hoje se chamam Aldeias de Jair, em Galaad.
5. Depois Jair morreu, e o sepultaram em Camon.

REVER OS ERROS PARA APRENDER
6. Os israelitas tornaram a fazer o que Javé reprova: prestaram culto a Baal e Astarte, e também aos deuses de Aram e de Sidônia, aos deuses de Moab e dos amonitas e filisteus. Abandonaram a Javé, e já não lhe prestavam culto.
7. Então a ira de Javé se inflamou contra Israel. E Javé o entregou aos filisteus e amonitas,
8. que, a partir desse momento, humilharam e oprimiram durante dezoito anos todos os israelitas que habitavam em Galaad, na Transjordânia, terra dos amorreus.
9. Os amonitas atravessaram o Jordão, com intenção de lutar também contra Judá, Benjamim e a tribo de Efraim. E a situação de Israel chegou ao pior extremo.
10. Então os israelitas clamaram a Javé: "Pecamos contra ti. Abandonamos a Javé nosso Deus, para prestar culto aos ídolos".
11. Javé disse aos israelitas: "Eu, por acaso, não libertei vocês dos egípcios, amorreus, amonitas e filisteus?
12. Os sidônios, amalecitas e madianitas oprimiram vocês. Então vocês clamaram a mim, e eu os salvei.
13. No entanto, vocês me abandonaram para servir a outros deuses. Por isso não vou mais salvar vocês.
14. Vão clamar aos deuses que vocês escolheram. Eles é que devem salvar vocês no tempo do aperto!"
15. Então os israelitas insistiram: "Nós pecamos. Faze de nós o que achares melhor, mas liberta-nos hoje".
16. Eles deixaram os deuses estrangeiros e prestaram culto a Javé. E Javé não pôde mais suportar o sofrimento de Israel.
17. Os amonitas se reuniram e acamparam em Galaad. Os israelitas também se reuniram e acamparam em Masfa.
18. Então o povo e os chefes de Galaad comentaram: "Quem terá coragem de atacar os amonitas? Esse vai ser o chefe de todos os habitantes de Galaad".

[Juízes 11]Juízes 11

DEUS LIBERTA ATRAVÉS DOS MARGINALIZADOS
1. Jefté, o galaadita, era um guerreiro valente, filho de Galaad e de uma prostituta.
2. Galaad teve outros filhos com sua esposa legítima. E quando estes cresceram, expulsaram Jefté, dizendo: "Você não pode participar da herança do nosso pai, porque você é filho de outra mulher".
3. Jefté fugiu para longe de seus irmãos e se estabeleceu na terra de Tob. Aí reuniu uma turma de desocupados, que andavam com ele.
4. Algum tempo depois, os amonitas declararam guerra a Israel.
5. Quando os amonitas começaram a atacar Israel, os anciãos de Galaad foram procurar Jefté, na terra de Tob,
6. e lhe disseram: "Venha ser o nosso comandante na guerra contra os amonitas".
7. Jefté, porém, respondeu: "Vocês me odiaram e me expulsaram da casa de meu pai. Por que vêm me procurar na hora do aperto?"
8. Os anciãos de Galaad disseram a Jefté: "Pois é. Agora vimos procurar você, para que você venha lutar conosco contra os amonitas. Você será o nosso chefe e também o de todos os habitantes de Galaad".
9. Jefté respondeu aos anciãos: "Vocês querem que eu volte para lutar contra os amonitas? Pois bem! Se Javé os entregar na minha mão, então eu serei o chefe de vocês".
10. Os anciãos de Galaad disseram a Jefté: "Que Javé nos castigue, se não fizermos o que você está dizendo".
11. Então Jefté foi com os anciãos de Galaad. O povo o nomeou chefe e comandante, e Jefté prestou juramento em Masfa, na presença de Javé.

TENTATIVA DE ACORDO
12. Jefté enviou emissários ao rei dos amonitas, com a seguinte mensagem: "O que foi que eu fiz, para que você venha atacar a minha terra?"
13. O rei dos amonitas respondeu aos emissários de Jefté: "Quando Israel veio do Egito ele se apoderou da minha terra, desde o rio Arnon até o Jaboc e o Jordão. Devolva-me agora, em paz, o que você me tomou".
14. Jefté enviou novamente emissários ao rei dos amonitas
15. com esta mensagem: "Assim diz Jefté: Os israelitas não se apoderaram do país de Moab, nem do país de Amon.
16. Quando Israel veio do Egito, caminhou pelo deserto até o mar Vermelho, e chegou a Cades.
17. Então Israel enviou emissários ao rei de Edom, pedindo para atravessar o país. Mas o rei de Edom não fez caso. Israel enviou também emissários ao rei de Moab e também este não fez caso. Então Israel ficou em Cades,
18. e depois seguiu pelo deserto, contornou o país de Edom e de Moab, chegou à parte oriental de Moab e acampou no outro lado do rio Arnon, sem violar a fronteira, porque o Arnon é a fronteira de Moab.
19. Em seguida, Israel enviou emissários a Seon, rei dos amorreus, que reinava em Hesebon, pedindo que os deixasse atravessar o território dele, para chegar ao próprio destino.
20. Seon, porém, recusou, não acreditando no pedido de Israel para lhe atravessar a fronteira, e reuniu seu exército, acampou em Jasa, e atacou Israel.
21. Javé, Deus de Israel, entregou Seon e seu exército nas mãos de Israel, que os derrotou e tomou posse da terra dos amorreus que habitavam nessa região.
22. Foi assim que Israel tomou posse da região dos amorreus, desde o Arnon até o Jaboc, e desde o deserto até o Jordão.
23. Pois bem! Se Javé, Deus de Israel, expulsou os amorreus diante do seu povo Israel, será você agora quem nos vai expulsar?
24. Você possui tudo o que seu deus Camos lhe deu. E nós possuímos o que Javé nosso Deus tomou de seus possuidores.
25. Será que você é melhor do que Balac, filho de Sefor, rei de Moab? Ele se atreveu a lutar contra Israel? Ele declarou guerra a Israel?
26. Há trezentos anos, Israel se estabeleceu em Hesebon e arredores, em Aroer e arredores, e em todas as cidades que estão ao longo do rio Arnon. Por que você não a tomou durante todo esse tempo?
27. Veja bem. Eu não ofendi você. Foi você que agiu mal, declarando guerra contra mim. Que Javé, o Juiz, julgue entre israelitas e amonitas".
28. Todavia, o rei dos amonitas não fez caso da mensagem de Jefté.

PROMESSA IMPRUDENTE
29. Então o espírito de Javé desceu sobre Jefté, que atravessou o território de Galaad e Manassés, passou por Masfa e Galaad, e daí foi até os amonitas.
30. E Jefté fez uma promessa a Javé: "Se entregares os amonitas em meu poder,
31. então, quando eu voltar vitorioso da guerra contra eles, a primeira pessoa que sair para me receber na porta de casa, pertencerá a Javé, e eu a oferecerei em holocausto".
32. Jefté partiu para guerrear contra os amonitas, e Javé os entregou em seu poder.
33. Jefté os derrotou desde Aroer até Menit, tomando vinte cidades, e foi até Abel-Carmim. Foi uma grande derrota, e os amonitas foram dominados pelos israelitas.
34. Jefté voltou para a sua casa em Masfa. E foi justamente sua filha quem saiu para recebê-lo, dançando ao som de tamborins. Era sua filha única, pois Jefté não tinha outros filhos ou filhas.
35. Logo que viu a filha, Jefté rasgou as vestes, e gritou: "Ai, minha filha, como sou infeliz! Você é a minha desgraça, porque eu fiz uma promessa a Javé e não posso voltar atrás".
36. Ela respondeu: "Pai, se você fez promessa a Javé, cumpra o que prometeu, porque Javé concedeu a você vingar-se dos inimigos".
37. E pediu ao pai: "Conceda-me apenas isto: deixe-me andar dois meses pelos montes, chorando com minhas amigas, porque vou morrer virgem".
38. Jefté lhe disse: "Vá". E deixou-a andar por dois meses. Ela foi pelos montes com suas amigas, chorando porque ia morrer virgem.
39. Dois meses depois, ela voltou para casa, e seu pai cumpriu a promessa que tinha feito. A moça era virgem. Daí começou um costume em Israel:
40. todos os anos as moças israelitas saem por quatro dias para chorar a filha de Jefté, o galaadita.

[Juízes 12]Juízes 12

A COMICHÃO DO PODER
1. Os efraimitas se reuniram, atravessaram o Jordão a caminho do norte, e perguntaram a Jefté: "Por que você fez guerra contra os amonitas, sem nos convidar para ir junto? Vamos queimar sua casa com você dentro".
2. Jefté respondeu: "Eu e meu povo tivemos um grande conflito com os amonitas. Pedi ajuda a vocês, e vocês a negaram.
3. Quando vi que ninguém aparecia para ajudar, arrisquei a vida, marchei contra os amonitas e Javé os entregou em meu poder. Por que é que vocês vêm hoje contra mim?"
4. Então Jefté reuniu os galaaditas e atacou os efraimitas. Os efraimitas foram derrotados, porque diziam: "Vocês, galaaditas, são fugitivos de Efraim, pois Galaad fica entre Efraim e Manassés".
5. E os galaaditas ocuparam os vaus do Jordão, cortando a passagem de Efraim. Quando os efraimitas fugitivos pediam para passar, os galaaditas perguntavam: "Você é efraimita?"
6. Se ele dizia que não, eles pediam: "Então diga Chibôlet". Ele dizia

Cibôlet, porque não conseguia pronunciar doutro modo. Então eles o agarravam e o matavam nos vaus do Jordão. Nesse tempo, foram mortos quarenta e dois mil efraimitas.
7. Jefté foi juiz em Israel durante seis anos. Depois morreu e foi sepultado em sua cidade, em Galaad.

ABESÃ, ELON E ABDON
8. Depois de Jefté, o juiz em Israel foi Abesã, de Belém.
9. Ele teve trinta filhos e trinta filhas. Casou as filhas fora, e trouxe de fora trinta mulheres para seus filhos. Foi juiz em Israel durante sete anos.
10. Depois morreu e foi sepultado em Belém.
11. Depois de Abesã, o juiz em Israel foi Elon, de Zabulon. Foi juiz em Israel durante dez anos.
12. Depois morreu e foi sepultado em Aialon, na terra de Zabulon.
13. Depois de Elon, o juiz em Israel foi Abdon, filho de Ilel de Faraton.
14. Ele teve quarenta filhos e trinta netos, que montavam setenta jumentos. Foi juiz em Israel durante oito anos.
15. Depois morreu e foi sepultado em Faraton, na terra de Efraim, na região montanhosa dos amalecitas.

[Juízes 13]Juízes 13

NASCIMENTO DE UM HERÓI
1. Os israelitas tornaram a fazer o que Javé reprova. E Javé os entregou aos filisteus durante quarenta anos.
2. Havia um homem de Saraá, do clã de Dã, que se chamava Manué. Sua mulher era estéril e não tinha filhos.
3. O anjo de Javé apareceu à mulher e lhe disse: "Você é estéril e não tem filhos, mas ficará grávida e dará à luz um filho.
4. Tome cuidado: não beba vinho, nem qualquer outra bebida alcoólica, e não coma nada que seja impuro,
5. porque você ficará grávida e dará à luz um filho. A navalha não será passada sobre a cabeça do menino, porque desde o seio da mãe ele será consagrado a Deus. É ele quem começará a salvar Israel do poder dos filisteus".
6. A mulher foi falar assim ao marido: "Um homem de Deus veio me visitar. Pela sua aparência majestosa, parecia um anjo de Deus. Eu não perguntei de onde ele veio, nem ele me disse o seu nome.
7. Ele só me falou o seguinte: 'Você ficará grávida e dará à luz um filho; tome cuidado para não beber vinho, nem qualquer outra bebida alcoólica, e não coma nada que seja impuro, porque o menino será consagrado a Deus, desde o seio de sua mãe até o dia de sua morte' ".
8. Então Manué rezou a Javé: "Eu te peço, Senhor: que o homem de Deus que enviaste, volte e nos diga o que devemos fazer com o menino, quando ele nascer".
9. Deus ouviu a oração de Manué, e o anjo de Deus apareceu outra vez à mulher, quando ela estava no campo. Seu marido Manué não estava com ela.
10. A mulher foi correndo avisar o marido: "O homem que me visitou outro dia, voltou".
11. Manué seguiu a mulher e foi perguntar ao homem: "Foi você quem falou com esta mulher?" Ele respondeu: "Sim. Fui eu mesmo".
12. Manué disse: "Quando se realizar a sua palavra, como será o comportamento do menino? O que é que ele deve fazer?"
13. O anjo de Javé respondeu a Manué: "A mulher não poderá fazer nada daquilo que lhe foi proibido:
14. não colocará na boca nada que seja feito de uva, não beberá vinho nem bebida alcoólica e não comerá nenhuma coisa impura. Ela deve observar tudo o que eu mandei".
15. Manué disse ao anjo de Javé: "Fique conosco, que vamos preparar um cabrito para você".
16. O anjo de Javé respondeu a Manué: "Mesmo que eu fique, não provarei a sua comida. Mas, se você quiser, prepare um holocausto e ofereça a Javé". Manué não tinha percebido que esse homem era o anjo de Javé.
17. E Manué perguntou: "Qual é o seu nome, para que possamos agradecer a você, quando suas palavras se realizarem?"
18. O anjo de Javé retrucou: "Por que você está querendo saber o meu nome? Ele é misterioso".
19. Então Manué pegou o cabrito com a oferta, e ofereceu-o sobre a rocha em holocausto a Javé, que realiza coisas misteriosas. Manué e sua mulher ficaram observando.
20. Quando a chama do altar subiu para o céu, o anjo de Javé também subiu na chama. Vendo isso, Manué e sua mulher caíram com o rosto no chão.
21. O anjo de Javé não apareceu mais, nem para Manué nem para a sua mulher. Então Manué entendeu que era o anjo de Javé.
22. Ele disse à sua mulher: "Certamente morreremos, porque vimos a Deus".
23. A mulher respondeu: "Se Javé nos quisesse matar, não teria aceito o holocausto e a oferta, não nos teria mostrado tudo o que vimos, nem nos teria comunicado essas coisas".
24. A mulher deu à luz um filho e lhe deu o nome de Sansão. O menino cresceu e Javé o abençoou.
25. E o espírito de Javé começou a agitar Sansão no Acampamento de Dã, entre Saraá e Estaol.

[Juízes 14]Juízes 14

FORÇA E DOÇURA
1. Sansão desceu a Tamna, e aí viu uma jovem filistéia.
2. Quando voltou, disse a seus pais: "Eu vi uma jovem filistéia em Tamna. Peçam que ela seja minha esposa".
3. Os seus pais responderam: "Será que não existe mulher nenhuma entre seus parentes e no meio de todo o nosso povo, para você se casar com uma mulher desses filisteus incircuncisos?" Sansão insistiu com o pai: "Peça que ela seja minha esposa, pois é dela que eu gosto".
4. Seus pais não sabiam que era Javé quem fazia isso, buscando um pretexto contra os filisteus, porque nessa época os filisteus dominavam Israel.
5. Sansão desceu a Tamna. Chegando perto dos vinhedos de Tamna, viu um leãozinho que vinha rugindo ao seu encontro.
6. O espírito de Javé desceu sobre Sansão, e ele, sem ter nada nas mãos, despedaçou o leãozinho, como se despedaça um cabrito. Sansão, porém, não contou nada a seus pais.
7. Ele desceu a Tamna, falou com a moça e ficou gostando dela.
8. Algum tempo depois, quando estava indo para se casar com ela, desviou-se do caminho para ver o leão morto. Encontrou um enxame de abelhas com mel, na carcaça do leão.
9. Recolheu o mel na mão e foi comendo pelo caminho. Quando alcançou seus pais, deu-lhes mel, e eles comeram. Sansão, porém, não disse para eles que tinha tirado o mel da carcaça do leão.
10. Desceu até a casa da moça e aí ofereceu um banquete, como os jovens costumam fazer.
11. Desde que o viram, escolheram trinta companheiros para ficarem com ele.
12. Sansão disse aos companheiros: "Vou propor a vocês uma adivinhação. Se vocês acertarem a resposta durante os sete dias do banquete, eu lhes darei trinta peças de linho e trinta roupas de festa.
13. Mas se vocês não adivinharem a resposta, vocês é que me devem dar trinta peças de linho e trinta roupas de festa". Eles disseram: "Vamos lá. Qual é a adivinhação?"
14. Sansão propôs: "Do que come saiu comida, e do forte saiu doçura". Três dias depois, eles ainda não tinham adivinhado a resposta.
15. No quarto dia, disseram à mulher de Sansão: "Convença o seu marido a dizer a resposta da adivinhação. Senão, nós vamos pôr fogo em você e na casa de seu pai. Ou será que você nos convidou só para nos deixar sem nada?"
16. A mulher de Sansão foi e dizia, chorando no ombro dele: "Você não me ama. O que você sente por mim é ódio. Você propôs uma adivinhação para os homens do meu povo, e não diz para mim qual é a resposta!" Sansão respondeu: "Nem para meus pais eu disse; por que iria dizer a você?"
17. No entanto, ela chorou no ombro dele durante os sete dias do banquete. Importunava tanto que, no sétimo dia, Sansão acabou contando para ela a resposta. E ela foi contar aos homens do seu povo.
18. No sétimo dia, antes que Sansão fosse para o quarto de dormir, os homens da cidade chegaram e disseram: "O que é mais doce do que o mel, e o que é mais forte do que o leão?" Sansão replicou: "Se vocês não tivessem arado com minha novilha, vocês não teriam acertado a adivinhação".
19. Então o espírito de Javé desceu sobre Sansão e apossou-se dele. Ele foi até Ascalon, matou trinta homens, tirou as roupas deles e deu para os que tinham adivinhado a resposta. Depois, cheio de raiva, voltou para a casa do seu pai.
20. Sua mulher foi então dada a um dos companheiros que haviam cuidado dele.

[Juízes 15]Juízes 15

UM EXÉRCITO DE RAPOSAS
1. Algum tempo depois, durante a colheita do trigo, Sansão foi visitar sua mulher, levando para ela um cabrito, e pensando: "Vou entrar no quarto da minha mulher". Mas o sogro não o deixou entrar, e disse:
2. "Achei que você não gostava mais dela, e por isso a dei para um dos seus companheiros. Mas veja: a irmã menor é mais bonita! Fique com ela em lugar da outra".
3. Sansão, porém, replicou: "Desta vez não sou culpado do mal que vou fazer aos filisteus".
4. Então Sansão foi, pegou trezentas raposas, preparou tochas, amarrou rabo com rabo de cada duas raposas, e neles amarrou as tochas.
5. Depois ateou fogo nas tochas e soltou as raposas no meio das plantações dos filisteus. Desse modo, queimou não só os feixes de trigo já colhidos, mas também o que ainda estava plantado, e até as vinhas e oliveiras.
6. Os filisteus perguntaram: "Quem foi que fez isso?" Responderam: "Foi Sansão, o genro do homem de Tamna. Ele fez isso porque o sogro lhe tirou a mulher e a deu ao seu companheiro". Então os filisteus subiram e puseram fogo na mulher e na casa do pai dela.
7. Sansão disse aos filisteus: "Já que vocês fizeram isso, não vou parar, enquanto não me vingar de vocês".
8. E caiu sobre eles, fazendo um massacre terrível. Depois foi para a gruta do rochedo de Etam e aí ficou morando.

ARMA DE SANSÃO
9. Os filisteus subiram e acamparam contra Judá, saindo para atacar na região de Queixada.
10. Os habitantes de Judá protestaram: "Por que vocês subiram contra nós?" Os filisteus responderam: "Aqui estamos para prender Sansão e lhe devolver o que ele fez conosco".
11. Três mil homens de Judá foram à gruta do rochedo de Etam e disseram a Sansão: "Você não sabe que estamos sob o domínio dos filisteus? Por que você fez isso conosco?" Sansão respondeu: "Paguei a eles com a mesma moeda".
12. Eles insistiram: "Viemos aqui para prender você e o entregar aos filisteus". Sansão disse: "Jurem que vocês não vão me matar".
13. Eles responderam: "Não. Só queremos prender você e o entregar a eles. Não pretendemos matá-lo". Então o amarraram com duas cordas novas e o levaram para fora do rochedo.
14. Quando Sansão estava chegando a Queixada, os filisteus foram recebê-lo com grande algazarra. O espírito de Javé invadiu Sansão, e as cordas que lhe amarravam os braços ficaram como fio de linho queimado, e os laços que prendiam suas mãos se soltaram.
15. Vendo uma queixada de jumento ainda fresca, Sansão a pegou e com ela matou mil homens.
16. Depois Sansão cantou: "Com uma queixada de jumento eu os amontoei. Com uma queixada de jumento, mil homens eu matei".
17. Quando acabou de cantar, jogou longe a queixada. É por isso que se deu a esse lugar o nome de Alto da Queixada.
18. Depois, Sansão ficou com muita sede e gritou para Javé: "Tu me concedeste essa grande vitória. Será que agora vou morrer de sede e cair nas mãos desses incircuncisos?"
19. Então Deus fendeu a rocha que está em Queixada, e dela correu água. Sansão bebeu, recuperou as forças e se reanimou. É por isso que deram o nome de Fonte do Grito para a fonte que ainda existe em Queixada.
20. Sansão foi juiz em Israel durante vinte anos, no tempo dos filisteus.

[Juízes 16]Juízes 16

A PORTA DE GAZA
1. Sansão foi a Gaza, viu aí uma prostituta e dormiu com ela.
2. E a notícia espalhou-se em Gaza: "Sansão está aqui". Fizeram rondas e todos passaram a noite vigiando junto à porta da cidade. Passaram tranqüilamente toda a noite, porque diziam: "De manhã nós o mataremos".
3. Sansão, porém, ficou deitado até a meia-noite. À meia-noite levantou-se, pegou as folhas da porta com os batentes, arrancou-as com tranca e tudo, colocou-as no ombro e as carregou até o alto da montanha que está diante de Hebron.

SANSÃO E DALILA
4. Depois disso tudo, Sansão se apaixonou por Dalila, mulher do vale de Sorec.
5. Os chefes dos filisteus procuraram Dalila e lhe propuseram: "Seduza Sansão e descubra onde está a grande força dele e de que modo o poderemos dominar, amarrar e prender. E cada um de nós dará mil e cem moedas de prata para você".
6. Dalila disse a Sansão: "Vamos, me conte o segredo de sua grande força e como é que você deveria ser amarrado para ficar dominado".
7. Sansão lhe disse: "Se me amarrarem com sete cordas de arco novas, que ainda não foram postas para secar, eu perderei a minha força e ficarei como qualquer outro homem".
8. Os chefes dos filisteus levaram a Dalila sete cordas de arco novas que ainda não tinham sido postas para secar, e Dalila usou as cordas para amarrar Sansão.
9. Ela havia escondido no quarto alguns homens. Depois gritou: "Sansão, os filisteus vão pegar você!" Mas Sansão arrebentou as cordas como se fossem um cordão de estopa meio queimado. E ninguém ficou sabendo o segredo de sua força.
10. Dalila se queixou com Sansão: "Você caçoou de mim e mentiu. Vamos, me diga como seria possível dominar você".
11. Sansão respondeu: "Se me amarrarem com cordas novas, que ainda não tenham sido usadas, eu perderei a minha força e ficarei como qualquer outro homem".
12. Então Dalila pegou cordas novas, amarrou Sansão e gritou: "Sansão, os filisteus vão pegar você!" Ela havia escondido no quarto alguns homens, mas Sansão arrebentou como se fosse uma linha as cordas que lhe amarravam os braços.
13. Dalila se queixou de novo: "Até agora você só caçoou de mim e me disse mentiras. Vamos, me diga como você pode ser dominado". Sansão respondeu: "Se você tecer as sete tranças do meu cabelo com a urdidura de um tear, e as fixar com um pino, perderei a minha força e ficarei como qualquer outro homem".
14. Dalila fez Sansão dormir, teceu as sete tranças de seu cabelo com a urdidura, prendeu-as com um pino, e gritou: "Sansão, os filisteus vão pegar você!" Sansão acordou e arrancou o pino do tear junto com a urdidura.
15. Então Dalila lhe disse: "Como você pode dizer que me ama se não confia em mim? Você já me enganou três vezes e não me contou o segredo de sua grande força".
16. Como Dalila o importunasse e insistisse todos os dias com suas queixas, Sansão caiu num desespero mortal,
17. e lhe contou todo o segredo: "A navalha nunca passou sobre a minha cabeça, pois eu sou consagrado a Deus desde o seio de minha mãe. Se cortarem meu cabelo, eu perderei a minha força. Ficarei fraco e seria como qualquer outro homem".
18. Dalila sentiu que Sansão tinha contado todo o segredo, e mandou chamar os chefes dos filisteus, dizendo: "Venham, porque Sansão me contou todo o segredo". Os chefes dos filisteus foram logo, levando o dinheiro.
19. Dalila fez Sansão dormir no seu colo, chamou um homem, e este cortou as sete tranças do cabelo de Sansão. Sansão começou a ficar fraco e sua força desapareceu.
20. Então Dalila gritou: "Sansão, os filisteus vão pegar você!" Ele acordou e pensou: "Vou me safar como das outras vezes". Mas ele não percebeu que Javé o tinha abandonado.
21. Os filisteus o agarraram, lhe furaram os olhos e o levaram para Gaza. Aí o prenderam com duas correntes de bronze, e Sansão ficou na prisão girando a pedra do moinho.
22. Entretanto, o cabelo que tinha sido cortado começou a crescer de novo.
23. Os chefes dos filisteus se reuniram para oferecer um grande sacrifício ao deus Dagon e para festejar. Diziam: "Nosso deus nos entregou o nosso inimigo Sansão!"
24. Ao ver Sansão, o povo começou a louvar seu deus e a dizer: "Nosso deus nos entregou o nosso inimigo Sansão, aquele que devastou nossas terras e multiplicou nossos mortos".
25. Quando já estavam bem alegres, disseram: "Mandem vir Sansão para nos divertir". Mandaram Sansão vir da prisão, para que dançasse diante deles. Quando o colocaram entre duas colunas,
26. Sansão disse ao moço que o levava pela mão: "Deixe-me num lugar onde eu possa tocar as colunas que sustentam o templo, para que eu possa me apoiar nelas".
27. O templo estava cheio de homens e mulheres, e aí se encontravam também todos os chefes dos filisteus. Havia gente até no terraço, ao todo cerca de três mil homens e mulheres, que assistiam a Sansão a dançar.
28. Sansão invocou a Javé: "Por favor, Senhor Javé, lembra-te de mim. Dá-me forças mais uma vez, para que eu me vingue dos filisteus com um só golpe por causa dos meus olhos".
29. Sansão tocou as duas colunas centrais que sustentavam o templo, apoiou-se numa com a direita e noutra com a esquerda,
30. e gritou: "Que eu morra junto com os filisteus". Empurrou as colunas com toda a força, e o templo desabou sobre os chefes e todo o povo que aí se encontrava. Desse modo, ao morrer, Sansão matou muito mais gente do que tinha matado durante toda a sua vida.
31. Seus parentes e toda a sua família foram e o levaram embora, enterrando-o entre Saraá e Estaol, no túmulo do seu pai Manué. Sansão foi juiz em Israel durante vinte anos.

[Juízes 17]IV. O CULTO AO DEUS DO ÊXODO

Juízes 17

1. Na região montanhosa de Efraim havia um homem que se chamava Micas.
2. Um dia, ele falou à sua mãe: "Lembra-se daquelas mil e cem moedas de prata que a senhora pensou que tinham sido roubadas, e inclusive amaldiçoou o ladrão, na minha frente? Aqui está o dinheiro. Fui eu que o peguei". Sua mãe falou: "Que Javé o abençoe, meu filho!"
3. Micas devolveu as mil e cem moedas à sua mãe, que disse: "Eu tinha reservado esse dinheiro para Javé, em favor de meu filho, para fazer uma estátua e um ídolo de metal fundido".
4. E Micas devolveu o dinheiro à sua mãe. Ela pegou duzentas moedas e as deu ao ourives para fazer uma estátua e um ídolo de metal fundido, que foram colocados na casa de Micas.
5. Micas tinha um santuário. Fez um efod e uns ídolos domésticos, e consagrou como sacerdote um de seus filhos.
6. Nesse tempo não havia rei em Israel, e cada um fazia o que lhe parecia correto.
7. Havia, em Judá, um jovem de Belém, do clã de Judá, que era levita e morava aí como imigrante.
8. Ele deixou a cidade de Belém em Judá, com intenção de se estabelecer onde pudesse. Enquanto viajava, passou pela região montanhosa de Efraim, e chegou à casa de Micas.
9. E Micas lhe perguntou: "De onde você vem?" Ele respondeu: "Sou levita de Belém de Judá, e estou de viagem para me estabelecer onde puder".
10. Micas lhe propôs: "Fique comigo, e seja para mim como pai e sacerdote. Eu lhe darei dez moedas de prata por ano, além da roupa e da comida".
11. O levita concordou em ficar com Micas, e este o tratou como a um filho.
12. Micas consagrou o levita, e o jovem ficou na casa de Micas como sacerdote.
13. E Micas pensou: "Agora estou certo de que Javé vai me favorecer, pois tenho este levita como sacerdote".

[Juízes 18]Juízes 18

1. Nesse tempo não havia rei em Israel, e a tribo de Dã estava procurando um território para morar, porque ainda não tinha recebido sua herança entre as tribos de Israel.
2. Os danitas mandaram cinco homens valentes de seu clã, de Saraá e Estaol, para explorar a terra. Foram até a região montanhosa de Efraim e chegaram à casa de Micas, onde passaram a noite.
3. Quando estavam perto da casa de Micas, reconheceram a voz do levita e se aproximaram, perguntando: "Quem trouxe você para cá? O que é que você está fazendo aqui e com que trabalha?"
4. O levita respondeu: "Micas me contratou como sacerdote".
5. Então lhe pediram: "Consulte a Deus para sabermos se a viagem que estamos fazendo vai dar certo".
6. O sacerdote respondeu: "Podem ir em paz. A viagem de vocês está sob os cuidados de Javé".
7. Os cinco homens partiram e chegaram a Laís. Viram que os habitantes do lugar viviam em segurança como os sidônios; viviam tranqüilos e seguros, e não passavam privações ou apertos de nenhuma natureza. Sidônia ficava longe, e eles não mantinham relações com os arameus.
8. Os exploradores voltaram para junto de seus irmãos em Saraá e Estaol, e estes lhes perguntaram: "Que notícias vocês trazem?"
9. Eles responderam: "Vamos lutar contra eles, pois vimos que a terra é excelente! Não fiquem aí parados, não hesitem para tomar posse do território.
10. Chegando lá, vocês vão encontrar um povo tranqüilo. O território é extenso, e Deus o entregou na mão de vocês. É um lugar onde os produtos da terra são abundantes".
11. Então, cerca de seiscentos homens armados do clã de Dã emigraram de Saraá e Estaol.
12. Subiram e acamparam em Cariat-Iarim, em Judá. É por isso que esse lugar até hoje se chama Acampamento de Dã.
13. Daí passaram para a região montanhosa de Efraim e se aproximaram da casa de Micas.
14. Os cinco exploradores que tinham estado aí disseram a seus irmãos: "Saibam que há nessas casas um efod e ídolos domésticos, uma estátua e um ídolo de metal fundido. Pensem bem no que vocês vão fazer".
15. Eles se desviaram para lá, chegaram à casa do levita e o saudaram.
16. Os seiscentos danitas armados montaram guarda junto à porta,
17. e os cinco exploradores entraram na casa, pegaram a estátua, o efod, os ídolos domésticos e o ídolo de metal fundido. Enquanto isso, o sacerdote estava à entrada da porta com os seiscentos homens armados.
18. Eles entraram na casa de Micas, pegaram a estátua, o efod, os ídolos domésticos e o ídolo de metal fundido. O sacerdote, então, lhes perguntou: "O que vocês estão fazendo?"
19. Eles responderam: "Cale-se e venha conosco para ser nosso pai e sacerdote. O que é melhor para você? Ser sacerdote na casa de um homem, ou sacerdote de uma tribo e de um clã israelita?"
20. O sacerdote gostou. Pegou o efod, os ídolos domésticos e a estátua, e foi com eles.
21. Retomaram o caminho e partiram, colocando à frente as mulheres e as crianças, os animais e a bagagem.
22. Já estavam longe da casa de Micas, quando os vizinhos de Micas deram o alarme e começaram a perseguir os danitas.
23. Como vinham gritando, os danitas viraram para trás e perguntaram a Micas: "O que aconteceu? Por que você está gritando desse jeito?"
24. Micas respondeu: "Vocês roubaram o deus que eu havia feito e levaram também o sacerdote. Agora estão partindo sem me deixar nada. E ainda me perguntam o que foi que aconteceu?"
25. Os danitas disseram: "Não diga mais nada. Do contrário, alguns homens violentos poderiam atacá-lo e você perderia a vida junto com sua família".
26. Os danitas continuaram a viagem; Micas, percebendo que eles eram mais fortes, recuou e voltou para casa.
27. Depois de terem se apossado do deus que Micas fizera e do sacerdote que vivia com ele, os danitas atacaram Laís, onde morava um povo tranqüilo e confiante. Passaram todos ao fio da espada e incendiaram a cidade,
28. sem que ninguém fosse socorrer os habitantes, porque a cidade ficava longe de Sidônia, e eles não se relacionavam com os arameus. A cidade estava situada no vale que se estende na direção do Bet-Roob. Os danitas reconstruíram a cidade e aí se estabeleceram.
29. Deram à cidade o nome de Dã, que era o pai dos danitas e filho de Israel. Antes, porém, a cidade se chamava Laís.
30. Os danitas instalaram a estátua, e Jônatas, filho de Gersam e neto de Moisés, assim como seus filhos, foram sacerdotes da tribo de Dã, até o dia em que as pessoas do território foram levadas para o exílio.
31. Os danitas instalaram para seu uso a estátua que Micas havia feito, e essa estátua ficou aí durante todo o tempo em que existiu o santuário de Silo.

[Juízes 19]V. JUSTIÇA E SOLIDARIEDADE

Juízes 19

1. Nesse tempo, quando ainda não havia rei em Israel, um levita morava no fundo da região montanhosa de Efraim e tinha uma concubina, originária de Belém de Judá.
2. A concubina foi infiel para com ele e o deixou, voltando para a casa de seu pai em Belém de Judá, aí permanecendo durante quatro meses.
3. O homem foi procurar a mulher para agradá-la e a trazer de volta. Levou consigo um servo e dois jumentos. Quando estava chegando, o pai da moça o viu e saiu todo contente para recebê-lo.
4. Seu sogro, o pai da moça, o hospedou. E ele aí ficou três dias, comendo, bebendo e dormindo.
5. No quarto dia, quando se levantaram de manhã, o levita preparou-se para partir. Então o pai da moça disse ao genro: "Primeiro se alimente, coma um pedaço de pão e depois vocês partirão".
6. Sentaram-se, comeram e beberam juntos. O pai da moça disse ao genro: "Por favor, eu lhe peço: fique mais esta noite e alegre o seu coração".
7. Como o levita se preparava para partir, o sogro insistiu; e então ele pernoitou.
8. No quinto dia, o genro levantou-se de manhã para ir embora. Então o pai da moça disse: "Primeiro se alimente". Ficaram assim até quase o fim do dia e comeram juntos.
9. Quando o levita se levantou para partir com sua concubina e seu servo, o sogro, pai da moça, lhe disse: "Já está ficando tarde. Passe aqui a noite e alegre o seu coração. Amanhã você madrugará e partirá para casa".
10. Mas o levita não quis passar a noite. Partiu e chegou até perto de Jebus, isto é, Jerusalém. Levava consigo dois jumentos carregados, a mulher e o servo.
11. Quando chegaram perto de Jebus, já havia entardecido, e o servo disse ao patrão: "Podemos desviar para essa cidade dos jebuseus e dormir aí".
12. O patrão replicou: "Não vamos sair do nosso caminho para ficar numa cidade de estrangeiros, de gente que não é israelita. Vamos continuar até Gabaá".
13. E acrescentou: "Vamos chegar até um desses lugares, Gabaá ou Ramá, e aí passaremos a noite".
14. Foram então mais longe e, ao pôr-do-sol, estavam perto de Gabaá de Benjamim.
15. E entraram aí para passar a noite. O levita entrou e sentou-se na praça da cidade, mas ninguém o convidou para passar a noite em casa.
16. Pela tarde, chegou um velho que voltava do trabalho no campo. Ele era de Efraim; e, portanto, também ele vivia como imigrante em Gabaá, enquanto os do lugar eram benjaminitas.
17. O velho ergueu os olhos, viu o viajante na praça da cidade, e lhe perguntou: "De onde você vem e para onde vai?"
18. O outro respondeu: "Estamos viajando de Belém de Judá para a região montanhosa de Efraim. Eu sou de lá. Fui a Belém de Judá e estou voltando para casa, mas ninguém me ofereceu hospedagem.
19. Entretanto, temos palha e forragem para nossos animais, e eu também tenho pão e vinho para mim, para minha mulher e para o servo que nos acompanha. Não precisamos de nada".
20. O velho disse: "Seja bem-vindo. Deixe-me ajudá-lo no que você precisar. Não passe a noite na praça".
21. Então o velho fez o levita entrar em sua casa e deu forragem aos jumentos. Os viajantes lavaram os pés e depois comeram e beberam.
22. Estavam se reconfortando, quando apareceram uns desocupados da cidade que rodearam a casa e, batendo na porta, diziam para o velho, dono da casa: "Mande sair o homem que entrou na sua casa. Queremos aproveitar dele".
23. O dono da casa saiu e pediu: "Por favor, irmãos, não cometam esse crime. Ele é meu hóspede, não façam essa infâmia.
24. Vejam, tenho uma filha solteira: vou trazê-la a vocês para que façam o que quiserem. Não façam, porém, uma infâmia contra esse homem".
25. Mas eles não deram ouvidos. Então o levita pegou sua concubina e a levou para fora. Eles a violentaram, abusaram dela a noite toda, até de madrugada, e a deixaram ao amanhecer.
26. De madrugada, a mulher voltou e caiu diante da porta da casa onde seu marido se havia hospedado. E aí ficou até o amanhecer.
27. De manhã, o marido se levantou, abriu a porta da casa e estava saindo para continuar a viagem, quando encontrou a mulher caída na porta com as mãos sobre a soleira.
28. E lhe disse: "Levante-se e vamos embora". Mas ela não respondeu. Então o levita a colocou sobre o seu jumento e se pôs a caminho.
29. Quando chegou em casa, pegou uma faca, tomou o cadáver da sua mulher, cortou-o em doze pedaços e os mandou para todo o território de Israel.
30. Todos os que viram isso, comentavam: "Nunca aconteceu, nem se viu coisa igual, desde o dia em que os israelitas saíram do Egito até hoje. Reflitam sobre o assunto e tomem uma decisão".

[Juízes 20]Juízes 20

1. Todos os israelitas, desde Dã até Bersabéia, incluindo o território de Galaad, foram como um só homem e se reuniram em assembléia diante de Javé, em Masfa.
2. Os chefes do povo e todas as tribos de Israel participaram da assembléia do povo de Deus. Eram quatrocentos mil guerreiros armados de espada.
3. Os benjaminitas ficaram sabendo que os israelitas tinham ido a Masfa. Então os israelitas disseram: "Expliquem como é que esse crime foi cometido".
4. O levita, marido da mulher que tinha sido morta, declarou: "Minha mulher e eu chegamos a Gabaá de Benjamim para passar a noite.
5. Os moradores de Gabaá se levantaram contra mim e, durante a noite, cercaram a casa onde eu estava. Eles queriam me matar e violentaram minha concubina, que acabou morrendo.
6. Então peguei minha concubina, cortei-a em pedaços e os mandei por toda a herança de Israel, porque haviam cometido um crime infame em Israel.
7. Vocês todos são israelitas. Conversem e tomem uma decisão".
8. Todo o povo se levantou como um só homem, dizendo: "Ninguém de nós voltará para a sua tenda ou para casa.
9. Vamos fazer o seguinte contra Gabaá: vamos sortear os que deverão atacá-la.
10. De todas as tribos de Israel, tomaremos dez homens de cada cem, cem de cada mil, e mil de cada dez mil. Eles se encarregarão dos mantimentos para o povo, para que o povo, chegando a Gabaá de Benjamim, trate a cidade de acordo com a infâmia que ela cometeu em Israel".
11. Desse modo, todos os israelitas se reuniram como um só homem contra a cidade.
12. Então as tribos israelitas mandaram mensageiros para toda a tribo de Benjamim, dizendo: "Que crime é esse que foi cometido entre vocês?
13. Entreguem esses bandidos que estão em Gabaá, para que os executemos e eliminemos o mal do meio de Israel". Os benjaminitas, porém, não deram ouvidos a seus irmãos israelitas.
14. Foram de suas cidades e se reuniram em Gabaá para guerrear contra os israelitas.
15. Nesse dia, os benjaminitas, vindos das diversas cidades, se alistaram: eram cerca de vinte e seis mil homens armados de espada, sem contar os habitantes de Gabaá.
16. Nesse exército, se alistaram setecentos homens escolhidos, canhotos, capazes de acertar com a funda um fio de cabelo, sem errar.
17. Os homens de Israel também se alistaram, sem incluir Benjamim: eram quatrocentos mil homens armados de espada e preparados para a guerra.
18. Foram a Betel e consultaram a Deus: "Quem de nós irá em primeiro lugar para guerrear contra os benjaminitas?" Javé respondeu: "Judá".
19. Os israelitas madrugaram, acamparam diante de Gabaá,
20. e saíram para combater Benjamim, colocando-se em ordem de batalha diante de Gabaá.
21. Mas os benjaminitas saíram de Gabaá e nesse dia massacraram vinte e dois mil israelitas.
23. Os israelitas voltaram a Betel para chorar até a tarde diante de Javé. Depois consultaram Javé, perguntando: "Devemos lutar de novo contra nosso irmão Benjamim?" Javé respondeu: "Marchem contra ele".
22. Então os israelitas se refizeram, e novamente formaram ordem de batalha no mesmo lugar do dia anterior.
24. No segundo dia, os israelitas se aproximaram dos benjaminitas,
25. mas nesse mesmo dia os benjaminitas saíram de Gabaá contra eles e massacraram mais dezoito mil israelitas, todos armados de espada.
26. Então todos os israelitas foram a Betel com o povo, choraram aí sentados diante de Javé. Jejuaram nesse dia até a tarde, ofereceram a Javé holocaustos e sacrifícios de comunhão,
27. e depois consultaram a Javé. Nesse tempo, a arca da aliança de Deus estava nessa região.
28. E Finéias, filho de Eleazar, filho de Aarão, oficiava junto a ela. Eles perguntaram: "Devemos sair para combater nosso irmão Benjamim, ou devemos desistir?" Javé respondeu: "Ataquem, porque amanhã eu o entregarei a vocês".
29. Então os israelitas armaram emboscadas em torno de Gabaá,
30. e no terceiro dia marcharam contra os benjaminitas e, como das outras vezes, se organizaram para a batalha diante de Gabaá.
31. Os benjaminitas saíram ao encontro dos israelitas e foram atraídos para longe da cidade. Como das outras vezes, começaram a ferir alguns do povo nos caminhos que vão para Betel e para Gabaon. Desse modo, mataram, em campo aberto, cerca de trinta israelitas.
32. Os benjaminitas comentaram: "Vencemos como na primeira vez!" Mas os israelitas tinham combinado: "Vamos fugir para atraí-los para os caminhos, longe da cidade".
33. Então a maior parte dos israelitas abandonou suas posições e se organizou em Baal-Tamar. E a emboscada de Israel apareceu do lugar em que estava, a oeste de Gaba.
34. Dez mil homens escolhidos de Israel chegaram diante de Gabaá e começou um combate violento, sem que os benjaminitas percebessem a desgraça que os aguardava.
35. Javé derrotou Benjamim diante de Israel. Nesse dia, os israelitas mataram vinte e cinco mil e cem homens, todos armados de espada.
36. Os benjaminitas perceberam que tinham sido derrotados. Os israelitas cederam terreno a Benjamim, porque confiavam na emboscada que tinham preparado contra Gabaá.
37. Então os que estavam na emboscada se lançaram rapidamente contra Gabaá; apareceram de repente e passaram todo o povo da cidade ao fio da espada.
38. Os israelitas tinham combinado um sinal com os que estavam na emboscada: estes deviam fazer subir da cidade uma nuvem de fumaça como sinal;
39. nesse momento, os israelitas que estavam no combate recuariam, dando meia-volta. Os benjaminitas já tinham matado uns trinta israelitas, e comentavam: "Vencemos como no primeiro combate".
40. Nesse momento, porém, a fumaça começou a subir da cidade. Os benjaminitas olharam para trás e viram que a cidade inteira ardia em chamas até o céu.
41. Então os israelitas deram meia-volta e os benjaminitas se apavoraram, vendo que estavam perdidos.
42. Então os benjaminitas fugiram dos israelitas, tomando a direção do deserto, mas os perseguidores os alcançaram e os que vinham da cidade os massacraram, atacando-os pela retaguarda.
43. Os israelitas cercaram os benjaminitas, os perseguiram sem tréguas e os foram esmagando até perto de Gaba, do lado leste.
44. Dezoito mil guerreiros benjaminitas caíram mortos.
45. Na fuga, eles foram para o deserto, para os lados do Rochedo de Remon. Pelo caminho ainda caíram cerca de cinco mil. Depois os israelitas os seguiram de perto até Gadaam e mataram mais dois mil homens.
46. O número total de benjaminitas que caíram nesse dia foi de vinte e cinco mil homens armados de espada, todos guerreiros.
47. Na fuga, seiscentos homens foram para o deserto, na direção do Rochedo de Remon, e aí ficaram quatro meses.
48. Os israelitas se voltaram contra os benjaminitas e passaram ao fio da espada a população masculina da cidade e até mesmo o gado e tudo o que encontraram. Também puseram fogo em todas as cidades que encontravam.

[Juízes 21]Juízes 21

1. Os israelitas tinham feito este juramento em Masfa: "Ninguém de nós dará sua filha para casar com nenhum benjaminita".
2. Foram para Betel e ficaram aí, até a tarde sentados diante de Deus, gemendo e chorando inconsoláveis.
3. E diziam: "Javé, Deus de Israel, por que aconteceu isso em Israel? Hoje uma tribo de Israel desapareceu".
4. No dia seguinte, madrugaram, construíram aí um altar e ofereceram holocaustos e sacrifícios de comunhão.
5. Depois perguntaram: "Quem das tribos de Israel não compareceu à assembléia diante de Javé?" Isso porque eles tinham feito juramento solene contra quem não se apresentasse diante de Javé em Masfa; quem não comparecesse se tornaria réu de morte.
6. Os israelitas ficaram com pena de seu irmão Benjamim, e diziam: "Hoje uma tribo foi cortada de Israel.
7. Como podemos providenciar mulheres para os sobreviventes? Nós juramos que nunca lhes daríamos nossas filhas em casamento!"
8. Então eles perguntaram: "Quem das tribos de Israel não compareceu à assembléia diante de Javé em Masfa?" Perceberam então que ninguém de Jabes de Galaad tinha vindo ao acampamento onde foi feita a assembléia.
9. Foram contados todos os que tinham comparecido e, de fato, ninguém de Jabes de Galaad tinha vindo.
10. Então a comunidade mandou para lá doze mil homens armados, com esta ordem: "Vão e passem ao fio da espada todos os habitantes de Jabes de Galaad, inclusive mulheres e crianças.
11. Façam de modo que todos os homens e as mulheres casadas sejam mortos. Deixem com vida apenas as solteiras". E eles assim fizeram.
12. Entre os habitantes de Jabes de Galaad encontraram quatrocentas jovens não casadas, e as levaram ao acampamento em Silo, que está na terra de Canaã.
13. Então toda a comunidade mandou mensageiros com propostas de paz aos benjaminitas que estavam no Rochedo de Remon.
14. Os benjaminitas voltaram, e os israelitas lhes deram as mulheres de Jabes de Galaad, que tinham sido deixadas com vida. Mas essas não eram suficientes para todos eles.
15. O povo teve piedade de Benjamim, porque Javé havia provocado um vazio entre as tribos de Israel.
16. Os anciãos da comunidade perguntaram: "O que é que vamos fazer para que os restantes tenham mulheres, já que as mulheres benjaminitas estão mortas?"
17. E acrescentaram: "Como preservar um resto para os benjaminitas que escaparam, a fim de que não desapareça uma tribo de Israel?
18. Nós não podemos dar mulheres para eles dentre as nossas filhas, porque os israelitas fizeram um juramento, amaldiçoando quem desse mulher para os benjaminitas!"
19. E continuaram: "Há uma festa anual de Javé em Silo, que fica ao norte de Betel, ao leste do caminho que sobe de Betel para Siquém, e ao sul de Lebona".
20. Sugeriram, então, aos benjaminitas: "Vão e escondam-se entre as vinhas.
21. Fiquem observando e, quando as moças de Silo saírem para dançar, vocês saiam das vinhas e cada um de vocês rapte uma mulher para si dentre as moças de Silo e depois retornem com elas para o território de Benjamim.
22. Se os pais ou irmãos delas forem reclamar com vocês, nós lhes diremos: 'Procurem compreender: não podemos tomar mulher para cada um deles na guerra, e vocês também não poderiam dar a eles, porque, nesse caso, vocês se tornariam culpados' ".
23. Assim fizeram os benjaminitas. De acordo com o número deles, tomaram para si esposas entre as dançarinas que raptaram. Depois partiram e retornaram para o território deles; reconstruíram as cidades e se estabeleceram nelas.
24. Depois disso, os israelitas se dispersaram, cada um para a sua tribo e o seu clã, saindo daí cada um para o seu território.
25. Nesse tempo não havia rei em Israel, e cada um fazia o que lhe parecia correto.


[I Samuel 1]I Samuel 1
I. SAMUEL: SACERDOTE, PROFETA E JUIZ

1. SAMUEL E A PALAVRA DE JAVÉ

JAVÉ ATENDE O PEDIDO DO POVO
1. Havia um homem de Ramataim, um sufita da região montanhosa de Efraim, que se chamava Elcana, filho de Jeroam, filho de Eliú, filho de Toú, filho de Suf. Era um efraimita.
2. Elcana tinha duas mulheres: uma se chamava Ana e a outra Fenena. Fenena tinha filhos; Ana, porém, não tinha nenhum.
3. Todos os anos, Elcana subia de sua cidade para Silo, a fim de adorar e oferecer sacrifícios a Javé dos exércitos. Em Silo, estavam Hofni e Finéias, os dois filhos de Eli, que eram sacerdotes de Javé.
4. No dia em que oferecia sacrifícios, Elcana repartia porções para sua mulher Fenena e para todos os filhos e filhas dela.
5. Embora tivesse maior amor por Ana, Elcana lhe dava apenas uma porção, porque Javé a tornara estéril.
6. Com humilhações, Fenena irritava Ana, a quem Javé tinha deixado estéril.
7. Isso acontecia todos os anos; e sempre que eles subiam ao santuário de Javé, Fenena ofendia Ana. E Ana começava a chorar e ficava sem comer.
8. Elcana, seu marido, lhe perguntava: "Ana, por que você fica chorando e não come nada? Por que você está triste? Por acaso, eu não sou melhor para você do que dez filhos?"
9. Depois de terem comido e bebido em Silo, Ana se levantou e se apresentou diante de Javé. O sacerdote Eli estava sentado em sua cadeira junto à porta do santuário de Javé.
10. Cheia de amargura, Ana rezou a Javé, chorou muito,
11. e fez uma promessa, dizendo: "Javé dos exércitos, se quiseres dar atenção à miséria da tua serva e te lembrares de mim, e não te esqueceres da tua serva, e lhe deres um filho homem, então eu o consagrarei a Javé por todos os dias de sua vida, e a navalha não passará sobre a cabeça dele".
12. Como Ana continuasse rezando a Javé, Eli observava os lábios dela.
13. Ana apenas murmurava: seus lábios se moviam, mas não dava para ouvir o que ela dizia. Por isso, Eli pensou que ela estivesse embriagada.
14. Então Eli perguntou: "Até quando você vai ficar embriagada? Acabe primeiro com essa bebedeira!"
15. Ana, porém, respondeu: "Não, meu senhor. Eu sou uma mulher que sofre; não bebi vinho, nem bebida forte. Eu estava apenas me desafogando diante de Javé.
16. Não pense que esta sua serva seja vadia. Falei até agora, porque estou muito triste e aflita".
17. Então lhe disse Eli: "Vá em paz. Que o Deus de Israel conceda o que você lhe pediu".
18. Ana respondeu: "Que esta sua serva possa encontrar sempre o seu favor". Ana foi embora, comeu, e já não parecia a mesma de antes.
19. Levantaram-se de madrugada, adoraram a Javé e voltaram para casa. Chegando a Ramá, Elcana se uniu à sua mulher Ana, e Javé se lembrou dela.
20. Ana ficou grávida e, no tempo certo, deu à luz um filho, e lhe deu o nome de Samuel, dizendo: "Eu o pedi a Javé".
21. Um ano depois, seu marido Elcana subiu com toda a família para oferecer a Javé o sacrifício anual e cumprir a promessa.
22. Ana, porém, não foi junto. Ela disse ao marido: "Quando o menino for desmamado, então eu o levarei para apresentá-lo a Javé, e ele vai ficar lá para sempre".
23. Seu marido Elcana respondeu: "Faça o que achar melhor e espere até que ele seja desmamado. E Javé permita que você possa cumprir a promessa". Desse modo, Ana ficou em casa, e criou o menino até o desmamar.
24. Logo que o desmamou, o levou até o santuário de Javé em Silo, com um bezerro de três anos, quarenta e cinco quilos de farinha e quarenta e cinco litros de vinho. O menino era ainda muito pequeno.
25. Eles imolaram o bezerro e levaram o menino a Eli.
26. Ana disse: "Desculpe, senhor. Eu sou aquela mulher que esteve aqui junto ao senhor, rezando a Javé.
27. O que eu pedia era este menino, e Javé atendeu o meu pedido.
28. Agora, eu o entrego a Javé por toda a vida, para que pertença a ele". E se prostraram diante de Javé.

[I Samuel 2]I Samuel 2

ESPERANÇA DE UM REINO JUSTO
1. Então Ana rezou esta oração: Meu coração se alegra com Javé, em Deus me sinto cheia de força. Agora, que eu possa responder aos meus inimigos, pois me sinto feliz com tua salvação.
2. Ninguém é santo como Javé, não existe Rocha como o nosso Deus.
3. Não multipliquem palavras soberbas, nem saia arrogância da boca de vocês, porque Javé é um Deus que sabe, é ele quem pesa as ações.
4. O arco dos poderosos é quebrado, e os fracos são fortalecidos.
5. Os saciados se empregam por comida, enquanto os famintos engordam com despojos. A mulher estéril dá à luz sete filhos, e a mãe de muitos filhos se esgota.
6. Javé faz morrer e faz viver, faz descer ao abismo e dele subir.
7. Javé torna pobre e torna rico, ele humilha e também levanta.
8. Ele ergue da poeira o fraco e tira do lixo o indigente, fazendo-os sentar-se com os príncipes e herdar um trono glorioso; pois a Javé pertencem as colunas da terra, e sobre elas ele assentou o mundo.
9. Ele guarda o passo de seus fiéis, enquanto os injustos perecem nas trevas - pois não é pela força que o homem triunfa.
10. Javé derrota seus adversários, o Altíssimo troveja lá do céu. Javé julga os confins da terra. Ele dá força ao seu rei e aumenta o poder do seu ungido".

CORRUPÇÃO E CASTIGO
11. Depois Elcana foi para sua casa em Ramá. O menino, porém, ficou a serviço de Javé, sob as ordens do sacerdote Eli.
12. No entanto, os filhos de Eli eram desonestos e não se preocupavam, nem com Javé,
13. nem com as obrigações de sacerdotes para com o povo. Toda vez que alguém oferecia um sacrifício, enquanto se cozinhava a carne, o ajudante do sacerdote ia com um garfo de três dentes,
14. enfiava-o no caldeirão ou na panela, no tacho ou na travessa, e tudo o que o garfo prendia pertencia ao sacerdote. Assim faziam com todos os israelitas que iam a Silo.
15. Antes de queimar a gordura, o ajudante do sacerdote também dizia à pessoa que ia oferecer o sacrifício: "Dê-me a carne, para que o sacerdote asse como quiser. Deve ser carne crua, porque ele não aceitará carne cozida".
16. Se a pessoa respondia: "Primeiro é preciso queimar a gordura, depois você poderá levar o que quiser", o ajudante dizia: "Não. Ou você me dá a carne agora mesmo, ou a tomarei pela força".
17. O pecado desses ajudantes era grave diante de Javé, porque desonravam a oferta feita a Javé.
18. Samuel, por sua vez, prestava serviço diante de Javé, conforme podia fazer uma criança, e vestia um efod de linho.
19. Sua mãe costumava fazer uma pequena túnica, e a levava para ele todo ano, quando ia com o marido para fazer o sacrifício anual.
20. Eli abençoava Elcana e a esposa, e dizia: "Que Javé dê a você descendência por meio desta mulher, como pagamento pelo empréstimo que ela fez a Javé". E eles voltaram para casa.
21. Javé visitou Ana, e ela ficou grávida; deu à luz três filhos e duas filhas. Enquanto isso, Samuel crescia diante de Javé.
22. Apesar de Eli já ser muito velho, estava sempre informado de tudo o que seus filhos faziam com todos os israelitas, e que eles se deitavam com as mulheres que prestavam serviço na entrada da tenda da reunião.
23. Eli dizia a eles: "Por que vocês fazem isso? As pessoas me contam como vocês se comportam mal.
24. Não, meus filhos, o que me contam não é nada bom. Vocês estão escandalizando o povo de Javé.
25. Se um homem ofende outro homem, Deus poderá intervir em favor dele. Mas se alguém peca contra Javé, quem poderá interceder por ele?" Eles, porém, não deram ouvidos ao pai, porque Javé tinha decidido tirar-lhes a vida.
26. Enquanto isso, o jovem Samuel crescia e era estimado por Javé e pelo povo.
27. Um homem de Deus se apresentou a Eli, e lhe disse: "Assim diz Javé: Eu me revelei à família de seu pai, quando eles estavam no Egito e eram escravos do Faraó.
28. Eu a escolhi entre todas as tribos de Israel para exercer o meu sacerdócio, para subir ao meu altar a fim de queimar a oferta e trazer o efod diante de mim. Eu concedi à família de seu pai toda a carne que os israelitas oferecessem a Javé.
29. Por que vocês tratam com desprezo os sacrifícios e as ofertas que mandei fazer em meu santuário? Por que você respeita mais os seus filhos do que a mim, engordando-os com todas as ofertas de Israel, meu povo, diante de mim?
30. Por causa disso - oráculo de Javé, Deus de Israel -, embora eu tenha prometido que sua família e a família de seu pai estariam sempre na minha presença, agora - oráculo de Javé não será mais assim. Porque eu honro os que me honram, mas aqueles que me desprezam serão humilhados.
31. Veja! Vai chegar o dia em que eu cortarei o seu braço e o braço da família de seu pai, para que não haja nenhum velho na sua família.
32. Você olhará com inveja todo o bem que vou fazer a Israel; mas em sua família ninguém chegará a ser velho.
33. Vou conservar um da sua família junto do meu altar, e isso fará seus olhos se consumirem de tanto chorar e sua alma vai ficar desesperada. Seus outros descendentes morrerão na flor da idade.
34. O que vai acontecer a seus dois filhos, Hofni e Finéias, servirá de sinal para você: os dois vão morrer no mesmo dia.
35. Depois disso, farei aparecer um sacerdote fiel, que fará o que eu quero e desejo; vou dar-lhe uma família estável, e ele viverá sempre na presença do meu ungido.
36. Aqueles que sobreviverem da sua família irão prostrar-se diante dele para mendigar uma só moeda ou pedaço de pão, pedindo: 'Por favor, me dê alguma função sacerdotal, para que eu possa comer um pedaço de pão' ".

[I Samuel 3]I Samuel 3

A VOCAÇÃO PROFÉTICA
1. O menino Samuel servia a Javé, sob as ordens de Eli. A palavra de Javé se manifestava raramente nesse tempo e as visões não eram freqüentes.
2. Certo dia, Eli estava deitado em seu quarto. Seus olhos começavam a enfraquecer e ele já não podia enxergar.
3. A lâmpada do santuário ainda não tinha sido apagada e Samuel estava deitado no santuário de Javé, onde se encontrava a arca de Deus.
4. Javé chamou: "Samuel, Samuel". Ele respondeu: "Estou aqui".
5. Ele foi correndo para junto de Eli e disse: "Estou aqui. O senhor me chamou?" Eli respondeu: "Não, eu não chamei você. Vá se deitar". Samuel foi se deitar,
6. e Javé o chamou outra vez. Samuel se levantou, foi até onde Eli estava, e lhe disse: "Estou aqui. O senhor me chamou?" Eli respondeu: "Não chamei você, meu filho. Vá se deitar".
7. Samuel ainda não conhecia Javé, e a palavra de Javé ainda não lhe tinha sido revelada.
8. Javé tornou a chamar Samuel pela terceira vez. Samuel se levantou, foi onde Eli estava, e lhe disse: "Estou aqui. O senhor me chamou?" Então Eli percebeu que era Javé quem estava chamando o menino.
9. E disse a Samuel: "Vá e fique deitado. Se alguém chamar você de novo, diga: 'Fala, Javé, que o teu servo escuta' ". E Samuel foi se deitar no seu lugar.
10. Javé se apresentou e o chamou como antes: "Samuel, Samuel". Então Samuel respondeu: "Fala, que o teu servo escuta".
11. Javé disse a Samuel: "Olhe. Vou fazer uma coisa em Israel que vai ficar zunindo no ouvido de todos os que a ouvirem.
12. Nesse dia, vou executar contra Eli e sua família tudo o que anunciei, do começo até o fim.
13. Comunique a Eli que estou condenando a família dele para sempre, porque ele sabia que seus filhos desonravam a Deus e não os repreendeu.
14. Por isso, juro à família de Eli que sua injustiça nunca será perdoada, nem com sacrifícios, nem com ofertas".
15. Samuel continuou deitado até de manhã. Depois abriu as portas do santuário. Estava com medo de contar a visão a Eli.
16. Mas Eli o chamou: "Samuel, meu filho". Samuel respondeu: "Estou aqui".
17. Eli perguntou: "O que foi que ele disse a você? Não me esconda nada. Que Deus o castigue, se você me esconder alguma coisa do que ele disse".
18. Então Samuel lhe contou tudo, e não escondeu nada. Eli comentou: "Ele é Javé. Que ele faça o que lhe pareça melhor".
19. Samuel crescia, e Javé estava com ele. Nenhuma das palavras que Javé lhe disse deixou de se cumprir.
20. E todo o Israel, desde Dã até Bersabéia, ficou sabendo que Samuel era um profeta confirmado por Javé.
21. E Javé continuou a manifestar-se em Silo, onde havia se revelado a Samuel.

[I Samuel 4]I Samuel 4

1. E a palavra de Samuel foi dirigida para todo o Israel como palavra de Javé. Eli estava muito velho. E seus filhos continuavam se comportando mal diante de Javé.

2. COM JAVÉ NÃO SE BRINCA

A GLÓRIA DE ISRAEL FOI EXILADA Nesse tempo, os filisteus se uniram para fazer guerra contra Israel. Os israelitas saíram para combater contra eles e acamparam perto de Ebenezer, enquanto os filisteus acamparam em Afec.
2. Os filisteus colocaram-se em ordem de batalha contra Israel. No terrível combate, Israel foi vencido pelos filisteus: de suas fileiras, morreram no campo cerca de quatro mil homens.
3. O exército voltou para o acampamento, e os anciãos de Israel disseram: "Por que Javé deixou que fôssemos hoje derrotados pelos filisteus? Vamos a Silo buscar a arca da aliança de Javé nosso Deus. Ela ficará no meio de nós e nos salvará dos nossos inimigos".
4. Mandaram então trazer de Silo a arca da aliança de Javé dos exércitos, entronizado entre os querubins. Hofni e Finéias, os dois filhos de Eli, acompanhavam a arca da aliança de Deus.
5. Quando a arca da aliança de Javé chegou ao acampamento, todo o Israel lançou um grande grito de guerra, e a terra tremeu.
6. Os filisteus ouviram o barulho do grito e perguntaram entre si: "Que significa esse grito tão forte no acampamento dos hebreus?" Então ficaram sabendo que a arca de Javé tinha chegado ao acampamento.
7. Apavorados, diziam: "Deus chegou ao acampamento! Ai de nós! É a primeira vez que nos acontece isso!
8. Ai de nós! Quem nos livrará das mãos desse Deus poderoso? Ele feriu o Egito com toda espécie de calamidades e epidemias.
9. Sejam fortes, filisteus! Sejam homens para não se tornarem escravos dos hebreus, como eles foram escravos de vocês. Sejam homens e lutem".
10. Os filisteus começaram o combate. Israel foi vencido, e cada um fugiu para a sua tenda. A derrota foi grande, pois do lado de Israel foram mortos trinta mil guerreiros.
11. A arca de Deus foi tomada e os dois filhos de Eli, Hofni e Finéias, morreram.
12. Um benjaminita saiu correndo das fileiras e chegou a Silo no mesmo dia, com a roupa rasgada e a cabeça coberta de pó.
13. Quando chegou, Eli estava sentado em sua cadeira, ao lado da porta, olhando para a estrada, porque estava preocupado com a arca de Deus. O homem entrou na cidade dando a notícia, e a população se pôs a gritar.
14. Eli ouviu a gritaria e perguntou: "O que é todo esse alvoroço?" Enquanto isso, o benjaminita correu para dar a notícia a Eli.
15. Ora, Eli estava com noventa e oito anos; tinha os olhos imóveis e não podia mais enxergar.
16. O benjaminita disse a Eli: "Sou o homem que chegou do campo de batalha". Eli perguntou: "O que aconteceu, meu filho?"
17. O mensageiro respondeu: "Israel fugiu dos filisteus e a derrota do exército foi grande. Seus dois filhos, Hofni e Finéias, morreram e a arca de Deus foi tomada".
18. Quando o homem falou da arca de Deus, Eli caiu da cadeira para trás, junto à porta, quebrou o pescoço e morreu. Ele já era velho e pesado. Tinha sido juiz em Israel durante quarenta anos.
19. A nora de Eli, mulher de Finéias, estava grávida, e o momento do parto já se aproximava. Quando ouviu a notícia de que tinham tomado a arca de Deus e de que o sogro e o marido tinham morrido, chegaram as dores do parto, ela se encurvou e deu à luz.
20. Estando para morrer, as mulheres que lhe davam assistência disseram: "Ânimo! Você teve um filho". Ela, porém, não respondeu, nem fez caso disso.
21. Deu a seu filho o nome de Icabod, dizendo: "A glória de Israel foi exilada". Falou assim, referindo-se à tomada da arca de Deus e também por causa do sogro e do marido.
22. E repetia: "A glória de Israel foi exilada, porque tomaram a arca de Deus".

[I Samuel 5]I Samuel 5

JAVÉ NÃO SE DEIXA ASSIMILAR POR UM SISTEMA IDÓLATRA
1. Os filisteus tomaram a arca de Deus e a levaram de Ebenezer para Azoto.
2. Pegaram a arca de Deus e a colocaram no templo de Dagon, junto à estátua de Dagon.
3. Na manhã seguinte os habitantes de Azoto se levantaram e encontraram Dagon caído de bruços diante da arca de Javé. Pegaram Dagon e o puseram novamente no seu lugar.
4. Na manhã seguinte se levantaram e de novo encontraram Dagon caído de bruços diante da arca de Javé. A cabeça e as duas mãos de Dagon tinham sido cortadas e estavam na entrada da porta. Só o tronco de Dagon estava no seu lugar.
5. É por isso que os sacerdotes de Dagon e todos os que entram no seu templo, até o dia de hoje, não pisam a soleira da porta do templo de Dagon, em Azoto.
6. Depois disso, a mão de Javé caiu pesadamente contra os habitantes de Azoto e os castigou com tumores em Azoto e nas redondezas.
7. Quando viram o que estava acontecendo, os habitantes de Azoto disseram: "A arca do Deus de Israel não deve ficar conosco, porque a mão dele está pesando contra nós e contra o deus Dagon".
8. Então convocaram em Azoto todos os príncipes dos filisteus e perguntaram: "O que devemos fazer com a arca do Deus de Israel?" Os príncipes decidiram: "Levem a arca do Deus de Israel para Gat". E assim fizeram.
9. Mas, logo que a levaram, a mão de Javé caiu sobre a cidade, e houve um grande pânico, porque Javé feriu com tumores toda a população, tanto as crianças como os adultos.
10. Levaram então a arca de Deus para Acaron. Logo que a arca de Deus chegou, o povo da cidade protestou: "Vocês trouxeram a arca do Deus de Israel para nos matar, a nós e às nossas famílias!"
11. Então mandaram convocar os príncipes dos filisteus, e disseram: "Devolvam a arca do Deus de Israel. É melhor que volte ao seu lugar, antes que destrua a todos nós e às nossas famílias". O povo estava tomado de pavor mortal, porque a mão de Deus era muito pesada;
12. os que não morriam, ficavam cheios de tumores. E o clamor do povo subia até o céu.

[I Samuel 6]I Samuel 6

DEUS EXIGE RESPEITO
1. A arca de Javé ficou sete meses na terra dos filisteus.
2. Por fim, eles chamaram os sacerdotes e os adivinhos e os consultaram: "O que devemos fazer com a arca de Javé? Digam para nós como podemos devolvê-la a seu lugar".
3. Eles responderam: "Se vocês querem devolver a arca do Deus de Israel, não a mandem sem nada, mas paguem uma indenização. Desse modo, vocês recuperarão a saúde e saberão por que Deus os castigou tanto".
4. O povo perguntou: "Que indenização devemos pagar?" Eles responderam: "Cinco tumores de ouro e cinco ratos de ouro, em nome de cada príncipe dos filisteus, porque eles sofreram a mesma praga que vocês.
5. Façam imagens de seus tumores e dos ratos que devastam o território, e as ofereçam como homenagem ao Deus de Israel. Talvez o peso de sua mão se afaste de vocês, do seu país e do seu deus.
6. Não fiquem de coração endurecido como os egípcios e o Faraó. Depois que Deus os tratou tão mal, eles acabaram deixando os israelitas partir.
7. Agora peguem e preparem uma carroça nova e duas vacas com crias e que ainda não tenham usado canga; atrelem as vacas à carroça e levem de volta no curral os bezerros delas.
8. Peguem a arca de Javé e a coloquem na carroça. Quanto aos objetos de ouro que servem para pagar a indenização, os coloquem num cofre, ao lado da arca, e deixem que ela vá embora.
9. Fiquem observando: se ela tomar o caminho do seu próprio território, indo para Bet-Sames, foi Deus quem fez esse grande mal para nós; se não seguir esse caminho, saberemos que não foi a mão dele que nos atingiu, mas foi apenas um acaso".
10. Eles assim fizeram. Pegaram duas vacas com crias e as atrelaram à carroça, deixando os bezerros no curral.
11. Colocaram a arca de Javé na carroça e também o cofre com os ratos de ouro e as imagens dos tumores.
12. As vacas foram logo pelo caminho de Bet-Sames. Iam mugindo, sem se desviar para a direita ou para a esquerda. Os príncipes dos filisteus as acompanharam até as fronteiras de Bet-Sames.
13. Os habitantes de Bet-Sames estavam cortando trigo no vale. Quando olharam, viram a arca e foram alegres ao seu encontro.
14. A carroça chegou ao campo de Josué em Bet-Sames e parou no lugar onde havia uma grande pedra. Então as pessoas racharam a madeira da carroça e ofereceram as vacas em holocausto a Javé.
15. Os levitas tinham tirado da carroça a arca de Javé e o cofre com os objetos de ouro. Então colocaram tudo sobre a grande pedra. Nesse dia o povo de Bet-Sames ofereceu holocaustos e sacrifícios a Javé.
16. Os cinco príncipes dos filisteus ficaram observando e, no mesmo dia, voltaram para Acaron.
17. Os tumores de ouro que os filisteus tinham pago como indenização para Javé eram cinco: um por Azoto, um por Gaza, um por Ascalon, um por Gat e um por Acaron.
18. Os ratos de ouro foram oferecidos em nome de todas as cidades dos filisteus, incluindo as cidades dos cinco príncipes, as cidades fortificadas e as aldeias do campo. A pedra grande onde colocaram a arca de Javé, ainda está como testemunha no campo de Josué, em Bet-Sames.
19. Quando viram a arca de Javé, os filhos de Jeconias não fizeram festa como os outros. Por isso é que Javé castigou setenta homens deles. O povo ficou de luto, porque Javé os tinha ferido com grande castigo.
20. E os habitantes de Bet-Sames disseram: "Quem poderá ficar na presença de Javé, o Deus santo? Para onde podemos mandar a arca, para nos livrarmos dela?"
21. Mandaram então esta mensagem aos habitantes de Cariat-Iarim: "Os filisteus devolveram a arca de Javé. Venham buscá-la".

[I Samuel 7]I Samuel 7

1. Os habitantes de Cariat-Iarim foram e levaram a arca de Javé. Colocaram a arca na casa de Abinadab, no alto da colina, e consagraram Eleazar, filho de Abinadab, para guardar a arca de Javé.

3. SAMUEL, MEDIADOR E LIBERTADOR

AUTORIDADE VOLTADA PARA O POVO
2. Desde que a arca foi colocada em Cariat-Iarim, passou-se longo tempo: cerca de vinte anos. Todo o povo de Israel começou a lamentar diante de Javé.
3. Então Samuel falou a todos os israelitas: "Se vocês querem se converter de todo o coração para Javé, tirem do meio de vocês os deuses e deusas dos estrangeiros. Devotem-se inteiramente a Javé e sirvam somente a ele. Assim ele vai livrar vocês do poder filisteu".
4. Então os israelitas se livraram das imagens dos deuses e deusas dos estrangeiros, e começaram a servir somente a Javé.
5. Samuel ordenou: "Reúnam todo o Israel em Masfa, e eu rezarei a Javé por vocês".
6. Eles se reuniram em Masfa, tiraram água, e a derramaram diante de Javé. Nesse dia, fizeram jejum e confessaram: "Pecamos contra Javé". E Samuel julgou os israelitas em Masfa.
7. Os filisteus ficaram sabendo que os israelitas haviam se reunido em Masfa. Então os príncipes dos filisteus subiram contra Israel. Ao ouvir isso, os israelitas ficaram com medo dos filisteus,
8. e disseram a Samuel: "Não cale a nossa causa. Grite por nós a Javé, nosso Deus, para que ele nos liberte do poder filisteu".
9. Samuel pegou um cordeirinho que ainda mamava e o ofereceu em holocausto. Depois gritou a Javé em favor de Israel, e Javé o escutou.
10. Enquanto Samuel estava oferecendo o holocausto, os filisteus atacaram Israel. Nesse dia, porém, Javé mandou contra os filisteus uma grande tempestade, que os espalhou, e Israel os derrotou.
11. Os israelitas saíram de Masfa, perseguiram os filisteus e os foram derrotando até Bet-Car.
12. Então Samuel pegou uma pedra e a colocou entre Masfa e Sen; deu-lhe o nome de Ebenezer, explicando: "Javé nos socorreu até aqui".
13. Os filisteus foram dominados e nunca mais invadiram o território de Israel, porque a mão de Javé pesou sobre eles enquanto Samuel viveu.
14. Israel reconquistou as cidades que os filisteus tinham tomado. Desse modo, tais cidades, junto com seus territórios voltaram ao poder de Israel, desde Acaron até Gat. E houve paz entre Israel e os amorreus.
15. Até a sua morte, Samuel foi juiz em Israel.
16. Todos os anos ele visitava Betel, Guilgal e Masfa, e julgava Israel em todos esses lugares.
17. Depois voltava a Ramá, onde ficava sua residência e onde exercia suas funções de juiz sobre Israel. Foi aí que construiu um altar para Javé.

[I Samuel 8]II. SAMUEL E SAUL: AVALIAÇÃO DA AUTORIDADE POLÍTICA

1. INSTITUIÇÃO DE UM PODER CENTRAL

I Samuel 8

ALIENAÇÃO PODE CUSTAR CARO
1. Quando já estava velho, Samuel estabeleceu os dois filhos seus como juízes em Israel.
2. Seu primeiro filho se chamava Joel, e o segundo Abias. Os dois exerceram o cargo de juiz em Bersabéia.
3. Eles, porém, não seguiram o exemplo do pai, deixando-se levar pela ganância: aceitaram suborno e distorceram o direito.
4. Então os anciãos de Israel se reuniram e foram até Samuel, em Ramá.
5. Disseram a Samuel: "Veja. Você já está velho e seus filhos não seguem o seu exemplo. Por isso, escolha para nós um rei, para que ele nos governe, como acontece em todas as nações".
6. Não agradou a Samuel a frase que eles disseram: "Dê-nos um rei para que nos governe". Então Samuel invocou a Javé.
7. E Javé disse a Samuel: "Atenda à voz do povo em tudo o que eles pedirem, pois não é a você que eles estão rejeitando, mas a mim; não querem mais que eu reine sobre eles.
8. Assim como eles têm feito desde o dia em que os tirei do Egito até hoje, abandonando-me e servindo outros deuses, a mesma coisa eles fizeram com você.
9. Atenda o pedido deles. Contudo, mostre com clareza e explique para eles o direito do rei que reinará sobre eles".
10. Samuel transmitiu todas as palavras de Javé ao povo que lhe pedia um rei.
11. E lhes disse: "Este é o direito do rei que governará vocês: ele convocará os filhos de vocês para cuidar dos carros e cavalos dele, e correr à frente do seu carro.
12. Ele os nomeará chefes de mil e chefes de cinqüenta. Ele os obrigará a ararem a terra dele e fazerem a colheita para ele, a fabricarem para ele armas de guerra e as peças dos seus carros.
13. As filhas de vocês serão convocadas para trabalhar como perfumistas, cozinheiras e padeiras.
14. Ele tomará os campos, as vinhas e os melhores olivais de vocês, para dá-los aos ministros.
15. Pegará a décima parte das plantações e vinhas de vocês, e as dará aos oficiais e ministros.
16. Os melhores servos e servas, os bois e jumentos de vocês, ele os tomará para que fiquem a serviço dele,
17. e cobrará, como tributo, a décima parte dos rebanhos. E vocês mesmos serão transformados em escravos dele.
18. Quando isso acontecer, vocês se queixarão do rei que escolheram. Nesse dia, porém, Javé não dará nenhuma resposta a vocês".
19. No entanto, o povo não quis ouvir as explicações de Samuel, e disse: "Não tem importância. Teremos um rei,
20. e seremos também como as outras nações: nosso rei nos governará, irá à nossa frente para comandar nossas guerras".
21. Samuel ouviu tudo o que o povo disse e foi contar a Javé.
22. E Javé respondeu: "Se é isso que querem, estabeleça um rei para eles". Então Samuel disse aos israelitas: "Volte cada um para a sua cidade".

[I Samuel 9]I Samuel 9

A REALEZA É DOM DE JAVÉ
1. Entre os benjaminitas, havia um homem chamado Cis, filho de Abiel, filho de Seror, filho de Becorat, filho de Afia. Era um benjaminita muito importante.
2. Esse homem tinha um filho chamado Saul, jovem de boa aparência. Era um israelita imponente: os outros lhe chegavam apenas até os ombros.
3. As jumentas de Cis, pai de Saul, tinham se extraviado. Cis disse ao filho Saul: "Chame um dos empregados e vá procurar as jumentas".
4. Eles cruzaram a região montanhosa de Efraim, atravessaram o território de Salisa, mas não as encontraram. Atravessaram a região de Salim, e nada. Atravessaram a região de Benjamim, e nem aí encontraram as jumentas.
5. Quando chegaram ao território de Suf, Saul disse ao empregado que o acompanhava: "Vamos voltar, senão o meu pai vai ficar mais preocupado conosco do que com as jumentas".
6. O empregado, porém, sugeriu: "Olhe. Na cidade vizinha há um homem de Deus que é muito famoso. Tudo o que ele diz, acontece de fato. Vamos até lá. Quem sabe ele nos possa orientar sobre o caminho que devemos seguir".
7. Saul disse ao empregado: "Podemos ir. Mas o que vamos oferecer a esse homem? Já não temos pão na sacola. Não temos nada para oferecer a esse homem de Deus. Será que sobrou alguma coisa?"
8. O empregado respondeu: "Tenho aqui uma pequena moeda de prata. Vou oferecê-la ao homem de Deus, e ele nos dará uma orientação".
9. (Em Israel, antigamente, quando alguém ia consultar a Deus, costumava dizer: 'Vamos ao vidente'. Porque, em lugar de 'profeta', como se diz hoje, dizia-se 'vidente').
10. Saul replicou: "Ótimo, vamos lá". E foram à cidade onde morava o homem de Deus.
11. Quando subiam a ladeira para a cidade, encontraram duas moças que iam buscar água. Então perguntaram a elas: "É aqui que mora o vidente?"
12. As moças responderam: "É sim. Ele acabou de chegar um pouco antes de vocês. Vão depressa. Ele veio hoje à cidade, porque hoje o povo vai oferecer um sacrifício no lugar alto.
13. Entrando na cidade, vocês o encontrarão antes que ele suba ao lugar alto para comer. O povo não vai comer antes que ele chegue, porque é ele quem abençoa o sacrifício. Só depois é que os convidados podem comer. Subam logo, e vocês o encontrarão".
14. Eles então subiram até à cidade. Quando estavam passando pela porta da cidade, Samuel ia na direção deles para subir até o lugar alto.
15. Ora, um dia antes da chegada de Saul, Javé tinha feito uma revelação a Samuel:
16. "Amanhã, nesta mesma hora, vou mandar a você um homem da terra de Benjamim. Você o ungirá como chefe do meu povo Israel, e ele libertará o povo do poder filisteu, porque eu vi a miséria do meu povo, e o seu clamor chegou até junto de mim".
17. Quando Samuel viu Saul, Javé o avisou: "É esse o homem de quem falei a você. É ele quem vai dirigir o meu povo".
18. Saul chegou perto de Samuel, no meio da porta, e lhe perguntou: "O senhor pode me dizer onde é a casa do vidente?"
19. Samuel respondeu: "Eu sou o vidente. Suba na minha frente até o lugar alto. Hoje você comerá comigo, e amanhã de manhã você irá embora. Vou resolver a questão que o preocupa.
20. Não se preocupe com as jumentas que você perdeu há três dias. Elas já foram encontradas. Aliás, de quem é toda a riqueza de Israel? Não é, por acaso, sua e da família do seu pai?"
21. Saul respondeu: "Eu sou de Benjamim, a menor das tribos de Israel; meu clã é o menos importante de todos os da tribo de Benjamim. Por que o senhor está me dizendo isso?"
22. Samuel levou Saul e seu empregado até a sala e lhes deu um lugar de honra entre os convidados, que eram cerca de trinta pessoas.
23. Depois disse ao cozinheiro: "Traga aquela porção que mandei você preparar".
24. Então o cozinheiro levou o pernil e o rabo e os serviu a Saul, enquanto Samuel dizia: "Aí está o que foi reservado para você. Coma, porque foi guardado para esta ocasião, a fim de que você o coma junto com os convidados". E nesse dia, Saul comeu ao lado de Samuel.
25. Em seguida, desceram do lugar alto para a cidade, prepararam para Saul uma cama no terraço,
26. e ele se deitou. Ao nascer do sol, Samuel chamou Saul no terraço, e disse: "Levante-se, que eu vim para me despedir". Saul se levantou e saiu da casa com Samuel.
27. Quando chegaram aos limites da cidade, Samuel disse a Saul: "Mande o empregado ir na frente. Quanto a você, espere um momento, para que eu comunique a você a palavra de Deus".

[I Samuel 10]I Samuel 10

1. Então Samuel pegou a vasilha de óleo, e o derramou sobre a cabeça de Saul. Depois o beijou e disse: "Javé ungiu você para ser chefe sobre Israel, o povo dele. Você governará o povo e o libertará dos inimigos vizinhos. Eis o sinal de que Javé ungiu você como chefe da herança dele.
2. Hoje, quando sair daqui, você encontrará dois homens junto ao túmulo de Raquel, na fronteira de Benjamim. Eles lhe dirão: 'Encontraram as jumentas que você estava procurando. Seu pai esqueceu a história das jumentas e está preocupado com você, e anda perguntando: O que será que aconteceu com o meu filho?'
3. Daí, indo mais adiante, você chegará ao Carvalho do Tabor, e então encontrará três homens subindo para o santuário de Deus em Betel: um estará levando três cabritos, outro três pães, e o terceiro uma vasilha com vinho.
4. Eles vão cumprimentar você e oferecer dois pães. Você deve aceitar.
5. Depois você chegará a Gabaá de Deus, onde estão os governadores filisteus. Entrando na cidade, você topará com um grupo de profetas descendo do lugar alto, acompanhados de harpas, tamborins, flautas e cítaras; eles estarão em transe.
6. Então o espírito de Javé virá sobre você, e também você entrará em transe com eles e se transformará em outro homem.
7. Quando esses sinais se realizarem, faça o que você achar melhor, porque Deus estará com você.
8. Desça para Guilgal antes de mim. Em seguida, eu irei encontrar-me com você para oferecer holocaustos e sacrifícios de comunhão. Espere sete dias. Depois eu irei ao seu encontro e mostrarei a você o que deverá fazer".
9. Assim que Saul virou as costas e deixou Samuel, Deus lhe mudou o coração. E todos esses sinais aconteceram nesse mesmo dia.
10. Daí, partiram para Gabaá, e um grupo de profetas foi ao encontro de Saul. O espírito de Javé desceu sobre ele, que entrou em transe no meio deles.
11. Todos os que conheciam Saul há muito tempo, o viram profetizando entre os profetas, e diziam uns para os outros: "O que é que aconteceu com o filho de Cis? Também Saul entre os profetas?"
12. Um homem da vizinhança perguntou: "Quem é o pai dele?" É por isso que se tornou provérbio esta frase: "Também Saul entre os profetas?"
13. Tendo saído do transe, Saul foi para casa.
14. O tio de Saul perguntou a ele e ao empregado: "Aonde é que vocês foram?" Saul respondeu: "Buscar as jumentas. Como não as encontramos, fomos ter com Samuel".
15. O tio de Saul perguntou: "Conte-me o que foi que Samuel disse para vocês".
16. Saul disse ao tio: "Ele nos contou que as jumentas já tinham sido encontradas". Não falou nada, porém, do que Samuel tinha dito sobre a realeza.

SAUL É ESCOLHIDO REI POR SORTEIO
17. Em Masfa, Samuel convocou o povo em torno de Javé,
18. e falou aos israelitas: "Assim diz Javé, o Deus de Israel: Eu tirei Israel do Egito, e libertei vocês do poder do Egito e do poder de todos os reinos que os oprimiam.
19. Contudo, hoje vocês rejeitaram o Deus de vocês, que os salvou de todos os males e angústias. Vocês disseram: 'Não importa, estabeleça um rei para nós!' Agora, portanto, compareçam diante de Javé por tribos e clãs".
20. Samuel convocou todas as tribos de Israel, e foi sorteada a tribo de Benjamim.
21. Convocou então a tribo de Benjamim por clãs, e o clã de Metri foi sorteado. E Saul, filho de Cis, foi apontado no sorteio. Procuraram Saul, mas não o encontraram.
22. Consultaram, então, a Javé: "Saul está aqui?" Javé respondeu: "Ele está escondido entre as bagagens".
23. Correram para buscá-lo, e ele apareceu no meio do povo: os outros lhe chegavam apenas até os ombros.
24. Samuel disse a todo o povo: "Estão vendo quem Javé escolheu? Não há, entre todo o povo, ninguém igual a ele". E todo o povo começou a aclamar, gritando: "Viva o rei!"
25. Samuel explicou ao povo o direito do rei, e o escreveu num livro, que colocou diante de Javé. Em seguida, despediu o povo, cada um para sua casa.
26. Saul também voltou para sua casa em Gabaá, e com ele foram também os valentes, cujo coração Deus havia tocado.
27. Os vadios, porém, comentaram: "Como é que esse sujeito nos poderá salvar?" E o desprezaram, e não lhe deram presentes. E Saul se calava.

[I Samuel 11]I Samuel 11

SAUL ELEITO POR ACLAMAÇÃO
1. Um mês depois, o amonita Naás fez uma incursão e acampou contra Jabes de Galaad. Todos os habitantes de Jabes propuseram a Naás: "Faça uma aliança conosco e seremos seus servos".
2. Naás, porém, respondeu: "Farei uma aliança com a condição de furar o olho direito de vocês. Desse modo, provocarei todo o povo de Israel".
3. Então os anciãos de Jabes lhe pediram: "Dê-nos uma trégua de sete dias. Mandaremos mensageiros a todo o território de Israel. Se ninguém nos ajudar, nós nos renderemos a você".
4. Os mensageiros chegaram a Gabaá de Saul, expuseram a situação a todo o povo, e todos começaram a chorar e a gritar.
5. Ora, aconteceu que Saul estava chegando do campo, onde cuidava dos bois, e perguntou: "O que aconteceu? Por que o povo está chorando?" Contaram-lhe, então, o que os homens de Jabes lhes haviam dito.
6. Quando Saul ouviu a notícia, o espírito de Javé tomou conta dele. Saul ficou enfurecido,
7. pegou uma junta de bois, os despedaçou e os mandou por mensageiros a todo o território de Israel, com este recado: "Se alguém não acompanhar Saul e Samuel, a mesma coisa acontecerá com seus bois". O terror de Javé se abateu sobre o povo. E eles marcharam para a guerra, como se fossem um só homem.
8. Saul, em Bezec, passou revista às tropas: de Israel havia trezentos mil, e de Judá trinta mil.
9. Então Saul disse aos mensageiros: "Digam aos habitantes de Jabes de Galaad: 'Amanhã, quando o sol esquentar, vocês serão socorridos' ". Os mensageiros voltaram e deram a notícia aos habitantes de Jabes. Estes ficaram cheios de alegria,
10. e disseram a Naás: "Amanhã nos renderemos, e vocês nos tratarão como quiserem".
11. No dia seguinte, Saul distribuiu a tropa em três grupos, que invadiram o acampamento de manhãzinha, e atacaram os amonitas até a hora que o sol esquentou. Os sobreviventes se espalharam, de modo a não ficar dois juntos.
12. Então o povo disse a Samuel: "Quais eram os que diziam que Saul não reinaria sobre nós? Diga-nos os nomes deles, que nós os mataremos".
13. Saul, porém, disse: "Hoje ninguém deverá ser morto, porque neste dia Javé salvou Israel".
14. Depois Samuel disse ao povo: "Vamos a Guilgal para inaugurar aí a realeza".
15. Todo o povo se reuniu em Guilgal, e aí mesmo, diante de Javé, proclamaram Saul como rei. Ofereceram a Javé sacrifícios de comunhão, e Saul com os israelitas fizeram uma grande festa.

[I Samuel 12]I Samuel 12

AVALIANDO O PASSADO E PREVENDO O FUTURO
1. Samuel disse a todo o Israel: "Vejam. Atendi vocês em tudo o que me pediram; estabeleci um rei para vocês.
2. De agora em diante, é o rei quem estará à frente de vocês. Eu já estou velho, de cabelos brancos, e meus filhos aí estão no meio de vocês. Fiquei à frente de vocês desde a minha juventude até hoje.
3. Aqui estou eu. Deponham contra mim diante de Javé e do seu ungido. De quem tomei um boi e de quem tomei um jumento? A quem explorei e a quem oprimi? De quem recebi dinheiro para fechar os olhos sobre o caso? Eu restituirei a vocês".
4. Eles disseram: "Você não explorou, nem oprimiu, nem tirou nada de ninguém".
5. Samuel disse para eles: "Hoje, aqui Javé é testemunha contra vocês, e o ungido dele é testemunha também, de que vocês não encontraram nada em minhas mãos". Responderam: "Ele é testemunha".
6. Então Samuel disse ao povo: "Foi Javé quem agiu com Moisés e Aarão, e tirou da terra do Egito os antepassados de vocês.
7. Agora esperem! Vou citar contra vocês, diante de Javé, todos os atos de justiça que Javé realizou para vocês e para seus antepassados:
8. Quando Jacó esteve no Egito, os egípcios o oprimiram, e os antepassados de vocês clamaram a Javé: Ele enviou Moisés e Aarão, que tiraram do Egito os antepassados de vocês, e aqui neste lugar os instalou.
9. Mas eles se esqueceram de Javé seu Deus, que os entregou ao poder de Sísara, chefe do exército de Hasor, ao poder dos filisteus e ao poder do rei de Moab, que fizeram guerra contra eles.
10. Então eles clamaram a Javé: 'Pecamos, porque abandonamos Javé, para servir aos deuses e deusas dos cananeus. Mas agora, liberta-nos do poder de nossos inimigos, e nós serviremos a ti'.
11. Então Javé mandou Jerobaal, Barac, Jefté e Samuel: libertou vocês do poder dos inimigos vizinhos, e vocês habitaram em segurança.
12. Mas, quando vocês viram Naás, rei dos amonitas, marchando contra, vocês me disseram: 'Não importa. Queremos ser governados por um rei'. No entanto, Javé seu Deus, é o rei de vocês!
13. Agora, aí está o rei que vocês escolheram e pediram: Javé deu um rei para vocês!
14. Se temerem a Javé e o servirem, se lhe obedecerem e não se opuserem a ele, tanto vocês, como o rei que reina sobre vocês, seguirão a Javé seu Deus.
15. Mas se vocês não obedecerem a Javé e se opuserem a ele, então a mão de Javé pesará sobre vocês e sobre seu rei.
16. Esperem mais um pouco, e vejam esta grande coisa que Javé realiza diante de vocês:
17. Não é agora o tempo da colheita do trigo? Pois bem! Eu invocarei a Javé, e ele mandará trovões e chuva. Reconheçam e vejam o grande mal que vocês realizaram aos olhos de Javé, pedindo um rei para vocês!"
18. Então Samuel invocou a Javé, e Javé mandou trovões e chuva nesse dia. O povo temeu muito a Javé e a Samuel.
19. E todo o povo disse a Samuel: "Interceda por seus servos junto a Javé seu Deus, para que não morramos, porque aos nossos pecados acrescentamos o mal de pedir um rei para nós".
20. Samuel disse ao povo: "Não tenham medo. De fato, vocês cometeram todo esse mal. Somente não se afastem de Javé e sirvam a ele de todo o coração.
21. Não se afastem para correr atrás de ídolos que não servem para nada e não podem libertar, porque são vazios.
22. É por causa do seu grande nome que Javé não abandonará o seu povo, porque Javé decidiu fazer de vocês o povo dele.
23. Quanto a mim, longe de mim pecar contra Javé, deixando de interceder por vocês. Continuarei ensinando a vocês o caminho bom e certo.
24. Somente temam a Javé e sirvam a ele com fidelidade e de todo o coração. Vejam que coisas grandes ele realizou no meio de vocês!
25. Contudo, se praticarem o mal, tanto vocês como o seu rei vão perecer".

[I Samuel 13]2. AS TENTAÇÕES DO PODER POLÍTICO

I Samuel 13

A TENTAÇÃO DE SE ABSOLUTIZAR
1. Saul tinha trinta anos quando se tornou rei, e reinou sobre Israel durante vinte anos.
2. Saul escolheu para si três mil israelitas: dois mil estavam com ele em Macmas e na montanha de Betel, enquanto mil estavam com Jônatas em Gabaá de Benjamim. Saul despediu o resto do povo, mandando cada um para a sua tenda.
3. Jônatas matou o governador dos filisteus que estava em Gaba, e os filisteus ouviram a notícia. Então Saul mandou tocar a trombeta, por todo o território, dizendo: "Que os hebreus ouçam!"
4. Todo o Israel soube que Saul tinha matado o governador filisteu, e também que Israel se havia tornado odioso para os filisteus. Então o povo se reuniu atrás de Saul, em Guilgal.
5. Os filisteus se reuniram para combater contra Israel: três mil carros, seis mil cavalos e uma tão numerosa multidão como os grãos de areia da praia. Subiram e acamparam em Macmas, ao oriente de Bet-Áven.
6. Os israelitas se viram em apuros, porque estavam muito perto uns dos outros. Então o povo se escondeu em cavernas, buracos, rochas, grutas e poços.
7. Alguns hebreus atravessaram o Jordão para o território de Gad e Galaad. Saul estava ainda em Guilgal e todo o povo, tremendo de medo, foi à procura dele.
8. Ele esperou sete dias pela reunião marcada com Samuel. Mas Samuel não chegou a Guilgal, e o povo começou a debandar, abandonando Saul.
9. Então Saul disse: "Preparem o holocausto e os sacrifícios de comunhão". E ofereceu o holocausto.
10. Ele estava acabando de oferecer o holocausto, quando Samuel chegou. Saul foi ao encontro dele para saudá-lo.
11. Samuel perguntou: "O que é que você fez?" Saul respondeu: "Vi que o povo me abandonava e debandava, que você não chegava para a reunião no dia marcado, e que os filisteus estavam reunidos em Macmas.
12. Então eu refleti: 'Agora os filisteus vão cair sobre mim em Guilgal, sem que eu tenha oferecido sacrifícios a Javé'. Assim forçado, ofereci o holocausto".
13. Samuel disse a Saul: "Você agiu como louco! Você não obedeceu ao mandamento que Javé seu Deus lhe tinha ordenado. Certamente Javé teria confirmado para sempre o reinado que você exerceria sobre Israel.
14. Agora, porém, o seu reinado não se firmará. Javé encontrou um homem conforme o coração dele e o nomeou chefe do seu povo, porque você não obedeceu ao que Javé lhe tinha ordenado".
15. Samuel levantou-se e partiu de Guilgal para Gabaá de Benjamim. Saul então passou revista à tropa que seguia com ele. Havia cerca de seiscentos homens.

COMO SE LIVRAR DA DEPENDÊNCIA?
16. Saul e seu filho Jônatas com suas tropas se fixaram em Gaba de Benjamim; os filisteus estavam acampados em Macmas.
17. Do acampamento filisteu, um comando de ataque saiu dividido em três grupos: um tomou a direção de Efra, no território de Sual,
18. outro se dirigiu para Bet-Horon, e o terceiro foi para a elevação que domina o vale das Hienas, no caminho do deserto.
19. No território de Israel, nesse tempo, não havia ferreiro, porque os filisteus haviam decidido que os hebreus não fabricariam espadas ou lanças.
20. Por esse motivo, todos os israelitas tinham que ir até os filisteus para amolar o arado, o machado, a enxada e a foice.
21. Para amolar um arado ou machado, os filisteus cobravam oito gramas de prata, e quatro gramas, para amolar as enxadas e endireitar os ferrões.
22. E assim, aconteceu que, na hora da batalha, em toda a tropa de Saul e Jônatas não havia nem espada nem lança, a não ser as de Saul e de seu filho Jônatas.
23. Uma guarnição de filisteus partiu para o passo de Macmas.

[I Samuel 14]I Samuel 14

LIDERANÇA DE JÔNATAS
1. Certo dia, Jônatas, filho de Saul, disse a seu escudeiro: "Vamos até a guarnição dos filisteus que está do outro lado". Mas Jônatas nada comunicou a seu pai.
2. Saul estava na fronteira de Gaba, sentado debaixo da romãzeira que fica perto da eira, e com ele estava uma tropa de aproximadamente seiscentos homens.
3. Quem levava o efod era Aías, filho de Aquitob, irmão de Icabod, filho de Finéias, filho de Eli, sacerdote de Javé em Silo. Ninguém percebeu que Jônatas havia partido.
4. No desfiladeiro, que Jônatas procurava atravessar para chegar até a guarnição filistéia, havia dois morros: um se chamava Boses e o outro Sene.
5. O primeiro morro fica ao norte e o outro ao sul; o primeiro olha para Macmas, o segundo para Gaba.
6. Jônatas disse ao seu escudeiro: "Vamos até o lugar onde estão esses incircuncisos. Quem sabe Javé faça alguma coisa por nós, pois nada impede que Javé nos dê a vitória, não importa se somos muitos ou poucos".
7. O escudeiro respondeu: 'Faça o que você quiser; estou à sua disposição".
8. Jônatas disse: "Veja! Vamos na direção deles e deixaremos que nos vejam.
9. Se nos disserem: 'Não se movam até que cheguemos perto', então ficaremos parados e não avançaremos até eles.
10. Mas se nos disserem: 'Subam até aqui', então subiremos, porque Javé os está entregando em nossas mãos. Esse será o sinal".
11. Os dois deixaram que a guarnição filistéia os visse, e os filisteus comentaram: "Vejam! Alguns hebreus saíram das cavernas, onde estavam escondidos!"
12. Os da guarnição disseram a Jônatas e seu escudeiro: "Subam até aqui. Temos uma coisa para lhes contar". Então Jônatas disse ao escudeiro: "Fique atrás de mim, porque Javé os entregou nas mãos de Israel".
13. Jônatas subiu rastejando e seu escudeiro o seguiu. Jônatas os feria, e o escudeiro acabava de matá-los.
14. Foi a primeira matança que Jônatas e seu escudeiro realizaram: cerca de vinte homens, em pequeno espaço de terreno.
15. O terror se espalhou no acampamento, na região e em toda a tropa filistéia. A guarnição e os comandos de ataque ficaram com medo, a terra tremeu, e houve grande pânico.
16. As sentinelas de Saul, que estavam em Gaba de Benjamim, perceberam que o exército fugia em debandada.
17. Então Saul ordenou à sua tropa: "Passem revista à tropa e vejam quem está ausente". Passaram revista na tropa e estavam faltando Jônatas e seu escudeiro.
18. Saul ordenou a Aías: "Pegue o efod". Porque nessa época era Aías quem levava o efod em Israel.
19. Enquanto Saul falava com o sacerdote, crescia cada vez mais a confusão no acampamento dos filisteus. Então Saul disse ao sacerdote: "Retire sua mão".
20. Saul e toda a tropa que estava com ele se reuniram e foram para o campo de batalha. Os filisteus desembainhavam a espada uns contra outros, e a confusão era muito grande.
21. Então os hebreus que estavam a serviço dos filisteus e tinham subido com eles para o acampamento, desertaram e aderiram a Israel, ficando ao lado de Saul e Jônatas.
22. E todos os israelitas, que se haviam escondido na região montanhosa de Efraim, ouvindo a notícia de que os filisteus estavam fugindo, também começaram a persegui-los e combatê-los.
23. Nesse dia, Javé deu a vitória a Israel. O combate se estendeu até além de Bet-Áven.
24. O povo de Israel já estava exausto nesse dia, e Saul pronunciou esta maldição: "Maldito seja quem comer alguma coisa antes da tarde, antes que eu me vingue dos meus inimigos". E ninguém comeu nada.
25. Ora, no campo havia um favo de mel.
26. A tropa chegava perto do favo, via o mel escorrendo, mas ninguém o tocava, nem levava à boca, porque tinham medo do juramento que Saul havia feito.
27. Jônatas, porém, não sabia do juramento com que seu pai tinha comprometido à tropa. Levantou a vara que tinha consigo, espetou-a no favo e o levou à boca. Imediatamente sua vista melhorou.
28. Mas alguém do grupo viu o que ele tinha feito, e disse: "Seu pai obrigou o povo com juramento, amaldiçoando quem comesse qualquer coisa hoje".
29. Jônatas exclamou: "Meu pai quer arruinar o país! Vejam como meus olhos estão mais claros por ter provado um pouco desse mel".
30. Se a tropa tivesse comido hoje dos despojos que tomou dos inimigos, a derrota dos filisteus teria sido muito maior".
31. Nesse dia, os filisteus foram perseguidos desde Macmas até Aialon. Mas a tropa estava exausta.
32. Então a tropa se atirou sobre os despojos, pegou ovelhas, vacas e bezerros e os degolou ali mesmo no chão. E os comeram com sangue.
33. Foram então avisar Saul: "A tropa está cometendo um pecado contra Javé, porque está comendo carne com sangue". Saul respondeu: "Vocês foram infiéis! Rolem para cá uma grande pedra".
34. E acrescentou: "Espalhem-se no meio da tropa e digam para cada um trazer aqui seu boi ou sua ovelha; imolem os animais aqui e depois os comam. Mas não pequem contra Javé, comendo carne com sangue". Ao anoitecer, cada um levou o que tinha, e Saul imolou os animais nesse lugar.
35. E Saul construiu um altar para Javé, e foi esse o primeiro altar que ele construiu para Javé.
36. Depois disse: "Vamos descer, durante a noite, para perseguir os filisteus, e os saquearemos até o amanhecer; não vamos deixar nenhum sobrevivente". Os da tropa responderam: "Faça o que achar melhor". O sacerdote propôs: "Vamos aproximar-nos para consultar a Deus".
37. E Saul consultou a Deus: "Devo descer para perseguir os filisteus? Tu os entregarás em poder de Israel?" Nesse dia, porém, não houve resposta.
38. Então Saul ordenou: "Chefes do povo, aproximem-se. Vamos ver quem foi que cometeu hoje algum pecado.
39. Pela vida de Javé que dá a vitória a Israel, mesmo que tenha sido meu filho Jônatas, ele morrerá". Ninguém disse nada.
40. Saul falou a todo Israel: "Fiquem de um lado. Eu e meu filho Jônatas ficaremos do outro lado". E a tropa respondeu a Saul: "Faça o que achar melhor".
41. Então Saul consultou a Javé, Deus de Israel: "Por que não respondes hoje a teu servo? Javé, Deus de Israel, se eu e meu filho Jônatas somos culpados, que saia Urim. Se a falta foi cometida pela tropa de Israel, que saia Tumim". A sorte caiu em Jônatas e Saul, e a tropa ficou livre.
42. Saul disse então: "Lancem a sorte entre mim e o meu filho Jônatas". E a sorte caiu em Jônatas.
43. Então Saul disse a Jônatas: "Conte-me o que foi que você fez". Jônatas respondeu: "Somente provei um pouco de mel com a ponta da vara que levava na mão. Estou pronto para morrer".
44. Saul lhe disse: "Que Deus me castigue, se você não morrer, Jônatas!"
45. Mas a tropa disse a Saul: "Como vai morrer Jônatas, ele que proporcionou essa grande vitória para Israel? De jeito nenhum. Pela vida de Javé, não cairá um só fio da cabeça de Jônatas, porque foi por Deus que ele pôde fazer hoje o que fez". Desse modo, a tropa salvou a vida de Jônatas.
46. Saul parou de perseguir os filisteus, e estes voltaram para o seu território.
47. Depois de ser proclamado rei de Israel, Saul lutou contra todos os inimigos vizinhos: Moab, os amonitas, Edom, o rei de Soba e os filisteus. E saiu vitorioso em todas as suas campanhas.
48. Realizou proezas de valentia, derrotou os amalecitas e livrou Israel de seus opressores.
49. Os filhos de Saul eram Jônatas, Jesui e Melquisua. Tinha também duas filhas: a mais velha se chamava Merob, e a caçula era Micol.
50. A mulher de Saul se chamava Aquinoam, filha de Aquimaás. O chefe do seu exército era Abner, filho de Ner, tio de Saul.
51. Cis, pai de Saul, e Ner, pai de Abner, eram filhos de Abiel.
52. Durante todo o reinado de Saul, houve guerra aberta contra os filisteus. E Saul requisitava todos os bravos e valentes que conhecia.

[I Samuel 15]I Samuel 15

A TENTAÇÃO DE SE JUSTIFICAR IDEOLOGICAMENTE
1. Samuel disse a Saul: "Javé me enviou para ungir você como rei sobre seu povo Israel. Agora, pois, escute as palavras de Javé:
2. 'Assim diz Javé dos exércitos: Vou pedir contas a Amalec pelo que ele fez contra Israel, cortando-lhe o caminho, quando Israel subia do Egito.
3. Agora, vá, ataque, e condene ao extermínio tudo o que pertence a Amalec. Não tenha piedade: mate homens e mulheres, crianças e recém-nascidos, bois e ovelhas, camelos e jumentos' ".
4. Saul convocou a tropa e a revistou em Telém: eram duzentos mil na infantaria e dez mil homens de Judá.
5. Saul avançou até a cidade de Amalec e armou emboscada no vale.
6. Mandou esta mensagem aos quenitas: "Fujam e se afastem dos amalecitas, para não serem destruídos com eles, porque vocês foram amáveis com os israelitas, quando subiam do Egito". Então os quenitas se afastaram dos amalecitas.
7. Saul derrotou os amalecitas desde Hévila até Sur, que fica na fronteira do Egito.
8. Capturou vivo Agag, rei dos amalecitas, e passou a fio de espada todo o povo, para cumprir a lei do extermínio.
9. Contudo, Saul e sua tropa pouparam Agag e o que havia de melhor em ovelhas e vacas, o gado mais gordo e os cordeiros. Não incluíram no extermínio o que havia de melhor; exterminaram apenas o que não valia nada.
10. Javé dirigiu a palavra a Samuel, dizendo:
11. "Estou arrependido de ter feito Saul rei, porque ele se afastou de mim e não executou as minhas ordens". Então Samuel ficou triste e suplicou a Javé a noite inteira.
12. De manhã, Samuel madrugou e foi ao encontro de Saul. Informaram a Samuel que Saul tinha ido a Carmel, para aí construir um monumento para si, e que depois tinha ido para Guilgal.
13. Samuel se apresentou a Saul, que lhe disse: "Que Javé abençoe você. Eu cumpri a ordem de Javé".
14. Mas Samuel lhe perguntou: "E o que são esses balidos e mugidos que estou ouvindo?"
15. Saul respondeu: "Nós os trouxemos de Amalec. A tropa deixou com vida as melhores ovelhas e vacas para oferecer em sacrifício a Javé seu Deus. Quanto ao resto, exterminamos tudo".
16. Samuel, porém, disse a Saul: "Cale-se! Deixe-me contar a você o que Javé me revelou esta noite". Saul respondeu: "Pode falar".
17. Samuel disse: "Embora se considere pequeno, você é o chefe das tribos de Israel, porque Javé ungiu você como rei de Israel.
18. Ele enviou você nessa expedição e ordenou: 'Vá e extermine completamente esses amalecitas pecadores, combatendo-os até acabar com eles'.
19. Por que você não obedeceu a Javé? Por que se apoderou dos despojos, fazendo o que Javé reprova?"
20. Saul respondeu a Samuel: "Mas eu obedeci a Javé! Fiz a expedição para a qual ele me enviou, trouxe Agag, rei de Amalec, e cumpri a lei do extermínio contra os amalecitas.
21. E se a tropa reteve ovelhas e vacas dos despojos, o melhor daquilo que deveria ser exterminado, foi para sacrificar a Javé seu Deus em Guilgal".
22. Samuel, porém, replicou: "O que é que Javé prefere? Que lhe ofereçam holocaustos e sacrifícios, ou que obedeçam à sua palavra? Obedecer vale mais do que oferecer sacrifícios. Ser dócil é mais importante do que a gordura de carneiros.
23. A rebelião é um pecado de feitiçaria, e a obstinação é um crime de idolatria. Você rejeita a palavra de Javé. Por isso, ele rejeita você como rei".
24. Então Saul disse a Samuel: "Pequei. Desobedeci a ordem de Javé e o que você mandou. Fiquei com medo da tropa e obedeci a ela.
25. Agora, porém, perdoe meu pecado, venha comigo e eu adorarei a Javé".
26. Mas Samuel respondeu: "Não voltarei com você. Porque você rejeitou a palavra de Javé, Javé rejeita você como rei de Israel".
27. Quando Samuel se virou para partir, Saul agarrou a barra do manto dele, rasgando o manto.
28. Samuel lhe disse: "Javé arranca hoje de você o reinado sobre Israel e o entrega a outro mais digno do que você.
29. O esplendor de Israel não mente, nem se arrepende, porque não é homem para se arrepender".
30. Saul respondeu: "Está certo, eu pequei. Mas agora, salve minha honra diante dos anciãos do povo e de Israel. Volte comigo, para que eu adore Javé seu Deus".
31. Então Samuel voltou em companhia de Saul, e este adorou a Javé.
32. Depois Samuel disse: "Tragam-me Agag, o rei dos amalecitas". Agag se aproximou tremendo, e disse: "É a hora amarga da morte!"
33. Samuel lhe disse: "Assim como sua espada deixou muitas mães sem filhos, também sua mãe ficará entre elas sem o seu filho". E Samuel degolou Agag diante de Javé, em Guilgal.
34. Depois Samuel voltou para Ramá. E Saul foi para sua casa, em Gabaá de Saul.
35. Enquanto viveu, Samuel nunca mais viu Saul. Contudo, Samuel chorava por Saul, porque Javé se havia arrependido de ter feito Saul rei de Israel.

[I Samuel 16]III. SAUL E DAVI: COMPETIÇÃO PELA SUPREMACÍA

1. DAVI ENTRA NA CORTE

I Samuel 16

JAVÉ OLHA O CORAÇÃO
1. Javé disse a Samuel: "Até quando você vai ficar lamentando Saul? Fui eu mesmo que o rejeitei como rei de Israel. Encha a vasilha de óleo. Ordeno que você vá ter com a família de Jessé, o belemita, porque eu escolhi um rei entre os filhos dele".
2. Samuel replicou: "Como posso ir? Saul me matará, se ficar sabendo!" Javé, porém, disse: "Leve um bezerro, e diga que foi fazer um sacrifício para Javé.
3. Convide Jessé para o sacrifício e eu mostrarei o que você deverá fazer; você ungirá para mim aquele que eu apontar".
4. Samuel fez o que Javé mandou. Quando chegou a Belém, os anciãos da cidade foram ansiosos ao seu encontro, e perguntaram: "Você está vindo em missão de paz?"
5. Samuel respondeu: "Sim. Eu vim para oferecer um sacrifício a Javé. Purifiquem-se e venham comigo para o sacrifício". Samuel purificou Jessé e seus filhos e os convidou para o sacrifício.
6. Quando chegou, Samuel viu Eliab e pensou: "Certamente é esse que Javé quer ungir!"
7. Javé, porém, disse a Samuel: "Não se impressione com a aparência ou estatura dele. Não é esse que eu quero, porque Deus não vê como o homem, porque o homem olha as aparências, e Javé olha o coração".
8. Jessé chamou Abinadab e o apresentou a Samuel. E Samuel disse: "Também não foi esse que Javé escolheu".
9. Jessé apresentou Sama, mas Samuel disse: "Também não foi esse que Javé escolheu".
10. Jessé apresentou a Samuel sete dos seus filhos. E Samuel respondeu: "Não foi nenhum desses que Javé escolheu".
11. Então Samuel perguntou a Jessé: "Estão aqui todos os seus filhos?" Jessé respondeu: "Falta o menor. Ele está tomando conta do rebanho". Então Samuel disse a Jessé: "Mande buscá-lo, porque não nos sentaremos à mesa enquanto ele não chegar".
12. Jessé mandou chamá-lo e o fez entrar: era ruivo, seus olhos eram belos, e tinha boa aparência. E Javé disse: "Levante-se e unja o rapaz, porque é esse".
13. Samuel pegou a vasilha de óleo e ungiu o rapaz na presença dos irmãos. Desse dia em diante, o espírito de Javé permaneceu sobre Davi. Depois Samuel voltou para Ramá.

DAVI SERVE E DOMINA SAUL
14. O espírito de Javé afastou-se de Saul, e ele começou a ficar agitado por um espírito mau, enviado por Javé.
15. Então os servos de Saul lhe disseram: "Você está sendo agitado por um espírito mau enviado por Deus.
16. Dê uma ordem, e nós, seus servos, vamos procurar alguém que saiba tocar harpa; desse modo, quando o espírito mau enviado por Deus o atormentar, alguém tocará para você, e você se sentirá melhor".
17. Então Saul ordenou: "Procurem alguém que saiba tocar bem e o tragam para mim".
18. Um dos servos disse: "Conheço um filho do belemita Jessé. Ele sabe tocar e é valente guerreiro. Além disso, fala bem, é de boa aparência e Javé está com ele".
19. Então Saul enviou mensageiros a Jessé com esta ordem: "Mande-me o seu filho Davi, que está com o rebanho".
20. Jessé pegou cinco pães, uma vasilha com vinho e um cabrito, e mandou seu filho Davi levar tudo a Saul.
21. Davi chegou ao palácio e se apresentou a Saul; o rei ficou muito bem impressionado com ele, e o tornou seu escudeiro.
22. E Saul mandou dizer a Jessé: "Davi ficará a meu serviço, porque eu gosto dele".
23. Todas as vezes que o espírito de Deus atacava Saul, Davi pegava a harpa e tocava. Então Saul se acalmava, sentia-se melhor, e o espírito mau o deixava.

[I Samuel 17]I Samuel 17

DAVI E GOLIAS: O FRACO VENCE O PODEROSO
1. Os filisteus reuniram suas tropas para a guerra e se concentraram em Soco de Judá, e acamparam em Efes-Domim, entre Soco e Azeca.
2. Saul e os israelitas se reuniram e acamparam no vale do Terebinto, e se puseram em ordem de batalha contra os filisteus.
3. Os filisteus se colocaram na encosta da montanha, enquanto os israelitas ficaram na encosta de outra montanha, de modo que havia entre eles um vale.
4. Saiu então do exército filisteu um guerreiro enorme chamado Golias, de Gat, com quase três metros de altura.
5. Tinha na cabeça um capacete de bronze, vestia um colete de malha de bronze que pesava mais de cinqüenta quilos,
6. usava perneiras de bronze e tinha nos ombros um escudo de bronze.
7. A haste de sua lança era como travessa de tear, e a ponta da lança pesava seis quilos. Seu escudeiro ia na frente.
8. Golias postou-se na frente das fileiras de Israel e gritou: "Por que vocês saíram para lutar? Eu sou filisteu, e vocês são escravos de Saul. Escolham alguém para lutar comigo.
9. Se ele for mais forte e me derrotar, seremos escravos de vocês. Se eu for mais forte e o vencer, vocês serão nossos escravos e servirão a nós".
10. E continuou: "Estou desafiando hoje o exército de Israel! Apresentem alguém, e lutaremos corpo a corpo!"
11. Saul e os israelitas ouviram o desafio do filisteu e ficaram cheios de medo.
12. Davi era filho de um efrateu de Belém de Judá, chamado Jessé, que tinha oito filhos. No tempo de Saul, Jessé era velho, de idade avançada.
13. Os três filhos mais velhos tinham-se alistado para a guerra, seguindo a Saul. O primeiro se chamava Eliab, o segundo Abinadab, e o terceiro Sama.
14. Davi era o caçula. Os três mais velhos foram com Saul,
15. e Davi ia e vinha do serviço de Saul para cuidar do rebanho de seu pai em Belém.
16. O filisteu avançava de manhã e de tarde, e assim se apresentou durante quarenta dias.
17. Jessé disse ao seu filho Davi: "Pegue estas três arrobas de grão torrado e estes dez pães, e leve-os para seus irmãos no acampamento.
18. Leve também estes dez queijos para o comandante. Veja como está a saúde de seus irmãos e me traga uma prova de que estão vivos.
19. Eles estão com Saul e os israelitas, combatendo os filisteus no vale do Terebinto".
20. Davi se levantou de madrugada, deixou o rebanho aos cuidados de um guarda, pegou a carga e partiu, como Jessé lhe havia ordenado. Quando chegou perto das trincheiras, o exército estava saindo para tomar posição e lançava o grito de guerra.
21. Israelitas e filisteus entraram em formação, frente a frente.
22. Davi deixou a carga com o bagageiro, correu para a linha de batalha e perguntou aos irmãos se estavam bem.
23. Enquanto conversava com eles, o guerreiro filisteu chamado Golias, de Gat, saiu das fileiras do exército filisteu e fez o desafio. Davi ouviu tudo.
24. E os israelitas, quando viram o homem, fugiram apavorados.
25. Um israelita disse: "Vocês viram aquele homem que subiu? Ele veio para desafiar Israel. A quem o vencer, o rei encherá de riquezas e lhe dará sua filha, além de deixar sua família livre de impostos em Israel".
26. Então Davi perguntou aos que estavam com ele: "E o que vão dar ao homem que vencer esse filisteu e salvar a honra de Israel? Quem é esse filisteu incircunciso para desafiar o exército do Deus vivo?"
27. Os soldados repetiram para Davi o que já haviam dito: "Quem o vencer receberá tal prêmio".
28. Eliab, o irmão mais velho, ouviu Davi falando com os soldados e ficou bravo: "O que é que você veio fazer aqui? Com quem você deixou aquelas poucas ovelhas no deserto? Sei que você é metido e tem malícia no coração: você veio só para assistir à batalha!"
29. Davi respondeu: "Mas o que foi que eu fiz? Será que não se pode fazer uma pergunta?"
30. Separou-se do irmão, dirigiu-se a outra pessoa, fez a mesma pergunta, e todos lhe deram a mesma resposta.
31. Quando se soube o que Davi tinha falado, contaram a Saul, e o rei o chamou.
32. Davi disse a Saul: "Ninguém deve ficar desanimado. Este seu servo irá lutar com o tal filisteu!"
33. Saul respondeu a Davi: "Você não pode lutar com o filisteu! Você é apenas um rapaz! Ele é guerreiro desde a juventude!"
34. Davi replicou: "Seu servo é pastor das ovelhas de meu pai. Se chega um leão ou urso e agarra uma ovelha do rebanho,
35. eu vou atrás, o ataco e arranco a ovelha de sua goela; se ele me ataca, eu o agarro pela juba e o mato a pauladas.
36. Seu servo é capaz de matar leões e ursos. Pois bem: esse filisteu incircunciso, que desafiou o exército do Deus vivo, será como um deles".
37. E Davi acrescentou: "Javé me livrou das garras do leão e do urso. Ele me livrará também das mãos desse filisteu". Então Saul lhe disse: "Vá. E que Javé esteja com você!"
38. Saul vestiu Davi com sua própria armadura, colocou-lhe na cabeça um capacete de bronze, revestiu-o com a sua couraça,
39. e pôs a espada na cintura dele, sobre a armadura. Em vão Davi tentou andar, pois nunca tinha usado nada disso. Então falou a Saul: "Não consigo nem andar com essas coisas. Não estou acostumado". Tirou tudo,
40. pegou o cajado, escolheu cinco pedras bem lisas no riacho e as colocou no seu bornal. Depois pegou a funda e foi ao encontro do filisteu.
41. O filisteu, tendo na frente o escudeiro, foi se aproximando cada vez mais de Davi.
42. Olhou Davi de alto a baixo e o desprezou, porque era jovem. Além disso, ruivo e de bela aparência.
43. O filisteu disse a Davi: "Será que sou um cão, para você vir ao meu encontro com um pedaço de pau?" Depois invocou seus deuses para amaldiçoar Davi.
44. E disse: "Venha cá. Vou dar sua carne para as aves do céu e os animais do campo!"
45. Mas Davi replicou: "Você vem contra mim armado de espada, lança e escudo. E eu vou contra você em nome de Javé dos exércitos, o Deus do exército de Israel, que você desafiou.
46. Hoje mesmo Javé entregará você em minhas mãos: vou ferir você e arrancarei a sua cabeça; hoje mesmo vou entregar seu cadáver e os cadáveres do exército dos filisteus para as aves do céu e os animais do campo. Desse modo, toda a terra saberá que existe um Deus em Israel.
47. Toda essa multidão saberá que não é com espada e lança que Javé sai vitorioso, porque se trata de uma guerra de Javé, e ele entregará vocês em nossas mãos".
48. Enquanto o filisteu se aprumava e se aproximava de Davi pouco a pouco, Davi correu depressa para se posicionar e enfrentar o filisteu.
49. Davi enfiou a mão no bornal, pegou uma pedra, atirou-a com a funda e acertou na testa do filisteu. A pedra afundou na testa do filisteu, que caiu de bruços no chão.
50. Assim Davi foi mais forte que o filisteu, apenas com uma funda e uma pedra: sem espada na mão, feriu e matou o filisteu.
51. Davi correu, parou diante do filisteu, pegou a espada dele, a desembainhou e com ela acabou de matá-lo, cortando-lhe a cabeça. Quando os filisteus viram morto o herói deles, bateram em retirada.
52. Os homens de Israel e Judá se levantaram, deram o grito de guerra e se puseram a perseguir os filisteus até a entrada de Gat e até às portas de Acaron. Cadáveres de filisteus foram caindo por terra no caminho de Saarim, até Gat e Acaron.
53. Depois da perseguição aos filisteus, os israelitas voltaram e saquearam o acampamento deles.
54. Davi pegou a cabeça do filisteu e a levou para Jerusalém. Quanto às armas dele, levou-as para a sua própria tenda.
55. Quando Saul viu Davi sair ao encontro do filisteu, disse a Abner, comandante do exército: "Abner, quem é o pai desse moço?" Abner respondeu: "Por sua vida, ó rei! Eu não sei".
56. O rei disse: "Então procure saber quem é o pai desse rapaz".
57. Quando Davi matou o filisteu e voltou, Abner o pegou e o levou até Saul. Davi estava com a cabeça do filisteu na mão.
58. Saul lhe perguntou: "Quem é seu pai, rapaz?" Davi respondeu: "Sou filho de seu servo Jessé, o belemita".

[I Samuel 18]I Samuel 18

AMIZADE E INIMIZADE
1. Quando Davi terminou de falar com Saul, Jônatas se afeiçoou a Davi, e Jônatas o amou como a si mesmo.
2. Nesse dia, Saul reteve Davi e não deixou que ele voltasse para a casa de seu pai.
3. Jônatas fez um pacto com Davi, porque o amava como a si mesmo.
4. Jônatas tirou o manto que usava e o deu a Davi, juntamente com suas roupas, a espada, o arco e o cinturão.
5. Nas expedições, em qualquer parte por onde Saul mandava Davi, este se saía bem. Então Saul o estabeleceu como chefe dos homens de guerra. Ele era estimado por toda a tropa e também pelos ministros de Saul.
6. Quando chegaram, depois que Davi matou o filisteu, as mulheres de todas as cidades de Israel saíam cantando e dançando ao encontro do rei Saul, ao som de tamborins, marimbas e gritos de alegria.
7. As mulheres dançavam e cantavam em coro: "Saul matou mil, mas Davi matou dez mil".
8. Saul ficou muito irritado, pois não gostou nada dessa afirmação. E disse: "Deram dez mil para Davi, e mil para mim. Que mais lhe falta, senão a realeza?"
9. E desse dia em diante, Saul olhava Davi com inveja.
10. No dia seguinte, um espírito mau provindo de Deus tomou conta de Saul, que começou a delirar dentro de casa. Como de costume, Davi estava tocando harpa e Saul tinha a lança na mão.
11. Saul atirou a lança, dizendo: "Vou cravar Davi na parede". Davi, porém, conseguiu escapar duas vezes.
12. Saul tinha medo de Davi, porque Javé tinha abandonado Saul e agora estava com Davi.
13. Por isso, Saul afastou Davi, nomeando-o chefe de uma ala do exército. E Davi comandava expedições da tropa.
14. Em todas as campanhas, Davi se saía muito bem, e Javé estava com ele.
15. Saul via que Davi era sempre bem-sucedido, e entrou em pânico.
16. Mas todos em Israel e Judá gostavam de Davi, porque era ele quem os guiava em suas expedições.
17. Saul disse a Davi: "Olhe! Vou lhe dar como esposa Merob, minha filha mais velha, com a condição de que você me sirva como guerreiro e faça as guerras de Javé". Na verdade, Saul pensava: "É melhor que ele seja morto pelos filisteus, e não por mim".
18. Davi respondeu a Saul: "Quem sou eu? E que importância tem a família de meu pai em Israel, para eu me tornar genro do rei?"
19. Mas, quando chegou o tempo de Saul dar sua filha Merob a Davi, ela foi dada a Adriel de Meola.
20. Micol, a outra filha de Saul, se apaixonou por Davi. Contaram isso a Saul e ele gostou,
21. pensando: "Vou dar minha filha como armadilha: assim Davi cairá em poder dos filisteus". E Saul disse a Davi: "Hoje você vai ter uma segunda oportunidade para se tornar meu genro".
22. Então Saul ordenou aos servos: "Falem confidencialmente a Davi assim: 'Olhe! O rei aprecia muito você, e todos os ministros dele estimam você. Aceite ser genro do rei' ".
23. Os ministros de Saul insinuaram isso a Davi, mas ele respondeu: "Vocês acham que não é nada ser genro do rei? Eu sou um homem pobre e sem recursos".
24. Os ministros comunicaram a Saul o que Davi tinha respondido.
25. Então Saul disse: "Falem assim a Davi: 'O rei não está querendo dinheiro; ele se contenta com cem prepúcios de filisteus, como vingança contra seus inimigos' ". Saul estava planejando que Davi caísse em poder dos filisteus.
26. Os ministros de Saul comunicaram a proposta a Davi, e Davi achou que era uma condição justa para se tornar genro do rei. O prazo ainda não estava esgotado,
27. e Davi se pôs em campanha com seus homens. Matou duzentos filisteus, tirou-lhes os prepúcios e os levou ao rei, para se tornar seu genro. Então Saul deu a Davi sua filha Micol como esposa.
28. Saul percebeu que Javé estava com Davi e que sua filha Micol estava apaixonada por ele.
29. Então Saul ficou com mais medo ainda de Davi e se tornou inimigo ferrenho de Davi.
30. Os chefes dos filisteus saíram para a guerra, mas toda vez que saíam, Davi tinha mais sucesso do que os ministros de Saul. Desse modo, Davi conquistou grande fama.

[I Samuel 19]I Samuel 19

1. Saul contou a seu filho Jônatas e a todos os seus ministros que estava querendo matar Davi. Ora, Jônatas, filho de Saul, tinha grande afeição por Davi.
2. Então Jônatas informou Davi: "Meu pai quer matar você. Fique de sobreaviso amanhã cedo, e esconda-se em lugar seguro.
3. Eu sairei e ficarei do lado de meu pai no campo onde você estiver. Falarei com ele sobre você, ficarei sabendo o que há e contarei a você".
4. Jônatas falou bem de Davi a seu pai Saul, e disse: "Que o rei não ofenda seu servo Davi. Ele não fez nada contra você. Pelo contrário: tudo o que ele fez é de grande vantagem para você.
5. Davi arriscou a vida, matou o filisteu, e Javé deu uma grande vitória para Israel. Você viu isso e ficou contente. Agora, não vá pecar derramando sangue inocente, matando Davi sem motivo".
6. Saul atendeu o pedido de Jônatas e jurou: "Pela vida de Javé! Davi não morrerá".
7. Então Jônatas chamou Davi e lhe contou essas coisas. Depois o levou a Saul. E Davi voltou ao palácio como antes.

2. DAVI FOGE DE SAUL

O PROFETA ESTÁ ACIMA DO PODER POLÍTICO
8. A guerra começou de novo e Davi saiu para lutar contra os filisteus. Estes foram derrotados e fugiram.
9. Ora, um espírito mau, vindo da parte de Javé, se apoderou de Saul, quando estava sentado em casa, com a lança na mão, enquanto Davi tocava harpa.
10. Saul tentou cravar Davi na parede, mas Davi se desviou e a lança fincou na parede. Então Davi se salvou fugindo. Nessa mesma noite,
11. Saul mandou emissários para vigiar a casa de Davi e matá-lo de manhã. Então Micol, mulher de Davi, o avisou: "Se você não fugir esta noite, amanhã será homem morto".
12. E Micol o fez descer pela janela, e Davi se salvou fugindo.
13. Depois Micol pegou o ídolo, deitou-o na cama, colocou na cabeça dele uma pele de cabra e estendeu sobre ele um manto.
14. Quando chegaram os emissários de Saul para levar Davi, Micol disse: "Ele está doente".
15. Mas Saul mandou outra vez os emissários para que vissem Davi; e ordenou: "Tragam Davi com cama e tudo, pois eu quero matá-lo".
16. Os emissários entraram na casa e encontraram o ídolo na cama, com a pele de cabra na cabeceira.
17. Então Saul disse a Micol: "Por que você me enganou? Você deixou meu inimigo escapar". Micol respondeu: "Ele me ameaçou, e disse que me mataria se não o deixasse partir".
18. Enquanto isso, Davi se salvou fugindo. Foi encontrar-se com Samuel em Ramá, e lhe contou tudo o que Saul havia feito. Então os dois foram alojar-se num convento de profetas.
19. Quando comunicaram a Saul que Davi estava no convento, em Ramá,
20. Saul mandou emissários para prender Davi. Eles encontraram a comunidade de profetas em transe, e Samuel estava presidindo. Logo o espírito de Deus veio também sobre os emissários de Saul, e eles também entraram em transe.
21. Informado do que estava acontecendo, Saul mandou outros emissários, e também esses entraram em transe. Saul enviou ainda um terceiro grupo de emissários, e também eles entraram em transe.
22. Então o próprio Saul foi para Ramá. Ao chegar junto ao grande poço que estava em Soco, perguntou onde estavam Samuel e Davi. Responderam: "Estão no convento, em Ramá".
23. Saul foi até o convento, em Ramá, e também ele foi tomado pelo espírito de Deus, entrou em transe e foi caminhando até chegar ao convento em Ramá.
24. Saul tirou a roupa e ficou em transe diante de Samuel, e nu ficou deitado no chão; e assim ficou o dia inteiro e toda a noite. Daí o provérbio: "Até Saul entre os profetas?"

[I Samuel 20]I Samuel 20

EM NOME DA AMIZADE
1. Davi fugiu do convento de Ramá, foi encontrar-se com Jônatas, e lhe perguntou: "O que foi que eu fiz? Que crime ou erro cometi contra seu pai, para que ele queira me matar?"
2. Jônatas respondeu: "Não se preocupe com isso. Você não vai morrer. Meu pai não faz nada que seja importante ou menos importante, sem antes me informar. Por que meu pai esconderia de mim esse plano? Impossível".
3. Mas Davi insistiu: "Seu pai sabe muito bem que você me ajuda, e por isso pensa: 'Que Jônatas não fique sabendo disso para não ter um desgosto'. Mas, pela vida de Javé e pela sua vida, eu estou a um passo da morte".
4. Jônatas disse a Davi: "O que você quer que eu faça?"
5. Davi respondeu: "Amanhã é lua nova, e eu deverei comer com o rei. Deixe-me ir embora. Vou esconder-me no campo até à tarde.
6. Se o seu pai sentir a minha falta, diga que eu pedi licença a você para ir correndo a Belém, minha cidade, porque todo o meu clã está celebrando aí o sacrifício anual.
7. Se ele disser que está bem, estou a salvo; se ele ficar furioso, é sinal que decidiu me matar.
8. Seja leal com este servo, porque estamos unidos por um pacto sagrado. Se cometi algum crime, mate-me você mesmo; não precisa me entregar a seu pai".
9. Jônatas replicou: "Nem pense nisso. Se eu souber que meu pai decidiu matar você, fique certo que eu o avisarei".
10. Davi perguntou: "Quem vai me avisar, se seu pai responder com aspereza?"
11. Jônatas respondeu: "Vamos para o campo". E os dois foram para o campo.
12. Então Jônatas disse a Davi: "Por Javé, Deus de Israel, eu prometo a você: Amanhã ou depois de amanhã, nesta mesma hora, eu vou sondar meu pai, para ver se tudo está bem para você. Caso contrário, eu lhe mandarei secretamente um recado.
13. Se ele planeja algum mal contra você, que Javé me castigue se eu não avisar você para que se ponha a salvo. Que Javé esteja com você, assim como esteve com meu pai.
14. Se eu ainda estiver vivo, cumpra comigo o pacto sagrado; se eu estiver morto,
15. não deixe nunca de favorecer a minha família. E quando Javé aniquilar da face da terra os inimigos de Davi,
16. que o nome de Jônatas não seja eliminado da família de Davi. Que Javé peça contas aos inimigos de Davi!"
17. Jônatas repetiu o juramento feito a Davi, porque lhe queria bem e o amava como a si mesmo.
18. E Jônatas lhe disse: "Amanhã é lua nova e sua falta será notada, porque sua cadeira estará vazia.
19. Depois de amanhã, sua ausência chamará muito a atenção. Vá para onde você se escondeu da outra vez, e fique junto às pedras.
20. Eu atirarei três flechas nessa direção, como se estivesse atirando num alvo.
21. Então mandarei um servo pegar as flechas. Se eu disser ao servo: 'As flechas estão mais atrás de você, ajunte-as', então venha e pode ficar tranqüilo, pois não está acontecendo nada. Pela vida de Javé!
22. Mas, se eu disser ao rapaz: 'As flechas estão mais na frente', é porque Javé manda você ir embora.
23. Quanto ao que eu e você combinamos, Javé é testemunha entre nós".
24. Então Davi se escondeu no campo. A lua nova chegou e o rei estava sentado à mesa para comer.
25. Como de costume, o rei estava sentado no lado da parede. Jônatas sentou-se na frente, e Abner sentou-se ao lado de Saul. O lugar de Davi ficou vazio.
26. Nesse dia, Saul não disse nada, porque pensava: "É coincidência; ele não está puro, e ainda não se purificou".
27. No outro dia da lua nova, no segundo dia, o lugar de Davi continuou vazio. Então Saul disse a seu filho Jônatas: "Por que o filho de Jessé não veio nem ontem nem hoje para a refeição?"
28. Jônatas respondeu a Saul: "Davi me pediu com insistência para ir a Belém.
29. Ele me disse: 'Deixe-me ir, por favor, pois haverá na cidade um sacrifício para o nosso clã, e meus irmãos querem que eu esteja presente; se lhe parece bem, deixe-me ir ao encontro de meus irmãos'. É por isso que ele não está presente na mesa do rei".
30. Então Saul ficou com raiva de Jônatas e lhe disse: "Filho de uma transviada! Pensa que eu não sei que você está do lado do filho de Jessé, para sua vergonha e para vergonha da nudez de sua mãe?
31. Enquanto o filho de Jessé estiver vivo na terra, nem você nem seu reino estarão seguros. Trate de encontrá-lo e traga-o aqui, porque ele merece a morte".
32. Jônatas perguntou a seu pai Saul: "Por que ele merece a morte? O que foi que ele fez?"
33. Então Saul atirou a lança para matar Jônatas. Então Jônatas percebeu que seu pai tinha decidido matar Davi.
34. Jônatas se levantou da mesa enfurecido, e não comeu nada nesse segundo dia do mês, porque seu pai tinha insultado Davi.
35. Na manhã seguinte, Jônatas foi ao campo, acompanhado de um jovem servo, para se encontrar com Davi.
36. Disse então ao servo: "Corra e procure as flechas que vou atirar". O jovem correu, e Jônatas atirou uma flecha que o ultrapassou.
37. Quando o servo chegou perto da flecha que tinha atirado, Jônatas gritou: "A flecha não está para lá de você?"
38. E Jônatas continuou: "Corra depressa; não fique aí parado". O servo de Jônatas apanhou a flecha e a trouxe de volta a seu senhor.
39. O servo não desconfiou de nada, porque só Jônatas e Davi sabiam do que se tratava.
40. Então Jônatas entregou suas armas ao servo e ordenou: "Volte e leve-as para a cidade".
41. Quando o servo foi embora, Davi saiu do esconderijo, caiu com o rosto por terra e se prostrou três vezes. Em seguida, os dois se abraçaram e choraram bastante.
42. Jônatas disse a Davi: "Nós juramos um ao outro em nome de Javé. Que Javé seja sempre juiz entre mim e você, e entre os meus e seus filhos".

[I Samuel 21]I Samuel 21

1. Então Davi se levantou e partiu. Jônatas voltou para a cidade.

DAVI FUGITIVO
2. Davi chegou a Nob e foi encontrar-se com o sacerdote Aquimelec. Este foi ansiosamente ao encontro de Davi e lhe perguntou: "Por que você veio sozinho, sem ninguém?"
3. Davi respondeu: "O rei me encarregou de um assunto e me disse que ninguém deveria saber nada de suas ordens e do assunto que me confiou. Marquei encontro com os meus homens em certo lugar.
4. Agora, se você tem à disposição cinco pães, dê para mim, ou então qualquer outra coisa que você encontrar".
5. O sacerdote respondeu: "Não tenho pães comuns à minha disposição. Tenho só pães sagrados. Se seus homens não tiverem tido contato com mulheres, poderão comê-los".
6. Davi respondeu: "Claro. Sempre que saímos para uma expedição, ainda que seja de natureza profana, nós nos abstemos de mulher. Quanto mais hoje! Os rapazes se conservam limpos".
7. Então o sacerdote lhe deu pão sagrado, porque aí só havia pão oferecido a Javé, que era retirado da presença de Javé para ser substituído por pão do dia.
8. Nesse dia, estava aí, preso no santuário, um dos empregados de Saul. Ele se chamava Doeg, o edomita, e era o chefe dos pastores de Saul.
9. Davi disse a Aquimelec: "Você não tem à mão alguma lança ou espada? Eu não peguei nem a minha espada, nem as minhas armas, porque a ordem do rei era urgente".
10. O sacerdote respondeu: "Está ali embrulhada num manto, atrás do efod, a espada de Golias, o filisteu que você matou no vale do Terebinto. Se você quiser, leve-a. Por aqui não há outra". Davi disse: "Não há nada melhor. Dê-me essa espada".
11. Nesse dia, Davi fugiu para longe de Saul e foi encontrar-se com Aquis, rei de Gat.
12. Mas os servos de Aquis disseram: "Este não é Davi, o rei do país? Não era para ele que dançavam cantando: 'Saul matou mil, mas Davi matou dez mil'?"
13. Davi ouviu o comentário e ficou com medo de Aquis, rei de Gat.
14. Então Davi se fez de bobo diante deles e começou a fingir que estava louco: começou a tamborilar nos batentes da porta e deixava a baba escorrer pela barba.
15. Aquis disse aos que o serviam: "Esse homem está louco! Por que vocês o trouxeram aqui?
16. Já não tenho loucos de sobra, para vocês me trazerem mais um, e me aborrecer com suas doidices? O que é que ele veio fazer no meu palácio?"

[I Samuel 22]3. DAVI, CHEFE DOS DESCONTENTES

I Samuel 22

OS DESCONTENTES SE REÚNEM
1. Davi saiu daí e se escondeu na caverna de Odolam. Quando seus parentes e toda a sua família ficaram sabendo, foram encontrar-se com ele.
2. Todos os que estavam em dificuldades, todos os endividados e todos os descontentes se reuniram ao seu redor, e Davi se tornou chefe deles. Formou-se assim um grupo de quatrocentos homens.
3. Davi partiu daí e foi para Masfa de Moab. Ele disse ao rei de Moab: "Permita que meu pai e minha mãe fiquem aqui com vocês até que eu saiba o que Deus quer de mim".
4. Davi os deixou com o rei de Moab, e eles ficaram com o rei durante todo o tempo em que Davi esteve escondido.
5. O profeta Gad, porém, disse a Davi: "Não continue no esconderijo. Vá para o território de Judá". Então Davi foi e se escondeu na floresta de Haret.

O MEDO DE PERDER O PODER
6. Saul ficou sabendo que Davi fora visto com os homens que estavam com ele. Saul estava em Gabaá, debaixo do tamarindeiro no alto da colina, com a lança na mão e rodeado por todos os seus ministros.
7. Então Saul disse aos que o acompanhavam: "Ouçam, benjaminitas: Será que o filho de Jessé vai dar a vocês terras e vinhas? Será que vai nomeá-los chefes e oficiais do seu exército,
8. para que vocês estejam conspirando contra mim? Ninguém me avisou quando meu filho fez um pacto com o filho de Jessé; ninguém se interessou por mim, nem me contou que meu filho jogou contra mim o meu próprio servo, como está acontecendo hoje".
9. Doeg, o edomita, que estava entre os ministros de Saul, falou: "Eu vi o filho de Jessé chegar a Nob, na casa de Aquimelec, filho de Aquitob.
10. E Aquimelec consultou Javé para Davi e também lhe deu provisões e a espada de Golias, o filisteu".
11. Então Saul mandou chamar o sacerdote Aquimelec, filho de Aquitob, junto com toda a família dele, os sacerdotes de Nob. Todos se apresentaram ao rei,
12. que lhes disse: "Escute, filho de Aquitob". Ele respondeu: "Aqui estou, meu senhor".
13. Saul lhe perguntou: "Por que você e o filho de Jessé conspiraram contra mim? Você lhe deu comida e uma espada, e consultou a Deus em favor dele, para que se transformasse em inimigo meu, como está acontecendo hoje".
14. Aquimelec respondeu ao rei: "Quem é como Davi entre todos os ministros do rei? Ele é fiel, é genro do rei, chefe de sua guarda e honrado em seu palácio.
15. Por acaso, foi a primeira vez que consultei a Deus para Davi? Longe de mim! Que o rei não jogue tal acusação sobre o seu servo e toda a sua família. Seu servo não sabia nada sobre isso, nem muito, nem pouco".
16. O rei replicou: "Aquimelec, você vai morrer com toda a sua família".
17. Em seguida, o rei ordenou aos da sua guarda: "Aproximem-se e matem os sacerdotes de Javé, porque estão do lado de Davi; eles sabiam que Davi estava fugindo e não o denunciaram". Mas os guardas do rei não quiseram levantar a mão para matar os sacerdotes de Javé.
18. Então o rei ordenou a Doeg: "Vá você e mate os sacerdotes". Doeg, o edomita, foi e matou os sacerdotes. Nesse dia, morreram oitenta e cinco homens que levavam o efod.
19. Em Nob, a cidade dos sacerdotes, Saul passou a fio de espada homens e mulheres, crianças e recém-nascidos, bois, jumentos e ovelhas.
20. Escapou apenas um filho de Aquimelec, filho de Aquitob. Ele se chamava Abiatar, que saiu fugindo à procura de Davi.
21. Abiatar contou a Davi que Saul tinha assassinado os sacerdotes de Javé.
22. E Davi lhe disse: "Naquele dia, eu percebi que Doeg, o edomita, estava presente e avisaria Saul. O responsável pela morte dos seus familiares sou eu.
23. Fique comigo e não tenha medo; quem quiser matar-me, também quererá matar você. Comigo, você estará a salvo".

[I Samuel 23]I Samuel 23

GRUPOS EM CONFLITO
1. Mandaram avisar a Davi que os filisteus estavam atacando Ceila e saqueando as eiras.
2. Davi consultou a Javé: "Posso ir atacar os filisteus?" Javé respondeu: "Pode ir. Você os derrotará e libertará Ceila".
3. Os homens de Davi, porém, lhe disseram: "Estamos em Judá, e já estamos com medo. Quanto mais se formos a Ceila para lutar contra as tropas dos filisteus!"
4. Davi consultou outra vez a Javé. E Javé respondeu: "Pode descer até Ceila: eu vou entregar os filisteus em seu poder".
5. Então Davi foi com seus homens para Ceila, atacou os filisteus, tomou o gado deles e os derrotou completamente. Desse modo, conseguiu libertar os habitantes de Ceila.
6. Quando Abiatar, filho de Aquimelec, fugiu para junto de Davi, também desceu a Ceila levando consigo o efod.
7. Informaram a Saul que Davi tinha entrado em Ceila. E Saul comentou: "Deus o está entregando em meu poder. Ele caiu numa armadilha, pois entrou numa cidade com portas e trancas".
8. Então Saul convocou todo o seu exército para a guerra, para descer até Ceila e matar Davi e seus homens.
9. Quando Davi soube que Saul estava tramando sua ruína, pediu ao sacerdote Abiatar: "Traga o efod".
10. E Davi consultou: "Javé, Deus de Israel, teu servo ouviu dizer que Saul está se preparando para vir a Ceila e destruir a cidade por minha causa.
11. Saul vai mesmo descer, como teu servo ouviu falar? Javé, Deus de Israel, responde-me!" Javé respondeu: "Ele vai descer".
12. Davi perguntou: "Será que os notáveis de Ceila vão me entregar junto com meus homens ao poder de Saul?" Javé respondeu: "Sim. Eles vão entregar".
13. Então Davi e seus homens, cerca de seiscentos, saíram de Ceila e ficaram andando sem rumo. Saul ficou sabendo que Davi tinha escapado de Ceila. Então abandonou o plano.
14. Davi foi morar no deserto, em lugares escondidos, na região montanhosa do deserto de Zif. E Saul andava continuamente à sua procura, mas Deus não deixava que Davi caísse nas mãos dele.
15. Davi ficou com medo, quando estava no deserto de Zif, em Horesa, porque Saul tinha saído a sua procura para o matar.
16. Jônatas, filho de Saul, foi encontrar-se com Davi em Horesa e o encorajou em nome de Deus.
17. Jônatas lhe disse: "Não tenha medo, porque a mão de meu pai Saul não o alcançará. Você reinará sobre Israel, e eu serei o segundo. Até meu pai Saul sabe disso".
18. E os dois fizeram um pacto diante de Javé. Davi ficou em Horesa, e Jônatas voltou para casa.
19. Algumas pessoas de Zif foram a Gabaá para contar a Saul: "Davi está escondido entre nós, entre os refúgios de Horesa, na colina de Áquila, ao sul da estepe.
20. Agora, majestade, quando o senhor quiser descer, desça. Cabe a nós entregá-lo nas mãos do rei".
21. Saul respondeu: "Javé lhes pague por se interessarem por mim.
22. Podem ir. Investiguem melhor. Procurem saber e ver o lugar por onde ele anda. Alguém chegou a vê-lo por aí? Porque me disseram que ele é muito esperto!
23. Procurem ver e saber sobre todos os refúgios onde ele se esconde. Depois voltem para mim, quando estiverem bem seguros. Então eu irei com vocês: se ele estiver no país, vou revirar todos os clãs de Judá até encontrá-lo".
24. Eles então partiram para Zif, na frente de Saul. Davi e seus homens estavam no deserto de Maon, na Arabá, ao sul da estepe.
25. Saul e seus homens foram à procura de Davi. Ao ser informado, Davi desceu para Sela e ficou morando no deserto de Maon. Saul soube e foi atrás de Davi no deserto de Maon.
26. Saul ia por um lado da montanha, enquanto Davi e seus homens iam pelo outro lado. Davi apertava o passo para escapar de Saul. E Saul com seus homens já estavam rodeando Davi e seus homens para cercá-los,
27. quando chegou um mensageiro para Saul, levando esta notícia: "Venha depressa, porque os filisteus fizeram uma incursão contra o país".
28. Então Saul parou de perseguir Davi e voltou para enfrentar os filisteus. É por isso que deram a esse lugar o nome de Rocha da Divisão.

[I Samuel 24]I Samuel 24

DAVI NÃO USURPA O PODER
1. Davi saiu daí e foi abrigar-se nos esconderijos de Engadi.
2. Quando Saul voltou da perseguição aos filisteus, foi avisado: "Davi está no deserto de Engadi".
3. Saul pegou três mil homens escolhidos de todo o Israel e foi à procura de Davi e seus homens, junto às Rochas das Cabras.
4. Chegou junto a uns currais de ovelhas que estavam perto do caminho. Aí havia uma caverna, e Saul entrou nela para fazer suas necessidades. Davi e seus homens estavam no fundo da caverna.
5. E os companheiros de Davi lhe disseram: "Hoje é o dia em que Javé diz a você: Eu lhe entrego seu inimigo; faça com ele o que você quiser". Davi levantou-se e cortou um pedaço da barra do manto de Saul, sem que este percebesse.
6. Depois de fazer isso, Davi sentiu o coração bater forte por ter cortado um pedaço da barra do manto de Saul.
7. Depois disse a seus homens: "Javé me livrou de fazer isso ao meu senhor, de levantar a mão contra ele, porque é o ungido de Javé".
8. Com essas palavras, Davi conteve seus homens e impediu que atacassem Saul. Então Saul deixou a gruta e continuou o seu caminho.
9. Foi quando Davi se levantou, saiu da gruta e gritou: "Senhor, meu rei!" Saul virou-se, e Davi se inclinou até o chão e se prostrou.
10. Depois disse a Saul: "Por que você dá ouvidos a esses que andam dizendo que Davi lhe quer fazer mal?
11. Veja com seus próprios olhos: hoje mesmo Javé me entregou você dentro da caverna. Disseram-me para matá-lo, mas eu o respeitei e falei que não estenderia a mão contra o meu senhor, porque você é o ungido de Javé.
12. Meu pai, olhe aqui em minha mão um pedaço do seu manto; se eu lhe cortei a barra do manto e não o matei, reconheça que não sou maldoso nem traidor. Embora você me persiga para me matar, eu não pequei contra você.
13. Que Javé seja nosso juiz. Ele poderá me vingar de você, mas contra você minha mão jamais se levantará.
14. Como diz o antigo provérbio: 'Dos maus vem a maldade'. E a minha mão não se levantará contra você.
15. Contra quem saiu o rei de Israel? A quem está perseguindo? A um cão morto, a uma pulga!
16. Que Javé seja juiz entre nós e dê a sentença. Que ele veja e defenda a minha causa, livrando-me das mãos de você".
17. Quando Davi terminou de falar, Saul exclamou: "É você mesmo que está falando, meu filho Davi?" E começou a gritar e chorar.
18. Depois disse a Davi: "Você é inocente, e eu não. Você me fez o bem, e eu lhe fiz o mal.
19. Hoje você me fez o maior favor, pois Javé me entregou a você, e você não me matou.
20. Se alguém encontra um inimigo, será que vai deixá-lo ir em paz? Que Javé lhe pague o bem que você me fez hoje.
21. Agora eu sei que você será rei, e que o reino de Israel se firmará em sua mão.
22. Pois bem! Jure-me, por Javé, que não exterminará minha descendência e não fará desaparecer o meu nome e o nome da minha família".
23. Então Davi fez o juramento a Saul. Depois Saul voltou para casa, e Davi com seus homens subiram para o esconderijo.

[I Samuel 25]I Samuel 25

O BOM SENSO DE UMA MULHER
1. Samuel morreu. Todo o Israel se reuniu e fez luto por ele e o sepultou junto aos seus em Ramá. Davi continuou suas andanças e desceu para o deserto de Farã.
2. Em Maon havia um homem que tinha propriedades em Carmel; era homem muito importante e possuía três mil ovelhas e mil cabras. Nessa ocasião, ele estava em Carmel, tosquiando suas ovelhas.
3. Ele se chamava Nabal, e sua mulher, Abigail. Ela era mulher sensata e muito bonita, mas o marido era intratável e prepotente; era um calebita.
4. No deserto, Davi soube que Nabal estava tosquiando as ovelhas.
5. Mandou então dez moços, dizendo-lhes: "Subam até Carmel, apresentem-se a Nabal e o saúdem em meu nome
6. deste modo: 'Saudações. A paz esteja com você, com a sua família e com tudo o que você possui.
7. Eu soube que você está fazendo a tosquia do seu rebanho. Pois bem. Pastores seus estiveram entre nós; e nós não os incomodamos, nem lhes foi tirado nada enquanto estiveram em Carmel.
8. Pergunte a seus rapazes, e eles confirmarão o que estou dizendo. Atenda bem estes moços, porque é um dia de festa para nós. Por favor, dê para estes seus servos e para Davi o que você tem à mão' ".
9. Os moços foram e disseram a Nabal tudo o que Davi tinha mandado; e ficaram esperando.
10. Nabal respondeu aos moços: "Quem é Davi e quem é o filho de Jessé? Hoje em dia existem muitos servos que fogem do seu patrão.
11. Será que eu vou pegar o pão, a água e as ovelhas, que abati para os meus tosquiadores, e dar a homens que nem sei de onde vêm?"
12. Então os moços de Davi se afastaram e foram embora. Voltaram para junto de Davi e lhe contaram tudo o que lhes fora dito por Nabal.
13. Davi disse a seus homens: "Cada um pegue a sua espada". Cada um pegou a sua e Davi também. Cerca de quatrocentos homens subiram com Davi, enquanto duzentos ficaram com as bagagens.
14. Um dos rapazes informou Abigail, mulher de Nabal: "Davi enviou mensageiros do deserto para cumprimentar o nosso patrão, e ele os expulsou.
15. Ora, esses homens foram muito bons para nós, não nos incomodaram e não sentimos falta de nada no tempo em que caminhamos entre eles e estivemos no campo.
16. Tanto de dia como de noite, eles nos protegeram todo o tempo em que estivemos com eles pastoreando o nosso rebanho.
17. Agora, decida e veja o que fazer, porque a destruição do nosso patrão e de toda a sua família está decidida. O patrão é homem grosseiro. Com ele não dá para conversar".
18. Imediatamente, Abigail pegou duzentos pães, duas vasilhas com vinho, cinco ovelhas preparadas, cinco medidas de trigo tostado, cem cachos de uvas passas, duzentos doces de figo, e carregou tudo sobre os jumentos.
19. Depois disse aos seus moços: "Vão na frente, que eu irei em seguida". Ela, porém, não avisou o seu marido Nabal.
20. Enquanto ela, montada num jumento, descia para um abrigo na montanha, Davi e seus homens iam na sua direção, e acabaram se encontrando.
21. Davi tinha dito: "Foi à toa que eu protegi tudo o que pertence a esse indivíduo, não deixando que nada lhe fosse roubado: ele me pagou o bem com o mal.
22. Que Deus castigue Davi, se até amanhã cedo eu deixar vivo qualquer um de Nabal que urina na parede".
23. Quando Abigail viu Davi, apeou depressa do jumento, e prostrou-se diante dele com o rosto por terra.
24. Lançando-se aos pés de Davi, ela disse: "Meu senhor, a culpa é minha. Deixe que sua serva lhe fale. Escute as palavras da sua serva.
25. Que meu senhor não dê atenção a esse homem grosseiro que é Nabal, pois o seu nome significa grosseiro, e a grosseria está mesmo com ele. Eu, sua serva, não cheguei a ver os moços que meu senhor havia mandado.
26. Agora, meu senhor, pela vida de Javé e pela sua, é Javé que o impede de derramar sangue e de fazer justiça por suas próprias mãos. Que sejam como Nabal os inimigos e aqueles que procuram fazer o mal ao meu senhor.
27. Esta homenagem que sua serva lhe trouxe seja dada aos moços que o acompanham.
28. Eu lhe peço: perdoe a falta de sua serva, e Javé não deixará de lhe dar uma família estável, porque o meu senhor combate as guerras de Javé, e nada de mal lhe acontecerá em toda a sua vida.
29. Se alguém se levantar para o perseguir e atentar contra a sua vida, a vida do meu senhor estará bem guardada no bornal da vida com Javé seu Deus, enquanto a vida de seus inimigos será jogada como pedras com a funda.
30. Quando Javé cumprir tudo o que prometeu ao meu senhor e o tiver feito chefe de Israel,
31. então o meu senhor não terá que ficar perturbado, nem sofrer remorso por ter derramado sangue inutilmente e ter feito justiça com as próprias mãos. Quando Javé o abençoar, lembre-se de sua serva".
32. Então Davi respondeu a Abigail: "Seja bendito Javé Deus de Israel, que hoje enviou você ao meu encontro.
33. Bendita seja a sua sabedoria! Bendita seja você que hoje me impediu de derramar sangue e de fazer justiça com minhas próprias mãos!
34. Viva Javé, Deus de Israel, que me impediu de fazer mal a você. Porque, se você não tivesse vindo logo ao meu encontro, juro que ao amanhecer não restaria vivo para Nabal um só dos que urinam na parede".
35. Então Davi aceitou o que Abigail lhe tinha levado, e disse: "Volte em paz para casa. Eu atendi o que você pediu e a tratei com toda a consideração".
36. Abigail voltou para casa e encontrou Nabal dando uma grande festa: era uma festa de rei. Nabal estava alegre e completamente bêbado. Por isso, Abigail nada lhe contou até o amanhecer.
37. Pela manhã, quando Nabal melhorou da bebedeira, sua mulher lhe contou o que tinha acontecido. Nabal sentiu o coração parar no peito e ficou petrificado.
38. Dez dias depois, Javé feriu Nabal e ele morreu.
39. Ao saber que Nabal tinha morrido, Davi exclamou: "Seja bendito Javé, que defendeu minha causa contra a afronta que Nabal me fez. Javé me impediu de cometer um pecado: ele fez recair sobre Nabal o mal que ele tinha planejado". Davi mandou pedir a mão de Abigail, para que se casasse com ele.
40. Os servos de Davi foram a Carmel, à casa de Abigail, e lhe disseram: "Davi nos mandou para pedir que você se case com ele".
41. Abigail imediatamente se inclinou com o rosto por terra, e disse: "Aqui está sua serva disposta a lavar os pés dos servos do meu senhor".
42. Depois levantou depressa e montou num jumento; cinco servas a acompanhavam, e ela partiu junto com os mensageiros de Davi. E Davi se casou com ela.
43. Davi também se casou com Aquinoam de Jezrael. As duas se tornaram suas mulheres.
44. Saul tinha dado sua filha Micol, mulher de Davi, a Falti, filho de Lais de Galim.

[I Samuel 26]I Samuel 26

DAVI NÃO USURPA O PODER
1. Os habitantes de Zif foram a Gabaá e contaram a Saul: "Davi está escondido na colina de Áquila, no lado que dá para o deserto".
2. Então Saul empreendeu a marcha para o deserto de Zif, com três mil soldados israelitas, a fim de dar uma batida e encontrar Davi.
3. Acampou na colina de Áquila, no lado que dá para o deserto, perto do caminho. Davi morava no deserto e, quando ficou sabendo que Saul vinha no seu encalço,
4. mandou alguns espiões para averiguar onde Saul estava.
5. Depois pôs-se a caminho e chegou ao lugar em que Saul estava acampado. Ficou perto do lugar em que estavam deitados Saul e Abner, filho de Ner, comandante do seu exército. Saul descansava entre os carros, e a tropa estava acampada ao redor.
6. Davi perguntou a Aquimelec, o heteu, e a Abisaí, filho de Sárvia, irmão de Joab: "Quem quer vir comigo até o acampamento de Saul?" Abisaí respondeu: "Eu vou com você".
7. Então Davi e Abisaí foram de noite ao acampamento. Saul estava deitado e dormindo, com a lança fincada no chão, ao lado da cabeceira; Abner e a tropa dormiam ao redor.
8. Então Abisaí disse a Davi: "Hoje Deus está entregando o inimigo em sua mão. Deixe que eu o encrave no chão com um só golpe de lança; não será preciso mais que um golpe".
9. Mas Davi respondeu: "Não o mate! Ninguém pode levantar a mão contra o ungido de Javé, e ficar sem castigo!"
10. E continuou: "Pela vida de Javé, o próprio Javé o ferirá. Sua hora vai chegar e ele morrerá, ou acabará caindo no campo de batalha.
11. Javé me livre de atentar contra o seu ungido! Pegue a lança que está na cabeceira dele e o cantil de água, e vamos embora".
12. Davi pegou a lança e o cantil de água que estavam na cabeceira de Saul, e os dois foram embora. Ninguém viu nem percebeu nada, nem acordou: todos dormiam, porque caíra sobre eles um pesado sono enviado por Javé.
13. Davi atravessou para o outro lado, subiu no alto de um monte, ao longe. Havia boa distância entre eles.
14. Então Davi gritou para o exército e para Abner, filho de Ner: "Você não responde, Abner?" E Abner respondeu: "Quem é que está gritando para o rei?"
15. Davi continuou: "Você não é homem? Quem é como você em Israel? Então, por que você não guardou o rei, seu senhor? Alguém do povo tentou matá-lo.
16. Você não se comportou bem. Pela vida de Javé, vocês merecem a morte porque não guardaram o rei, senhor de vocês, o ungido de Javé. Veja onde estão a lança e o cantil de água que estavam na cabeceira dele!"
17. Então Saul reconheceu a voz de Davi e perguntou: "É a sua voz, meu filho Davi?" E Davi respondeu: "É a minha voz, meu senhor e meu rei".
18. E continuou: "Por que o senhor está perseguindo este seu servo? Que fiz eu? Que culpa tenho?
19. Senhor meu rei, peço-lhe que escute o que o seu servo tem a dizer: se é Javé que está lançando você contra mim, a oferta do altar o aplacará. Se forem os homens, que sejam malditos por Javé, pois estão me expulsando hoje e me impedem de participar da herança de Javé. É como se me dissessem: 'Vá servir a outros deuses!'
20. Que meu sangue não caia longe de Javé, nesta terra, já que o rei de Israel saiu para me perseguir até a morte, como se estivesse caçando uma perdiz pelos montes".
21. Saul respondeu: "Pequei. Volte, meu filho Davi! De agora em diante, não vou mais fazer-lhe mal, pois hoje você respeitou a minha vida. Tenho agido como idiota e cometi muitos erros".
22. Davi então disse: "Aqui está a lança do rei. Que um dos moços venha buscá-la.
23. Javé pagará conforme a sua justiça e de acordo com a fidelidade de cada um, Javé entregou você hoje em minhas mãos, e eu não quis atentar contra o ungido de Javé.
24. Assim como hoje eu respeitei a sua vida, que Javé também respeite a minha e me livre de todo perigo".
25. Então Saul disse a Davi: "Bendito seja você, meu filho Davi! Certamente você terá sucesso em tudo o que fizer". Davi continuou seu caminho, e Saul voltou para casa.

[I Samuel 27]4. DAVI ENTRE OS FILISTEUS

I Samuel 27

TÁTICA DE DAVI
1. Davi pensou: "Mais dia menos dia, Saul vai acabar me matando. Não tenho outra saída, a não ser refugiar-me na terra dos filisteus. Saul desistirá de me perseguir por todo Israel, e eu estarei seguro".
2. Davi se pôs a caminho, com seus seiscentos homens, e foi para junto de Aquis, filho de Maoc, rei de Gat.
3. Davi e seus homens se estabeleceram junto a Aquis em Gat, com suas famílias. Davi levou suas duas mulheres: Aquinoam de Jezrael e Abigail, mulher de Nabal de Carmel.
4. Ao ser informado que Davi se refugiara em Gat, Saul parou de persegui-lo.
5. Davi disse a Aquis: "Se eu ganhei o seu favor, dê-me algum povoado na zona rural, onde eu possa morar. Por que um servo seu moraria ao seu lado na cidade real?"
6. Então, nesse dia, Aquis deu Siceleg para Davi. Por isso, Siceleg pertence aos reis de Judá até hoje.
7. Assim, Davi permaneceu na zona rural dos filisteus por um ano e quatro meses.
8. Ele e seus homens iam e atacavam os gessuritas, gersitas e amalecitas, que desde há muito tempo habitavam o território que vai desde Sur até a terra do Egito.
9. Davi aniquilava o território e não deixava ninguém vivo, nem homem nem mulher; tomava ovelhas e bois, jumentos, camelos e roupas. Depois voltava para junto de Aquis.
10. E Aquis perguntava: "Onde é que você atacou hoje?" E Davi respondia que tinha sido contra o Negueb de Judá, ou o Negueb de Jerameel, ou o Negueb dos quenitas.
11. E Davi não deixava ninguém vivo, homem ou mulher que pudesse ir até Gat, pois ele pensava: "Alguém pode nos trair, contando o que eu fiz". Assim ele agiu durante todo o tempo em que esteve na zona rural dos filisteus.
12. Aquis acabou confiando em Davi, e dizia: "Ele é detestado por seu povo, em Israel, e por isso ficará para sempre a meu serviço".

[I Samuel 28]I Samuel 28

1. Nesse tempo, os filisteus reuniram suas tropas para atacar Israel. Então Aquis disse a Davi: "Fique sabendo que você e seus homens irão com meu exército".
2. Davi respondeu: "Muito bem. Você verá do que o seu servo é capaz". Então Aquis disse a Davi: "Eu o nomeio meu guarda pessoal permanente".

APROXIMA-SE A QUEDA DE SAUL
3. Samuel tinha morrido. Todo o Israel participara dos funerais, e o enterraram em Ramá, sua cidade. De outro lado, Saul tinha expulsado do país os necromantes e adivinhos.
4. Os filisteus se concentraram e acamparam em Sunam. Saul reuniu todo o Israel e acamparam em Gelboé.
5. Quando viu o acampamento dos filisteus, Saul teve medo e começou a tremer.
6. Consultou a Javé, porém Javé não lhe respondeu, nem por sonhos, nem pela sorte, nem pelos profetas.
7. Então Saul disse a seus servos: "Procurem uma necromante, para que eu faça uma consulta". Os servos responderam: "Há uma necromante em Endor".
8. Saul se disfarçou, vestiu roupa de outro, e à noite, acompanhado de dois homens, foi encontrar-se com a mulher. Saul disse a ela: "Quero que você me adivinhe o futuro, evocando os mortos. Faça aparecer a pessoa que eu lhe disser".
9. A mulher, porém, respondeu: "Você sabe o que fez Saul, expulsando do país os necromantes e adivinhos. Por que está armando uma cilada, para eu ser morta?"
10. Então Saul jurou por Javé: "Pela vida de Javé, nenhum mal vai lhe acontecer por causa disso".
11. A mulher perguntou: "Quem você quer que eu chame?" Saul respondeu: "Chame Samuel".
12. Quando a mulher viu Samuel aparecer, deu um grito e falou para Saul: "Por que você me enganou? Você é Saul!"
13. O rei a tranqüilizou: "Não tenha medo. O que você está vendo?" A mulher respondeu: "Vejo um espírito subindo da terra".
14. Saul perguntou: "Qual é a aparência dele?" A mulher respondeu: "É a de um ancião que sobe, vestido com um manto". Então Saul compreendeu que era Samuel, e se prostrou com o rosto por terra.
15. Samuel perguntou a Saul: "Por que você me chamou, perturbando o meu descanso?" Saul respondeu: "É que estou em situação desesperadora: os filisteus estão guerreando contra mim. Deus se afastou de mim e não me responde mais, nem pelos profetas, nem por sonhos. Por isso, eu vim chamar você, para que me diga o que devo fazer".
16. Samuel respondeu: "Por que você veio me consultar, se Javé se afastou de você e se tornou seu inimigo?
17. Javé fez com você o que já lhe foi anunciado por mim: tirou de você a realeza e a entregou para Davi.
18. Porque você não obedeceu a Javé e não executou o ardor da ira dele contra Amalec. É por isso que Javé hoje trata você desse modo.
19. E Javé vai entregar aos filisteus tanto você, como seu povo Israel. Amanhã mesmo, você e seus filhos estarão comigo, e o acampamento de Israel também: Javé o entregará nas mãos dos filisteus".
20. Saul caiu imediatamente no chão, apavorado com as palavras de Samuel. Estava enfraquecido, porque ficara o dia todo e toda a noite sem comer.
21. A mulher chegou perto de Saul e, vendo que ele estava apavorado, disse: "Sua serva obedeceu. Arrisquei minha vida para fazer o que o senhor estava pedindo.
22. Agora, também o senhor deve obedecer à sua serva. Vou lhe trazer um pedaço de pão. Coma e recupere as forças para ir embora".
23. Saul, porém, recusou: "Não vou comer nada". Mas seus servos e a mulher insistiram tanto, que ele acabou cedendo: levantou-se do chão e sentou-se na cama.
24. A mulher tinha um bezerro cevado. Abateu o bezerro, pegou farinha, amassou-a e cozinhou uns pães sem fermento.
25. Depois serviu Saul e seus servos. Eles comeram e se puseram a caminho na mesma noite.

[I Samuel 29]I Samuel 29

UM GRUPO PERIGOSO
1. Os filisteus concentraram suas tropas em Afec e Israel acampou junto à fonte que existe em Jezrael.
2. Os príncipes dos filisteus desfilavam por batalhões e destacamentos. Davi e seus homens iam na retaguarda com Aquis.
3. Os chefes filisteus perguntaram: "O que estão fazendo aqui esses hebreus?" Aquis respondeu: "É Davi, o servo de Saul, rei de Israel. Ele já está comigo faz um ano ou dois, e desde o dia que passou para o meu lado até agora não tenho nada do que reclamar".
4. Os chefes filisteus se opuseram, dizendo: "Mande embora esse homem. Que volte para o lugar que você lhe havia reservado. Que não venha para a guerra conosco, e não se volte contra nós em pleno combate. Veja bem: a melhor forma de ele se reconciliar com seu senhor seria a cabeça de nossos soldados.
5. Será que esse Davi não é o Davi de quem se cantava dançando: 'Saul matou mil, mas Davi matou dez mil'?"
6. Então Aquis mandou chamar Davi e lhe disse: "Pela vida de Javé! Você é leal, e eu não tenho queixa do seu comportamento no exército; não tenho nada a reprovar em você, desde que entrou no meu território até hoje. Mas você não é bem visto pelos príncipes.
7. Por isso, volte em paz, para não desagradar os príncipes".
8. Davi respondeu a Aquis: "O que foi que eu fiz? Em que ofendi o senhor, desde que me apresentei até hoje? O que me impede de combater contra os meus inimigos ao lado do meu senhor e rei?"
9. Aquis respondeu a Davi: "Eu sei. Eu estimo você, como se fosse um enviado de Deus. Mas os chefes filisteus disseram que não querem você indo à guerra conosco.
10. Portanto, é melhor que você e os seus servos madruguem, e ao raiar do dia sigam para o lugar que lhes indiquei".
11. Davi e seus homens madrugaram e partiram de manhãzinha, voltando para o país dos filisteus. E os filisteus subiram para Jezrael.

[I Samuel 30]I Samuel 30

TODOS PARTILHAM DA CONQUISTA
1. No terceiro dia em que Davi e seus homens estavam a caminho para Siceleg, os amalecitas atacaram o Negueb e Siceleg: arrasaram e incendiaram Siceleg,
2. aprisionando as mulheres, crianças e adultos que aí se encontravam; não mataram ninguém, mas foram embora levando-os consigo.
3. Quando Davi e seus homens chegaram, viram a cidade incendiada e souberam que suas mulheres, filhos e filhas tinham sido levados embora.
4. Davi e seu pessoal caíram em lágrimas e choraram até se esgotar suas forças.
5. As duas mulheres de Davi, Aquinoam de Jezrael e Abigail, mulher de Nabal de Carmel, também tinham sido capturadas.
6. Davi ficou muito angustiado, porque se dizia que todos queriam apedrejá-lo, pois o pessoal todo estava amargurado por causa de seus filhos e filhas. Davi, porém, recobrou ânimo em Javé seu Deus.
7. Então Davi disse ao sacerdote Abiatar, filho de Aquimelec: "Traga-me o efod". E Abiatar levou o efod para Davi.
8. E Davi consultou a Javé: "Se eu perseguir esse bando, será que vou alcançá-lo?" Javé respondeu: "Vá atrás deles, porque você os alcançará e libertará os prisioneiros".
9. Davi e seus seiscentos homens foram e chegaram ao riacho de Besor.
10. Davi e quatrocentos homens continuaram a perseguição, enquanto duzentos ficaram, pois estavam cansados para atravessar o riacho de Besor.
11. Encontraram um egípcio no campo e o levaram até Davi. Deram-lhe pão para comer e água para beber.
12. Deram-lhe doce de figos e dois cachos de uvas passas. Depois de ter comido, ele se refez, porque estava três dias e três noites sem comer nem beber.
13. Então Davi lhe perguntou: "A quem pertence você e de onde vem?" Ele respondeu: "Eu sou um moço egípcio, escravo de um amalecita. Faz três dias que meu patrão me abandonou, porque eu estava doente.
14. Nós atacamos o Negueb dos cereteus, os homens de Judá e o Negueb de Caleb; e também incendiamos Siceleg".
15. Davi lhe disse: "Você é capaz de me conduzir até esse bando?" O egípcio respondeu: "Jure por Deus que você não me matará, nem me entregará nas mãos do meu senhor, e eu o conduzirei até esse bando".
16. Então o egípcio levou Davi até o bando. Os amalecitas estavam espalhados pelo território, comendo, bebendo e fazendo festa com os grandes despojos que haviam tomado no país dos filisteus e no país de Judá.
17. Davi os aniquilou desde o amanhecer até a tarde do dia seguinte: ninguém escapou, exceto quatrocentos moços que montavam camelos e que conseguiram fugir.
18. Davi recuperou tudo o que os amalecitas haviam tomado, e também suas duas mulheres.
19. Não se perdeu nada do que lhes pertencia: coisas pequenas e grandes, os despojos que haviam tomado, filhos e filhas; Davi levou tudo de volta.
20. Davi pegou todas as ovelhas e bois dos amalecitas. Aqueles que iam na frente desse rebanho diziam: "Aqui estão os despojos de Davi".
21. Davi chegou até onde estavam os duzentos homens que, cansados, não o tinham seguido e ficaram junto ao riacho de Besor. Eles foram ao encontro de Davi e da tropa. Davi aproximou-se deles e os saudou.
22. Todos os homens maus e grosseiros que tinham seguido Davi disseram: "Já que eles não foram conosco, não dê para eles parte nenhuma dos despojos que recuperamos, a não ser a própria mulher e filhos; que eles recebam e vão embora".
23. Então Davi replicou: "Nada disso, meus irmãos. Não façam isso com o que Javé nos deu. Ele nos protegeu e colocou em nosso poder o bando que veio contra nós.
24. Quem é que pode concordar com o que vocês estão dizendo? De fato, a parte daquele que foi ao combate é a mesma daquele que ficou com as bagagens; repartam por igual".
25. Desse dia em diante, isso ficou como estatuto e norma para Israel, e permanece até o dia de hoje.
26. Davi entrou em Siceleg e enviou parte dos despojos para os anciãos de Judá, seus compatriotas, dizendo: "Aqui vai como presente para vocês parte dos despojos tomados dos inimigos de Javé".
27. E a mandou para os anciãos de Betul, de Ramá do Negueb, de Jatir,
28. de Aroer, de Sefamot, de Estemo,
29. de Carmel, das cidades de Jerameel, das cidades dos quenitas,
30. de Horma, de Bor-Asã, de Eter,
31. de Hebron, e para os anciãos de todos os lugares por onde Davi tinha passado com seus homens.

[I Samuel 31]I Samuel 31

A TRÁGICA DERROTA DE SAUL
1. Os filisteus fizeram guerra contra Israel, e os israelitas fugiram deles, e muitos caíram mortos no monte Gelboé.
2. Os filisteus perseguiram Saul e seus filhos. Mataram Jônatas, Abinadab e Melquisua, filhos de Saul.
3. Todo o peso do combate se concentrou sobre Saul. Os arqueiros o surpreenderam e o feriram gravemente.
4. Então Saul disse ao escudeiro: "Desembainhe a espada e me atravesse, antes que esses incircuncisos cheguem e caçoem de mim". O escudeiro ficou apavorado e não quis obedecer. Então Saul pegou a espada e atirou-se sobre ela.
5. Vendo que Saul estava morto, o escudeiro também se jogou sobre sua espada e morreu com Saul.
6. Desse modo, no mesmo dia morreram Saul, seus três filhos, seu escudeiro e todos os seus homens.
7. Quando os israelitas que estavam no outro lado do vale, e os da Transjordânia, viram que os israelitas tinham sido derrotados e que Saul e seus filhos estavam mortos, abandonaram suas cidades e fugiram. Então os filisteus foram e as ocuparam.
8. No dia seguinte, os filisteus foram despojar os cadáveres e encontraram Saul e seus três filhos mortos no monte Gelboé.
9. Cortaram a cabeça de Saul e tiraram suas armas. E as enviaram por todo o território filisteu, anunciando a boa notícia a seus ídolos e a seu povo.
10. Depositaram as armas de Saul no templo de Astarte e dependuraram o cadáver dele na muralha de Betsã.
11. Os habitantes de Jabes de Galaad souberam o que os filisteus tinham feito com Saul.
12. Então todos os guerreiros caminharam a noite inteira, tiraram da muralha de Betsã o cadáver de Saul e de seus filhos, e os levaram a Jabes, e aí os queimaram.
13. Depois recolheram os ossos, os enterraram debaixo da tamareira de Jabes, e jejuaram durante sete dias.


[II Samuel 1]II Samuel 1

DAVI LAMENTA SAUL E JÔNATAS
1. Depois da morte de Saul, Davi voltou da vitória sobre os amalecitas e ficou dois dias em Siceleg.
2. No terceiro dia, chegou alguém do acampamento de Saul, com as roupas rasgadas e a cabeça coberta de pó. Chegando perto de Davi, ele se jogou por terra e se prostrou.
3. Davi perguntou: "De onde você vem?" O homem respondeu: "Escapei com vida do acampamento de Israel".
4. Davi perguntou: "O que foi que aconteceu? Diga logo". O homem respondeu: "As tropas fugiram do campo de batalha, muitos caíram e estão mortos. Até Saul e seu filho Jônatas morreram".
5. Davi perguntou ao moço que o informava: "Como é que você sabe que Saul e seu filho Jônatas estão mortos?"
6. O mensageiro respondeu: "Eu estava casualmente no monte Gelboé e vi Saul apoiado em sua própria lança, enquanto os carros e cavaleiros se aproximavam.
7. Saul virou-se, me viu e me chamou. Eu disse: 'Estou aqui'.
8. Saul me perguntou: 'Quem é você?' Eu respondi: 'Sou um amalecita'.
9. Então Saul me disse: 'Aproxime-se e mate-me, pois estou agonizando e não acabo de morrer'.
10. Então eu me aproximei dele e o matei, porque eu sabia que ele não iria mesmo sobreviver depois de caído. Em seguida, peguei a coroa que ele trazia na cabeça e o bracelete que estava no seu braço e os trouxe aqui para o meu senhor".
11. Então Davi rasgou suas próprias roupas. E todos os homens que o acompanhavam fizeram o mesmo.
12. Lamentaram, choraram e jejuaram até a tarde por Saul e por seu filho Jônatas, e também por causa do povo de Javé e pela casa de Israel, porque haviam sido mortos pela espada.
13. Depois Davi perguntou ao moço que havia trazido a notícia: "De onde você é?" Ele respondeu: "Sou filho de um imigrante amalecita".
14. Davi lhe perguntou: "E como você se atreveu a levantar a mão para matar o ungido de Javé?"
15. Então Davi chamou um dos rapazes e ordenou: "Venha aqui e mate esse homem". O rapaz feriu o homem e ele morreu.
16. E Davi disse: "Você é responsável por sua própria morte, pois com a própria boca você testemunhou contra si mesmo, dizendo que matou o ungido de Javé".
17. Davi entoou esta lamentação para Saul e seu filho Jônatas,
18. e ordenou que fosse ensinada aos filhos de Judá. Ela se encontra no Livro do Justo.
19. A honra de Israel pereceu nas alturas. Como foi que os valentes caíram?
20. Não contem isso em Gat, nem proclamem nas ruas de Ascalon. Que as jovens filistéias não se alegrem e as filhas dos incircuncisos não exultem.
21. Montanhas de Gelboé, que o orvalho e a chuva não caiam sobre vocês e nunca mais haja campos férteis, pois o escudo dos valentes foi desonrado. O escudo de Saul não foi ungido com óleo,
22. mas com o sangue dos feridos e a gordura dos valentes. O arco de Jônatas não recuava e a espada de Saul não voltava sem sangue.
23. Saul e Jônatas, amados e queridos, nem a vida nem a morte os separaram. Eram mais velozes do que as águias e mais fortes do que os leões.
24. Moças de Israel, chorem por Saul: ele vestiu vocês com púrpura e linho, e enfeitou de ouro os seus vestidos.
25. Como os valentes caíram no combate! Jônatas, sua morte rasgou-me o coração!
26. Como sofro por você, Jônatas, meu irmão! Como eu lhe queria bem! Para mim, o seu amor era mais caro do que o amor das mulheres!
27. Como caíram os valentes! Como pereceram as armas de guerra!

[II Samuel 2]IV. DAVI: FUNDAÇÃO DE UM ESTADO E SURGIMENTO DE UMA NAÇÃO

1. DAVI, REI DE JUDÁ

II Samuel 2

DAVI É UNGIDO REI
1. Depois disso, Davi consultou a Javé: "Posso ir para alguma cidade de Judá?" Javé respondeu: "Pode". Davi perguntou: "Para qual delas posso ir?" A resposta foi: "Hebron".
2. Davi subiu para lá, junto com suas duas mulheres: Aquinoam de Jezrael e Abigail, mulher de Nabal de Carmel.
3. Levou também todos os seus homens, junto com suas famílias. E se estabeleceram nas aldeias de Hebron.
4. Os homens de Judá foram para lá e ungiram Davi como rei sobre a casa de Judá. Comunicaram a Davi que os habitantes de Jabes de Galaad tinham enterrado Saul.
5. Então Davi enviou mensageiros aos habitantes de Jabes, dizendo: "Que Javé os abençoe por terem realizado esse ato de misericórdia para com seu senhor Saul e o terem enterrado.
6. Que Javé os trate com misericórdia e fidelidade. Eu também os recompensaria por essa boa ação.
7. Agora, tenham coragem e sejam valentes. O seu rei Saul está morto, mas a casa de Judá já me sagrou como seu rei".

MEDIÇÃO DE FORÇAS
8. Abner, filho de Ner, chefe do exército de Saul, tinha levado consigo Isbaal, filho de Saul, e o tinha feito ir a Maanaim.
9. Abner o estabeleceu como rei sobre Galaad, sobre os de Aser, de Jezrael, Efraim, Benjamim e sobre todo o Israel.
10. Isbaal, filho de Saul, tinha quarenta anos quando se tornou rei de Israel, e reinou por dois anos. Somente a casa de Judá seguia Davi.
11. E Davi reinou sobre a casa de Judá, em Hebron, durante sete anos e meio.
12. Abner, filho de Ner, e os servos de Isbaal, filho de Saul, foram de Maanaim para Gabaon.
13. Joab, filho de Sárvia, e os oficiais de Davi puseram-se a caminho e os encontraram perto do açude de Gabaon: os de Joab ficaram de um lado do açude, e do outro lado os de Abner.
14. Então Abner propôs a Joab: "Deixe que alguns jovens venham lutar diante de nós". Joab respondeu: "Está bem".
15. Doze benjaminitas se prepararam e atravessaram para lutar por Isbaal, filho de Saul; e doze dos oficiais de Davi também se apresentaram.
16. Cada um deles agarrou a cabeça do adversário e lhe enterrou a espada no flanco, de modo que todos caíram juntos. É por isso que esse lugar ficou sendo chamado Campo dos Flancos, e está localizado em Gabaon.
17. Nesse dia, houve uma batalha violenta, e os oficiais de Davi derrotaram Abner e os israelitas.
18. Estavam aí os três filhos de Sárvia: Joab, Abisaí e Asael. Ora, Asael corria como as gazelas selvagens,
19. e perseguiu Abner sem parar e sem se desviar de um lado para outro.
20. Abner olhou para trás e perguntou: "É você, Asael?" E Asael respondeu: "Sou eu mesmo".
21. Então Abner disse: "Vá para a direita ou para a esquerda, agarre um dos meus rapazes e pegue suas armas". Asael, porém, não quis parar de persegui-lo.
22. Abner insistiu: "Pare de me perseguir. Por que eu haveria de ferir você e deixá-lo no chão? Com que cara eu iria depois me apresentar diante do seu irmão Joab?"
23. Como Asael não quis afastar-se, Abner lhe furou a barriga com a parte de trás da lança, de modo que esta lhe saiu pelas costas. Asael caiu, e morreu aí mesmo. Todos os que chegavam ao lugar onde Asael estava caído e morto, paravam.
24. Joab e Abisaí começaram a perseguir Abner e, ao pôr-do-sol, chegaram à colina de Ama, que está a leste de Gaia, no caminho do deserto de Gabaon.
25. Os benjaminitas se concentraram atrás de Abner, em formação cerrada, e pararam no alto de uma colina.
26. Então Abner gritou para Joab e disse: "Será que a espada vai ficar devorando para sempre? Você não sabe que no fim vai sobrar somente amargura? Quando é que você vai ordenar a seu pessoal que pare de perseguir os seus irmãos?"
27. Joab respondeu: "Pela vida de Javé, se você não tivesse falado, só pela manhã este pessoal deixaria de perseguir seus irmãos".
28. Então Joab mandou soar a trombeta, e toda a tropa suspendeu o combate e parou de perseguir Israel. Não batalharam mais.
29. Abner e seus homens caminharam toda a noite pelo deserto, atravessaram o Jordão e, depois de marcharem toda a manhã seguinte, chegaram a Maanaim.
30. Joab parou de perseguir Abner e reuniu toda a tropa: dos guerreiros de Davi morreram dezenove homens e também Asael.
31. Mas tinham matado trezentos e sessenta homens de Benjamim e de Abner.
32. Levaram o cadáver de Asael e o enterraram em Belém, no túmulo da família. Joab e seus homens marcharam a noite inteira e chegaram a Hebron pelo amanhecer.

[II Samuel 3]II Samuel 3

FUTUROS CONCORRENTES
1. A guerra entre as famílias de Saul e Davi continuou, mas Davi se fortalecia cada vez mais, ao passo que a família de Saul se enfraquecia.
2. Davi teve vários filhos em Hebron: o primeiro foi Amnon, nascido de Aquinoam de Jezrael;
3. o segundo, Queleab, nascido de Abigail, que tinha sido mulher de Nabal de Carmel; o terceiro, Absalão, nascido de Maaca, filha de Tolmai, rei de Gessur;
4. o quarto, Adonias, nascido de Hagit; o quinto, Safatias, nascido de Abital;
5. o sexto, Jetraam, nascido da esposa Egla. Foram esses os filhos que Davi teve em Hebron.

O CAMINHO PARA A UNIFICAÇÃO DO PODER
6. Durante a luta entre as famílias de Saul e Davi, Abner foi adquirindo na família de Saul prestígio cada vez maior.
7. Saul tinha tido uma concubina chamada Resfa, filha de Aías. Isbaal perguntou a Abner: "Por que você se uniu com a concubina de meu pai?"
8. Abner ficou furioso com a pergunta de Isbaal e respondeu: "Por acaso, eu sou um cachorro? Sempre trabalhei lealmente pela família de seu pai Saul, pelos seus irmãos e amigos, e não deixei você cair nas mãos de Davi. E agora você vem me criticar por uma questão de mulher?
9. Que Deus me castigue, se eu não cumprir o juramento que Javé fez a Davi:
10. Vou tirar a realeza da família de Saul e estabelecer o trono de Davi sobre Israel e sobre Judá, desde Dã até Bersabéia".
11. Isbaal tinha medo de Abner, e não se atreveu a responder uma só palavra.
12. Abner enviou mensageiros para dizerem a Davi: "De quem é o país?" Ele queria dizer: "Faça uma aliança comigo, e eu o ajudarei a reunir todo o Israel em torno de você".
13. Davi respondeu: "Muito bem. Vou fazer uma aliança com você. Só exijo uma coisa: quando você vier ao meu encontro só o receberei se me trouxer Micol, filha de Saul".
14. Davi mandou também mensageiros a Isbaal, filho de Saul, dizendo: "Entregue-me a minha mulher Micol, que adquiri por cem prepúcios de filisteus".
15. Isbaal mandou tomar Micol do seu marido Faltiel, filho de Lais.
16. E Faltiel seguiu a esposa até Baurim. Então Abner lhe disse: "Volte!" E ele voltou.
17. Abner tinha conversado com os anciãos de Israel e lhes tinha dito: "Faz tempo que vocês queriam ter Davi como rei.
18. Pois bem, chegou o momento, porque Javé falou isto a respeito de Davi: 'É por meio do meu servo Davi que eu livrarei o meu povo Israel do poder dos filisteus e de todos os seus inimigos' ".
19. Abner falou também aos de Benjamim. Depois foi a Hebron contar a Davi tudo o que Israel e a família de Benjamim tinham aprovado.
20. Acompanhado de vinte homens, Abner chegou a Hebron para conversar com Davi, e Davi ofereceu uma recepção para Abner e os homens que tinham ido com ele.
21. Então Abner disse a Davi: "Vou reunir todo o Israel ao redor do senhor meu rei: eles farão uma aliança com você, e você reinará conforme deseja". Davi se despediu de Abner, e este partiu em paz.
22. Os guerreiros de Davi e Joab tinham acabado de chegar da incursão, transportando muitos despojos. Abner não estava mais em Hebron, pois Davi o tinha despedido e ele tinha partido em paz.
23. Quando Joab e sua tropa chegaram, disseram a Joab que Abner, filho de Ner, tinha vindo e estado com o rei, e este o tinha deixado partir em paz.
24. Então Joab foi conversar com o rei e lhe disse: "O que foi que você fez? Abner esteve aqui, e você o deixou partir?
25. Você conhece bem Abner, filho de Ner! Ele veio para enganá-lo. Ele quer conhecer seus movimentos e saber o que você está fazendo".
26. Joab saiu do palácio e, sem que Davi soubesse, enviou mensageiros atrás de Abner, que o fizeram voltar desde o poço de Sira.
27. Quando Abner voltou a Hebron, Joab o chamou à parte, a um lado da entrada, para falar com ele a sós; e aí o feriu mortalmente na barriga, por causa do seu irmão Asael.
28. Quando Davi ficou sabendo, disse: "Eu e o meu reino, diante de Javé, somos para sempre inocentes do sangue de Abner, filho de Ner.
29. Que o sangue de Abner caia sobre a cabeça de Joab e sobre toda a sua família. Que na família de Joab nunca falte quem sofra de gonorréia ou seja leproso, assalariado, ou pessoas mortas pela espada ou de fome".
30. Joab e seu irmão Abisaí tinham assassinado Abner porque ele matara seu irmão Asael no combate de Gabaon.
31. Então Davi ordenou a Joab e seus acompanhantes: "Rasguem as roupas, vistam panos de saco e façam luto por Abner". O rei Davi ia atrás, acompanhando o enterro.
32. Enterraram Abner em Hebron. O rei soluçava alto junto à sepultura, e todo o povo também chorava.
33. E o rei cantou esta lamentação por Abner: "Será que Abner precisava morrer como insensato?
34. Suas mãos não conheciam correntes e seus pés não estavam presos em grilhões. Mas você caiu, como quem cai em poder de malfeitores". E todo o povo continuou chorando.
35. Depois o povo chamou Davi para forçá-lo a comer, enquanto era dia. Mas Davi jurou: "Que Deus me castigue, se antes do pôr-do-sol eu comer pão ou qualquer outro alimento".
36. Todo o povo notou isso e achou justo, pois todos aprovavam o que o rei fazia.
37. Nesse dia, todo o povo e todo o Israel ficou sabendo que o rei não tinha nada a ver com o assassinato de Abner, filho de Ner.
38. E o rei disse aos seus ministros: "Vocês sabem que hoje caiu em Israel um grande chefe.
39. Eu ainda sou fraco, apesar de ter sido ungido rei. Esses homens, os filhos de Sárvia, são mais duros do que eu. Que Javé castigue o mau, conforme a sua maldade".

[II Samuel 4]II Samuel 4

CAI O ÚLTIMO OBSTÁCULO
1. Quando soube que Abner tinha morrido em Hebron, Isbaal, filho de Saul, se acovardou, e todo o Israel ficou alarmado.
2. Isbaal, filho de Saul, tinha dois chefes de guerrilhas: um se chamava Baana e o outro, Recab. Eram filhos de Remon de Berot e benjaminitas, porque Berot também se considerava da tribo de Benjamim.
3. Os habitantes de Berot fugiram para Getaim, onde permanecem até hoje como imigrantes.
4. Aí vivia um filho de Jônatas, filho de Saul, que era aleijado dos dois pés. Ele tinha cinco anos, quando chegou de Jezrael a notícia da morte de Saul e Jônatas. Então a ama o pegou e fugiu; mas, na fuga apressada, a criança caiu e se machucou. Chamava-se Meribaal.
5. Recab e Baana, filhos de Remon de Berot, estavam a caminho e chegaram à casa de Isbaal na hora mais quente do dia, quando Isbaal dormia.
6. A porteira, que estava limpando o trigo, tinha cochilado e dormia. Recab e seu irmão Baana entraram sem ser percebidos.
7. Entraram na casa, enquanto Isbaal dormia na cama. Eles o mataram e lhe cortaram a cabeça. Depois carregaram a cabeça, andando a noite toda pela estrada do deserto.
8. Levaram a cabeça de Isbaal a Davi em Hebron, e disseram ao rei: "Aqui está a cabeça de Isbaal, filho de Saul, o inimigo que queria matar você. Javé trouxe hoje ao senhor meu rei uma vingança contra Saul e sua descendência".
9. Davi, porém, dirigiu-se a Recab e seu irmão Baana, filhos de Remon de Berot, e lhes disse: "Pela vida de Javé, que me salvou a vida de todo perigo!
10. Quem anunciou a morte de Saul, acreditava que estava trazendo uma boa notícia! Pois eu o agarrei e o matei em Siceleg, em troca da boa notícia!
11. Com maior razão ainda, será que não devo pedir contas a vocês do sangue de Isbaal e fazê-los desaparecer da face da terra, por terem matado um homem honesto dentro de sua casa, enquanto dormia na sua cama?"
12. Então Davi ordenou a seus jovens que matassem Recab e Baana. Eles cortaram as mãos e os pés dos dois e penduraram seus corpos perto do açude de Hebron. Depois pegaram a cabeça de Isbaal e a enterraram no túmulo de Abner, em Hebron.

[II Samuel 5]2. DAVI, REI DE JUDÁ E DE ISRAEL

II Samuel 5

NASCE UMA NAÇÃO
1. Todas as tribos de Israel foram encontrar-se com Davi em Hebron, e lhe propuseram: "Veja! Somos do mesmo sangue.
2. Já antes, quando Saul era nosso rei, o verdadeiro comandante de Israel era você. E Javé lhe disse: 'Você será o pastor do meu povo Israel. Você será o chefe de Israel' ".
3. Todos os anciãos de Israel foram visitar o rei em Hebron, e Davi fez um pacto com eles em Hebron, diante de Javé. E eles ungiram Davi como rei de Israel.
4. Davi tinha trinta anos quando começou a reinar, e reinou durante quarenta anos.
5. Em Hebron, ele reinou sete anos e meio sobre Judá. Depois, em Jerusalém, reinou trinta e três anos sobre todo o Israel e sobre Judá.

JERUSALÉM, CENTRO POLÍTICO DO REINO
6. Davi marchou com seus homens sobre Jerusalém, contra os jebuseus que habitavam o território. Os jebuseus disseram a Davi: "Não entre aqui, porque bastam os cegos e aleijados para o repelir". Era a maneira de dizer que Davi não entraria na cidade.
7. Mas Davi conquistou a fortaleza de Sião, que ficou sendo a cidade de Davi.
8. Nesse dia, Davi disse: "Todo aquele que ferir os jebuseus e subir pelo canal... Quanto aos cegos e aleijados, Davi os detesta". É por isso que se diz: "Os cegos e aleijados não poderão entrar no Templo".
9. Davi se instalou na fortaleza e deu-lhe o nome de Cidade de Davi. Em seguida, construiu uma grande muralha ao seu redor, desde o Melo até o interior.
10. Davi ia crescendo em poder. E Javé, Deus dos exércitos, estava com ele.
11. Hiram, rei de Tiro, enviou uma embaixada a Davi, com madeira de cedro, carpinteiros e pedreiros, para construir um palácio para Davi.
12. Então Davi percebeu que Javé o tinha confirmado como rei sobre Israel, e lhe estava exaltando a realeza por causa de Israel, povo de Javé.
13. Chegando de Hebron, Davi ainda tomou concubinas e mulheres em Jerusalém, e teve filhos e filhas.
14. Os nomes dos filhos que teve em Jerusalém são: Samua, Sobab, Natã, Salomão,
15. Jebaar, Elisua, Nafeg, Jáfia,
16. Elisama, Baaliada e Elifalet.

VITÓRIAS CONTRA O INIMIGO
17. Os filisteus souberam que Davi fora ungido rei de Israel e subiram todos para o capturar. Ao saber disso, Davi desceu para o refúgio.
18. Os filisteus chegaram e se espalharam pelo vale dos Rafaim.
19. Então Davi consultou a Javé: "Devo atacar os filisteus? Tu os entregarás em meu poder?" Javé respondeu a Davi: "Pode atacar. Vou lhe entregar os filisteus em seu poder".
20. Davi foi para Senhor-das-Brechas e aí venceu os filisteus. Davi disse: "Javé abriu para mim uma brecha nos meus inimigos, como uma brecha feita pelas águas". É por isso que esse lugar se chama Senhor-das-Brechas.
21. Os filisteus abandonaram aí seus ídolos, e Davi com seus homens os levaram.
22. Os filisteus subiram outra vez e se espalharam pelo vale dos Rafaim.
23. Davi consultou a Javé, que respondeu: "Não os ataque pela frente. Dê a volta por trás deles e os ataque pelo lado das amoreiras.
24. Quando você ouvir um rumor de passos na copa das amoreiras, aja com rapidez, porque é Javé quem avança à frente de você para derrotar o exército filisteu".
25. Davi fez exatamente o que Javé tinha mandado, e derrotou os filisteus desde Gabaon até a entrada de Gazer.

[II Samuel 6]II Samuel 6

JERUSALÉM, CENTRO RELIGIOSO DO POVO
1. Davi reuniu de novo os melhores homens de Israel, cerca de trinta mil.
2. Junto com seu exército, partiu para Baala de Judá, a fim de transportar a arca de Deus que aí estava e que levava o nome de Javé dos exércitos, assentado sobre os querubins.
3. Carregaram a arca de Deus numa carroça nova, para tirá-la da casa de Abinadab, que ficava sobre uma colina. Oza e Aio, filhos de Abinadab, conduziam a carroça nova.
4. Oza caminhava à esquerda da arca de Deus e Aio ia na frente dela.
5. Davi e toda a casa de Israel, entusiasmados, iam fazendo festa diante de Javé, cantando ao som de cítaras, harpas, tamborins, pandeiros e marimbas.
6. Quando chegaram à eira de Nacon, como os bois estavam fazendo a arca de Deus tombar, Oza estendeu a mão para segurá-la.
7. Então a ira de Javé se inflamou contra Oza, e Deus o feriu por causa da sua falta; e Oza morreu aí mesmo, junto à arca de Deus.
8. Davi ficou triste, porque Javé abrira uma brecha, atacando Oza; por isso, deram a esse lugar o nome de Brecha de Oza, nome que se conserva até hoje.
9. Nesse dia, Davi teve medo de Javé, e disse: "Como é que a arca de Javé poderá ser introduzida em minha casa?"
10. Então Davi desistiu de transferir a arca de Javé para a cidade de Davi. Por isso a levou para a casa de Obed-Edom de Gat.
11. A arca de Javé permaneceu três meses na casa de Obed-Edom de Gat. Por isso é que Javé abençoou Obed-Edom e toda a sua família.
12. Então informaram ao rei Davi: "Javé abençoou a família de Obed-Edom e todos os seus por causa da arca de Deus". Contente, Davi foi e transportou a arca de Deus da casa de Obed-Edom para a cidade de Davi.
13. Cada seis passos que os carregadores da arca de Javé davam, Davi sacrificava um boi e um bezerro gordo.
14. Davi dançava com todo o entusiasmo diante de Javé e vestia um efod de linho.
15. Desse modo, Davi e toda a casa de Israel conduziram a arca de Javé, com aclamações e toques de trombeta.
16. Quando a arca de Javé entrou na cidade de Davi, Micol, filha de Saul, estava olhando pela janela e viu o rei Davi pulando e dançando diante de Javé; por isso, o desprezou no seu íntimo.
17. Levaram a arca de Javé e a colocaram no lugar reservado para ele, dentro da tenda que Davi tinha mandado armar. Depois, Davi ofereceu holocaustos diante de Javé e também sacrifícios de comunhão.
18. Tendo terminado de oferecer holocaustos e sacrifícios de comunhão, Davi abençoou o povo em nome de Javé dos exércitos.
19. E distribuiu a todo o povo e a toda a multidão de Israel, homens e mulheres, um pedaço de pão, um bolo de tâmaras e um doce de uvas passas para cada pessoa. Em seguida, cada um foi embora para casa.
20. Davi voltou para abençoar a sua família. Então Micol, filha de Saul, saiu ao encontro dele, e disse: "Hoje o rei de Israel se honrou muito, desnudando-se diante das servas de seus servos, como se fosse um homem qualquer!"
21. Davi respondeu a Micol: "Diante de Javé que escolheu a mim, e não ao seu pai e à família dele, para colocar-me como chefe sobre o povo de Javé, sobre Israel, eu farei festa diante de Javé,
22. e me humilharei ainda mais. Serei desprezível aos olhos de você, mas serei honrado aos olhos das servas, de quem você está falando".
23. E Micol, filha de Saul, não teve filhos até o dia de sua morte.

[II Samuel 7]II Samuel 7

FUNDAÇÃO DO PODER DINÁSTICO
1. O rei Davi foi morar no seu palácio e Javé o livrou de todos os inimigos ao redor.
2. Então ele disse ao profeta Natã: "Veja! Eu moro em palácio de cedro, enquanto a arca de Deus mora numa tenda!"
3. Natã respondeu ao rei: "Vá e faça tudo o que está pensando, porque Javé está com você".
4. Nessa mesma noite, porém, a palavra de Javé foi dirigida a Natã:
5. "Vá dizer ao meu servo Davi: Assim diz Javé: Você quer construir uma casa para eu morar?
6. Pois bem: eu não morei em casa nenhuma desde o dia em que tirei os filhos de Israel do Egito até hoje. Sempre andei errante sob uma tenda e um abrigo.
7. Durante todo o tempo em que caminhei junto com os filhos de Israel, por acaso eu disse para algum dos juízes de Israel, que estabeleci como pastores do meu povo: 'Por que você não constrói uma casa de cedro para mim?'
8. Portanto, diga ao meu servo Davi: Assim diz Javé dos exércitos: Eu tirei você do pastoreio, onde você cuidava das ovelhas, para fazê-lo chefe do meu povo Israel.
9. Estive com você em toda parte por onde você andava, e destruí na sua frente todos os seus inimigos. E eu darei a você um grande nome, como o nome dos grandes da terra.
10. Fixarei um lugar para o meu povo Israel, eu o firmarei, para que habite no seu lugar próprio. E assim ele não precisará mais andar errante. Os perversos não continuarão a oprimi-lo como antes,
11. como acontece desde o dia em que estabeleci juízes sobre o meu povo Israel. Eu livrarei você de todos os seus inimigos. Javé informa que vai fundar uma dinastia para você.
12. E quando esgotar seus dias e você repousar junto a seus antepassados, eu exaltarei a sua descendência depois de você, aquele que vai sair de você. E firmarei a realeza dele.
13. Ele é que vai construir uma casa para o meu nome. E eu estabelecerei o trono real dele para sempre.
14. Serei para ele um pai e ele será um filho para mim. Se ele falhar, eu o corrigirei com bastão e chicote, como se costuma fazer.
15. Mas eu não desistirei de ser fiel para com ele, como desisti de Saul, que tirei da frente de você.
16. A dinastia e a realeza dele permanecerão firmes para sempre diante de mim; e o seu trono será sólido para sempre".
17. Natã comunicou a Davi todas essas palavras e toda essa visão.

O REI DEVE SERVIR A JAVÉ E AO POVO
18. O rei Davi foi, ficou diante de Javé, e disse: "Quem sou eu, Senhor Javé, e o que é a minha família para que me conduzisses até aqui?
19. E, no entanto, isso ainda é pouco para ti, Senhor Javé! Fizeste ainda promessas para a família de teu servo, para o futuro distante, enquanto existir a humanidade, Senhor Javé!
20. O que poderei eu, Davi, acrescentar às tuas palavras? Tu conheces o teu servo, Senhor Javé!
21. É por causa da tua palavra e segundo o teu coração que fizeste o teu servo conhecer todas essas grandes coisas.
22. Por isso tu és grande, Senhor Javé! Ninguém é como tu, e não existe nenhum deus além de ti, como ouvimos com os nossos próprios ouvidos!
23. Quem é como o teu povo, como Israel, a única nação da terra que Deus veio resgatar para ser seu povo e para lhe dar um nome? Realizaste coisas grandes e terríveis em favor dele, do teu país, do teu povo, que resgataste do Egito, dentre as nações e os deuses.
24. Estabeleceste o teu povo Israel para ser o teu povo para sempre. Tu, Javé, te tornaste o seu Deus.
25. Agora, Javé Deus, confirma para sempre a promessa que fizeste ao teu servo e para a família dele, e faze como prometeste.
26. E o teu nome será engrandecido para sempre. Então se dirá: Javé dos exércitos é o Deus de Israel. Então a família de teu servo Davi permanecerá firme diante de ti.
27. De fato, Javé dos exércitos e Deus de Israel, tu mostraste uma visão ao teu servo e disseste: 'Construirei uma dinastia para você'. É por isso que o teu servo encontrou coragem para te fazer esta oração.
28. Senhor Javé, tu és Deus! E o que disseste é verdade. Tu prometeste essas coisas boas ao teu servo!
29. Agora, consente em abençoar a família do teu servo, para que esteja sempre na tua presença. Porque tu falaste, Senhor Javé, e através da tua bênção a família de teu servo será abençoada para sempre".

[II Samuel 8]II Samuel 8

LIBERTAÇÃO FRENTE AOS INIMIGOS
1. Depois disso, Davi derrotou os filisteus e subjugou-os, tomando deles o controle militar.
2. Derrotou também os moabitas e, depois de os estender no chão, mediu-os com a corda: mediu duas cordas para condená-los à morte e uma corda inteira para deixá-los com vida. Depois disso, os moabitas tornaram-se súditos de Davi e começaram a pagar-lhe tributo.
3. Davi derrotou também Adadezer, filho de Roob, rei de Soba, quando este pretendia estender seu domínio sobre o rio Eufrates.
4. Davi tomou dele mil e setecentos condutores de carro, vinte mil homens da infantaria, e cortou os tendões de todas as parelhas de cavalos, conservando apenas cem.
5. Os arameus de Damasco foram socorrer Adadezer, rei de Soba, mas Davi feriu vinte e dois mil homens dentre os arameus.
6. Depois colocou governadores em Aram de Damasco, e os arameus se tornaram súditos dele, pagando-lhe tributos. E Javé fazia Davi sair vitorioso em qualquer lugar por onde ele ia.
7. Davi ainda tomou os escudos de ouro que os guerreiros de Adadezer usavam e os levou para Jerusalém.
8. Tomou também grande quantidade de cobre de Tebá e Berotai, cidades de Adadezer.
9. Toú, rei de Emat, soube que Davi tinha derrotado todo o exército de Adadezer.
10. Ora, como Adadezer era inimigo de Toú, este enviou seu filho Adoram para saudar Davi e cumprimentá-lo por ter enfrentado Adadezer e o ter derrotado. Adoram levou objetos de prata, ouro e bronze,
11. os quais o rei Davi consagrou a Javé, juntamente com o ouro e a prata que havia tomado de todas as nações conquistadas:
12. de Aram e Moab, dos amonitas e filisteus, dos amalecitas e dos despojos de Adadezer, filho de Roob, rei de Soba.
13. A fama de Davi aumentou quando ele retornou vitorioso contra dezoito mil homens de Edom, no Vale do Sal.
14. Davi estabeleceu governadores em todo o território de Edom, de modo que todos os edomitas se tornaram servos dele. E Javé estava com Davi em qualquer lugar por onde ele ia.

UM GOVERNO CONFORME A JUSTIÇA E O DIREITO
15. Davi reinou sobre todo o Israel, exercendo o direito e a justiça para com todo o seu povo.
16. Joab, filho de Sárvia, era o chefe do exército. Josafá, filho de Ailud, era o porta-voz.
17. Sadoc e Abiatar, filho de Aquitob e neto de Aquimelec, eram os sacerdotes. Saraías era o secretário.
18. E Banaías, filho de Joiada, comandava os cereteus e feleteus. Os filhos de Davi eram sacerdotes.

[II Samuel 9]3. A LUTA PELO PODER

II Samuel 9

FIDELIDADE AO COMPROMISSO
1. Davi perguntou: "Existe ainda algum sobrevivente da família de Saul para que eu mostre benevolência para com ele, por causa de Jônatas?"
2. Na família de Saul havia um servo chamado Siba. Ele foi conduzido até Davi, e o rei lhe perguntou: "Você é Siba?" Ele respondeu: "Para o servir".
3. O rei perguntou: "Existe algum sobrevivente da família de Saul, para que eu demonstre a benevolência de Deus para com ele?" Siba disse ao rei: "Existe ainda um filho de Jônatas, aleijado dos dois pés".
4. Davi perguntou: "Onde ele está?" Siba respondeu: "Na casa de Maquir, filho de Amiel, em Lo-Dabar".
5. Então Davi mandou buscar o filho de Jônatas na casa de Maquir, filho de Amiel, em Lo-Dabar.
6. Ao chegar diante de Davi, Meribaal, filho de Jônatas e neto de Saul, caiu com o rosto por terra e se prostrou. Davi disse: "Meribaal!" Este respondeu: "Aqui está o seu servo".
7. Davi lhe disse: "Não tenha medo, pois vou usar de benevolência para com você, por causa de seu pai Jônatas. Restituirei a você todas as terras de seu avô Saul, e você sempre comerá à minha mesa".
8. Meribaal se prostrou e disse: "Quem é o seu servo, para que o senhor se dirija a um cão morto como eu?"
9. Então o rei chamou Siba, servo de Saul, e lhe disse: "Tudo o que pertencia a Saul e à família dele, eu dou ao filho do seu senhor.
10. Você deverá cuidar da terra para ele, você, seus filhos e servos. Você trará o necessário para o sustento de Meribaal, filho de seu senhor, pois ele comerá sempre à minha mesa". Siba tinha quinze filhos e vinte servos.
11. Ele disse ao rei: "Tudo o que meu senhor rei mandar, assim o seu servo fará". E Meribaal começou a comer à mesa de Davi, como se fosse um filho do rei.
12. Meribaal tinha um filho pequeno, chamado Micas, e todos os servos da casa de Siba estavam a serviço de Meribaal.
13. Por isso, Meribaal foi morar em Jerusalém, pois comia sempre à mesa do rei. Ele era aleijado de ambos os pés.

[II Samuel 10]II Samuel 10

AUGE DAS CONQUISTAS DE DAVI
1. Depois disso, o rei dos amonitas morreu, e seu filho Hanon reinou em seu lugar.
2. Davi pensou: "Vou usar de benevolência para com Hanon, filho de Naás, do mesmo modo como o pai dele fez comigo". Então Davi enviou embaixadores para dar os pêsames a Hanon, por causa da morte do pai dele. Quando os servos de Davi entraram no país dos amonitas,
3. os príncipes amonitas disseram a Hanon, o senhor deles: "Você pensa que Davi quer honrar seu pai, só porque mandou gente trazer os pêsames para você? Será que ele não enviou essa gente até aqui para observar a cidade, conhecer as defesas e depois destruí-la?"
4. Então Hanon mandou pegar os embaixadores de Davi, raspar-lhes a metade da barba e rasgar a roupa deles pelo meio, até às nádegas. Depois mandou-os de volta.
5. Ao ser informado, Davi enviou imediatamente alguém ao encontro deles, porque estavam muito envergonhados. E o rei mandou dizer-lhes: "Fiquem em Jericó até que a barba de vocês cresça; depois vocês voltarão".
6. Os amonitas perceberam que se haviam tornado odiosos para Davi. Por isso, mandaram contratar os arameus de Bet-Roob e os arameus de Soba, vinte mil homens de infantaria. Contrataram também o rei de Maaca com mil homens e gente de Tob, doze mil homens.
7. Quando Davi soube disso, mandou Joab e todo o exército dos valentes.
8. Os amonitas saíram da cidade e se puseram em ordem de batalha na entrada da porta, enquanto os arameus de Soba e Roob, mais o pessoal de Tob e de Maaca, ficaram à parte, em campo aberto.
9. Joab percebeu que iria ser atacado pela frente e pela retaguarda. Então escolheu todos os melhores de Israel e os dispôs para enfrentar os arameus,
10. confiando o resto da tropa a seu irmão Abisaí, dispondo-a para enfrentar os amonitas.
11. E Joab disse a Abisaí: "Se os arameus levarem vantagem sobre mim, você virá em meu auxílio; se os amonitas levarem vantagem sobre você, então eu irei em seu auxílio.
12. Seja corajoso, vamos ser corajosos, em favor do nosso povo e das cidades do nosso Deus! E seja feito o que Javé achar melhor!"
13. Então Joab avançou com a tropa que estava com ele para enfrentar os arameus, que fugiram diante dele.
14. Ao verem os arameus fugindo, os amonitas também fugiram de Abisaí, e entraram na cidade. Então Joab voltou da campanha contra os amonitas e reentrou em Jerusalém.
15. Ao ver que tinham sido derrotados por Israel, os arameus se reuniram.
16. Adadezer mandou recado aos arameus, que estavam do outro lado do rio Eufrates, para que entrassem na luta. Eles foram para Helam, tendo à frente Sobac, chefe do exército de Adadezer.
17. Sendo informado, Davi reuniu todo o Israel, atravessou o Jordão e foi para Helam. Os arameus se prepararam para enfrentar Davi e guerrear contra ele,
18. mas acabaram fugindo diante de Israel. E Davi destruiu setecentos carros e quarenta mil arameus condutores de carro. Também Sobac, chefe do exército deles, foi ferido e aí mesmo veio a morrer.
19. Todos os reis dependentes de Adadezer, percebendo que tinham sido derrotados por Israel, fizeram a paz com Israel e se tornaram seus dependentes. E os arameus não se arriscaram mais a ajudar os amonitas.

[II Samuel 11]II Samuel 11

DAVI TRAI O SEU POVO
1. Na mudança do ano, quando os reis costumavam sair para a guerra, Davi mandou Joab, seus guerreiros e todo o Israel. Eles foram, massacraram os amonitas e sitiaram a cidade de Rabá. Mas Davi ficou em Jerusalém.
2. Numa tarde, levantando-se da cama, Davi, foi passear no terraço do palácio real. Do terraço, ele viu uma mulher tomando banho. Ela era muito bonita.
3. Davi mandou colher informações sobre essa mulher. Disseram-lhe: "Ela é Betsabéia, filha de Eliam e esposa de Urias, o heteu!"
4. Então Davi mandou emissários para que a trouxessem. Betsabéia foi e Davi teve relações com ela, que tinha acabado de se purificar de suas regras. Depois ela voltou para casa.
5. Em conseqüência disso, Betsabéia concebeu, e mandou dizer a Davi: "Estou grávida!"
6. Então Davi mandou dizer a Joab: "Mande que Urias, o heteu, venha falar comigo". E Joab mandou Urias até Davi.
7. Quando Urias chegou, Davi lhe perguntou como iam Joab, o exército e a guerra.
8. Depois disse a Urias: "Vá para casa e lave seus pés". Urias saiu do palácio e recebeu um presente da mesa do rei.
9. Entretanto, Urias não foi para casa: dormiu na porta do palácio com os guardas do seu senhor.
10. Informaram então a Davi: "Urias não foi para casa". Davi perguntou a Urias: "Você não chegou de viagem? Por que não foi para casa?"
11. Urias respondeu: "A arca, Israel e Judá estão vivendo em tendas, e meu chefe Joab e os guerreiros do meu senhor estão acampados ao ar livre. Como posso ir para minha casa, para comer e beber e dormir com minha mulher? Por sua própria vida, eu nunca faria uma coisa dessas!"
12. Então Davi disse a Urias: "Fique ainda hoje aqui. Amanhã o deixarei partir". Urias ficou mais esse dia em Jerusalém. No dia seguinte,
13. Davi convidou Urias para comer e beber em sua presença, e o embriagou. Pela tarde, Urias saiu e foi deitar-se no mesmo lugar em que dormiam os guardas de seu senhor, e não foi para casa.
14. Na manhã seguinte, Davi escreveu uma carta para Joab e a mandou por meio de Urias.
15. Na carta, ele mandava: "Coloque Urias no lugar mais perigoso da batalha e retirem-se, deixando-o sozinho, para que seja ferido e morra".
16. Joab estava cercando a cidade e colocou Urias no lugar onde sabia que estavam os guerreiros mais valentes.
17. Os que estavam defendendo a cidade saíram para atacar Joab, e do exército morreram alguns da guarda de Davi. E morreu também Urias, o heteu.
18. Joab mandou a Davi um relatório sobre a guerra
19. e ordenou ao mensageiro: "Quando você acabar de fazer o relatório para o rei,
20. o rei poderá ficar enfurecido e perguntar: 'Por que se aproximaram da cidade para lutar? Vocês não sabiam que os arqueiros atiram do alto das muralhas?
21. Quem matou Abimelec, o filho de Jerobaal? Foi uma mulher que jogou do alto da muralha uma pedra de moinho, e Abimelec morreu em Tebes. Por que se aproximaram da muralha?' Então você dirá: 'Morreu também o seu servo Urias, o heteu' ".
22. O mensageiro partiu, apresentou-se a Davi e lhe relatou a mensagem de Joab. Então Davi ficou enfurecido contra Joab.
23. Mas o mensageiro disse a Davi: "É que o inimigo nos atacou de surpresa, saindo em campo aberto. Nós o fizemos recuar até a entrada da cidade,
24. e então os arqueiros dispararam do alto das muralhas. Alguns guerreiros do rei caíram mortos e morreu também o seu servo Urias, o heteu".
25. Então Davi falou ao mensageiro: "Diga para Joab não se preocupar com esse caso. A guerra é assim mesmo: um dia cai um, outro dia cai outro. Que ele redobre o ataque contra a cidade e a destrua. Procure animá-lo".
26. A mulher de Urias soube que seu marido tinha morrido e ficou de luto.
27. Quando terminou o luto, Davi mandou buscá-la e a recolheu em seu palácio. Davi a tomou como esposa, e ela deu à luz um filho. Javé, porém, reprovou o que Davi tinha feito.

[II Samuel 12]II Samuel 12

A SENTENÇA DE JAVÉ
1. Javé mandou o profeta Natã falar com Davi. Natã se apresentou e disse a Davi: "Havia dois homens numa cidade: um era rico e o outro era pobre.
2. O rico tinha muitos rebanhos de ovelhas e bois.
3. O pobre tinha só uma ovelha, uma ovelhinha que ele havia comprado. O pobre a criava e ela foi crescendo com ele, com seus filhos, comendo do seu pão, bebendo de sua vasilha e dormindo no seu colo. Era como filha para ele.
4. Ora, chegou uma visita à casa do homem rico, e este não quis pegar nenhuma de suas ovelhas ou vacas para servir ao viajante que o visitava. Então ele pegou a ovelha do homem pobre e a preparou para a sua visita".
5. Davi ficou furioso contra esse homem, e disse a Natã: "Pela vida de Javé, quem fez isso merece a morte.
6. Por não respeitar o que pertencia a outro, deverá pagar quatro vezes o valor da ovelha".
7. Então Natã disse a Davi: "Pois esse homem é você mesmo! Assim diz Javé, Deus de Israel: Eu ungi você como rei de Israel. E eu o salvei de Saul.
8. Eu dei a você a casa do seu senhor. Eu coloquei em seus braços as mulheres do seu senhor. Eu dei a você a casa de Israel e de Judá. E se isso ainda não é suficiente, eu darei a você qualquer outra coisa.
9. Então por que você desprezou Javé e fez o que ele reprova? Você assassinou Urias, o heteu, para se casar com a mulher dele, e matou Urias com espada dos amonitas.
10. Pois bem! A espada nunca mais se afastará de sua família, porque você me desprezou e tomou a mulher de Urias, o heteu, para se casar com ela.
11. Assim diz Javé: Eu farei com que a desgraça surja contra você de dentro de sua própria casa. Pegarei suas mulheres e as darei a outro diante de seus olhos, e ele dormirá com suas mulheres debaixo da luz deste sol.
12. Você agiu às escondidas, mas eu farei tudo isso diante de todo o Israel e em pleno dia".
13. Davi disse a Natã: "Pequei contra Javé". Então Natã disse a Davi: "Javé perdoou o seu pecado. Você não morrerá.
14. Mas, por ter ultrajado a Javé, com seu comportamento, o filho que você teve morrerá".
15. E Natã foi para casa.

NASCIMENTO DE SALOMÃO Javé atingiu o menino que a mulher de Urias dera a Davi, e o menino ficou gravemente enfermo.
16. Davi suplicou a Javé pelo menino, jejuou, ficou perto dele, e passou a noite prostrado no chão.
17. Os anciãos de sua casa tentaram erguê-lo, mas ele recusou e não quis comer nada com eles.
18. Sete dias depois, o menino morreu. Os servos de Davi ficaram com medo de lhe dar a notícia de que o menino tinha morrido, pois comentavam: "Quando o menino estava vivo, nós falamos com ele, e ele não nos atendeu. Como podemos agora dizer-lhe que o menino morreu? Ele pode cometer alguma loucura!"
19. Davi percebeu que os servos estavam cochichando entre si, e compreendeu que o menino tinha morrido. Então perguntou: "O menino morreu?" Eles responderam: "Morreu".
20. Então Davi se levantou do chão, lavou-se, perfumou-se e trocou de roupa. Depois entrou no santuário de Javé e se prostrou. Em seguida voltou para casa, mandou que servissem a refeição e comeu.
21. Os servos perguntaram: "O que você está fazendo? Enquanto o menino estava vivo, você jejuou e chorou; agora que ele morreu, você se levanta e se põe a comer?"
22. Davi respondeu: "Enquanto o menino vivia, eu jejuei e chorei, pensando que talvez Javé tivesse piedade de mim e o menino ficasse curado.
23. Mas agora ele morreu. Para que vou jejuar? Será que isso vai fazê-lo voltar? Eu é que vou para onde ele está, mas ele não voltará para mim".
24. Davi consolou sua mulher Betsabéia; entrou no aposento e dormiu com ela. Betsabéia deu à luz um filho, e Davi lhe deu o nome de Salomão. Javé amou Salomão,
25. e manifestou isso através do profeta Natã. Este, por ordem de Javé, deu a Salomão o nome de Querido de Javé.

O FIM DA CONQUISTA
26. Joab atacou Rabá dos amonitas e se apoderou da cidade real.
27. Em seguida, enviou mensageiros até Davi para informá-lo: "Ataquei Rabá e também me apoderei da cidade das águas.
28. Agora reúna o resto do povo, cerque a cidade e se apodere dela. Do contrário, eu mesmo o farei, e ela receberá o meu nome".
29. Então Davi reuniu todo o povo, foi para Rabá, atacou-a e se apoderou dela.
30. Tirou da cabeça do deus Melcom a coroa, que pesava cerca de trinta e cinco quilos. Nela havia uma pedra preciosa, que foi colocada na coroa de Davi. E Davi levou da cidade um despojo muito grande.
31. Tirou também a população da cidade e a colocou para trabalhar com serra, picaretas e machados de ferro, e na fabricação de tijolos. E fez a mesma coisa com todas as outras cidades amonitas. Depois Davi e todo o povo voltaram para Jerusalém.

[II Samuel 13]II Samuel 13

A AMBIÇÃO GERA A MORTE
1. Depois disso, aconteceu o seguinte: Absalão, filho de Davi, tinha uma irmã bonita chamada Tamar. Amnon, filho de Davi, ficou apaixonado por ela.
2. Amnon chegou a ponto de ficar doente por causa de sua irmã Tamar, pois ela era virgem e ele viu que era impossível fazer alguma coisa com ela.
3. Amnon tinha um amigo muito esperto chamado Jonadab, filho de Sama, irmão de Davi.
4. Ele disse a Amnon: "Filho do rei, por que você, a cada manhã, está assim deprimido? Por que você não me diz o que está acontecendo?" Amnon respondeu: "É porque estou apaixonado por Tamar, a irmã do meu irmão Absalão".
5. Jonadab sugeriu: "Fique na cama como se estivesse doente. Quando o seu pai vier para visitar você, diga a ele: 'Deixe que minha irmã Tamar venha me servir a comida: ela fará a comida à minha vista, para que eu veja; e ela própria me servirá' ".
6. Então Amnon foi deitar-se, fingindo que estava doente. O rei foi vê-lo, e Amnon lhe disse: "Deixe que minha irmã Tamar venha preparar, na minha frente, dois pastéis, e que ela mesma me sirva".
7. Então Davi mandou buscar Tamar na casa dela, dizendo: "Venha à casa de seu irmão Amnon para lhe preparar a comida".
8. Tamar foi e encontrou o irmão deitado. Ela pegou farinha, amassou, preparou os pastéis na frente dele, e os levou para cozinhar.
9. Em seguida, pegou a panela, despejou no prato dele, mas ele não quis comer. Amnon disse: "Mande sair daqui toda essa gente!" E todos saíram.
10. Então Amnon disse a Tamar: "Traga você mesma a comida aqui no quarto, para eu comer". Tamar pegou os pastéis que tinha feito e levou para seu irmão, no quarto.
11. Quando ela apresentou a comida, ele agarrou-a e disse: "Durma comigo, minha irmã".
12. Ela retrucou: "Não, meu irmão. Não me violente, pois isso não é coisa que se faz em Israel. Não cometa essa infâmia.
13. Aonde eu iria esconder a minha vergonha? E você seria um infame em Israel! Fale com o rei, e ele não recusará que eu me case com você".
14. Amnon, porém, não deu atenção ao que ela falava: dominou-a com violência e teve relações com ela.
15. Depois Amnon ficou furioso. A aversão que teve para com Tamar foi maior do que a paixão com que a tinha amado. Ele disse: "Levante-se e vá embora".
16. Ela respondeu: "Não. Você me mandar embora será um mal bem pior do que o outro que você já fez comigo". Ele, porém, não quis ouvi-la.
17. Chamou o criado que o servia e disse: "Leve essa moça embora daqui e tranque a porta".
18. Tamar vestia uma túnica de mangas longas, porque era assim que se vestiam as filhas solteiras do rei. O criado fez com que ela saísse, e trancou a porta.
19. Tamar colocou terra na cabeça, rasgou a túnica de mangas longas, colocou as mãos na cabeça e saiu gritando.
20. Seu irmão Absalão disse para ela: "Seu irmão Amnon esteve com você? Agora, não diga nada: ele é seu irmão. Esqueça o que aconteceu". E Tamar, desolada, foi morar na casa de seu irmão Absalão.
21. O rei Davi soube do que tinha acontecido e ficou muito irritado, mas não quis castigar seu filho Amnon, porque era o primogênito e ele o amava muito.
22. Por causa da violência que Amnon cometeu com sua irmã Tamar, Absalão rompeu com ele e passou a odiá-lo.
23. Dois anos depois, Absalão estava fazendo a tosquia das ovelhas em Baal-Hasor, perto de Efraim. Então ele convidou todos os filhos do rei.
24. Ele foi até o rei e disse: "O seu servo está fazendo a tosquia. Que o rei e seus ministros se dignem aceitar o convite".
25. O rei respondeu: "Não, meu filho. Se nós todos formos lá, será muito pesado para você". Absalão insistiu, mas o rei não quis ir e o abençoou.
26. Absalão então disse: "Ao menos deixe que vá o meu irmão Amnon". O rei perguntou: "Por que ele iria com você?"
27. Mas Absalão insistiu, e o rei deixou que fossem com ele Amnon e todos os filhos do rei.
28. Absalão ordenou a seus servos: "Fiquem de olho. Quando Amnon estiver alegre por causa do vinho, e eu lhes disser para feri-lo, vocês o matem. Não tenham medo, porque sou eu que estou mandando. Tenham coragem e sejam valentes!"
29. Os servos de Absalão fizeram conforme ele havia mandado. Então todos os filhos do rei se levantaram, cada um montou no seu asno, e fugiram.
30. Eles ainda estavam a caminho, quando chegou até o rei este boato: "Absalão matou todos os filhos do rei e não sobrou nenhum deles!"
31. O rei levantou-se, rasgou suas roupas e se prostrou por terra; e todos os ministros aí presentes também rasgaram suas roupas.
32. Jonadab, filho de Sama, irmão de Davi, interveio: "Não pense o meu senhor que morreram todos os moços, todos os filhos do rei, porque de fato só Amnon morreu. Absalão tinha prometido fazer isso desde o dia que Amnon violentou Tamar, a irmã dele.
33. Portanto, que o rei não fique preocupado, pensando que todos os filhos do rei morreram. Foi só Amnon que morreu,
34. e Absalão fugiu". O jovem que estava de guarda levantou os olhos e viu uma tropa numerosa, que avançava pelo caminho de Baurim. O jovem foi contar ao rei: "Vi gente no caminho de Baurim, na ladeira da montanha".
35. Então Jonadab disse ao rei: "São os filhos do rei que estão chegando! Foi mesmo como o seu servo contou".
36. Logo que terminou de falar, chegaram os filhos do rei e começaram a gritar e a chorar. Também o rei e todos os seus ministros começaram a chorar inconsolavelmente.
37.
a. Absalão se escondeu no território de Tolmai, filho de Amiud, rei de Gessur,
38. e aí ficou durante três anos.
37b. O rei ficou de luto por seu filho durante todo esse tempo.
39. Depois disso, o rei se consolou da morte de Amnon e parou de perseguir Absalão.

[II Samuel 14]II Samuel 14

RECONCILIAÇÃO PRECÁRIA
1. Joab, filho de Sárvia, percebeu que o rei estava contra Absalão.
2. Então Joab mandou buscar em Técua uma mulher esperta, e lhe disse: "Faça o seguinte: finja que está de luto, coloque roupa de luto e não se perfume, como se fosse uma mulher que há muito tempo está de luto por um morto.
3. Vá à casa do rei e diga o seguinte...". E Joab falou tudo o que ela devia dizer.
4. A mulher de Técua apresentou-se ao rei, caiu com o rosto por terra, e disse: "Salve-me, rei!"
5. O rei perguntou: "O que você tem?" A mulher respondeu: "Ai de mim! Sou viúva. Meu marido morreu,
6. e me deixou com dois filhos. Eles brigaram no campo, e não havia ninguém para os apartar. Um feriu o outro e o matou.
7. Então todo o clã se colocou contra mim e disse: 'Entregue-nos o fratricida, para que o matemos, como preço da vida do irmão que ele matou. E assim acabaremos com o herdeiro'. Desse modo eles vão apagar a brasa que me resta e não deixarão que meu marido tenha nem nome nem descendência sobre a terra".
8. O rei disse à mulher: "Vá para casa, que eu me encarrego do seu problema".
9. A mulher de Técua disse ao rei: "Senhor meu rei, que a responsabilidade caia sobre mim e minha família. O rei e seu trono estão inocentes".
10. O rei respondeu: "Se alguém ameaçar você, traga-o até mim, e ele nunca mais a molestará".
11. A mulher disse: "Ó rei, lembre-se de Javé seu Deus, a fim de que o vingador do sangue não aumente a desgraça, acabando com meu filho". Então o rei disse: "Pela vida de Javé! Nem mesmo um fio de cabelo da cabeça de seu filho cairá no chão".
12. A mulher acrescentou: "Posso dizer mais uma coisa ao senhor meu rei?" O rei respondeu: "Fale".
13. Então a mulher disse: "Por que o senhor pensa assim contra o povo de Deus? Pronunciando essa sentença, o rei se condenou a si próprio, porque o rei não deixa voltar aquele que havia exilado.
14. Nós devemos morrer e, como a água derramada no chão não pode ser mais recolhida, Deus também não dará a vida a um cadáver. Que o rei faça voltar o exilado, para que ele não continue longe.
15. Se eu vim contar isso ao rei meu senhor, foi porque alguns me amedrontaram, e sua serva pensou: 'Vou falar com o rei, e quem sabe ele atenda o pedido de sua serva.
16. Porque o rei atenderá sua serva e a livrará das mãos daqueles que me tentam tirar, a mim e a meu filho, a herança de Deus'.
17. Sua serva pensou: 'A palavra do senhor meu rei vai me trazer alívio, porque o rei é como enviado de Deus, que sabe distinguir o bem e o mal'. Que Javé seu Deus esteja com o senhor".
18. Então o rei disse à mulher: "Não me esconda nada do que vou perguntar a você". A mulher respondeu: "Fale, senhor meu rei".
19. O rei perguntou: "A mão de Joab não está atrás de tudo isso que você veio me contar?" A mulher respondeu: "Pela sua vida, senhor meu rei, a sua pergunta acertou o alvo: foi o seu servo Joab quem me mandou e colocou na minha boca todas as palavras que eu lhe disse.
20. Ele imaginou isso, para não apresentar o assunto diretamente, mas o meu senhor tem a sabedoria de um enviado de Deus e sabe tudo o que se passa na terra".
21. Então o rei disse a Joab: "Pois bem. Eu já dei a minha palavra. Vá e traga de volta o jovem Absalão".
22. Joab caiu com o rosto por terra, prostrou-se, abençoou o rei, e disse: "Hoje o seu servo sabe que o senhor está bem disposto comigo, pois atendeu o meu pedido".
23. Depois Joab partiu, foi a Gessur e trouxe Absalão de volta para Jerusalém.
24. O rei, porém, ordenou: "Que ele vá para casa, porque eu não quero recebê-lo". E Absalão se retirou para sua casa e não foi recebido pelo rei.
25. Em todo o Israel não havia homem que fosse elogiado por sua beleza como Absalão: da planta dos pés ao alto da cabeça, ele era sem defeito.
26. Ele costumava cortar o cabelo no fim de cada ano, porque pesava muito; quando ele o cortava, o cabelo pesava mais de dois quilos, conforme o peso padrão do rei.
27. Absalão tinha três filhos, e uma filha chamada Tamar. Era uma linda mulher.
28. Absalão ficou dois anos em Jerusalém sem ser recebido pelo rei.
29. Então Absalão mandou chamar Joab, para que servisse de intermediário entre ele e o rei. Mas Joab não aceitou. Chamou-o, pela segunda vez, e Joab recusou de novo.
30. Absalão disse então a seus servos: "Vejam: o campo de Joab é vizinho do meu e tem uma plantação de cevada. Ponham fogo na plantação". Os servos de Absalão foram e incendiaram a plantação.
31. Joab procurou Absalão na sua casa, e lhe perguntou: "Por que seus servos puseram fogo no meu campo?"
32. Absalão respondeu: "Mandei chamar você para servir de intermediário e levar ao rei esta mensagem: 'Para que voltei de Gessur? Lá eu estava melhor'. Agora quero ser recebido pelo rei. Se sou culpado, que ele me condene à morte".
33. Joab se apresentou ao rei e lhe relatou a mensagem. Então o rei chamou Absalão. Este se apresentou e se prostrou com o rosto por terra. E o rei beijou Absalão.

[II Samuel 15]II Samuel 15

ABSALÃO PREPARA UM GOLPE DE ESTADO
1. Depois disso, Absalão providenciou para si um carro e cavalos, e também uma guarda pessoal composta de cinqüenta homens.
2. Absalão se levantava bem cedo e ficava junto ao caminho na porta da cidade. Para toda pessoa que tinha um processo e ia para ser julgada pelo rei, Absalão perguntava: "De que cidade você é?" Ela respondia: "Seu servo pertence a uma das tribos de Israel".
3. Então Absalão lhe dizia: "Veja. A sua causa é boa e simples, mas não há ninguém, da parte do rei, que queira ouvi-la".
4. E continuava: "Se eu fosse constituído juiz em Israel, eu julgaria com justiça toda pessoa que tivesse algum processo!"
5. E quando alguém se aproximava para prostrar-se diante dele, Absalão estendia a mão, o erguia e o beijava.
6. Ele fazia a mesma coisa com todos os israelitas que iam para ser julgados pelo rei. Desse modo, Absalão cativava os israelitas.
7. Passados quatro anos, Absalão disse ao rei: "Deixe-me ir a Hebron cumprir uma promessa que fiz a Javé,
8. pois quando eu estava em Gessur de Aram fiz uma promessa: 'Se Javé me fizer voltar para Jerusalém, oferecerei sacrifícios a Javé em Hebron' ".
9. O rei respondeu: "Vá em paz". E Absalão partiu para Hebron.
10. Então Absalão mandou emissários para todas as tribos de Israel, com este recado: "Quando ouvirem o som da trombeta, vocês poderão dizer: Absalão se tornou rei em Hebron".
11. E Absalão convidou para o acompanhar duzentos homens de Jerusalém, que foram inocentemente, sem saber de nada.
12. Enquanto fazia os sacrifícios, Absalão mandou buscar, na cidade de Gilo, o gilonita, Aquitofel, que era conselheiro de Davi. A conspiração se fortalecia e o partido de Absalão aumentava.

TRAIÇÃO E FIDELIDADE
13. Alguém informou a Davi: "Os israelitas aderiram a Absalão!"
14. Então Davi disse a todos os ministros que estavam com ele em Jerusalém: "Vamos fugir. Caso contrário, não escaparemos de Absalão. Vamos partir depressa, para que ele não chegue antes e nos ataque, nos destrua e passe a cidade ao fio de espada.
15. Os ministros do rei responderam: "Qualquer que seja a decisão do senhor nosso rei, ficaremos às suas ordens".
16. O rei deixou dez concubinas para guardar o palácio, e partiu a pé com toda a sua família.
17. O rei saiu a pé com todo o povo, e pararam na última casa.
18. Todos os seus ministros se colocaram a seu lado, e os cereteus, os feleteus, Etai, e os gateus que tinham vindo de Gat, cerca de seiscentos homens, foram passando diante do rei.
19. E o rei disse a Etai, o gateu: "Por que você veio conosco? Volte e fique com o rei, porque você é um estrangeiro que vive longe do seu país.
20. Você chegou ontem! Como posso permitir que saia hoje conosco, como errante, quando eu próprio estou andando sem rumo? Volte e leve seus irmãos com você. Que Javé seja misericordioso e fiel para com você".
21. Etai, porém, respondeu: "Pela vida de Javé e pela vida do senhor meu rei, onde estiver o senhor meu rei, aí também estarei eu, tanto para a vida como para a morte".
22. Então Davi disse a Etai: "Vamos em frente". E Etai de Gat passou com todos os seus homens e toda a multidão que estava com ele.
23. Todos choravam e gritavam. O rei parou na margem do riacho do Cedron, e todo o povo desfilou diante dele, em direção ao deserto.
24. Aí estavam também Sadoc e todos os levitas, que transportavam a arca de Deus. Eles puseram a arca de Deus diante de Abiatar, até que o povo todo acabou de sair da cidade.
25. Então o rei disse a Sadoc: "Volte com a arca de Deus para a cidade. Se Javé for bondoso para comigo, ele me deixará voltar, para rever a arca e sua habitação.
26. Mas se ele me disser que não gosta de mim, aqui estou. Que ele faça de mim o que quiser".
27. E continuou: "Volte em paz para a cidade com seu filho Aquimaás, e Abiatar com seu filho Jônatas.
28. Vejam: eu vou ficar andando pelos caminhos do deserto, esperando que vocês me mandem notícias".
29. Sadoc e Abiatar voltaram com a arca de Deus para Jerusalém e aí permaneceram.
30. Davi subiu a encosta das Oliveiras, chorando, com a cabeça coberta e os pés descalços. Todo o povo que o acompanhava ia de cabeça coberta e chorando.
31. E disseram a Davi: "Aquitofel se uniu à conspiração de Absalão". Davi, então, rezou: "Javé, faze com que o plano de Aquitofel fracasse".
32. Quando Davi chegou ao ponto mais alto, onde se adora a Deus, foi ao seu encontro o seu amigo Cusai, o araquita; chegou com as roupas rasgadas e a cabeça coberta de pó.
33. Davi lhe disse: "Ficando comigo, você será um peso para mim.
34. Mas você pode fazer com que o plano de Aquitofel fracasse, se voltar para a cidade e disser a Absalão: 'Senhor meu rei, eu sou seu servo: antes fui servo do seu pai, mas agora sou seu servo'.
35. Lá você terá do seu lado os sacerdotes Sadoc e Abiatar. Tudo o que você ouvir, no palácio, conte a eles.
36. Aí estarão também os dois filhos deles: Aquimaás, filho de Sadoc, e Jônatas, filho de Abiatar. Por meio deles, vocês me comunicarão tudo o que observarem".
37. Cusai, amigo de Davi, foi para a cidade, e Absalão entrou em Jerusalém.

[II Samuel 16]II Samuel 16

1. Davi tinha passado um pouco além do alto do monte, quando Siba, servo de Meribaal, foi ao seu encontro com dois jumentos selados, carregados com duzentos pães, cem cachos de uvas passas, cem frutos da estação e um barril de vinho.
2. O rei perguntou a Siba: "O que você vai fazer com isso?" Siba respondeu: "Os jumentos servirão de montaria para a família real; os pães e as frutas para os rapazes comerem, e o vinho para os que desmaiarem no deserto".
3. O rei perguntou: "Onde está o filho do seu senhor?" Siba respondeu: "Ele ficou em Jerusalém, porque espera que a casa de Israel devolva agora o reino de seu pai".
4. Então o rei disse a Siba: "Tudo o que Meribaal possui pertence também a você". Siba disse: "Eu me prostro diante do senhor. Seja bondoso para comigo, senhor meu rei".
5. Quando o rei Davi chegou a Baurim, saiu daí um homem do clã de Saul, chamado Semei, filho de Gera, gritando maldições.
6. Começou a jogar pedras em Davi e nos ministros do rei, enquanto o povo e os soldados iam à direita e à esquerda do rei.
7. E Semei amaldiçoava a Davi: "Caia fora, caia fora, assassino, canalha!
8. Javé está fazendo você pagar o sangue da família de Saul, de quem você usurpou o trono! Javé entregou o reino a seu filho Absalão, enquanto você está caindo na desgraça, porque você é um assassino".
9. Abisaí, filho de Sárvia, disse ao rei: "Por que esse cão morto tem que ficar amaldiçoando o senhor meu rei? Vou lá e corto a cabeça dele".
10. Mas o rei disse: "Não se intrometam na minha vida, filhos de Sárvia! Deixem que ele me amaldiçoe. Se foi Javé quem o mandou para amaldiçoar a Davi, quem poderá pedir-lhe contas?"
11. E Davi disse a Abisaí e a todos os seus ministros: "Vejam: o meu filho, que saiu das minhas entranhas, está querendo me matar! Com muito mais razão esse benjaminita. Deixem que ele me amaldiçoe, pois foi Javé quem o mandou.
12. Talvez Javé considere a minha humilhação e me pague com bênçãos essas maldições de hoje".
13. Davi e seus homens continuaram a caminhada. Semei caminhava ao lado, na encosta da montanha, e ia gritando maldições, jogando pedras e levantando poeira.
14. O rei e todo o povo que o acompanhava chegaram cansados ao Jordão e aí descansaram.

USURPAÇÃO DO PODER
15. Absalão e os israelitas entraram em Jerusalém, e Aquitofel o acompanhava.
16. Cusai, o araquita, amigo de Davi, se apresentou a Absalão e disse: "Viva o rei! Viva o rei!"
17. Absalão replicou: "É essa a sua lealdade para com seu amigo? Por que você não foi com ele?"
18. Cusai respondeu: "De jeito nenhum! Quero ficar com aquele que foi escolhido por Javé, por este povo e pelos israelitas. Com ele viverei.
19. Além disso, a quem devo servir? Por acaso você não é filho de Davi? Vou servir a você, como servi a seu pai".
20. Então Absalão perguntou a Aquitofel: "O que vocês me aconselham fazer?"
21. Aquitofel respondeu a Absalão: "Tome as concubinas de seu pai, que ele deixou aqui para guardar o palácio. Desse modo, todo o Israel ficará sabendo que você rompeu com o seu pai. Então seus partidários ficarão mais confiantes".
22. Armaram então uma tenda no terraço do palácio, e Absalão tomou as concubinas de seu pai aos olhos de todo o Israel.
23. Nesse tempo, o conselho que Aquitofel dava era recebido como oráculo de Deus. O conselho de Aquitofel era assim considerado, tanto por Davi como por Absalão.

[II Samuel 17]II Samuel 17

ESTRATÉGIA DE DAVI
1. Aquitofel disse a Absalão: "Deixe-me escolher doze mil homens, que eu irei esta noite mesmo perseguir Davi.
2. Eu chegarei lá quando ele estiver cansado e vulnerável. Então eu o aterrorizarei, e todo o povo que está com ele fugirá. Vou matar o rei quando ele estiver sozinho.
3. Assim farei retornar para você todo o povo, pois o homem que você procura significa o retorno de todos; e todo o povo ficará em paz".
4. Tanto Absalão como os anciãos de Israel acharam que a proposta era boa.
5. Absalão, porém, disse: "Chamem Cusai, o araquita, para ouvirmos também o que ele pensa".
6. Cusai foi e Absalão lhe disse: "Nós devemos agir conforme Aquitofel nos propôs? Se não, qual é a sua proposta?"
7. Cusai respondeu a Absalão: "Desta vez, Aquitofel não deu um conselho bom".
8. E continuou: "Você sabe que seu pai e os homens que estão com ele são valentes e estão enfurecidos como ursa que perdeu o filhote no campo. Seu pai é um guerreiro, e não passará a noite junto com o povo.
9. Agora mesmo ele deve estar escondido em alguma gruta ou em qualquer outro lugar. No começo, podem morrer alguns dos nossos. Então alguém vai saber e espalhar que houve baixas na tropa que segue Absalão.
10. E aí, até mesmo alguém corajoso, que tenha coração de leão, perderá a coragem, pois todo o Israel sabe que seu pai é homem valente, e aqueles que o acompanham são corajosos.
11. Por isso, eu aconselho o seguinte: Que se reúna todo o Israel junto a você, desde Dã até Bersabéia, e será tão numeroso como a areia da praia, e você mesmo marchará no meio deles.
12. Iremos para o lugar onde ele estiver, e cairemos sobre ele como orvalho sobre a terra, e não o deixaremos escapar, nem ele, nem mesmo um só dos homens que o acompanham.
13. Se ele se esconder em alguma cidade, todo o Israel levará cordas para essa cidade, a fim de arrastá-la até o riacho, de tal modo que não se possa encontrar aí uma única pedra".
14. Absalão e todos os homens de Israel concordaram: "O conselho de Cusai, o araquita, é melhor do que o conselho de Aquitofel". É que Javé tinha decretado malograr o conselho bom de Aquitofel, para fazer que a desgraça caísse sobre Absalão.
15. Em seguida, Cusai foi avisar os sacerdotes Sadoc e Abiatar: "Aquitofel deu tal conselho a Absalão e aos anciãos de Israel. Eu, porém, dei este outro conselho.
16. Agora, portanto, mandem depressa avisar Davi que não fique esta noite nas estepes do deserto, mas que atravesse para o outro lado; senão, o rei e todo o povo que o segue serão destruídos".
17. Jônatas e Aquimaás estavam de prontidão perto da fonte do Pisoeiro. Uma serva foi transmitir-lhes o recado, para que eles avisassem o rei Davi, pois eles não poderiam ser vistos entrando na cidade.
18. Um rapaz, porém, os viu e foi informar Absalão. Então os dois partiram depressa e chegaram a Baurim, na casa de um homem. Aí havia um poço no pátio e eles se esconderam dentro.
19. A mulher pegou a tampa e a colocou na boca do poço, espalhando grãos em cima, de modo que não se notava nada.
20. Alguns servos de Absalão foram, entraram na casa e interrogaram a mulher: "Onde estão Aquimaás e Jônatas?" Ela respondeu: "Eles passaram por aqui na direção do rio". Os servos procuraram e, não encontrando nada, voltaram para Jerusalém.
21. Quando eles partiram, Aquimaás e Jônatas saíram do poço e foram avisar o rei Davi: "Levantem-se e atravessem depressa o rio, porque foi isso que Aquitofel disse a respeito de vocês".
22. Davi e o pessoal que o acompanhava puseram-se então a caminho e atravessaram o Jordão. Ao nascer do sol, não havia ninguém que já não estivesse do outro lado do Jordão.
23. Quando Aquitofel notou que o seu conselho não fora seguido, selou o jumento, montou e foi para sua casa na cidade. Colocou a casa em ordem e depois se enforcou e morreu. Foi enterrado no túmulo de seu pai.

UM REI HUMANO
24. Davi tinha chegado a Maanaim, quando Absalão atravessou o Jordão com todos os homens de Israel.
25. Absalão tinha colocado Amasa na chefia do exército, substituindo Joab. Amasa era filho de Jetra, um ismaelita que se tinha unido a Abigail, filha de Jessé e irmã de Sárvia, a mãe de Joab.
26. Israel e Absalão acamparam no território de Galaad.
27. Logo que Davi chegou a Maanaim, Sobi, filho de Naás de Rabá dos amonitas, Maquir, filho de Amiel de Lo-Dabar, e Berzelai, o galaadita de Rogelim,
28. levaram colchões, tapetes, copos e vasilhas de barro. Havia trigo, cevada, farinha, grão torrado, favas, lentilhas,
29. mel, coalhada, queijos de leite de vaca e de ovelha, e ofereceram a Davi e ao pessoal que o acompanhava, para que se alimentassem. Pois diziam: "O pessoal está cansado, com fome e sede no deserto".

[II Samuel 18]II Samuel 18

1. Davi revistou suas tropas e nomeou comandantes e oficiais.
2. Depois dividiu o exército em três alas. Deixou um terço sob o comando de Joab; um terço sob o comando de Abisaí, filho de Sárvia e irmão de Joab; e um terço sob o comando de Etai de Gat. Depois, Davi disse às tropas: "Eu também irei com vocês para lutar".
3. Mas os soldados disseram: "Você não deve ir, porque, se nós tivermos de fugir, ninguém dará importância; se a metade de nós morrer, também ninguém dará importância; mas você vale por dez mil de nós. É melhor que você nos ajude daqui da cidade".
4. Davi respondeu: "Farei o que vocês acharem melhor". E o rei ficou ao lado da porta da cidade, enquanto o exército saía em unidades de cem e de mil.
5. O rei ordenou a Joab, Abisaí e Etai: "Por favor, tratem bem o jovem Absalão". Todo o exército ouviu a ordem que o rei tinha dado aos chefes a respeito de Absalão.
6. O exército de Davi saiu em campo aberto para guerrear contra Israel. A batalha teve lugar na floresta de Efraim.
7. O exército de Israel foi derrotado pelo exército de Davi, e a derrota foi grande, pois morreram vinte mil.
8. A luta se espalhou por toda a região e, nesse dia, a floresta devorou mais vítimas do que a espada.
9. Ora, aconteceu que Absalão se encontrou por acaso com um destacamento de Davi. Absalão estava montado num jumento, que se meteu debaixo dos galhos de um grande carvalho. A cabeça de Absalão se prendeu nos galhos do carvalho, e ele ficou suspenso entre o céu e a terra, enquanto o animal foi embora.
10. Alguém o viu e avisou Joab: "Acabo de ver Absalão suspenso num carvalho".
11. Joab respondeu: "Você viu Absalão? Por que não o matou ali mesmo? Agora eu daria a você dez moedas de prata e um cinturão".
12. O homem, porém, respondeu: "Mesmo que você pusesse mil moedas de prata na minha mão, eu não levantaria a mão contra o filho do rei. Estávamos presentes quando o rei mandou que você, Abisaí e Etai tratassem bem Absalão, o filho dele.
13. Se eu cometesse tal infâmia, o rei ficaria sabendo, e você mesmo ficaria contra mim".
14. Então Joab disse: "Não vou ficar perdendo tempo com você". Pegou três dardos e os atirou no coração de Absalão, que ainda estava entre os galhos do carvalho.
15. Logo depois, chegaram dez jovens, escudeiros de Joab, que cercaram Absalão e o golpearam até matar.
16. Joab mandou tocar a trombeta para deter a tropa, e o exército parou de atacar Israel.
17. Pegaram o corpo de Absalão e o jogaram dentro de um grande buraco, no meio da floresta, e atiraram em cima um monte de pedras. E todo o Israel debandou, cada qual para a sua tenda.
18. Enquanto estava vivo, Absalão tinha erguido uma estela, que está no Vale do Rei, porque pensava: "Não tenho filho que conserve a memória do meu nome". Por isso, deu o seu nome ao monumento, que ainda hoje é conhecido por Monumento de Absalão.
19. Aquimaás, filho de Sadoc, disse: "Vou correndo dar ao rei a boa notícia de que Javé lhe fez justiça e o livrou de seus inimigos".
20. Joab porém replicou: "Hoje você não será portador de uma boa notícia. Deixe para outro dia, porque hoje morreu o filho do rei".
21. E Joab ordenou a um etíope: "Vá comunicar ao rei tudo o que você viu". O etíope se prostrou diante de Joab, e partiu correndo.
22. Aquimaás, filho de Sadoc, insistiu com Joab: "Aconteça o que acontecer, também vou correndo atrás do etíope". Joab respondeu: "Para que correr, meu filho? Você não vai ganhar nada com essa notícia!"
23. Aquimaás replicou: "Seja como for, eu vou correndo". Então Joab lhe disse: "Pode ir". Aquimaás partiu correndo e, cortando o caminho pela planície, passou na frente do etíope.
24. Davi estava sentado entre as duas portas da cidade. A sentinela subiu no terraço, em cima da porta, na muralha. Correu a vista e notou que um homem vinha correndo sozinho.
25. A sentinela gritou e avisou o rei. E o rei comentou: "Se ele vem sozinho, é porque traz boas notícias". Quando já estava se aproximando,
26. a sentinela avistou outro homem que vinha correndo, e gritou de cima da porta: "Vem vindo outro homem correndo sozinho". Davi comentou: "Esse também traz boas notícias".
27. A sentinela acrescentou: "Estou reconhecendo o modo de correr do primeiro: ele corre como Aquimaás, o filho de Sadoc". O rei comentou: "É um homem bom. Certamente ele vem com boas notícias".
28. Aquimaás aproximou-se do rei e o saudou: "Paz". Depois se prostrou com o rosto por terra diante do rei, e disse: "Bendito seja o seu Deus Javé, que lhe entregou os homens que se revoltaram contra o senhor meu rei".
29. O rei perguntou: "Está tudo bem com o jovem Absalão?" Aquimaás respondeu: "Vi uma confusão na hora em que Joab, servo do rei, me enviou, mas não sei o que aconteceu".
30. O rei disse: "Fique ali e espere". Aquimaás obedeceu e ficou esperando.
31. Nesse momento, chegou o etíope e disse: "Senhor meu rei, receba a boa notícia: Javé hoje acaba de fazer justiça, livrando-o de todos os que se revoltaram contra o senhor".
32. Então o rei perguntou: "Está tudo bem com o jovem Absalão?" O etíope respondeu: "Que se acabem como ele todos os inimigos do senhor meu rei e todos os que se revoltaram contra o senhor para lhe fazer mal".

[II Samuel 19]II Samuel 19

1. Então o rei estremeceu, subiu para a sala que fica em cima da porta, e começou a chorar, dizendo entre soluços: "Meu filho Absalão! Meu filho Absalão! Por que não morri eu em vez de você? Absalão, meu filho, meu filho!"
2. E avisaram a Joab: "O rei está chorando e se lamentando por causa de Absalão".
3. Assim, a vitória desse dia se transformou em luto para todo o exército, porque os soldados ficaram sabendo que o rei estava aflito por causa do seu filho.
4. Nesse dia, o exército entrou na cidade às escondidas, como se fosse um exército envergonhado por ter fugido do combate.
5. O rei estava com o rosto coberto e gritava: "Meu filho Absalão! Absalão meu filho, meu filho!"
6. Joab entrou na casa e disse ao rei: "Hoje você está cobrindo de vergonha o rosto de todos os seus guerreiros, que hoje salvaram a sua vida e a vida de seus filhos e filhas, mulheres e concubinas.
7. Você ama aqueles que o odeiam, e odeia aqueles que o amam. Hoje você está mostrando que os chefes e soldados não valem nada para você. Estou percebendo que, se nós todos tivéssemos morrido e Absalão estivesse vivo, você acharia tudo muito bom.
8. Vamos, saia e fale com os seus soldados. Porque eu juro por Javé: se você não sair esta noite, você ficará sem ninguém. Para você, isso vai ser uma desgraça muito maior do que todas as que lhe aconteceram, desde a sua mocidade até hoje".
9. O rei se levantou e foi sentar-se à porta. E avisaram todo o exército: "O rei está sentado à porta da cidade". Então todo o exército se reuniu ao redor do rei.

COMO ASSEGURAR A UNIDADE? Os israelitas debandaram, e cada um foi para a sua tenda.
10. Nas tribos de Israel, todo o povo discutia e comentava: "Foi o rei Davi quem nos arrancou do poder de nossos inimigos e nos livrou do poder dos filisteus. No entanto, agora ele teve que fugir do país para escapar de Absalão.
11. E Absalão, que tínhamos ungido para nos governar, morreu na guerra. Por que não fazem nada para que o rei volte?"
12. O rei Davi soube do que se dizia em todo Israel, e então mandou dizer aos sacerdotes Sadoc e Abiatar: "Digam aos anciãos de Judá: 'Por que seriam vocês os últimos a providenciar o retorno do rei para seu palácio?
13. Vocês são meus parentes, de minha carne e meu sangue. Por que seriam os últimos a providenciar o retorno do rei?'
14. Digam também a Amasa: 'Você não é de minha carne e meu sangue? Que Deus me castigue se você não for o comandante permanente do meu exército, em lugar de Joab' ".
15. Assim Davi conquistou o coração dos homens de Judá, como se fossem um só homem. Então eles mandaram dizer ao rei: "Volte, juntamente com seus ministros".
16. O rei voltou e chegou ao rio Jordão, enquanto os de Judá foram a Guilgal para se encontrar com o rei e ajudá-lo na travessia do Jordão.
17. Semei, filho de Gera, o benjaminita de Baurim, se apressou em descer com os homens de Judá ao encontro do rei Davi.
18. Iam com ele mil homens de Benjamim. Siba, o servo da família de Saul, seus quinze filhos e vinte servos entraram no Jordão antes do rei,
19. prepararam tudo para que a família do rei passasse e para agradar o rei. Quando o rei estava atravessando o Jordão, Semei, filho de Gera, se atirou aos pés dele
20. e disse: "Que o meu senhor não me considere culpado e não se lembre do mal que seu servo cometeu no dia em que o senhor meu rei deixou Jerusalém. Que o rei não guarde isso no coração,
21. porque o seu servo reconhece que pecou, e hoje é o primeiro da casa de José a descer ao encontro do senhor meu rei".
22. Abisaí, filho de Sárvia, contestou: "Há por acaso alguma desculpa para que Semei não seja morto? Ele amaldiçoou o ungido de Javé!"
23. Mas Davi interveio: "Não se intrometam na minha vida, filhos de Sárvia. Não me tentem. Hoje em Israel alguém poderia ser condenado à morte? Justamente hoje que vocês me reconheceram como rei de Israel?"
24. E o rei jurou a Semei: "Você não vai morrer".
25. Meribaal, o filho de Saul, também foi ao encontro do rei. Ele não tinha lavado os pés e as mãos, nem aparado o bigode, nem lavado sua roupa, desde o dia em que o rei tinha partido até o dia em que retornou vitorioso.
26. Quando ele chegou a Jerusalém, o rei perguntou: "Meribaal, por que você não foi comigo?"
27. Meribaal respondeu: "Meu servo me enganou, senhor meu rei. Porque eu pensei: 'Vou selar minha mula, montar e partir com o rei', porque sou aleijado.
28. Mas o meu servo me caluniou diante do senhor meu rei. O senhor meu rei, porém, é como um anjo de Deus: faça o que achar melhor.
29. Toda a família de meu pai merecia do senhor meu rei apenas a morte, mas o senhor me recebeu entre os que comem à sua mesa. Que direito tenho de reclamar diante do rei?"
30. Então o rei disse: "Por que você está falando sem parar? Minha decisão é que você e Siba repartam as terras".
31. Meribaal respondeu: "Ele pode ficar com tudo, pois o senhor meu rei voltou em paz para casa".
32. Berzelai, o galaadita, tinha descido de Rogelim e acompanhado o rei até o Jordão, a fim de despedir-se dele.
33. Berzelai era muito velho; tinha oitenta anos. Quando o rei passou por Maanaim, ele havia provido à manutenção do rei, porque era muito rico.
34. O rei disse a Berzelai: "Continue comigo, e eu lhe darei tudo o que você precisar em Jerusalém".
35. Mas Berzelai respondeu: "Quantos anos ainda me restam? Para que subir com o rei a Jerusalém?
36. Estou com oitenta anos. Será que ainda sei distinguir entre o que é bom e o que é mau? Será que seu servo ainda sente gosto no que come e no que bebe? Poderia ainda ouvir os cantores e cantoras? Então para que seu servo iria ser agora de peso para o senhor meu rei?
37. Vou atravessar para acompanhar o rei um pouco mais além, mas não é preciso que o rei me recompense por isso.
38. Deixe-me voltar e morrer na minha cidade, para ser enterrado no túmulo de meus pais. Aqui está meu filho Camaam; ele ficará com o senhor meu rei. Trate-o como achar melhor".
39. Então o rei disse: "Que Camaam venha comigo, e eu farei por ele o que você quiser, e farei por você tudo o que me pedir".
40. Todo o povo atravessou o Jordão, e o rei atravessou também. Beijou Berzelai e o abençoou. E Berzelai voltou para a sua casa.
41. O rei continuou em direção a Guilgal, e Camaam foi com ele. Todo o povo de Judá e a metade de Israel acompanhavam o rei.
42. Os israelitas foram ao rei e lhe disseram: "Por que nossos irmãos de Judá tomaram posse de você e fizeram com que o rei, sua família e todos os homens de Davi atravessassem o Jordão?"
43. Então todos os homens de Judá responderam aos de Israel: "É porque o rei é mais parente nosso! Por que vocês estão chateados? Por acaso, comemos às custas do rei ou tiramos algum proveito dele?"
44. Os homens de Israel responderam aos de Judá: "Temos dez vezes mais direito sobre o rei e, mesmo para Davi, somos mais importantes que vocês. Por que vocês fazem pouco caso de nós? Não fomos os primeiros a fazer o rei voltar?" Contudo, os homens de Judá foram mais duros.

[II Samuel 20]II Samuel 20

1. Havia aí um vagabundo chamado Seba, benjaminita, filho de Bocri. Ele tocou a trombeta e disse: "Nós não temos parte com Davi. Não temos herança com o filho de Jessé. Cada um para as suas tendas, Israel".
2. Todos os israelitas abandonaram Davi, e seguiram Seba, filho de Bocri. Mas os homens de Judá, desde o Jordão até Jerusalém, permaneceram fiéis ao rei.
3. Davi foi para o seu palácio em Jerusalém. Aí chegando, pegou as dez concubinas que tinha deixado para tomar conta do palácio, e as confinou em seu harém. Ele as mantinha, mas nunca mais teve relações com elas: ficaram segregadas, como viúvas de uma pessoa viva, até o dia em que morreram.
4. O rei disse a Amasa: "Convoque os homens de Judá e apresente-se aqui dentro de três dias".
5. Amasa partiu para convocar os homens de Judá, mas demorou mais tempo do que fora estabelecido.
6. Então Davi disse a Abisaí: "Seba, filho de Bocri, é agora mais perigoso para nós do que Absalão. Pegue os guerreiros do seu senhor e persiga-o, para que não alcance as cidades fortificadas e escape de nós".
7. Depois de Abisaí, partiram também Joab, os cereteus, os feleteus e todos os homens valentes. Saíram de Jerusalém para perseguir Seba, filho de Bocri.
8. Quando estavam perto da grande pedra, que se encontra em Gabaon, Amasa apareceu. Joab levava sobre o uniforme um cinto com a espada embainhada; a espada saiu da bainha e caiu.
9. Joab cumprimentou Amasa: "A paz esteja com você, meu irmão". E com a mão direita, segurou a barba de Amasa para o beijar.
10. Amasa não percebeu que Joab estava com a espada na mão. Ele cravou a espada na barriga de Amasa, de modo que suas entranhas se derramaram pelo chão. Amasa morreu. Nem foi preciso dar um segundo golpe. Joab e seu irmão Abisaí partiram em seguida, perseguindo Seba, filho de Bocri.
11. Um dos rapazes de Joab parou perto de Amasa e disse: "Quem é amigo de Joab e está do lado de Davi, siga a Joab".
12. Amasa estava caído no meio do caminho, numa poça de sangue. Vendo que todos paravam aí, o rapaz tirou Amasa do caminho, o colocou no campo, e cobriu o corpo dele com um manto, porque observou que todos os que passavam perto dele paravam.
13. Quando o cadáver de Amasa foi tirado do caminho, todos passavam sem parar, seguindo Joab, que perseguia Seba, filho de Bocri.
14. Seba atravessou todas as tribos de Israel, até chegar a Abel-Bet-Maaca. E todo o clã de Bocri o acompanhou.
15. Os outros foram e o cercaram em Abel-Bet-Maaca, e levantaram junto à cidade um aterro que chegava até a muralha. E todo o exército que estava com Joab procurava derrubar a muralha, escavando-a.
16. Uma mulher esperta gritou da cidade: "Escutem, escutem! Digam a Joab que se aproxime, que eu quero falar com ele".
17. Quando Joab se aproximou, a mulher perguntou: "Você é Joab?" Ele respondeu: "Sou". Então ela disse: "Ouça a palavra de sua serva". Joab respondeu: "Estou ouvindo".
18. A mulher então disse: "Antigamente costumavam dizer: 'Perguntem lá em Abel, e o assunto fica resolvido'.
19. Eu sou aquilo que há de mais pacífico e seguro em Israel. Você quer destruir uma grande cidade de Israel. Por que você quer acabar com a herança de Javé?"
20. Joab respondeu: "De jeito nenhum. Longe de mim destruir ou arruinar.
21. Não se trata disso. É que um homem da região montanhosa de Efraim, chamado Seba, filho de Bocri, se revoltou contra o rei Davi. Entreguem esse homem, e eu deixarei a cidade". A mulher disse a Joab: "Pois bem. Vamos jogar a cabeça dele por cima da muralha".
22. Com sua habilidade, a mulher falou com o povo, e degolaram Seba, filho de Bocri, e jogaram a cabeça dele para Joab. Então Joab soou a trombeta e, deixando o cerco, cada um foi para a sua tenda. Joab, porém, voltou para Jerusalém, para junto do rei.

O GOVERNO DEPOIS DA CRISE
23. Joab era o comandante de todo o exército de Israel. Banaías, filho de Joiada, comandava os cereteus e os feleteus.
24. Adoniram era o encarregado dos trabalhos forçados. Josafá, filho de Ailud, era o porta-voz.
25. Siva era o secretário. Sadoc e Abiatar eram os sacerdotes.
26. Além desses, Ira, o jairita, também era sacerdote de Davi.

[II Samuel 21]V. APÊNDICES

II Samuel 21

JUSTIÇA OU VINGANÇA?
1. No tempo de Davi, houve fome durante três anos seguidos, e Davi consultou a Javé. E Javé respondeu: "Saul e sua família ainda estão manchados de sangue por terem matado os gabaonitas".
2. O rei convocou os gabaonitas e lhes contou isso. Esses gabaonitas não pertenciam propriamente a Israel: eram apenas um resto dos amorreus, com quem os israelitas haviam feito um pacto. Saul, em seu zelo por Israel e por Judá, tinha procurado exterminá-los.
3. Davi disse aos gabaonitas: "Que posso fazer por vocês e como posso indenizá-los, para que vocês abençoem a herança de Javé?"
4. Os gabaonitas responderam: "De Saul e de sua família não queremos nem prata nem ouro. Também não queremos que ninguém morra em Israel". Davi disse a eles: "Farei o que vocês me pedirem".
5. Então eles disseram: "Aquele homem nos quis exterminar e pretendeu nos destruir e expulsar do território de Israel.
6. Entreguem a nós sete de seus filhos, e nós quebraremos seus ossos diante de Javé, em Gabaon, na montanha de Javé". Davi respondeu: "Eu os entregarei a vocês".
7. O rei poupou a vida de Meribaal, filho de Jônatas, filho de Saul, por causa do pacto sagrado que unia Davi e Jônatas, filho de Saul.
8. O rei pegou Armoni e Meribaal, os dois filhos que Resfa, filha de Aías, tinha dado a Saul; pegou também os cinco filhos que Merob, filha de Saul, tinha dado a Adriel, filho de Berzelai de Meola,
9. e os entregou aos gabaonitas. Estes quebraram os ossos deles na montanha, na presença de Javé. Os sete morreram juntos: foram executados durante a colheita, ao começar a colheita da cevada.
10. Resfa, filha de Aías, pegou um pano de saco e o estendeu sobre a rocha; e, desde que começou a colheita da cevada até o dia em que a chuva caiu sobre eles, ela ficou aí, dia e noite, espantando as aves e as feras.
11. E contaram a Davi o que Resfa, filha de Aías, concubina de Saul, tinha feito.
12. Então Davi foi pedir os ossos de Saul e de seu filho Jônatas aos cidadãos de Jabes de Galaad, que os tinham levado da praça de Betsã, onde os filisteus os haviam enforcado, quando venceram Saul em Gelboé.
13. Davi tirou daí os ossos de Saul e de seu filho Jônatas, e os juntou aos ossos daqueles que tinham sido executados.
14. Então pegaram os ossos de Saul, do seu filho Jônatas e dos que tinham sido executados, e os sepultaram na terra de Benjamim, em Sela, no túmulo de Cis, pai de Saul. Fizeram tudo o que o rei tinha ordenado, e por isso Deus se compadeceu do país.

LUTAS HERÓICAS
15. Houve ainda uma guerra entre os filisteus e Israel. Davi desceu com seus soldados, travou combate contra os filisteus, e Davi ficou exausto.
16. Havia um grande guerreiro, um dos descendentes de Rafa, que usava uma lança de bronze de três quilos e uma espada nova, dizendo que ia matar Davi.
17. No entanto, Abisaí, filho de Sárvia, socorreu Davi, atingiu o filisteu e o matou. Então os homens de Davi lhe suplicaram: "Nunca mais saia conosco para a guerra, para que não se apague a lâmpada de Israel".
18. Depois, a guerra contra os filisteus recomeçou em Gob. Foi aí que Sobocai de Husa matou Saf, descendente de Rafa.
19. Ainda em Gob, em outra guerra contra os filisteus, Elcanã, filho de Jair de Belém, matou Golias de Gat, que usava uma lança comprida como cilindro de tear.
20. Houve depois outra batalha em Gat. Aí havia um homem altíssimo, com seis dedos em cada mão e em cada pé; vinte e quatro dedos no total. Ele também era descendente de Rafa.
21. Ele desafiou Israel, mas Jônatas, filho de Sama, irmão de Davi, o matou.
22. Os quatro eram descendentes de Rafa, em Gat, e morreram pelas mãos de Davi e seus soldados.

[II Samuel 22]II Samuel 22

O REI JUSTO LIBERTA O POVO DOS INIMIGOS
1. Davi dedicou a Javé este cântico, quando Javé o libertou de todos os seus inimigos e da mão de Saul.
2. Ele disse: Javé é minha rocha e minha fortaleza, o meu libertador.
3. Ele é o meu Deus. Nele, meu rochedo, eu me abrigo, meu escudo e minha força salvadora, minha torre forte, meu refúgio, meu salvador que me salva da violência.
4. Seja louvado! Eu invoquei a Javé, e fui salvo dos meus inimigos.
5. As ondas da Morte me envolviam, as torrentes de Belial me aterravam,
6. os laços do Xeol me cercavam, as ciladas da Morte me atingiam.
7. Na minha angústia invoquei a Javé, ao meu Deus lancei o meu grito. Do seu Templo ele ouviu minha voz, e meu grito chegou aos seus ouvidos.
8. A terra balançou e tremeu, as bases do céu se abalaram, por causa do seu furor estremeceram.
9. De suas narinas subiu fumaça, e de sua boca um fogo devorador. Dela brotavam brasas ardentes.
10. Ele inclinou o céu e desceu, tendo aos pés uma nuvem escura;
11. cavalgou um querubim e voou, planando sobre as asas do vento.
12. Envolveu-se de trevas como tenda, de águas escuras e nuvens espessas.
13. À sua frente, um clarão inflamava granizo e brasas de fogo.
14. Javé trovejou no céu. O Altíssimo fez ouvir a sua voz;
15. atirou suas flechas e dispersou-os, e os expulsou, lançando seus raios.
16. Então apareceu o leito do mar, as bases do mundo se descobriram, por causa da ameaça de Javé, pelo vento soprando de suas narinas.
17. Lá do alto, ele manda tomar-se, tirando-me das águas torrenciais;
18. e me livra de um inimigo poderoso, de adversários mais fortes do que eu.
19. Atacaram-me no dia da minha derrota, mas Javé foi um apoio para mim;
20. fez-me sair para um lugar espaçoso. Libertou-me, porque ele me ama.
21. Javé me trata segundo a minha justiça, e me retribui conforme a pureza de minhas mãos;
22. pois eu observei os caminhos de Javé, e não fui infiel ao meu Deus.
23. Seus julgamentos estão todos à minha frente, jamais apartei de mim seus decretos.
24. Sou íntegro para com ele, e me afasto da injustiça.
25. Javé me retribui segundo a minha justiça, e a pureza de minhas mãos, que ele vê com seus olhos.
26. Com o fiel, tu és fiel; com o íntegro, tu és íntegro;
27. puro com quem é puro; mas com o perverso te mostras astuto.
28. Pois tu salvas o povo pobre, e rebaixas os olhos altivos.
29. Javé, tu és a minha lâmpada! Meu Deus, ilumina minha treva!
30. Sim, contigo eu forço o muro, com meu Deus eu salto a muralha.
31. Deus é perfeito em seu caminho. A palavra de Javé é provada. Ele é um escudo para todos aqueles que nele se abrigam.
32. Pois, além de Javé, quem é Deus? E quem é rochedo, a não ser o nosso Deus?
33. Ele é o Deus que me cinge de força, e torna perfeito o meu caminho.
34. Ele iguala meus pés aos pés das corças, e me sustenta em pé nas alturas.
35. Ele instrui minhas mãos para a guerra, e meu braço para esticar o arco de bronze.
36. Tu me dás teu escudo salvador, e me atendes sem cessar.
37. Alargas os meus passos, e meus tornozelos não se torcem.
38. Persigo meus inimigos e os alcanço, e não volto atrás sem os ter destruído.
39. Eu os massacro, e não podem levantar-se; eles caem debaixo de meus pés.
40. Tu me cinges de força para a guerra, e curvas sob meus pés meus agressores.
41. Tu me entregas a nuca de meus inimigos, e eu extermino os que me odeiam.
42. Eles gritam, e não há quem os salve, gritam a Javé, mas ele não responde.
43. Eu os piso como a poeira das praças; eu os amasso como o barro das ruas.
44. Tu me livras dos processos dos povos, e me colocas como chefe das nações. Um povo que eu não conheci me serve,
45. os filhos dos estrangeiros submetem-se a mim, dão-me ouvidos e me obedecem.
46. Os filhos dos estrangeiros se enfraquecem, e saem tremendo de suas fortalezas.
47. Viva Javé! Bendito seja o meu Rochedo! Seja exaltado o meu Deus salvador,
48. o Deus que me concede as vinganças, e submete os povos a mim.
49. Livrando-me de meus inimigos, tu me exaltas sobre os meus agressores, e me libertas do homem violento.
50. Por isso eu te louvo entre as nações, ó Javé, e canto em honra do teu nome:
51. "Ele dá grandes vitórias ao seu rei, e age pelo seu ungido com amor, por Davi e sua descendência para sempre".

[II Samuel 23]II Samuel 23

O REI JUSTO FAZ O POVO VIVER A JUSTIÇA
1. São estas as últimas palavras de Davi: Oráculo de Davi, filho de Jessé, oráculo do homem que foi exaltado, do ungido do Deus de Jacó, do cantor de salmos de Israel.
2. O espírito de Javé fala por mim, sua palavra está na minha língua.
3. O Deus de Jacó me falou, a Rocha de Israel me disse: "Quem governa os homens com justiça e governa conforme o temor de Deus,
4. é como a luz da manhã ao nascer do sol, manhã sem nuvens depois da chuva, que faz brilhar a grama da terra".
5. Minha casa está firme junto a Deus, pois sua aliança comigo é para sempre, em tudo ordenada e bem segura. Ele fará prosperar meus desejos de salvação.
6. Os maus porém serão como espinheiros, que se jogam fora e ninguém recolhe.
7. Ninguém se aproxima deles, a não ser com o ferro e a madeira da lança, e com fogo para os queimar.

OS VALENTES DE DAVI
8. São estes os nomes dos valentes de Davi: Isbaal, o haquemonita, chefe dos Três, que manejou a lança, matando oitocentos de uma só vez.
9. Depois dele, Eleazar, filho de Dodô, o aoíta, um dos três valentes. Ele estava com Davi em Afes-Domim, quando os filisteus aí se reuniram para o combate, e os israelitas recuaram.
10. Eleazar, porém, ficou firme, e combateu os filisteus até sua mão adormecer e ficar grudada na espada. Nesse dia, Javé realizou uma grande vitória, e o exército voltou depois de Eleazar, mas só para recolher os despojos.
11. Depois de Eleazar, houve Sama, filho de Ela, o ararita. Os filisteus se haviam reunido em Queixada, onde havia um campo de lentilhas. O exército tinha fugido dos filisteus,
12. mas Sama se colocou no meio do campo e o defendeu, vencendo os filisteus. Javé realizou então uma grande vitória.
13. Três dos Trinta foram a Davi, no começo da colheita, na gruta de Odolam, quando um destacamento dos filisteus tinha acampado no vale dos Rafaim.
14. Nessa ocasião, Davi estava no refúgio, e a guarnição dos filisteus acampava em Belém.
15. Davi teve sede e exclamou: "Quem me dera beber água do poço lá da porta de Belém!"
16. Os três valentes abriram passagem pelo acampamento filisteu, tiraram água do poço da porta de Belém e a levaram a Davi. Mas Davi não quis beber a água e a ofereceu em libação a Javé.
17. Ele disse: "Javé me livre de fazer isso! É o sangue dos homens que foram lá, arriscando a vida". Por isso, não quis beber. Foi isso que fizeram os três valentes.
18. Abisaí, irmão de Joab e filho de Sárvia, era o chefe dos Trinta. Manejando sua lança, ele matou trezentos, e ficou famoso entre os Trinta.
19. Ele ficou sendo o mais famoso dos Trinta, e se tornou chefe deles, mas não fez parte do grupo dos Três.
20. Banaías, filho de Joiada, natural de Cabseel, era homem aguerrido, pródigo em façanhas: matou os dois moabitas, filhos de Ariel; ele desceu e no dia da neve matou o leão no poço.
21. Ele matou também um egípcio muito alto, que trazia na mão uma lança: Banaías o enfrentou com um pedaço de pau, arrancou a lança da mão do egípcio, e o matou com a própria lança dele.
22. Com essa façanha, Banaías, filho de Joiada, ficou famoso entre os trinta valentes.
23. Ele foi mais famoso do que os Trinta, mas não fazia parte do grupo dos Três. Davi o colocou à frente de sua guarda pessoal.
24. Asael, irmão de Joab, estava entre os Trinta. Também faziam parte do grupo: Elcanã, filho do Dodô, de Belém;
25. Sama, de Harod; Elica, de Harod;
26. Heles, de Bet-Falet; Ira, filho de Aces, de Técua;
27. Abiezer, de Anatot; Sobocai, de Husa;
28. Selmon, de Ao; Maarai, de Netofa;
29. Héled, filho de Baana, de Netofa; Etai, filho de Ribai, de Gabaá de Benjamim;
30. Banaías, de Faraton; Hedai, das Torrentes de Gaás;
31. Abibaal, de Bet-Arabá; Azmot, de Baurim;
32. Eliaba, de Saalbon; Jasen, de Gimzo;
33. Jônatas, filho de Sama, de Arar; Aiam, filho de Sarar, de Arar;
34. Elifalet, filho de Aasbai, de Bet-Maaca; Eliam, filho de Aquitofel, de Gilo;
35. Hessai, de Carmel; Farai, de Arab.
36. Igaal, filho de Natã, de Soba; Bani, o gadita;
37. Selec, o amonita; Naarai, de Berot, escudeiro de Joab, filho de Sárvia;
38. Ira, de Jeter; Gareb, de Jeter;
39. Urias, o heteu. No total, trinta e sete.

[II Samuel 24]II Samuel 24

A TENTAÇÃO DO PODER
1. A ira de Javé se inflamou contra os israelitas e instigou Davi contra eles: "Vá e faça o recenseamento de Israel e de Judá".
2. Então o rei disse a Joab e aos oficiais do seu exército: "Percorram todas as tribos de Israel, desde Dã até Bersabéia, e façam o recenseamento do povo, para que eu saiba quantos são".
3. Joab respondeu ao rei: "Que Javé seu Deus multiplique o povo cem vezes mais do que é agora, e que o senhor meu rei veja com os próprios olhos! Mas por que o senhor meu rei quer que isso seja feito?"
4. A ordem do rei, porém, se impôs a Joab e aos oficiais do exército. Então eles saíram da presença do rei para ir recensear o povo de Israel.
5. Atravessaram o Jordão, e começaram em Aroer e na cidade que fica dentro do vale, e entre os gaditas, perto de Jazer.
6. Em seguida, foram para Galaad, para o território dos heteus em Cades. Depois foram para Dã e se dirigiram para Sidônia.
7. Seguiram para a fortaleza de Tiro e para todas as cidades dos heveus e cananeus. Daí foram para o deserto de Judá, até Bersabéia.
8. Percorreram assim todo o país e, depois de nove meses e vinte dias, voltaram para Jerusalém.
9. Joab apresentou ao rei o resultado do recenseamento do povo. Em Israel havia oitocentos mil homens aptos para a guerra, que podiam usar a espada. Em Judá havia quinhentos mil homens.
10. No entanto, Davi ficou preocupado por ter recenseado o povo, e disse a Javé: "Cometi um grande pecado! Javé, perdoa essa maldade do teu servo, pois cometi uma grande loucura!"
11. Quando Davi se levantou de manhã, Javé havia transmitido esta mensagem ao profeta Gad, vidente de Davi:
12. "Vá e fale a Davi: Assim diz Javé: Proponho a você três coisas; escolha uma, e eu a executarei".
13. Gad foi até o rei e o informou: "Você prefere três anos de fome no seu país; fugir três meses de seu inimigo que o perseguirá; ou três dias de peste para o seu país? Pense e decida o que devo responder àquele que me enviou".
14. Davi respondeu a Gad: "Estou numa grande angústia! Em todo caso, acho melhor cair nas mãos de Javé, pois a misericórdia dele é grande, do que cair na mão dos homens".
15. Então Javé enviou a peste sobre Israel, desde essa manhã até o dia marcado. De Dã até Bersabéia, morreram setenta mil homens do povo.
16. O anjo estava já com a mão estendida sobre Jerusalém para destruí-la, quando Javé se arrependeu desse mal, e disse ao anjo que estava exterminando o povo: "Chega! Agora retire a mão". O anjo de Javé estava junto à eira de Areúna, o jebuseu.
17. Vendo o anjo que exterminava o povo, Davi disse a Javé: "Fui eu que pequei. Eu sou o culpado. Que fizeram estas ovelhas? Que a tua mão caia sobre mim e sobre minha família".
18. Nesse dia, Gad foi dizer a Davi: "Vá construir um altar para Javé na eira de Areúna, o jebuseu".
19. Então Davi foi, obedecendo à ordem que Javé lhe tinha comunicado através de Gad.
20. Areúna viu o rei e seus oficiais se aproximando, saiu e se prostrou diante do rei com o rosto por terra.
21. E perguntou: "Por que o senhor meu rei veio até aqui?" Davi respondeu: "Para comprar a sua eira, a fim de construir um altar para Javé. Desse modo, o povo ficará livre da peste".
22. Então Areúna disse ao rei: "Que o senhor meu rei fique com a eira e ofereça em sacrifício o que achar melhor. Aqui estão os bois para o holocausto, a grade e a canga dos bois para servir de lenha.
23. O servo do senhor meu rei entrega tudo para o rei". E acrescentou: "Que Javé seu Deus aceite o sacrifício que o senhor vai oferecer".
24. O rei respondeu a Areúna: "De jeito nenhum! Quero comprar a eira a troco de dinheiro. Não vou oferecer a Javé meu Deus holocaustos que não me custem nada". Então Davi comprou a eira e os bois por meio quilo de prata.
25. Construiu aí um altar para Javé e ofereceu holocaustos e sacrifícios de comunhão. Então Javé se compadeceu do país. E a peste deixou Israel.
[I Reis 1]I. COMPETIÇÃO PELO PODER

I Reis 1

PARTIDOS EM DISPUTA PELO PODER
1. O rei Davi ficou velho, com idade avançada; por mais que o cobrissem, ele não conseguia se esquentar.
2. Seus servos então sugeriram: "Busquem uma jovem solteira que dê assistência e cuide do senhor nosso rei: ela dormirá em seus braços, e o senhor nosso rei se esquentará".
3. Então procuraram uma jovem bonita em todo o território de Israel. Encontraram Abisag, de Sunam, e a levaram para o rei.
4. A jovem era muito bela. Passou a cuidar do rei e a servi-lo. Mas o rei não teve relações com ela.
5. Enquanto isso, Adonias, filho de Hagit, gabava-se dizendo: "Sou eu que vou reinar". Arranjou um carro e cavalos, além de uma escolta de cinqüenta guardas, que iam na frente dele.
6. Enquanto vivia, seu pai nunca o repreendeu, perguntando: "Por que você faz isso?" Adonias também era muito bonito, mais jovem do que Absalão.
7. Ele entrou em acordo com Joab, filho de Sárvia, e com o sacerdote Abiatar, que aderiram ao partido de Adonias.
8. Por outro lado, o sacerdote Sadoc, Banaías, filho de Joiada, o profeta Natã, Semei e Reí, bem como os valentes de Davi, não estavam do lado de Adonias.
9. Certa vez, Adonias imolou ovelhas, bois e bezerros gordos junto à Pedra-que-escorrega, perto da fonte do Pisoeiro. Convidou todos os seus irmãos, os filhos do rei, e todos os homens de Judá que estavam a serviço do rei.
10. Mas não convidou o profeta Natã, nem Banaías, nem os valentes de Davi, nem o seu próprio irmão Salomão.

VITÓRIA DO PARTIDO DE SALOMÃO
11. Natã disse então a Betsabéia, mãe de Salomão: "Você não ficou sabendo que Adonias, filho de Hagit, se proclamou rei, sem nosso senhor Davi saber?
12. Veja bem: agora eu vou lhe dar um conselho, para que você salve sua vida e a do seu filho Salomão.
13. Vá ao rei Davi e diga: 'O senhor meu rei jurou à sua serva, dizendo: Seu filho Salomão reinará depois de mim e sentará em meu trono. Então, por que é que Adonias se proclamou rei?'
14. Enquanto você estiver falando com o rei, eu entrarei depois de você, e confirmarei o que você estiver falando".
15. Betsabéia apresentou-se ao rei, no quarto. O rei estava muito velho, e Abisag, de Sunam, o servia.
16. Betsabéia se ajoelhou e se prostrou diante do rei. E o rei lhe perguntou: "O que você quer?"
17. Betsabéia respondeu: "O senhor jurou à sua serva, por Javé seu Deus: Quem vai reinar depois de mim e sentar-se em meu trono é o seu filho Salomão.
18. Ora, acontece que Adonias já se proclamou rei, e o senhor meu rei nem está sabendo.
19. Ele imolou muitos bois, bezerros gordos e ovelhas, e convidou todos os filhos do rei, o sacerdote Abiatar e Joab, chefe do exército, mas não convidou o seu servo Salomão.
20. Senhor meu rei, é para o senhor que todo o Israel se dirige, a fim de lhe anunciar quem vai sentar-se no trono depois do senhor meu rei.
21. Caso contrário, quando o senhor meu rei estiver repousando com seus antepassados, eu e meu filho Salomão seremos considerados como usurpadores".
22. Betsabéia ainda estava falando com o rei, quando chegou o profeta Natã.
23. E anunciaram ao rei: "O profeta Natã está aqui". Então Natã se apresentou ao rei, prostrou-se diante dele com o rosto por terra,
24. e disse: "Senhor meu rei, por acaso o senhor disse: 'Adonias é quem vai reinar depois de mim e sentar-se no meu trono'?
25. Pois bem: hoje ele foi imolar muitos bois, bezerros gordos e ovelhas. Convidou todos os filhos do rei, os oficiais do exército e o sacerdote Abiatar. Todos estão comendo e bebendo com ele, e aclamando: Viva o rei Adonias!
26. Mas ele não convidou este seu servo, nem o sacerdote Sadoc, nem Banaías, filho de Joiada, nem seu servo Salomão.
27. Será que foi o senhor meu rei quem ordenou isso? Por que o senhor não informou a seus servos quem iria suceder no trono ao senhor meu rei?"
28. Então o rei Davi respondeu: "Chamem Betsabéia aqui". E Betsabéia se apresentou ao rei e ficou de pé.
29. Então o rei jurou: "Pela vida de Javé, que me livrou de todos os perigos,
30. eu jurei a você por Javé, o Deus de Israel: Quem vai reinar depois de mim e sentar-se em meu trono, é o seu filho Salomão. Pois bem: hoje mesmo eu vou cumprir isso".
31. Betsabéia se ajoelhou com o rosto por terra, prostrou-se diante do rei e disse: "Viva o rei Davi, meu senhor, para sempre!"
32. Então o rei Davi ordenou: "Chamem o sacerdote Sadoc, o profeta Natã e Banaías, filho de Joiada". Eles se apresentaram,
33. e o rei lhes disse: "Peguem com vocês os oficiais do rei. Façam o meu filho Salomão montar em minha própria mula, e desçam com ele até Gion.
34. Aí o sacerdote Sadoc e o profeta Natã o ungirão rei de Israel, e vocês tocarão a trombeta, aclamando: Viva o rei Salomão!
35. Depois subam atrás dele. Quando ele chegar, se assentará em meu trono e reinará em meu lugar, pois é a ele que eu nomeio chefe de Israel e de Judá".
36. Banaías, filho de Joiada, respondeu ao rei: "Amém! Javé, Deus do meu senhor, confirme a ordem do rei.
37. Javé esteja com Salomão, assim como esteve com o senhor meu rei, e torne o trono de Salomão mais glorioso do que o trono do rei Davi, meu senhor".
38. Então o sacerdote Sadoc, o profeta Natã, Banaías, filho de Joiada, os cereteus e os feleteus, desceram até Gion, levando Salomão, que ia montado na mula do rei Davi.
39. O sacerdote Sadoc pegou na tenda o chifre de óleo e ungiu Salomão. Depois tocaram a trombeta. E todos aclamaram: "Viva o rei Salomão!"
40. Em seguida, todo o povo subiu atrás de Salomão, tocando flautas e fazendo tamanho barulho, que a terra se fendia com os gritos.

ADONIAS FICA SÓ
41. Adonias e seus convidados estavam acabando de comer, quando ouviram o barulho. Joab escutou o toque da trombeta e perguntou: "Por que esse barulho e essa algazarra na cidade?"
41. Ele estava acabando de perguntar, quando chegou Jônatas, filho do sacerdote Abiatar. E Adonias disse: "Entre, pois você é uma pessoa honesta, e certamente traz boas notícias".
43. Jônatas respondeu: "Infelizmente não! O senhor nosso rei Davi acaba de proclamar Salomão rei!
44. E com ele o rei mandou o sacerdote Sadoc, o profeta Natã, Banaías, filho de Joiada, e também os cereteus e feleteus, que o fizeram montar na mula do rei.
45. Depois o sacerdote Sadoc e o profeta Natã ungiram Salomão rei em Gion, e subiram alegres daí. A cidade está em festa. É esse o barulho que vocês estão ouvindo.
46. Salomão já está sentado no trono real,
47. e os oficiais do rei já foram cumprimentar Davi, nosso rei e senhor, dizendo: 'Que o seu Deus torne o nome de Salomão mais famoso que o seu, e engrandeça o trono dele mais que o seu' ". Então o rei se prostrou na cama,
48. e falou: "Seja bendito Javé, o Deus de Israel! Porque hoje ele colocou alguém assentado no meu trono, e eu pude ver!"
49. Os convidados de Adonias ficaram apavorados, se levantaram e se dispersaram.
50. Adonias, com medo de Salomão, levantou-se e foi se agarrar às pontas do altar.
51. E informaram Salomão: "Adonias ficou com medo de você e está agarrado às pontas do altar, suplicando: 'Que o rei Salomão jure hoje para mim que não mandará matar seu servo a fio de espada' ".
52. Salomão disse: "Se ele se comportar honestamente, não cairá por terra nem mesmo um só fio de seus cabelos; mas, se for pego maquinando traição, ele morrerá".
53. E o rei Salomão enviou gente para fazer Adonias descer do altar. Adonias foi e prostrou-se diante do rei Salomão, que lhe disse: "Vá para casa".

[I Reis 2]I Reis 2

AUTORIDADE E LEI A SERVIÇO DO POVO
1. Aproximando-se o dia de sua morte, Davi ordenou a seu filho Salomão:
2. "Eu vou seguir o caminho de todos os mortais. Seja forte e comporte-se como homem.
3. Cumpra as ordens de Javé seu Deus, andando pelos caminhos dele e observando seus estatutos, mandamentos, normas e testemunhos, como estão escritos na lei de Moisés, para que você tenha sucesso em tudo o que fizer e projetar.
4. Então Javé cumprirá o que ele me prometeu: 'Se os seus filhos mantiverem boa conduta e forem leais comigo, de todo o coração e de toda a alma, nunca faltará alguém de sua família no trono de Israel'.
5. Por outro lado, você sabe o que me fez Joab, filho de Sárvia: ele matou Abner, filho de Ner, e Amasa, filho de Jeter, os dois chefes do exército de Israel. Em tempo de paz, ele vingou o sangue derramado na guerra, manchando assim de sangue inocente o cinturão de meus rins e a sandália de meus pés.
6. Portanto, aja com sabedoria, mas não deixe que os cabelos brancos dele desçam em paz para a morada dos mortos.
7. Quanto aos filhos de Berzelai, o galaadita, trate-os com lealdade. Que estejam sempre entre os que comem à sua mesa, porque eles também foram leais comigo e me ajudaram quando eu fugia do seu irmão Absalão.
8. Também está aí Semei, filho de Gera, o benjaminita de Baurim. Ele me amaldiçoou com violência no dia da minha partida para Maanaim. No entanto, ele desceu ao meu encontro no Jordão. Por isso eu jurei por Javé que não o mataria a fio de espada.
9. Agora, não o deixe impune: você é sábio e saberá o que fazer para que os cabelos brancos dele desçam com sangue à morada dos mortos".
10. Davi repousou com seus antepassados e foi enterrado na Cidade de Davi.
11. Davi foi rei em Israel durante quarenta anos; reinou sete anos em Hebron, e trinta e três anos em Jerusalém.

SALOMÃO LIVRA-SE DO CONCORRENTE
12. Salomão sucedeu no trono a seu pai Davi, e seu reinado se consolidou.
13. Adonias, filho de Hagit, foi conversar com Betsabéia, mãe de Salomão. Ela perguntou: "A sua visita é de paz?" Ele respondeu: "Sim, é de paz".
14. E continuou: "Eu desejo pedir-lhe uma coisa". Ela disse: "O que é que você quer?"
15. Então Adonias disse: "Você sabe muito bem que a realeza me pertencia e que todo o Israel esperava que eu fosse rei, mas a realeza me escapou e foi dada a meu irmão, porque Javé a tinha destinado a ele.
16. Agora lhe peço um favor. Não me recuse". Betsabéia respondeu: "Pode falar".
17. Adonias continuou: "Por favor, peça ao rei Salomão que me dê Abisag de Sunam como esposa. Ele não negará nada a você".
18. Betsabéia respondeu: "Está bem. Vou falar com o rei sobre o assunto".
19. Betsabéia foi ao rei Salomão para lhe falar sobre Adonias. O rei se levantou para recebê-la e se inclinou diante dela. Depois se assentou no trono, mandou trazer um trono para a sua mãe, e Betsabéia se sentou à sua direita.
20. Então Betsabéia disse: "Vou pedir-lhe um pequeno favor. Não o negue a mim". Salomão respondeu: "Pode pedir, mãe. Não lhe negarei".
21. Ela continuou: "Dê Abisag de Sunam como esposa para seu irmão Adonias".
22. Mas o rei Salomão respondeu: "E por que você pede Abisag de Sunam para Adonias? Você podia pedir para ele a coroa! Afinal, ele é meu irmão mais velho, e tem do seu lado o sacerdote Abiatar e Joab, filho de Sárvia!"
23. Em seguida, o rei Salomão jurou por Javé: "Que Deus me castigue, se Adonias não pagar com a própria vida pelo pedido que fez.
24. Pela vida de Javé, que me fez sentar firmemente no trono de meu pai Davi e que lhe deu uma dinastia como havia prometido, hoje mesmo Adonias será morto".
25. Então o rei Salomão deu uma ordem, e Banaías, filho de Joiada, matou Adonias.

SALOMÃO CONSOLIDA SEU PODER
26. Salomão disse ao sacerdote Abiatar: "Vá para a sua propriedade em Anatot. Você merece a morte, mas não vou matá-lo hoje, porque você carregou a arca de Javé diante de meu pai Davi e partilhou dos sofrimentos dele".
27. Desse modo, Salomão excluiu Abiatar do sacerdócio de Javé, cumprindo a profecia de Javé feita em Silo, contra a família de Eli.
28. Quando essa notícia chegou a Joab, que tinha apoiado Adonias, embora não tivesse apoiado Absalão, ele se refugiou na tenda de Javé e se agarrou às pontas do altar.
29. Quando avisaram o rei Salomão que Joab se havia refugiado na tenda de Javé e que estava junto do altar, Salomão mandou dizer a Joab: "O que é que aconteceu? Por que você se refugia junto do altar?" Joab respondeu: "Fiquei com medo de você e me refugiei junto de Javé". Então Salomão ordenou a Banaías, filho de Joiada: "Vá matá-lo".
30. Banaías foi à tenda de Javé e disse a Joab: "O rei manda que você saia". Joab respondeu: "Não. Quero morrer aqui". Banaías levou a resposta de Joab para o rei,
31. e este ordenou: "Pois faça como ele quer. Mate e enterre. Desse modo, você tirará de cima de mim e de minha família o sangue inocente que Joab derramou.
32. Javé faça recair o sangue dele sobre sua cabeça, por ter matado dois homens mais justos e melhores do que ele, sem que meu pai Davi soubesse, Abner, filho de Ner, chefe do exército de Israel, e Amasa, filho de Jeter, chefe do exército de Judá.
33. Que o sangue desses homens caia sobre a cabeça de Joab e de sua descendência para sempre. Que Davi e sua descendência, sua família e seu trono gozem sempre da paz de Javé".
34. Banaías, filho de Joiada, foi, matou Joab, e depois o enterrou na própria casa de Joab, no deserto.
35. Em lugar de Joab, o rei colocou Banaías, filho de Joiada, como chefe do exército; e em lugar de Abiatar, colocou o sacerdote Sadoc.
36. O rei mandou chamar Semei e lhe disse: "Construa uma casa em Jerusalém e fique morando nela. Não saia para nenhum lugar.
37. No dia em que você sair e atravessar o riacho do Cedron, você com certeza morrerá. A responsabilidade é sua".
38. Semei respondeu: "Está bem. Seu servo vai fazer o que o senhor meu rei ordenou". E Semei ficou muito tempo vivendo em Jerusalém.
39. No entanto, três anos depois, dois escravos de Semei fugiram e foram até Aquis, filho de Maaca, rei de Gat. E avisaram a Semei: "Seus escravos estão em Gat".
40. Então Semei selou o jumento e foi para a casa de Aquis, em Gat, procurar seus escravos. Foi a Gat e trouxe os escravos de volta.
41. Mas informaram Salomão que Semei tinha ido de Jerusalém para Gat e já tinha voltado.
42. O rei mandou chamar Semei e lhe disse: "Não fiz você jurar por Javé, e não o avisei que no dia em que você saísse para qualquer lugar, você com certeza morreria? Você me disse que estava de acordo.
43. Por que você não cumpriu o que jurou por Javé e a ordem que dei a você?"
44. E o rei acrescentou: "Você sabe muito bem todo o mal que fez para o meu pai Davi. Javé faça recair essa maldade sobre sua própria cabeça.
45. E bendito seja o rei Salomão, e que o trono de Davi permaneça diante de Javé para sempre".
46. Então o rei deu uma ordem a Banaías, filho de Joiada, que saiu e matou Semei. E assim a realeza se consolidou nas mãos de Salomão.

[I Reis 3]II. SALOMÃO: DA SABEDORIA À LOUCURA

1. UM REI SÁBIO

I Reis 3

ALIANÇA AMBÍGUA
1. Salomão se tornou genro do Faraó, rei do Egito; casou-se com a filha do Faraó, e a levou para a Cidade de Davi, até que acabasse de construir o seu próprio palácio, o Templo de Javé e a muralha ao redor de Jerusalém.
2. Entretanto, o povo oferecia sacrifícios nos lugares altos, porque ainda não tinha sido construído o Templo para o nome de Javé.
3. Salomão amava Javé, de modo que seguia os preceitos de seu pai Davi. Entretanto, oferecia sacrifícios e incenso nos lugares altos.

PARA GOVERNAR É PRECISO OUVIR
4. O rei foi a Gabaon para oferecer sacrifícios, porque esse lugar alto era o mais importante de todos. E Salomão ofereceu mil holocaustos sobre esse altar.
5. Em Gabaon, durante a noite, Javé apareceu em sonhos a Salomão. Deus lhe disse: "Peça. O que lhe posso dar?"
6. Salomão respondeu: "Tu demonstraste grande amor para com o teu servo Davi, meu pai, porque, diante de ti, ele caminhou na fidelidade, na justiça e na retidão de coração para contigo. Tu guardaste para com ele esse grande amor e lhe deste um filho que hoje se assenta no trono dele.
7. Agora, Javé meu Deus, és tu que fazes teu servo reinar no lugar de meu pai Davi. Eu sou bem jovem e não sei como governar.
8. O teu servo se encontra no meio do teu povo que escolheste, povo numeroso que não se pode contar nem calcular, de tão grande que é.
9. Ensina-me a ouvir, para que eu saiba governar o teu povo e discernir entre o bem e o mal. Pois quem poderia governar esse teu povo tão numeroso?"
10. Agradou ao Senhor que Salomão tivesse pedido essas coisas.
11. Então Deus disse para ele: "Porque você pediu isso, e não vida longa para você, nem riquezas, nem a morte de seus inimigos, mas discernimento para ouvir e julgar,
12. eu farei o que você pediu. Darei a você mente sábia e inteligente, como ninguém teve antes de você e ninguém terá depois.
13. Eu lhe darei também o que você não pediu: riqueza e fama, de modo que não haverá nenhum rei que se iguale a você, durante toda a sua vida.
14. E se você andar nos meus caminhos, observando meus estatutos e mandamentos, como fez o seu pai Davi, eu lhe darei vida longa".
15. Então Salomão acordou e percebeu que tudo isso tinha sido um sonho. Foi para Jerusalém e ficou diante da arca de Javé. Em seguida, ofereceu holocaustos, sacrifícios de comunhão e deu para toda a sua corte um banquete.

OUVIR PARA FAZER JUSTIÇA
16. Duas prostitutas foram até o rei e se apresentaram.
17. Uma das mulheres disse: "Meu senhor, eu e esta mulher moramos na mesma casa. Eu tive um filho.
18. Três dias depois que dei à luz, ela também teve uma criança. Não havia mais ninguém conosco. Nós estávamos sozinhas na casa.
19. Aconteceu que certa noite essa mulher se deitou sobre o próprio filho, e ele morreu.
20. Ela se levantou durante a noite e, enquanto eu dormia, pegou o meu filho que estava junto comigo, e o colocou ao lado dela. Depois, colocou do meu lado o seu filho morto.
21. Quando acordei de manhã, para dar de mamar ao meu filho, vi que estava morto. Olhei bem e notei que não era o filho que eu tinha dado à luz".
22. A outra mulher retrucou: "Não é verdade! O meu filho está vivo. É o dela que morreu". A primeira contestou: "É mentira! Seu filho está morto e o meu está vivo". E começaram a discutir diante do rei.
23. Então o rei interveio: "Uma diz: 'Meu filho está vivo e o seu está morto'. A outra diz: 'Mentira! Seu filho está morto e o meu está vivo' ".
24. Então o rei ordenou: "Tragam uma espada". E levaram uma espada.
25. O rei disse: "Cortem o menino vivo em duas partes e dêem metade para cada uma".
26. Então a mãe do menino vivo sentiu as entranhas se comoverem pelo filho, e suplicou: "Meu senhor, dê a ela o menino vivo. Não o mate". A outra, porém, dizia: "Nem para mim, nem para você. Dividam o menino pelo meio".
27. Então o rei deu a sentença: "Entreguem o menino vivo à primeira mulher. Não o matem. Ela é a sua mãe".
28. Todo o Israel ficou sabendo da sentença que o rei tinha dado. E o respeitavam, pois viram que ele possuía sabedoria divina para fazer justiça.

[I Reis 4]I Reis 4

AUMENTA A BUROCRACIA
1. O rei Salo mão reinava sobre todo o Israel.
2. E estes eram os principais membros do seu governo: Azarias, filho de Sadoc, sacerdote.
3. Eliaf e Aías, filhos de Sisa, secretários. Josafá, filho de Ailud, porta-voz.
4. Banaías, filho de Joiada, chefe do exército.
5. Azarias, filho de Natã, chefe dos prefeitos. Zabud, filho de Natã, conselheiro particular do rei.
6. Aisar, prefeito do palácio. Eliab, filho de Joab, chefe do exército. Adoniram, filho de Abda, chefe dos trabalhos forçados.

CONSOLIDAÇÃO DO SISTEMA TRIBUTÁRIO
7. Salomão tinha doze prefeitos em todo o Israel. Cada um devia prover o palácio real durante um mês do ano.
8. Os nomes deles eram: um filho de Hur, na região montanhosa de Efraim.
9. Um filho de Decar, em Maces, Salebim, Bet-Sames, Aialon e Bet-Hanã.
10. Um filho de Hesed, em Arubot; também estavam sob sua jurisdição Soco e todo o território de Héfer.
11. Um filho de Abinadab, casado com Tabaat, filha de Salomão, em todo o distrito de Dor.
12. Baana, filho de Ailud, em Tanac e Meguido, até além de Jecmam, e todo o território de Betsã, abaixo de Jezrael, desde Betsã até Bet-Meúla, perto de Sartã.
13. Um filho de Gaber, em Ramot de Galaad; também entraram em sua jurisdição as aldeias de Jair, filho de Manassés, que estão em Galaad, e a região de Argob em Basã: sessenta cidades com muralhas e trancas de bronze.
14. Ainadab, filho de Ado, em Maanaim.
15. Aquimaás, em Neftali; ele também se casou com uma filha de Salomão chamada Basemat.
16. Baana, filho de Husi, em Aser e nos rochedos.
17. Josafá, filho de Farué, em Isaacar.
18. Semei, filho de Ela, em Benjamim.
19. Gaber, filho de Uri, na região de Gad, terra de Seon, rei dos amorreus, e de Og, rei de Basã. Além desses, havia um prefeito para o território de Judá.
20. A população de Judá e Israel era numerosa como a areia da praia. E todos comiam, bebiam e viviam felizes.

[I Reis 5]I Reis 5

O POVO A SERVIÇO DO REI
1. Salomão tinha poder sobre todos os reinos, desde o rio Eufrates até a região filistéia e a fronteira do Egito. Enquanto viveu, todos lhe pagaram tributo e obedeceram.
2. Salomão recebia diariamente para o seu gasto treze toneladas e meia de flor de farinha e vinte e sete toneladas de farinha comum,
3. dez bois cevados, vinte bois de pasto, cem carneiros, além de veados, gazelas, antílopes e aves de ceva.
4. Isso porque seu poder se estendia até o outro lado do Eufrates, desde Tafsa até Gaza, sobre todos os reis do outro lado do Rio. E havia paz em todas as suas fronteiras.
5. Enquanto Salomão viveu, Judá e Israel viveram tranqüilos, cada qual debaixo de sua vinha e de sua figueira, desde Dã até Bersabéia.
6. Salomão possuía estábulos para quatro mil cavalos de tração e doze mil cavalos de montaria.
7. Os prefeitos, mencionados acima, providenciavam o sustento de Salomão e de todos os que comiam às custas do rei, cada prefeito durante um mês, de modo que nada faltasse.
8. Forneciam também cevada e palha para os cavalos de tração e de montaria, no lugar onde fosse preciso, cada qual por seu turno.

SABEDORIA DE SALOMÃO
9. Deus concedeu a Salomão sabedoria e inteligência extraordinárias, e mente aberta como as praias do mar.
10. A sabedoria de Salomão foi maior que a de todos os filhos do Oriente e maior que toda a sabedoria do Egito.
11. Foi mais sábio que qualquer pessoa: mais que Etã, o ezraíta, e mais que Emã, Calcol e Darda, filhos de Maol. Sua fama se espalhou por todas as nações vizinhas.
12. Ele compôs três mil provérbios, e mil e cinco cânticos.
13. Falou sobre plantas, desde o cedro do Líbano até o hissopo que cresce na parede. Falou também sobre animais, aves, répteis e peixes.
14. De todas as nações vinha gente para ouvir a sabedoria de Salomão. Vinham também os reis dos países onde se havia espalhado a fama da sua sabedoria.

2. UM REI CONSTRUTOR

TROCA DE BENS PRIMÁRIOS POR TECNOLOGIA
15. Hiram, rei de Tiro, tinha sido sempre aliado de Davi. Ao saber que Salomão tinha sucedido ao pai no trono, Hiram enviou uma embaixada a Salomão.
16. E Salomão enviou a seguinte mensagem a Hiram:
17. "Você sabe que meu pai Davi não pôde construir um Templo para o Nome de Javé seu Deus, por causa das guerras em que se envolveu, até que Javé lhe submeteu os inimigos debaixo de seus pés.
18. Agora, porém, Javé, meu Deus, me concedeu a paz em todo o território: não tenho inimigos nem problemas graves.
19. Por isso, resolvi construir um Templo para o Nome de Javé, meu Deus, de acordo com o que Javé disse a meu pai Davi: 'O seu filho, que porei no trono depois de você, construirá um Templo para o meu Nome'.
20. Portanto, mande que cortem cedros do Líbano. Meus operários trabalharão junto com os seus, e eu pagarei o trabalho de seus operários, conforme você determinar. Você sabe que entre nós não há ninguém que entenda de corte de madeira como os sidônios".
21. Quando Hiram ouviu o pedido de Salomão, ficou cheio de alegria, e exclamou: "Que hoje seja bendito Javé, pois ele deu a Davi um filho sábio para governar esse grande povo".
22. Em resposta, Hiram mandou esta mensagem a Salomão: "Recebi sua mensagem. Vou atender a seu desejo, mandando-lhe madeira de cedro e cipreste.
23. Meus operários descerão a madeira do Líbano até o mar, e ela seguirá para o lugar que você me indicar. Então eu a desembarcarei, e você a receberá. Em troca, você fornecerá víveres para o meu palácio, conforme eu quiser".
24. Hiram forneceu a Salomão toda a madeira de cedro e cipreste que este necessitava,
25. e Salomão pagou a Hiram nove mil toneladas de trigo para o sustento de seu palácio, e nove mil litros de azeite virgem. Era o que Salomão mandava anualmente para Hiram.
26. Javé concedeu sabedoria a Salomão, conforme lhe havia prometido. Houve bom entendimento entre Hiram e Salomão, e os dois firmaram uma aliança.
27. O rei Salomão recrutou, em todo o Israel, mão-de-obra para o trabalho forçado; conseguiu reunir trinta mil operários.
28. Mandou-os para o Líbano em turnos, dez mil a cada mês: passavam um mês no Líbano e dois meses em casa. Adoniram era o chefe dos trabalhos forçados.
29. Salomão tinha também setenta mil carregadores e oitenta mil cortadores de pedras nas montanhas,
30. sem contar os capatazes, em número de três mil e trezentos, que dirigiam os trabalhos dos operários.
31. O rei mandou extrair grandes blocos de pedra escolhida, a fim de construir os alicerces do templo.
32. Os operários de Salomão, junto com os de Hiram e os giblitas, cortaram e prepararam a madeira e a pedra para a construção do Templo.

[I Reis 6]I Reis 6

O TEMPLO, CENTRO DA VIDA RELIGIOSA
1. No ano quatrocentos e oitenta depois da saída dos israelitas do Egito, quarto do reinado de Salomão em Israel, no mês de Ziv, que é o segundo mês, Salomão começou a construir o Templo de Javé.
2. O Templo de Javé construído por Salomão media trinta metros de comprimento, dez de largura e quinze de altura.
3. O vestíbulo diante do santuário do Templo tinha dez metros no sentido da largura do Templo e cinco no sentido do seu comprimento.
4. No Templo, ele fez janelas quadradas com grades.
5. Encostado à parede do Templo, construiu um anexo rodeando o santuário e o Santíssimo, com pisos, e fez aposentos laterais ao redor.
6. De largura, o andar térreo tinha dois metros e meio; o intermediário, três metros; e o terceiro, três metros e meio. É que ele tinha feito, do lado de fora, saliências em torno do Templo, de modo que as vigas não ficavam presas nas paredes do Templo.
7. E o Templo foi construído com pedras já talhadas, de modo que durante sua construção não se ouviu barulho de martelo, de cinzel ou de qualquer outro instrumento de ferro.
8. A entrada para o andar inferior ficava no canto direito do Templo e, por meio de escadas em caracol, subia-se para o andar do meio, e deste para o andar superior.
9. Salomão terminou a construção do Templo, cobrindo-o com teto de pranchões de cedro.
10. Fez uma galeria anexa a todo o Templo, com dois metros e meio de altura, unida ao Templo por vigas de cedro.
11. Então Javé disse a Salomão:
12. "Quanto a essa casa que você está construindo, se você se comportar de acordo com os meus estatutos, e observar minhas normas e seguir meus mandamentos, eu cumprirei em seu favor a promessa que fiz a seu pai Davi:
13. habitarei entre os israelitas e não abandonarei o meu povo Israel".
14. Quando Salomão terminou as obras do Templo,
15. forrou o lado interno das paredes com placas de cedro, desde o chão até as vigas do teto; revestiu as paredes internas com madeira e cobriu o chão com tábuas de cipreste.
16. Recobriu com tábuas de cedro os dez metros, a partir do fundo do Templo, desde o chão até as vigas, e separou-os do templo para formar o Santíssimo.
17. O Templo, isto é, o santuário diante do Santíssimo, media vinte metros.
18. O cedro do interior do Templo era esculpido com flores e festões; tudo era de cedro e não se via pedra nenhuma.
19. Salomão construiu o Santíssimo no fundo do Templo, para aí colocar a arca da aliança de Javé.
20. O Santíssimo tinha dez metros de comprimento, dez metros de largura e dez de altura; e ele o revestiu de ouro puríssimo. Fez um altar de cedro
21. diante do Santíssimo, e o revestiu de ouro.
22. Revestiu de ouro o Templo inteiro, que ficou totalmente coberto de ouro.
23. Para o Santíssimo, Salomão fez dois querubins de oliveira selvagem, cada um com cinco metros de altura.
24. Cada asa do querubim media dois metros e meio, de modo que a distância era de cinco metros de uma ponta à outra das asas.
25. O segundo querubim também media cinco metros. Os dois tinham o mesmo tamanho e o mesmo formato.
26. Os dois querubins mediam cinco metros de altura cada um.
27. Os querubins foram colocados no meio da sala interior. Eles tinham as asas estendidas, de modo que a asa de um tocava uma parede, e a asa do outro tocava a outra parede, e as asas de ambos tocavam uma na outra, no meio da sala.
28. Os querubins foram revestidos de ouro.
29. Salomão mandou esculpir figuras de querubins, palmeiras e flores ao redor de todas as paredes do Templo, tanto por fora como por dentro,
30. e mandou cobrir de ouro o piso interior e exterior do Templo.
31. Salomão mandou fazer a porta do Santíssimo com vigas de oliveira selvagem. O enquadramento da porta tinha cinco ângulos,
32. e os dois batentes eram de oliveira selvagem. Nos batentes foram esculpidas figuras de querubins, palmeiras e flores, tudo recoberto de ouro. Salomão mandou recobrir de ouro os querubins e as palmeiras.
33. Também mandou fazer as portas do santuário com vigas de oliveira selvagem, com enquadramento de quatro ângulos.
34. Os dois batentes das portas eram de cipreste, com painéis giratórios em cada batente.
35. Nos batentes foram esculpidos querubins, palmeiras e flores, revestidos de ouro ajustado sobre a escultura.
36. Salomão mandou ainda construir o muro do pátio interior com três fileiras de pedra talhada e uma fileira de vigas de cedro.
37. No quarto ano, no mês de Ziv, foram lançados os alicerces do Templo. E no décimo primeiro ano, no mês de Bul, o oitavo mês, o Templo ficou concluído em todas as suas partes, conforme o projeto. Salomão levou sete anos para construir o Templo.

[I Reis 7]I Reis 7

O PALÁCIO DE SALOMÃO
1. Salomão levou treze anos para construir seu palácio e deixá-lo completamente pronto.
2. Construiu a Casa da Floresta do Líbano, que tinha cinqüenta metros de comprimento, vinte e cinco de largura e quinze de altura. Ela foi construída sobre quatro fileiras de colunas de cedro, com vigas de cedro sobre as colunas.
3. Sobre as vigas sustentadas pelas colunas, foi feito um revestimento de cedro.
4. Havia três fileiras de janelas, quarenta e cinco ao todo; ficavam quinze em cada fileira, cada uma na frente das outras, de três em três.
5. Todas as portas e janelas tinham enquadramento retangular e ficavam umas na frente das outras, de três em três.
6. Salomão construiu o pórtico das colunas com vinte e cinco metros de comprimento e quinze de largura. Além disso, fez um vestíbulo diante das colunas, com uma varanda na frente.
7. Fez o salão do trono ou da audiência, onde administrava a justiça; era revestido de cedro desde o piso até o teto.
8. Sua residência pessoal, em outro pátio atrás do pórtico, era do mesmo estilo. Salomão fez também outro palácio, parecido com esse pórtico, para a filha do Faraó, com quem se havia casado.
9. Desde o alicerce até as vigas do teto, todas as construções foram feitas de pedras escolhidas, cortadas sob medida, serradas por dentro e por fora, também do lado de fora, até o grande pátio.
10. Os alicerces eram de pedras escolhidas, em blocos de cinco por quatro metros,
11. e em cima delas pedras especiais, cortadas sob medida, e também madeira de cedro.
12. O pátio maior tinha três fileiras de pedra talhada e uma fileira de tábuas de cedro; era semelhante ao pátio interno do templo de Javé e ao vestíbulo do palácio.

ORNAMENTOS E UTENSÍLIOS DO TEMPLO
13. Salomão mandou chamar Hiram, de Tiro,
14. filho de uma viúva da tribo de Neftali, cujo pai era natural de Tiro. Hiram trabalhava o bronze, e era dotado de grande habilidade, talento e inteligência para fazer qualquer trabalho de bronze. Ele se apresentou ao rei Salomão e executou toda a obra.
15. Fundiu duas colunas de bronze, cada uma com nove metros de altura e seis de circunferência.
16. Fez dois capitéis de bronze fundido, cada um com dois metros e meio de altura, e os colocou no alto das colunas.
17. Para enfeitar os capitéis, fez dois trançados em forma de corrente, um para cada capitel.
18. Depois fez as romãs; havia duas fileiras de romãs em torno de cada trançado, para cobrir os trançados que ficavam no alto das colunas. Fez o mesmo com o segundo capitel.
19. Os capitéis, no alto das colunas que estavam no vestíbulo, tinham forma de flor de lis, medindo dois metros.
20. Além disso, esses capitéis, no alto das duas colunas, no centro que ficava por trás dos trançados, estavam enfeitados de romãs, colocadas em filas de duzentas ao redor de cada capitel.
21. Em seguida, Hiram ergueu as colunas diante do vestíbulo do santuário: ergueu a coluna do lado direito e lhe deu o nome de Firme; depois levantou a coluna do lado esquerdo e lhe deu o nome de Forte.
22. E assim terminou o trabalho das colunas.
23. Hiram fez ainda o Mar, todo de metal fundido, com cinco metros de diâmetro. Era redondo, tinha dois metros e meio de altura, e sua circunferência tinha quinze metros.
24. Por baixo da borda, em todo o redor, havia duas séries de motivos vegetais, com vinte frutas em cada metro, fundidas numa só peça com o Mar.
25. Este ficava apoiado sobre doze touros, que olhavam três para o norte, três para o oeste, três para o sul e três para o leste. O Mar se apoiava sobre esses touros, que estavam com os traseiros voltados para dentro.
26. A espessura do Mar era de oito centímetros, e sua borda tinha a forma de flor de lis. Sua capacidade era de noventa mil litros.
27. Hiram fez também dez bases de bronze para as bacias: cada uma delas media dois metros de comprimento, dois de largura e um metro e meio de altura.
28. Elas foram construídas com molduras no meio das travessas.
29. Sobre essas molduras havia leões, touros e querubins, e sobre as travessas havia um suporte; abaixo dos leões e dos touros, havia grinaldas em forma de festões.
30. Cada base tinha quatro rodas de bronze, e eixos também de bronze; seus quatro pés tinham suportes por baixo da bacia; eram de metal fundido e ficavam além de cada grinalda.
31. Seu encaixe tinha meio metro, a partir do cruzamento dos suportes até o alto; o encaixe era redondo, em forma de suporte de vaso; tinha setenta e cinco centímetros; e sobre o encaixe também havia esculturas, mas os painéis eram quadrangulares, e não redondos.
32. As quatro rodas ficavam acima das travessas. Os eixos das rodas estavam no pedestal; a altura das rodas era de setenta e cinco centímetros.
33. A forma das rodas era como de roda de carro, com eixos, aros, raios e cubos, tudo em metal fundido.
34. Havia quatro suportes nos quatro cantos de cada base: a base e seus suportes formavam uma peça única.
35. Na parte superior da base havia um suporte com vinte e cinco centímetros de altura, feito de ferro circular; no topo da base havia esteios, e os painéis formavam uma só peça com a base.
36. Sobre os painéis de cada travessa e sobre as molduras, mandou gravar querubins, leões e palmeiras dentro dos espaços livres, com grinaldas ao redor.
37. As dez bases foram fundidas com o mesmo molde, idênticas na medida e na forma.
38. Hiram fez dez bacias de bronze, cada uma com capacidade de mil e oitocentos litros, e media dois metros. Cada bacia estava montada sobre uma das dez bases.
39. Colocou cinco dessas bases do lado direito do Templo, e as outras cinco do lado esquerdo. O Mar foi colocado do lado direito do Templo, a sudoeste.
40. Hiram fez também os recipientes para cinza, as pás e as bacias para a aspersão. E terminou tudo o que o rei Salomão tinha encomendado para o Templo de Javé:
41. as duas colunas; os dois rolos dos capitéis que estavam no alto das colunas; os dois trançados para cobrir os dois rolos que estavam no alto das colunas;
42. as quatrocentas romãs para os dois trançados, ficando as romãs de cada trançado em duas fileiras;
43. as dez bases e as dez bacias;
44. o Mar, com os doze touros;
45. os recipientes para cinza, as pás e as bacias para a aspersão. Hiram fez em bronze polido todos esses objetos para o rei Salomão, para o Templo de Javé.
46. Ele os fundiu na planície do Jordão, em terra argilosa, entre Sucot e Sartã.
47. Não se pôde calcular o peso do bronze, por causa da sua enorme quantidade.
48. Salomão colocou no Templo de Javé todos os objetos que tinha mandado fazer: o altar de ouro e a mesa de ouro, com os pães oferecidos a Deus;
49. os candelabros de ouro puro, cinco à direita e cinco à esquerda, diante do Santíssimo; as flores, as lâmpadas e as tenazes de ouro;
50. as bacias, as facas, as bacias para a aspersão; as taças e os incensórios de ouro puro; os gonzos de ouro para as portas do Santíssimo e do santuário.
51. Quando foram terminadas todas as encomendas para o Templo de Javé, Salomão mandou trazer as ofertas de seu pai Davi - prata, ouro e vasos - e as colocou no tesouro do Templo de Javé.

[I Reis 8]I Reis 8

DEUS ESTÁ NO MEIO DO POVO
1. Salomão reuniu em Jerusalém os anciãos de Israel, todos os chefes das tribos e os chefes das famílias israelitas, para transportar, da Cidade de Davi, que é Sião, a Arca da aliança de Javé.
2. Todos os homens de Israel se reuniram, durante a festa, com o rei Salomão, no mês de Etanim, que é o sétimo mês.
3. Quando todos os anciãos de Israel chegaram, os sacerdotes carregaram a Arca
4. e, com a ajuda dos levitas, transportaram também a Tenda da Reunião e os utensílios sagrados que estavam na Tenda.
5. O rei Salomão, juntamente com toda a comunidade de Israel reunida com ele diante da Arca, sacrificou tantas ovelhas e bois que não foi possível contar nem calcular.
6. Os sacerdotes introduziram a Arca da aliança de Javé no seu lugar, isto é, no recinto do Templo chamado Santíssimo, sob as asas dos querubins.
7. De fato, os querubins estendiam as asas sobre o lugar da Arca, protegendo a Arca e seus varais.
8. Como os varais eram compridos, quem estava no santuário podia ver as suas extremidades, mas não dava para ver de fora. Eles estão aí até hoje.
9. Dentro da Arca não havia outra coisa, além das duas tábuas de pedra que, no Horeb, Moisés aí tinha colocado, quando Javé concluiu a aliança com os israelitas, quando eles saíram do Egito.
10. Quando os sacerdotes saíram do santuário, a Nuvem encheu o Templo de Javé,
11. e os sacerdotes não puderam continuar o seu serviço, por causa da Nuvem: a glória de Javé encheu o Templo.
12. Então Salomão disse: "Javé escolheu habitar a Nuvem escura.
13. Eu construí para ti um Templo, uma casa onde habitarás para sempre".

DEUS PROTEGE O PODER POLÍTICO?
14. O rei voltou-se e abençoou toda a assembléia de Israel. E todos permaneceram em pé.
15. Então o rei disse: "Seja bendito Javé, o Deus de Israel, que realizou com a mão o que a sua boca havia prometido a meu pai Davi:
16. 'Desde o dia em que tirei do Egito o meu povo Israel, não escolhi nenhuma cidade dentre todas as tribos de Israel, a fim de construir aí um Templo para o meu Nome, mas escolhi Davi para governar o meu povo Israel'.
17. Meu pai Davi queria construir aí um Templo para o Nome de Javé, o Deus de Israel.
18. Javé, porém, disse a meu pai Davi: 'Você está querendo construir um Templo para o meu Nome, e faz muito bem querendo isso.
19. Contudo, não é você quem vai construir o Templo, mas o seu filho, saído de suas entranhas, ele é quem vai construir o Templo para o meu Nome'.
20. E Javé realizou a promessa que havia feito: sucedi a meu pai Davi e subi ao trono de Israel, como Javé havia prometido, e construí o Templo para o Nome de Javé, o Deus de Israel.
21. E no Templo eu escolhi um lugar para a Arca, onde se acha a aliança que Javé fez com nossos antepassados, quando os tirou da terra do Egito".
22. Salomão ficou em pé diante do altar de Javé, na presença de toda a assembléia de Israel. Estendeu as mãos para o céu,
23. e disse: "Javé, Deus de Israel, não existe nenhum deus como tu, seja lá no alto do céu, seja cá embaixo na terra. Tu és fiel à aliança e ao amor para com teus servos que caminham de todo o coração na tua presença.
24. Cumpriste a promessa que havias feito ao teu servo Davi, meu pai, e o que prometeste com a boca, hoje realizaste com a mão.
25. Agora, Javé, Deus de Israel, mantém a promessa que fizeste a teu servo Davi, meu pai: 'Nunca faltará para você, diante de mim, um descendente no trono de Israel, contanto que seus filhos saibam se comportar, vivendo de acordo comigo, assim como você viveu'.
26. Agora, portanto, ó Deus de Israel, confirma a promessa que fizeste a teu servo Davi, meu pai.
27. Será possível que Deus habite na terra? Se não cabes no céu e no mais alto dos céus, muito menos neste Templo que construí.
28. Atende à oração e à súplica do teu servo, ó Javé meu Deus! Ouve o clamor e a prece que teu servo faz hoje diante de ti.
29. Que teus olhos fiquem abertos dia e noite sobre este Templo, sobre este lugar onde quiseste que teu Nome habitasse. Ouve a prece que teu servo fará neste lugar".

CONVERTER-SE PARA TER UMA NOVA HISTÓRIA
30. "Ouve as súplicas do teu servo e do teu povo Israel, quando rezarem neste lugar. Escuta de tua morada no céu. Escuta e perdoa.
31. Quando alguém pecar contra o seu próximo e, porque lhe tiverem exigido um juramento imprecatório, vier para jurar diante do teu altar neste Templo,
32. escuta do céu e age. Julga os teus servos: condena o culpado, dando-lhe o que merece, e absolve o inocente, tratando-o conforme a justiça dele.
33. Quando teu povo Israel for derrotado pelo inimigo por ter pecado contra ti, se ele se converter, confessar-se ao teu Nome, rezar e suplicar a ti neste Templo,
34. escuta do céu, perdoa o pecado do teu povo Israel, e faze com que ele volte para a terra que deste a seus antepassados.
35. Quando o céu se fechar e não cair chuva, por terem pecado contra ti, se eles rezarem neste lugar, se confessarem ao teu Nome e se arrependerem de seu pecado, porque os afligiste,
36. escuta do céu, perdoa o pecado do teu servo e do teu povo Israel, mostrando-lhe o bom caminho que devem seguir, e rega com a chuva a terra que deste como herança ao teu povo.
37. Quando o país sofrer fome, peste, mela e ferrugem; quando vierem gafanhotos e pulgões; quando o inimigo deste povo cercar uma de suas cidades; quando acontecer alguma calamidade ou epidemia;
38. seja qual for a oração ou súplica de qualquer um do teu povo Israel, que sinta remorso de consciência; se ele erguer as mãos para este Templo,
39. escuta do céu onde moras, perdoa e age. Paga a cada um conforme o seu comportamento, pois conheces o coração; és o único que conhece o coração de todos.
40. Desse modo, eles te respeitarão, enquanto viverem na terra que deste aos nossos antepassados.
41. Se o estrangeiro, que não pertence ao teu povo Israel, também vier de uma terra distante por causa do teu Nome,
42. pois ouvirão falar do teu grande Nome, de tua mão forte e de teu braço estendido, se ele vier para orar neste Templo,
43. escuta do céu onde moras, e atende a todos os pedidos do estrangeiro. Assim, todos os povos da terra reconhecerão o teu Nome e temerão a ti, como faz o teu povo Israel. Eles saberão que o teu Nome é invocado neste Templo que eu construí.
44. Se o teu povo sair para guerrear contra os inimigos, e se no caminho em que o mandares ele rezar para ti, voltado para a cidade que escolheste e para o Templo que construí para o teu Nome,
45. escuta do céu a sua oração e súplica, e faze justiça para ele.
46. Quando os israelitas pecarem contra ti, pois não há ninguém que não peque, e tu ficares irritado contra eles, entregando-os ao inimigo, e então eles forem levados como cativos pelos vencedores para uma terra inimiga, distante ou próxima;
47. se nessa terra onde estiverem cativos, eles caírem em si e, na terra dos vencedores, suplicarem: 'Nós pecamos, agimos mal e nos pervertemos';
48. se eles se voltarem para ti de todo o coração e de toda a alma, na terra em que os inimigos os tiverem exilado; se rezarem a ti voltados para a terra que deste aos seus antepassados, para a cidade que escolheste e para o Templo que construí para o teu Nome,
49. escuta do céu onde moras, escuta a oração e súplica deles, e faze justiça para com eles.
50. Perdoa ao teu povo que pecou contra ti, perdoa todas as suas revoltas contra ti, e faze que ele encontre a benevolência dos vencedores, e que estes usem de compaixão para com ele,
51. porque é o teu povo e a tua herança, que tiraste do Egito, do meio da fornalha de ferro.
52. Que teus olhos estejam abertos para as súplicas do teu servo e do teu povo Israel, para ouvires todos os pedidos que eles fizerem a ti.
53. De fato, Senhor Javé, tu os separaste como tua herança entre todos os povos da terra, como disseste através de teu servo Moisés, quando tiraste do Egito os nossos antepassados!"
54. Quando Salomão acabou de dirigir a Javé toda essa oração e súplica, levantou-se diante do altar de Javé, no lugar em que estava ajoelhado e de mãos erguidas para o céu.
55. Ficou em pé e abençoou toda a assembléia de Israel em voz alta:
56. "Javé seja bendito! Ele concedeu descanso para o seu povo Israel, conforme havia prometido. Não falhou nenhuma das boas promessas que tinha feito através do seu servo Moisés.
57. Javé nosso Deus esteja conosco, assim como esteve com nossos antepassados. Que ele não nos abandone, nem nos rejeite.
58. Que ele faça nossos corações se voltarem para ele, a fim de andarmos em seus caminhos e obedecermos aos seus mandamentos, estatutos e normas, que ele ordenou aos nossos antepassados.
59. Que essas súplicas por mim dirigidas a Javé estejam dia e noite presentes diante de Javé, o nosso Deus, para que ele faça justiça ao seu servo e ao seu povo Israel, conforme as necessidades de cada dia.
60. Assim, todos os povos da terra saberão que só Javé é Deus e que não há nenhum outro.
61. Que o coração de vocês seja íntegro para com Javé nosso Deus, observando seus estatutos e obedecendo aos seus mandamentos, como vocês fazem hoje".
62. O rei, junto com todo o Israel, ofereceu sacrifícios diante de Javé.
63. Salomão ofereceu sacrifícios, e foram sacrifícios de comunhão que ele ofereceu a Javé: vinte e dois mil bois e cento e vinte mil ovelhas. Desse modo, o rei e todos os israelitas inauguraram o Templo de Javé.
64. Nesse mesmo dia, o rei consagrou o interior do pátio que fica diante do Templo de Javé: aí ofereceu o holocausto, a oblação, as gorduras do sacrifício de comunhão, porque o altar de bronze que estava diante de Javé era muito pequeno para conter o holocausto, a oblação e as gorduras do sacrifício de comunhão.
65. Nessa ocasião, Salomão celebrou a festa, e todo o Israel com ele, durante sete dias: houve uma grande assembléia diante de Javé, o nosso Deus, com gente que veio desde a entrada de Emat até a torrente do Egito.
66. No oitavo dia, ele despediu o povo. E todos abençoaram o rei e voltaram para suas tendas, alegres e de coração contente por tudo de bom que Javé havia feito para o seu servo Davi e para o seu povo Israel.

[I Reis 9]I Reis 9

A CONTINUIDADE DEPENDE DA FIDELIDADE
1. Salomão acabou de construir o Templo de Javé, o palácio real, e tudo o que pretendia construir.
2. Então Javé lhe apareceu pela segunda vez, como havia aparecido em Gabaon,
3. e lhe disse: "Ouvi a oração e súplica que você me fez. Consagrei este Templo, que você construiu, para que seja a morada do meu nome para sempre: os meus olhos e o meu coração estarão aí todos os dias.
4. Se você se comportar diante de mim como seu pai Davi, de coração íntegro e reto, fazendo tudo como eu ordenei e obedecendo aos meus estatutos e normas,
5. eu manterei firme para sempre o seu trono real em Israel, como prometi ao seu pai Davi, dizendo: 'Haverá sempre alguém da sua família para se assentar no trono de Israel'.
6. Ao contrário, se vocês e seus filhos me abandonarem, não obedecendo aos meus mandamentos e estatutos que lhes dei, indo servir a outros deuses e prostrando-se diante deles,
7. então eu arrancarei Israel da terra que lhes dei; afastarei para longe de mim este Templo que consagrei para o meu Nome, e Israel será motivo de riso e chacota entre os povos;
8. então, este Templo, que é tão grandioso, se tornará motivo de espanto para os que por aí passarem. Eles vão assobiar e dizer: 'Por que Javé fez isso com essa terra e esse Templo?'
9. E responderão: 'Foi porque eles abandonaram Javé seu Deus, que tirou seus antepassados da terra do Egito. Eles aderiram a outros deuses, prostrando-se diante deles e servindo-os. Foi por isso que Javé seu Deus mandou sobre eles toda essa desgraça' ".

QUEM PAGA TUDO ISSO?
10. Durante vinte anos, Salomão construiu os dois edifícios, o Templo de Javé e o palácio real.
11. E Hiram, rei de Tiro, forneceu a Salomão madeira de cedro, cipreste e todo o ouro que este quis. Quando terminou as construções, o rei Salomão deu a Hiram vinte cidades no território da Galiléia.
12. Hiram saiu de Tiro para ver as cidades que Salomão lhe havia dado e não gostou delas.
13. E protestou: "Meu irmão, que cidades são essas que você me deu?" E apelidou essas cidades de Terra de Cabul. E até hoje elas têm esse nome.
14. E Hiram enviou ao rei Salomão quatro mil quilos de ouro.
15. É o seguinte o relatório sobre os trabalhos forçados que o rei Salomão usou para construir o Templo de Javé, seu palácio, o aterro, a muralha de Jerusalém, Hasor, Meguido, Gazer (
16. o Faraó, rei do Egito, tinha feito uma expedição e se apossara de Gazer, incendiando-a e massacrando os cananeus que aí habitavam; depois deu Gazer como dote para a sua filha, esposa de Salomão,
17. o qual a reconstruiu), Bet-Horon Inferior,
18. Baalat, Tamar, no deserto,
19. as cidades entrepostos que lhe pertenciam, as cidades para guardar os carros e cavalos, e tudo quanto ele julgou necessário construir em Jerusalém, no Líbano e nos países que lhe estavam submissos.
20. Toda a população que restava dos amorreus, heteus, ferezeus, heveus e jebuseus, que não eram israelitas,
21. os filhos deles que ficaram no país e que os israelitas não haviam consagrado ao extermínio, Salomão os recrutou para os trabalhos forçados até hoje.
22. Salomão, porém, não reduziu os israelitas à escravidão, mas estavam a seu serviço como soldados, funcionários, chefes, escudeiros, comandantes de carros e de cavalaria.
23. Havia quinhentos e cinqüenta chefes de inspetores que dirigiam os trabalhos de Salomão; eles dirigiam o pessoal que realizava os trabalhos.
24. Salomão construiu o aterro logo depois que a filha do Faraó se mudou da Cidade de Davi para o palácio que ele construiu para ela.
25. Três vezes ao ano, Salomão oferecia holocaustos e sacrifícios de comunhão sobre o altar que tinha construído para Javé. Ele queimava incenso diante de Javé e conservava o Templo em bom estado.

3. UM REI COMERCIANTE

COMÉRCIO DE LUXO
26. O rei Salomão construiu uma frota em Asiongaber, perto de Elat, às margens do mar Vermelho, no país de Edom.
27. Hiram enviou seus servos marinheiros, que conheciam bem o mar, para os navios junto com os servos de Salomão.
28. Chegaram a Ofir e daí trouxeram catorze mil quilos de ouro, que entregaram ao rei Salomão.

[I Reis 10]I Reis 10

RELAÇÕES DIPLOMÁTICAS DISPENDIOSAS
1. A rainha de Sabá ouviu falar da fama de Salomão e foi submeter o rei à prova por meio de enigmas.
2. Chegou a Jerusalém com uma imponente comitiva de camelos carregados de perfume, muito ouro e pedras preciosas. Apresentou-se a Salomão e lhe propôs tudo o que pensava.
3. Salomão, porém, soube responder a todas as suas perguntas; não houve uma só questão demasiado difícil que o rei não pudesse resolver.
4. A rainha de Sabá ficou assombrada ao ver a sabedoria de Salomão, o palácio que havia construído,
5. as iguarias de sua mesa, a corte sentada, os serviços e uniformes dos empregados, as bebidas, os holocaustos que Salomão oferecia no Templo de Javé.
6. Então ela disse ao rei: "É verdade tudo o que ouvi na minha terra sobre você e sua sabedoria.
7. Eu não queria acreditar no que diziam antes de vir para ver com meus próprios olhos. O que me contaram não é nem a metade: sua sabedoria e riqueza são muito maiores do que eu tinha ouvido.
8. Sua gente e seus servos é que são felizes: podem desfrutar continuamente de sua presença e aprender de sua sabedoria!
9. Seja bendito Javé, o seu Deus, que foi benevolente e o colocou sobre o trono de Israel. Javé ama Israel para sempre, e é por isso que ele o nomeou rei, a fim de que você exerça o direito e a justiça".
10. Então a rainha de Sabá deu ao rei quatro toneladas de ouro, grande quantidade de perfumes e de pedras preciosas. Nunca houve tantos perfumes como os que a rainha de Sabá trouxe para o rei Salomão.
11. Por sua vez, a frota de Hiram, que tinha trazido ouro de Ofir, trouxe também grande quantidade de madeira de sândalo e pedras preciosas.
12. Com o sândalo, Salomão fez balaustradas para o Templo de Javé e para o palácio real, cítaras e harpas para os cantores. Nunca mais chegou madeira de sândalo como essa, e nunca mais se viu dela até hoje.
13. Em troca, o rei Salomão ofereceu à rainha de Sabá tudo o que ela quis e pediu, além do que o próprio rei a presenteou com grandiosidade. Depois a rainha de Sabá partiu e voltou com sua comitiva para a sua terra.

O FASCÍNIO QUE HIPNOTIZA
14. O ouro que Salomão recebia anualmente pesava vinte e três mil quilos,
15. sem contar o que recebia de tributo dos mercadores e do lucro dos comerciantes, dos reis da Arábia e dos governadores do país.
16. O rei Salomão fez duzentos escudos grandes de ouro batido, gastando seis quilos e meio em cada escudo;
17. trezentos pequenos escudos de ouro batido, gastando meio quilo de ouro em cada um deles, e os colocou no salão chamado Floresta do Líbano.
18. O rei fez também um grande trono de marfim, recoberto de ouro puro.
19. O trono tinha seis degraus, com encosto arredondado na parte de cima, braços de cada lado do assento, dois leões em pé perto dos braços,
20. e doze leões colocados em cada lado dos seis degraus. Nunca se havia feito coisa igual em nenhum reino.
21. Todas as taças que o rei Salomão usava para beber eram de ouro, e toda a baixela do salão da Floresta do Líbano era também de ouro puro. Não se fazia nada em prata, que não tinha valor no tempo de Salomão.
22. De fato, o rei tinha no mar uma frota de grandes navios, junto com a frota de Hiram, e a cada três anos chegavam os navios carregados de ouro, prata, marfim, macacos e pavões.
23. E o rei Salomão superou em riqueza e sabedoria todos os reis da terra.
24. Todo mundo queria visitar Salomão, para aprender a sabedoria que Deus lhe havia dado.
25. Cada um trazia seus presentes: vasilhas de prata e ouro, roupas, armas e aromas, cavalos e mulas.

A QUEM SERVE O APARATO MILITAR?
26. Salomão reuniu também carros e cavaleiros: tinha mil e quatrocentos carros e doze mil cavaleiros, que ficavam nas cidades dos carros e junto do rei em Jerusalém.
27. Salomão fez com que a prata fosse tão comum em Jerusalém como as pedras, e os cedros como os sicômoros da Planície.
28. Os cavalos de Salomão eram importados do Egito e da Cilícia, onde os mercadores do rei os compravam com pagamento à vista.
29. Cada carro era importado do Egito por seis quilos e meio de prata, e cada cavalo por um quilo e meio. Os cavalos eram exportados, nas mesmas condições, para os reis dos heteus e os reis de Aram.

[I Reis 11]4. UM REI LOUCO

I Reis 11

IDOLATRIA, FONTE DE CORRUPÇÃO
1. Além da filha do Faraó, o rei Salomão amou muitas mulheres estrangeiras: moabitas, amonitas, edomitas, sidônias e hetéias.
2. Essas mulheres pertenciam àquelas nações, das quais Javé tinha dito aos israelitas: "Vocês não entrarão em contato com elas, nem elas entrarão em contato com vocês. Do contrário, elas acabarão desviando o coração de vocês para os deuses delas". Salomão, porém, se enamorou perdidamente por elas:
3. teve setecentas esposas e trezentas concubinas.
4. Quando ficou velho, as mulheres desviaram o coração dele para os deuses estrangeiros. E o coração de Salomão já não pertencia inteiramente a Javé seu Deus como o coração de seu pai Davi.
5. Salomão seguiu Astarte, deusa dos sidônios, e Melcom, ídolo dos amonitas.
6. Fez o que Javé reprova, e não foi plenamente fiel a Javé, como seu pai Davi.
7. Salomão construiu um santuário para Camos, ídolo dos moabitas, no monte a leste de Jerusalém, e um santuário para Melcom, ídolo dos amonitas.
8. Fez o mesmo para suas mulheres estrangeiras, que queimavam incenso e ofereciam sacrifícios aos deuses delas.
9. Javé ficou irritado contra Salomão, porque este havia desviado o seu coração para longe de Javé, o Deus de Israel, que lhe tinha aparecido duas vezes
10. e havia proibido expressamente que Salomão seguisse outros deuses. Salomão, porém, não obedeceu ao que Javé lhe tinha ordenado.
11. Então Javé disse a Salomão: "Você está se comportando assim e não observa minha aliança e as ordens que lhe dei. Pois bem! Vou tirar-lhe o reino e entregá-lo a um de seus servos.
12. Não farei isso enquanto você estiver vivo, em consideração a seu pai Davi. Eu arrancarei o reino da mão de seu filho.
13. Não tirarei o reino todo; deixarei a seu filho uma tribo, em consideração a meu servo Davi e a Jerusalém, a cidade que escolhi".

VASSALOS QUE SE TORNAM INIMIGOS
14. Javé fez surgir um adversário contra Salomão; era Adad, o edomita, da família real de Edom.
15. Depois que Davi derrotou Edom, aconteceu que Joab, chefe do exército, foi enterrar os mortos e matou todos os homens de Edom.
16. Joab e o exército israelita ficaram aí durante seis meses, até acabar com todos os homens de Edom.
17. Adad, porém, conseguiu fugir para o Egito com alguns edomitas, servos de seu pai. Adad era ainda criança.
18. Partindo de Madiã, eles chegaram a Farã, aí juntaram alguns homens, foram para o Egito e se apresentaram ao Faraó, rei do Egito. O Faraó deu a Adad uma casa, víveres e um terreno.
19. Adad ganhou a simpatia do Faraó, que lhe deu como esposa a sua cunhada, irmã da primeira dama, a rainha Táfnis.
20. A mulher de Adad lhe deu um filho, Genubat, e Táfnis o educou no palácio do Faraó, de modo que Genubat morava no palácio junto com os filhos do Faraó.
21. No Egito, Adad ouviu dizer que Davi tinha morrido e que Joab, chefe do exército, também estava morto. Então pediu ao Faraó: "Deixe-me voltar para a minha terra".
22. O Faraó perguntou: "Você quer voltar para a sua terra? Está lhe faltando alguma coisa aqui em casa?" Adad respondeu: "Não está faltando nada, mas deixe-me partir".
25b. Adad reinou em Edom, e não deixou Israel em paz.
23. Javé fez surgir contra Salomão outro inimigo: era Razon, filho de Eliada, que tinha fugido do seu senhor Adadezer, rei de Soba.
24. Razon reuniu-se com outros homens e tornou-se chefe de um bando. Quando Davi os dizimou, Razon foi para Damasco, onde se estabeleceu, e se tornou rei de Damasco.
25a. Razon foi adversário de Israel durante todo o reinado de Salomão.

DESCONTENTAMENTO POPULAR
26. Jeroboão, filho de Nabat, era um efraimita de Sareda, e sua mãe era uma viúva chamada Sarva. Jeroboão estava a serviço de Salomão e se revoltou contra o rei,
27. pelo seguinte motivo: Salomão estava construindo o aterro para tapar a brecha da Cidade de Davi, seu pai.
28. Jeroboão era homem valente e forte. Salomão, vendo que o jovem trabalhava bem, o nomeou capataz dos trabalhos forçados da casa de José.
29. Certo dia, Jeroboão estava saindo de Jerusalém e encontrou-se no caminho com o profeta Aías de Silo, que vestia um manto novo. Os dois estavam sozinhos no campo.
30. Aías pegou seu manto novo, o rasgou em doze pedaços,
31. e disse a Jeroboão: "Pegue dez pedaços para você, porque assim diz Javé, o Deus de Israel: 'Vou arrancar o reino das mãos de Salomão e vou dar dez tribos para você.
32. Ele ficará com uma tribo, em consideração para com meu servo Davi e para com Jerusalém, a cidade que escolhi dentre todas as tribos de Israel.
33. Isso porque Salomão me abandonou para adorar Astarte, deusa dos sidônios, Camos, deus de Moab, e Melcom, deus dos amonitas. Ele não andou em meus caminhos para praticar o que eu aprovo; não observou meus estatutos e normas, como fez o seu pai Davi.
34. Contudo, não tirarei da mão dele nenhuma parte do reino, pois o tornei chefe por todo o tempo de sua vida, em consideração ao meu servo Davi, a quem escolhi, e que observou meus mandamentos e estatutos.
35. É do filho dele que eu vou tirar o reino, e vou dar dez tribos para você.
36. Deixarei para o filho dele uma tribo, para que o meu servo Davi tenha sempre uma lâmpada diante de mim, em Jerusalém, a cidade que escolhi para aí colocar o meu Nome.
37. Quanto a você, eu o escolherei para reinar sobre o que você quiser. E você vai ser o rei de Israel.
38. Se você obedecer a tudo o que eu mandar, se seguir os meus caminhos e fizer o que eu aprovo; se observar meus estatutos e mandamentos, como fez meu servo Davi, então eu estarei com você, e construirei para você uma dinastia estável, assim como fiz para Davi. A você eu entregarei Israel
39. e, por causa disso, humilharei a descendência de Davi, mas não para sempre' ".
40. Salomão tentou matar Jeroboão. Mas Jeroboão fugiu para o Egito, onde reinava Sesac, rei do Egito. E ficou no Egito até a morte de Salomão.

MORTE DE SALOMÃO
41. O resto da história de Salomão, com todos os seus feitos e a sua sabedoria, tudo está escrito no Livro da História de Salomão.
42. E Salomão reinou em Jerusalém, sobre todo o Israel, durante quarenta anos.
43. Depois Salomão morreu e foi enterrado com seus antepassados, na Cidade de Davi, seu pai. E seu filho Roboão lhe sucedeu no trono.

[I Reis 12]III. O REINO DIVIDIDO

I Reis 12

REVOLTA APROVADA POR JAVÉ
1. Roboão foi para Siquém, pois todo o Israel para aí se havia dirigido, a fim de proclamá-lo rei.
2. Jeroboão, filho de Nabat, soube da notícia quando ainda estava no Egito, porque havia fugido do rei Salomão e morava no Egito.
3. Mandaram chamar Jeroboão, e ele também foi com toda a assembléia de Israel. Então disseram a Roboão:
4. "Seu pai nos impôs um fardo pesado. Se você nos aliviar da dura escravidão e do fardo pesado que ele nos impôs, nós serviremos a você".
5. Roboão respondeu: "Vão e voltem ao meu encontro daqui a três dias". Então o povo se dispersou.
6. O rei Roboão pediu conselho aos anciãos que serviam a seu pai Salomão, quando este ainda vivia. E lhes perguntou: "Como é que vocês me aconselham a responder para esse povo?"
7. Eles disseram: "Se hoje você se colocar a serviço desse povo, se você o servir, e se você responder para eles com boas palavras, então eles se colocarão para sempre a seu serviço".
8. Roboão, porém, desprezou o conselho dos anciãos e foi aconselhar-se com os jovens que haviam crescido junto com ele e que o serviam.
9. E lhes perguntou: "O que é que vocês me aconselham a responder para esse povo que me disse: 'Alivie-nos do jugo que seu pai nos impôs'?"
10. Os jovens, que haviam crescido com ele, disseram: "Para esse povo que falou: 'Seu pai tornou pesado o nosso fardo; alivie esse fardo que pesa sobre nós', você responderá: 'Meu dedo mínimo é mais grosso do que a cintura de meu pai.
11. Meu pai colocou sobre vocês um fardo pesado, mas eu aumentarei ainda mais esse fardo. Meu pai castigou vocês com chicotes, e eu castigarei vocês com ferrões' ".
12. Como o rei lhes havia dito que voltassem depois de três dias, Jeroboão e todo o povo foram ao encontro de Roboão no terceiro dia.
13. O rei então respondeu duramente ao povo. Desprezando o conselho que os anciãos lhe haviam dado,
14. falou conforme o conselho dos jovens: "Meu pai colocou sobre vocês um fardo pesado. Pois bem! Eu aumentarei sobre vocês esse fardo! Meu pai castigou vocês com chicotes, e eu castigarei vocês com ferrões".
15. O rei não deu ouvidos ao povo. Foi a maneira usada por Javé para realizar o que dissera a Jeroboão, filho de Nabat, por meio de Aías de Silo.
16. Todo o Israel viu que o rei não lhe dava atenção. Por isso o povo retrucou: "O que temos nós com Davi? Não temos herança com o filho de Jessé. Volte para as suas tendas, Israel. Agora, cuide de sua casa, Davi!" E daí Israel voltou para as suas tendas.
17. Quanto aos israelitas que moravam nas cidades de Judá, continuaram submetidos a Roboão.
18. Então o rei Roboão enviou Adoniram, chefe dos trabalhos forçados, mas todo o Israel o apedrejou, e ele morreu. O rei Roboão conseguiu subir no seu carro e fugiu para Jerusalém.
19. E Israel se revoltou contra a casa de Davi, até o dia de hoje.
20. Ao saber que Jeroboão tinha voltado, mandaram chamá-lo para a assembléia, e o proclamaram rei sobre todo o Israel. Somente a tribo de Judá seguiu a casa de Davi.
21. Roboão foi para Jerusalém e reuniu toda a casa de Judá e a tribo de Benjamim: cento e oitenta mil guerreiros. Era para lutar contra a casa de Israel e restituir o reino a Roboão, filho de Salomão.
22. Então a palavra de Deus foi dirigida a Semeías, homem de Deus:
23. "Diga a Roboão, filho de Salomão, rei de Judá, a toda a casa de Judá e de Benjamim, e ao resto do povo:
24. 'Assim diz Javé: Não subam para lutar contra seus irmãos israelitas. Volte cada um para a sua casa, porque tudo o que aconteceu foi por minha decisão' ". Eles obedeceram à palavra de Javé e regressaram, conforme a palavra de Javé.

NOVA IDENTIDADE POLÍTICO-RELIGIOSA
25. Jeroboão fortificou Siquém, na região montanhosa de Efraim, e aí residiu. Depois saiu daí e fortificou Fanuel.
26. Jeroboão pensou: "Agora o reino poderá voltar para a casa de Davi.
27. Se este povo for oferecer sacrifícios no Templo de Javé em Jerusalém, o seu coração se voltará para o seu senhor Roboão, rei de Judá. Eles acabarão me matando e voltando para Roboão, rei de Judá".
28. Então Jeroboão teve a idéia de fazer dois bezerros de ouro. E disse ao povo: "Vocês já foram demais a Jerusalém. Israel, aqui está o seu Deus, aquele que tirou você da terra do Egito".
29. Colocou um dos bezerros em Betel e instalou o outro em Dã. Isso foi causa de pecado.
30. O povo foi em procissão diante do bezerro até Dã.
31. Jeroboão fez santuários nos lugares altos, e estabeleceu como sacerdotes pessoas tiradas do povo, que não eram levitas.
32. Jeroboão celebrou também uma festa no dia quinze do oitavo mês, como se celebrava em Judá, e subiu ao altar. Fez isso em Betel, para oferecer sacrifícios aos bezerros que tinha fabricado, e estabeleceu em Betel sacerdotes dos lugares altos que ele mesmo havia instituído.
33. Subiu ao altar que tinha feito em Betel no dia quinze do oitavo mês, data que escolheu arbitrariamente. Ele instituiu uma festa para os israelitas e subiu ao altar para queimar incenso.

[I Reis 13]I Reis 13

JUSTIFICAÇÃO DA REFORMA DE JOSIAS
1. Quando Jeroboão estava junto ao altar queimando incenso, chegou de Judá a Betel um homem de Deus, mandado por Javé.
2. Ele gritou contra o altar esta ordem de Javé: "Altar, altar! Assim diz Javé: Um filho vai nascer na casa de Davi, e se chamará Josias. Ele vai oferecer em sacrifício, sobre você, os sacerdotes dos lugares altos que queimam incenso sobre você. Ossos humanos serão queimados sobre você!"
3. Nesse dia, o homem deu um sinal, dizendo: "Este é o sinal que Javé apresenta: o altar vai rachar, e a cinza que está sobre ele se esparramará".
4. Ao ouvir as palavras que o homem de Deus gritava contra o altar de Betel, o rei Jeroboão estendeu o braço, que tinha posto sobre o altar, e disse: "Prendam esse homem!" Mas o braço estendido ficou paralisado, e ele não conseguia abaixá-lo.
5. O altar rachou e a cinza do altar se espalhou, conforme o sinal que o homem de Deus tinha dado por ordem de Javé.
6. Então o rei suplicou ao homem de Deus: "Por favor, acalme Javé, o seu Deus. Peça por mim, para que eu recupere o movimento do braço!" Então o homem de Deus acalmou Javé, e o rei recuperou o movimento do braço, que ficou como antes.
7. O rei disse então ao homem de Deus: "Venha comigo até o meu palácio e se alimente. Eu lhe darei um presente".
8. O homem de Deus respondeu ao rei: "Mesmo que você me desse a metade do seu palácio, eu não iria com você. Não comerei nem beberei nada neste lugar,
9. pois a palavra de Javé me ordenou que eu não coma nem beba nada, e que eu não retorne pelo mesmo caminho pelo qual vim".
10. E o homem de Deus foi embora por outro caminho, e não pegou o mesmo caminho que tinha usado para chegar a Betel.
11. Um velho profeta morava em Betel. Seus filhos foram e lhe contaram tudo o que o homem de Deus havia feito nesse dia em Betel; contaram também ao pai as palavras que o homem havia dito ao rei.
12. O pai disse para eles: "Qual é o caminho que ele tomou?" Os filhos mostraram ao pai o caminho que o homem de Deus, vindo de Judá, tinha seguido.
13. O profeta ordenou aos filhos: "Selem o jumento para mim". Selaram então o jumento. Ele montou,
14. foi à procura do homem de Deus e o encontrou sentado debaixo de uma árvore. E lhe perguntou: "Você é o homem de Deus que veio de Judá?" O homem respondeu: "Sim".
15. Então ele disse ao homem: "Vamos comigo para a minha casa, e aí você se alimentará".
16. Ele respondeu: "Eu não posso voltar com você nem ir à sua casa. Eu não posso comer nem beber nada neste lugar,
17. porque a palavra de Javé me ordenou que eu não coma nem beba nada aqui, e que eu não retorne pelo mesmo caminho pelo qual vim".
18. O profeta disse ao homem de Deus: "Eu também sou profeta como você, e um anjo me trouxe uma palavra de Javé, dizendo: 'Faça com que ele vá até a sua casa para comer e beber' ". No entanto, ele estava mentindo.
19. O homem de Deus voltou, comeu e bebeu na casa dele.
20. Quando eles estavam fazendo a refeição, a palavra de Javé foi dirigida ao profeta que tinha feito o homem voltar.
21. Ele gritou ao homem de Deus que tinha vindo de Judá: "Assim diz Javé: Porque você transgrediu a ordem de Javé e não obedeceu ao mandamento que Javé seu Deus lhe ordenou,
22. voltando para comer e beber neste lugar que ele havia proibido a você de comer e beber, o seu cadáver não entrará no túmulo de seus pais".
23. Depois de ter comido e bebido, o velho profeta selou o jumento do profeta que ele tinha feito voltar, e este foi embora.
24. No caminho, encontrou um leão que o matou. O cadáver dele ficou aí jogado no caminho, enquanto o jumento permaneceu parado de um lado do cadáver e o leão do outro lado.
25. Alguns homens, que passaram por aí, viram o cadáver jogado no caminho e o leão ao lado do cadáver. Eles foram e contaram, na cidade onde morava o velho profeta, tudo o que tinham visto.
26. Ao saber disso, o profeta que o havia feito voltar, disse: "Deve ser o homem de Deus que desobedeceu à ordem de Javé. E Javé o entregou ao leão, que o matou e dilacerou, como Javé havia predito".
27. Então ordenou a seus filhos: "Selem o jumento para mim". E os filhos selaram.
28. O profeta partiu e encontrou o cadáver estendido no caminho, com o jumento e o leão ao lado; o leão não tinha devorado o cadáver, nem dilacerado o jumento.
29. O profeta ergueu o cadáver do homem de Deus, o acomodou sobre o jumento e o conduziu para a cidade onde morava, para fazer o funeral e enterrá-lo.
30. Colocou no seu próprio túmulo o cadáver, e cantou a lamentação: "Ai, meu irmão!"
31. Depois de o ter enterrado, o profeta disse a seus filhos: "Quando eu morrer, me enterrem na sepultura onde está enterrado esse profeta. Coloquem meus ossos ao lado dos ossos dele,
32. porque certamente vai se cumprir a maldição que ele gritou, por ordem de Javé, contra o altar de Betel e contra todos os santuários dos lugares altos, que estão nas cidades da Samaria".
33. Apesar disso, Jeroboão não se converteu do seu mau comportamento; continuou nomeando homens do povo como sacerdotes dos lugares altos. Qualquer um que quisesse, ele o consagrava sacerdote dos lugares altos.
34. Esse comportamento fez cair em pecado a dinastia de Jeroboão e provocou sua ruína e o extermínio do país.

[I Reis 14]IV. HISTÓRIA DOS DOIS REINOS

I Reis 14

SOMBRAS SOBRE O REINADO DE JEROBOÃO
1. Nessa época, Abias, filho de Jeroboão, ficou doente.
2. E Jeroboão disse à sua mulher: "Vamos, coloque um disfarce para que não reconheçam que você é a esposa de Jeroboão. Vá até Silo, onde está o profeta Aías. Ele me profetizou que eu seria rei deste povo.
3. Leve dez pães, roscas e um pote de mel, e apresente-se a ele. Então ele dirá o que vai acontecer ao menino".
4. A mulher de Jeroboão assim fez. Foi para Silo e se apresentou na casa de Aías. Ora, Aías estava quase cego e tinha os olhos meio apagados por causa da velhice.
5. Javé, porém, lhe tinha dito: "A esposa de Jeroboão virá aqui para pedir a você um oráculo sobre o filho dele que está doente. Diga isso e isso. Ela virá disfarçada".
6. Logo que Aías ouviu o barulho de passos junto à porta, disse: "Entre, esposa de Jeroboão. Por que você veio disfarçada? Fui enviado para lhe dar uma triste notícia.
7. Diga a Jeroboão: 'Assim diz Javé, o Deus de Israel: Eu tirei você do meio do povo e o coloquei como chefe do meu povo Israel.
8. Tirei o reino da casa de Davi para dá-lo a você. Mas você não foi como o meu servo Davi, que observou os meus mandamentos e me seguiu de todo o coração, fazendo apenas o que eu aprovo.
9. Você se comportou de modo pior dos que reinaram antes de você. E até chegou a fazer para você outros deuses, imagens fundidas, para me irritar, e voltou as costas para mim.
10. Por isso, vou trazer a desgraça para a sua casa: eliminarei da casa de Jeroboão todos os que urinam na parede, tanto os escravos como os livres em Israel. Eu varrerei a casa de Jeroboão, como se varre completamente o lixo.
11. Os membros da família de Jeroboão que morrerem na cidade, serão devorados pelos cães; e os que morrerem no campo, serão devorados pelas aves do céu. É isso que Javé tem a dizer'.
12. Quanto a você, levante-se e volte para casa. Quando você puser o pé na cidade, o menino morrerá.
13. Todo o Israel fará luto por ele e o enterrará, porque, da família de Jeroboão, somente esse menino entrará num túmulo. De fato, dentro da família de Jeroboão, foi somente nele que Javé, o Deus de Israel, encontrou alguma coisa de bom.
14. Javé fará surgir em Israel um rei que vai eliminar a família de Jeroboão.
15. Javé ferirá Israel como se faz com o caniço que balança na água: arrancará os israelitas desta boa terra que deu aos antepassados deles, e os dispersará do outro lado do rio Eufrates, porque ergueram seus postes sagrados, provocando a ira de Javé.
16. Entregará os israelitas por causa dos pecados cometidos por Jeroboão e por causa dos pecados que ele fez os israelitas cometerem".
17. A mulher de Jeroboão levantou-se e partiu. E ao chegar a Tersa, mal ela atravessou a soleira da porta da casa, o menino morreu.
18. E o menino foi enterrado, e todo o Israel fez luto por ele, como Javé havia dito por meio do seu servo, o profeta Aías.
19. O resto da história de Jeroboão, as guerras que ele fez, o seu governo, tudo está escrito nos Anais dos Reis de Israel.
20. Jeroboão reinou durante vinte e dois anos. Depois foi enterrado com seus antepassados, e seu filho Nadab lhe sucedeu no trono.

ROBOÃO E A DECADÊNCIA
21. Roboão, filho de Salomão, reinou em Judá. Ele tinha quarenta e um anos quando subiu ao trono. E reinou dezessete anos em Jerusalém, a cidade que Javé tinha escolhido entre todas as tribos de Israel, para aí colocar o seu Nome. A mãe de Roboão se chamava Naama, a amonita.
22. Os habitantes de Judá fizeram o que Javé reprova e provocaram o ciúme dele por causa dos pecados que cometeram, e que foram maiores do que os pecados cometidos pelos seus antepassados.
23. Eles construíram lugares altos, ergueram estelas e postes sagrados nas colinas elevadas e debaixo de toda árvore frondosa.
24. Houve até mesmo prostituição sagrada no país. Imitaram todos os ritos abomináveis das nações que Javé havia expulsado da frente dos israelitas.
25. No quinto ano do reinado de Roboão, aconteceu que Sesac, rei do Egito, atacou Jerusalém.
26. Tomou posse dos tesouros do Templo de Javé e do palácio real, e levou tudo, juntamente com os escudos de ouro que Salomão tinha mandado fazer.
27. Para substituí-los, o rei Roboão mandou fazer escudos de bronze, e os confiou aos chefes da guarda que vigiavam a porta do palácio real.
28. Cada vez que o rei ia ao Templo de Javé, os guardas pegavam os escudos e depois os recolocavam na sala dos guardas.
29. O resto da história de Roboão e de tudo o que ele fez, está escrito nos Anais dos Reis de Judá.
30. Houve guerras contínuas entre Roboão e Jeroboão.
31. Roboão morreu e foi enterrado com seus antepassados na Cidade de Davi, e seu filho Abiam lhe sucedeu no trono.

[I Reis 15]I Reis 15

BREVE REINADO DE ABIAM EM JUDÁ
1. Abiam subiu ao trono de Judá no ano dezoito de Jeroboão, filho de Nabat.
2. E reinou três anos em Jerusalém. Sua mãe se chamava Maaca, e era filha de Absalão.
3. Abiam imitou os pecados que seu pai havia cometido, e seu coração não foi fiel a Javé, o seu Deus, como tinha sido o coração de Davi, seu antepassado.
4. Em consideração para com Davi, Javé seu Deus lhe deixou uma lâmpada em Jerusalém, dando-lhe um filho e conservando Jerusalém.
5. Isso porque Davi tinha feito o que Javé aprova, sem se desviar do que Javé lhe havia ordenado, em toda a sua vida, com exceção do caso de Urias, o heteu.
6. Houve guerras contínuas entre Abiam e Jeroboão.
7. O resto da história de Abiam e de tudo o que ele fez, está escrito nos Anais dos Reis de Judá.
8. Abiam morreu e foi enterrado com seus antepassados na Cidade de Davi. E seu filho Asa lhe sucedeu no trono.

ASA EM JUDÁ: TENTATIVA DE REFORMA
9. Asa subiu ao trono de Judá no ano vinte do reinado de Jeroboão em Israel.
10. Reinou durante quarenta e um anos em Jerusalém. Sua avó se chamava Maaca, filha de Absalão.
11. Asa fez o que Javé aprova, como fizera seu antepassado Davi.
12. Expulsou do país a prostituição sagrada e retirou todos os ídolos que seus antepassados haviam feito.
13. Chegou até mesmo a retirar de sua avó o título de rainha-mãe, porque ela havia feito uma imagem de Aserá. Asa quebrou a imagem e a queimou no vale do Cedron.
14. Os lugares altos não desapareceram, mas o coração de Asa foi fiel a Javé durante toda a sua vida.
15. Ele depositou no Templo de Javé as ofertas que seu pai havia consagrado e suas próprias ofertas: prata, ouro e utensílios.
16. Entre Asa e Baasa, rei de Israel, houve guerras contínuas.
17. Baasa, rei de Israel, atacou Judá e fortificou Ramá, para impedir as comunicações com Asa, rei de Judá.
18. Então Asa pegou a prata e o ouro que restavam nos tesouros do Templo de Javé e do palácio real, os entregou a seus servos e os mandou a Ben-Adad, filho de Tabremon, filho de Hezion, rei de Aram, que residia em Damasco, com esta mensagem:
19. "Vamos fazer um tratado de paz, como fizeram o seu pai e o meu. Estou lhe mandando um presente de prata e ouro. Rompa sua aliança com Baasa, rei de Israel, para que ele se retire do meu território".
20. Ben-Adad concordou com o rei Asa e enviou os chefes do seu exército contra as cidades de Israel; conquistou Aion, Dã, Abel-Bet-Maaca, a região de Neftali.
21. Ao saber disso, Baasa suspendeu as obras em Ramá e voltou para Tersa.
22. Então o rei Asa convocou todo o povo de Judá, sem exceção. Tiraram as pedras e madeiras com que Baasa estava fortificando Ramá, e as aproveitaram para fortificar Gaba de Benjamim e Masfa.
23. O resto da história de Asa, suas façanhas militares e as cidades que construiu, tudo está escrito nos Anais dos Reis de Judá. Na sua velhice, Asa teve doença de gota nos pés.
24. Asa morreu e foi enterrado com seus antepassados na Cidade de Davi, seu pai. E seu filho Josafá lhe sucedeu no trono.

NADAB DE ISRAEL: TERMINA A DINASTIA DE JEROBOÃO
25. Nadab, filho de Jeroboão, subiu ao trono de Israel no segundo ano do reinado de Asa, rei de Judá. Reinou dois anos em Israel.
26. Fez o que Javé reprova: imitou o comportamento de seu pai e os pecados que ele fizera cometer em Israel.
27. Baasa, filho de Aías, da tribo de Issacar, conspirou contra ele e o assassinou em Gebeton, cidade filistéia, que Nadab e todo o Israel estavam cercando.
28. Baasa o matou no terceiro ano de Asa, rei de Judá, e ficou reinando no lugar dele.
29. Logo que se tornou rei, Baasa matou toda a família de Jeroboão e a massacrou, sem deixar nenhum sobrevivente, conforme a predição que Javé tinha feito por meio de seu servo Aías de Silo.
30. A causa foram os pecados que ele cometera e fizera Israel cometer, provocando a indignação de Javé, o Deus de Israel.
31. O resto da história de Nadab, e tudo o que ele fez, está escrito nos Anais dos Reis de Israel.
32. Houve guerras contínuas entre Asa e Baasa, rei de Israel.

BAASA EM ISRAEL: A SITUAÇÃO CONTINUA
33. Baasa, filho de Aías, subiu ao trono de Israel, em Tersa, no terceiro ano do reinado de Asa, rei de Judá. Reinou durante vinte e quatro anos.
34. Fez o que Javé reprova, imitando o comportamento de Jeroboão e o pecado que ele fizera Israel cometer.

[I Reis 16]I Reis 16

1. Então Javé dirigiu sua palavra a Jeú, filho de Hanani, contra Baasa, dizendo:
2. "Eu tirei você do pó e o tornei chefe do meu povo Israel. Você, porém, imitou o comportamento de Jeroboão e fez o meu povo Israel cometer pecados que me irritam.
3. Por isso, varrerei Baasa e sua família, e a deixarei como a família de Jeroboão, filho de Nabat.
4. Todas as pessoas da família de Baasa que morrerem na cidade serão devoradas pelos cães, e quem morrer no campo será devorado pelas aves do céu".
5. O resto da história de Baasa, com suas façanhas militares, está escrito nos Anais dos Reis de Israel.
6. Baasa morreu e foi enterrado com seus antepassados em Tersa. E seu filho Ela lhe sucedeu no trono.
7. Por meio do profeta Jeú, filho de Hanani, Javé dirigiu sua palavra a Baasa e família, por ter imitado a família de Jeroboão, fazendo o que Javé reprova e irritando-o com suas ações, e também porque exterminara a família de Jeroboão.

ELA EM ISRAEL: NOVO GOLPE DE ESTADO
8. Ela, filho de Baasa, subiu ao trono de Israel, em Tersa, no ano vinte e seis do reinado de Asa, rei de Judá. Reinou dois anos.
9. Seu oficial Zambri, chefe da metade de seus carros, conspirou contra ele, enquanto Ela estava se embebedando em Tersa, na casa de Arsa, mordomo do palácio.
10. Zambri entrou e o assassinou no ano vinte e sete do reinado de Asa, rei de Judá. E reinou no lugar de Ela.
11. Logo que se tornou rei, Zambri massacrou toda a família de Baasa, eliminando todos os que urinam na parede, tanto parentes como amigos de Baasa.
12. Zambri acabou com a família de Baasa, como Javé havia predito contra Baasa, por meio do profeta Jeú.
13. A causa disso foram os pecados que Baasa e seu filho Ela tinham cometido e fizeram Israel cometer. Com seus ídolos vazios, irritaram Javé, o Deus de Israel.
14. O resto da história de Ela, e de tudo o que fez, está escrito nos Anais dos Reis de Israel.

ZAMBRI EM ISRAEL: O REINADO MAIS CURTO
15. Zambri ocupou o trono em Tersa durante sete dias, no ano vinte e sete do reinado de Asa, rei de Judá. Nessa ocasião, o exército estava acampado diante de Gebeton, que pertencia aos filisteus.
16. Quando o acampamento recebeu a notícia de que Zambri tinha conspirado e matado o rei, na mesma hora os soldados proclamaram Amri, chefe do exército, como rei de Israel.
17. Amri saiu de Gebeton com todo o exército de Israel, e cercou Tersa.
18. Quando Zambri percebeu que a cidade ia ser tomada, fechou-se na torre do palácio, colocou fogo no palácio e morreu aí dentro.
19. Isso aconteceu por causa do pecado que havia cometido. Ele fez o que Javé reprova, imitando o comportamento de Jeroboão e o pecado que este havia feito Israel cometer.
20. O resto da história de Zambri, e a conspiração que ele tramou, tudo está escrito nos Anais dos Reis de Israel.
21. Os israelitas se dividiram: metade apoiou Tebni, filho de Ginet, querendo proclamá-lo rei; a outra metade apoiou Amri.
22. O partido de Amri acabou vencendo o de Tebni, filho de Ginet. Tebni morreu, e Amri tornou-se rei.

AMRI EM ISRAEL: ESTABILIDADE POLÍTICA
23. Amri subiu ao trono de Israel no ano trinta e um do reinado de Asa, rei de Judá. Reinou doze anos. Nos seis primeiros anos, reinou em Tersa.
24. Depois comprou de Semer o monte da Samaria por setenta quilos de prata. Construiu aí uma cidade e lhe deu o nome de Samaria, por causa do nome de Semer, dono do monte.
25. Amri fez o que Javé reprova e foi o pior de todos os que vieram antes dele.
26. Imitou em tudo o comportamento de Jeroboão, filho de Nabat, e os pecados que este fizera Israel cometer. Com seus ídolos vazios, irritou Javé, o Deus de Israel.
27. O resto da história de Amri, com suas façanhas militares, tudo está escrito nos Anais dos Reis de Israel.
28. Amri morreu e foi enterrado em Samaria. E seu filho Acab lhe sucedeu no trono.

ACAB EM ISRAEL: O GRANDE DESAFIO
29. Acab, filho de Amri, subiu ao trono de Israel no ano trinta e oito do reinado de Asa, rei de Judá. Reinou sobre Israel, em Samaria, vinte e dois anos.
30. Acab, filho de Amri, fez o que Javé reprova, mais do que todos os que vieram antes dele.
31. Além de imitar os pecados de Jeroboão, filho de Nabat, casou-se com Jezabel, filha de Etbaal, rei dos sidônios. E começou a servir e adorar a Baal.
32. Chegou a construir em Samaria um templo e um altar para Baal.
33. Acab levantou também um poste sagrado e cometeu outros pecados, irritando Javé, o Deus de Israel, mais do que todos os reis de Israel que vieram antes dele.
34. No seu tempo, Hiel de Betel reconstruiu Jericó: os alicerces lhe custaram a vida de seu primogênito Abiram, e as portas custaram a vida de Segub, seu filho caçula, como Javé havia predito por meio de Josué, filho de Nun.

[I Reis 17]V. ELIAS, PORTA-VOZ DE JAVÉ

I Reis 17

O PROFETA ANUNCIA O JULGAMENTO
1. Elias, o tesbita de Tesbi de Galaad, disse ao rei Acab: "Pela vida de Javé, o Deus de Israel, a quem sirvo: nestes anos não haverá orvalho nem chuva, a não ser quando eu mandar".
2. Javé dirigiu a palavra a Elias:
3. "Saia daqui, dirija-se para o oriente e esconda-se junto ao córrego Carit, que fica a leste do Jordão.
4. Você poderá beber água do córrego. Eu ordenei aos corvos que levem comida para você".
5. Então Elias partiu e fez como Javé tinha mandado: foi morar junto ao córrego Carit, a leste do Jordão.
6. Os corvos lhe levavam pão de manhã e carne à tarde. E ele bebia água do córrego.

O PROFETA ENSINA A PARTILHAR
7. Algum tempo depois, o córrego secou, porque não tinha chovido na região.
8. Então Javé dirigiu a palavra a Elias:
9. "Levante-se, vá para Sarepta, que pertence à região de Sidônia, e fique morando aí. Porque eu ordenei a uma viúva que dê comida para você".
10. Elias se levantou e foi para Sarepta. Chegando à porta da cidade, encontrou uma viúva que estava recolhendo lenha. Elias a chamou e disse: "Por favor! Traga-me um pouco de água no seu balde para eu beber".
11. Quando a mulher já estava indo buscar água, Elias gritou para ela: "Traga-me também um pedaço de pão".
12. Ela respondeu: "Pela vida de Javé, o seu Deus, não tenho nenhum pão feito; tenho apenas um pouco de farinha numa vasilha e um pouco de azeite na jarra. Estou ajuntando uns gravetos para preparar esse resto para mim e meu filho. Depois, vamos comer e ficar esperando a morte".
13. Mas Elias lhe disse: "Não tenha medo! Vá e faça o que está dizendo. Mas primeiro prepare um pãozinho com o que você tem e traga para mim. Só depois você prepara um pão para você e seu filho.
14. Pois assim diz Javé, Deus de Israel: A vasilha de farinha não ficará vazia e a jarra de azeite não se esgotará, até o dia em que Javé mandar chuva sobre a terra".
15. A mulher foi fazer o que Elias tinha mandado. E comeram, tanto ele como também ela e o filho, durante muito tempo.
16. A vasilha de farinha não se esvaziou e a jarra de azeite não se esgotou, como Javé tinha anunciado por meio de Elias.

O PROFETA É INSTRUMENTO DE VIDA
17. Depois disso, ficou doente o filho dessa mulher, dona da casa, e a doença foi tão grave que ele acabou morrendo.
18. Então ela disse a Elias: "Não quero nada com você, homem de Deus. Será que você veio à minha casa para lembrar minhas culpas e provocar a morte do meu filho?"
19. Elias respondeu: "Dê-me o seu filho". Pegando o menino dos braços dela, Elias o levou até o quarto de cima, onde se achava hospedado e o deitou sobre a sua própria cama.
20. Depois chamou por Javé, dizendo: "Javé, meu Deus, queres castigar até essa viúva que me hospeda, fazendo o filho dela morrer?"
21. Então Elias estendeu-se três vezes sobre o menino e invocou a Javé: "Ó Javé, meu Deus, faze que este menino ressuscite!"
22. Javé atendeu à súplica de Elias, e o menino ressuscitou, tornando a viver.
23. Elias pegou o menino, o desceu do quarto de cima e o entregou à mãe dele, dizendo: "Olhe, seu filho está vivo".
24. A mulher respondeu a Elias: "Agora sei que você é um homem de Deus, e que de fato anuncia a palavra de Javé".

[I Reis 18]I Reis 18

O PROFETA DESMASCARA OS ÍDOLOS
1. Muito tempo depois, no terceiro ano, Javé dirigiu sua palavra a Elias: "Vá e se apresente a Acab, porque vou mandar chuva sobre a terra".
2. Elias partiu e foi apresentar-se a Acab. Ora, em Samaria, a fome apertava cada vez mais.
3. Acab mandou chamar Abdias, que era o chefe do palácio. Abdias era homem temente a Javé:
4. quando Jezabel massacrava os profetas de Javé, ele pegou cem profetas e escondeu-os numa gruta, em grupos de cinqüenta, providenciando comida e bebida para eles.
5. Acab disse a Abdias: "Venha, vamos andar pelo país, procurando todas as fontes e córregos. Talvez possamos encontrar pasto para sustentar os cavalos e burros, e não tenhamos que sacrificar esses animais".
6. Acab e Abdias dividiram entre si a região a percorrer: cada um foi para um lado.
7. Enquanto Abdias caminhava, Elias foi ao encontro dele. Abdias o reconheceu, caiu com o rosto por terra, e perguntou: "O senhor não é Elias?"
8. Elias respondeu: "Sou eu mesmo. Vá dizer ao seu patrão que Elias está aqui".
9. Abdias replicou: "Que pecado eu cometi para que o senhor me entregue nas mãos de Acab, para ele me matar?
10. Pela vida de Javé, o seu Deus: não há nação, nem reino, aonde meu patrão não tenha mandado procurar pelo senhor. E quando diziam: 'Elias não está aqui', meu patrão fazia o reino e a nação jurarem que não haviam achado o senhor.
11. E agora, o senhor me manda dizer ao meu patrão que Elias está aqui?!
12. Quando eu sair daqui, o espírito de Javé transportará o senhor não sei para onde. Eu irei informar Acab, e ele, não o encontrando, me matará. E seu servo teme a Javé desde a juventude.
13. Por acaso, não contaram ao senhor o que fiz quando Jezabel estava matando os profetas de Javé? Escondi numa gruta cem profetas de Javé, em grupos de cinqüenta, e providenciei pão e água para eles.
14. E agora, o senhor me manda dizer ao meu patrão que Elias está aqui?! Ele vai me matar!"
15. Elias respondeu: "Pela vida de Javé dos exércitos, a quem sirvo: hoje mesmo eu vou me apresentar diante de Acab".
16. Então Abdias foi encontrar-se com Acab e contou o que havia acontecido. E Acab saiu ao encontro de Elias.
17. Logo que o viu, lhe disse: "Você é a ruína de Israel!"
18. Elias respondeu: "Não sou eu que estou arruinando Israel. Pelo contrário, é você e sua família, porque vocês abandonaram Javé e seguiram os ídolos.
19. Pois bem! Mande que todo o Israel se reúna comigo no monte Carmelo, junto com os quatrocentos e cinqüenta profetas de Baal, que comem à mesa de Jezabel".
20. Acab convocou todos os israelitas e reuniu os profetas no monte Carmelo.
21. Então Elias se aproximou do povo e disse: "Até quando vocês vão mancar com as duas pernas? Se Javé é o Deus verdadeiro, sigam a Javé. Se é Baal, sigam a Baal". O povo nada respondeu.
22. Então Elias continuou: "Fiquei sozinho como profeta de Javé, enquanto os profetas de Baal são quatrocentos e cinqüenta.
23. Tragam aqui dois bezerros: vocês vão escolher um. Depois de cortá-lo em pedaços, o coloquem sobre a lenha, mas não acendam o fogo. Eu vou preparar o outro bezerro, o colocarei sobre a lenha e também não acenderei o fogo.
24. Vocês invocarão o deus de vocês e eu invocarei a Javé. O Deus que responder, enviando fogo, é o Deus verdadeiro". Todo o povo concordou: "A proposta é boa".
25. Então Elias disse aos profetas de Baal: "Escolham um bezerro e preparem primeiro, pois vocês são maioria. Invoquem o nome do deus de vocês, mas não acendam o fogo".
26. Então eles pegaram o bezerro, o prepararam e ficaram invocando a Baal, desde o amanhecer até o meio-dia, e suplicando: "Baal, responde-nos". Mas não se ouvia nenhuma voz, nenhuma resposta, apesar de dançarem, dobrando os joelhos, ao redor do altar que tinham feito.
27. Pelo meio-dia, Elias começou a zombar deles: "Gritem mais alto; Baal é deus, mas pode ser que esteja ocupado. Quem sabe teve que se ausentar. Ou então, está viajando. Talvez esteja dormindo e seja preciso acordá-lo".
28. Então eles gritavam mais alto e, conforme o costume deles, fizeram talhos no próprio corpo com espadas e lanças, até escorrer sangue.
29. Depois do meio-dia, entraram em transe até a hora da apresentação das ofertas. Mas não se ouvia nenhuma voz, nenhuma palavra, nenhuma resposta.
30. Então Elias disse a todo o povo: "Venham aqui". Todos se aproximaram, e Elias reconstruiu o altar de Javé, que estava demolido.
31. Pegou doze pedras, conforme o número das doze tribos dos filhos de Jacó, a quem Javé tinha dito: "Você se chamará Israel".
32. E com as pedras construiu um altar em honra de Javé. Fez em volta do altar um canal capaz de conter duas arrobas de sementes.
33. Empilhou a lenha, cortou o bezerro em pedaços e o colocou sobre a lenha.
34. Depois disse: "Encham quatro baldes de água e derramem sobre a vítima e sobre a lenha". Eles assim fizeram. Então Elias disse: "Façam tudo outra vez". E eles tornaram a fazer. Elias voltou a dizer: "Façam isso pela terceira vez". Eles assim fizeram.
35. A água escorreu ao redor do altar, e até o canal ficou cheio de água.
36. Chegando a hora da oferta, o profeta Elias se aproximou e rezou: "Javé, Deus de Abraão, de Isaac e de Israel, todos saibam hoje que tu és Deus em Israel, que eu sou teu servo e que foi por tua ordem que eu fiz todas essas coisas.
37. Responde-me, para que este povo reconheça que tu, Javé, és o Deus verdadeiro, e que és tu que convertes o coração deles".
38. Então Javé mandou um raio que consumiu a vítima, a lenha, as pedras e as cinzas, e secou a água que estava no canal.
39. O povo viu tudo isso e prostrou-se no chão, exclamando: "Javé é o Deus verdadeiro! Javé é o Deus verdadeiro!"
40. Então Elias disse a eles: "Agarrem os profetas de Baal. Não deixem escapar nenhum". E eles os agarraram. Elias fez os profetas de Baal descer até o riacho Quison, e aí os degolou.
41. Elias disse a Acab: "Vá comer e beber, pois já se ouve o barulho da chuva".
42. Enquanto Acab foi comer e beber, Elias subiu ao topo do monte Carmelo e se encurvou até o chão, colocando o rosto entre os joelhos.
43. Depois disse ao seu servo: "Suba e olhe para o lado do mar". O servo subiu, olhou e disse: "Não se vê nada". Elias disse: "Volte até sete vezes".
44. Na sétima vez, o servo disse: "Uma nuvenzinha, do tamanho da mão de uma pessoa, vem subindo do mar". Então Elias mandou: "Vá dizer a Acab que atrele os cavalos no carro e desça, para que a chuva não o detenha".
45. Num instante o céu ficou escuro, com nuvens trazidas pelo vento, e caiu uma chuva pesada. Acab subiu no seu carro e foi para Jezrael.
46. Elias, com a força de Javé, amarrou o cinto e foi correndo na frente de Acab até a entrada de Jezrael.

[I Reis 19]I Reis 19

O PROFETA REORGANIZA A SOCIEDADE
1. Acab contou a Jezabel o que Elias tinha feito e como tinha matado a fio de espada todos os profetas.
2. Então Jezabel mandou um mensageiro a Elias, com este recado: "Que os deuses me castiguem se amanhã, a esta hora, eu não tiver feito com você o mesmo que você fez com os profetas".
3. Elias ficou com medo, levantou-se e partiu para se salvar. Chegou a Bersabéia, em Judá, e aí deixou o seu servo.
4. E continuou a caminhar mais um dia pelo deserto. Por fim, sentou-se debaixo de uma árvore e desejou a morte, dizendo: "Chega, Javé! Tira a minha vida, porque eu não sou melhor que meus pais".
5. Deitou-se debaixo da árvore e dormiu. Então um anjo o tocou e lhe disse: "Levante-se e coma".
6. Elias abriu os olhos e viu bem perto da cabeça um pão assado sobre pedras quentes, e uma jarra de água. Comeu, bebeu e deitou-se outra vez.
7. Mas o anjo de Javé o tocou de novo, e lhe disse: "Levante-se e coma, pois o caminho é superior às suas forças".
8. Elias se levantou, comeu, bebeu e, sustentado pela comida, caminhou quarenta dias e quarenta noites até o Horeb, a montanha de Deus.
9. Elias entrou na gruta da montanha, e aí passou a noite. Então Javé lhe dirigiu a palavra, perguntando: "Elias, o que é que você está fazendo aqui?"
10. Elias respondeu: "O zelo por Javé dos exércitos me consome, porque os israelitas abandonaram tua aliança, derrubaram teus altares e mataram teus profetas. Sobrei somente eu, e eles querem me matar também".
11. Javé lhe disse: "Saia e fique no alto da montanha, diante de Javé, pois Javé vai passar". Então aconteceu um furacão que de tão violento rachava as montanhas e quebrava as rochas diante de Javé. No entanto, Javé não estava no furacão. Depois do furacão, houve um terremoto. Javé porém não estava no terremoto.
12. Depois do terremoto, apareceu fogo, e Javé não estava no fogo. Depois do fogo, ouviu-se uma brisa suave.
13. Ouvindo-a, Elias cobriu o rosto com o manto, saiu e ficou na entrada da gruta. Ouviu, então, uma voz que lhe dizia: "O que é que você está fazendo aqui, Elias?"
14. E Elias respondeu: "O zelo de Javé dos exércitos me consome, porque os israelitas abandonaram tua aliança, derrubaram teus altares e mataram teus profetas a fio de espada. Sobrei somente eu, e eles querem me matar também".
15. Javé disse a Elias: "Pegue o caminho de volta, em direção ao deserto de Damasco. Unja Hazael como rei de Aram,
16. e Jeú, filho de Namsi, como rei de Israel. Unja também Eliseu, filho de Safat, natural de Abel-Meúla, como profeta em seu lugar.
17. Quem escapar da espada de Hazael, será morto por Jeú. E quem escapar da espada de Jeú, será morto por Eliseu.
18. Mas eu vou poupar em Israel sete mil homens: são todos os joelhos que não se dobraram diante de Baal e todos os lábios que não o beijaram".

A VOCAÇÃO PROFÉTICA
19. Elias partiu daí e encontrou Eliseu, filho de Safat, trabalhando com doze juntas de bois. Ele próprio dirigia a última junta. Elias passou perto de Eliseu e jogou o manto sobre ele.
20. Eliseu deixou os bois, correu atrás de Elias, e disse: "Deixe-me dizer adeus a meus pais. Depois eu seguirei você". Elias respondeu: "Vá, mas volte logo. Quem o está impedindo de ir?"
21. Eliseu afastou-se de Elias, pegou a junta de bois e a ofereceu em sacrifício. Aproveitou a madeira do arado para cozinhar a carne, e distribuiu a carne para o seu pessoal comer. Depois levantou-se, seguiu Elias, e se colocou a seu serviço.

[I Reis 20]I Reis 20

A AUTORIDADE NÃO PODE SER ARBITRÁRIA
1. Ben-Adad, rei de Aram, reuniu todo o seu exército e, acompanhado de trinta e dois reis vassalos, subiu com cavalos e carros, cercou e atacou Samaria.
2. Mandou até a cidade emissários para Acab, rei de Israel,
3. com a seguinte mensagem: "Assim diz Ben-Adad: Entregue-me a prata e o ouro; fique com suas mulheres e filhos".
4. O rei de Israel mandou esta resposta: "Seja como vossa majestade ordena. Eu lhe pertenço com tudo o que possuo".
5. No entanto os mensageiros voltaram com outra mensagem: "Assim diz Ben-Adad: Eu lhe ordeno que me entregue a prata e o ouro, junto com suas mulheres e filhos.
6. Amanhã, a esta hora, enviarei até você meus oficiais, para revistar seu palácio e os palácios de seus ministros: eles pegarão o que quiserem e levarão embora".
7. Então o rei de Israel convocou todos os anciãos do país e lhes disse: "Reparem e vejam que esse homem quer nos arruinar. Está exigindo de mim as minhas mulheres e filhos, apesar de eu não lhe ter recusado entregar minha prata e ouro".
8. Todos os anciãos e o povo todo responderam: "Não faça caso dele nem lhe obedeça".
9. Então o rei de Israel deu esta resposta aos mensageiros de Ben-Adad: "Digam à sua majestade: Farei o que o senhor propôs na primeira vez, mas não posso aceitar essa última exigência". E os mensageiros foram levar a resposta.
10. Então Ben-Adad mandou esta mensagem: "Que os deuses me castiguem se na Samaria houver pó suficiente para que cada um dos meus soldados possa pegar um punhado".
11. Mas o rei de Israel respondeu: "Digam a Ben-Adad que ninguém canta vitória com a espada na bainha, e sim quando a desembainha".
12. Ben-Adad estava bebendo na tenda com os reis. Quando ouviu a resposta, ordenou aos oficiais: "A postos!" E eles tomaram posição contra a cidade.
13. Enquanto isso, um profeta se apresentou a Acab, rei de Israel, e disse: "Assim diz Javé: Você está vendo aquele exército imenso? Pois bem! Eu vou entregá-lo hoje mesmo em suas mãos, para que você reconheça que eu sou Javé".
14. Acab lhe perguntou: "Por meio de quem?" O profeta respondeu: "Assim diz Javé: Por meio dos soldados jovens de cada chefe das províncias". Acab insistiu: "Quem vai atacar primeiro?" Ele respondeu: "Você mesmo".
15. Acab passou revista aos jovens soldados de cada chefe das províncias: eram ao todo duzentos e trinta e dois. Em seguida, passou revista a todo o exército israelita, que chegava a sete mil.
16. Ao meio-dia, fizeram uma investida, enquanto Ben-Adad estava se embebedando junto com os trinta e dois reis aliados.
17. Saíram primeiro os soldados jovens de cada chefe das províncias. Então mandaram avisar Ben-Adad: "Saíram alguns homens de Samaria".
18. Ben-Adad ordenou: "Se saírem com intenção pacífica, sejam capturados vivos. E se saírem para combater, sejam capturados vivos também".
19. Então saíram da cidade os soldados jovens de cada chefe das províncias, seguidos pelo exército,
20. e cada um deles abateu o seu adversário. Os arameus fugiram, perseguidos pelos israelitas. Ben-Adad, rei de Aram, escapou a cavalo com alguns cavaleiros.
21. Então o rei de Israel saiu, apoderou-se dos cavalos e carros, e causou grande derrota aos arameus.
22. O profeta se aproximou do rei de Israel e lhe disse: "Coragem! Pense bem no que você deve fazer, porque, no ano que vem, o rei de Aram virá atacá-lo novamente".
23. Os ministros do rei de Aram, por sua vez, propuseram: "O Deus dessa gente é um Deus de montanha. É por isso que nos venceram. Mas nós vamos lutar contra eles na planície e, com toda a certeza, venceremos.
24. Faça o seguinte: deponha todos esses reis, substituindo-os por governadores.
25. Recrute um exército como aquele que você perdeu, com o mesmo número de cavalos e carros. Depois, vamos combatê-los na planície e, com toda a certeza, venceremos". Ben-Adad seguiu o conselho deles e assim fez.
26. No ano seguinte, Ben-Adad passou revista aos arameus e subiu a Afec, para lutar contra Israel.
27. Os israelitas, mobilizados e providos de víveres, saíram ao encontro de Ben-Adad. Acampados diante do inimigo, os israelitas eram como dois rebanhos de cabras, enquanto os arameus enchiam a região toda.
28. O homem de Deus se aproximou do rei de Israel e lhe disse: "Assim diz Javé: Os arameus disseram que Javé é um Deus de montanha e não de planície. Por isso, eu vou entregar a você esse exército imenso, para que você reconheça que eu sou Javé".
29. Durante sete dias, os dois exércitos estiveram acampados um na frente do outro. No sétimo dia começou a batalha, e num só dia os israelitas mataram cem mil soldados da infantaria dos arameus.
30. Os sobreviventes fugiram para a cidade de Afec, porém as muralhas desabaram sobre os vinte e sete mil homens que tinham sobrado. Ben-Adad fugiu e, entrando na cidade, se escondia de casa em casa.
31. Seus ministros lhe disseram: "Olhe, ouvimos dizer que os reis de Israel são misericordiosos. Vamos vestir-nos com pano de saco, amarrar cordas no pescoço e ir ao encontro do rei de Israel. Talvez ele conserve a sua vida".
32. Vestiram-se, então, com pano de saco, amarraram cordas no pescoço e saíram ao encontro do rei de Israel, dizendo: "Assim diz o seu servo Ben-Adad: Deixe-me viver!" O rei respondeu: "Ben-Adad ainda está vivo? Ele é meu irmão!"
33. Os mensageiros acolheram essas palavras como bom augúrio, e se apressaram a tomá-las ao pé da letra, dizendo: "Ben-Adad é irmão dele!" Acab respondeu: "Vão buscá-lo". Ben-Adad foi até Acab, e este o fez subir em seu carro.
34. Então Ben-Adad lhe propôs: "Vou devolver a você as cidades que meu pai tomou de seu pai, e você poderá ter mercados em Damasco como meu pai tinha na cidade de Samaria". Acab respondeu: "Vou fazer um pacto e deixá-lo em liberdade". E Acab fez um pacto com Ben-Adad e o deixou em liberdade.
35. Então um dos filhos de profetas disse a um companheiro seu, por ordem de Javé: "Fira-me!" Mas o companheiro não o quis ferir.
36. O profeta lhe disse: "Porque você não obedeceu à ordem de Javé, um leão o matará logo que você se separar de mim". E enquanto ele se afastava, encontrou um leão, que o matou.
37. O profeta encontrou-se com outro homem, e disse: "Fira-me!" O homem deu-lhe um golpe e o deixou ferido.
38. O profeta foi esperar o rei no caminho, disfarçando-se com uma atadura sobre os olhos.
39. Quando o rei passou, o profeta gritou: "Seu servo estava no meio da batalha, quando um homem se aproximou e me entregou outro homem, dizendo-me: 'Guarde este homem. Se ele desaparecer, você deverá pagar com a vida ou com dinheiro'.
40. Pois bem, enquanto eu estava ocupado aqui e ali, o homem desapareceu". O rei de Israel lhe disse: "Esta é a sua sentença! Você mesmo a pronunciou".
41. Então o profeta tirou a atadura que tinha sobre os olhos e o rei de Israel percebeu que era um profeta.
42. Então ele disse ao rei: "Assim diz Javé: Porque você deixou escapar o homem que eu tinha consagrado ao extermínio, você pagará com a própria vida a vida dele, e com o seu exército o exército dele".
43. O rei de Israel foi para casa triste e aflito, e entrou em Samaria.

[I Reis 21]I Reis 21

GANÂNCIA PRODUZ INJUSTIÇA
1. Depois disso, aconteceu o seguinte: Nabot de Jezrael possuía uma vinha em Jezrael, perto do palácio de Acab, rei de Samaria.
2. Acab lhe fez uma proposta: "Entregue-me a sua vinha, que eu vou transformá-la em pomar, porque está perto do meu palácio. Em troca, eu darei a você uma vinha melhor, ou, se preferir, pagarei o valor dela em dinheiro".
3. Nabot, porém, respondeu: "Javé me livre de entregar a você a herança de meus pais".
4. Acab voltou para casa, aborrecido e irritado por causa da resposta de Nabot de Jezrael: "Não vou entregar a você a herança de meus pais". Deitou-se na cama, virou o rosto para a parede e não quis comer nada.
5. Sua esposa Jezabel aproximou-se e lhe disse: "Por que você está de mau humor e não quer comer?"
6. Ele respondeu: "É que eu falei com Nabot de Jezrael e lhe propus que me vendesse a vinha dele, ou, se preferisse, que trocasse por uma outra, mas ele me disse: 'Não vou entregar a minha vinha a você' ".
7. Então Jezabel disse ao marido: "Será que não é você quem governa Israel? Levante-se, coma, e seu coração se alegre, pois eu entregarei a você a vinha de Nabot de Jezrael".
8. Então Jezabel escreveu umas cartas em nome de Acab, selou-as com o selo do rei e as mandou aos anciãos e notáveis da cidade, concidadãos de Nabot.
9. As cartas diziam: "Proclamem um jejum e façam Nabot sentar-se nos primeiros lugares.
10. Façam comparecer diante dele dois homens sem escrúpulo, para fazer a seguinte acusação: 'Você amaldiçoou a Deus e ao rei!' Depois, levem Nabot para fora e o apedrejem até morrer".
11. Os homens da cidade, anciãos e notáveis, concidadãos de Nabot, fizeram como Jezabel tinha mandado, conforme estava escrito nas cartas que haviam recebido:
12. proclamaram um jejum e colocaram Nabot nos primeiros lugares.
13. Então chegaram os dois homens sem escrúpulo, que se sentaram diante de Nabot e testemunharam contra ele, dizendo: "Nabot amaldiçoou a Deus e ao rei!" Então o levaram para fora da cidade, o apedrejaram, e ele morreu.
14. Depois, mandaram a notícia a Jezabel: "Nabot foi apedrejado e está morto".
15. Quando Jezabel soube que Nabot tinha sido apedrejado e morrera, disse a Acab: "Levante-se e tome posse da vinha de Nabot de Jezrael, que não quis vender a vinha para você. Nabot não está mais vivo; ele morreu".
16. Quando Acab soube que Nabot estava morto, levantou-se para descer até a vinha de Nabot de Jezrael, a fim de tomar posse dela.
17. Então Javé dirigiu a palavra a Elias, o tesbita:
18. "Levante-se e desça ao encontro de Acab, rei de Israel, que está em Samaria. Ele está na vinha de Nabot, aonde foi para tomar posse.
19. Diga-lhe: Assim diz Javé: Você matou, e ainda por cima está roubando? Por isso, assim diz Javé: No mesmo lugar em que os cães lamberam o sangue de Nabot, lamberão também o seu".
20. Acab disse a Elias: "Então, meu inimigo, você me surpreendeu?" Elias respondeu: "Sim, eu surpreendi você. Pois você se deixou subornar para fazer o que Javé reprova.
21. Por isso, farei cair sobre você a desgraça. Vou deixá-lo sem descendência, vou exterminar todo israelita da sua família, escravo ou livre que urina na parede.
22. Farei com sua casa como fiz com a casa de Jeroboão, filho de Nabat, e com a casa de Baasa, filho de Aías, porque você provocou a minha ira e fez Israel pecar".
23. Javé também pronunciou uma sentença contra Jezabel: "Os cães devorarão Jezabel no campo de Jezrael.
24. A pessoa da família de Acab que morrer na cidade será devorada pelos cães, e quem morrer no campo será comido pelas aves do céu".
25. De fato, não houve ninguém que se tivesse vendido como Acab, incitado por sua mulher Jezabel, para fazer o que Javé reprova.
26. Ele agiu de modo abominável, cultuando ídolos, como faziam os amorreus que Javé tinha expulsado diante dos israelitas.
27. Quando Acab ouviu essas palavras, rasgou as roupas, vestiu-se com pano de saco e fez jejum. Dormia vestido de pano de saco e andava abatido.
28. Então Javé dirigiu a palavra a Elias, o tesbita:
29. "Você viu como Acab se humilhou diante de mim? Por se ter humilhado diante de mim, eu não o castigarei durante a sua vida; mas castigarei a sua família no tempo do seu filho".

[I Reis 22]I Reis 22

O PROFETA É REALISTA
1. Passaram-se três anos sem que houvesse guerra entre Aram e Israel.
2. No terceiro ano, Josafá, rei de Judá, foi visitar o rei de Israel.
3. Este disse a seus próprios ministros: "Vocês sabem que Ramot de Galaad nos pertence, e nós não fazemos nada para recuperá-la das mãos do rei de Aram".
4. Então o rei de Israel disse a Josafá: "Você quer vir comigo para guerrear contra Ramot de Galaad?" Josafá respondeu ao rei de Israel: "Você e eu, seu exército e o meu, sua cavalaria e a minha, somos todos um só".
5. E acrescentou: "Consulte antes o oráculo de Javé".
6. O rei de Israel reuniu os profetas, cerca de quatrocentos homens, e lhes perguntou: "Devo atacar Ramot de Galaad, ou não?" Eles responderam: "Pode ir, porque Javé a entregará nas mãos do rei".
7. Então Josafá perguntou: "Por acaso não existe aqui nenhum outro profeta de Javé, para que possamos consultá-lo?"
8. O rei de Israel respondeu a Josafá: "Existe ainda um: é Miquéias, filho de Jemla, através do qual podemos consultar a Javé. Mas eu não gosto dele, porque nunca me profetiza coisas boas, mas só desgraças". Josafá disse: "O rei não deve falar assim!"
9. Então o rei de Israel chamou um funcionário e ordenou: "Chame depressa Miquéias, filho de Jemla".
10. O rei de Israel e Josafá, rei de Judá, estavam sentados em seus tronos com vestes reais, na praça junto à porta de Samaria, e todos os profetas profetizavam diante deles.
11. Sedecias, filho de Canaana, fez para si chifres de ferro e disse: "Assim diz Javé: Com isso, você ferirá os arameus até acabar com eles".
12. E todos os profetas faziam a mesma predição, dizendo: "Ataque Ramot de Galaad. Você triunfará, porque Javé vai entregá-la nas mãos do rei".
13. Enquanto isso, o mensageiro que tinha ido chamar Miquéias disse ao profeta: "Veja bem! Todos os profetas estão falando em favor do rei. Procure falar como eles e predizer o sucesso".
14. Miquéias respondeu: "Pela vida de Javé! Vou dizer o que Javé me mandar".
15. Quando Miquéias se apresentou ao rei, este lhe perguntou: "Miquéias, podemos atacar Ramot de Galaad, ou não?" Miquéias respondeu: "Pode ir. Você será bem sucedido. Javé vai entregá-la nas mãos do rei".
16. Mas o rei lhe perguntou: "Quantas vezes terei de pedir para você jurar que está falando somente a verdade em nome de Javé?"
17. Então Miquéias disse ao rei: "Estou vendo Israel espalhado pelas montanhas, como ovelhas sem pastor. E Javé me disse: Eles não têm mais senhor. Que cada um volte em paz para casa".
18. O rei de Israel comentou então com Josafá: "Eu não disse a você? Ele nunca me profetiza boa sorte, mas sempre desgraça".
19. Miquéias replicou: "Ouça a palavra de Javé. Eu vi Javé sentado em seu trono, e todo o exército do céu estava em pé, à direita e à esquerda de Javé.
20. E Javé perguntou: 'Quem poderá enganar Acab, para que ele vá e morra em Ramot de Galaad?' Uns diziam uma coisa, e outros diziam outra.
21. Então um espírito se aproximou, ficou diante de Javé, e disse: 'Eu posso enganá-lo'. Javé lhe perguntou: 'De que modo?'
22. Ele respondeu: 'Irei e me transformarei em oráculo falso na boca de todos os profetas'. Javé lhe disse. 'Você conseguirá enganá-lo. Vá e faça isso'.
23. Como você pode ver, Javé colocou oráculos falsos na boca de todos esses profetas do rei, porque Javé decretou a ruína do rei".
24. Então Sedecias, filho de Canaana, aproximou-se de Miquéias, deu-lhe um tapa e disse: "Qual é o caminho por onde o espírito de Javé saiu de mim para falar a você?"
25. Miquéias respondeu: "Você o verá no dia em que tiver de andar de casa em casa para se esconder".
26. Então o rei de Israel ordenou: "Prenda Miquéias e o leve ao governador Amon e ao príncipe Joás.
27. Você dirá a eles: 'Por ordem do rei, ponham esse homem na prisão e o tratem a pão e água, até que o rei volte vitorioso' ".
28. Miquéias disse: "Se você voltar vitorioso, Javé não falou por minha boca".
29. O rei de Israel e Josafá, rei de Judá, marcharam contra Ramot de Galaad.
30. O rei de Israel disse a Josafá: "Vou me disfarçar antes de entrar em combate. Você, porém, vá com sua roupa". E o rei de Israel se disfarçou e foi para o combate.
31. O rei de Aram tinha ordenado aos comandantes dos carros que não atacassem a ninguém nem pequeno nem grande, mas somente o rei de Israel.
32. Quando os comandantes dos carros viram Josafá, comentaram: "Esse é o rei de Israel". E se lançaram contra ele. Mas Josafá deu o grito de guerra
33. e os comandantes dos carros viram que ele não era o rei de Israel, e pararam de persegui-lo.
34. Um soldado atirou com o arco, ao acaso, e atingiu o rei de Israel numa brecha da couraça. O rei disse ao condutor de seu carro: "Dê a volta e tire-me do campo de batalha, porque estou ferido".
35. Mas, nesse dia, o combate se tornou mais violento, de modo que seguraram o rei de pé sobre seu carro, diante dos arameus. E ele morreu ao entardecer. O sangue de sua ferida escorria no fundo do carro.
36. Ao pôr-do-sol, um grito correu pelo acampamento: "Cada um volte para sua cidade e para sua terra!
37. O rei está morto!" E o levaram para Samaria, e aí o enterraram.
38. Lavaram o carro na piscina de Samaria, os cães lamberam o sangue dele e as prostitutas aí se lavaram, como Javé havia anunciado.
39. O resto da história de Acab e do que ele fez, o palácio de marfim e as cidades que construiu, tudo está escrito nos Anais dos Reis de Israel.
40. Acab morreu, e seu filho Ocozias lhe sucedeu no trono.

JOSAFÁ DE JUDÁ, TEMPO DE PAZ
41. Josafá, filho de Asa, tornou-se rei de Judá no quarto ano do reinado de Acab, rei de Israel.
42. Quando subiu ao trono, Josafá tinha trinta e cinco anos, e reinou durante vinte e cinco anos em Jerusalém. Sua mãe se chamava Azuba, filha de Selaqui.
43. Ele seguiu em tudo o comportamento de seu pai Asa, sem desviar-se, fazendo o que Javé aprova.
44. Entretanto, os lugares altos não desapareceram, e aí nos lugares altos o povo continuou a oferecer sacrifícios e incenso.
45. Josafá viveu em paz com o rei de Israel.
46. O resto da história de Josafá, as vitórias que obteve e as guerras que fez, tudo está escrito nos Anais dos Reis de Judá.
47. Ele expulsou do país o resto dos prostitutos sagrados que ainda sobravam do tempo de seu pai Asa.
48. Não havia rei em Edom. O rei
49. Josafá construiu navios de Társis para ir a Ofir em busca de ouro, mas não pôde fazer a viagem, porque a frota naufragou em Asiongaber.
50. Então Ocozias, filho de Acab, disse a Josafá: "Meus homens poderiam ir nos navios com os seus homens". Josafá, porém, não concordou.
51. Josafá morreu e o enterraram com seus antepassados na Cidade de Davi, seu antecessor. E seu filho Jorão lhe sucedeu no trono.

OCOZIAS DE ISRAEL
52. Ocozias, filho de Acab, subiu ao trono de Israel, em Samaria, no ano dezessete de Josafá, rei de Judá. E reinou dois anos sobre Israel.
53. Fez o que Javé reprova, imitando o comportamento de seu pai e de sua mãe e o exemplo de Jeroboão, filho de Nabat, que levou Israel a pecar.
54. Prestou culto a Baal e o adorou, provocando a ira de Javé, o Deus de Israel, exatamente como seu pai tinha feito.


[II Reis 1]II Reis 1

O PROFETA DE JAVÉ
1. Depois da morte de Acab, Moab se revoltou contra Israel.
2. Ocozias caiu da sacada de seu quarto, em Samaria, e ficou ferido. Então mandou mensageiros com o seguinte encargo: "Consultem Baal-Zebub, deus de Acaron, para ver se vou sarar destas feridas".
3. Mas o anjo de Javé disse a Elias, o tesbita: "Levante-se e vá ao encontro dos mensageiros do rei de Samaria e diga-lhes: 'Por acaso não existe Deus em Israel, para vocês estarem consultando Baal-Zebub, deus de Acaron?
4. Por isso, assim diz Javé: Você não se levantará da cama em que se deitou. Com certeza você vai morrer' ". E Elias foi embora.
5. Os mensageiros voltaram, e o rei Ocozias perguntou-lhes: "Por que vocês voltaram?"
6. Eles responderam: "Um homem veio ao nosso encontro e nos mandou voltar ao rei que nos tinha enviado, para dizer a ele: 'Assim diz Javé: Por acaso não existe Deus em Israel, para que você mande consultar Baal-Zebub, deus de Acaron? Por isso você não se levantará da cama em que está deitado. Com certeza você vai morrer' ".
7. Ocozias perguntou: "Como era o homem que foi ao encontro de vocês e lhes disse essas coisas?"
8. Eles responderam: "Ele estava vestido com roupa de pêlos e usava um cinto de couro". O rei disse: "É Elias, o tesbita!"
9. Então mandou um oficial com cinqüenta soldados buscar Elias. O oficial subiu à procura de Elias, o encontrou sentado no alto do monte e lhe disse: "Homem de Deus, o rei manda você descer".
10. Elias respondeu: "Se eu sou homem de Deus, que um raio caia e queime você e seus cinqüenta soldados". Então um raio caiu e queimou o oficial e os seus cinqüenta soldados.
11. O rei mandou de novo outro oficial com cinqüenta soldados. O oficial subiu e disse a Elias: "Homem de Deus, o rei mandou você descer imediatamente".
12. Elias respondeu: "Se eu sou homem de Deus, que um raio caia e queime você e seus cinqüenta soldados". Então um raio caiu e queimou o oficial e seus cinqüenta soldados.
13. O rei mandou, pela terceira vez, um oficial com cinqüenta soldados. O oficial subiu, ajoelhou-se diante de Elias e suplicou: "Homem de Deus, que a minha vida e a vida desses cinqüenta soldados, seus servos, tenha algum valor para você.
14. Caiu um raio e queimou dois oficiais, cada um com seus cinqüenta homens. Mas agora, que a minha vida tenha algum valor para você!"
15. O anjo de Javé disse a Elias: "Desça com ele e não tenha medo". Elias se levantou, desceu com o oficial e foi falar com o rei.
16. E lhe disse: "Assim diz Javé: Uma vez que você enviou mensageiros para consultar Baal-Zebub, deus de Acaron, você não se levantará da cama em que está deitado. Com certeza você vai morrer".
17. E o rei Ocozias morreu, conforme a palavra de Javé, anunciada por Elias. E Ocozias não tinha filhos. Por isso, seu irmão Jorão subiu ao trono em seu lugar; e já fazia dois anos que Jorão, filho de Josafá, era rei de Judá.
18. O resto da história de Ocozias, e do que ele fez, tudo está escrito nos Anais dos Reis de Israel.

[II Reis 2]VI. ELISEU, DISCÍPULO DE ELIAS

II Reis 2

A ATIVIDADE PROFÉTICA CONTINUA
1. Quando Javé arrebatou Elias ao céu num redemoinho, aconteceu o seguinte: Elias e Eliseu partiram de Guilgal.
2. Elias disse a Eliseu: "Fique aqui, porque Javé me mandou ir sozinho a Betel". Eliseu respondeu: "Pela vida de Javé e pela sua vida, não deixarei de acompanhar você". E desceram juntos a Betel.
3. Os irmãos profetas que moravam em Betel foram ao encontro de Eliseu, e lhe disseram: "Você está sabendo que Javé hoje mesmo vai levar embora seu mestre, nos ares, por cima da sua cabeça?" Eliseu respondeu: "Claro que sei: Mas fiquem quietos".
4. Elias disse: "Eliseu, fique por aqui mesmo, porque Javé me manda ir sozinho a Jericó". Mas Eliseu respondeu: "Pela vida de Javé e pela sua vida, não deixarei de acompanhar você". E foram para Jericó.
5. Os irmãos profetas que moravam em Jericó se aproximaram de Eliseu, e lhe disseram: "Você está sabendo que Javé hoje mesmo vai levar embora seu mestre, nos ares, por cima da sua cabeça?" Eliseu respondeu: "Claro que sei. Mas fiquem quietos".
6. Elias disse a Eliseu: "Fique por aqui mesmo, porque Javé me manda ir sozinho até o Jordão". Mas Eliseu respondeu: "Pela vida de Javé e pela sua vida, não deixarei de acompanhar você". E eles foram juntos.
7. Com eles foram cinqüenta irmãos profetas. Estes ficaram a certa distância, enquanto os dois pararam à margem do rio Jordão.
8. Então Elias pegou o manto, o enrolou e bateu com ele na água. A água se dividiu em duas partes, de tal modo que os dois passaram o rio sem molhar os pés.
9. Depois que passaram o rio, Elias disse a Eliseu: "Peça o que você quiser, antes que eu seja arrebatado da sua presença". Eliseu pediu: "Deixe-me como herança dupla porção do seu espírito".
10. Elias disse: "Você está pedindo uma coisa difícil. Em todo caso, se você me enxergar quando eu for arrebatado da sua presença, isso que pede lhe será concedido; caso contrário, não será concedido".
11. E, enquanto estavam andando e conversando, apareceu um carro de fogo com cavalos de fogo, que os separou um do outro. E Elias subiu ao céu no redemoinho.
12. Eliseu olhava e gritava: "Meu pai! Meu pai! Carro e cavalaria de Israel!" Depois não o viu mais. Então Eliseu pegou sua própria túnica e a rasgou em duas partes.
13. Pegou o manto de Elias, que havia caído, e voltou para a margem do Jordão.
14. Segurando o manto de Elias, bateu com ele na água, dizendo: "Onde está Javé, o Deus de Elias?" Bateu na água, que se dividiu em duas partes. E ele atravessou o rio.
15. Ao vê-lo, os irmãos profetas, que estavam a certa distância, comentaram: "O espírito de Elias repousa sobre Eliseu". Então foram ao seu encontro, se prostraram diante dele,
16. e disseram: "Aqui, entre seus servos, você pode contar com cinqüenta homens valentes. Permita que eles saiam para procurar seu mestre. Talvez o espírito de Javé o tenha arrebatado e jogado sobre algum monte ou dentro de algum vale". Eliseu respondeu: "Não mandem ninguém".
17. Eles, porém, insistiam tanto, a ponto de aborrecê-lo. Por fim, ele disse: "Então mandem". Eles mandaram cinqüenta homens, que procuraram Elias durante três dias, mas não o encontraram.
18. Voltaram para Eliseu, que tinha ficado em Jericó. Então Eliseu lhes disse: "Não falei para vocês não irem?"

VIDA PARA O POVO
19. Os habitantes de Jericó disseram a Eliseu: "A localização da cidade é boa, como o senhor pode ver; mas a água é ruim e faz as mulheres abortarem".
20. Eliseu pediu: "Tragam para mim um prato novo com sal". Eles levaram o prato,
21. e Eliseu foi até a fonte de água, jogou nela o sal, e disse: "Assim diz Javé: Eu faço esta água ficar boa, e ela não causará nem morte nem esterilidade".
22. E a água se tornou potável até o dia de hoje, como Eliseu tinha dito.

O PROFETA MERECE RESPEITO
23. Daí, Eliseu foi para Betel. Enquanto subia pelo caminho, um bando de garotos, que tinham saído da cidade, começaram a zombar dele, gritando: "Suba, careca! Suba, careca!"
24. Eliseu virou-se, olhou para eles e os amaldiçoou em nome de Javé. Então duas ursas saíram do bosque e despedaçaram quarenta e dois garotos.
25. Eliseu foi para o monte Carmelo e depois voltou para Samaria.

[II Reis 3]II Reis 3

ALCANCE DA AÇÃO PROFÉTICA
1. Jorão, filho de Acab, subiu ao trono de Israel, em Samaria, no ano dezoito do reinado de Josafá, rei de Judá. Reinou doze anos.
2. Fez o que Javé reprova, embora nem tanto como seu pai e sua mãe, pois derrubou a estela de Baal, que seu pai tinha erguido.
3. Contudo, repetiu os pecados que Jeroboão, filho de Nabat, fez Israel cometer, e deles não se afastou.
4. Mesa, rei de Moab, era criador de gado e pagava ao rei de Israel cem mil cordeiros e cem mil carneiros, juntamente com a lã.
5. Quando Acab morreu, Mesa se revoltou contra Israel.
6. Nesse tempo, o rei Jorão saiu de Samaria e passou revista a todo o Israel.
7. Depois mandou dizer ao rei de Judá: "O rei de Moab se revoltou contra mim. Você quer ir comigo para lutar contra Moab?" O rei de Judá respondeu: "Sim. Você e eu, seu exército e o meu, sua cavalaria e a minha, somos todos um só".
8. E perguntou: "Que caminho seguiremos?" Jorão respondeu: "O caminho do deserto de Edom".
9. Então os reis de Israel, Judá e Edom partiram. Depois de marchar sete dias, faltou água para o exército e para os animais.
10. Então o rei de Israel exclamou: "Ai de nós! Javé nos reuniu, os três reis, para nos entregar em poder de Moab!"
11. O rei de Judá perguntou: "Não existe por aqui algum profeta para podermos consultar a Javé?" Um dos oficiais do rei de Israel respondeu: "Aqui há um certo Eliseu, filho de Safat, que derramava água nas mãos de Elias".
12. Josafá comentou: "A palavra de Javé está com ele". Então o rei de Israel, o rei de Judá e o rei de Edom foram ao encontro de Eliseu.
13. Mas Eliseu disse ao rei de Israel: "Deixe-me em paz. Vá consultar os profetas de seu pai e de sua mãe". O rei de Israel replicou: "Olhe, Javé nos reuniu, os três reis, para nos entregar em poder de Moab".
14. Eliseu então disse: "Pela vida de Javé dos exércitos, a quem sirvo, se não fosse por consideração ao rei de Judá, eu nem olharia na sua cara.
15. Apesar de tudo, me tragam aqui um tocador de lira". Enquanto o músico tocava, a mão de Javé veio sobre Eliseu.
16. E ele disse: "Assim diz Javé: 'Cavem diversos fossos neste vale',
17. pois assim diz Javé: 'Vocês não verão vento nem chuva, mas este vale ficará cheio de água e vocês poderão beber com seus exércitos e animais'.
18. Como isso não bastasse, Javé entregará Moab nas mãos de vocês.
19. E vocês destruirão todas as cidades fortificadas, cortarão suas árvores frutíferas, fecharão todas as fontes e cobrirão de pedras todos os campos férteis".
20. De fato, na manhã seguinte, na hora da apresentação da oferta, veio água dos lados de Edom, e toda a região ficou alagada.
21. Os moabitas ficaram sabendo que esses reis tinham chegado para os atacar. Então convocaram todos os que tinham idade para pegar em armas e tomaram posição na fronteira.
22. De manhã, quando se levantaram e o sol brilhou sobre a água, os moabitas viram de longe a água, vermelha como sangue.
23. Então disseram: "É sangue. Os reis lutaram entre si e se mataram. E agora, Moab, vamos saquear".
24. Mas quando os moabitas chegaram ao acampamento israelita, os israelitas se levantaram e derrotaram os moabitas, que fugiram. Os israelitas entraram no território de Moab e o arrasaram:
25. destruíram as cidades, e cada um atirou pedras nos melhores campos até os cobrir, fecharam todas as fontes e cortaram todas as árvores frutíferas. Sobrou apenas Quir-Hares, que foi cercada e atacada pelos atiradores de pedras.
26. Quando o rei de Moab percebeu que não conseguiria sustentar o combate, tomou consigo setecentos homens armados de espada, para abrir uma passagem e chegar até o rei de Aram. Mas não conseguiu.
27. Pegou, então, seu filho primogênito, que lhe sucederia no trono, e o ofereceu em holocausto sobre a muralha. Desencadeou-se então uma grande indignação contra os israelitas, que tiveram de se retirar e voltar para seu país.

[II Reis 4]II Reis 4

A LIBERTAÇÃO DOS POBRES
1. A esposa de um dos irmãos profetas suplicou a Eliseu: "Meu marido, seu servo, morreu. E você sabe que seu servo temia a Javé. Mas um homem, a quem devíamos, veio para levar meus dois filhos como escravos".
2. Eliseu perguntou: "Que posso fazer por você? Diga-me o que você tem em casa". A mulher respondeu: "Tudo o que tenho em casa é uma vasilha de azeite".
3. Então Eliseu ordenou: "Vá e tome emprestado dos vizinhos uma grande quantidade de vasilhas.
4. Depois entre em casa, feche a porta com seus filhos dentro, e encha todas as vasilhas com azeite. Conforme você as for enchendo, vá colocando à parte".
5. A mulher foi e se fechou em casa com os filhos. Estes iam levando as vasilhas e a mulher ia derramando o azeite dentro.
6. Quando as vasilhas ficaram cheias, ela pediu ao filho: "Traga mais uma". E ele respondeu: "Acabou". Então o azeite parou de correr.
7. A mulher foi contar isso ao homem de Deus, e ele disse: "Agora vá, venda o azeite, pague a dívida e use o que sobrar para viver com seus filhos".

PORTADOR DA VIDA
8. Certo dia, Eliseu passou pela cidade de Sunam, onde morava uma mulher rica, que o convidou para uma refeição em sua casa. Depois disso, cada vez que passava por aí, Eliseu entrava para comer.
9. A mulher disse ao marido: "Olhe, esse homem que está sempre em nossa casa é um santo homem de Deus.
10. Vamos fazer para ele um quarto de tijolos no terraço, com cama, mesa, cadeira e lâmpada. Quando ele vier à nossa casa, poderá ficar aí".
11. Um dia que Eliseu passou por Sunam, subiu para o quarto do terraço e se deitou.
12. Ele disse a seu servo Giezi: "Chame a sunamita". O servo a chamou, e ela se apresentou a Eliseu.
13. E ele disse ao servo: "Diga a ela: 'Você se preocupou conosco. Que podemos fazer por você? Quer alguma recomendação para o rei ou para o chefe do exército?' " A mulher respondeu: "Eu vivo no meio do meu povo".
14. Eliseu perguntou ao servo: "O que poderíamos fazer por ela?" Giezi respondeu: "Ela não tem filhos, e o marido dela já é idoso".
15. Eliseu disse: "Vá chamá-la" O servo chamou a mulher, e ela apareceu na porta.
16. Eliseu disse: "Daqui a um ano, nesta mesma data, você terá um filho nos braços". Ela, porém, respondeu: "Não, meu senhor, não engane sua serva".
17. A mulher, porém, ficou grávida e deu à luz um filho no ano seguinte, na mesma época que Eliseu havia predito.
18. O menino cresceu. Certo dia, foi encontrar seu pai junto com os ceifadores,
19. e lhe disse: "Estou com dor de cabeça". O pai disse a um dos servos: "Leve o menino para junto da mãe".
20. O servo pegou o menino e o levou para a mãe. O menino ficou no colo da mãe até o meio-dia, e depois morreu.
21. A mãe subiu até o terraço, colocou o menino sobre a cama do homem de Deus, fechou a porta e saiu.
22. Depois chamou o marido e lhe disse: "Mande-me um servo e uma jumenta. Vou correndo à casa do homem de Deus e volto logo".
23. O marido perguntou: "O que é que você vai fazer lá hoje? Não é nem lua nova nem sábado". Mas ela respondeu: "Fique sossegado".
24. Ela mandou selar a jumenta, e disse ao servo: "Vá na minha frente, e pare somente quando eu lhe disser".
25. Então a mulher foi ao encontro do homem de Deus no monte Carmelo. O homem de Deus viu a mulher de longe, e disse a seu servo Giezi: "A sunamita vem aí.
26. Corra ao encontro dela e pergunte: 'Você está bem? Seu marido vai bem? Seu filho está bem?' " A mulher respondeu: "Estamos bem".
27. Quando chegou perto do homem de Deus, no alto da montanha, a mulher abraçou os pés dele. Giezi se aproximou para afastá-la, mas o homem de Deus lhe disse: "Deixe-a. Ela está com a alma amargurada. Javé me escondeu isso e nada me revelou".
28. Então a mulher perguntou: "Por acaso eu lhe pedi um filho? Eu lhe havia pedido que não me enganasse".
29. Eliseu ordenou a Giezi: "Apronte-se, pegue meu bastão e coloque-se a caminho. Se você encontrar alguém, não o cumprimente, e se alguém o cumprimentar, não responda. Coloque meu bastão sobre o rosto do menino".
30. Mas a mãe disse: "Pela vida de Javé e pela sua vida, eu não o deixarei". Então Eliseu se levantou e a seguiu.
31. Giezi, que fora na frente, tinha colocado o bastão sobre o rosto do menino, mas o menino não falou nem reagiu. Então o servo voltou ao encontro de Eliseu e informou: "O menino não despertou".
32. Eliseu entrou na casa e encontrou o menino morto, estendido sobre sua própria cama.
33. Entrou, fechou a porta e rezou a Javé.
34. Depois subiu na cama, deitou-se sobre o menino, colocou a boca sobre a dele, os olhos sobre os dele, as mãos sobre as dele, e estendeu-se sobre o menino. E o menino foi se aquecendo.
35. Então Eliseu começou a andar pelo quarto, de cá para lá. Depois subiu de novo na cama e se estendeu sobre o menino. Fez isso sete vezes. Então o menino espirrou e abriu os olhos.
36. Eliseu chamou Giezi e lhe disse: "Chame a sunamita". Giezi a chamou. Quando ela chegou perto de Eliseu, este lhe disse: "Pegue seu filho".
37. A mulher entrou, jogou-se aos pés de Eliseu e prostrou-se no chão. Depois pegou o filho e saiu.

HABILIDADE DE ELISEU
38. Quando Eliseu voltou para Guilgal, havia fome na região. Os irmãos profetas estavam sentados na sua frente. Então Eliseu disse ao seu servo: "Ponha a panela grande no fogo, e prepare uma sopa para os irmãos profetas".
39. Um deles foi ao campo para apanhar verdura. Encontrou uvas bravas, apanhou-as e encheu o manto. Ao chegar, cortou-as em pedaços dentro da panela de sopa, sem saber que eram venenosas.
40. E distribuíram a sopa para que os homens comessem. Logo que provaram a sopa, gritaram: "Homem de Deus, isso é veneno!"
41. Eliseu ordenou: "Tragam farinha". Então pôs farinha na panela e disse: "Sirva as pessoas para que comam". E já não havia nada de ruim na panela.

O PROFETA ENSINA A REPARTIR
42. Um homem de Baal-Salisa levou, ao homem de Deus, pão da primeira colheita; levou vinte pães de cevada e trigo novo no bornal. Eliseu ordenou: "Distribua a essas pessoas para que comam".
43. Seu servo disse: "Como vou distribuir isso para cem pessoas?" Eliseu insistiu: "Distribua a essas pessoas, para que comam. Porque assim diz Javé: Elas comerão e ainda sobrará".
44. Então o servo os distribuiu. Todos comeram e ainda sobrou, como Javé tinha dito.

[II Reis 5]II Reis 5

JAVÉ DÁ A VIDA GRATUITAMENTE
1. Naamã, chefe do exército do rei de Aram, era homem estimado e favorecido pelo seu senhor. Foi por meio dele que Javé concedeu a vitória aos arameus. No entanto, esse homem valente ficou leproso.
2. Numa incursão, os arameus tinham levado do território de Israel uma jovem, que ficou a serviço da mulher de Naamã.
3. Ela disse à patroa: "Meu senhor poderia apresentar-se ao profeta de Samaria. Ele certamente o livraria da lepra".
4. Naamã foi informar seu senhor: "A moça israelita disse isso".
5. O rei de Aram lhe disse: "Vá até lá. Vou mandar uma carta para o rei de Israel". Naamã partiu levando trezentos e cinqüenta quilos de prata, sessenta e oito quilos de ouro e dez roupas de festa.
6. Naamã entregou ao rei de Israel a carta que dizia: "Quando você receber esta carta, verá que estou lhe mandando meu servo Naamã para que o cure da lepra".
7. O rei de Israel leu a carta e rasgou as próprias roupas, exclamando: "Por acaso eu sou um deus, capaz de dar a morte ou a vida, para que esse fulano me mande um homem para eu curá-lo de lepra? Vejam bem: ele anda buscando algum pretexto contra mim!"
8. Eliseu, homem de Deus, soube que o rei de Israel tinha rasgado as próprias roupas, e mandou dizer a ele: "Por que você rasgou as roupas? Deixe que ele venha ao meu encontro, e ficará sabendo que há um profeta em Israel".
9. Naamã chegou com seus cavalos e seu carro, e parou na frente da casa de Eliseu.
10. Então Eliseu mandou um mensageiro até ele com esta ordem: "Vá e se lave sete vezes no rio Jordão. Seu corpo ficará limpo, e você ficará curado".
11. Naamã se irritou e foi embora, dizendo: "Eu pensava que ele saísse e invocasse de pé o nome de Javé, o Deus dele. Depois passasse a mão no lugar da doença e, assim, me livrasse da lepra.
12. Por acaso o Abana e o Farfar, rios de Damasco, não são melhores que todas as águas de Israel? Eu não poderia lavar-me neles e ficar curado?" Virou-se e foi embora indignado.
13. Seus servos se aproximaram e disseram: "Se o profeta lhe tivesse mandado fazer alguma coisa difícil, o senhor não faria? No entanto, ele só mandou isto: 'Lave-se, e você ficará curado' ".
14. Então Naamã desceu e mergulhou sete vezes no rio Jordão, como o homem de Deus havia dito. Sua carne se tornou como a carne de uma criança, e ele ficou curado.
15. Então Naamã voltou com toda a sua comitiva até o homem de Deus. Entrou, parou na frente do profeta e disse: "Agora eu sei que não há outro Deus na terra, a não ser em Israel! Por favor, aceite um presente do seu servo".
16. Eliseu respondeu: "Pela vida de Javé, a quem eu sirvo: não aceitarei nenhum presente". Naamã insistiu para que ele aceitasse, mas ele recusou.
17. Então Naamã pediu: "Já que o senhor recusou, ao menos permita que seja dado a seu servo a quantidade de terra que duas mulas podem carregar, pois o seu servo não oferecerá mais holocausto e sacrifício a outros deuses, mas somente para Javé.
18. E que Javé perdoe só uma coisa ao seu servo: quando o rei, meu senhor, vai ao templo de Remon para adorar, ele se apóia no meu braço e eu também me prostro junto com ele no templo de Remon. Que Javé perdoe esse gesto do seu servo".
19. Eliseu disse: "Vá em paz". Naamã já se havia distanciado um bom tanto,
20. quando Giezi, servo de Eliseu, pensou: "Meu senhor foi condescendente com esse arameu Naamã, não aceitando dele o presente oferecido. Pela vida de Javé! Vou correr atrás dele e ganharei alguma coisa".
21. Então Giezi saiu correndo para alcançar Naamã. Quando Naamã viu que Giezi ia correndo atrás dele, desceu do carro, foi ao seu encontro, e perguntou: "Está tudo bem?"
22. Giezi respondeu: "Tudo bem. Só que meu senhor mandou dizer-lhe: 'Agora mesmo acabam de chegar, da região montanhosa de Efraim, dois jovens irmãos profetas. Por favor, dê para eles trinta e cinco quilos de prata e duas roupas de festa' ".
23. Naamã respondeu: "Aceite setenta quilos". Insistiu para que Giezi aceitasse. Depois Naamã colocou setenta quilos de prata e as roupas de festa em duas sacolas, e entregou a dois servos seus. Estes foram na frente de Giezi, levando as sacolas.
24. Chegando a Ofel, Giezi pegou os presentes, guardou-os em casa, despediu os homens, e eles foram embora.
25. Depois Giezi foi ao encontro do seu senhor, e Eliseu lhe perguntou: "Onde é que você foi, Giezi?" Ele respondeu: "O seu servo não foi a lugar nenhum". Mas Eliseu retrucou:
26. "Você pensa que o meu espírito não estava presente quando alguém desceu do carro e foi encontrar você? Agora que você recebeu o dinheiro, com ele você pode comprar roupas, plantações de azeitonas, vinhas, ovelhas, bois, servos e servas.
27. Mas a lepra de Naamã passará para você e seus descendentes para sempre". E Giezi saiu da presença de Eliseu, branco como a neve, por causa da lepra.

[II Reis 6]II Reis 6

DEUS SE MANIFESTA ENTRE OS POBRES
1. Os irmãos profetas disseram a Eliseu: "Como o senhor pode perceber, o lugar onde estamos morando com o senhor é muito pequeno para nós.
2. Vamos até o rio Jordão, e cada um de nós pegará um tronco para construir aí uma casa". Eliseu disse: "Podem ir".
3. Um deles pediu: "Por favor, venha com os seus servos". Eliseu respondeu: "Eu vou".
4. E foi com eles. Chegando ao rio Jordão, começaram a cortar madeira.
5. Um dos irmãos estava cortando um tronco e o machado caiu na água. Então ele gritou: "Meu senhor, era um machado emprestado!"
6. O homem de Deus perguntou: "Onde é que o machado caiu?" O irmão mostrou-lhe o lugar. Então Eliseu cortou um galho de árvore, jogou no lugar e o machado boiou.
7. Eliseu disse: "Pegue o machado". O homem estendeu a mão e pegou o machado.

O PROFETA NA VIDA POLÍTICA
8. O rei de Aram estava em guerra contra Israel. Numa reunião com seus oficiais, ele determinou: "Vamos fazer uma emboscada em tal lugar".
9. Mas Eliseu mandou dizer ao rei de Israel: "Cuidado com o tal lugar, porque os arameus estão acampados aí".
10. O rei de Israel mandou seus homens para o lugar que Eliseu lhe havia indicado. Eliseu avisava, e o rei tomava precauções. E isso aconteceu várias vezes.
11. O rei de Aram ficou perplexo com isso, convocou seus oficiais e perguntou: "Digam-me! Quem dos nossos está nos traindo junto ao rei de Israel?"
12. Um dos oficiais respondeu: "Não é nenhum de nós, senhor meu rei. É Eliseu, profeta de Israel, que revela ao rei de Israel até as palavras que o senhor diz no quarto de dormir".
13. Então o rei ordenou: "Vejam onde ele está, que eu o mandarei prender". Então informaram: "Eliseu está em Datã".
14. O rei mandou para lá cavalaria, carros e poderosa tropa, que chegaram de noite e cercaram a cidade.
15. No dia seguinte, Eliseu madrugou para sair, e viu que um exército estava cercando a cidade, com cavalos e carros. Seu servo lhe disse: "Meu senhor, o que vamos fazer?"
16. Eliseu respondeu: "Não tenha medo. Os que estão conosco são mais numerosos que eles".
17. E Eliseu rezou: "Javé, abre os olhos do meu servo, para que ele possa enxergar". Javé abriu os olhos do servo, e ele viu a montanha cheia de cavalaria e carros de fogo em torno de Eliseu.
18. Quando os arameus desceram contra ele, Eliseu pediu a Javé: "Atrapalha a vista desse pessoal". E Javé atrapalhou a vista deles, conforme Eliseu havia pedido.
19. Então Eliseu disse para eles: "Não é este o caminho, nem a cidade certa. Sigam-me, e eu os levarei ao homem que vocês estão procurando". E os levou para Samaria.
20. Quando entraram em Samaria, Eliseu pediu: "Javé, abre os olhos deles, para que enxerguem bem". Javé abriu os olhos deles, e eles começaram a enxergar: estavam no centro de Samaria!
21. Ao vê-los, o rei de Israel perguntou: "Devo matá-los, meu pai?"
22. Ele respondeu: "Não os mate. Será que você iria matar gente que você não aprisionou com sua espada e seu arco? Dê-lhes pão e água, para que comam e bebam, e depois voltem para o seu senhor".
23. O rei lhes preparou um grande banquete. Eles comeram e beberam. Depois o rei os despediu, e eles voltaram para o seu senhor. E os bandos arameus não fizeram mais incursões no território israelita.

A SALVAÇÃO VEM ATRAVÉS DOS MARGINALIZADOS
24. Tempos depois, Ben-Adad, rei de Aram, reuniu todo o seu exército e cercou a cidade de Samaria.
25. Então houve grande fome em Samaria, e o cerco foi tão duro que um jumento chegou a valer novecentos gramas de prata e sessenta gramas de raízes custava sessenta gramas de prata.
26. O rei de Israel estava passando pela muralha, e uma mulher gritou para ele: "Socorro, senhor meu rei".
27. Ele respondeu: "Se Javé não socorre você, onde vou achar auxílio para salvá-la? Na eira ou no lagar?"
28. Depois o rei perguntou: "O que está acontecendo?" Ela respondeu: "Esta mulher aqui me disse: 'Traga o seu filho aqui para o comermos hoje; amanhã comeremos o meu'.
29. Nós cozinhamos o meu filho e o comemos. No dia seguinte, eu disse a ela: 'Agora entregue seu filho para nós o comermos'. Mas ela escondeu o filho dela".
30. Quando o rei ouviu o que a mulher dizia, rasgou as próprias roupas. Aconteceu que o rei estava andando sobre a muralha, e todos puderam ver que ele estava usando um cilício.
31. Então o rei disse: "Que Deus me castigue se Eliseu, filho de Safat, ainda hoje estiver com a cabeça em cima dos ombros".
32. Enquanto isso, Eliseu estava sentado em casa com os anciãos. O rei mandou um mensageiro na frente. Mas, antes que este chegasse, Eliseu disse aos anciãos: "Vocês vão ver como esse assassino mandou alguém para cortar a minha cabeça! Cuidado! Quando ele chegar, tranquem a porta e não o deixem passar. Não será o barulho dos passos do senhor dele que vem logo atrás?"
33. Eliseu ainda estava falando com eles, quando o rei chegou e disse: "Essa desgraça vem de Javé! O que mais posso esperar de Javé?"

[II Reis 7]II Reis 7

1. Eliseu respondeu: "Escutem a palavra de Javé: Assim diz Javé: Amanhã, nesta mesma hora, na porta de Samaria, uma arroba de flor de farinha vai custar onze gramas de prata, e duas arrobas de cevada valerão onze gramas".
2. O escudeiro, no qual o rei se apoiava, disse a Eliseu: "Mesmo que Javé abrisse janelas no céu, seria possível acontecer isso?" Eliseu respondeu: "Você verá com seus próprios olhos, mas não vai comer nada".
3. Quatro leprosos que estavam na entrada da cidade comentaram entre si: "Por que ficar aqui esperando a morte?
4. Se resolvermos entrar na cidade, morreremos, porque aí reina a fome. Se ficarmos aqui, vamos morrer do mesmo jeito. Então vamos para o lado do acampamento dos arameus: se nos deixarem viver, viveremos; se eles nos matarem, morreremos".
5. Ao cair da tarde, eles foram para o acampamento dos arameus e percorreram todo o acampamento. Não havia ninguém aí.
6. O Senhor havia feito escutar, no acampamento dos arameus, barulho de carros, de cavalos e de grande exército. Então os arameus disseram. "O rei de Israel deve ter contratado os reis heteus e os reis do Egito para nos atacar!"
7. Ao anoitecer, eles se levantaram e fugiram, abandonando tendas, cavalos, jumentos, e deixando o acampamento como estava. Eles fugiram para salvar a vida.
8. Depois de percorrer o acampamento, os leprosos entraram numa tenda, onde comeram e beberam. Em seguida, pegaram prata, ouro e roupas, e esconderam tudo. Voltaram, entraram em outra tenda, pegaram tudo o que encontraram e levaram para o esconderijo.
9. Então comentaram: "Não estamos agindo certo. Hoje é um dia de boas notícias e nós estamos calados! Se esperarmos até amanhã de manhã, seremos castigados. Vamos levar a notícia ao palácio do rei".
10. Eles foram, chamaram os porteiros da cidade e informaram: "Fomos ao acampamento dos arameus: lá não há ninguém, não se ouve a voz de ninguém; há somente cavalos e jumentos amarrados, e as tendas estão abandonadas!"
11. Os porteiros gritaram para dentro e informaram o palácio do rei.
12. Então o rei se levantou à noite e disse a seus oficiais: "Vou explicar a vocês o que os arameus estão tramando contra nós. Eles sabem que estamos passando fome. Por isso, eles saíram do acampamento para se esconder no campo. Estão imaginando o seguinte: 'Eles vão sair da cidade. Então nós os prenderemos vivos e entraremos na cidade' ".
13. Um dos oficiais sugeriu: "Vamos pegar cinco dos cavalos que estão vivos. O máximo que pode acontecer com eles, é o que já está acontecendo com toda a multidão de Israel que resta na cidade. Essa multidão de Israel que está morrendo. Vamos mandá-los e ver o que acontece!"
14. Então tomaram dois carros com os cavalos, e o rei os mandou atrás do exército dos arameus, dizendo: "Vão lá e vejam".
15. Eles foram até o rio Jordão e viram que todo o caminho estava cheio de roupas e objetos que os arameus, cheios de pavor, tinham abandonado. Os mensageiros voltaram e contaram tudo ao rei.
16. Então o povo saiu e saqueou o acampamento dos arameus. E uma arroba de flor de farinha passou a custar onze gramas de prata, e duas arrobas de cevada custavam onze gramas, conforme a palavra de Javé.
17. O rei tinha posto como guarda da porta o seu escudeiro, no qual se apoiava. O povo pisoteou o escudeiro junto à porta, e ele morreu, como o homem de Deus havia predito. De fato, ele havia predito isso quando o rei fora até ele.
18. O homem de Deus tinha dito ao rei: "Amanhã, nesta mesma hora, na porta de Samaria, duas arrobas de cevada vão custar onze gramas de prata, e uma arroba de flor de farinha custará onze gramas".
19. E o escudeiro havia perguntado ao homem de Deus: "Mesmo que Javé abrisse janelas no céu, seria possível acontecer isso?" Eliseu respondera: "Você verá isso com seus próprios olhos, mas não vai comer nada".
20. Foi justamente o que aconteceu: o povo pisoteou o escudeiro na porta, e ele morreu.

[II Reis 8]II Reis 8

MEMÓRIA E INFLUÊNCIA DO PROFETA
1. Eliseu disse à mulher, cujo filho ele havia feito reviver: "Pode partir com sua família e vá morar onde você puder, no estrangeiro, porque Javé mandou a fome, que já está chegando ao país, e vai durar sete anos".
2. A mulher foi e fez o que o homem de Deus tinha mandado: partiu com sua família e morou sete anos no território dos filisteus.
3. Passados sete anos, ela voltou da terra dos filisteus, e foi reclamar junto ao rei sobre sua casa e seu terreno.
4. O rei estava conversando com Giezi, servo do homem de Deus. Ele dizia: "Conte-me todas as grandes coisas que Eliseu fez".
5. Giezi estava contando ao rei a ressurreição do menino morto, quando a mulher, cujo filho Eliseu havia ressuscitado, chegou para reclamar junto ao rei sobre sua casa e seu terreno. Giezi disse: "Senhor meu rei, essa é a mulher e esse é o seu menino, que Eliseu ressuscitou".
6. O rei interrogou a mulher e ela contou o acontecido. Então o rei mandou que um funcionário a acompanhasse. E ordenou: "Seja restituído a essa mulher tudo o que lhe pertence e todos os rendimentos do terreno, desde o dia em que ela deixou o país até hoje".

O PROFETA SABE DISCERNIR
7. Eliseu foi a Damasco, quando Ben-Adad, o rei de Aram, estava doente. Informaram o rei: "O homem de Deus está aqui".
8. Então o rei ordenou a Hazael: "Tome um presente, vá encontrar-se com o homem de Deus e consulte Javé por meio dele, para saber se vou ficar curado desta doença".
9. Hazael foi encontrar-se com Eliseu, levando como presente uma carga de quarenta camelos carregados de tudo o que havia de melhor em Damasco. Chegando à presença de Eliseu, disse: "Seu filho Ben-Adad, rei de Aram, mandou perguntar ao senhor se ele vai ficar bom da doença".
10. Eliseu respondeu: "Diga ao rei que ele poderá ficar bom. No entanto, Javé me mostrou que ele certamente vai morrer".
11. Nesse momento, Eliseu ficou com o rosto imóvel e o olhar fixo. E o homem de Deus começou a chorar.
12. Hazael perguntou: "Por que é que o senhor está chorando?" Eliseu respondeu: "Porque eu sei o mal que você fará aos israelitas: você vai incendiar as fortalezas, passar a fio de espada os jovens, esmagar as crianças e rasgar o ventre das mulheres grávidas!"
13. Hazael perguntou: "Mas quem é este seu servo? Eu não passo de um cão. Como poderia eu fazer essas coisas?" Eliseu respondeu: "Javé me mostrou numa visão que você será o rei de Aram".
14. Hazael deixou Eliseu e voltou para o seu senhor. Este perguntou: "O que foi que Eliseu disse?" Hazael respondeu: "Ele disse que o senhor poderia ficar curado".
15. No dia seguinte, Hazael pegou uma coberta, a encharcou de água e a colocou sobre o rosto de Ben-Adad, até que ele morreu. E Hazael reinou no lugar dele.

JORÃO EM JUDÁ: REINO EM DECADÊNCIA
16. Jorão, filho de Josafá, subiu ao trono de Judá no quinto ano do reinado de Jorão, filho de Acab, rei de Israel.
17. Ele tinha trinta e dois anos quando subiu ao trono. E reinou oito anos em Jerusalém.
18. Imitou o comportamento dos reis de Israel, como a família de Acab havia feito. Isso porque ele se casou com uma mulher da família de Acab; e fez o que Javé reprova.
19. Javé, porém, não quis destruir Judá, por causa do seu servo Davi, pois havia prometido a ele deixar sempre uma lâmpada em sua presença.
20. No tempo de Jorão, rei de Judá, Edom conseguiu libertar-se do domínio de Judá e formar um reino independente.
21. Jorão foi a Seira com todos os seus carros. Levantou-se de noite e, embora tivesse derrotado o exército edomita que o cercava e todos os seus comandantes de carros, a tropa de Jorão debandou e fugiu para suas tendas.
22. Desse modo, Edom se tornou independente de Judá até hoje. Também foi nessa época que Lebna se rebelou.
23. O resto da história de Jorão, e do que ele fez, tudo está escrito nos Anais dos Reis de Judá.
24. Jorão morreu e foi enterrado com seus antepassados na Cidade de Davi. E seu filho Ocozias lhe sucedeu no trono.

OCOZIAS EM JUDÁ: PARENTESCO E ALIANÇA
25. Ocozias, filho de Jorão, subiu ao trono de Judá no ano doze do reinado de Jorão, rei de Israel, filho de Acab.
26. Começou a reinar com vinte e dois anos. E reinou um ano em Jerusalém. Sua mãe se chamava Atalia e era filha de Amri, rei de Israel.
27. Ocozias imitou o comportamento da família de Acab e, como esta, fez o que Javé reprova, pois era parente dessa família.
28. Junto com Jorão, filho de Acab, Ocozias foi lutar em Ramot de Galaad contra Hazael, rei de Aram. Mas os arameus feriram Jorão,
29. que voltou para Jezrael, a fim de tratar dos ferimentos que recebera dos arameus em Ramot, ao lutar contra Hazael, rei de Aram. Ocozias, filho de Jorão, rei de Judá, foi a Jezrael para visitar Jorão, filho de Acab, que estava ferido.

[II Reis 9]II Reis 9

O PROFETA FAZ POLÍTICA
1. O profeta Eliseu chamou um dos irmãos profetas, e lhe ordenou: "Prepare-se, pegue esta vasilha de azeite e vá para Ramot de Galaad.
2. Ao chegar, procure Jeú, filho de Josafá, neto de Namsi. Quando você o encontrar, chame-o do meio de seus companheiros e leve-o até um aposento separado.
3. Pegue então a vasilha e derrame o azeite sobre a cabeça dele, dizendo: 'Assim diz Javé: Estou ungindo você como rei de Israel'. Depois abra a porta e fuja depressa".
4. O jovem foi para Ramot de Galaad.
5. Ao chegar, encontrou os chefes do exército reunidos. E disse: "Chefe, tenho uma mensagem para você". Jeú perguntou: "Para qual de nós?" O jovem respondeu: "Para você, chefe".
6. Jeú se levantou e entrou no aposento. Então o jovem derramou o azeite sobre a cabeça dele, e disse: "Assim diz Javé, o Deus de Israel: Estou ungindo você como rei de Israel, o povo de Javé.
7. Elimine a família de Acab, seu senhor, e eu vingarei o sangue de meus servos, os profetas, e de todos os servos de Javé, contra Jezabel
8. e contra toda a família de Acab. Eliminarei de Israel todos os homens da família de Acab, seja escravo, seja livre.
9. Tratarei a família de Acab como tratei a família de Jeroboão, filho de Nabat, e a família de Baasa, filho de Aías.
10. Jezabel será devorada pelos cães no campo de Jezrael, e ninguém a enterrará". Depois disso, o jovem abriu a porta e fugiu.
11. Jeú saiu para se reunir com os oficiais de seu senhor, e estes lhe perguntaram: "Está tudo bem? O que é que esse louco estava querendo?" Jeú respondeu: "Vocês conhecem bem esse homem e seu tipo de conversa".
12. Eles, porém, insistiram: "Vamos lá! Conte o que houve". Jeú respondeu: "Ele me disse o seguinte: 'Assim diz Javé: Estou ungindo você como rei de Israel' ".
13. Imediatamente todos pegaram seus mantos e os estenderam sobre os degraus, aos pés de Jeú. Depois tocaram a trombeta e aclamaram: "Jeú é rei".

JEÚ E A VINGANÇA DE UM POVO
14. Jeú, filho de Josafá e neto de Namsi, organizou uma conspiração contra Jorão. Ora, Jorão estava com todo o Israel defendendo Ramot de Galaad contra um ataque de Hazael, rei de Aram.
15. O rei Jorão, porém, tinha voltado a Jezrael para se tratar dos ferimentos que recebera dos arameus na guerra contra Hazael, rei de Aram. Jeú disse aos chefes: "Se vocês estão de acordo, não deixem ninguém sair da cidade para levar a notícia a Jezrael".
16. Então Jeú subiu num carro e partiu para Jezrael. Jorão estava aí, de cama, e Ocozias, rei de Judá, tinha ido visitá-lo.
17. A sentinela, que estava na torre de Jezrael, viu o grupo de Jeú se aproximando, e disse: "Estou vendo uma tropa". Jorão ordenou: "Chame um cavaleiro e o mande ao encontro deles para perguntar se estão trazendo boas notícias".
18. O cavaleiro foi ao encontro de Jeú, e disse: "O rei manda perguntar se vocês trazem boas notícias". Jeú respondeu: "O que importam para você as boas notícias? Siga-me". A sentinela anunciou: "O mensageiro chegou até eles, mas não está voltando".
19. Então o rei mandou outro cavaleiro, que foi até Jeú e disse: "O rei manda perguntar se vocês trazem boas notícias". Jeú respondeu: "O que importam para você as boas notícias? Siga-me".
20. A sentinela anunciou: "O mensageiro chegou até eles, mas não está voltando. Pelo jeito de guiar o carro, deve ser Jeú, neto de Namsi. Ele vem guiando como um doido!"
21. Jorão disse: "Preparem o meu carro". O carro foi preparado, e Jorão, rei de Israel, e Ocozias, rei de Judá, cada qual no seu carro, saíram ao encontro de Jeú e se encontraram com ele na propriedade de Nabot de Jezrael.
22. Ao ver Jeú, Jorão perguntou: "Está tudo bem, Jeú?" Este respondeu: "Como pode estar tudo bem, se continuam as prostituições de sua mãe Jezabel e as inúmeras magias?"
23. Então Jorão virou o carro e fugiu, gritando para Ocozias: "É traição, Ocozias!"
24. Jeú, porém, já havia esticado o arco, e atingiu Jorão no meio das costas. A flecha varou o coração de Jorão, e ele caiu no carro.
25. Jeú ordenou para seu escudeiro Badacer: "Tire e jogue-o no terreno que pertencia a Nabot de Jezrael. Você se lembra quando nós dois estávamos juntos num carro perseguindo Acab, o pai dele? Javé pronunciou então esta sentença contra ele:
26. 'Ontem à tarde eu vi o sangue de Nabot e dos filhos dele, oráculo de Javé. Farei você pagar neste mesmo terreno, oráculo de Javé'. Agora, portanto, tire Jorão e jogue-o neste terreno, conforme a palavra de Javé".
27. Vendo isso, Ocozias, rei de Judá, fugiu pelo caminho de Bet-Gã. Jeú o perseguiu e gritou: "Matem Ocozias também". E ele foi ferido no seu carro, na subida de Gaver, perto de Jeblaam. Refugiou-se em Meguido, onde morreu.
28. E foi levado num carro pelos seus servos para Jerusalém e enterrado no seu túmulo, juntamente com seus antepassados, na Cidade de Davi.
29. Ocozias tinha subido ao trono de Judá no ano onze do reinado de Jorão, filho de Acab.
30. Jeú foi para Jezrael. Ao saber disso, Jezabel pintou os olhos, enfeitou a cabeça e ficou na janela.
31. Quando Jeú atravessou a porta da cidade, ela perguntou: "Está tudo bem, ó Zambri, assassino do seu senhor?"
32. Jeú olhou para a janela e disse: "Quem está comigo?" Dois ou três funcionários disseram que estavam do lado dele.
33. Então Jeú ordenou: "Joguem essa mulher para baixo". Eles a jogaram. E o sangue dela espirrou na parede e nos cavalos, que a pisotearam.
34. Em seguida, Jeú entrou, comeu e bebeu. Depois disse: "Vão ver aquela maldita e a enterrem, pois é filha de rei".
35. Mas, quando chegaram para enterrá-la, só encontraram o crânio, os pés e as mãos.
36. Foram contar a Jeú, e ele disse: "Esta foi a palavra que Javé pronunciou por meio de seu servo Elias, o tesbita: No campo de Jezrael, os cães devorarão a carne de Jezabel,
37. e o cadáver de Jezabel será como esterco espalhado pelo campo de Jezrael, de modo que não se poderá reconhecer que é Jezabel!"

[II Reis 10]II Reis 10

EXTERMINANDO A IDOLATRIA
1. Em Samaria havia setenta filhos de Acab. Jeú escreveu cartas, e as enviou para Samaria aos chefes da cidade, aos anciãos e tutores dos filhos de Acab. As cartas diziam:
2. "Quando esta carta chegar, vocês, que estão com os filhos do seu senhor e possuem carros e cavalos, cidade fortificada e armas,
3. escolham o melhor e o mais digno dos filhos do seu senhor e o coloquem no trono do pai. Depois lutem pela família do senhor de vocês!"
4. Eles, porém, ficaram com muito medo, e disseram: "Se dois reis não puderam resistir a Jeú, como é que nós vamos conseguir?"
5. Então o prefeito do palácio, o comandante da cidade, os anciãos e os tutores mandaram dizer a Jeú: "Somos seus servos. Faremos o que você mandar. Não vamos escolher nenhum rei. Faça o que você achar melhor".
6. Jeú escreveu outra carta, dizendo: "Se vocês estão do meu lado e querem me escutar, façam o seguinte: peguem os cabeças dentre os homens da família do seu senhor e venham aqui em Jezrael, amanhã, nesta mesma hora". Setenta filhos do rei moravam nas casas dos notáveis da cidade, onde eram educados.
7. Quando a carta chegou, eles pegaram os filhos do rei, degolaram os setenta, puseram as cabeças dentro de cestos e mandaram para Jezrael.
8. Um mensageiro anunciou a Jeú: "Eles trouxeram as cabeças dos filhos do rei". Jeú ordenou: "Façam com as cabeças dois montes na entrada, junto à porta da cidade, e deixem aí até amanhã de manhã".
9. E de manhã, Jeú saiu, e em pé falou a todo o povo: "Vocês são inocentes! De fato, eu conspirei contra meu senhor e o matei. Mas esses outros aqui, quem foi que os matou?
10. Pois fiquem sabendo que não ficará sem se cumprir nenhuma palavra que Javé pronunciou contra a família de Acab. Javé realizou o que havia dito por meio do seu servo Elias".
11. E Jeú matou também todos os que restavam da família de Acab em Jezrael: notáveis, parentes e sacerdotes. Não sobrou nenhum.
12. Jeú foi para Samaria. No caminho, em Curral dos Pastores,
13. encontrou parentes de Ocozias, rei de Judá, e perguntou: "Quem são vocês?" Eles responderam: "Somos parentes de Ocozias e estamos indo visitar os filhos do rei e os filhos da rainha-mãe".
14. Jeú ordenou: "Prendam vivos esses homens". Eles foram presos vivos e depois degolados no poço de Curral. Eram quarenta e dois, e não sobrou nenhum.
15. Saindo daí, Jeú se encontrou com Jonadab, filho de Recab, que vinha ao seu encontro, o cumprimentou e lhe disse: "Você é leal para mim como eu sou para você?" Jonadab respondeu: "Sou". Jeú replicou: "Então me dê a mão". Jonadab estendeu-lhe a mão, e Jeú o fez subir ao seu lado no carro,
16. dizendo: "Venha comigo, que você verá o zelo que eu tenho por Javé". E o levou no carro.
17. Ao entrar em Samaria, mandou matar todos os sobreviventes da família de Acab que estavam em Samaria. Exterminou toda a família de Acab, como Javé tinha dito a Elias.
18. Jeú reuniu todo o povo e falou: "Acab tinha servido pouco a Baal. Jeú vai servi-lo muito mais.
19. Agora, portanto, chamem todos os profetas de Baal, todos os seus fiéis e sacerdotes. Ninguém deve faltar, pois quero oferecer um grande sacrifício a Baal. Quem faltar, morrerá". Jeú agiu com astúcia para acabar com os fiéis de Baal.
20. Jeú ordenou: "Convoquem uma festa solene em honra de Baal". E eles convocaram.
21. Jeú enviou mensageiros para todo o Israel, e todos os fiéis de Baal se apresentaram. Ninguém faltou. Foram para o templo de Baal, que ficou lotado.
22. Jeú ordenou ao guarda do vestiário: "Traga vestes para todos os fiéis de Baal". E o guarda trouxe vestes para todos.
23. Jeú e Jonadab, filho de Recab, foram para o templo. E Jeú disse aos fiéis de Baal: "Vejam bem se aqui há somente devotos de Baal, e não de Javé".
24. Então Jeú se aproximou para oferecer sacrifícios e holocaustos. Jeú, porém, tinha colocado do lado de fora oitenta homens, com esta ordem: "Quem deixar escapar uma só dessas pessoas que eu vou entregar a vocês pagará com a própria vida".
25. Quando terminou de oferecer o holocausto, Jeú ordenou aos guardas e escudeiros: "Entrem e matem todos. Não deixem ninguém sair". Os guardas e escudeiros mataram todos e os atiraram para fora. Depois voltaram ao templo de Baal,
26. arrancaram o poste sagrado do templo e o queimaram.
27. Derrubaram a estela de Baal, demoliram o templo de Baal e no lugar construíram latrinas, que até hoje estão aí.
28. Jeú fez Baal desaparecer de Israel.
29. Somente não se afastou dos pecados que Jeroboão, filho de Nabat, tinha feito Israel cometer: os bezerros de ouro que estavam em Betel e Dã.
30. Javé disse a Jeú: "Porque você agiu bem, fazendo o que eu aprovo, e tratou a família de Acab como eu queria, os seus filhos sentarão no trono de Israel até a quarta geração".
31. Jeú, porém, não se preocupou em seguir de todo o coração a lei de Javé, o Deus de Israel. Ele não se afastou dos pecados que Jeroboão tinha feito Israel cometer.
32. Nessa época, Javé retalhou o território de Israel. Hazael venceu Israel em todas as fronteiras,
33. a partir do rio Jordão, ao Oriente. E se apossou de todo o território de Galaad, de Gad, de Rúben, de Manassés, desde Aroer, junto ao rio Arnon, assim como Galaad e Basã.
34. O resto da história de Jeú, e do que ele fez, tudo está escrito nos Anais dos Reis de Israel.
35. Jeú morreu e foi enterrado em Samaria. E seu filho Joacaz lhe sucedeu no trono.
36. Jeú reinou vinte e oito anos sobre Israel, em Samaria.

[II Reis 11]II Reis 11

ATALIA EM JUDÁ: FIM DO ARBÍTRIO
1. Quando Atalia, mãe de Ocozias, soube que seu filho estava morto, resolveu acabar com a descendência real.
2. Josaba, filha do rei Jorão e irmã de Ocozias, conseguiu salvar seu sobrinho Joás dentre os filhos do rei que estavam sendo massacrados. Levou o menino, com a ama dele, para o quarto dos leitos, escondendo-o de Atalia. Assim, Joás escapou da morte.
3. E Joás, com sua ama, ficou seis anos escondido no Templo de Javé, enquanto Atalia reinava no país.
4. No sétimo ano, Joiada mandou chamar os oficiais dos mercenários e os guardas. E os reuniu no Templo de Javé. Aí concluiu uma aliança com eles, fez com que prestassem juramento e, então, mostrou-lhes o filho do rei.
5. Em seguida, ordenou-lhes: "Vocês vão fazer o seguinte: Um terço de vocês, que entra em serviço no sábado para montar guarda no palácio real,
6. os que ficam na porta de Sur e os que ficam na porta atrás dos guardas, montarão guarda no Templo para controlar a entrada.
7. Os outros dois grupos, que não trabalham no sábado, montarão guarda no Templo de Javé, junto ao rei.
8. Façam em torno do rei um círculo, com armas em punho. Matem todo aquele que quiser forçar as fileiras. E fiquem sempre junto do rei, aonde quer que ele vá".
9. Os oficiais fizeram como o sacerdote Joiada tinha mandado. Cada um deles reuniu seus homens, tanto os que entravam em serviço no sábado como os que saíam, e foram até o sacerdote Joiada.
10. O sacerdote entregou aos oficiais as lanças e escudos do rei Davi, que estavam no Templo de Javé.
11. De armas em punho, os guardas tomaram seus lugares, desde o ângulo sul até o ângulo norte do Templo, rodeando o altar e o Templo, para proteger o rei.
12. Então Joiada pediu para o rei sair, colocou nele a coroa e entregou-lhe o documento da aliança. Joás foi proclamado rei e ungido. Todos aplaudiram, aclamando: "Viva o rei!"
13. Ouvindo os gritos do povo, Atalia foi ao encontro do povo no Templo de Javé.
14. Mas quando viu o rei de pé no estrado, segundo o costume, os oficiais e os tocadores de trombeta junto ao rei, todo o povo da terra gritando de alegria e tocando trombeta, ela rasgou a roupa e disse: "Traição, traição!"
15. Então o sacerdote Joiada ordenou aos oficiais das tropas: "Arrastem Atalia para fora, por entre as fileiras. Se alguém a seguir, passem a fio de espada". O sacerdote, de fato, havia dito: "Não a matem dentro do Templo de Javé".
16. Agarraram Atalia e, chegando ao palácio real, na entrada da porta dos Cavalos, aí a mataram.
17. Joiada selou, entre Javé e o rei com o povo, a aliança, pela qual este se comprometia a ser o povo de Javé. Selou também contrato entre o rei e o povo.
18. Em seguida, todo o povo da terra foi até o templo de Baal e o arrasou: demoliram os altares e as imagens e, diante dos altares, executaram Matã, sacerdote de Baal. O sacerdote Joiada colocou guardas no Templo de Javé.
19. Depois reuniu os oficiais, os mercenários, os guardas e todo o povo da terra. Fizeram o rei sair do Templo de Javé e o levaram ao palácio real pela porta dos Guardas. E Joás sentou-se no trono dos reis.
20. Todo o povo da terra festejou, e a cidade ficou tranqüila, porque Atalia tinha sido morta pela espada no palácio real.

[II Reis 12]II Reis 12

JOÁS EM JUDÁ: IMPORTÂNCIA DO TEMPLO
1. Joás tinha sete anos quando começou a reinar.
2. Ele subiu ao trono no sétimo ano de Jeú. E reinou quarenta anos em Jerusalém. Sua mãe se chamava Sebias e era natural de Bersabéia.
3. Durante toda a sua vida, Joás fez o que Javé aprova, pois tinha sido educado pelo sacerdote Joiada.
4. Contudo, os lugares altos não desapareceram, e o povo continuou a oferecer sacrifícios e a queimar incenso nos lugares altos.
5. Joás disse aos sacerdotes: "Todo o dinheiro das ofertas sagradas oferecido ao Templo de Javé, o dinheiro que circula, o dinheiro das taxas individuais, o dinheiro das ofertas voluntárias, tudo seja levado para o Templo de Javé.
6. Que os sacerdotes o recolham da mão de seus conhecidos, para fazer reformas necessárias no Templo".
7. Aconteceu que, no ano vinte e três do reinado de Joás, os sacerdotes ainda não tinham feito as reformas necessárias no Templo de Javé.
8. O rei Joás mandou chamar o sacerdote Joiada e os outros sacerdotes, e lhes perguntou: "Por que vocês não fizeram a reforma do Templo? De agora em diante, vocês não ficarão mais com o dinheiro entregue pelos seus conhecidos; vocês têm que entregá-lo para a reforma do Templo".
9. Os sacerdotes concordaram em não receber dinheiro do povo, e não serem mais os encarregados da reforma do Templo.
10. Então o sacerdote Joiada pegou um cofre, fez um buraco na tampa e o colocou junto do altar, no lado direito de quem entra no Templo de Javé. E os sacerdotes porteiros depositavam aí todo o dinheiro que era levado para o Templo.
11. Quando eles viam que havia muito dinheiro no cofre, o secretário do rei e o sumo sacerdote iam, recolhiam e contavam o dinheiro que havia no Templo de Javé.
12. Depois de ter conferido o dinheiro, eles o entregavam aos mestres de obras encarregados do Templo de Javé. Estes utilizavam o dinheiro para pagar carpinteiros e construtores que trabalhavam no Templo de Javé,
13. pedreiros e escultores, e também para comprar madeira e pedra utilizadas na restauração do Templo de Javé.
14. Com esse dinheiro oferecido para o Templo de Javé, não se faziam taças de prata, facas, bacias para aspersão, trombetas, nem objetos de ouro ou prata.
15. O dinheiro era entregue aos mestres de obras, que o usavam na reforma do Templo de Javé.
16. Nem se pediam contas aos homens que recebiam o dinheiro para pagar os operários, porque eles agiam com honestidade.
17. Contudo, o dinheiro oferecido para os sacrifícios de reparação e os sacrifícios pelo pecado não era destinado para o Templo de Javé, mas para os sacerdotes.
18. Hazael, rei de Aram, depois de fazer guerra contra Gat e tomá-la, resolveu subir para atacar Jerusalém.
19. Então Joás, rei de Judá, pegou os objetos que seus antepassados, Josafá, Jorão e Ocozias, reis de Judá, haviam consagrado, e que ele próprio havia consagrado, todo o ouro que existia nos tesouros do Templo de Javé e no palácio real; pegou tudo isso e entregou a Hazael, rei de Aram. Então este se retirou de Jerusalém.
20. O resto da história de Joás, e do que ele fez, tudo está escrito nos Anais dos Reis de Judá.
21. Seus oficiais se rebelaram e o traíram: Joás foi morto em Bet-Melo, na descida do aterro.
22. Foram seus oficiais Jozacar, filho de Semaat, e Jozabad, filho de Somer, que o feriram de morte. Joás foi enterrado com seus antepassados na Cidade de Davi. E seu filho Amasias lhe sucedeu no trono.

[II Reis 13]II Reis 13

JOACAZ EM ISRAEL: PROMESSA DE UM LIBERTADOR
1. Joacaz, filho de Jeú, começou a reinar sobre Israel, em Samaria, no ano vinte e três do rei Joás, filho de Ocozias, rei de Judá. Ele reinou dezessete anos.
2. Fez o que Javé reprova: imitou os pecados que Jeroboão, filho de Nabat, havia feito Israel cometer, e não os eliminou.
3. Por isso, a ira de Javé se inflamou contra Israel e, durante todo esse período, o tornou submisso a Hazael, rei de Aram, e a Ben-Adad, filho de Hazael.
4. Então Joacaz implorou a Javé, e Javé o escutou, porque viu como o rei de Aram oprimia Israel.
5. Javé deu a Israel um libertador, que o libertou do poder de Aram. E os israelitas puderam morar em suas tendas, como antes.
6. Não se afastaram, porém, dos pecados que Jeroboão tinha feito Israel cometer. Continuaram a cometê-los. Até o poste sagrado continuou erguido em Samaria.
7. Foi por isso que Javé deixou para Joacaz somente cinqüenta cavaleiros, dez carros e dez mil soldados de infantaria. O rei de Aram os havia exterminado e reduzido à poeira da estrada.
8. O resto da história de Joacaz, do que ele fez e suas façanhas, tudo está escrito nos Anais dos Reis de Israel.
9. Joacaz morreu e foi enterrado em Samaria. E seu filho Joás lhe sucedeu no trono.

JOÁS EM ISRAEL: O MAL CONTINUA
10. Joás, filho de Joacaz, começou a reinar sobre Israel, em Samaria, no ano trinta e sete de Joás, rei de Judá. Ele reinou dezesseis anos.
11. Fez o que Javé reprova, e não se afastou dos pecados que Jeroboão, filho de Nabat, havia feito Israel cometer, e continuou a praticá-los.
12. O resto da história de Joás, do que ele fez e suas façanhas, a guerra que ele moveu contra Amasias, rei de Judá, tudo está escrito nos Anais dos Reis de Israel.
13. Joás foi se juntar a seus antepassados. E Jeroboão lhe sucedeu no trono. Joás foi enterrado em Samaria, com os reis de Israel.

A AÇÃO PROFÉTICA NÃO PÁRA
14. Quando Eliseu pegou a doença que o levaria à morte, Joás, rei de Israel, foi visitá-lo. E chorou sobre ele, dizendo: "Meu pai, meu pai! Carro e cavalaria de Israel!"
15. Eliseu disse: "Vá buscar o arco e algumas flechas". Joás foi buscar o arco e algumas flechas.
16. Então Eliseu ordenou ao rei: "Segure o arco". E Joás segurou o arco. Eliseu pôs as mãos sobre as mãos do rei,
17. e disse: "Abra a janela do lado do Oriente". E o rei abriu a janela. Eliseu ordenou: "Atire". E Joás atirou. Eliseu exclamou: "Flecha vitoriosa para Javé! Flecha vitoriosa contra Aram! Você vencerá Aram em Afec até eliminá-lo".
18. E continuou: "Pegue as flechas". Joás pegou as flechas. Eliseu ordenou ao rei: "Golpeie o chão". O rei disparou três flechas, e parou.
19. O homem de Deus ficou irritado contra o rei e disse: "Você deveria ter disparado cinco ou seis flechas! Então você derrotaria Aram até eliminá-lo. Mas agora, você vencerá Aram somente três vezes!"
20. Eliseu morreu e foi enterrado. Todos os anos, bandos moabitas faziam incursões no país.
21. Certa vez, alguns homens que estavam enterrando um morto avistaram um desses bandos. Jogaram o corpo dentro do túmulo de Eliseu e foram embora. Aconteceu que o corpo, tocando os ossos de Eliseu, reviveu e se colocou de pé.
22. Hazael, rei de Aram, oprimiu os israelitas durante todo o tempo em que Joacaz viveu.
23. Javé, porém, teve piedade e se compadeceu deles. Voltou-se para eles, por causa da aliança que tinha feito com Abraão, Isaac e Jacó, e ainda não quis destruí-los, nem os afastou de sua presença.
24. Hazael, rei de Aram, morreu. E seu filho Ben-Adad subiu ao trono em seu lugar.
25. Então Joás, filho de Joacaz, retomou do poder de Ben-Adad, filho de Hazael, as cidades que Hazael tinha arrebatado de seu pai Joacaz durante a guerra. Joás venceu três vezes os arameus, e reconquistou as cidades de Israel.

[II Reis 14]VII. FIM DO REINO DE ISRAEL

II Reis 14

AMASIAS EM JUDÁ: PROGRESSO NA LEGISLAÇÃO
1. Amasias, filho de Joás, começou a reinar em Judá no segundo ano do rei Joás, filho de Joacaz, rei de Israel.
2. Ele tinha vinte e cinco anos quando subiu ao trono. E reinou vinte e nove anos em Jerusalém. Sua mãe se chamava Joaden e era natural de Jerusalém.
3. Fez o que Javé aprova, mas não como seu antepassado Davi. Seguiu em tudo o seu pai Joás.
4. Todavia, os lugares altos não desapareceram, e o povo continuou a oferecer sacrifícios e a queimar incenso nos lugares altos.
5. Tendo consolidado o poder em suas mãos, Amasias mandou matar os oficiais que tinham assassinado o rei, seu pai.
6. Ele, porém, não mandou matar os filhos dos assassinos, respeitando assim o que está escrito no livro da Lei de Moisés, onde Javé ordena: "Os pais não serão mortos por causa de seus filhos, nem os filhos serão mortos por causa dos pais. Cada um morrerá por causa de seu próprio pecado".
7. Amasias derrotou os edomitas no Vale do Sal, cerca de dez mil homens. Durante a guerra, conquistou Rocha e mudou o nome dela para Jecetel, nome que se conserva até hoje.
8. Amasias mandou, então, emissários a Joás, filho de Joacaz e neto de Jeú, rei de Israel, com esta mensagem: "Venha para me enfrentar".
9. Joás, rei de Israel, respondeu a Amasias, rei de Judá, com esta mensagem: "O espinheiro do Líbano mandou dizer para o cedro do Líbano: 'Dê-me sua filha como esposa para meu filho'. Mas as feras do Líbano passaram e pisotearam o espinheiro.
10. Você derrotou Edom e se encheu de orgulho. Celebre sua glória, mas fique em casa. Por que você quer se meter numa guerra desastrosa, provocando a sua ruína e a ruína de Judá?"
11. Amasias, porém, não fez caso. Então Joás, rei de Israel, foi enfrentar Amasias, rei de Judá, em Bet-Sames, que pertence a Judá.
12. E Judá foi derrotado por Israel e cada um fugiu para a sua tenda.
13. Em Bet-Sames, Joás, rei de Israel, prendeu Amasias, filho de Joás e neto de Ocozias, e o levou para Jerusalém. Fez uma brecha de duzentos metros na muralha de Jerusalém, desde a porta de Efraim até a porta do Ângulo,
14. e se apoderou do ouro, da prata e de todos os objetos que estavam no Templo de Javé e no tesouro do palácio real. Além disso, tomou reféns, e voltou para Samaria.
15. O resto da história de Joás, todas as suas façanhas militares e a guerra que fez contra Amasias, rei de Judá, tudo está escrito nos Anais dos Reis de Israel.
16. Joás foi juntar-se a seus antepassados e foi enterrado em Samaria, com os reis de Israel. E seu filho Jeroboão lhe sucedeu no trono.
17. Amasias, filho de Joás, rei de Judá, viveu ainda quinze anos depois da morte de Joás, filho de Joacaz, rei de Israel.
18. O resto da história de Amasias está escrito nos Anais dos Reis de Judá.
19. Ele foi vítima de uma conspiração em Jerusalém e fugiu para Laquis. Mas foi perseguido até Laquis, e aí o mataram.
20. Transportaram seu corpo a cavalo, e o enterraram em Jerusalém, junto com seus antepassados, na Cidade de Davi.
21. Todo o povo de Judá escolheu então Ozias, que tinha dezesseis anos, e o proclamaram rei no lugar de seu pai Amasias.
22. Foi ele que reconstruiu Elat e a reconquistou para Judá, depois que Amasias morreu.

JEROBOÃO II EM ISRAEL: DESENVOLVIMENTO E PROBLEMAS SOCIAIS
23. Jeroboão, filho de Joás, começou a reinar sobre Israel, em Samaria, no ano quinze do rei Amasias, filho de Joás, rei de Judá. Ele reinou quarenta e um anos.
24. Fez o que Javé reprova, e não se afastou de todos os pecados que Jeroboão, filho de Nabat, tinha feito Israel cometer.
25. Jeroboão restabeleceu as fronteiras de Israel, desde a entrada de Emat até o mar da Arabá, conforme a palavra de Javé, o Deus de Israel, anunciada através do seu servo, o profeta Jonas, filho de Amati, natural de Gat-Ofer.
26. De fato, Javé viu que a aflição de Israel era muito amarga, pois não havia nem escravo nem livre que fosse em socorro de Israel.
27. Como Javé não havia decidido apagar o nome de Israel debaixo do céu, então o libertou através de Jeroboão, filho de Joás.
28. O resto da história de Jeroboão, do que ele fez, suas façanhas e guerras, como reconquistou para Israel Damasco e Emat, que tinham pertencido a Judá, tudo isso está escrito nos Anais dos Reis de Israel.
29. Jeroboão juntou-se a seus antepassados e foi enterrado em Samaria, junto aos reis de Israel. E seu filho Zacarias lhe sucedeu no trono.

[II Reis 15]II Reis 15

OZIAS EM JUDÁ: UM LONGO REINADO
1. Ozias, filho de Amasias, começou a reinar em Judá no ano vinte e sete de Jeroboão, rei de Israel.
2. Ele tinha dezesseis anos quando subiu ao trono, e reinou cinqüenta e dois anos em Jerusalém. Sua mãe se chamava Jequelias e era natural de Jerusalém.
3. Fez o que Javé aprova, como tinha feito seu pai Amasias.
4. Os lugares altos, porém, não desapareceram, e o povo continuou a oferecer sacrifícios e a queimar incenso nos lugares altos.
5. Contudo, Javé feriu o rei com lepra, que durou até a sua morte. Por isso ele ficou fechado num quarto, enquanto seu filho Joatão, chefe do palácio, governava o povo.
6. O resto da história de Ozias, e do que ele fez, tudo está escrito nos Anais dos Reis de Judá.
7. Ozias morreu e foi enterrado com seus antepassados na Cidade de Davi. E seu filho Joatão lhe sucedeu no trono.

ZACARIAS EM ISRAEL: COMEÇA A ANARQUIA
8. Zacarias, filho de Jeroboão, começou a reinar sobre Israel, em Samaria, no ano trinta e oito de Ozias, rei de Judá. Ele reinou seis meses.
9. Fez o que Javé reprova, como seus antepassados, e não se afastou dos pecados que Jeroboão, filho de Nabat, tinha feito Israel cometer.
10. Selum, filho de Jabes, fez uma conspiração contra Zacarias e o matou em Jeblaam. E usurpou o trono.
11. O resto da história de Zacarias está escrito nos Anais dos Reis de Israel.
12. Aconteceu, então, o que Javé tinha dito a Jeú: "Seus filhos se assentarão no trono de Israel até a quarta geração".

SELUM EM ISRAEL: O REINADO MAIS BREVE
13. Selum, filho de Jabes, começou a reinar no ano trinta e nove de Ozias, rei de Judá. Ele reinou um mês em Samaria.
14. Manaém, filho de Gadi, partiu de Tersa, entrou em Samaria, matou Selum, filho de Jabes, e usurpou o trono.
15. O resto da história de Selum e a conspiração que ele tramou, tudo está escrito nos Anais dos Reis de Israel.
16. Manaém devastou Tafua e seu território, matando todos os seus habitantes, porque não lhe haviam aberto as portas quando ele saiu de Tersa. Manaém arrasou a cidade e rasgou o ventre de todas as mulheres grávidas.

MANAÉM EM ISRAEL: O COMEÇO DO FIM
17. Manaém, filho de Gadi, começou a reinar em Israel no ano trinta e nove de Ozias, rei de Judá. Ele reinou dez anos em Samaria.
18. Fez o que Javé reprova, e não se afastou dos pecados que Jeroboão, filho de Nabat, fizera Israel cometer. No seu tempo,
19. Pul, rei da Assíria, invadiu o país. Manaém pagou a Pul trinta e quatro toneladas de prata, para que Pul o apoiasse e o mantivesse no trono.
20. Manaém requereu essa contribuição de todos os notáveis de Israel, de cada um cerca de meio quilo de prata, para dar ao rei da Assíria. Então o rei da Assíria se retirou, dando fim à ocupação do país.
21. O resto da história de Manaém, e do que ele fez, tudo está escrito nos Anais dos Reis de Israel.
22. Manaém se juntou a seus antepassados. E seu filho Facéias lhe sucedeu no trono.

FACÉIAS EM ISRAEL: PROTEÇÃO INÚTIL
23. Facéias, filho de Manaém, começou a reinar em Israel no ano cinqüenta de Ozias, rei de Judá. Ele reinou dois anos em Samaria.
24. Fez o que Javé reprova, e não se afastou dos pecados que Jeroboão, filho de Nabat, fizera Israel cometer.
25. Seu oficial Facéia, filho de Romelias, conspirou contra ele e o assassinou na torre do palácio real, em Samaria. Trazendo consigo cinqüenta homens de Galaad, Facéia matou o rei e usurpou o trono.
26. O resto da história de Facéias está escrito nos Anais dos Reis de Israel.

FACÉIA EM ISRAEL: O AVANÇO ASSÍRIO
27. Facéia, filho de Romelias, começou a reinar em Israel no ano cinqüenta e dois de Ozias, rei de Judá. Ele reinou vinte anos em Samaria.
28. Fez o que Javé reprova, e não se afastou dos pecados que Jeroboão, filho de Nabat, fizera Israel cometer.
29. No tempo de Facéia, rei de Israel, Teglat-Falasar, rei da Assíria, se apoderou de Aion, Abel-Bet-Maaca, Janoe, Cedes, Hasor, Galaad, Galiléia e toda a região de Neftali; e deportou seus habitantes para a Assíria.
30. No ano vinte de Joatão, filho de Ozias, Oséias, filho de Ela, fez uma conspiração contra Facéia, filho de Romelias, o matou e lhe usurpou o poder.
31. O resto da história de Facéia, e do que ele fez, tudo está escrito nos Anais dos Reis de Israel.

JOATÃO EM JUDÁ: O PREÇO DA NEUTRALIDADE
32. Joatão, filho de Ozias, começou a reinar em Judá no segundo ano de Facéia, filho de Romelias, rei de Israel.
33. Ele tinha vinte e cinco anos quando subiu ao trono, e reinou dezesseis anos em Jerusalém. Sua mãe se chamava Jerusa, e era filha de Sadoc.
34. Fez o que Javé aprova e imitou em tudo o comportamento de seu pai Ozias.
35. Os lugares altos, porém, não desapareceram, e o povo continuou a oferecer sacrifícios e a queimar incenso nos lugares altos. Foi ele que construiu a Porta Superior do Templo de Javé.
36. O resto da história de Joatão, e do que ele fez, tudo está escrito nos Anais dos Reis de Judá.
37. Nesses dias, Javé começou a mandar Rason, rei de Aram, e Facéia, filho de Romelias, contra Judá.
38. Joatão morreu e foi enterrado com seus antepassados na Cidade de Davi, seu antepassado. Seu filho Acaz lhe sucedeu no trono.

[II Reis 16]II Reis 16

ACAZ EM JUDÁ: ALIANÇA COM OS PODEROSOS
1. Acaz, filho de Joatão, começou a reinar em Judá no ano dezessete de Facéia, filho de Romelias.
2. Acaz subiu ao trono com vinte anos, e reinou dezesseis anos em Jerusalém. Não fez, como seu antepassado Davi, o que Javé seu Deus aprova.
3. Imitou o comportamento dos reis de Israel e chegou até a sacrificar seu filho no fogo, conforme os costumes abomináveis das nações que Javé tinha expulsado diante dos israelitas.
4. Ofereceu sacrifícios e queimou incenso nos lugares altos, nas colinas e debaixo de toda árvore frondosa.
5. Nesse tempo, Rason, rei de Aram, e Facéia, filho de Romelias e rei de Israel, subiram para atacar Jerusalém. Eles a cercaram, mas não puderam conquistá-la.
6. Na mesma época, o rei de Edom reconquistou Elat para os edomitas, expulsando os judaítas que aí moravam. Os edomitas ocuparam Elat e aí se estabeleceram até o dia de hoje.
7. Então Acaz mandou mensageiros a Teglat-Falasar, rei da Assíria, com esta mensagem: "Sou seu filho e servo. Venha libertar-me do poder do rei de Aram e do rei de Israel, que se levantaram contra mim".
8. Acaz pegou a prata e o ouro que havia no Templo de Javé e nos tesouros do palácio real, e os enviou como presente para o rei da Assíria.
9. O rei da Assíria atendeu o pedido de Acaz, lutou contra Damasco e se apoderou dela; deportou seus habitantes para Quir e mandou matar Rason.
10. O rei Acaz foi a Damasco para se apresentar a Teglat-Falasar, rei da Assíria. Quando viu o altar que havia em Damasco, mandou para o sacerdote Urias o desenho do altar, com todos os detalhes.
11. Antes que o rei voltasse de Damasco, o sacerdote Urias construiu um altar, seguindo todas as instruções mandadas pelo rei.
12. Quando o rei Acaz voltou de Damasco, viu o altar, aproximou-se e subiu até ele.
13. Queimou sobre o altar seu holocausto e suas ofertas, derramou sua libação e espalhou o sangue de seus sacrifícios de comunhão.
14. Depois mandou tirar da fachada do Templo o antigo altar de bronze, que estava diante de Javé, isto é, entre o altar novo e o Templo, e o colocou do lado norte do novo altar.
15. Depois ordenou ao sacerdote Urias: "É sobre o altar grande que você deverá queimar o holocausto da manhã e a oferta da tarde, o holocausto e a oferta do rei, assim como o holocausto, a oferta e as libações de todo o povo. Derrame sobre ele todo o sangue dos holocaustos e dos sacrifícios. Eu me ocuparei do altar de bronze".
16. O sacerdote Urias fez tudo o que o rei Acaz havia mandado.
17. O rei Acaz arrancou as armações das bases e tirou as bacias das bases. Mandou retirar o Mar de bronze que ficava sobre os bois, e o mandou depositar sobre o piso de pedras.
18. Em consideração ao rei da Assíria, tirou o estrado do trono que ficava no Templo de Javé e a entrada exterior do rei.
19. O resto da história de Acaz, e do que ele fez, tudo está escrito nos Anais dos Reis de Judá.
20. Acaz morreu e foi enterrado com seus antepassados na Cidade de Davi. E seu filho Ezequias lhe sucedeu no trono.

[II Reis 17]II Reis 17

OSÉIAS, O ÚLTIMO REI DE ISRAEL
1. Oséias, filho de Ela, começou a reinar em Israel no ano doze do reinado de Acaz, rei de Judá. Ele reinou nove anos em Samaria.
2. Fez o que Javé reprova, mas nem tanto como os reis de Israel que vieram antes dele.
3. Salmanasar, rei da Assíria, atacou Oséias, e este teve que se submeter e pagar tributo.
4. Mas o rei da Assíria descobriu que Oséias o traía. De fato, Oséias tinha enviado mensageiros até Sô, rei do Egito. E também não pagava mais tributo ao rei da Assíria, como fazia todos os anos. Então o rei da Assíria o prendeu e mandou acorrentar na prisão.
5. Em seguida, o rei da Assíria invadiu todo o país e cercou Samaria durante três anos.
6. No ano nove do reinado de Oséias, o rei da Assíria tomou Samaria e deportou os israelitas para a Assíria. Os israelitas foram levados para Hala, para as margens do Habor, rio de Gozã, e também para as cidades da Média.

POR QUE O REINO DE ISRAEL DESAPARECEU?
7. Tudo isso aconteceu porque os israelitas pecaram contra Javé seu Deus, que os havia tirado da terra do Egito e libertado da opressão do Faraó, rei do Egito. Eles adoraram outros deuses,
8. e seguiram os costumes das nações que Javé havia expulsado diante deles.
9. Os israelitas fizeram contra Javé seu Deus coisas que não deveriam ter feito: construíram para si lugares altos em todas as suas cidades, tanto nas torres de vigia como nas cidades fortificadas;
10. levantaram para si estelas e postes sagrados sobre todas as colinas altas e debaixo de toda árvore frondosa;
11. queimaram incenso em todos os lugares altos, como faziam as nações que Javé havia expulsado diante deles; cometeram ações más, provocando a ira de Javé;
12. adoraram os ídolos, embora Javé tivesse dito: "Não façam isso".
13. Javé tinha advertido Israel e Judá, por meio de todos os profetas e videntes, dizendo: "Convertam-se do seu mau comportamento, e obedeçam aos meus mandamentos e estatutos, de acordo com toda a Lei que dei a seus antepassados e que lhes transmiti através de meus servos, os profetas".
14. Eles, porém, não obedeceram e foram mais teimosos ainda que seus antepassados, que não tinham acreditado em Javé seu Deus.
15. Desprezaram os estatutos dele e a aliança que ele havia feito com seus antepassados, bem como as advertências que lhes havia feito. Correram atrás de ídolos vazios, e se esvaziaram, imitando as nações vizinhas, coisa que Javé lhes tinha proibido.
16. Rejeitaram todos os mandamentos de Javé seu Deus; fabricaram ídolos de metal fundido, os dois bezerros de ouro; fizeram um poste sagrado; adoraram todo o exército do céu e prestaram culto a Baal.
17. Sacrificaram no fogo seus filhos e filhas, praticaram a adivinhação e a magia, e se venderam para praticar o mal diante de Javé, provocando a ira dele.
18. Então Javé ficou irritado contra Israel, e o atirou para longe de si. Restou apenas a tribo de Judá.
19. Também Judá não obedeceu aos mandamentos de Javé seu Deus, mas imitou o comportamento de Israel.
20. Por isso, Javé rejeitou toda a descendência de Israel. Ele a humilhou e a entregou aos saqueadores e, por fim, atirou-a para longe de si.
21. Quando Javé separou Israel da casa de Davi, Israel proclamou rei a Jeroboão, filho de Nabat. E Jeroboão afastou Israel de Javé e o levou a cometer um grande pecado.
22. Os israelitas imitaram o pecado que Jeroboão tinha cometido, e não se afastaram dele.
23. Finalmente, Javé afastou Israel da sua presença, conforme havia anunciado por meio de seus servos, os profetas. Exilou os israelitas de sua terra para a Assíria, onde até hoje se encontram.

ORIGEM DOS SAMARITANOS
24. O rei da Assíria mandou vir gente de Babilônia, de Cuta, Ava, Emat e Sefarvaim, e os estabeleceu nas cidades de Samaria, em lugar dos israelitas. Tomaram posse de Samaria e se instalaram em suas cidades.
25. Quando começaram a se instalar no território, não temiam a Javé, e este mandou leões que os matavam.
26. Eles então comunicaram ao rei da Assíria: "As pessoas que o senhor mandou para morar nas cidades de Samaria não conhecem o ritual do Deus da terra, e ele mandou leões contra essas pessoas. Os leões então as matam, porque elas não conhecem o ritual do Deus da terra".
27. Então o rei da Assíria ordenou: "Mandem para lá um dos sacerdotes deportados de Samaria, para que fique morando aí, e ensine para as pessoas o ritual do Deus da terra".
28. Então um dos sacerdotes que tinham sido deportados de Samaria foi, e se fixou em Betel. Ele ensinou às pessoas como prestar culto a Javé.
29. Cada grupo, porém, foi fabricando seus próprios deuses, e colocou-os nos templos dos lugares altos que os samaritanos tinham feito. Cada grupo fez isso nas cidades em que morava.
30. Os babilônios fizeram uma estátua de Sucot-Benot; os de Cuta, uma de Nergel; os de Emat, uma de Asima;
31. os de Ava, uma de Nebaaz e uma de Tartac; os de Sefarvaim queimavam seus filhos em honra de Adramelec e de Anamelec, deuses de Sefarvaim.
32. Também prestavam culto a Javé. Nomearam, como sacerdotes, pessoas comuns, para que servissem nos templos dos lugares altos.
33. Temiam a Javé e também adoravam seus deuses, conforme o costume das nações de onde tinham sido exilados.
34. Ainda hoje seguem seus ritos antigos. Não temem a Javé, nem praticam seus estatutos e normas, nem a lei e os mandamentos que Javé ordenou aos filhos de Jacó, a quem tinha dado o nome de Israel.
35. Javé tinha feito uma aliança com eles e ordenara: "Não adorem outros deuses, não se prostrem diante deles, não os cultuem e não lhes ofereçam sacrifícios.
36. Vocês devem cultuar, adorar e oferecer sacrifícios somente a Javé, que os tirou do Egito, com grande força e braço estendido.
37. Observem os estatutos e normas, a lei e os mandamentos que Javé deu a vocês por escrito. Cuidem sempre de os colocar em prática. Não prestem culto a outros deuses.
38. Não esqueçam a aliança que fiz com vocês, e não prestem culto a outros deuses.
39. Temam somente a Javé seu Deus, e ele os libertará de todos os seus inimigos".
40. Eles, porém, não obedeceram e continuaram a viver conforme o costume antigo.
41. Desse modo, esses grupos adoravam a Javé e, ao mesmo tempo, prestavam culto a seus próprios ídolos. Seus filhos e netos continuaram fazendo até hoje o que seus antepassados haviam feito.

[II Reis 18]VIII. FIM DO REINO DE JUDÁ

II Reis 18

EZEQUIAS EM JUDÁ: REFORMA POLÍTICO-RELIGIOSA
1. Ezequias, filho de Acaz, começou a reinar em Judá no terceiro ano do rei Oséias, filho de Ela, rei de Israel.
2. Ele tinha vinte e cinco anos quando subiu ao trono, e reinou vinte e nove anos em Jerusalém. Sua mãe se chamava Abia, e era filha de Zacarias.
3. Ezequias fez o que Javé aprova, seguindo em tudo o seu antepassado Davi.
4. Ele acabou com os lugares altos, quebrou as estelas e derrubou os postes sagrados. Despedaçou também a serpente de bronze que Moisés havia feito, porque os israelitas ainda queimavam incenso diante dela. Eles a chamavam de Noestã.
5. Ezequias pôs sua confiança em Javé, o Deus de Israel. Tanto antes como depois não existiu nenhum rei em Judá que pudesse ser comparado a ele.
6. Permaneceu fiel a Javé e nunca se afastou dele, observando os mandamentos que Javé tinha ordenado a Moisés.
7. Javé esteve com ele. Por isso, ele teve êxito em tudo o que fez. Ele se revoltou contra o rei da Assíria e não lhe ficou submisso.
8. Derrotou os filisteus até Gaza, devastando o território deles, tanto as torres de vigia como as cidades fortificadas.

QUEDA DE SAMARIA
9. No quarto ano do reinado de Ezequias e sétimo de Oséias, filho de Ela, rei de Israel, Salmanasar, rei da Assíria, atacou e cercou Samaria.
10. Após três anos, tomou a cidade. Samaria foi conquistada no sexto ano de Ezequias e nono ano de Oséias, rei de Israel.
11. O rei da Assíria deportou os israelitas para a Assíria e os levou para Hala, para as margens do Habor, rio de Gozã, e para as cidades da Média.
12. Isso porque os israelitas não obedeceram a Javé seu Deus e transgrediram sua aliança: eles não ouviram nem praticaram tudo o que Moisés, servo de Javé, lhes havia ordenado.

REFORMA INTERROMPIDA
13. No ano catorze do reinado de Ezequias, Senaquerib, rei da Assíria, atacou todas as cidades fortificadas de Judá e se apossou delas.
14. Então Ezequias, rei de Judá, mandou esta mensagem ao rei da Assíria, que estava em Laquis: "Cometi um erro. Não me ataque. Eu aceitarei as condições que você me impuser". O rei da Assíria exigiu que Ezequias, rei de Judá, pagasse uma taxa de dez toneladas de prata e mil quilos de ouro.
15. Então Ezequias entregou toda a prata que havia no Templo de Javé e no tesouro do palácio real.
16. Mandou também tirar o ouro com que Ozias, rei de Judá, havia revestido as portas e os batentes do santuário de Javé, e o entregou ao rei da Assíria.

UM DESAFIO A JAVÉ
17. De Laquis, o rei da Assíria mandou o chefe do exército, o chefe dos funcionários e o chefe dos copeiros, para que fossem, com forte destacamento, até Jerusalém, até o rei Ezequias. Eles chegaram a Jerusalém e passaram perto do canal que leva água para o reservatório superior, no caminho do Campo do Pisoeiro.
18. Chamaram o rei. Então saíram ao encontro deles Eliacim, filho de Helcias, administrador do palácio, o escrivão Sobna e o secretário Joaé, filho de Asaf.
19. O chefe dos copeiros então lhes falou: "Digam a Ezequias: Assim fala o grande rei, o rei da Assíria: Onde está o fundamento da sua confiança?
20. Você está pensando que estratégia e valentia militares são questão de palavras! Em quem você está se apoiando para resistir diante de mim?
21. Você confia no Egito, nesse bambu rachado que penetra e fura a mão de quem nele se apóia! O Faraó, rei do Egito, é isso para quem nele confia.
22. Talvez você responda: 'Nós colocamos nossa confiança em Javé, o nosso Deus'. Mas não foi você mesmo, Ezequias, quem destruiu os lugares altos e os altares de Javé, dizendo ao povo de Judá e de Jerusalém: 'Somente diante do altar que está em Jerusalém é que vocês devem adorar'?
23. Pois bem! Faça uma aposta com o meu senhor, o rei da Assíria: eu lhe darei dois mil cavalos, se você encontrar cavaleiros para montá-los!
24. Como é que você vai conseguir derrotar um só dos menores servos do meu senhor? Você colocou sua confiança no Egito para ter carros e cavaleiros!
25. Você pensa que foi sem o consentimento de Javé que eu ataquei esse lugar para o destruir? Foi Javé quem me mandou atacar e devastar esse país!"
26. Eliacim, filho de Helcias, Sobna e Joaé pediram ao chefe dos copeiros: "Fale com os seus servos em aramaico, que nós entendemos. Não fale em hebraico, diante do povo que está nas muralhas".
27. O chefe dos copeiros então respondeu: "Não foi ao seu rei e a você que o meu senhor mandou dizer essas coisas. Foi primeiro ao povo que está nas muralhas. Ele está condenado, como vocês, a comer as próprias fezes e a beber a própria urina!"
28. Então o chefe dos copeiros gritou alto, em hebraico: "Escutem a palavra do grande rei, o rei da Assíria:
29. Assim fala o rei: Não deixem Ezequias enganá-los, pois ele não poderá livrar vocês de mim.
30. Que Ezequias não leve vocês a confiar em Javé, dizendo que Javé salvará vocês e que esta cidade não cairá em poder do rei da Assíria.
31. Não dêem ouvidos a Ezequias. Porque assim fala o rei da Assíria: Façam as pazes comigo, rendam-se, e cada um poderá comer o fruto da sua vinha e da sua figueira, e beber água do próprio poço,
32. até que eu venha e leve vocês para uma terra boa como esta, terra que produz trigo e vinho, terra de pão e videiras, terra de azeite e mel. Assim vocês viverão, e não vão morrer. Não dêem ouvidos a Ezequias, pois ele está iludindo vocês, dizendo que Javé os salvará.
33. Por acaso os deuses das nações puderam livrar seus países do poder do rei da Assíria?
34. Onde estão os deuses de Emat e de Arfad? Onde estão os deuses de Sefarvaim? Por acaso eles livraram Samaria do meu poder?
35. De todos os deuses das nações, quem foi que livrou seu país do meu poder, para que Javé possa salvar Jerusalém?"
36. Eles ficaram quietos e não responderam nada, pois o rei tinha ordenado que não dessem nenhuma resposta.
37. Eliacim, filho de Helcias, administrador do palácio, com o escrivão Sobna e o secretário Joaé, filho de Asaf, foram até o rei Ezequias com as roupas rasgadas, e lhe comunicaram as palavras do chefe dos copeiros.

[II Reis 19]II Reis 19

1. Ao ouvir a comunicação, o rei Ezequias rasgou a roupa, vestiu-se com pano de saco, e foi ao Templo de Javé.
2. Mandou o administrador do palácio Eliacim, com o escrivão Sobna e os anciãos dos sacerdotes, todos vestidos com panos de saco, ao profeta Isaías, filho de Amós.
3. Eles disseram a Isaías: "Assim fala Ezequias: Hoje é dia de angústia, castigo e humilhação. Os filhos estão para nascer, e não há força para dar à luz.
4. Tomara que Javé, seu Deus, tenha ouvido todas as palavras do chefe dos copeiros, que o rei da Assíria, senhor dele, mandou dizer para insultar o Deus vivo. Tomara que Javé, seu Deus, dê o castigo merecido pelas palavras que ele ouviu. Faça uma prece pelo resto que ainda sobrevive".
5. Os ministros do rei Ezequias se apresentaram a Isaías,
6. e este respondeu-lhes: "Digam ao senhor de vocês: Assim fala Javé: Não fique com medo das palavras que ouviu, das blasfêmias que os servos do rei da Assíria lançaram contra mim.
7. Vou mandar para ele um espírito. Ao ouvir um boato, ele voltará para seu país, e aí mesmo eu o farei morrer pela espada".

VITÓRIA DE JAVÉ
8. O chefe dos copeiros voltou e encontrou o rei da Assíria guerreando contra Lebna. É que o chefe dos copeiros tinha ouvido dizer que o rei se retirara de Laquis,
9. ao receber a notícia de que Taraca, rei da Etiópia, tinha partido para guerrear contra ele. Senaquerib mandou outros mensageiros a Ezequias, comunicando:
10. "Falem assim a Ezequias, rei de Judá: Que o Deus em que você confia não o engane, dizendo que Jerusalém não cairá em poder do rei da Assíria.
11. Você mesmo ouviu dizer o que os reis da Assíria fizeram a todas as nações, destruindo-as completamente. Como você poderia escapar?
12. Por acaso, os deuses deles libertaram as nações que meus antepassados devastaram? Gozã, Aram, Resef, e os edenitas que moravam em Telbasar?
13. Onde estão os deuses de Emat, o rei de Arfad, o rei de Lair, de Sefarvaim, de Ana e de Ava?"
14. Ezequias pegou a carta da mão dos mensageiros e a leu. Depois subiu ao Templo, abriu a carta diante de Javé,
15. e rezou: "Javé, Deus de Israel, que te assentas sobre os querubins. Tu és o único Deus de todos os reinos do mundo. Tu fizeste o céu e a terra.
16. Inclina teu ouvido, Javé, e escuta! Abre teus olhos, Javé, e olha! Ouve as palavras de Senaquerib, que mandou mensageiros para insultar o Deus vivo!
17. É verdade, Javé: os reis da Assíria devastaram todos os países e seus territórios.
18. Queimaram todos os seus deuses, porque não são deuses, mas obras de mãos humanas. São madeira e pedra, e por isso eles conseguiram destruí-los.
19. Agora, Javé nosso Deus, salva-nos da mão deles, para que todos os reinos do mundo saibam que só tu, Javé, és Deus".
20. Então Isaías, filho de Amós, mandou dizer a Ezequias: "Assim diz Javé, o Deus de Israel: Escutei o que você me pediu a respeito de Senaquerib, rei da Assíria.
21. Eis o oráculo que Javé pronuncia contra ele: A virgem capital de Sião despreza e caçoa de você. A cidade de Jerusalém balança a cabeça atrás de você.
22. A quem você insultou e blasfemou? Contra quem você ergueu a voz e olhou com desprezo? Contra o Santo de Israel!
23. Você insultou o Senhor por meio de seus mensageiros, dizendo: 'Com meus numerosos carros subi até o alto dos montes e ao topo do Líbano. Cortei seus cedros mais altos e seus mais belos ciprestes. Cheguei ao seu ponto mais alto e ao seu bosque mais fechado.
24. Cavei e bebi as águas estrangeiras e, com a planta de meus pés, sequei todos os rios do Egito'.
25. Por acaso, você não ouviu nada? Eu decidi isso há muito tempo. Preparei tudo isso em tempos distantes, e agora vou realizar. Sua missão foi reduzir cidades fortificadas a um montão de ruínas.
26. E os habitantes delas, já sem forças, com a vergonha da derrota, ficaram como a erva do campo, como a grama verdejante; ficaram como o capim do telhado, queimado pelo vento leste.
27. Eu sei quando você se levanta e se assenta, quando você entra e quando sai.
28. Porque você se agita contra mim, e seu atrevimento chega aos meus ouvidos, eu vou colocar a minha argola em suas narinas e o meu freio na sua boca. Vou fazer você voltar pelo mesmo caminho por onde veio.
29. Isto será o sinal para você, Ezequias: Neste ano, vocês comerão do que nascer sem plantar. No ano que vem, do que brotar sem semear. Mas, no terceiro ano, vocês semearão e colherão, plantarão vinhas e comerão seus frutos.
30. O resto da casa de Judá que sobreviver, produzirá novas raízes embaixo e novos frutos em cima.
31. Porque de Jerusalém sairá um resto, e do monte Sião os sobreviventes. O zelo de Javé dos exércitos fará tudo isso.
32. Portanto, assim diz Javé sobre o rei da Assíria: Ele não entrará nesta cidade, nem lançará nenhuma flecha nela. Não se aproximará com o escudo, nem levantará aterro contra ela.
33. Ele voltará por onde veio, e não entrará nesta cidade, oráculo de Javé.
34. Eu protegerei esta cidade e a salvarei, pela minha honra e pela honra do meu servo Davi".
35. Nessa mesma noite, o anjo de Javé saiu e feriu cento e oitenta e cinco mil homens no acampamento assírio. De manhã, ao despertar, só havia cadáveres.
36. Senaquerib, rei da Assíria, levantou o acampamento e partiu. Voltou para Nínive e aí ficou.
37. Certo dia, ele estava fazendo adoração no templo de Nesroc, seu deus. E seus filhos Adramelec e Sarasar o mataram à espada e fugiram para o país de Ararat. Seu filho Asaradon reinou em seu lugar.

[II Reis 20]II Reis 20

O SINAL CONFIRMA A PALAVRA
1. Nessa ocasião, Ezequias adoeceu de uma enfermidade mortal. O profeta Isaías, filho de Amós, foi visitá-lo. E lhe disse: "Assim diz Javé: Ponha em ordem a sua casa, porque você vai morrer, não vai escapar".
2. Então Ezequias virou o rosto para a parede e fez esta prece a Javé:
3. "Ah! Javé! Não te esqueças: eu procurei sempre andar na tua presença com toda a fidelidade e de coração limpo. Eu procurei fazer sempre o que era bom aos teus olhos". E Ezequias começou a chorar convulsivamente.
4. Isaías ainda não tinha deixado o pátio interno, quando recebeu a palavra de Javé:
5. "Vá falar a Ezequias, chefe do meu povo: Assim diz Javé, o Deus de seu antepassado Davi: escutei a sua oração, e vi as suas lágrimas. Vou curar você e, em três dias, você subirá ao Templo de Javé.
6. Eu vou aumentar em quinze anos a duração de sua vida, e vou livrá-lo das mãos do rei da Assíria, a você e a esta cidade. Vou proteger esta cidade pela honra do meu Nome e pela honra do meu servo Davi".
7. Isaías ordenou: "Tragam aqui um pão de figos". Pegaram um pão e o colocaram sobre a ferida, e o rei recuperou a saúde.
8. Ezequias perguntou: "Qual é o sinal de que Javé vai me curar, e de que subirei ao Templo de Javé dentro de três dias?"
9. Isaías respondeu: "O sinal de que Javé vai cumprir o que prometeu, é este: Você quer que a sombra avance ou volte para trás dez degraus?"
10. Ezequias disse: "Avançar dez degraus é fácil para a sombra. Quero que ela recue dez degraus".
11. O profeta Isaías invocou Javé, e este fez a sombra recuar dez degraus que o sol já havia descido, os degraus do quarto superior de Acaz, dez degraus para trás.

CONFIANÇA DESASTROSA
12. Nessa ocasião, o rei da Babilônia, Merodac-Baladã, filho de Baladã, mandou cartas e um presente a Ezequias, pois tinha recebido notícia de sua enfermidade e convalescença.
13. Ezequias ficou muito satisfeito com isso e mostrou toda a sua riqueza aos embaixadores: a prata, o ouro, os perfumes, o óleo fino, como também toda a casa de armas; enfim, tudo o que havia nos seus depósitos. Ezequias não deixou nada sem mostrar de tudo o que havia no seu palácio e dependências.
14. O profeta Isaías foi procurar o rei Ezequias e lhe perguntou: "O que disseram esses indivíduos? De onde vieram eles?" Ezequias respondeu: "Eles vieram de um país muito distante. Vieram da Babilônia".
15. Isaías perguntou: "O que é que eles viram no seu palácio?" Ezequias respondeu: "Eles viram tudo o que existe no meu palácio. Não há nada do meu tesouro que eu não lhes tenha mostrado".
16. Isaías disse, então, a Ezequias: "Escute a palavra de Javé:
17. Chegará o dia em que a Babilônia levará tudo o que existe no seu palácio, tudo o que seus antepassados foram ajuntando até o dia de hoje. Não vai sobrar nada diz Javé.
18. Alguns filhos que saíram de você, que você gerou, serão levados para que sirvam como eunucos no palácio do rei da Babilônia".
19. Ezequias disse a Isaías: "A palavra de Javé que você me transmite é de felicidade". Pois ele pensava assim: "Pelo menos durante a minha vida, haverá paz e segurança".
20. O resto da história de Ezequias, e do que ele fez, e como construiu o reservatório e o aqueduto para levar água à cidade, tudo está escrito nos Anais dos Reis de Judá.
21. Ezequias morreu e foi enterrado. E seu filho Manassés lhe sucedeu no trono.

[II Reis 21]II Reis 21

MANASSÉS EM JUDÁ: TEMPO DE OPRESSÃO
1. Manassés tinha doze anos quando subiu ao trono, e reinou cinqüenta e cinco anos em Jerusalém. Sua mãe se chamava Hafsiba.
2. Fez o que Javé reprova, imitando as abominações das nações que Javé havia expulsado diante dos israelitas.
3. Reconstruiu os lugares altos que seu pai Ezequias havia destruído; ergueu altares para Baal e levantou um poste sagrado, como havia feito Acab, rei de Israel; prostrou-se diante de todo o exército do céu, que ele adorou;
4. construiu altares pagãos no Templo de Javé, a respeito do qual Javé havia dito: "Em Jerusalém colocarei o meu Nome";
5. ergueu também altares para todo o exército do céu nos dois pátios do Templo de Javé;
6. sacrificou seu filho no fogo; praticou adivinhação e magia, estabelecendo necromantes e adivinhos. E multiplicando as ações que Javé reprova, ele provocou a sua ira.
7. Fez e colocou o ídolo Aserá no Templo de Javé, do qual Javé havia dito a Davi e seu filho Salomão: "Colocarei o meu Nome para sempre neste Templo e em Jerusalém, que eu escolhi entre todas as tribos de Israel.
8. Não deixarei mais que os pés de Israel se tornem errantes, longe da terra que dei a seus antepassados, contanto que eles procurem agir conforme tudo o que lhe mandei, conforme a Lei que o meu servo Moisés ordenou para eles".
9. Mas eles não obedeceram, pois Manassés os corrompeu, a ponto de eles praticarem um mal ainda maior que as nações que Javé havia expulsado diante dos israelitas.
10. Então Javé falou através de seus servos, os profetas:
11. "Porque Manassés, rei de Judá, cometeu essas abominações; porque ele praticou o mal, ainda mais do que haviam feito antes dele os amorreus; e porque fez Judá pecar com seus ídolos.
12. Por isso, assim diz Javé, o Deus de Israel: Eu mandarei sobre Jerusalém e Judá uma desgraça tão grande que fará doer os dois ouvidos de quem ouvir falar dela.
13. Vou estender sobre Jerusalém o mesmo cordel que passei sobre Samaria, e o mesmo nível que usei para a família de Acab. Limparei Jerusalém, como se limpa um prato por dentro e por fora.
14. Abandonarei o resto da minha herança e os entregarei em poder de seus inimigos e se tornarão presa e despojo de todos os seus inimigos,
15. porque fizeram o que eu reprovo, e provocaram a minha ira, desde o dia em que seus antepassados saíram do Egito até hoje".
16. Manassés também derramou sangue inocente, a ponto de inundar Jerusalém toda. Isso sem contar os pecados que ele fez Judá cometer, praticando o que Javé reprova.
17. O resto da história de Manassés, o que ele fez e os pecados que cometeu, tudo está escrito nos Anais dos Reis de Judá.
18. Manassés reuniu-se com seus antepassados e foi enterrado no jardim do palácio, o jardim de Oza. E seu filho Amon lhe sucedeu no trono.

AMON EM JUDÁ: GOLPE DE ESTADO E REVOLTA DOS CAMPONESES
19. Amon tinha vinte e dois anos quando subiu ao trono, e reinou dois anos em Jerusalém. Sua mãe se chamava Mesalemet; era filha de Harus e natural de Jeteba.
20. Amon fez o que Javé reprova, como seu pai Manassés.
21. Imitou em tudo o comportamento de seu pai: adorou os ídolos que seu pai havia adorado e se prostrou diante deles.
22. Abandonou Javé, Deus de seus antepassados, e não seguiu o caminho de Javé.
23. Os oficiais de Amon fizeram uma conspiração contra ele, e o mataram dentro do palácio.
24. O povo da terra, porém, matou todos os que tinham conspirado contra o rei Amon e, em seu lugar, proclamou seu filho Josias como rei.
25. O resto da história de Amon, e o que ele fez, tudo está escrito nos Anais dos Reis de Judá.
26. Ele foi sepultado no túmulo de seu pai, no jardim de Oza. E seu filho Josias lhe sucedeu no trono.

[II Reis 22]II Reis 22

JOSIAS: A REFORMA E O LIVRO
1. Josias tinha oito anos quando subiu ao trono. E reinou trinta e um anos em Jerusalém. Sua mãe se chamava Idida; era filha de Hadaia e natural de Besecat.
2. Josias fez o que Javé aprova e seguiu em tudo o comportamento de seu antepassado Davi, sem se desviar, nem para a direita, nem para a esquerda.
3. No ano dezoito do seu reinado, o rei Josias mandou o secretário Safã, filho de Aslias, neto de Mesolam, ao Templo de Javé, com esta ordem:
4. "Vá encontrar-se com o sumo sacerdote Helcias, e diga-lhe que deixe preparado o dinheiro oferecido ao Templo de Javé e que os guardas da porta recolhem do povo.
5. Diga-lhe para entregar o dinheiro aos mestres de obras encarregados do Templo de Javé, a fim de que estes o distribuam aos operários que trabalham nas reformas do Templo de Javé:
6. aos carpinteiros, construtores e pedreiros. Que eles usem o dinheiro para comprar madeiras e pedras talhadas para a reforma do Templo.
7. Não será necessário pedir contas do dinheiro entregue a eles, porque são honestos". O sumo sacerdote Helcias informou o secretário Safã: "Achei o livro da Lei no Templo de Javé!" Entregou o livro a Safã, que o leu.
9. O secretário Safã foi falar com o rei: "Seus servos juntaram o dinheiro que havia no Templo e o entregaram aos mestres de obras do Templo de Javé".
10. Em seguida, contou ao rei que o sacerdote Helcias lhe havia dado um livro. E Safã leu o livro diante do rei.

SERÁ QUE O LIVRO É AUTÊNTICO?
11. Ao tomar conhecimento sobre o conteúdo do livro da Lei, o rei rasgou a roupa,
12. e deu esta ordem para o sacerdote Helcias, para Aicam, filho de Safã, para Acobor, filho de Micas, para o secretário Safã e para o ministro Asaías:
13. "Vão consultar Javé por mim e pelo povo, a respeito do conteúdo desse livro que foi encontrado. A ira de Javé deve ser grande contra nós, porque nossos antepassados não obedeceram às palavras desse livro, e não praticaram tudo o que nele está escrito".
14. O sacerdote Helcias, Aicam, Acobor, Safã e Asaías foram encontrar-se com a profetisa Hulda, mulher do guarda dos vestiários, de nome Selum, filho de Tícua e neto de Haraas. Ela morava em Jerusalém, no Bairro Novo. Expuseram para ela o caso,
15. e ela respondeu: "Assim diz Javé, o Deus de Israel. Digam a quem enviou vocês a mim:
16. Assim diz Javé, Deus de Israel: 'Vou fazer cair uma desgraça sobre este lugar e sobre seus habitantes. Vou enviar todas as maldições que estão nesse livro, que o rei de Judá leu.
17. Eles me abandonaram e queimaram incenso a outros deuses, e me irritaram com toda a obra de suas mãos. Por isso, minha ira se inflamou contra este lugar, e não se apagará'.
18. E ao rei de Judá, que os enviou para consultar Javé, vocês dirão: 'Assim diz Javé, o Deus de Israel: Porque, ouvindo a leitura do livro,
19. você se comoveu de coração e se humilhou diante de Javé; porque você escutou as palavras que pronunciei contra este lugar e seus habitantes, que serão objeto de espanto e maldição; porque você rasgou a roupa e chorou na minha frente, eu também ouvi você - oráculo de Javé.
20. Por isso eu o reunirei a seus antepassados. Você vai ser enterrado em paz na sua sepultura, e os seus olhos não verão todos os males que vou enviar sobre este lugar'." Então eles foram levar ao rei a resposta da profetisa.

[II Reis 23]II Reis 23

O DEUTERONÔMIO SE TORNA LEI DE ESTADO
1. O rei convocou todos os anciãos de Judá e Jerusalém para uma reunião.
2. Depois subiu para o Templo de Javé com todos os homens de Judá e todos os habitantes de Jerusalém: sacerdotes, profetas e todo o povo, adultos e crianças. Leu para eles as palavras do Livro da Aliança encontrado no Templo de Javé.
3. De pé, sobre o estrado, o rei concluiu, diante de Javé, a aliança para seguir a Javé, obedecendo a seus mandamentos, testemunhos e estatutos, com todo o coração e com toda a alma, cumprindo todas as palavras dessa aliança, escritas nesse livro. E todo o povo aderiu à aliança.

REFAZENDO A IDENTIDADE DO POVO
4. O rei ordenou ao sumo sacerdote Helcias, aos sacerdotes de segunda ordem e aos guardas da porta, que tirassem do santuário de Javé todos os objetos feitos para o culto de Baal, do ídolo Aserá e de todo o exército do céu. Os objetos foram queimados fora de Jerusalém, nos campos do Cedron, e suas cinzas foram levadas para Betel.
5. Depois ele destituiu os falsos sacerdotes que os reis de Judá haviam estabelecido para queimar incenso nos lugares altos das cidades de Judá e arredores de Jerusalém. Destituiu também aqueles que queimavam incenso para Baal, para o sol, para a lua, para as constelações e para todo o exército do céu.
6. Retirou do Templo de Javé o ídolo Aserá, levando-o para fora de Jerusalém, para o riacho do Cedron. Queimou o ídolo junto ao riacho do Cedron, e o reduziu a cinzas, que foram jogadas na vala comum.
7. Destruiu as casas de prostituição sagrada que havia no Templo de Javé, onde as mulheres teciam vestes para Aserá.
8. Mandou vir todos os sacerdotes das cidades de Judá e profanou os lugares altos onde esses sacerdotes haviam queimado incenso, desde Gaba até Bersabéia. Destruiu o lugar alto da porta, que ficava na entrada da porta de Josué, governador da cidade, à esquerda de quem entra pela porta da cidade.
9. Os sacerdotes dos lugares altos foram proibidos de subir ao altar de Javé em Jerusalém, mas podiam comer os pães sem fermento no meio de seus irmãos.
10. Josias profanou o Tofet que existia no vale de Ben-Enom, para que ninguém sacrificasse no fogo seu filho ou filha em honra do deus Moloc.
11. Eliminou os cavalos que os reis de Judá haviam instalado em honra do sol, na entrada do Templo de Javé, perto do aposento do funcionário Natã Melec, que ficava nas dependências. Queimou também os carros do sol.
12. O rei destruiu os altares que estavam no terraço do aposento superior de Acaz e que tinham sido construídos pelos reis de Judá, e também os altares que Manassés tinha mandado fazer nos dois pátios do Templo de Javé; retirou-os daí e mandou jogar as cinzas no riacho do Cedron.
13. O rei profanou os lugares altos que ficavam na frente de Jerusalém, ao sul do monte da Perdição, lugares que Salomão, rei de Israel, tinha construído em honra de Astarte, abominação dos sidônios, em honra de Camos, abominação dos moabitas, e em honra de Melcom, abominação dos amonitas.
14. Quebrou as estelas, derrubou os postes sagrados e encheu o lugar com ossos humanos.

PROCURANDO REUNIFICAR O POVO
15. Josias destruiu também o altar que estava em Betel, lugar alto que Jeroboão, filho de Nabat, havia construído e com o qual havia arrastado Israel ao pecado. Destruiu esse lugar alto, quebrou suas pedras, reduzindo-as a pó, e queimou o poste sagrado.
16. Josias voltou-se e viu os túmulos que estavam na montanha. Então mandou recolher os ossos daqueles túmulos e os queimou sobre o altar. Desse modo, profanou o altar, cumprindo a palavra de Javé, que o homem de Deus havia anunciado quando Jeroboão, durante a festa, estava junto ao altar. Ao se voltar, Josias levantou os olhos para o túmulo do homem de Deus que havia anunciado essas coisas,
17. e perguntou: "De quem é esse túmulo?" Os homens da cidade responderam: "É o túmulo do homem de Deus, que veio de Judá, e anunciou o que você acaba de fazer com o altar de Betel".
18. Então o rei disse: "Deixem o homem de Deus em paz. Que ninguém toque em seus ossos". Deixaram, assim, os ossos do homem de Deus em paz, bem como os ossos do profeta que tinha vindo da Samaria.
19. Josias fez desaparecer também todos os templos dos lugares altos, que havia na cidade de Samaria. Esses templos tinham sido construídos pelos reis de Israel para irritar a Javé. Josias fez com eles o mesmo que já havia feito em Betel.
20. Josias imolou, sobre os altares, todos os sacerdotes dos lugares altos que aí se encontravam; e, por cima deles, queimou ossos humanos. Depois voltou para Jerusalém.

REVIVENDO O IDEAL DE UMA NOVA SOCIEDADE
21. O rei ordenou a todo o povo: "Celebrem a Páscoa em honra de Javé, Deus de vocês, conforme está ordenado neste Livro da Aliança".
22. Nunca tinha sido celebrada uma Páscoa como essa, desde o tempo em que os juízes governavam Israel, nem durante todo o tempo dos reis de Israel e de Judá.
23. Foi somente no ano dezoito do rei Josias que tal Páscoa foi celebrada em honra de Javé, em Jerusalém.

JOSIAS: O REI JUSTO
24. Josias eliminou também os necromantes, os adivinhos, os deuses domésticos, os ídolos e todas as abominações que se viam no país de Judá e em Jerusalém, para cumprir as palavras da Lei escritas no livro que o sacerdote Helcias encontrou no Templo de Javé.
25. Nenhum dos reis anteriores se voltou para Javé como ele se voltou de todo o coração, de toda a alma e com toda a sua força, conforme a Lei de Moisés. Mesmo depois, não surgiu outro como ele.
26. Apesar disso, Javé não deixou de lado o furor de sua grande ira, que se havia inflamado contra Judá, por causa de todas as ofensas com que Manassés o tinha ofendido.
27. Javé disse: "Também expulsarei Judá para longe da minha presença, da mesma forma como expulsei Israel. Vou rejeitar Jerusalém, esta cidade que eu tinha escolhido, e o Templo sobre o qual eu tinha dito: Aí estará o meu Nome".
28. O resto da história de Josias, e o que ele fez, tudo está escrito nos Anais dos Reis de Judá.
29. No seu tempo, o Faraó Necao, rei do Egito, subiu para se encontrar com o rei da Assíria, junto ao rio Eufrates. O rei Josias marchou contra ele, mas, na primeira batalha em Meguido, Necao o matou.
30. Os servos de Josias transportaram seu corpo num carro, o levaram de Meguido para Jerusalém, e o enterraram no seu túmulo. Então o povo da terra pegou Joacaz, filho de Josias, o ungiu e o colocou no trono em lugar de seu pai.

JOACAZ E A DOMINAÇÃO EGÍPCIA
31. Joacaz tinha vinte e três anos quando subiu ao trono, e reinou três meses em Jerusalém. Sua mãe se chamava Hamital. Ela era filha de Jeremias e natural de Lebna.
32. Ele fez o que Javé reprova, como haviam feito seus antepassados.
33. O Faraó Necao prendeu Joacaz em Rebla, no país de Emat, para que ele não reinasse mais em Jerusalém. O Faraó impôs ao país um tributo de três toneladas e meia de prata, e trinta e quatro quilos de ouro.
34. Colocou no trono Eliacim, filho de Josias, em substituição a seu pai Josias, mudando o nome dele para Joaquim. Levou Joacaz para o Egito, onde ele morreu.
35. Joaquim pagou o tributo de prata e ouro ao Faraó. Mas, para pagar a quantia exigida pelo Faraó, teve que criar impostos no país. Conforme as possibilidades de cada um, exigiu a prata e o ouro necessários para pagar ao Faraó Necao.

JOAQUIM E A DOMINAÇÃO BABILÔNICA
36. Joaquim tinha vinte e cinco anos quando subiu ao trono, e reinou onze anos em Jerusalém. Sua mãe se chamava Zebida. Ela era filha de Fadaías e natural de Ruma.
37. Joaquim fez o que Javé reprova, como haviam feito seus antepassados.

[II Reis 24]II Reis 24

1. Nessa época, Nabucodonosor, rei da Babilônia, marchou contra Joaquim e o submeteu por três anos. Depois Joaquim se revoltou de novo contra Nabucodonosor.
2. Javé mandou contra Joaquim bandos de caldeus, arameus, moabitas e amonitas. Ele os mandou para destruir Judá, conforme a palavra que Javé tinha dito por meio de seus servos, os profetas.
3. Isso aconteceu a Judá, unicamente por ordem de Javé, para que Judá fosse expulso de sua presença. Foi por causa dos pecados de Manassés e de tudo o que ele fez,
4. e também por causa do sangue inocente que ele derramou e como qual inundou Jerusalém; foi por isso que Javé não quis perdoar.
5. O resto da história de Joaquim, e o que ele fez, tudo está escrito nos Anais dos Reis de Judá.
6. Joaquim reuniu-se a seus antepassados. E seu filho Jeconias lhe sucedeu no trono.
7. O rei do Egito não saiu mais de seu país, porque o rei de Babilônia se havia apossado de todos os territórios que pertenciam ao rei do Egito, desde o riacho do Egito até o rio Eufrates.

JECONIAS E O PRIMEIRO EXÍLIO NA BABILÔNIA
8. Jeconias tinha dezoito anos quando subiu ao trono, e reinou três meses em Jerusalém. Sua mãe se chamava Noesta. Ela era filha de Elnatã e natural de Jerusalém.
9. Jeconias fez o que Javé reprova, como havia feito seu pai.
10. Nesse tempo, os oficiais de Nabucodonosor, rei da Babilônia, marcharam contra Jerusalém e cercaram a cidade.
11. Nabucodonosor, rei da Babilônia, foi em pessoa atacar a cidade que seus oficiais haviam cercado.
12. Então Jeconias, rei de Judá, juntamente com sua mãe, seus oficiais, seus chefes e funcionários, se entregou ao rei da Babilônia, e este os fez prisioneiros. Isso aconteceu no oitavo ano do reinado de Jeconias.
13. Nabucodonosor levou embora todos os tesouros do Templo de Javé e os tesouros do palácio real. Quebrou todos os objetos de ouro que Salomão, rei de Israel, tinha feito para o Templo, conforme as ordens de Javé.
14. Levou para o exílio toda a cidade de Jerusalém, todos os chefes e os notáveis, cerca de dez mil pessoas. Levou também todos os ferreiros e artesãos. Deixou no país somente o povo mais pobre.
15. Exilou Jeconias para Babilônia. Levou também, de Jerusalém para a Babilônia, a mãe do rei, suas mulheres, seus funcionários, a classe governante
16. e todos os ricos: cerca de sete mil pessoas. Levou ainda os ferreiros e artesãos: cerca de mil pessoas, todos os homens aptos para a guerra.
17. Em lugar de Jeconias, Nabucodonosor nomeou rei a Matanias, tio de Jeconias, mudando o nome dele para Sedecias.

SEDECIAS: UMA POLÍTICA SUICIDA
18. Sedecias tinha vinte e um anos quando subiu ao trono, e reinou onze anos em Jerusalém. Sua mãe se chamava Hamital. Ela era filha de Jeremias e natural de Lebna.
19. Sedecias fez o que Javé reprova, como havia feito Jeconias.
20. Isso aconteceu a Jerusalém e a Judá por causa da ira de Javé, que acabou por rejeitá-los de sua presença. Sedecias se revoltou contra o rei da Babilônia.

[II Reis 25]II Reis 25

1. No nono ano do seu reinado, no dia dez do décimo mês, Nabucodonosor, rei da Babilônia, com todo o seu exército, atacou Jerusalém. Acampou diante da cidade e construiu ao redor dela torres de assalto.
2. A cidade ficou cercada até o ano onze do reinado de Sedecias,
3. até o dia nove do quarto mês. A fome apertou na cidade, e o povo não tinha nada para comer.
4. Então foi aberta uma brecha nas muralhas da cidade. E o rei, com todos os soldados, fugiu de noite pela porta que fica entre as duas muralhas, perto do jardim do rei. Tomaram o caminho da Arabá, enquanto os caldeus ainda cercavam a cidade.
5. O exército caldeu perseguiu o rei e o alcançou nas planícies de Jericó, enquanto os soldados dele o abandonaram e se dispersaram.
6. Os caldeus prenderam o rei e o levaram ao rei da Babilônia, que estava em Rebla e que pronunciou a sentença contra Sedecias.
7. Nabucodonosor mandou degolar os filhos de Sedecias na presença do pai. Depois furou os olhos do rei, o algemou e o levou para a Babilônia.

SEGUNDO EXÍLIO E FIM DO REINO DE JUDÁ
8. No dia sete do quinto mês, correspondendo ao ano dezenove de Nabucodonosor, rei da Babilônia, Nabuzardã, chefe da guarda e oficial do rei da Babilônia, chegou a Jerusalém.
9. Ele pôs fogo no Templo de Javé, no palácio real e em todas as casas de Jerusalém, e incendiou todas as mansões.
10. Ao mesmo tempo, o exército caldeu, que acompanhava Nabuzardã, chefe da guarda, destruiu as muralhas que rodeavam Jerusalém.
11. Nabuzardã exilou o resto do povo que tinha ficado na cidade, os desertores que tinham passado para o lado do rei da Babilônia e o resto da população.
12. O chefe da guarda deixou uma parte do povo pobre da terra, para trabalhar nas vinhas e nos campos.
13. Os caldeus quebraram as colunas de bronze, as bases entalhadas e o Mar de bronze que estavam no Templo de Javé, e levaram o bronze para a Babilônia.
14. Levaram também os recipientes para cinzas, as pás, facas, taças e todos os objetos de bronze que eram usados no culto.
15. O chefe da guarda pegou os incensórios, as vasilhas para aspersão e tudo o que era de ouro e prata.
16. Quanto às duas colunas, ao Mar e às bases entalhadas, que Salomão tinha feito para o Templo de Javé, era impossível calcular o peso de bronze de todos esses objetos.
17. Cada coluna tinha nove metros de altura e terminava num capitel de bronze de dois metros e meio de altura, enfeitado de um trançado e de romãs, tudo feito de bronze.
18. O chefe da guarda prendeu Saraías, sacerdote chefe, Sofonias, sacerdote que ocupava o segundo lugar, e os três guardas das portas.
19. Na cidade, prendeu um funcionário, que era chefe do exército, cinco conselheiros do rei, que se encontravam na cidade, o secretário do chefe do exército, que mobilizava o povo da terra, e sessenta cidadãos que se encontravam na cidade.
20. Nabuzardã, chefe da guarda, prendeu todos esses e os levou ao rei da Babilônia, em Rebla.
21. O rei da Babilônia mandou matá-los em Rebla, no território de Emat. Desse modo, Judá foi exilado para longe do seu país.

ÚLTIMA E INÚTIL REVOLTA
22. Nabucodonosor, rei da Babilônia, nomeou Godolias, filho de Aicam e neto de Safã, para governar o povo que Nabucodonosor deixou no território de Judá.
23. Quando todos os oficiais das tropas e seus homens souberam que o rei da Babilônia tinha nomeado Godolias como governador, foram encontrar-se com ele em Masfa. Eram eles: Ismael, filho de Natanias; Joanã, filho de Carea; Saraías, filho de Taneumet, netofatita; e Jezonias, maacatita. Eles foram junto com seus homens.
24. Godolias jurou a todos eles: "Não tenham medo e se submetam aos caldeus. Fiquem na terra, obedeçam ao rei da Babilônia, e tudo correrá bem para vocês".
25. No sétimo mês, porém, Ismael filho de Natanias e neto de Elisama, que era de descendência real, foi com dez homens e matou Godolias, junto com os judeus e caldeus que estavam com ele em Masfa.
26. Então todo o povo, adultos e crianças, com os chefes das tropas, fugiram para o Egito, porque ficaram com medo dos caldeus.

HORIZONTE DE ESPERANÇA
27. No ano trinta e sete do exílio de Jeconias, rei de Judá, no dia vinte e sete do décimo segundo mês, Evil-Merodac, rei da Babilônia, no ano em que subiu ao trono, concedeu anistia a Jeconias, rei de Judá, e o tirou da prisão.
28. Tratou-o amigavelmente e concedeu-lhe um trono mais alto que dos outros reis que estavam com ele na Babilônia.
29. Jeconias tirou as roupas de prisioneiro e começou a comer sempre na mesa do rei, durante todos os dias de sua vida.
30. Enquanto viveu, seu sustento foi garantido constantemente pelo rei.
[I Crônicas 1]I. HISTÓRIA DO POVO: DE ADÃO ATÉ DAVI

I Crônicas 1

ANTES DO DILÚVIO
1. Adão, Set, Enós,
2. Cainã, Malaleel, Jared,
3. Henoc, Matusalém, Lamec,
4. Noé, Sem, Cam e Jafé.

DO DILÚVIO ATÉ ABRAÃO
5. Descendentes de Jafé: Gomer, Magog, Madai, Javã, Tubal, Mosoc e Tiras.
6. Descendentes de Gomer: Asquenez, Rifat e Togorma.
7. Descendentes de Javã: Elisa, Társis, os Cetim e os Dodanim.
8. Descendentes de Cam: Cuch, Mesraim, Fut e Canaã.
9. Descendentes de Cuch: Seba, Hévila, Sabata, Regma, Sabataca. Descendentes de Regma: Sabá e Dadã.
10. Cuch também foi pai de Nemrod, o primeiro valente da terra.
11. Mesraim foi pai destes povos: Lud, Anam, Laab, Naftu,
12. Patros, Caslu e Cáftor, dos quais se originaram os filisteus.
13. O primeiro filho de Canaã foi Sídon; depois, ele teve Het
14. e, em seguida, os jebuseus, amorreus, gergeseus,
15. heveus, araceus, sineus,
16. arádios, samareus e emateus.
17. Descendentes de Sem: Elam, Assur, Arfaxad, Lud e Aram. Descendentes de Aram: Hus, Hul, Geter e Mes.
18. Arfaxad foi pai de Salé, o qual foi pai de Héber.
19. Héber teve dois filhos. O primeiro recebeu o nome de Faleg, porque foi na sua época que a terra foi dividida; o outro se chamava Jectã.
20. Jectã foi pai de Elmodad, Salef, Asarmot, Jaré,
21. Aduram, Uzal, Decla,
22. Ebal, Abimael, Sabá,
23. Ofir, Hévila e Jobab. Todos esses filhos de Jectã.

DE ABRAÃO ATÉ OS FILHOS DE ISRAEL
24. Sem, Arfaxad, Salé,
25. Héber, Faleg, Reú,
26. Sarug, Nacor, Taré,
27. Abrão, ou melhor, Abraão.
28. Filhos de Abraão: Isaac e Ismael.
29. Os descendentes desses dois foram: Nabaiot, o primeiro filho de Ismael; depois, vieram Cedar, Adbeel, Mabsam,
30. Masma, Duma, Massa, Hadad, Tema,
31. Jetur, Nafis e Cedma. São os descendentes de Ismael.
32. Filhos que nasceram de Cetura, concubina de Abraão: ela lhe deu Zamrã, Jecsã, Madã, Madiã, Jesboc e Sué. Descendentes de Jecsã: Sabá e Dadã.
33. Descendentes de Madiã: Efa, Ofer, Henoc, Abida e Eldaá. São esses os filhos de Cetura.
34. Depois Abraão teve Isaac. Filhos de Isaac: Esaú e Israel.
35. Descendentes de Esaú: Elifaz, Reuel, Jeús, Jalam e Coré.
36. Descendentes de Elifaz: Temã, Omar, Sefo, Gatam, Cenez, Tamna e Amalec.
37. Descendentes de Reuel: Naat, Zara, Sama e Meza.
38. Descendentes de Seir: Lotã, Sobal, Sebeon, Ana, Dison, Eser e Disã.
39. Descendentes de Lotã: Hori e Emam. Tamna era irmã de Lotã.
40. Descendentes de Sobal: Aliã, Manaat, Ebal, Sefo e Onam. Descendentes de Sebeon: Aía e Ana.
41. Descendente de Ana: Dison. Descendentes de Dison: Hamrã, Esebã, Jetrã e Carã.
42. Descendentes de Eser: Balaã, Zavã e Jacã. Descendentes de Disã: Hus e Arã.
43. Os reis que governaram o país de Edom, antes que passasse para o domínio do rei israelita, foram os seguintes: Bela, filho de Beor. A sua capital era Danaba.
44. Com a morte de Bela, reinou Jobab, filho de Zara, da cidade de Bosra.
45. Ao morrer, Jobab foi substituído por Husam, da região dos temanitas.
46. Quando Husam morreu, reinou Adad, filho de Badad, vencedor dos madianitas nos campos de Moab. Sua capital chamava-se Avit.
47. Com a morte de Adad, Semla de Masreca tornou-se rei no lugar dele.
48. O sucessor de Semla foi Saul, de Reobot Naar.
49. Com a morte de Saul, o governo passou para as mãos de Baalanã, filho de Acobor.
50. Quando Baalanã morreu, o trono passou para Adad, da cidade de Fau, casado com Meetabel, filha de Matred e neta de Mezaab.
51. Quando Adad morreu, apareceram chefes em Edom: Tamna, Alva, Jetet,
52. Oolibama, Ela, Finon,
53. Cenez, Temã, Mabsar,
54. Magdiel e Iram. Esses foram os chefes de Edom.

[I Crônicas 2]I Crônicas 2

DOS FILHOS DE ISRAEL ATÉ DAVI
1. Filhos de Israel: Rúben, Simeão, Levi, Judá, Issacar, Zabulon,
2. Dã, José, Benjamim, Neftali, Gad e Aser.
3. Filhos de Judá: Her, Onam e Sela; os três nascidos de Bat-Sua, a cananéia. Her, o filho mais velho de Judá, fez o que Javé reprova, e Javé lhe tirou a vida.
4. Tamar, nora de Judá, deu-lhe dois filhos: Farés e Zara. Assim, foram cinco os filhos de Judá.
5. Filhos de Farés: Hesron e Hamul.
6. Filhos de Zara: Zambri, Etã, Emã, Calcol e Darda; cinco ao todo.
7. Filho de Carmi: Acar, que chamou a desgraça sobre Israel, porque violou a lei do anátema.
8. Filho de Etã: Azarias.
9. Filhos de Hesron: Jerameel, Ram e Calubi.
10. Ram foi pai de Aminadab, pai de Naasson, que foi um dos chefes da família de Judá.
11. Naasson foi pai de Salma, pai de Booz.
12. Booz foi pai de Obed, pai de Jessé.
13. Jessé teve os seguintes filhos: Eliab, o mais velho; depois, Abinadab; em terceiro lugar, Samaá;
14. Natanael foi o quarto, Radai o quinto,
15. Asom o sexto, e Davi o sétimo.
16. Eles tinham duas irmãs: Sárvia e Abigail. Filhos de Sárvia: Abisaí, Joab e Asael; três ao todo.
17. Filho de Abigail: Amasa; o pai dele foi Jeter, o ismaelita.

CLÃ DE CALEB
18. Caleb, filho de Hesron, com sua mulher Azuba, foi pai de Jeriot. Depois, ela ainda lhe deu Jaser, Sobab e Ardon.
19. Depois que Azuba morreu, Caleb casou-se com Éfrata, que lhe deu o filho Hur.
20. Hur foi pai de Uri, pai de Beseleel.
21. Hesron casou-se com a filha de Maquir, pai de Galaad. Ele tinha sessenta anos quando se casou, e sua mulher lhe deu um filho de nome Segub.
22. Segub foi pai de Jair, que tinha vinte e três cidades na região de Galaad.
23. Depois, Aram e Gessur tomaram as aldeias de Jair, isto é, Canat e suas vilas, sessenta povoados ao todo. Tudo isso pertencia aos filhos de Maquir, pai de Galaad.
24. Depois da morte de Hesron, Caleb se casou com Éfrata, viúva de seu pai, e ela lhe deu o filho Asur, pai de Técua.
25. Jerameel, primeiro filho de Hesron, teve os seguintes filhos: Ram, o mais velho; depois, Buna, Oren Asom e Aías.
26. Jerameel teve outra mulher chamada Atara, que foi mãe de Onam.
27. Filhos de Ram, o filho mais velho de Jerameel: Moos, Jamin e Acar.
28. Filhos de Onam: Semei e Jada. Filhos de Semei: Nadab e Abisur.
29. A mulher de Abisur se chamava Abiail. Ela lhe deu os filhos Aobã e Molid.
30. Nadab tinha dois filhos: Saled e Efraim. Saled morreu sem filhos.
31. Efraim foi pai de Jesi, pai de Sesã, pai de Oolai.
32. Jada, irmão de Semei, foi pai de Jeter e Jônatas. Jeter não deixou filhos,
33. enquanto Jônatas deixou Falet e Ziza. Descendência de Jerameel:
34. Sesã não teve filhos; só filhas. Ele tinha um escravo egípcio de nome Jaraá,
35. com quem casou uma de suas filhas, que lhe deu um filho de nome Etei.
36. Etei foi pai de Natã, pai de Zabad,
37. pai de Oflal, pai de Obed,
38. pai de Jeú, pai de Azarias,
39. pai de Helés, pai de Elasa,
40. pai de Sisamoi, pai de Selum,
41. pai de Icamias, pai de Elisama.
42. Filhos de Caleb, irmão de Jerameel: Mesa, o mais velho. Este foi pai de Zif e de Maresa, que foi pai de Hebron.
43. Filhos de Hebron: Coré, Tafua, Recém e Sama.
44. Sama foi pai de Raam, pai de Jercaam. Recém foi pai de Samai.
45. O filho de Samai foi Maon, pai de Betsur.
46. Efa, concubina de Caleb, lhe deu estes filhos: Harã, Mosa e Gezez. Harã foi pai de Gezez.
47. Filhos de Jaadai: Regom, Joatão, Gesã, Falet, Efa e Saaf.
48. Maaca, outra concubina de Caleb, teve Saber e Tarana,
49. além de Saaf, pai de Madmana, e Sué, pai de Macbena e Gabaá. A filha de Caleb se chamava Acsa.
50. Estes foram os descendentes de Caleb. Filhos de Hur, o filho mais velho de Éfrata: Sobal, pai de Cariat-Iarim;
51. Salma, pai de Belém; Harif, pai de Bet-Gader.
52. Filhos de Sobal, pai de Cariat-Iarim: Haroe, a metade dos manaatitas,
53. os clãs de Cariat-Iarim, os jetritas, os futitas, os sematitas e os maseritas. Deles descendem também os povos de Saraá e Estaol.
54. Filhos de Salma: Belém, os netofatitas, Atarot-Bet-Joab, a outra metade dos manaatitas, os saraítas,
55. os clãs sofritas, moradores de Jabes, os tiriateus, os simeateus e os sucateus. Esses são os quenitas, descendentes de Emat, pai da família de Recab.

[I Crônicas 3]I Crônicas 3

DESCENDENTES DE DAVI
1. Filhos de Davi, nascidos em Hebron: o mais velho foi Amnon, e sua mãe era Aquinoam de Jezrael; o segundo foi Daniel, e sua mãe era Abigail de Carmel;
2. o terceiro foi Absalão, filho de Maaca, filha de Tolmai, rei de Gessur; o quarto, Adonias, era filho de Hagit;
3. o quinto, Safatias, filho de Abital; o sexto, Jetraam, filho de sua esposa Egla.
4. Portanto, Davi teve seis filhos em Hebron, onde reinou sete anos e meio. Depois, Davi reinou trinta e três anos em Jerusalém.
5. Filhos que lhe nasceram em Jerusalém: Samua, Sobab, Natã e Salomão. A mãe destes era Betsabéia, filha de Amiel.
6. Além deles: Jebaar, Elisama, Elifalet,
7. Noge, Nafeg, Jáfia,
8. Elisama, Eliada e Elifalet; nove ao todo.
9. Eram todos filhos de Davi, sem falar dos filhos que teve com as concubinas, e esses tinham uma irmã de nome Tamar.
10. Filho de Salomão: Roboão, pai de Abias, pai de Asa, pai de Josafá,
11. pai de Jorão, pai de Ocozias, pai de Joás,
12. pai de Amasias, pai de Azarias, pai de Joatão,
13. pai de Acaz, pai de Ezequias, pai de Manassés,
14. pai de Amon, pai de Josias.
15. Filhos de Josias: Joanã, o mais velho; Joaquim, o segundo; Sedecias, o terceiro; Selum, o quarto.
16. Filhos de Joaquim: Jeconias e Sedecias.
17. Filhos de Jeconias, que foi levado para o exílio: primeiro, Salatiel;
18. depois, Melquiram, Fadaías, Senasser, Jecemias, Hosama e Nadabias.
19. Filhos de Fadaías: Zorobabel e Semei. Filhos de Zorobabel: Mosolam e Hananias. Salomit era irmã deles.
20. Filhos de Mosolam: Hasaba, Ool, Baraquias, Hasadias e Josab-Hesed; cinco ao todo.
21. Filhos de Hananias: Faltias, Jeseías, Rafaías, Arnã, Abdias e Sequenias.
22. Filhos de Sequenias: Semeías, Hatus, Jegaal, Barias, Naarias e Safat. Seis ao todo.
23. Naarias teve três filhos: Elioenai, Ezequias e Ezricam.
24. Elioenai teve sete filhos: Oduías, Eliasib, Feleías, Acub, Joanã, Dalaías e Anani.

[I Crônicas 4]I Crônicas 4

DESCENDENTES DE JUDÁ
1. Filhos de Judá: Farés, Hesron, Carmi, Hur e Sobal.
2. Reaías, filho de Sobal, foi pai de Jaat, pai de Aumai e Laad. São esses os clãs saraítas.
3. Filhos de Etam: Jezrael, Jesema, Jedebos, e uma filha de nome Asalelfuni.
4. Fanuel foi pai de Gedor, enquanto Ezer foi pai de Hosa. Esses foram os filhos de Hur, filho mais velho de Éfrata, pai de Belém.
5. Asur, pai de Técua, teve duas esposas: Halaá e Naara.
6. Naara teve os seguintes filhos: Oozam, Héfer, os tamanitas e aastaritas. Todos esses são descendentes de Naara.
7. Filhos de Halaá: Seret, Saar e Etnã.
8. Cós foi pai de Anob, de Soboba e dos clãs de Aareel, filho de Arum.
9. Jabes foi superior a seus irmãos. Sua mãe deu-lhe o nome de Jabes, explicando: "Com dores eu o gerei!"
10. Jabes invocou o Deus de Israel: "Peço que me abençoes, aumentando minhas terras, protegendo-me com tua mão, afastando de mim o mal e pondo fim à minha dor". E Deus concedeu o que ele pediu.
11. Calub, irmão de Suaá, foi pai de Mair, pai de Eston.
12. Eston foi pai de Bet-Rafa, Fesse, Teina, pai de Irnaás. Esses são os homens de Recab.
13. Filhos de Cenez: Otoniel e Saraías. Filhos de Otoniel: Hatat e Maonati.
14. Maonati foi pai de Ofra. Saraías foi pai de Joab, fundador do vale dos Artesãos, pois eram de fato artesãos.
15. Filhos de Caleb, filho de Jefoné: Hir, Ela e Naam. Filho de Ela: Cenez.
16. Filhos de Jaleleel: Zif, Zifa, Tirias, Asrael.
17. Filhos de Ezra: Jeter, Mered, Éfer, Jalon. Betias gerou Maria, Samai e Jesba, pai de Estemo.
18. A mulher judaíta de Mered deu-lhe Jared, pai de Gedor; Héber, pai de Soco; Icutiel, pai de Zanoe. São esses os filhos de Betias, filha do Faraó, casada com Mered.
19. Filhos da mulher de Odias, irmã de Naam: o pai de Ceila, o garmita, e de Estemo, o maacatita.
20. Filhos de Simão: Amnon, Rina, Ben-Hanã e Tilon. Filhos de Jesi: Zoet e Ben-Zoet.
21. Sela, filho de Judá, teve os seguintes filhos: Her, pai de Leca; Laada, pai de Maresa; os clãs que trabalham com linho em Bet-Asbea;
22. Joaquim e os homens de Cozeba; Joás e Saraf, que foram se casar em Moab antes de voltarem para Belém. São casos antigos.
23. Eles eram oleiros e moraram em Nataim e Gadera, junto com o rei, para quem trabalhavam.

DESCENDENTES DE SIMEÃO
24. Filhos de Simeão: Namuel, Jamin, Jarib, Zara e Saul.
25. Além desses: Selum, Mabsam e Masma.
26. Filhos de Masma: Hamuel, Zacur e Semei.
27. Semei teve dezesseis filhos e seis filhas. Seus irmãos, porém, não tiveram muitos filhos, de modo que suas famílias não se multiplicaram como a família de Judá.
28. Eles moravam em Bersabéia, Molada e Hasar-Sual,
29. Bala, Asem e Tolad,
30. Batuel, Horma e Siceleg,
31. Bet-Marcabot, Hasar-Susim, Bet-Berai e Saarim. Essas foram suas cidades até a época do reinado de Davi.
32. Suas aldeias foram: Etam, Aen, Remon, Toquen e Asã, isto é, cinco cidades,
33. com todas as aldeias vizinhas dessas cidades até Baalat. Aí moraram e aí foram registrados:
34. Masobab, Jemlec, Josa, filho de Amasias;
35. Joel, Jeú, filho de Josabias, filho de Saraías, filho de Asiel;
36. Elioenai, Jacoba, Isuaías, Asaías, Adiel, Isimiel, Banaías,
37. Ziza, Ben-Sefei, Ben-Alon, Ben-Jedaías, Ben-Semri, Ben-Samaías.
38. Esses, aqui lembrados nome por nome, eram chefes de seus clãs, e suas famílias foram muito numerosas.
39. A vida deles era nômade: andavam de um lado para o outro no vale de Gerara, procurando pastagem para o rebanho.
40. Aí encontraram muita pastagem e de boa qualidade, pois era uma região vasta, tranqüila e pacífica. Antes, essa região era habitada pelos descendentes de Cam.
41. No tempo de Ezequias, rei de Judá, os simeonitas acima registrados chegaram a esse lugar e se apoderaram do acampamento dos descendentes de Cam e também dos meunitas que aí se encontravam, eliminando-os totalmente, até o dia de hoje. Depois, passaram a morar no lugar deles, onde havia pastagem para seus rebanhos.
42. Alguns descendentes de Simeão foram para a montanha de Seir. Eram quinhentos homens comandados por Faltias, Naarias, Rafaías e Oziel, filhos de Jesi.
43. Acabaram com o resto dos amalecitas sobreviventes e passaram a morar nesse lugar, onde estão até hoje.

[I Crônicas 5]I Crônicas 5

DESCENDENTES DE RÚBEN
1. Filhos de Rúben, filho mais velho de Israel. Ele era o filho mais velho. No entanto, por ter desrespeitado a cama do seu pai, os seus direitos passaram para José, outro filho de Israel. Rúben não foi mais considerado como primogênito.
2. Judá passou à frente dos irmãos e conseguiu ter um filho chefe, mas o direito de filho mais velho pertencia de fato a José.
3. Filhos de Rúben, filho mais velho de Israel: Henoc, Falu, Hesron e Carmi.
4. Filhos de Joel: Samaías, Gog, Semei,
5. Micas, Reaías, Baal
6. e Beera, que Teglat-Falasar, rei da Assíria, levou para o exílio. Era chefe dos rubenitas.
7. Por clãs, e agrupados conforme o parentesco, seus irmãos eram: primeiro, Jeiel; depois, Zacarias;
8. por fim, Bela, filho de Azaz, neto de Sama e bisneto de Joel. O clã de Rúben ficou morando em Aroer, chegando até Nebo e Baal-Meon.
9. Para o lado oriental, ocupou o território que vai até à beira do deserto, desde o rio Eufrates, pois tinha muito gado na região de Galaad.
10. Na época de Saul, eles tiveram que fazer guerra contra os agarenos, em cujas mãos acabaram caindo. Os agarenos passaram, então, a ocupar os acampamentos que eram deles em toda a parte oriental de Galaad.

DESCENDENTES DE GAD
11. Ao lado da tribo de Rúben, os filhos de Gad ficaram morando na região de Basã até Selca.
12. Estavam em Basã: primeiro, Joel; depois, Safam, Janaí e Safat.
13. Irmãos deles, família por família: Miguel, Mosolam, Sebe, Jorai, Jacã, Zie e Héber; sete ao todo.
14. Filhos de Abiail: Ben-Uri, Ben-Jaroe, Ben-Galaad, Ben-Miguel, Ben-Jesesi, Ben-Jedo e Ben-Buz.
15. O chefe da sua família era Ai, filho de Abdiel e neto de Guni.
16. Eles ficaram morando em Galaad, em Basã e arredores, nas pastagens do Saron, até nos seus limites.
17. Todos eles foram registrados na época em que Joatão era rei de Judá e Jeroboão era rei de Israel.
18. As tribos de Rúben, de Gad e a meia-tribo de Manassés, que contavam com quarenta e quatro mil, setecentos e sessenta guerreiros, entre soldados armados de escudo e espada, atiradores de flechas treinados para a guerra e prontos para a luta,
19. entraram em combate contra os agarenos em Jetur, Nafis e Nodab.
20. No meio do combate, clamaram a seu Deus e, por terem confiado nele, Deus ouviu sua súplica e os ajudou, submetendo os agarenos e aliados ao poder deles.
21. Conseguiram, assim, tomar as riquezas dos agarenos: cinqüenta mil camelos, duzentas e cinqüenta mil ovelhas e dois mil jumentos. Também fizeram cem mil prisioneiros,
22. e houve outros tantos mortos, porque essa guerra foi conduzida por Deus. Até o exílio, eles ficaram morando no lugar que tinha sido dos agarenos.

DESCENDENTES DA MEIA TRIBO DE MANASSÉS
23. Os filhos da meia tribo de Manassés ficaram morando no território que fica entre Basã e Baal-Hermon, o Sanir e o monte Hermon. Eram numerosos.
24. Estes eram seus chefes de família: Éfer, Jesi, Eliel, Ezriel, Jeremias, Odoías e Jediel. Eram homens valentes e famosos, chefes de suas famílias.
25. Eles, porém, foram infiéis ao Deus de seus antepassados, pois se prostituíram com os deuses dos povos nativos que Deus tinha destruído diante deles.
26. Então o Deus de Israel incitou contra eles Pul, que é Teglat-Falasar, rei da Assíria. Este exilou Rúben, Gad e a meia tribo de Manassés, levando-os para Hala, Habor, Ara e para o rio Gozã, onde estão até hoje.

DESCENDENTES DE LEVI ATÉ O EXÍLIO NA BABILÔNIA
27. Filhos de Levi: Gérson, Caat e Merari.
28. Filhos de Caat: Amram, Isaar, Hebron e Oziel.
29. Aarão, Moisés e Maria eram filhos de Amram. Filhos de Aarão: Nadab, Abiú, Eleazar e Itamar.
30. Eleazar foi pai de Finéias, pai de Abisue,
31. pai de Boci, pai de Ozi,
32. pai de Zaraías, pai de Meraiot,
33. pai de Amarias, pai de Aquitob,
34. pai de Sadoc, pai de Aquimaás,
35. pai de Azarias, pai de Joanã,
36. pai de Azarias. Este foi o sacerdote no Templo construído em Jerusalém por Salomão.
37. Azarias foi pai de Amarias, pai de Aquitob,
38. pai de Sadoc, pai de Selum,
39. pai de Helcias, pai de Azarias,
40. pai de Saraías, pai de Josedec.
41. Josedec foi para o exílio quando Javé, por meio de Nabucodonosor, exilou Judá e Jerusalém.

[I Crônicas 6]I Crônicas 6

CLÃS LEVÍTICOS
1. Filhos de Levi: Gersam, Caat e Merari.
2. Filhos de Gersam: Lobni e Semei.
3. Filhos de Caat: Amram, Isaar, Hebron e Oziel.
4. Filhos de Merari: Mooli e Musi. Esses são os clãs de Levi, por famílias.
5. Filhos de Gersam: Lobni, Jaat, Zama,
6. Joa, Ado, Zara e Jetrai.
7. Filhos de Caat: Aminadab, Coré, Asir,
8. Elcana, Abiasaf, Asir,
9. Taat, Uriel, Ozias e Saul.
10. Filhos de Elcana: Amasai e Aquimot,
11. pai de Elcana, pai de Sofai, pai de Naat,
12. pai de Eliab, pai de Jeroam, pai de Elcana.
13. Este teve dois filhos: Samuel, o mais velho, e Abias.
14. Filhos de Merari: Mooli, Lobni, Semei, Oza,
15. Samaá, Hagias e Asaías.

CANTORES NO TEMPO DE DAVI
16. Vêm agora os que Davi encarregou de dirigir o canto no Templo de Javé, quando a Arca foi aí colocada.
17. O ofício deles era cantar diante da Habitação da Tenda da reunião, até que Salomão construiu em Jerusalém o Templo de Javé. Daí por diante, eles exerciam seu ofício no Templo, conforme o regulamento.
18. Os encarregados do canto, com seus descendentes, eram os seguintes: Filhos de Caat: Emã, o cantor, filho de Joel, filho de Samuel,
19. filho de Elcana, filho de Jeroam, filho de Eliel, filho de Toú,
20. filho de Suf, filho de Elcana, filho de Maat, filho de Amasai,
21. filho de Elcana, filho de Joel, filho de Azarias, filho de Sofonias,
22. filho de Taat, filho de Asir, filho de Abiasaf, filho de Coré,
23. filho de Isaar, filho de Caat, que era filho de Levi, filho de Israel.
24. À sua direita, ficava o seu companheiro Asaf, que era filho de Baraquias, filho de Samaé,
25. filho de Miguel, filho de Basaías, filho de Melquias,
26. filho de Atanai, filho de Zara, filho de Adaías,
27. filho de Etã, filho de Zama, filho de Semei,
28. filho de Jet, filho de Gersam, que era filho de Levi.
29. À esquerda, ficavam os outros seus irmãos, os filhos de Merari: Etã, filho de Cusi, filho de Abdi, filho de Maloc,
30. filho de Hasabias, filho de Amasias, filho de Helcias,
31. filho de Amasai, filho de Boni, filho de Somer,
32. filho de Mooli, filho de Musi, filho de Merari, que era filho de Levi.

OS FILHOS DE AARÃO ENTRE OS LEVITAS
33. Os levitas, seus irmãos, estavam inteiramente dedicados ao serviço da Habitação do Templo de Deus.
34. Aarão e seus filhos queimavam as ofertas sobre o altar dos holocaustos e também sobre o altar do incenso; faziam todo o serviço das coisas mais santas, especialmente das cerimônias de expiação dos pecados de Israel, tudo conforme determinou Moisés, o servo de Deus.
35. Filhos de Aarão: Eleazar, depois Finéias, Abisue,
36. Boci, Ozi, Zaraías,
37. Meraiot, Amarias, Aquitob,
38. Sadoc e por fim Aquimaás.

CIDADES DOS LEVITAS
39. São estas as moradas dos filhos de Levi, conforme as divisas de seus territórios: Para os filhos de Aarão, do clã de Caat, que foram sorteados em primeiro lugar,
40. deram Hebron, no território de Judá, com as pastagens vizinhas.
41. A zona rural e suas aldeias ficaram para Caleb, filho de Jefoné.
42. Aos filhos de Aarão foram entregues as cidades de refúgio: Hebron, Lebna e suas pastagens, Jeter, Estemo e suas pastagens;
43. Helon e suas pastagens, Dabir e suas pastagens;
44. Asã e suas pastagens; Bet-Sames e suas pastagens.
45. Da tribo de Benjamim foram entregues Gaba e suas pastagens, Almat e suas pastagens; Anatot e suas pastagens. Seus clãs receberam ao todo treze cidades com suas pastagens.
46. Para os outros descendentes de Caat, foram entregues, por sorteio, dez cidades, tomadas dos clãs das tribos de Efraim, Dã e da meia tribo de Manassés.
47. Para os descendentes de Gersam, distribuídos por clãs, ficaram treze cidades, tomadas das tribos de Issacar, Aser, Neftali e da tribo de Manassés em Basã.
48. Para os descendentes de Merari, por clãs, caíram por sorteio doze cidades, tomadas das tribos de Rúben, Gad e Zabulon.
49. Essas foram as cidades que os israelitas entregaram aos descendentes de Levi, incluindo as pastagens.
50. Por sorteio, lhes entregaram também as cidades que eram das tribos de Judá, de Simeão e de Benjamim, às quais eles deram seus nomes.
51. Algumas cidades entregues aos clãs dos descendentes de Caat foram tomadas da tribo de Efraim.
52. Entregaram para eles também as cidades de refúgio: Siquém e suas pastagens, na região montanhosa de Efraim; Gazer e suas pastagens;
53. Jecmaam e suas pastagens, Bet-Horon e suas pastagens;
54. Aialon e suas pastagens; Gat-Remon e suas pastagens;
55. Aner e Balaam com suas respectivas pastagens, que foram tiradas da meia tribo de Manassés. É o que foi entregue aos outros clãs dos descendentes de Caat.
56. Dos clãs da meia tribo de Manassés foram entregues para os descendentes de Gersam: Golã e suas pastagens em Basã; Astarot e suas pastagens.
57. Da tribo de Issacar: Cedes e suas pastagens; Daberet e suas pastagens;
58. Ramot e suas pastagens; Anem e suas pastagens.
59. Da tribo de Aser foram entregues: Masal e suas pastagens; Abdon e suas pastagens;
60. Hucoc e suas pastagens; Roob e suas pastagens.
61. Da tribo de Neftali: Cedes na Galiléia e suas pastagens; Hamon e suas pastagens; Cariataim e suas pastagens.
62. Para os outros descendentes de Merari, ficaram as seguintes cidades da tribo de Zabulon: Remon e suas pastagens; Tabor e suas pastagens,
63. do outro lado do Jordão, no rumo de Jericó, a leste do rio. Da tribo de Rúben: Bosor, no deserto, e suas pastagens; Jasa e suas pastagens;
64. Cedimot e suas pastagens; Mefaat e suas pastagens.
65. Da tribo de Gad: Ramot em Galaad e suas pastagens; Maanaim e suas pastagens;
66. Hesebon e suas pastagens; Jazer e suas pastagens.

[I Crônicas 7]I Crônicas 7

DESCENDENTES DE ISSACAR
1. Filhos de Issacar: Tola, Fua, Jasub e Semron. Quatro ao todo.
2. Filhos de Tola, chefes de suas famílias: Ozi, Rafaías, Jeriel, Jemai, Jebsem e Samuel. O número de guerreiros que eles tinham por famílias no tempo de Davi era, no total, vinte e dois mil e seiscentos.
3. Filho de Ozi: Izraías. Filhos de Izraías: Miguel, Abdias, Joel e Jesias. Eram cinco chefes.
4. Sob a responsabilidade deles havia batalhões organizados com trinta e seis mil soldados, repartidos conforme sua parentela e famílias. Eles tinham muitas mulheres e filhos.
5. Seus irmãos dos clãs de Issacar chegaram a ter oitenta e sete mil guerreiros no recenseamento.

DESCENDENTES DE BENJAMIM
6. Filhos de Benjamim: Bela, Bocor e Jadiel. Três ao todo.
7. Filhos de Bela: Esbon, Ozi, Oziel, Jerimot e Urai. Os cinco eram chefes de famílias, valentes guerreiros, somando vinte e dois mil e trinta e quatro homens.
8. Filhos de Bocor: Zamira, Joás, Eliezer, Elioenai, Amri, Jerimot, Abias, Anatot e Almat, todos filhos de Bocor.
9. O recenseamento deles, feito com base nos chefes de suas famílias, deu vinte mil e duzentos guerreiros.
10. Filho de Jadiel: Balã. Filhos de Balã: Jeús, Benjamim, Aod, Canana, Zetã, Társis e Aisaar.
11. Todos esses filhos de Jadiel se tornaram chefes de famílias, homens valentes, em número de dezessete mil e duzentos, aptos para guerra e combate.
12. Sufam e Hufam. Filho de Ir: Hasim, cujo filho se chamava Aer.

DESCENDENTES DE NEFTALI E MANASSÉS
13. Filhos de Neftali: Jasiel, Guni, Jeser e Selum. Todos eram filhos de Bala.
14. Filhos de Manassés: Esriel, dado à luz por sua concubina araméia, que lhe deu também Maquir, pai de Galaad.
15. Maquir tomou esposas para Hufam e Sufam. Tinha uma irmã chamada Maaca. O nome do seu outro irmão era Salfaad, que só teve filhas.
16. Maaca, mulher de Maquir, teve um filho, e lhe deu o nome de Farés. O irmão dele se chamava Sares, cujos filhos eram Ulam e Recém.
17. Filho de Ulam: Badã. São esses os descendentes de Galaad, filho de Maquir, que era filho de Manassés.
18. Sua irmã Amaléquet foi a mãe de Isod, Abiezer e Moola.
19. Filhos de Semida: Ain, Siquém, Leci e Aniam.

DESCENDENTES DE EFRAIM
20. Filhos de Efraim: Sutala, pai de Bared, pai de Taat, pai de Elada, pai de Taat,
21. pai de Zabad, pai de Sutala, e ainda Ezer e Elada. Uns indivíduos de Gad, nascidos no território, mataram esses dois últimos que tinham ido roubar gado.
22. Efraim, o pai deles, ficou de luto por muito tempo, e seus irmãos foram consolá-lo.
23. Depois voltou a unir-se à sua esposa; então ela ficou grávida e deu à luz um menino, a quem ele deu o nome de Berias, para lembrar que "sua casa estava na infelicidade".
24. Filha de Efraim: Sara. Ela fundou as cidades de Bet-Horon superior e inferior e também Ozensara.
25. À descendência de Efraim pertencem também: Rafa, pai de Sutala, pai de Taã,
26. pai de Laadã, pai de Amiud, pai de Elisama,
27. pai de Nun, pai de Josué.
28. Suas propriedades e moradias eram em Betel e arredores; Norã, a leste; Gazer e arredores, a oeste; Siquém e arredores, até Hai e arredores.
29. Em poder dos descendentes de Manassés estavam também: Betsã e arredores; Tanac e arredores; Meguido e arredores; Dor e arredores. Aí moravam os descendentes de José, filho de Israel.

DESCENDENTES DE ASER
30. Filhos de Aser: Jemna, Jesua, Jessui, Beria, além de Sara, irmã deles.
31. Filhos de Beria: Héber e Melquiel, pai de Barzait.
32. Filhos de Héber: Jeflat, Somer, Hotam e uma irmã, Suaá.
33. Filhos de Jeflat: Fosec, Bamaal e Asot. São esses os filhos de Jeflat.
34. Filhos de seu irmão Somer: Roaga, Haba e Aram.
35. O outro irmão, de nome Hélem, teve os seguintes filhos: Sufa, Jemna, Seles e Amal.
36. Sufa foi pai de Sue, Harnafer, Sual, Beri, Jamra,
37. Bosor, Od, Sama, Salusa, Jetrã e Beera.
38. Jetrã teve os seguintes filhos: Jefoné, Fasfa e Ara.
39. Filhos de Ola: Area, Haniel e Resias.
40. São esses os descendentes de Aser, chefes de famílias, homens escolhidos e valentes, chefes entre os príncipes. O recenseamento, feito com base na capacidade militar, somou vinte e seis mil homens.

[I Crônicas 8]I Crônicas 8

DESCENDENTES DE BENJAMIM
1. Filhos de Benjamim: Bela, o mais velho; em segundo lugar, Asbel; em terceiro, Airam;
2. em quarto, Noaá; em quinto, Rafa.
3. Filhos de Bela: Adar, Gera, pai de Aod,
4. Abisue, Naamã, Aoe,
5. Gera, Sefufam e Huram.
6. Filhos de Aod, que foram chefes de famílias em Gaba e que foram exilados para Manaat:
7. Naamã, Aías e Gera. Este útimo os conduziu cativos; ele foi pai de Oza e Aiud.
8. Saaraim só teve filhos nos campos de Moab, depois de repudiar suas duas mulheres, Husim e Baara.
9. Sua nova mulher lhe deu estes filhos: Jobab, Sebias, Mesa, Melcam,
10. Jeús, Sequias e Marma. Foram esses os seus filhos, que se tornaram chefes de famílias.
11. Husim tinha gerado Abitob e Elfaal.
12. Filhos de Elfaal: Héber, Misaam e Samad. Este foi o fundador de Ono e Lod com seus arredores.
13. Berias e Sama eram chefes de famílias dos moradores de Aialon, e foram eles que expulsaram os habitantes de Gat.
14. Sesac era irmão de Berias. Jerimot,
15. Zabadias, Arod, Éder,
16. Miguel, Jesfa e Joá eram filhos de Berias.
17. Zabadias, Mosolam, Hezeci, Haber,
18. Jesamari, Jeslias e Jobab eram filhos de Elfaal.
19. Jacim, Zecri, Zabdi,
20. Elioenai, Seletai, Eliel,
21. Adaías, Baraías e Samarat eram filhos de Semei.
22. Jesfã, Héber, Eliel,
23. Abdon, Zecri, Hanã,
24. Hananias, Elam, Anatotias,
25. Jefdaías e Fanuel eram filhos de Sesac.
26. Semsari, Soorias, Otolias,
27. Jersias, Elias e Zecri eram filhos de Jeroam.
28. Esses eram os chefes de famílias, agrupados segundo sua parentela. Eles moravam em Jerusalém.
29. Em Gabaon moravam Jeiel, pai de Gabaon. Sua mulher chamava-se Maaca.
30. Seus filhos foram: Abdon, o mais velho; depois, Sur, Cis, Baal, Ner, Nadab,
31. Gedor, Aio, Zaquer e Macelot.
32. Macelot foi pai de Samaá. Mas esses dois, ao contrário de seus irmãos, foram morar em Jerusalém, junto com seus outros irmãos.
33. Ner foi pai de Cis, pai de Saul, que teve os seguintes filhos: Jônatas, Melquisua, Abinadab e Isbaal.
34. Jônatas teve um filho, Meribaal, pai de Micas.
35. Filhos de Micas: Fiton, Melec, Taraá e Aaz.
36. Aaz foi pai de Joada, pai de Almat, Azmot e Zambri. Zambri foi pai de Mosa,
37. pai de Banaá, pai de Rafa, pai de Elasa, pai de Asel,
38. que teve seis filhos com estes nomes: Ezricam, o mais velho; depois, Ismael, Sarias, Abdias e Hanã. Eram todos filhos de Asel.
39. Filhos do seu irmão Esec: Ulam, o mais velho; Jeús, o segundo; Elifalet, o terceiro.
40. Os filhos de Ulam eram guerreiros valentes, atiradores de flechas. Seus filhos e netos aumentaram muito, chegando ao número de cento e cinqüenta. Todos esses eram descendentes de Benjamim.

[I Crônicas 9]I Crônicas 9

POPULAÇÃO DE JERUSALÉM DEPOIS DO EXÍLIO
1. Todo o Israel foi registrado em genealogias e estava inscrito no livro dos reis de Israel e Judá, quando, por causa de suas infidelidades, foi levado para o exílio na Babilônia.
2. Os primeiros israelitas a residir em patrimônios e cidades foram os sacerdotes, os levitas e os doados.
3. Em Jerusalém ficaram morando alguns descendentes de Judá, Benjamim, Efraim e Manassés.
4. Dos descendentes de Judá ficaram: Otei, filho de Amiud, filho de Amri, filho de Omrai, filho de Bani, filho de Farés, filho de Judá.
5. Dos selanitas: Asaías, o primogênito, e seus filhos.
6. Da descendência de Zara ficaram: Jeuel e seus irmãos, num total de seiscentas e noventa pessoas.
7. Dos descendentes de Benjamim, ficaram em Jerusalém: Salo, filho de Mosolam, filho de Oduías, filho de Asana;
8. Joabnias, filho de Jeroam; Ela, filho de Ozi, filho de Mocori; Mosolam, filho de Safatias, filho de Reuel, filho de Jebanias.
9. Com todos os irmãos, por famílias, somavam, no total, novecentas e cinqüenta pessoas. Todos esses homens eram chefes de famílias.
10. Sacerdotes que ficaram: Jedaías, Joiarib, Jaquin,
11. Azarias, filho de Helcias, filho de Mosolam, filho de Sadoc, filho de Maraiot, filho de Aquitob, que era chefe do Templo de Deus.
12. Também Adaías, filho de Jeroam, filho de Fassur, filho de Melquias; Maasai, filho de Adiel, filho de Jezra, filho de Mosolam, filho de Mosolamot, filho de Emer,
13. além dos irmãos, chefes de famílias. Eram, no total, mil e setecentos e sessenta homens aptos para a guerra, todos encarregados do serviço no Templo de Deus.
14. Levitas que ficaram: Semeías, filho de Hassub, filho de Ezricam, filho de Hasabias, dos descendentes de Merari;
15. Bacbacar, Hares, Galal; Matanias, filho de Micas, filho de Zecri, filho de Asaf;
16. Abdias, filho de Semeías, filho de Galal, filho de Iditun; Baraquias, filho de Asa, filho de Elcana, que morava nas aldeias dos netofatitas.
17. Porteiros que ficaram: Selum, Acub, Telmon e Aimã, com seus irmãos. Selum, o chefe,
18. permanece até hoje junto à porta Real, do lado leste. Os porteiros dos acampamentos dos levitas eram os seguintes:
19. Selum, filho de Coré, filho de Abiasaf, filho de Cora, e seus irmãos de sangue, da mesma família dos coreítas. Dedicavam-se ao serviço litúrgico, guardavam a porta da Tenda, enquanto seus pais, responsáveis pelo acampamento de Javé, guardavam a entrada.
20. Finéias, filho de Eleazar, foi o chefe deles. Que Javé esteja com ele!
21. Zacarias, filho de Mosolamias, foi o porteiro na entrada da Tenda da reunião.
22. Os porteiros escolhidos para guardar a entrada da porta eram ao todo duzentos e doze. Estavam agrupados em suas aldeias. Davi e o vidente Samuel os colocavam como porteiros, por causa da honestidade deles.
23. Eles e seus filhos se tornaram os porteiros responsáveis pelas portas do Templo de Javé, ou seja, a Casa da Tenda.
24. Os porteiros ficavam voltados para os quatro lados: nascente, poente, norte e sul.
25. Os irmãos que estavam nas aldeias deviam revezar-se, de semana em semana, para ficar sete dias com eles,
26. pois os quatro porteiros mais fortes ficavam aí constantemente. Eles eram levitas e cuidavam dos cômodos e provisões do Templo de Deus.
27. Dormiam na vizinhança do Templo, pois tinham obrigação de guardá-lo; eram eles que abriam as portas, toda manhã.
28. Alguns deles eram encarregados dos objetos do culto e tinham que conferir os objetos que chegavam e saíam.
29. Outros eram encarregados do material de consumo, coisas sagradas como farinha de trigo, vinho, azeite, incenso e perfumes.
30. Quem misturava as essências para preparar os perfumes eram os sacerdotes.
31. O levita Matatias, filho mais velho de Selum, descendente de Coré, por causa de sua honestidade, ficou responsável pelo que era feito nas assadeiras.
32. Alguns da família dos descendentes de Caat ficaram encarregados de substituir, todo sábado, os doze pães colocados em ordem no santuário.
33. São esses os cantores, chefes de famílias da tribo de Levi. Moravam nos alojamentos do Templo e eram livres de outras funções, porque estavam a serviço dia e noite.
34. São esses os chefes de famílias da casa de Levi, conforme seus clãs. Todos moravam em Jerusalém.

DESCENDENTES DE SAUL
35. Em Gabaon, morava Jeiel, pai de Gabaon. O nome da mulher dele era Maaca.
36. Aí moravam o seu filho mais velho Abdon e também Sur, Cis, Baal, Ner, Nadab,
37. Gedor, Aio, Zacarias e Macelot.
38. Macelot foi pai de Samaam. Ao contrário de seus irmãos, estes últimos moravam com os outros irmãos em Jerusalém.
39. Ner foi pai de Cis, que foi pai de Saul. Saul teve estes filhos: Jônatas, Melquisua, Abinadab e Isbaal.
40. O filho de Jônatas se chamava Meribaal, pai de Micas.
41. Filhos de Micas: Fiton, Melec e Taraá.
42. Aaz foi pai de Jara, pai de Almat, Azmot e Zambri. Zambri foi pai de Mosa,
43. pai de Banaá, pai de Rafaías, Elasa e Asel.
44. Asel teve seis filhos: Ezricam, o mais velho, Ismael, Sarias, Abdias e Hanã; são esses os filhos de Asel.

[I Crônicas 10]I Crônicas 10

DERROTA E MORTE DE SAUL
1. Os filisteus estavam guerreando contra Israel. Aconteceu então que os homens de Israel fugiram dos filisteus e, feridos, acabaram caindo mortos no monte Gelboé.
2. Os filisteus perseguiram Saul e seus filhos, e mataram Jônatas, Abinadab e Melquisua, filhos de Saul.
3. Então a luta se concentrou sobre Saul. Os atiradores descobriram onde ele estava e lhe acertaram flechas.
4. Saul disse ao seu escudeiro: "Puxe a sua espada e me mate, senão esses incircuncisos vão rir de mim". O escudeiro não quis fazer isso, pois teve muito medo. Então Saul pegou a sua própria espada e se jogou sobre ela.
5. O escudeiro ficou apavorado e, ao ver que Saul tinha morrido, jogou-se também sobre a própria espada e morreu.
6. Dessa forma, morreram Saul e seus três filhos: a família inteira.
7. Todos os israelitas que moravam no vale, ao verem que os homens de Israel tinham fugido e que Saul e seus filhos tinham morrido, abandonaram suas cidades e fugiram. Então os filisteus foram, e aí ficaram morando.
8. No outro dia, quando os filisteus foram saquear os mortos no combate, encontraram Saul com seus filhos, todos mortos, no monte Gelboé.
9. Depois de despojar o corpo de Saul, levaram a cabeça e as armas dele por toda a terra dos filisteus, anunciando a boa notícia a seus ídolos e a seu povo.
10. Em seguida, colocaram as armas de Saul no templo do deus deles e pregaram o seu crânio no templo de Dagon.
11. Os habitantes de Jabes de Galaad ficaram sabendo o que os filisteus tinham feito com Saul.
12. Então todos os guerreiros foram buscar o corpo de Saul e de seus filhos, levando-os para Jabes. Sepultaram os corpos debaixo do terebinto de Jabes e jejuaram durante sete dias.
13. Saul morreu por ter sido infiel a Javé: não seguiu a ordem de Javé e foi consultar uma mulher que invocava os mortos,
14. em vez de consultar a Javé. Então Javé o entregou à morte e passou o reinado para Davi, filho de Jessé.

[I Crônicas 11]II. DAVI, FUNDADOR DO CULTO EM JERUSALÉM

I Crônicas 11

DAVI, CENTRO IDEAL DA HISTÓRIA
1. Todo o Israel se reuniu com Davi em Hebron e lhe disse: "Veja bem! Nós somos do mesmo sangue.
2. Há pouco tempo atrás, quando Saul era rei, você é quem chefiava Israel nas guerras. E Javé, seu Deus, lhe disse: 'Você será o pastor do meu povo Israel. Você será o chefe do meu povo Israel'."
3. Todos os anciãos de Israel foram procurar o rei em Hebron, e Davi fez, aí mesmo em Hebron, uma aliança com eles, na presença de Javé. Então eles ungiram Davi como rei de Israel, conforme a palavra de Javé, anunciada por Samuel.
4. Davi, com todo o Israel, tomou o caminho para Jerusalém, que se chamava Jebus. Os jebuseus moravam nessa região.
5. Então os moradores de Jebus disseram a Davi: "Aqui você não entra!" Mas Davi tomou a fortaleza de Sião, que é a Cidade de Davi.
6. Foi quando Davi falou: "Quem atacar primeiro os jebuseus será nomeado comandante-chefe." Quem atacou primeiro foi Joab, filho de Sárvia. Assim, ele se tornou comandante.
7. Davi passou a morar nessa fortaleza e, por isso, deram-lhe o nome de Cidade de Davi.
8. Ele reconstruiu a cidade em redor, tanto o Melo como as muralhas. E Joab reformou o resto da cidade.
9. O poder de Davi aumentava cada vez mais, e Javé dos exércitos estava com ele.

O PODER DE DAVI
10. São estes os valentes de Davi, que se afirmaram com valor no seu reino e, junto com todo o Israel, o fizeram rei, conforme a palavra de Javé a respeito de Israel.
11. Os valentes de Davi são os seguintes: Jesbaam, filho de Hacamon. Ele era o chefe dos Três. Foi ele que atirou a lança sobre trezentos, e acertou os trezentos de uma só vez.
12. Além dele, Eleazar, filho de Dodô, o aoíta, que era um dos Três.
13. Ele estava com Davi em Afes-Domim, quando os filisteus aí se reuniram para o combate. Havia nesse lugar uma plantação de cevada. O exército fugiu com medo dos filisteus,
14. mas Eleazar se postou no meio da plantação, a defendeu e matou os filisteus. Javé concedeu uma grande vitória.
15. Três dos Trinta desceram para perto de Davi, junto ao rochedo da gruta de Odolam. O acampamento filisteu estava armado no vale dos rafaim.
16. Davi estava no esconderijo, enquanto em Belém havia uma guarnição de filisteus.
17. Foi quando Davi manifestou um desejo: "Quem me dera beber da água do poço de Belém, que fica na entrada da cidade!"
18. Os três homens atravessaram o acampamento dos filisteus, tiraram água do poço que fica na entrada de Belém e a levaram para Davi. Mas Davi não quis beber e derramou a água em libação a Javé,
19. dizendo: "Deus me livre de fazer uma coisa dessas! Por acaso eu vou beber o sangue desses homens que arriscaram a vida? Eles trouxeram a água com risco de vida!" E de jeito nenhum quis beber. Foi isso que os três valentes fizeram.
20. Abisaí, irmão de Joab, era o chefe dos Trinta. Ele atirou a lança sobre trezentos e os acertou. Assim, ficou famoso entre os Trinta.
21. Era o mais respeitado dos Trinta e ficou sendo o chefe deles. Só não fazia parte dos Três.
22. Banaías, filho de Joiada, soldado de muitas façanhas, natural de Cabseel, matou os dois heróis de Moab e, em dia de neve, desceu e matou um leão dentro do poço.
23. Ele também matou o egípcio de dois metros e meio de altura, o qual tinha na mão uma lança, que mais parecia cilindro de tear: enfrentou-o com um porrete, tomou a lança da mão do egípcio e com ela o matou.
24. Banaías, filho de Joiada, fez tudo isso, e ficou famoso entre os Trinta.
25. Era o mais respeitado entre os Trinta, só que não fazia parte dos Três. Davi o colocou como chefe da sua guarda pessoal.
26. Os valentes de Davi eram estes: Asael, irmão de Joab; Elcanã, filho de Dodô, de Belém;
27. Samot, o harorita; Heles, o felonita;
28. Ira, filho de Aces, de Técua; Abiezer, de Anatot;
29. Sobocai, de Husa; Ilai, de Ao;
30. Maarai, de Netofa; Héled, filho de Baana, de Netofa;
31. Etai, filho de Ribai, de Gabaá dos filhos de Benjamim; Banaías, de Faraton;
32. Hurrai, das torrentes de Gaás; Abiel, de Bet-Arabá;
33. Azmot, de Baurim; Eliaba, de Saalbon;
34. Benê-Asem, de Gezon; Jônatas, filho de Saage, de Arar;
35. Aiam, filho de Sacar, de Arar; Elifalet, filho de Ur;
36. Héfer, de Maquera; Aías, o felonita;
37. Hesro, de Carmel; Naarai, filho de Azbai;
38. Joel, irmão de Natã; Mibaar, filho de Agarai;
39. Selec, o amonita; Naarai, de Beerot, escudeiro de Joab, filho de Sárvia;
40. Ira, de Jeter; Gareb, de Jeter;
41. Urias, o heteu; Zabad, filho de Ooli;
42. Adina, filho de Siza, o rubenita, chefe dos rubenitas e responsável pelos Trinta;
43. Hanã, filho de Maaca; Josafá, o matanita;
44. Ozias, de Astarot; Sama e Jaiel, filhos de Hotam, de Aroer;
45. Jediel, filho de Samri, e seu irmão Joás, o tasaíta;
46. Eliel, o maumita; Jeribai e Josaías, filhos de Elnaem; Jetma, o moabita;
47. Eliel, Obed e Jasiel, de Soba.

[I Crônicas 12]I Crônicas 12

À PROCURA DE UM NOVO LÍDER
1. Lista dos que passaram para o lado de Davi, em Siceleg, quando ele ainda andava se escondendo de Saul, filho de Cis. Eles eram valentes, companheiros de luta,
2. que manejavam o arco, tanto com a direita como com a esquerda, e sabiam atirar da mesma forma tanto pedras como flechas. Irmãos de Saul, da tribo de Benjamim:
3. o chefe Aiezer e Joás, filho de Samaá, de Gabaá; Jasiel e Falet, filho de Azmot; Baraca e Jeú, de Anatot;
4. Ismaías, de Gabaon, um dos Trinta e chefe dos Trinta;
5. Jeremias, Jeeziel, Joanã e Jozabad, de Gaderot;
6. Eluzaí, Jerimot, Baalias, Samarias, Safatias, de Harif;
7. Elcana, Jesias, Azareel, Joezer e Jesbaam, da família de Coré;
8. Joela e Zabadias, filhos de Jeroam, de Gedor.
9. Muitos da tribo de Gad passaram para o lado de Davi, quando ele estava escondido no deserto. Eram guerreiros valentes, gente treinada para a guerra, bons no manejo do escudo e da lança. Pareciam leões, e eram espertos como gazelas em meio às montanhas.
10. O chefe deles era Ezer; Abdias, o segundo; Eliab, o terceiro;
11. Masmana, o quarto; Jeremias, o quinto;
12. Eti, o sexto; Eliel, o sétimo;
13. Joanã, o oitavo; Elzebad, o nono;
14. Jeremias, o décimo; Macbanai, o décimo primeiro.
15. Da tribo de Gad, eram esses os comandantes de batalhões, que tinham, cada um, entre cem e mil soldados.
16. Foram esses que atravessaram o rio Jordão no primeiro mês do ano, quando ele, de tão cheio, fica transbordando. E eles puseram para correr todos os moradores desses fundos, de um e de outro lado do rio.
17. Alguns indivíduos das tribos de Benjamim e Judá foram até o esconderijo de Davi para se aliar com ele.
18. Davi saiu ao encontro deles e disse: "Se vocês vieram como amigos, para me ajudar, eu estou pronto para me unir a vocês. Agora, se é para me atraiçoar em favor dos meus inimigos, embora eu não tenha nenhum crime nas costas, que o Deus dos nossos antepassados veja, e ele mesmo faça justiça!"
19. Então o espírito se apoderou de Amasai, chefe dos Trinta, que exclamou: "Nós somos dos seus, Davi. Estamos com você, filho de Isaí. Paz a você e aos seus companheiros, porque o seu Deus está do seu lado". Davi então os aceitou e os colocou no comando de batalhões.
20. Da tribo de Manassés, alguns se juntaram a Davi, quando ele, ao lado dos filisteus, entrava em combate contra Saul. Mas Davi não ajudou os filisteus porque, reunidos em conselho, os chefes filisteus dispensaram a sua ajuda, dizendo: "Ele poderia desertar, passar para o lado de Saul e colocar em risco as nossas cabeças".
21. Quando Davi foi para Siceleg, saíram ao seu encontro estes indivíduos da tribo de Manassés: Ednas, Jozabad, Jediel, Miguel, Jozabad, Eliú, Salati, todos comandantes militares de Manassés.
22. Eles passaram a ajudar Davi no comando da tropa, pois eram todos guerreiros valentes e acabaram se tornando oficiais do exército.
23. Na verdade, Davi ia recebendo a cada dia novos reforços, de modo que seu acampamento foi ficando enorme.

O POVO CONSAGRA SEU LÍDER
24. Número dos guerreiros armados que se apresentaram a Davi em Hebron, a fim de transferir para ele o reino de Saul, cumprindo assim a ordem de Javé:
25. Da tribo de Judá, com escudo e lança, seis mil e oitocentos homens armados para a guerra.
26. Da tribo de Simeão, sete mil e cem combatentes.
27. Da tribo de Levi, quatro mil e seiscentos,
28. além de Joiada, chefe dos descendentes de Aarão, com três mil e setecentos homens,
29. e ainda o jovem e valente guerreiro Sadoc, com vinte e dois oficiais de sua família.
30. Da tribo de Benjamim, irmãos de Saul, eram três mil, e a maioria deles até então prestava serviço junto à família real de Saul.
31. Da tribo de Efraim, vinte mil e oitocentos guerreiros, gente de fama na sua família.
32. Da meia tribo de Manassés, dezoito mil, todos nomeados, um por um, para proclamar Davi rei.
33. Da tribo de Issacar, gente que sabia perceber a ocasião e a maneira para Israel agir, eram duzentos chefes, que tinham sob suas ordens todos os seus irmãos.
34. Da tribo de Zabulon, cinqüenta mil aptos para a guerra, dispostos em ordem de combate, armados e prontos a se alistarem corajosamente para a guerra.
35. Da tribo de Neftali, mil oficiais e trinta e sete mil soldados armados de lança e escudo.
36. Da tribo de Dã, vinte e oito mil e seiscentos homens aptos para a guerra.
37. Da tribo de Aser, quarenta mil homens prontos a partir para a guerra.
38. Da Transjordânia, isto é, das tribos de Rúben, de Gad e da meia tribo de Manassés, cento e vinte mil, munidos com todo tipo de armas.
39. Todos esses guerreiros, treinados e organizados, com toda a sinceridade, se dirigiram até Hebron a fim de proclamar Davi rei de todo o Israel. E todo o restante da população de Israel também foi unânime em proclamar Davi rei.
40. Por três dias ficaram aí, comendo e bebendo com Davi, pois suas famílias tinham preparado tudo para eles.
41. Mesmo dos lugares mais próximos e até de Issacar, Zabulon e Neftali, o pessoal levava comida no lombo de jumentos e camelos, de mulas e bois. Levavam alimentos à base de farinha, figos e uvas secas, vinho e azeite, além de abundante carne de boi e ovelha, porque Israel estava em festa.

[I Crônicas 13]I Crônicas 13

PRIMEIRO ATO DO NOVO REI
1. Davi convocou para uma reunião todos os chefes de mil e os chefes de cem, além de todos os comandantes.
2. Então Davi dirigiu-se à assembléia geral dos israelitas: "Se é vontade de vocês e se o nosso Deus Javé aprova, vamos convidar nossos irmãos de todas as regiões de Israel, assim como os sacerdotes e levitas de todas as suas cidades e campos, para que eles se juntem a nós.
3. O objetivo é transportar para cá a Arca do nosso Deus, pois no tempo de Saul nós não nos preocupamos com ela".
4. A assembléia em peso decidiu que era isso mesmo que se devia fazer, pois todo o povo achou que a proposta era justa.
5. Então Davi convocou a população de todo o Israel, desde Sior do Egito até a Entrada de Emat, para buscar em Cariat-Iarim a Arca de Deus.
6. Davi e todo o Israel se dirigiram então para Baala ou Cariat-Iarim, em Judá, para transportar daí a Arca do Deus que se chama Javé, e está sentado sobre os querubins.
7. Da casa de Abinadab em diante, a Arca de Deus foi transportada numa carroça nova. Oza e Aio eram os condutores.
8. Davi e todo o Israel iam dançando diante de Deus, com todo o entusiasmo, cantando ao som de cítaras, harpas, tamborins, címbalos e trombetas.
9. Estavam chegando ao terreiro de Quidon, quando Oza estendeu a mão para segurar a Arca, porque os bois tropeçaram.
10. Então a ira de Javé fulminou Oza e o feriu, porque ele tocou a Arca. Ele morreu aí mesmo, na presença de Deus.
11. Davi ficou desgostoso porque Javé havia fulminado Oza. Então deu a esse lugar o nome de Farés-Oza, como é conhecido até hoje.
12. Nesse dia, Davi ficou com medo de Deus e disse: "Como é que eu vou levar para a minha casa a Arca de Deus?"
13. E Davi não levou a Arca para a sua casa. Mandou que a levassem para a casa de Obed-Edom, que era da cidade de Gat.
14. A Arca de Deus ficou três meses com a família de Obed-Edom, a casa dele. E Javé abençoou a casa de Obed-Edom e tudo o que lhe pertencia.

[I Crônicas 14]I Crônicas 14

OBEDECER A DEUS PARA SERVIR AO POVO
1. Hiram, rei de Tiro, mandou alguns emissários a Davi, levando madeira de cedro, pedreiros e carpinteiros, a fim de construir uma casa para ele.
2. Então Davi teve certeza que Javé o confirmava rei de Israel, e lhe engrandecia o reinado, por amor a seu povo Israel.
3. Em Jerusalém, Davi tomou para si outras mulheres e gerou mais filhos e filhas.
4. E os nomes dos filhos que lhe nasceram em Jerusalém são os seguintes: Samua, Sobab, Natã, Salomão,
5. Jebaar, Elisua, Elfalet,
6. Noga, Nafeg, Jáfia,
7. Elisama, Baaliada e Elifalet.
8. Quando ouviram contar que Davi fora ungido rei de todo o Israel, os filisteus se puseram em marcha para prendê-lo. Sabendo disso, Davi partiu para enfrentá-los.
9. Os filisteus foram e se espalharam pelo vale dos rafaim.
10. Então Davi consultou a Deus: "Devo atacar os filisteus? Tu os entregarás em minhas mãos?" Javé lhe respondeu: "Pode atacar. Eu os entregarei em suas mãos".
11. Os filisteus foram à luta em Baal-Farasim, e aí mesmo Davi os derrotou. Depois Davi falou: "Por minha mão, Deus abriu uma brecha no meio dos meus inimigos, como brecha feita pelas águas". Por isso, o nome desse lugar passou a chamar-se Baal-Farasim.
12. Os filisteus abandonaram aí seus deuses, que Davi mandou jogar no fogo.
13. Os filisteus insistiram e se espalharam de novo pelo vale.
14. Davi tornou a consultar a Deus, que lhe respondeu: "Não ataque. Dê a volta pelo outro lado e vá ao encontro deles na frente das amoreiras.
15. Quando você ouvir um rumor de passos na ponta das amoreiras, comece o combate: é o sinal de que Deus sai à sua frente, para acabar com o exército filisteu".
16. Davi fez como Deus tinha mandado, e derrotou o exército filisteu desde Gabaon até Gazer.
17. A fama de Davi correu por todo o território. E Javé o tornou temido por todas as nações.

[I Crônicas 15]I Crônicas 15

JERUSALÉM: CIDADE DE DEUS E DO POVO
1. Davi construiu para si um palácio na Cidade de Davi. E para a Arca de Deus, ele ergueu uma tenda.
2. Depois disse: "A Arca de Deus só pode ser transportada pelos levitas, pois Javé os escolheu para carregar a Arca de Javé e estar sempre a seu serviço".
3. Então Davi convocou todo o Israel em Jerusalém, a fim de transferir a Arca de Javé para o lugar que ele havia preparado.
4. Mandou reunir os descendentes de Aarão e os levitas.
5. Eram os seguintes: Dos filhos de Caat: Uriel, o chefe, com cento e vinte companheiros.
6. Dos filhos de Merari: Asaías, o chefe, com duzentos e vinte companheiros.
7. Dos filhos de Gersam: Joel, o chefe, com cento e trinta companheiros.
8. Dos filhos de Elisafã: Semeías, o chefe, com duzentos companheiros.
9. Dos filhos de Hebron: Eliel, o chefe, com oitenta companheiros.
10. Dos filhos de Oziel: Aminadab, o chefe, com cento e doze companheiros.
11. Depois Davi convocou os sacerdotes Sadoc e Abiatar, os levitas Uriel, Asaías, Joel, Semeías, Eliel e Aminadab.
12. E lhes disse: "São vocês os chefes de família dos levitas. Por isso, purifiquem-se, vocês e seus irmãos, para poderem transportar a Arca de Javé, o Deus de Israel, para o lugar que eu preparei.
13. Na primeira vez, vocês não estavam lá, e Javé nos feriu, porque nós não o tratamos conforme o regulamento".
14. Os sacerdotes e levitas se purificaram para transportar a Arca de Javé, o Deus de Israel.
15. Depois os levitas carregaram a Arca de Deus, apoiada em varais sobre os ombros, conforme Moisés lhes havia mandado, segundo a palavra de Deus.
16. Davi mandou os chefes dos levitas organizarem seus irmãos cantores, para entoarem cânticos festivos acompanhados de cítaras, liras e címbalos.
17. Os levitas nomearam Emã, filho de Joel; Asaf, seu parente, filho de Baraquias; Etã, filho de Casaías, da família de Merari e parente dos anteriores.
18. Junto com eles, em posto inferior, iam seus parentes: eram os porteiros Zacarias, Jaziel, Semiramot, Jaiel, Ani, Eliab, Banaías, Maasias, Matatias, Elifalu, Macenias, Obed-Edom e Jeiel.
19. Os músicos Emã, Asaf e Etã tocavam forte os címbalos de bronze.
20. Zacarias, Oziel, Zemiramot, Jaiel, Ani, Eliab, Maasias e Banaías tocavam lira, para acompanhar vozes de soprano.
21. Matatias, Elifalu, Macenias, Obed-Edom, Jeiel e Ozazias tocavam cítara oitavada, para marcar o ritmo.
22. Conenias, chefe dos levitas encarregados do transporte, orientava tudo, pois nisso era experiente.
23. Baraquias e Elcana faziam o papel de porteiros junto à Arca.
24. Os sacerdotes Sebanias, Josafá, Natanael, Amasai, Zacarias, Banaías e Eliezer iam tocando trombeta na frente da Arca de Deus. Os outros dois porteiros junto à Arca eram Obed-Edom e Jeías.
25. Aí estavam Davi, os anciãos de Israel e os chefes de mil, acompanhando com grande alegria a retirada da Arca da Aliança de Javé, desde a casa de Obed-Edom.
26. Foram feitos sacrifícios de sete bois e sete carneiros, pois Deus protegia os levitas que carregavam a Arca da Aliança de Javé.
27. Davi, os levitas que carregavam a Arca, os cantores e Conenias, chefe dos carregadores, vestiam manto de linho fino. Davi vestia o efod de linho.
28. Todo o Israel participou da transferência da Arca da Aliança de Javé, no meio de aclamações, som de trombetas, clarins e címbalos, além da música de liras e cítaras.
29. A Arca da Aliança de Javé estava entrando na Cidade de Davi, quando Micol, filha de Saul, espiou pela janela e viu o rei dançando alegre. Então ela, dentro de si, começou a desprezá-lo.

[I Crônicas 16]I Crônicas 16

1. Entraram com a Arca de Deus e a instalaram dentro da tenda que Davi tinha armado para ela. Depois, na presença de Deus, ofereceram holocaustos e sacrifícios de comunhão.
2. Tendo terminado de oferecer os holocaustos e os sacrifícios de comunhão, Davi abençoou o povo em nome de Javé.
3. Em seguida, mandou dar para cada um dos israelitas, homens e mulheres, um pão, carne assada e um bolo de passas.

O CENTRO DO CULTO
4. Davi nomeou levitas para exercerem o ministério diante da Arca de Javé, a fim de celebrar, glorificar e louvar a Javé, o Deus de Israel.
5. Asaf era o primeiro deles; o segundo era Zacarias; depois, Oziel, Semiramot, Jaiel, Matatias, Eliab, Banaías, Obed-Edom e Jeiel. Eles tocavam liras e cítaras, enquanto Asaf fazia soar os címbalos.
6. Os sacerdotes Banaías e Jaziel tocavam continuamente as trombetas diante da Arca da Aliança de Deus.
7. Nesse dia, pela primeira vez, Davi confiou a Asaf e a seus irmãos este louvor a Javé:
8. Celebrem a Javé, invoquem o seu nome, anunciem entre os povos as suas façanhas!
9. Cantem para ele ao som de instrumentos, recitem suas maravilhas todas.
10. Orgulhem-se do seu Nome santo, alegre-se o coração dos que buscam a Javé!
11. Procurem a Javé e sua força, busquem sempre a sua face.
12. Recordem as maravilhas que ele fez, seus prodígios e as sentenças de sua boca.
13. Descendentes de seu servo Israel, filhos de Jacó, seus escolhidos.
14. Javé é o nosso Deus. Ele governa a terra inteira.
15. Lembrem-se para sempre de sua aliança, da palavra empenhada por mil gerações.
16. Da aliança que ele selou com Abraão, do juramento que fez a Isaac,
17. confirmado como lei para Jacó e como aliança eterna para Israel:
18. "Eu lhe darei a terra de Canaã como sua parte na herança".
19. Aí vocês podiam ser contados, eram pouco numerosos, estrangeiros na terra.
20. Eles iam e vinham de nação em nação, de um reino para outro povo diferente.
21. Ele não deixou que ninguém os oprimisse. Por causa deles, até reis ele castigou:
22. "Não toquem nos meus ungidos! Não façam mal aos meus profetas!"
23. Cante a Javé, ó terra inteira, proclame sua vitória, dia após dia!
24. Anuncie a glória dele entre as nações e suas maravilhas a todos os povos!
25. Porque Javé é grande e digno de louvor, mais temível que todos os deuses.
26. Pois os deuses dos povos são aparência, enquanto Javé foi quem fez o céu.
27. Majestade e esplendor caminham diante dele, poder e beleza estão no seu Templo.
28. Aclamem a Javé, famílias dos povos! Aclamem a glória e o poder de Javé!
29. Aclamem a glória do nome de Javé, apresentem-se a ele trazendo ofertas, adorem a Javé no seu átrio sagrado.
30. Terra inteira, trema na presença de Javé! Ele firmou o mundo, que jamais tremerá.
31. Que o céu se alegre e a terra exulte, e as nações proclamem: "Javé é rei!"
32. Estronde o mar, e o que ele contém! Que o campo festeje, e o que nele existe!
33. As árvores da selva gritem de alegria diante de Javé, porque ele vem, ele vem para governar a terra.
34. Agradeçam a Javé, porque ele é bom, porque o seu amor é para sempre!
35. Digam: "Salva-nos, ó Deus, nosso salvador! Reúne e liberta das nações a todos nós, para que celebremos teu Nome santo e nos orgulhemos do teu louvor.
36. Seja bendito Javé, o Deus de Israel, desde sempre e para sempre!" E todo o povo respondeu: "Amém! Aleluia!"

O CULTO QUE SUSTENTA A COMUNIDADE
37. Junto à Arca da Aliança de Javé, Davi deixou Asaf e seus irmãos, para garantir o serviço contínuo diante da Arca, conforme o ritual cotidiano.
38. Como porteiros, deixou Obed-Edom, filho de Iditun, e Hosa, junto com sessenta e oito parentes.
39. Os sacerdotes Sadoc e seus parentes ficaram junto à morada de Javé, no lugar alto que havia em Gabaon,
40. a fim de oferecerem holocaustos em honra de Javé sobre o altar dos holocaustos, de manhã e de tarde, para sempre, tudo de acordo com o que está escrito na Lei que o próprio Javé dera como norma para Israel.
41. Com eles, ficaram Emã e Iditun com outros escolhidos, indicados nominalmente para o louvor de Deus, "porque o seu amor é para sempre".
42. Ficaram com eles também os tocadores de trombetas, címbalos e outros instrumentos que acompanham os cânticos de Deus. Os filhos de Iditun ficaram encarregados da porta de entrada.
43. Então, todos voltaram para casa. Davi também voltou, para abençoar a sua casa.

[I Crônicas 17]I Crônicas 17

FUNDAÇÃO DO PODER DINÁSTICO
1. Ao voltar para casa, Davi disse ao profeta Natã: "Veja! Eu estou morando numa casa de cedro, enquanto que a Arca da Aliança de Javé está debaixo de uma tenda!"
2. Natã respondeu a Davi: "Faça o que você está querendo, porque Deus está com você".
3. Nessa mesma noite, Natã recebeu esta mensagem de Deus:
4. "Vá procurar o meu servo Davi e diga-lhe: Assim diz Javé: Não é você quem vai construir uma casa para eu morar.
5. Porque, desde quando libertei Israel até hoje, eu nunca morei numa casa. Ficava sempre de tenda em tenda, de abrigo em abrigo.
6. Por todo o tempo em que caminhei com todo o Israel, por acaso, eu perguntei alguma vez a um dos juízes de Israel, que coloquei como pastores do meu povo: 'Por que vocês não constroem uma casa de cedro para mim?'
7. Portanto, diga ao meu servo Davi: Assim diz Javé dos exércitos: Fui eu que tirei você do pastoreio atrás de ovelhas, para ser o chefe do meu povo Israel.
8. Estive com você por toda parte por onde você ia. Exterminei da sua frente todos os seus inimigos. Agora, vou dar a você uma fama igual à dos maiores homens do mundo.
9. Vou escolher um lugar para o meu povo Israel, e aí vou plantá-lo. Ele habitará nesse lugar, sem ser incomodado pelos maus, que não voltarão a oprimi-lo como antes,
10. desde o tempo em que estabeleci juízes para dirigir o meu povo Israel. Submeterei todos os seus inimigos e engrandecerei você. Javé anuncia que vai construir para você uma dinastia.
11. Quando você completar a idade de ir para junto de seus antepassados, eu farei surgir um descendente depois de você, um de seus filhos, e eu firmarei o reino dele.
12. Ele construirá uma casa para mim, e eu firmarei o trono dele para sempre.
13. Eu serei para ele pai, e ele será filho para mim. Ele nunca perderá o meu favor, como perdeu Saul, que foi rei antes de você.
14. Eu o manterei para sempre na minha casa e no meu reino, e o trono dele será firme para sempre".
15. Natã comunicou a Davi todas essas palavras e toda a presente visão.

O REI DEVE SERVIR A JAVÉ E AO POVO
16. Davi entrou na tenda, sentou-se diante de Javé, e disse: "Quem sou eu, Javé Deus, e o que é a minha casa para que me tenhas trazido até aqui?
17. No entanto, isso ainda te parece pouco, ó Deus, porque estendes tuas promessas para a casa do teu servo até um futuro distante, e me consideras uma pessoa de importância, Javé Deus.
18. Que mais poderia Davi fazer para ti, em vista da fama que deste ao teu servo? Tu mesmo distinguiste o teu servo.
19. Javé, por amor ao teu servo e conforme os teus projetos, realizaste essa obra extraordinária, para manifestar todas as tuas maravilhas.
20. Javé, não há ninguém como tu. Não há outro Deus além de ti, como ouvimos com nossos próprios ouvidos.
21. E quem é como o teu povo Israel, o único povo do mundo que Deus mesmo veio resgatar, para torná-lo seu povo e dar-lhe um nome grande e estável? Tu expulsaste as nações diante do teu povo, que resgataste do Egito.
22. Decidiste que o teu povo Israel será o teu povo para sempre. E tu, Javé, te tornaste o Deus dele.
23. Agora, Javé, que a promessa que fizeste ao teu servo e à sua casa fique firme para sempre, e se cumpra tudo o que prometeste.
24. Que essa promessa fique firme e que o teu nome seja engrandecido para sempre. Que se diga: 'Javé dos exércitos é o Deus de Israel'. Que a casa do teu servo Davi fique firme diante de ti,
25. pois foste tu, meu Deus, que revelaste ao teu servo que irias construir para ele uma dinastia. É por isso que o teu servo está aqui, rezando diante de ti.
26. Sim, Javé, tu és Deus e fizeste essa promessa ao teu servo.
27. Portanto, queiras abençoar a dinastia do teu servo, para que ela permaneça para sempre na tua presença. O que tu abençoas, fica abençoado para sempre".

[I Crônicas 18]I Crônicas 18

LIBERTAÇÃO FRENTE AOS INIMIGOS
1. Em seguida, Davi derrotou os filisteus e os dominou, tomando deles a cidade de Gat e suas vizinhanças.
2. Venceu também os moabitas, que passaram a ser súditos dele e a pagar-lhe tributo.
3. Davi derrotou também Adadezer, rei de Soba, quando este seguia na direção de Emat, a fim de conquistar o rio Eufrates.
4. Tomou dele mil carros de guerra, sete mil cavaleiros e vinte mil soldados de infantaria. Davi cortou os tendões de todos os cavalos, deixando apenas cem.
5. Aram de Damasco foi ajudar Adadezer, rei de Soba, mas Davi matou vinte e dois mil arameus.
6. Depois, estabeleceu governadores em Aram de Damasco. E os arameus se tornaram súditos de Davi e lhe pagaram tributo. Javé ia dando vitórias a Davi por toda a parte por onde ele andava.
7. Davi tomou os escudos de ouro que os oficiais de Adadezer usavam, e os levou para Jerusalém.
8. Das cidades de Tebat e Cun, pertencentes a Adadezer, Davi pegou grande quantidade de bronze. Foi com esse bronze que Salomão mandou fazer o Mar de bronze, as colunas e os utensílios de bronze.
9. Toú, rei de Emat, soube que Davi tinha arrasado o exército de Adadezer, rei de Soba.
10. Enviou então seu filho Adoram até o rei Davi, para saudá-lo e felicitá-lo por ter guerreado contra Adadezer e tê-lo vencido, pois Adadezer estava em guerra também contra Toú. Mandou-lhe ainda toda espécie de objetos de ouro, prata e bronze.
11. Davi consagrou tudo a Javé, junto com o ouro e a prata que tinha tomado das outras nações: Edom, Moab, amonitas, filisteus e amalecitas.
12. Abisaí, filho de Sárvia, derrotou os edomitas no vale do Sal. Eles eram dezoito mil.
13. Depois, nomeou governadores em Edom; e todos os edomitas se tornaram súditos de Davi. Por onde Davi andasse, Deus lhe concedia a vitória.

UM GOVERNO CONFORME A JUSTIÇA E O DIREITO
14. Davi reinou sobre todo o Israel, exercendo o direito e a justiça para com todo o seu povo.
15. Joab, filho de Sárvia, era o chefe do exército. Josafá, filho de Ailud, era o porta-voz.
16. Sadoc, filho de Aquitob, e Aquimelec, filho de Abiatar, eram os sacerdotes. Susa era o secretário.
17. E Banaías, filho de Joiada, comandava os cereteus e feleteus. Os filhos de Davi ocupavam os primeiros postos junto ao rei.

[I Crônicas 19]I Crônicas 19

AUGE DAS CONQUISTAS DE DAVI
1. Depois disso, morreu Naás, rei dos amonitas. E seu filho reinou em seu lugar.
2. Davi pensou: "Vou procurar fazer amizade com Hanon, filho de Naás, porque o pai dele sempre procurou fazer amizade comigo". E mandou alguns representantes para lhe dar os pêsames pela morte do pai. Quando os representantes de Davi chegaram ao país dos amonitas, para dar os pêsames a Hanon,
3. os príncipes amonitas disseram a Hanon: "Você pensa que Davi quer honrar seu pai, só porque mandou gente trazer os pêsames para você? Será que esses servos não vieram à sua casa para espionar, explorar e destruir o país?"
4. Então Hanon prendeu os emissários de Davi, raspou-lhes a barba, cortou-lhes o manto pelo meio, na altura das nádegas, e os mandou de volta.
5. Ao ser informado do que tinha acontecido a esses homens, Davi mandou alguém ao encontro deles, porque estavam muito envergonhados. E o rei mandou dizer-lhes: "Fiquem aí em Jericó, até que suas barbas cresçam. Depois vocês voltarão".
6. Os amonitas perceberam que se haviam tornado odiosos para Davi. Então Hanon e os amonitas mandaram trinta e quatro mil quilos de prata, para comprar carros de guerra e cavaleiros arameus da Mesopotâmia, de Maaca e de Soba.
7. Compraram, assim, trinta e dois mil carros de guerra, além de contratarem o rei de Maaca com o seu exército. Foram acampar em frente à cidade de Medaba. Enquanto isso, vindos de várias cidades, os amonitas iam-se reunindo para entrar em guerra.
8. Ao saber disso, Davi mandou Joab com todo o exército dos valentes.
9. Os amonitas se puseram em marcha e se organizaram para a luta, junto à porta da cidade, enquanto os reis que seguiram à parte, ficaram em campo aberto.
10. Ao ver que estava enfrentando uma luta pela vanguarda e pela retaguarda, Joab escolheu um grupo de jovens israelitas e os organizou para combater os arameus.
11. Confiou o restante do exército ao comando de seu irmão Abisaí; e esta parte se organizou para combater os amonitas.
12. Joab disse então: "Se os arameus estiverem mais fortes do que eu, venha você para me socorrer. E se os amonitas estiverem vencendo você, eu irei socorrê-lo.
13. Força e coragem para defender o nosso povo e as cidades do nosso Deus! E seja feito o que Javé achar melhor".
14. Então Joab, com a parte do exército sob seu comando, foi enfrentar os arameus, que fugiram diante dele.
15. Os amonitas, vendo que os arameus estavam fugindo, também fugiram de Abisaí, irmão de Joab, e entraram na cidade. Então Joab voltou para Jerusalém.
16. Ao se verem derrotados pelos israelitas, os arameus mandaram mensageiros procurar os outros arameus que moram do outro lado do rio Eufrates. Sofac, general de Adadezer, era quem os comandava.
17. Ao saber disso, Davi reuniu todo o Israel, atravessou o rio Jordão e foi na direção deles. Davi fez os planos para enfrentar os arameus. Em seguida, começou a guerra contra eles.
18. Os arameus fugiram dos israelitas, e Davi matou os cavalos de sete mil carros deles e quarenta mil homens de infantaria, além de matar Sofac, general do exército.
19. Ao verem que estavam sendo derrotados pelos israelitas, os oficiais de Adadezer fizeram as pazes com Davi, tornaram-se súditos dele e não quiseram mais socorrer os amonitas.

[I Crônicas 20]I Crônicas 20

1. No ano seguinte, na época em que os reis costumam sair para a guerra, Joab, no comando da elite do exército, foi arrasando o país dos amonitas, chegou até a capital Rabá, e cercou a cidade. Enquanto isso, Davi estava em Jerusalém. Joab tomou Rabá e a destruiu.
2. Davi tirou a coroa da cabeça do deus Melcom, e notou que pesava trinta e cinco quilos de ouro, e ainda tinha uma pedra preciosa. Daí em diante, ela passou a ficar na cabeça de Davi. E Davi levou da cidade um despojo muito grande.
3. Tirou a população que havia na cidade e a colocou para trabalhar com serras, picaretas e machados de ferro. E fez a mesma coisa com todas as outras cidades amonitas. Depois voltou para Jerusalém, junto com o exército.

VITÓRIA TOTAL SOBRE OS INIMIGOS
4. Depois disso, ainda havia guerra em Gazer contra os filisteus. Então Sobocai, da cidade de Husa, matou Safai, um filho dos rafaim. Dessa forma, eles foram dominados.
5. Houve ainda outra guerra contra os filisteus. Dessa vez, Elcanã, filho de Jair, matou Lami, filho de Golias de Gat. A lança deste mais parecia cilindro de tear.
6. A outra guerra foi em Gat. Aí havia um homem alto, que tinha vinte e quatro dedos: seis em cada mão e em cada pé, e que também era da família dos rafaim.
7. Ele insultou Israel. Porém Jônatas, filho de Samaá, irmão de Davi, o matou.
8. Esses indivíduos eram de Rafa, na região de Gat. Tombaram sob as mãos de Davi e de seus oficiais.

[I Crônicas 21]I Crônicas 21

DA TENTAÇÃO DO PODER AO CULTO DO DEUS VERDADEIRO
1. Satã se insurgiu contra Israel e induziu Davi a fazer o recenseamento de Israel.
2. Davi disse a Joab e aos chefes do povo: "Saiam e façam o recenseamento de Israel, desde Bersabéia até Dã. Depois voltem aqui, para eu ficar sabendo quantos são".
3. Joab respondeu: "Que Javé multiplique o povo cem vezes mais, senhor meu rei! Por acaso, não seriam todos súditos do meu senhor? Para que o meu senhor faz esse recenseamento? Por que está querendo ser causa de pecado para Israel?"
4. Mas a ordem do rei prevaleceu, e Joab saiu andando por todo o país. Finalmente, voltou para Jerusalém.
5. Entregou a Davi o resultado do recenseamento. Todo o Israel tinha um milhão e cem mil homens aptos para a guerra, e Judá tinha quatrocentos e setenta mil aptos para a guerra.
6. Joab deplorou tanto a ordem do rei, que acabou não recenseando Levi nem Benjamim.
7. Esse episódio todo não agradou a Deus, que castigou Israel.
8. Então Davi disse a Deus: "Eu cometi um grande pecado, fazendo uma coisa dessas! Perdoa o pecado do teu servo, pois cometi uma grande loucura!"
9. Então Javé disse a Gad, o vidente de Davi:
10. "Vá e fale a Davi: Assim diz Javé: Eu lhe proponho três coisas. Escolha uma, e eu a executarei".
11. Gad foi até o rei e o informou: "Assim diz Javé: Escolha.
12. Ou três anos de fome. Ou três meses fugindo do adversário, da espada do inimigo, até ela alcançar você. Ou ainda, a espada de Javé e três dias de peste no país, com o anjo do Senhor devastando todo o território de Israel. Resolva agora o que devo responder àquele que me enviou".
13. Davi respondeu a Gad: "Estou numa grande angústia! Prefiro cair nas mãos de Javé, pois a sua misericórdia é imensa, em vez de cair nas mãos dos homens".
14. Então Javé mandou uma peste sobre Israel, e morreram setenta mil israelitas.
15. Depois Deus mandou o anjo a Jerusalém para destruí-la. Javé, no entanto, viu e se arrependeu desse mal. E disse ao anjo exterminador: "Chega! Agora retire a mão". O anjo de Javé estava junto à eira de Ornã, o jebuseu.
16. Davi ergueu os olhos e viu o anjo de Javé entre o céu e a terra, com a espada desembainhada e erguida sobre Jerusalém. Vestidos com panos de saco, Davi e os anciãos caíram com o rosto por terra.
17. Então Davi disse a Deus: "Não fui eu quem mandou fazer o recenseamento? Não fui eu quem pecou e cometeu o mal? Quanto a esses, o rebanho, que foi que eles fizeram? Javé, meu Deus, que tua mão caia sobre mim e sobre a minha família, mas que o teu povo escape da desgraça!"
18. O anjo de Javé disse então a Gad: "Mande Davi subir e erguer um altar a Javé na eira de Ornã, o jebuseu".
19. Então Davi subiu para lá, conforme Gad lhe havia dito em nome de Javé.
20. Ao se virar, Ornã viu o anjo e se escondeu com seus quatro filhos. Ornã estava debulhando trigo,
21. quando Davi foi encontrá-lo. Ornã viu Davi, saiu da eira e prostrou-se diante de Davi com o rosto por terra.
22. Davi disse a Ornã: "Ceda-me o lugar desta eira para que eu construa aí um altar para Javé. Quero que você me ceda a eira pelo seu valor em dinheiro. Desse modo, o povo ficará livre da peste".
23. Ornã respondeu a Davi: "Tome a eira, e que o senhor meu rei faça o que achar melhor. Veja! Eu dou os bois para o holocausto, as cangas como lenha e o trigo para a oblação. Eu entrego tudo para o senhor".
24. Mas o rei Davi disse a Ornã: "De jeito nenhum! Quero comprar a eira pelo seu valor em dinheiro. Não vou dar a Javé o que pertence a você, oferecendo holocaustos que não me custem nada!"
25. Então Davi deu a Ornã seis quilos de ouro.
26. Davi construiu aí um altar para Javé e ofereceu holocaustos e sacrifícios de comunhão; invocou a Javé, que lhe respondeu, fazendo cair fogo do céu sobre o altar dos holocaustos.
27. Então Javé ordenou ao anjo que repusesse a espada na bainha.
28. Vendo que Javé o atendia na eira do jebuseu Ornã, Davi passou a oferecer holocaustos nesse lugar.
29. Nessa época, a Habitação de Javé, que Moisés tinha feito no deserto, e também o altar dos holocaustos, ficavam no lugar alto de Gabaon.
30. Mas Davi não pôde ir até lá, diante de Deus, porque a espada do anjo de Javé lhe causara medo.

[I Crônicas 22]I Crônicas 22

1. Davi então disse: "Aqui será construído o Templo de Javé Deus e o altar dos holocaustos de Israel".

O PODER POLÍTICO NÃO DEVE OCUPAR O LUGAR DE DEUS
2. Depois, Davi reuniu os estrangeiros que havia no país de Israel e determinou-lhes a tarefa de lavrar as pedras para a construção do Templo de Deus.
3. Arranjou também muito ferro para os cravos e dobradiças das portas, bronze sem conta,
4. um sem-número de toras de cedro, que lhe foram enviadas em abundância pelos sidônios e tírios.
5. Davi pensava: "Meu filho Salomão é ainda moço e frágil, e o Templo que ele deverá construir para Javé terá de ser algo de grandioso, de muito nome e admirado em todos os países. Por isso, vou fazer os preparativos". Foi assim que, antes de morrer, Davi arranjou muito material.
6. Ele chamou o seu filho Salomão, e mandou que ele construísse o Templo de Javé, o Deus de Israel.
7. Davi falou a Salomão: "Meu filho, eu estava planejando construir um Templo para o nome de Javé, meu Deus.
8. Acontece, porém, que me chegou uma mensagem de Javé, dizendo: 'Você derramou muito sangue e fez guerras violentas. Você não construirá um Templo para o meu nome, porque derramou muito sangue sobre a terra em minha presença.
9. Veja! Você terá um filho, que será homem pacífico. Vou fazê-lo viver em paz com todos os inimigos vizinhos. O nome dele será Salomão. No tempo dele, concederei paz e tranqüilidade para Israel.
10. É ele quem construirá um Templo para o meu nome. Para mim, ele será um filho; e para ele, eu serei pai, e firmarei para sempre o trono do reinado dele sobre Israel'.
11. Agora, meu filho, que Javé esteja com você. Mãos à obra. Construa o Templo de Javé, seu Deus, conforme ele projetou para você.
12. Basta que Javé lhe conceda bom senso e inteligência para governar Israel, cumprindo a lei de Javé, seu Deus.
13. Sua prosperidade depende de você observar e praticar os estatutos e normas que Javé ordenou a Israel por meio de Moisés. Força e coragem! Não tenha medo, nem se acovarde.
14. Veja bem: apesar da minha pobreza, eu arranjei para o Templo de Javé três mil e quatrocentas toneladas de ouro e trinta e quatro mil toneladas de prata, além de uma quantidade muito grande de bronze e ferro, que nem dá para calcular. Preparei também madeira e pedra, mas você ainda terá que arranjar mais.
15. Estarão à sua disposição muitos trabalhadores especializados em cortar e lavrar pedra e madeira, além de especialistas em qualquer profissão.
16. Existe ouro, prata, bronze e ferro em abundância. Vamos! Mãos à obra. E que Javé esteja com você".
17. Davi mandou também que todas as autoridades de Israel ajudassem a seu filho Salomão. Ele disse:
18. "Por acaso Javé, seu Deus, não está com vocês? Ele deu para vocês descanso nas redondezas, ao entregar em minhas mãos os moradores do país, subjugando esta terra a Javé e ao seu povo.
19. Então, dediquem-se de corpo e alma a buscar Javé, seu Deus. Vamos! Construam o Santuário de Javé, seu Deus, para aí colocarmos a Arca da Aliança de Javé e os objetos consagrados a Deus".

[I Crônicas 23]I Crônicas 23

FUNÇÃO DOS LEVITAS
1. Quando ficou velho e idoso, Davi nomeou seu filho Salomão rei de Israel.
2. Reuniu todos os chefes de Israel, os sacerdotes e os levitas.
3. Mandou contar os levitas de trinta anos para cima. Contando só os homens, um por um, deu trinta e oito mil.
4. Vinte e quatro mil deles dirigiam as atividades do Templo de Javé; seis mil eram magistrados e juízes;
5. quatro mil eram porteiros, e quatro mil deles louvavam a Javé com os instrumentos que Davi tinha inventado para essa finalidade.
6. Davi repartiu os levitas em diferentes classes: Gérson, Caat e Merari.
7. Filhos de Gérson: Leedã e Semei.
8. Filhos de Leedã: Jaiel, o mais velho; Zetam e Joel. Três ao todo.
9. Filhos de Semei: Salomit, Hoziel e Arã. Três ao todo. São esses os chefes de famílias de Leedã.
10. Filhos de Semei: Jeet, Ziza, Jeús e Berias. São esses os filhos de Semei: quatro ao todo.
11. Jeet era o mais velho; Ziza, o segundo; depois, Jeús e Berias que, não tendo muitos filhos, foram registrados numa só família.
12. Filhos de Caat: Amram, Isaar, Hebron e Oziel. Quatro ao todo.
13. Os filhos de Amram foram Aarão e Moisés. Aarão foi separado para consagrar as coisas santíssimas. Ele e seus descendentes, para sempre. Sua função é queimar incenso na presença de Javé, servi-lo, e abençoar em seu nome, para sempre.
14. Moisés foi homem de Deus, e seus filhos receberam o nome da tribo de Levi.
15. Filhos de Moisés: Gersam e Eliezer.
16. O filho mais velho de Gersam era Subael.
17. Roobias foi o filho mais velho de Eliezer, que não teve outros filhos. Roobias, porém, teve muitos filhos.
18. O filho mais velho de Isaar era Salomit.
19. Filhos de Hebron: Jerias, o mais velho; Amarias, o segundo; Jaaziel, o terceiro; Jecmaam, o quarto.
20. Filhos de Oziel: Micas, o mais velho, e Jesias, o segundo.
21. Filhos de Merari: Mooli e Musi. Filhos de Mooli: Eleazar e Cis.
22. Eleazar não deixou filhos, mas só filhas, que se casaram com seus parentes, os filhos de Cis.
23. Musi teve três filhos: Mooli, Éder e Jerimot.
24. Esses eram os descendentes de Levi, conforme suas famílias, os chefes de famílias, como resultou do recenseamento feito por verificação nominal e individual. Eles tinham como encargo o culto no Templo de Javé, a partir da idade de vinte anos.
25. Isso porque Davi tinha dito: "Javé, Deus de Israel, deu o descanso a seu povo e passou a morar em Jerusalém para sempre.
26. Os levitas, portanto, não terão mais de carregar a Habitação e os objetos destinados ao serviço dela".
27. Por isso, conforme as últimas disposições de Davi, os levitas eram recenseados a partir dos vinte anos.
28. A função deles é estar à disposição dos descendentes de Aarão, para o serviço do Templo de Javé, nos átrios e nas salas, para limpar tudo o que é consagrado e para fazer o serviço do Templo de Deus.
29. Também são encarregados de colocar em ordem os pães, a flor de farinha para a oblação, os pães sem fermento, os assados e cozidos, e todas as medidas de capacidade e comprimento.
30. Devem comparecer de manhã e de tarde para celebrar e louvar a Javé,
31. e também para oferecer todos os holocaustos a Javé nos sábados, luas novas e solenidades, conforme o número fixado pelo regulamento. Esse é o encargo permanente que eles têm diante de Javé.
32. Os levitas guardavam a Tenda da Reunião e o Santuário. Seus irmãos aaronitas vigiavam o serviço do Templo de Javé.

[I Crônicas 24]I Crônicas 24

UNIDADE NO EXERCÍCIO DO SACERDÓCIO
1. Classes dos descendentes de Aarão. Filhos de Aarão: Nadab, Abiú, Eleazar e Itamar.
2. Nadab e Abiú, porém, morreram antes de seu pai e não deixaram filhos. Eleazar e Itamar se tornaram sacerdotes.
3. Davi, juntamente com Sadoc, filho de Eleazar, e com Aquimelec, filho de Itamar, os dividiu em classes, de acordo com as funções de cada um.
4. Havia mais descendentes de Eleazar do que de Itamar. Por isso, foram assim classificados: dezesseis chefes de famílias de Eleazar, e oito de Itamar.
5. Tanto uns como outros foram distribuídos por sorteio, de forma que havia oficiais do Santuário e oficiais de Deus, tanto na família de Eleazar quanto na família de Itamar.
6. Semeías, secretário levita, filho de Natanael, os registrou na presença do rei, dos oficiais, do sacerdote Sadoc, de Aquimelec, filho de Abiatar, dos chefes de famílias, dos sacerdotes e dos levitas. Tirava-se a sorte, uma vez para a família de Eleazar e duas vezes para a família de Itamar.
7. O primeiro a ser sorteado foi Joiarib; o segundo, Jedeias;
8. o terceiro, Harim; o quarto, Seorim;
9. o quinto, Melquias; o sexto, Mainã;
10. o sétimo, Acos; o oitavo, Abias;
11. o nono, Jesua; o décimo, Sequenias;
12. o décimo primeiro, Eliasib; o décimo segundo, Jacim;
13. o décimo terceiro, Hofa; o décimo quarto, Isbaal;
14. o décimo quinto, Belga; o décimo sexto, Emer;
15. o décimo sétimo, Hezir; o décimo oitavo, Hafses;
16. o décimo nono, Fetatias; o vigésimo, Ezequiel;
17. o vigésimo primeiro, Jaquin; o vigésimo segundo, Gamul;
18. o vigésimo terceiro, Dalaías; o vigésimo quarto, Maazias.
19. Essa era a escala dos que prestavam serviço dentro do Templo de Javé, conforme as determinações dadas pelo seu antepassado Aarão, por ordem de Javé, o Deus de Israel.
20. Quanto aos outros descendentes de Levi, os chefes eram estes: Subael, da família de Amram; Jeedias, da família de Subael.
21. Da família de Roobias, o chefe era Jesias.
22. Da família de Isaar, o chefe era Solomot. Da família de Solomot, o chefe era Jaat.
23. Da família de Hebron: Jerias, o primeiro; Amarias, o segundo; Jaaziel, o terceiro; Jecmaam, o quarto.
24. Da família de Oziel, Micas. Da família de Micas, Samir.
25. Da família de Jesias, irmão de Micas, o chefe era Zacarias.
26. Filhos de Merari: Mooli e Musi. Jazias também era seu filho.
27. Descendentes de Merari, por parte de Jazias: Soam, Zacur e Hebri.
28. Mooli foi pai de Eleazar, que não deixou filhos.
29. Cis teve um filho: Jeramecl.
30. Filhos de Musi: Mooli, Éder e Jerimot. Essa era a descendência de Levi, dividida por famílias.
31. Da mesma forma como seus irmãos da família de Aarão, esses também tiraram a sorte na presença do rei Davi, de Sadoc, de Aquimelec e dos chefes de famílias sacerdotais e levíticas. Foi a mesma coisa, tanto para as famílias principais dos levitas, como para as familias menores.

[I Crônicas 25]I Crônicas 25

FUNÇÃO PROFÉTICA DOS CANTORES
1. Para o serviço do culto, Davi e os diretores do culto destacaram os filhos de Asaf, de Emã e de Iditun, profetas que se serviam de liras, cítaras e címbalos. Lista das pessoas empregadas nessa tarefa:
2. Da família de Asaf: Zacur, José, Natanias e Asarela. Eles dependiam de Asaf, que executava a música segundo as instruções do rei.
3. Da família de Iditun: Godolias, Sori, Jesaías, Hasabias e Matatias. Eram seis sob a direção de seu pai Iditum. Este, ao som de liras, profetizava para celebrar e louvar a Javé.
4. Da família de Emã: Bocias, Matanias, Oziel, Subael, Jerimot, Hananias, Hanani, Eliata, Gedelti, Romenti-Ezer, Jesbacasa, Meiloti, Otir e Maaziot.
5. Eram todos filhos de Emã, o vidente do rei, a quem ele transmitia a palavra de Deus. Para lhe exaltar o poder, Deus deu a Emã catorze filhos e três filhas.
6. Sob a direção do pai, todos eles participavam dos cânticos do Templo de Javé, ao som de címbalos, cítaras e liras, prestando serviço no Templo de Deus sob as ordens do rei. Asaf, Iditun e Emã,
7. que tinham aprendido a cantar para Javé, foram contados com seus parentes. Eram duzentos e oitenta e oito, todos hábeis em seu ofício.
8. Tiraram sorte para a escala do serviço, com iguais oportunidades para grandes e pequenos, para experientes e principiantes.
9. A sorte caiu primeiro para a família de Asaf: O primeiro foi José; com seus filhos e irmãos, eram doze. O segundo foi Godolias; com seus filhos e irmãos, eram doze.
10. O terceiro foi Zacur; com seus filhos e irmãos, eram doze.
11. O quarto foi Isari; com seus filhos e irmãos, eram doze.
12. O quinto foi Natanias; com seus filhos e irmãos, eram doze.
13. O sexto foi Bocias; com seus filhos e irmãos, eram doze.
14. O sétimo foi Isreela; com seus filhos e irmãos, eram doze.
15. O oitavo foi Jesaías; com seus filhos e irmãos, eram doze.
16. O nono foi Matanias; com seus filhos e irmãos, eram doze.
17. O décimo foi Semei; com seus filhos e irmãos, eram doze.
18. O décimo primeiro foi Azareel; com seus filhos e irmãos, eram doze.
19. O décimo segundo foi Hasabias; com seus filhos e irmãos, eram doze.
20. O décimo terceiro foi Subael; com seus filhos e irmãos, eram doze.
21. O décimo quarto foi Matatias; com seus filhos e irmãos, eram doze.
22. O décimo quinto foi Jerimot; com seus filhos e irmãos, eram doze.
23. O décimo sexto foi Hananias; com seus filhos e irmãos, eram doze.
24. O décimo sétimo foi Jesbacasa; com seus filhos e irmãos, eram doze.
25. O décimo oitavo foi Hanani; com seus filhos e irmãos, eram doze.
26. O décimo nono foi Meiloti; com seus filhos e irmãos, eram doze.
27. O vigésimo foi Eliata; com seus filhos e irmãos, eram doze.
28. O vigésimo primeiro foi Otir; com seus filhos e irmãos, eram doze.
29. O vigésimo segundo foi Gedelti; com seus filhos e irmãos, eram doze.
30. O vigésimo terceiro foi Maaziot; com seus filhos e irmãos, eram doze.
31. O vigésimo quarto foi Romenti-Ezer; com seus filhos e irmãos, eram doze.

[I Crônicas 26]I Crônicas 26

FUNÇÃO DOS GUARDAS E PORTEIROS
1. Lista dos porteiros: Da descendência de Meselemias, filho de outro Coré, que era descendente de Abiasaf.
2. Filhos de Meselemias: o primeiro, Zacarias; o segundo, Jediel; o terceiro, Zabadias; o quarto, Jatanael;
3. o quinto, Elam; o sexto, Joanã; o sétimo, Elioenai.
4. Filhos de Obed-Edom: Semeías, o mais velho; Jozabad, o segundo; Joaá, o terceiro; Sacar, o quarto; Natanael, o quinto;
5. Amiel, o sexto; Issacar, o sétimo; Folati, o oitavo, porque Deus o havia abençoado.
6. Os filhos que Semeías teve foram chefes de famílias, pois eram homens valentes.
7. Filhos de Semeías: Otni, Rafael, Obed, Elzabad e mais dois irmãos: Eliú e Samaquias. Todos homens de valor.
8. E todos eles faziam parte da descendência de Obed-Edom. Com seus filhos e suas famílias, eram sessenta e dois descendentes de Obed-Edom, e eram todos competentes na sua função.
9. Os filhos e irmãos de Meselemias eram dezoito homens valentes.
10. Hosa, filho de Merari, teve os seguintes filhos: o primeiro, Semri, que, mesmo não sendo o mais velho, seu pai fez dele o chefe;
11. Helcias, o segundo; Tebelias, o terceiro; Zacarias, o quarto. Os filhos e irmãos de Hosa eram treze homens ao todo.
12. Esses grupos de porteiros, tanto os chefes como os irmãos, foram encarregados do serviço do Templo de Javé.
13. Para cuidar de cada porta, eles tiraram sorte por famílias, fossem elas pequenas ou grandes.
14. O lado do nascente foi sorteado para Selemias, cujo filho Zacarias dava conselhos prudentes. Tiraram a sorte e o lado norte ficou para Zacarias.
15. Para Obed-Edom, foi sorteado o lado sul, ao passo que para seus filhos ficou a casa dos armazéns.
16. Para Sefim e para Hosa, coube o lado oeste, com a porta do Tronco Abatido, na ladeira. Os turnos da guarda eram proporcionais.
17. Estavam assim organizados: seis por dia, do lado do nascente; quatro ao norte e quatro ao sul; na casa dos armazéns, dois de cada lado;
18. e, no lado oeste, onde havia uma sacada, ficavam quatro na rua e dois na sacada.
19. Essas eram as classes dos porteiros, descendentes de Coré e Merari.
20. Seus irmãos levitas eram responsáveis pelo tesouro do Templo de Deus e por todas as ofertas votivas.
21. Eram eles: Os filhos de Leedã que, através dele, eram descendentes de Gérson. Seus chefes de famílias eram do ramo de Jaiel.
22. Da família de Jaiel, Zatam e Joel, que eram tesoureiros do Templo de Javé.
23. Havia também gente das famílias de Amram, Isaar, Hebron e Oziel.
24. Subael, da descendência de Gérson, filho de Moisés, era chefe do tesouro.
25. Havia também outros irmãos deles, descendentes de Eliezer: Roobias, Isaías, Jorão, Zecri e Salomit.
26. Esse Salomit, com seus irmãos, era responsável pela guarda de tudo o que fora consagrado pelo rei Davi, pelos chefes de grupos familiares, pelos comandantes de mil e de cem e pelos oficiais do exército.
27. Eram despojos de guerra doados por eles a fim de reforçar o tesouro do Templo de Javé,
28. e tudo o que fora doado pelo vidente Samuel, por Saul, filho de Cis, por Abner, filho de Ner, e por Joab, filho de Sárvia. Tudo o que se consagrava, era confiado a Salomit e seus irmãos.
29. Conenias e seus filhos, descendentes de Isaar, eram encarregados dos assuntos profanos que se referiam aos israelitas, como oficiais de justiça e juízes.
30. Hasabias e seus irmãos, descendentes de Hebron, um total de mil e setecentos soldados, cuidavam da segurança de Israel do lado de lá do rio Jordão, a partir da planície; olhavam os interesses de Javé e o serviço do rei.
31. O chefe dos descendentes de Hebron era Jerias. No ano quarenta do reinado de Davi, foi feita uma pesquisa sobre a árvore genealógica dos hebronitas e se encontrou entre eles gente de armas em Jazer de Galaad.
32. Essa família contava com dois mil e setecentos chefes de famílias guerreiros. Foi a eles que o rei Davi confiou as tribos de Rúben e Gad e a meia tribo de Manassés, para os afazeres de Deus e os negócios do rei.

[I Crônicas 27]I Crônicas 27

ORGANIZAÇÃO CIVIL E MILITAR
1. Aqui está a organização dos israelitas segundo seu número, chefes de famílias, comandantes de mil e de cem, oficiais a serviço do rei, para qualquer assunto. Durante o ano inteiro, faziam turnos de mês em mês. E cada classe compreendia vinte e quatro mil homens.
2. Jesboam, filho de Zabdiel, estava à frente da primeira classe, responsável pelo primeiro mês. Essa classe tinha vinte e quatro mil homens.
3. Ele era descendente de Farés e chefe dos oficiais de todo o primeiro mês.
4. Dudi, filho de Aoé, comandava a classe encarregada do segundo mês. Essa classe tinha vinte e quatro mil homens.
5. O chefe da terceira classe, nomeada para o terceiro mês, era Banaías, filho do sacerdote-chefe Joiada. Respondia por uma classe de vinte e quatro mil homens.
6. Banaías era um dos trinta valentes. Ele respondia pelos Trinta e também por sua classe. Amizabab era o nome do seu filho.
7. Azael, irmão de Joab, estava encarregado do quarto mês. Seu filho Zabadias ficou em seu lugar. A classe era também de vinte e quatro mil homens.
8. Samaot, da descendência de Zaré, foi o oficial nomeado para o quinto mês. Sua classe tinha vinte e quatro mil homens.
9. Para o sexto mês foi nomeado Hira, filho de Aces, do povoado de Técua. Também sua classe tinha vinte e quatro mil homens.
10. O sétimo, encarregado do sétimo mês, era Heles, da descendência de Falet, da família de Efraim. Sua classe era de vinte e quatro mil homens.
11. Sobocai, do povoado de Husa, da descendência de Zaré, foi encarregado do oitavo mês, com uma classe de vinte e quatro mil homens.
12. Para o nono mês, foi nomeado Abiezer, da tribo de Benjamim e da cidade de Anatot. Chefiava também vinte e quatro mil homens.
13. Marai, da descendência de Zaré e da cidade de Netofa, ficou em décimo lugar, nomeado para o décimo mês. Sua classe tinha também vinte e quatro mil homens.
14. Para o décimo primeiro mês, o chefe era Banaías, da família de Faraton, filho de Efraim. A sua classe era de vinte e quatro mil homens.
15. Em décimo segundo lugar, para cobrir o último mês, foi nomeado Holdai, da cidade de Netofa de Otoniel, com uma classe de vinte e quatro mil homens.
16. Chefes das tribos de Israel: Da tribo de Rúben, o chefe era Eliezer, filho de Zecri. Da tribo de Simeão, era Safatias, filho de Maaca.
17. Da tribo de Levi, era Hasabias, filho de Camuel. De Aarão era Sadoc.
18. Eliú, irmão de Davi, comandava a tribo de Judá. Amri, filho de Miguel, comandava a de Issacar.
19. Jesmaías, filho de Abdias, comandava a de Zabulon. O chefe da tribo de Neftali era Jerimot, filho de Ozriel.
20. Da tribo de Efraim, era Oséias, filho de Ozazias. Da meia tribo de Manassés, era Joel, filho de Fadaías.
21. Da outra meia tribo de Manassés, que vivia em Galaad, o chefe era Jado, filho de Zacarias. Da tribo de Benjamim, era Jesiel, filho de Abner.
22. Finalmente, a tribo de Dã tinha como chefe Ezriel, filho de Jeroam. Eram esses os chefes das tribos de Israel.
23. Davi não mandou fazer o recenseamento das pessoas de vinte anos para baixo, porque Javé mesmo tinha dito que multiplicaria os israelitas como as estrelas do céu.
24. Joab, filho de Sárvia, começou o recenseamento, mas não terminou, porque a ira caiu sobre Israel e, assim, esse número não corresponde ao número que está nos Anais do rei Davi.
25. O responsável pelas provisões do rei era Azmot, filho de Adiel. O responsável pelas provisões na zona rural, nas cidades, povoados e fortalezas da província, era Jônatas, filho de Ozias.
26. O responsável pelos lavradores e agricultores era Ezri, filho de Quelub.
27. O responsável pelos vinhedos era Semei, do povoado de Ramá. O responsável pelos encarregados dos depósitos de vinho nos vinhedos era Zabdi, do povoado de Sefam.
28. O responsável pelas oliveiras e sicômoros da Planície era Baalanã, do povoado de Gader. O responsável pelas reservas de azeite era Joás.
29. O responsável pelo gado que pastava em Saron era Setrai, do povoado de Saron; o responsável pelo gado nos vales era Safat, filho de Adli.
30. O responsável pelos camelos era Ubil, o ismaelita. O responsável pelas jumentas era Jadias, do povoado de Meranot.
31. O responsável pelas ovelhas era Jaziz, o agareno. Eram esses os responsáveis pelos bens que pertenciam ao rei.
32. Jônatas, tio de Davi, bom conselheiro, homem ponderado e culto, e Jaiel, filho de Hacamon, cuidavam dos filhos do rei.
33. Aquitofel era conselheiro do rei. O araquita Cusai era o amigo do rei.
34. Joiada, filho de Banaías, e Abiatar, sucederam a Aquitofel. Joab era o comandante dos exércitos do rei.

[I Crônicas 28]I Crônicas 28

O TEMPLO, CENTRO DA VIDA DO POVO
1. Davi convocou em Jerusalém todas as autoridades de Israel, a saber: chefes de tribos, chefes das classes que serviam ao rei, comandantes de mil e de cem, chefes de todos os bens e rebanhos do rei e de seus filhos, os altos funcionários do palácio, os valentes e todos os guerreiros.
2. Davi ficou de pé e tomou a palavra: "Irmãos e povo meu, queiram escutar-me um pouco. Eu tinha a intenção de construir um Templo para ser a moradia da Arca da Aliança de Javé e que servisse de pedestal para o nosso Deus. Cheguei até a fazer os preparativos para a construção.
3. Deus, porém, me disse: 'Não é você quem vai construir um Templo para o meu Nome, pois você foi guerreiro e derramou muito sangue'.
4. Javé, o Deus de Israel, me escolheu do meio de toda a minha família para ser rei de Israel para sempre. De fato, escolheu Judá como tribo-chefe. Dentro de Judá, escolheu a família do meu pai e, entre meus irmãos, escolheu a mim, para me fazer rei de todo o Israel.
5. Entre os muitos filhos que Javé me deu, ele escolheu Salomão para que ocupe o trono real de Javé sobre Israel.
6. Javé me disse: 'Seu filho Salomão construirá minha residência e meus átrios, pois eu o escolhi como filho, e serei um pai para ele.
7. Vou firmar o reino dele para sempre, se ele for fiel em praticar meus mandamentos e normas, como tem feito até hoje'.
8. Portanto, na presença de todo o Israel, a comunidade de Javé, tomando nosso Deus como testemunha, guardem e busquem seguir todos os mandamentos de Javé, seu Deus, para que conservem a posse desta terra boa e a deixem como herança aos filhos de vocês, para sempre.
9. Quanto a você, Salomão, meu filho, reconheça o Deus do seu pai e o sirva de todo o coração e com generosidade de espírito, pois Javé sonda todos os corações e penetra todas as intenções do espírito. Se você o procurar, ele se deixará encontrar. Mas, se você o abandonar, ele se afastará para sempre.
10. Veja bem! Javé escolheu você para construir um santuário para ele. Coragem e mãos à obra!"
11. Davi entregou a seu filho Salomão o projeto do pórtico e do Templo, dos armazéns, das salas superiores, dos aposentos internos e da sala do propiciatório.
12. Entregou também o projeto de tudo o que tinha em mente para os átrios do Templo de Javé, para as alas ao redor, para os tesouros do Templo de Deus e para as ofertas votivas.
13. Entregou também o projeto para as classes de sacerdotes e levitas, para os serviços do culto no Templo e para os utensílios do Templo de Javé.
14. Deixou também programada a quantidade de ouro que cada objeto de ouro deveria ter, conforme sua serventia, e a quantidade de prata que, de acordo com a sua utilização, cada objeto de prata deveria ter.
15. Entregou o desenho dos candelabros de ouro e de prata e de suas respectivas lâmpadas, determinando, conforme a finalidade de cada um, a quantidade de ouro ou prata que deveria ter.
16. Deixou também marcada a quantidade de ouro para as mesas de ouro, que serviriam para os pães consagrados, como também a prata que se deveria empregar nas mesas de prata,
17. os garfos, as taças para a aspersão, as ânforas de ouro puro, a quantidade de ouro para cada tipo de taça.
18. Também determinou a quantidade de ouro refinado que o altar do incenso deveria ter. Deu-lhe o modelo do carro dos querubins de ouro, que cobriam com suas asas a Arca da Aliança de Javé.
19. Tudo isso estava num escrito que Javé havia entregado a Davi, explicando a fabricação do modelo.
20. Então Davi falou a seu filho Salomão: "Força! Coragem! Mãos à obra! Nada de medo ou receio, pois Javé Deus, o meu Deus, está com você. Ele não vai deixar nem abandonar você, enquanto não terminar o serviço de construção do Templo de Javé.
21. Aí estão as classes de sacerdotes e levitas, para todo o serviço do Templo de Deus. Todos os profissionais de qualquer especialidade ajudarão você nessa obra. Os chefes e todo o povo estarão às suas ordens".

[I Crônicas 29]I Crônicas 29

OFERTA DO POVO E PARA O POVO
1. Depois Davi falou a toda a assembléia: "O meu filho Salomão, que Deus escolheu, é moço e fraco. E a missão dele é grande, porque não se trata de construir uma casa para nenhum homem, mas um Templo para Javé Deus.
2. Por isso, fui fazendo os preparativos, conforme pude: ouro, para os objetos de ouro; prata, para os objetos de prata; bronze, para os objetos de bronze; ferro, para os objetos de ferro; madeira para toda a mobília, pedras de ônix e de engastar, pedras ornamentais e coloridas, todo tipo de pedra preciosa e muito alabastro.
3. Por amor ao Templo do meu Deus, além de tudo o que preparei para o Santuário, entreguei também os meus tesouros de ouro e prata:
4. cem toneladas de ouro, ouro de Ofir, e duzentas e quarenta toneladas de prata refinada para revestir as paredes das salas,
5. para os objetos de ouro e prata e para o trabalho dos ourives. E pergunto: Quem está disposto a fazer hoje um donativo a Javé?"
6. Então os chefes de famílias, os chefes das tribos de Israel, os comandantes de mil e de cem, e os chefes de obras do rei se prontificaram a fazer ofertas.
7. Deram para a construção do Templo de Deus cento e setenta toneladas de ouro, dez mil moedas, trezentas e quarenta toneladas de prata, seiscentas toneladas de bronze e três mil e quatrocentas toneladas de ferro.
8. Quem tinha pedras preciosas ofereceu-as também ao tesouro do Templo de Javé, confiando-as a Jaiel, descendente de Gérson.
9. O povo, cheio de generosidade, se alegrava em oferecer algo a Javé. Também Davi ficou muito contente.

AÇÃO DE GRAÇAS
10. Então Davi bendisse a Javé diante de toda a assembléia. Ele falou: "Bendito sejas tu, Javé, Deus do nosso pai Israel, desde sempre e para sempre.
11. A ti, Javé, pertencem a grandeza, o poder, o esplendor, a majestade e a glória, pois tudo o que existe no céu e na terra pertence a ti. Teu é o reino, e a ti cabe elevar-se como soberano acima de tudo.
12. A riqueza e a glória vêm de ti. E tu governas todas as coisas. Em tua mão está a força e o vigor. Em tua mão está o poder de engrandecer e fortificar todas as coisas.
13. E agora, Deus nosso, nós te agradecemos, e louvamos o teu nome glorioso.
14. Quem sou eu, e quem é o meu povo para podermos te oferecer tudo isso? Tudo vem de ti, e a ti ofertamos o que de tuas mãos recebemos.
15. Todos nós, diante de ti, somos imigrantes e estrangeiros, como foram todos os nossos antepassados. Nossa vida na terra é apenas uma sombra sem esperança.
16. Javé, nosso Deus, tudo o que preparamos para construir um Templo em honra do teu Nome, veio de tuas mãos e pertence a ti.
17. Eu sei, ó meu Deus, que sondas o coração e amas a retidão. E com reta intenção te ofereço tudo isso, e vejo com alegria o teu povo aqui reunido, fazendo suas ofertas a ti.
18. Javé, Deus de nossos antepassados Abraão, Isaac e Israel, conserva sempre no coração do teu povo essa disposição e sentimento. Mantém o coração deles fiel a ti.
19. A meu filho Salomão, concede um coração íntegro, para que ele pratique teus mandamentos, tuas ordens e leis, e para que construa este Templo que projetei para ti".
20. Por fim, Davi disse para a assembléia: "Bendigam todos a Javé, o Deus de vocês!" E toda a assembléia bendisse a Javé, Deus dos seus antepassados. E, prostrando-se, prestaram homenagem a Javé e ao rei.
21. No dia seguinte, ofereceram a Javé sacrifícios e holocaustos. Foram sacrificados mil bois, mil carneiros e mil cordeiros, com as respectivas libações de vinho e numerosos sacrifícios por todo o Israel.
22. Nesse dia, todos comeram e beberam com grande alegria na presença de Javé. Entronizaram pela segunda vez Salomão, filho de Davi, e o ungiram como chefe em nome de Javé. Ungiram também Sadoc como sacerdote.

MORTE DE DAVI
23. Salomão sentou-se no trono de Javé, em lugar do seu pai Davi, e teve êxito. Todo o Israel lhe obedeceu.
24. Todos os chefes, todos os valentes e todos os filhos de Davi se submeteram ao rei Salomão.
25. Javé engrandeceu e aumentou o prestígio de Salomão aos olhos do povo de Israel, dando ao seu reinado um brilho como nunca tinha acontecido com qualquer outro rei antes dele em Israel.
26. Davi, filho de Jessé, foi rei de todo o Israel.
27. Reinou quarenta anos: sete em Hebron e trinta e três em Jerusalém.
28. Por fim, morreu numa velhice feliz, tendo vivido muitos anos e tendo ficado rico e famoso. O seu filho Salomão foi seu sucessor no trono.
29. A história do rei Davi, do começo ao fim, está escrita na história do vidente Samuel, na história do profeta Natã e do vidente Gad.
30. Aí se encontra tudo o que se refere ao seu reinado e às suas guerras, e tudo o que aconteceu com ele, com Israel e com todos os reinos vizinhos.


[II Crônicas 1]II Crônicas 1
III. SALOMÃO, CONSTRUTOR DO TEMPLO

SABEDORIA E CONHECIMENTO PARA GOVERNAR
1. Salomão, filho de Davi, se firmou na realeza. Javé, seu Deus, estava com ele e o engrandeceu muito.
2. Salomão convocou todo o Israel, os comandantes de mil e comandantes de cem, os juízes, todos os príncipes de Israel e os chefes de família.
3. Com toda essa assembléia, Salomão foi até o lugar alto de Gabaon, onde estava a Tenda da Reunião de Deus, feita no deserto por Moisés, servo de Javé.
4. Quanto à Arca de Deus, Davi a tinha transferido de Cariat-Iarim, para o lugar por ele preparado; pois tinha feito para ela uma tenda em Jerusalém.
5. O altar de bronze, feito por Beseleel, filho de Uri, filho de Hur, ficava diante da Habitação de Javé, aonde Salomão e a assembléia iam para consultar a Deus.
6. Foi aí que Salomão, diante de Javé, subiu ao altar de bronze que estava diante da Tenda da Reunião, e ofereceu mil holocaustos.
7. Nessa noite, Deus apareceu a Salomão e lhe disse: "Peça o que você quiser".
8. Salomão respondeu a Deus: "Tu trataste com muito amor o meu pai Davi e me colocaste como rei no lugar dele.
9. Agora, Javé Deus, mantém a promessa que fizeste ao meu pai Davi, porque me puseste como rei sobre um povo tão numeroso como o pó da terra.
10. Concede-me, então, sabedoria e conhecimento, para que eu possa conduzir bem este povo. Do contrário, quem poderia governar esse teu povo tão numeroso?"
11. Então Deus disse a Salomão: "Já que você deseja isso, e não pediu riqueza, fortuna e glória, nem a morte dos inimigos ou muitos anos de vida para você mesmo, mas pediu sabedoria e conhecimento para governar o meu povo, do qual eu o fiz rei,
12. então você receberá sabedoria e conhecimento. Além disso, eu lhe dou também riqueza, fortuna e glória, como nenhum dos seus antecessores teve, nem seus sucessores terão".
13. Depois disso, Salomão saiu da Tenda da Reunião e voltou de Gabaon para Jerusalém. E reinou em Israel.

RIQUEZA E SEGURANÇA
14. Salomão reuniu carros e cavaleiros. Tinha mil e quatrocentos carros e doze mil cavaleiros, que ficavam nas cidades dos carros e junto do rei em Jerusalém.
15. Salomão fez com que a prata e o ouro fossem tão comuns em Jerusalém como as pedras, e os cedros como os sicômoros da Planície.
16. Os cavalos de Salomão eram importados do Egito e da Cilícia, onde os mercadores do rei os compravam com pagamento à vista.
17. Cada carro era importado do Egito por seis quilos e meio de prata, e cada cavalo por um quilo e meio. Os cavalos eram exportados, nas mesmas condições, para os reis dos heteus e os reis de Aram.

ÚLTIMOS PREPARATIVOS PARA A CONSTRUÇÃO DO TEMPLO
18. Salomão mandou construir um Templo para o Nome de Javé e um palácio real para si.

[II Crônicas 2]II Crônicas 2

1. Recrutou setenta mil carregadores de pedra, oitenta mil arrancadores de pedra da montanha e três mil e seiscentos capatazes para fiscalizar os serviços.
2. Salomão mandou a seguinte mensagem a Hiram, rei de Tiro: "Tempos atrás, você enviou cedro para que o meu pai Davi construísse uma casa para ele morar.
3. Agora, eu resolvi construir um Templo para o Nome de Javé meu Deus, para consagrá-lo a ele, a fim de queimar em sua honra o perfume do incenso, fazer as oferendas permanentes dos pães oferecidos a Deus, oferecer os holocaustos de manhã e de tarde, nos sábados, luas novas e festas de Javé nosso Deus. E assim se fará sempre em Israel.
4. O Templo que pretendo construir deverá ser grande, porque o nosso Deus é o maior de todos os deuses.
5. Quem se atreveria a construir um templo para ele, quando o céu e o mais alto do céu são pequenos para contê-lo? E quem sou eu, para lhe construir um templo, ainda que seja só para queimar incenso em sua presença?
6. Agora, pois, peço que me mande um homem competente para trabalhar o ouro, a prata, o bronze e o ferro, e também com tecidos de púrpura, carmesim e damasco, e que seja entendido em fazer esculturas. Ele trabalhará com os outros mestres que já se encontram aqui comigo em Judá e Jerusalém, contratados pelo meu pai Davi.
7. Peço também que me mande madeira de cedro, carvalho e pinho do Líbano, pois eu sei que seus servos são competentes para cortar madeira do Líbano. Meus servos trabalharão junto com os seus,
8. para prepararem grande quantidade de madeira, porque o Templo que vou construir será grande e maravilhoso.
9. Eu sustentarei os lenhadores com vinte mil sacas de trigo, vinte mil sacas de cevada, vinte mil barris de vinho e vinte mil barris de óleo".
10. Hiram, rei de Tiro, respondeu a Salomão com esta carta: "Javé ama o seu povo e, por isso, estabeleceu você como rei sobre ele".
11. A carta continuava: "Seja bendito Javé, o Deus de Israel. Ele fez o céu e a terra, deu ao rei Davi um filho sábio, sensato e prudente, capaz de construir um Templo para Javé e um palácio para si próprio.
12. Estou enviando a você Hiram-Abi, homem hábil e prudente,
13. filho de uma danita e de pai tírio. Ele é especialista no trabalho de ouro, prata, bronze, ferro, pedra, madeira, tecidos de púrpura, damasco, linho, carmesim, e também na arte de qualquer tipo de escultura. Ele executará todos os projetos que lhe derem, junto com os seus mestres e com os mestres de seu pai Davi, meu senhor.
14. Quanto ao trigo, à cevada, ao óleo e ao vinho de que meu senhor falou, pode mandá-los para os seus servos.
15. Vamos cortar toda a madeira do Líbano de que você precisa e vamos mandá-la embarcada por mar até Jope. Depois você a levará até Jerusalém".

O PROBLEMA DA MÃO-DE-OBRA
16. Salomão fez o recenseamento de todos os imigrantes que residiam no país de Israel, recenseamento esse posterior ao que tinha feito seu pai Davi. Encontrou cento e cinqüenta e três mil e seiscentos homens.
17. Destinou setenta mil para o transporte, oitenta mil para trabalhar nas pedreiras da montanha e três mil e seiscentos para fiscalizar o trabalho do pessoal.

[II Crônicas 3]II Crônicas 3

CONSTRUÇÃO DO TEMPLO E FABRICAÇÃO DOS UTENSÍLIOS
1. Salomão começou a construir o Templo de Javé em Jerusalém, no monte Moriá. Aí seu pai Davi tivera uma visão, no lugar que havia preparado na eira de Ornã, o jebuseu.
2. Salomão começou a construir no segundo mês do quarto ano do seu reinado.
3. Estas foram as medidas determinadas por Salomão para a construção do Templo de Deus: trinta metros de comprimento por dez de largura.
4. O vestíbulo da frente, no sentido da largura do Templo, tinha dez metros de comprimento, cinco de profundidade e dez de altura. Salomão revestiu de ouro todo o seu interior.
5. E mandou revestir a nave maior com madeira de carvalho, que recobriu de ouro puro, e no ouro mandou esculpir ramos de palmeira e cordões.
6. Fez decorar o Templo com pedras preciosas de grande beleza. O ouro utilizado era de Parvaim.
7. Com esse ouro, recobriu a nave, os travamentos, os portais, as paredes e as portas. Nas paredes mandou esculpir querubins.
8. Construiu também o Santíssimo. Tinha dez metros de comprimento, acompanhando a largura do Templo, por dez de largura. Recobriu-o com vinte toneladas de ouro puro.
9. Os pregos de ouro pesavam meio quilo. Revestiu de ouro as salas superiores.
10. Salomão mandou também fundir, para o recinto do Santíssimo, dois querubins de metal, revestidos de ouro.
11. As asas dos querubins abarcavam dez metros de comprimento; a asa do primeiro tinha dois metros e meio e tocava a parede interior do edifício. A outra asa, também com dois metros e meio, tocava na asa do segundo querubim.
12. Uma asa do segundo querubim tocava a parede do outro lado. E a outra asa, com dois metros e meio, tocava a asa do primeiro querubim.
13. Assim, as asas dos dois querubins cobriam uma extensão de dez metros. Os querubins estavam de pé e com o rosto voltado para dentro.
14. Salomão mandou fazer a cortina de púrpura violeta e escarlate, de carmesim e de linho puro, com querubins bordados nela.
15. Diante da nave mandou fazer duas colunas de dezessete metros e meio de altura, com capitéis de dois metros e meio.
16. Fez também cordões em forma de colar, e os colocou nos capitéis; fez também cem romãs, e as colocou nos cordões.
17. Colocou as colunas na entrada do Templo, uma à esquerda e outra à direita. À coluna da direita deu o nome de Firme, e à da esquerda o nome de Forte.

[II Crônicas 4]II Crônicas 4

1. Salomão mandou fazer também um altar de bronze com dez metros de comprimento por dez de largura e cinco de altura.
2. Fez também o Mar de metal fundido, redondo, com cinco metros de diâmetro e dois metros e meio de altura, com quinze de circunferência.
3. Por baixo da borda, em todo o redor, havia animais semelhantes a bois. Eram duas fileiras de touros, vinte em cada metro, fundidas numa peça única.
4. O Mar se apoiava sobre doze touros, três voltados para o norte, três para o poente, três para o sul e três para o nascente. O Mar ficava em cima deles, e a parte traseira dos touros ficava voltada para dentro.
5. As paredes do Mar tinham a espessura de um palmo, enquanto a borda, de tão fina, parecia a borda de uma taça e era igual a uma flor. A capacidade do Mar era de cento e trinta e cinco mil litros.
6. Fez também dez bacias. Colocou cinco de cada lado, para aí lavarem as vítimas dos holocaustos. Os sacerdotes se lavavam no Mar.
7. Mandou fazer ainda os dez candelabros de ouro, conforme estava determinado, e colocou-os no Santo, de um lado e do outro.
8. Fez as dez mesas, e colocou-as no Santo, cinco de cada lado. Fez também cem bacias de ouro para a aspersão.
9. Construiu o pátio dos sacerdotes e o grande pátio com suas portas, e as recobriu de bronze.
10. Colocou o Mar do lado direito, ao sudeste.
11. Hiram fez os recipientes para as cinzas, e também as pás e as bacias para a aspersão. E terminou tudo o que o rei Salomão tinha encomendado para o Templo de Deus:
12. as duas colunas; os dois rolos de capitéis no alto das colunas; os dois trançados para cobrir os dois rolos que estavam no alto das colunas;
13. as quatrocentas romãs para os dois trançados, ficando as romãs de cada trançado em duas fileiras;
14. as dez bases e as dez bacias;
15. o Mar único com os dois touros que o sustentavam;
16. os recipientes para as cinzas, e também as pás, os garfos e todos os outros acessórios que Hiram-Abi fez de bronze polido, a pedido do rei Salomão, para o Templo de Javé.
17. Tudo isso o rei mandou fundir em terra argilosa na planície do Jordão, entre Sucot e Sardata.
18. Salomão fez tudo em grande quantidade, pois tinha tanto bronze que nem dava para calcular.
19. Portanto, foi Salomão quem fez todos os objetos para o Templo de Deus, como o altar de ouro e as mesas para colocar os pães oferecidos a Deus;
20. os candelabros de ouro puro com suas lâmpadas, que deviam ficar sempre acesas diante do Santíssimo, conforme as normas;
21. as flores, as lâmpadas e as tenazes de ouro puro;
22. as facas, as bacias de aspersão, as taças e os incensórios de ouro puro. Fez também de ouro os gonzos das portas do Santíssimo e do Santo.

[II Crônicas 5]II Crônicas 5

1. Depois de terminar tudo o que fez para o Templo do Senhor, Salomão mandou levar para o Templo aquilo que o seu pai Davi tinha consagrado: a prata, o ouro e todos os utensílios. E os colocou no tesouro do Templo de Deus.

DEUS PRESENTE NO MEIO DO POVO
2. Salomão reuniu em Jerusalém todos os anciãos de Israel, todos os chefes das tribos e os chefes das famílias israelitas, para transportar, da cidade de Davi, que é Sião, a Arca da Aliança de Javé.
3. Para a festa, todos os israelitas se reuniram com o rei no sétimo mês.
4. Chegaram todos os anciãos de Israel, e quem carregou a Arca foram os levitas.
5. Transportaram a Arca e a Tenda da Reunião, e também os utensílios sagrados que estavam na Tenda. Tudo foi carregado pelos sacerdotes levitas.
6. O rei Salomão e a comunidade toda de Israel, reunida com ele diante da Arca, sacrificou tantas ovelhas e bois, que não foi possível contar nem calcular.
7. Os sacerdotes introduziram a Arca da Aliança de Javé no seu lugar próprio, isto é, no Debir do Templo, quer dizer, no Santíssimo, sob as asas dos querubins.
8. Os querubins estendiam as asas sobre o local da Arca, protegendo a Arca e seus varais.
9. Como os varais eram compridos, quem estava no Santo, diante do Santíssimo, podia ver as suas extremidades, mas de fora não dava para ver. Eles aí estão até hoje.
10. Dentro da Arca não havia nada além das duas tábuas que, no Horeb, Moisés havia colocado aí quando Javé concluiu a aliança com os israelitas, na ocasião em que eles saíram do Egito.
11. Todos os sacerdotes que estavam no Santuário se haviam purificado, sem distinção de classes. Quando os sacerdotes saíram do Santuário,
12. todos os levitas cantores das famílias de Asaf, de Emã e de Iditun, com seus filhos e irmãos, estavam vestidos de linho fino e tocavam címbalos, lira e cítara, todos de pé, ao leste do altar. Com eles havia cento e vinte sacerdotes que tocavam trombetas.
13. Como se fossem um só, os tocadores de trombeta e os outros músicos puseram-se a tocar juntos, celebrando a Javé. Quando levantaram a voz ao som das trombetas, címbalos e outros instrumentos, celebrando a Javé, "porque ele é bom, porque o seu amor é para sempre", o Templo se encheu com a nuvem da glória de Javé.
14. Por causa da nuvem, os sacerdotes não puderam continuar o culto, pois a glória de Javé tinha ocupado inteiramente o Templo de Deus.

[II Crônicas 6]II Crônicas 6

1. Então Salomão disse: "Javé escolheu habitar a nuvem escura.
2. Eu construí para ti uma casa sublime, uma casa onde habitarás para sempre".

DEUS REALIZA O QUE PROMETE
3. O rei se voltou, e abençoou toda a assembléia de Israel, enquanto todos permaneciam de pé.
4. O rei disse então: "Seja bendito Javé, o Deus de Israel, que realizou com a mão o que sua boca havia prometido ao meu pai Davi:
5. 'Desde o dia em que tirei o meu povo do Egito, não escolhi nenhuma cidade dentre todas as tribos de Israel, a fim de construir aí um Templo para o meu Nome. Como também não escolhi um homem para ser chefe do meu povo Israel.
6. Mas escolhi Jerusalém para aí fazer morar o meu Nome. Escolhi Davi para ser o chefe do meu povo Israel'.
7. O meu pai Davi queria construir um Templo para o Nome de Javé, o Deus de Israel.
8. Javé, porém, disse ao meu pai Davi: 'Você está querendo construir um Templo para o meu Nome, e faz muito bem, querendo isso.
9. Contudo, não é você quem vai construir o Templo, mas o seu filho, saído de suas entranhas, ele é quem vai construir o Templo para o meu Nome'.
10. E Javé realizou a promessa que havia feito: eu sucedi ao meu pai Davi, e subi ao trono de Israel, como Javé havia prometido, e construí o Templo para o Nome de Javé, o Deus de Israel.
11. Nele introduzi a Arca, onde se acha a Aliança que Javé fez com os israelitas".
12. Salomão ficou em pé diante do altar de Javé, na presença de toda a assembléia de Israel, e estendeu as mãos.
13. Salomão tinha mandado fazer, no meio do pátio do Templo, um estrado de bronze com dois metros e meio de largura e um metro e meio de altura. Subiu ao estrado e ajoelhou-se diante de toda a assembléia de Israel. Estendeu as mãos para o céu,
14. e disse: "Javé, Deus de Israel, não existe nenhum Deus como tu, nem lá no alto céu, nem aqui embaixo na terra. Tu és fiel à aliança e ao amor para com os teus servos que caminham de todo o coração diante de ti.
15. Cumpriste a promessa que havias feito ao teu servo Davi, meu pai, e o que prometeste com a boca, hoje realizaste com a mão.
16. Agora, Javé, Deus de Israel, mantém esta promessa que fizeste ao teu servo Davi, meu pai: 'Nunca faltará para você, diante de mim, um descendente no trono de Israel, contanto que seus filhos saibam comportar-se de acordo com a minha lei, assim como você se comportou diante de mim'.
17. Portanto, Javé, Deus de Israel, confirma agora a promessa que fizeste ao teu servo Davi.
18. É possível Deus habitar com os homens na terra? Se o céu e o mais alto do céu não o podem conter, muito menos esse Templo que construí!
19. Atende à oração e à súplica do teu servo, Javé meu Deus! Ouve o clamor e a prece que teu servo faz diante de ti.
20. Que os teus olhos fiquem abertos dia e noite sobre este Templo, sobre este lugar, onde prometeste que o teu Nome habitaria. Ouve a prece que o teu servo fará neste lugar".

O TEMPLO: LUGAR DE SÚPLICA E ATENDIMENTO
21. "Ouve as súplicas do teu servo e do teu povo Israel, quando rezarem neste lugar. Escuta da tua morada no céu! Ouve e perdoa!
22. Quando alguém pecar contra o seu próximo e, porque lhe foi exigido um juramento imprecatório, vier jurar diante do teu altar neste Templo,
23. ouve do céu e age. Julga os teus servos: condena o culpado, dando-lhe o que merece, e absolve o inocente, tratando-o conforme a justiça dele.
24. Quando o teu povo Israel, por ter pecado contra ti, for derrotado pelo inimigo, se ele se converter, confessar o teu Nome, rezar e suplicar a ti neste Templo,
25. ouve do céu, perdoa o pecado do teu povo Israel, e faze que ele volte para a terra que deste aos seus antepassados.
26. Quando o céu se fechar e não houver chuva, por terem pecado contra ti, se eles rezarem neste lugar, se confessarem o teu Nome e se arrependerem do próprio pecado porque os afligiste,
27. ouve do céu, perdoa o pecado de teus servos e do teu povo Israel, mostrando-lhes o bom caminho que devem seguir, e rega com a chuva a terra que deste como herança ao teu povo.
28. Quando o país sofrer fome, peste, mela e ferrugem; quando vierem gafanhotos e pulgões; quando o inimigo deste povo cercar alguma de suas cidades; quando houver qualquer calamidade ou epidemia;
29. seja qual for a oração ou súplica de um indivíduo ou de todo o teu povo Israel, se sentirem remorso de consciência e dor, e erguerem as mãos para este Templo,
30. ouve do céu onde moras, perdoa e paga conforme o comportamento de cada um, pois conheces o coração; és o único que conhece o coração dos homens.
31. Desse modo te respeitarão, e seguirão os teus caminhos em todos os dias que viverem sobre a terra que deste aos nossos antepassados.
32. O estrangeiro, que não pertence a teu povo Israel, se também ele vier de uma terra distante por causa da grandeza do teu Nome, da tua mão forte e do teu braço estendido, se ele vier orar neste Templo,
33. ouve do céu onde moras, atende todos os pedidos do estrangeiro. Assim, todos os povos da terra reconhecerão o teu Nome e temerão a ti, como faz o teu povo Israel; eles saberão que o teu Nome é invocado neste Templo que eu construí.
34. Se o teu povo sair para guerrear contra os inimigos, e se no caminho em que o mandares, ele rezar para ti voltado para a cidade que escolheste e para o Templo que construí para o teu Nome,
35. ouve do céu a sua oração e súplica e faze justiça para ele.
36. Quando pecarem contra ti, pois não há ninguém que não peque, e tu ficares irritado contra eles, entregando-os ao inimigo, e então eles forem levados como cativos pelos vencedores para uma terra distante ou próxima;
37. se eles caírem em si na terra para onde tiverem sido levados, se se arrependerem e suplicarem na terra do seu exílio, dizendo: 'Pecamos, agimos mal e nos pervertemos';
38. se eles se voltarem para ti de todo o coração e de toda a alma, na terra do seu exílio, para onde tiverem sido deportados, e se rezarem voltados para a terra que deste aos seus antepassados, para a cidade que escolheste e para o Templo que construí ao teu Nome,
39. ouve do céu, onde moras, ouve a sua oração e súplica, fazendo justiça para eles. Perdoa ao teu povo que pecou contra ti.
40. Agora, meu Deus, que os teus olhos estejam abertos e os teus ouvidos fiquem atentos para as súplicas que forem feitas neste lugar.
41. E agora, levanta-te, Javé Deus, e vem para o teu repouso com a tua poderosa Arca. E os teus sacerdotes, Javé Deus, se revistam de gala, e os teus fiéis exultem de alegria!
42. Javé Deus, não te afastes do teu ungido. Lembra-te do amor do teu servo Davi".

[II Crônicas 7]II Crônicas 7

INAUGURAÇÃO DO TEMPLO
1. Logo que Salomão terminou a sua oração, desceu fogo do céu e queimou o holocausto e os sacrifícios. E a glória de Javé encheu o Templo.
2. Os sacerdotes não puderam entrar, porque a glória de Javé enchia o Templo de Javé.
3. Vendo o fogo descer e a glória de Javé repousar sobre o Templo, todos os israelitas se prostraram, levando o rosto até o calçamento do chão, adorando e louvando a Javé, "porque ele é bom, porque o seu amor é para sempre".
4. O rei e todo o povo ofereceram sacrifícios diante de Javé.
5. O rei Salomão ofereceu em sacrifício vinte e dois mil bois e cento e vinte mil ovelhas. Foi assim que o rei e todo o povo inauguraram o Templo de Deus.
6. Os sacerdotes executavam suas funções e os levitas celebravam a Javé com os instrumentos musicais feitos pelo rei Davi para acompanhar os cânticos de Javé, "porque o seu amor é para sempre". Eram eles que executavam os louvores compostos por Davi. Ao lado deles, sacerdotes tocavam trombetas e todo o Israel permanecia de pé.
7. Salomão consagrou o interior do pátio que fica diante do Templo de Javé. Aí ofereceu os holocaustos e a gordura dos sacrifícios de comunhão, porque o altar de bronze que Salomão tinha feito era muito pequeno para conter os holocaustos, a oblação e as gorduras dos sacrifícios de comunhão.
8. Nessa ocasião, Salomão celebrou a festa, e todo o Israel com ele, durante sete dias: havia uma grande assembléia, desde a Entrada de Emat até a Torrente do Egito.
9. No oitavo dia, fizeram uma reunião solene. A inauguração do altar tinha durado sete dias, e também a festa tinha durado sete dias.
10. No dia vinte e três do sétimo mês, o povo retornou para casa. Todos voltaram com o coração alegre e feliz por causa de tudo de bom que Javé tinha feito a Davi, a Salomão e ao seu povo Israel.

A SALVAÇÃO DEPENDE DA FIDELIDADE
11. Salomão acabou de construir o Templo de Javé, o palácio real e tudo o que pretendia fazer para o Templo de Javé e para o palácio.
12. Então Javé lhe apareceu de noite, e lhe disse: "Ouvi a sua oração e escolhi este lugar para mim como a casa dos sacrifícios.
13. Quando eu fechar o céu e não cair chuva; quando eu ordenar aos gafanhotos que devorem o país; quando eu mandar a peste contra o meu povo,
14. se o meu povo, sobre quem foi invocado o meu Nome, se humilhar, suplicando e buscando a minha presença, e se arrepender do seu mau comportamento, eu ouvirei, do céu, perdoarei seus pecados e curarei seu país.
15. De agora em diante, meus olhos ficarão abertos e meus ouvidos estarão atentos à oração feita neste lugar.
16. Escolhi e consagrei este Templo para que o meu Nome esteja para sempre neste lugar: os meus olhos e o meu coração aí estarão para sempre.
17. Quanto a você, se diante de mim você se comportar como o seu pai Davi, agindo conforme tudo o que ordenei e observando os meus estatutos e normas,
18. eu manterei firme para sempre o seu trono real, da maneira como eu me comprometi com o seu pai Davi, quando lhe disse: 'Nunca faltará alguém da sua família para governar Israel'.
19. Contudo, se você me abandonar, e deixar de lado os meus estatutos e mandamentos que coloquei diante dos olhos de vocês, para servir e prestar culto a outros deuses,
20. então eu arrancarei vocês da terra que lhes dei; afastarei para longe de mim este Templo que consagrei para o meu Nome, e o farei objeto de riso e chacota entre todos os povos.
21. Este Templo tão sublime será motivo de espanto para todos os que por aí passarem. Eles dirão: 'Por que Javé fez isso com essa terra e esse Templo?'
22. E responderão: 'Foi porque abandonaram Javé, o Deus de seus antepassados, que os havia tirado da terra do Egito. Eles aderiram a outros deuses, prostrando-se diante deles e servindo-os. Foi por isso que Javé, seu Deus, mandou sobre eles toda essa desgraça' ".

[II Crônicas 8]II Crônicas 8

QUEM PAGA PELA GLÓRIA DO REI?
1. Ao final de vinte anos, depois de ter construído o Templo de Javé e o seu próprio palácio,
2. Salomão reconstruiu também as cidades que Hiram lhe tinha dado, e colocou israelitas para nelas habitarem.
3. Depois Salomão atacou Emat de Soba e a conquistou.
4. Reformou também Tadmor, no deserto, e todas as cidades-entrepostos que tinha construído no país de Emat.
5. Depois reformou Bet-Horon superior e Bet-Horon inferior, cidades protegidas com muralhas, portas e trancas.
6. Reformou também Baalat e todas as cidades-entrepostos pertencentes a Salomão, as cidades para guardar os carros e cavalos, e tudo quanto ele julgou necessário construir em Jerusalém, no Líbano e nos países que lhe eram submissos.
7. Toda a população que restava dos heteus, amorreus, ferezeus, heveus e jebuseus, que não eram israelitas
8. e tinham ficado depois deles no país, e que os israelitas não haviam consagrado ao extermínio, Salomão os recrutou para os trabalhos forçados até hoje.
9. Salomão, porém, não utilizou, como escravo para suas obras, nenhum dos israelitas, pois estes serviam como soldados: eram chefes de seus oficiais, comandantes de seus carros e de sua cavalaria.
10. Eram duzentos e cinqüenta os chefes dos inspetores do rei Salomão, encarregados de governar o povo.
11. Salomão transferiu a filha do Faraó da Cidade de Davi para o palácio que tinha construído para ela, dizendo: "Mulher nenhuma pode morar no palácio de Davi, rei de Israel, porque foi consagrado pela presença da Arca de Javé".
12. Salomão oferecia holocaustos a Javé sobre o altar de Javé, que tinha construído diante do pátio.
13. Observava o rito diário dos holocaustos e as prescrições de Moisés referentes aos sábados, às luas novas e às três festas do ano: a festa dos Pães sem fermento, a festa das Semanas e a festa das Tendas.
14. Seguindo as normas do seu pai Davi, Salomão estabeleceu também as classes sacerdotais, cada uma em sua função, e os levitas em suas funções de cantar e oficiar na presença dos sacerdotes, conforme o ritual diário, e também os porteiros escalados para cada porta, pois era assim que tinha determinado Davi, homem de Deus.
15. Ninguém se afastou das determinações que o rei tinha dado para os sacerdotes e levitas a respeito de todas as coisas, inclusive as relativas ao tesouro.
16. Foi Salomão quem determinou todos os serviços, desde o dia em que lançou os alicerces do Templo de Javé, até o término das obras.

COMÉRCIO DE LUXO
17. Salomão foi até Asiongaber e Elat, lugares à beira-mar, no país de Edom.
18. Hiram mandou-lhe, através dos seus funcionários, navios e marinheiros, que foram com os funcionários de Salomão até Ofir, de onde trouxeram quinze mil quilos de ouro, que entregaram ao rei Salomão.

[II Crônicas 9]II Crônicas 9

RELAÇÕES DIPLOMÁTICAS DISPENDIOSAS
1. A rainha de Sabá ouviu falar da fama de Salomão e foi a Jerusalém para submeter o rei à prova por meio de enigmas. Chegou com grandes riquezas, com camelos carregados de perfume, muito ouro e pedras preciosas. Apresentou-se a Salomão e lhe propôs tudo o que pensava.
2. Salomão, porém, soube responder a todas as suas perguntas; não houve nenhuma questão, por mais difícil, que o rei não pudesse resolver.
3. Quando a rainha de Sabá viu a sabedoria de Salomão, o palácio que havia construído,
4. as iguarias de sua mesa, os aposentos de seus oficiais, os alojamentos e uniformes de seus empregados, os copeiros com seus trajes, e os holocaustos que ele oferecia no Templo de Javé, ficou assombrada.
5. Então disse ao rei: "É de fato verdade tudo o que ouvi na minha terra a respeito de você e de sua sabedoria!
6. Eu não queria acreditar no que me diziam, antes de vir para ver com os meus próprios olhos. O que me contaram não é nem a metade: a grandeza de sua sabedoria é muito maior do que tudo o que eu tinha ouvido.
7. Sua gente e seus servos é que são felizes: podem desfrutar continuamente de sua presença e aprender de sua sabedoria.
8. Seja bendito Javé, o seu Deus, que foi benevolente e o colocou no trono como rei, em nome de Javé seu Deus. Javé ama Israel e deseja firmá-lo para sempre, e é por isso que ele o nomeou rei, a fim de que você exerça o direito e a justiça".
9. Então a rainha de Sabá deu quatro toneladas de ouro ao rei, grandes quantidades de perfumes e de pedras preciosas. Nunca houve perfumes como esses que a rainha de Sabá trouxe para o rei Salomão.
10. Os funcionários de Hiram e Salomão, que tinham trazido ouro de Ofir, trouxeram também madeira de sândalo e pedras preciosas.
11. Com o sândalo, Salomão fez escadarias para o Templo de Javé e para o palácio real, e também cítaras e harpas para os cantores. Nunca se viu coisa igual na terra de Judá.
12. Em troca, o rei Salomão ofereceu à rainha de Sabá tudo o que ela quis e pediu, superando o que ela mesma tinha trazido para o rei. Depois a rainha de Sabá partiu e voltou com sua comitiva para a sua terra.

FASCÍNIO QUE HIPNOTIZA
13. O ouro que Salomão recebia anualmente era de vinte e três mil e trezentos quilos,
14. sem contar o que recebia como tributo dos mercadores e do lucro dos comerciantes. Além disso, todos os reis da Arábia e todos os governadores do país também traziam ouro e prata para Salomão.
15. O rei Salomão fez duzentos escudos grandes de ouro batido, gastando seis quilos e meio em cada escudo,
16. trezentos escudos pequenos de ouro batido, gastando em cada um deles três quilos de ouro, e os colocou no salão chamado Floresta do Líbano.
17. O rei fez também um grande trono de marfim, e o recobriu de ouro puro.
18. O trono tinha seis degraus e um estrado de ouro, fixos no trono; tinha braços de um lado e outro do assento, com dois leões em pé, junto aos braços.
19. Doze leões estavam colocados de cada lado dos seis degraus. Nunca se havia feito coisa igual em nenhum outro reino.
20. Todas as taças que o rei Salomão usava para beber eram de ouro, e era também de ouro puro toda a baixela do salão da Floresta do Líbano, porque no tempo de Salomão a prata não tinha valor.
21. De fato, o rei tinha uma frota de navios que ia a Társis com os funcionários de Hiram. A cada três anos, os navios voltavam de Társis carregados de ouro, prata, marfim, macacos e pavões.
22. E o rei Salomão superou em riqueza e sabedoria todos os reis da terra.
23. Todos os reis do mundo queriam ser recebidos por Salomão, para aprender a sabedoria que Deus lhe tinha dado.
24. E todos os anos, cada um deles trazia, como presente, objetos de prata e ouro, mantas, armas e aromas, cavalos e mulas.

APARATO MILITAR
25. Salomão tinha em seus estábulos quatro mil cavalos de tração, carros, e doze mil cavalos de montaria. Colocou tudo nas cidades dos carros e junto do rei em Jerusalém.
26. O domínio do seu reino ia desde o rio Eufrates até a terra dos filisteus e a fronteira com o Egito.
27. O rei fez com que a prata fosse tão comum em Jerusalém quanto as pedras, e os cedros como os sicômoros da Planície.
28. Os cavalos de Salomão eram importados do Egito e de outros países.

MORTE DE SALOMÃO
29. O resto da história de Salomão, do começo ao fim, está escrito na história do profeta Natã, nas profecias de Aías de Silo e na visão que Ido, o vidente, teve sobre Jeroboão, filho de Nabat.
30. Salomão reinou em Jerusalém sobre todo o Israel, durante quarenta anos.
31. Depois Salomão morreu e foi enterrado na Cidade de Davi, seu pai. E seu filho Roboão lhe sucedeu no trono.

[II Crônicas 10]IV. DIVISÃO DO POVO

II Crônicas 10

REVOLTA APROVADA POR JAVÉ
1. Roboão foi para Siquém, pois todo o Israel se dirigira para lá a fim de proclamá-lo rei.
2. Jeroboão, filho de Nabat, estava no Egito, para onde tinha fugido do rei Salomão. Ao saber da notícia, ele voltou do Egito,
3. porque haviam mandado chamá-lo. Ele se reuniu com todo o Israel, e disse a Roboão:
4. "Seu pai impôs sobre nós um fardo muito pesado. Se você nos aliviar da dura escravidão e do fardo pesado que ele nos impôs, nós serviremos a você".
5. Roboão respondeu: "Venham me procurar daqui a três dias!" E o povo foi embora.
6. O rei Roboão pediu conselho aos anciãos que tinham servido ao seu pai Salomão, durante todo o tempo em que este vivia. Roboão perguntou-lhes: "Que resposta vocês me aconselham a dar para esse povo?"
7. Eles disseram: "Se você se mostrar bom para com esse povo, se você for benevolente e souber falar com ele, todos serão seus súditos por toda a vida".
8. Roboão, porém, desprezou o conselho dos anciãos e foi aconselhar-se com os jovens que haviam crescido junto com ele e que o serviam.
9. Roboão perguntou-lhes: "O que é que vocês me aconselham a responder a esse povo? Ele me pediu: 'Alivie para nós o jugo que seu pai nos impôs' ".
10. Os jovens que haviam crescido com ele disseram: "Esse povo lhe disse: 'Seu pai tornou pesado o nosso fardo; alivie esse fardo que pesa sobre nós'. Pois bem, responda para ele: 'Meu dedo mínimo é mais grosso do que a cintura do meu pai.
11. Meu pai sobrecarregou vocês com um fardo pesado, mas eu aumentarei ainda mais esse fardo. Meu pai castigou vocês com chicotes, e eu castigarei vocês com ferrões' ".
12. Daí a três dias, conforme o rei tinha pedido, Jeroboão e todo o povo foram procurar Roboão.
13. O rei respondeu duramente ao povo. Desprezando o conselho que os anciãos lhe haviam dado,
14. falou conforme o conselho dos jovens: "Meu pai sobrecarregou vocês com fardo pesado. Pois bem! Eu aumentarei esse fardo sobre vocês. Meu pai castigou vocês com chicotes, e eu castigarei vocês com ferrões".
15. O rei não deu ouvido ao povo. Essa disposição partiu de Deus, para realizar o que Javé dissera a Jeroboão, filho de Nabat, por meio de Aías de Silo.
16. Vendo que o rei não tinha dado ouvidos ao povo, todo o Israel disse ao rei: "O que temos nós com Davi? Não temos herança com o filho de Jessé. Volte para as suas tendas, Israel. Agora cuide de sua casa, Davi". E todo o Israel voltou para suas tendas.
17. Quanto aos israelitas que moravam nas cidades de Judá, continuaram submetidos a Roboão.
18. Então o rei Roboão enviou Aduram, chefe dos trabalhos forçados, mas os israelitas o apedrejaram, e ele morreu. O rei Roboão conseguiu subir no seu carro e fugiu para Jerusalém.
19. E Israel se revoltou contra a casa de Davi, até o dia de hoje.

[II Crônicas 11]II Crônicas 11

1. De volta a Jerusalém, Roboão reuniu a casa de Judá e de Benjamim. Eram cento e oitenta mil guerreiros para lutar contra Israel e reconquistar o reino para Roboão.
2. Então a palavra de Javé foi dirigida a Semeías, homem de Deus:
3. "Diga a Roboão, filho de Salomão, rei de Judá, e a todo o Israel que está em Judá e Benjamim:
4. 'Assim diz Javé: Não subam para lutar contra seus irmãos. Volte cada um para sua casa, porque tudo o que aconteceu foi por minha decisão' ". Eles obedeceram à palavra de Javé, regressaram e desistiram de combater contra Jeroboão.

DEFENDENDO O QUE RESTOU
5. Roboão ficou morando em Jerusalém e começou a construir cidades fortificadas em Judá.
6. Restaurou Belém, Etam, Técua,
7. Betsur, Soco, Odolam,
8. Gat, Maresa, Zif,
9. Aduram, Laquis, Azeca,
10. Saraá, Aialon e Hebron. Eram cidades fortificadas em Judá e Benjamim.
11. Reforçou a defesa das cidades e colocou um comandante em cada uma, assim como depósitos de alimentos, azeite e vinho.
12. Todas as cidades tinham escudos e lanças; estavam perfeitamente armadas. E Roboão reinou sobre Judá e Benjamim.

JERUSALÉM É O LUGAR DO CULTO A JAVÉ
13. Os sacerdotes e levitas que se achavam em todo o Israel deixavam seu território para unir-se a Roboão.
14. Os levitas abandonaram suas terras e propriedades e foram morar em Judá e Jerusalém, pois Jeroboão e seus filhos haviam proibido a eles de exercer o sacerdócio de Javé.
15. Ele próprio nomeava sacerdotes para os lugares altos e para o culto dos sátiros e dos bezerros que ele fabricou.
16. Em conseqüência disso, pessoas de todas as tribos de Israel que tinham vontade de procurar a Javé, o Deus de Israel, iam até Jerusalém para oferecer sacrifícios a Javé, Deus dos seus antepassados.
17. Essas pessoas reforçaram o reino de Judá e confirmaram Roboão, filho de Salomão. Isso durou três anos, tempo em que ele foi fiel ao caminho de Davi e Salomão.

ESPERTEZA POLÍTICA
18. Roboão casou-se com Maalat, filha de Jerimot, o qual era filho de Davi com Abigail, filha de Eliab, que era filho de Jessé.
19. Maalat deu a Roboão os seguintes filhos: Jeús, Somorias e Zoom.
20. Depois ele se casou com Maaca, filha de Absalão, a qual lhe gerou Abias, Etai, Ziza e Solomit.
21. Roboão gostava de Maaca, filha de Absalão, mais que de todas as outras suas mulheres e concubinas. Ele teve dezoito mulheres e sessenta concubinas, e gerou vinte e oito filhos e sessenta filhas.
22. Como chefe de todos eles, Roboão colocou Abias, filho de Maaca. Ele devia comandar seus irmãos porque estava destinado a ser rei.
23. Roboão foi esperto e distribuiu seus filhos por todas as regiões de Judá e Benjamim, especialmente nas cidades fortificadas, forneceu-lhes bastante alimento e arranjou esposas para eles.

[II Crônicas 12]II Crônicas 12

ROBOÃO E A DECADÊNCIA
1. Quando Roboão consolidou seu reinado e se tornou forte, abandonou a Lei de Javé. E todo o Israel seguiu o exemplo dele.
2. No quinto ano do reinado de Roboão, Sesac, rei do Egito, atacou Jerusalém, pois ela tinha sido infiel a Javé.
3. O exército de Sesac tinha mil e duzentos carros, sessenta mil cavaleiros e um exército incontável, formado de líbios, suquitas e etíopes, que vieram do Egito com ele.
4. Sesac tomou as cidades fortificadas de Judá e chegou até Jerusalém.
5. O profeta Semeías procurou Roboão e os chefes de Judá que se haviam recolhido em Jerusalém por medo de Sesac. E Semeías disse a eles: "Assim diz Javé: Vocês me abandonaram! Por isso, eu abandono vocês nas mãos de Sesac".
6. Então os chefes de Israel e o rei se humilharam e responderam: "Javé está certo".
7. Ao ver que eles se tinham humilhado, Javé dirigiu sua palavra a Semeías, dizendo: "Eles se humilharam, e por isso não vou liquidá-los. Vou logo deixar que escapem e não derramarei minha cólera contra Jerusalém, por meio de Sesac.
8. Eles, porém, ficarão submetidos a Sesac, e saberão qual é a diferença entre servir a mim e servir aos reis das terras".
9. Sesac, rei do Egito, atacou Jerusalém e carregou tudo o que havia no tesouro do Templo de Javé e do palácio, inclusive os escudos de ouro que Salomão tinha feito.
10. Depois Roboão mandou fazer outros escudos de bronze, para colocá-los nas mãos dos comandantes dos guardas que vigiavam a porta do palácio.
11. Toda vez que o rei ia ao Templo de Javé, os guardas empunhavam os escudos. Em seguida, os colocavam de novo na sala dos guardas.
12. Porque o rei se humilhou, a ira de Javé voltou atrás e não destruiu tudo. Mesmo em Judá aconteciam coisas boas.
13. E o rei Roboão pôde firmar-se em Jerusalém e continuar reinando. Ele tinha quarenta e um anos quando começou a reinar, e ficou por dezessete anos como rei em Jerusalém, cidade que Javé escolheu entre todas as tribos de Israel para aí colocar o seu Nome. A mãe dele chamava-se Naama e era amonita.
14. Roboão, porém, praticou o mal, porque não se dedicou de coração para servir a Javé.
15. A história de Roboão, do começo ao fim, está escrita na história do profeta Semeías e do vidente Ado. Sempre houve guerra entre Roboão e Jeroboão.
16. Roboão morreu e foi enterrado na Cidade de Davi. E seu filho Abias lhe sucedeu no trono.

[II Crônicas 13]V. FIDELIDADE DOS REIS DE JUDÁ

II Crônicas 13

ABIAS E O VERDADEIRO CULTO
1. Foi no décimo oitavo ano do reinado de Jeroboão que Abias começou a reinar em Judá,
2. e reinou três anos em Jerusalém. O nome de sua mãe era Micaías, filha de Uriel. Ela era natural de Gabaá.
3. Abias começou a batalhar com um exército de quatrocentos mil guerreiros valentes. E Jeroboão lutou contra ele com oitocentos mil guerreiros valentes.
4. Então Abias se colocou no alto do monte Semeron, na região montanhosa de Efraim, e gritou: "Jeroboão, israelitas, escutem-me!
5. Vocês não sabem que Javé, o Deus de Israel, entregou a Davi a realeza sobre Israel para sempre? Ele fez uma aliança inviolável com Davi e seus filhos.
6. Jeroboão, filho de Nabat, servo de Salomão, filho de Davi, revoltou-se contra o seu senhor.
7. Homens à-toa e sem valor se uniram a Jeroboão e se impuseram a Roboão, filho de Salomão. Roboão era moço e tímido, e não conseguiu se impor.
8. Agora vocês pensam em resistir à realeza de Javé, que os filhos de Davi exercem. Aí estão vocês, essa imensa multidão, acompanhando os bezerros de ouro que Jeroboão fabricou para serem deuses de vocês!
9. Será que vocês não expulsaram os sacerdotes de Javé, os filhos de Aarão e os levitas? Vocês nomearam sacerdotes como os povos pagãos: Quem levar um novilho e sete carneiros pode se tornar sacerdote de falsos deuses!
10. Quanto a nós, Javé é o nosso Deus, e nós nunca o abandonamos. Os descendentes de Aarão é que são os sacerdotes a serviço de Javé, e os levitas são os encarregados do culto.
11. Toda manhã e toda tarde, oferecemos holocaustos a Javé, incenso perfumado, pães arrumados sobre a mesa pura, e temos o candelabro de ouro com suas lâmpadas, que é aceso todas as tardes. Nós observamos as prescrições de Javé, o nosso Deus, que vocês abandonaram.
12. Saibam que Deus caminha à nossa frente. Seus sacerdotes com as trombetas darão o toque de guerra contra vocês. Israelitas, desistam de lutar contra Javé, o Deus dos seus antepassados! Vocês jamais poderão vencer!"
13. Enquanto isso, Jeroboão destacou uma patrulha para atacá-los pela retaguarda. O grosso do exército ficou na frente de Judá e a patrulha foi pela retaguarda.
14. Voltando-se, as tropas de Judá se viram atacadas pela frente e pelas costas. Então clamaram a Javé. Os sacerdotes tocaram a trombeta,
15. os homens de Judá lançaram o grito de guerra e, enquanto eles gritavam, Deus derrotou Jeroboão e todo o Israel diante de Abias e de Judá.
16. Os israelitas fugiram diante de Judá, e Deus os entregou nas mãos de Judá.
17. Abias e seu exército conseguiram uma grande vitória, pois de Israel morreram quinhentos mil guerreiros.
18. Nessa ocasião, os israelitas foram humilhados e os judaítas saíram vitoriosos, porque se apoiaram em Javé, Deus dos seus antepassados.
19. Abias perseguiu Jeroboão e tomou dele a cidade de Betel com arredores, Jesana com arredores, Efron com arredores.
20. No tempo de Abias, Jeroboão não conseguiu se recuperar. Por fim ele morreu, ferido por Javé.
21. Abias, porém, tornou-se cada vez mais poderoso. Teve catorze mulheres, que lhe deram vinte e dois filhos e dezesseis filhas.
22. O resto da história de Abias, suas obras e palavras, estão escritos no comentário do profeta Ado.
23. Depois Abias morreu e foi enterrado na Cidade de Davi. E seu filho Asa lhe sucedeu no trono. E no tempo de Asa o país ficou tranqüilo por dez anos.

[II Crônicas 14]II Crônicas 14

O REI ASA E A GARANTIA DE JAVÉ
1. Asa fez o que Javé seu Deus aprova e estima.
2. Acabou com os altares dos deuses estrangeiros e com os lugares altos, demoliu as estelas e derrubou os postes sagrados.
3. Ordenou aos judeus que buscassem a Javé, o Deus dos seus antepassados, e que praticassem as leis e mandamentos dele.
4. Acabou com os lugares altos e com os altares de incenso em todas as cidades de Judá. E o reino viveu tranqüilo durante todo o reinado dele.
5. Asa reconstruiu as cidades fortificadas de Judá, já que o país estava em paz e não fez nenhuma guerra nesses anos, porque Javé lhe deu descanso.
6. Asa disse a Judá: "Vamos reconstruir essas cidades, cercá-las de muralhas e torres, de portas e trancas. A terra ainda nos pertence, porque servimos a Javé, nosso Deus, e ele nos concedeu paz com os vizinhos". Executaram a reconstrução com pleno êxito.
7. Os soldados que Asa tinha a seu dispor eram, da parte de Judá, trezentos mil homens equipados de armaduras e lanças; e, da parte de Benjamim, duzentos e oitenta mil treinados para empunhar o escudo e manejar o arco. Todos eram valentes guerreiros.
8. Zara, o etíope, marchou contra Judá com um exército de um milhão de homens e trezentos carros. Quando chegou a Maresa,
9. Asa foi enfrentá-lo. E se prepararam para a luta no vale de Sefata, em Maresa.
10. Então Asa invocou Javé seu Deus, dizendo: "Javé, quando queres ajudar, não distingues entre poderosos e fracos. Ajuda-nos, então, Javé nosso Deus, pois nós nos apoiamos em ti, e em teu Nome vamos enfrentar essa multidão! Javé, tu és o nosso Deus. Não te deixes derrotar por um mortal".
11. Javé derrotou os etíopes à vista de Asa e de Judá. E os etíopes tiveram que fugir.
12. Asa e seu exército perseguiram os etíopes até Gerara. Todos foram mortos: não ficou nenhum sobrevivente. Foram estraçalhados quando quiseram enfrentar Javé e seu exército. Os homens de Judá recolheram muitos despojos.
13. Em seguida, atacaram as cidades vizinhas de Gerara, pois o terror de Javé tinha caído sobre elas. E as saquearam, pois havia nelas muitos despojos.
14. Atacaram também as moradias da zona rural, e levaram muitas ovelhas e camelos. Por fim, voltaram para Jerusalém.

[II Crônicas 15]II Crônicas 15

O REI ASA E A REFORMA RELIGIOSA
1. O espírito de Deus desceu sobre Azarias, filho de Oded.
2. Ele foi então ao encontro de Asa e lhe disse: "Asa e homens de Judá e Benjamim, escutem! Javé estará sempre com vocês, se vocês estiverem com ele. Se vocês o procurarem, ele se deixará encontrar. Mas se vocês o abandonarem, ele também os abandonará.
3. Por muito tempo Israel ficará sem o Deus verdadeiro, sem sacerdote para ensiná-lo, e sem lei.
4. Mas, em sua aflição, Israel voltará para Javé seu Deus, e o procurará. Então Javé se deixará encontrar por ele.
5. Nesse tempo, ninguém viverá em paz, pois todos os habitantes do país sofrerão grandes tribulações.
6. Nações e cidades se destruirão mutuamente, pois Deus os perturbará com toda espécie de tribulações.
7. Mas fiquem firmes, não desanimem, porque suas obras serão recompensadas."
8. Ao ouvir essa mensagem do profeta, Asa decidiu eliminar os ídolos imundos de todo o país de Judá e Benjamim, e das cidades que ele havia tomado na região montanhosa de Efraim. Depois restaurou o altar de Javé que estava diante do vestíbulo de Javé.
9. Reuniu os homens de Judá e Benjamim, bem como os de Efraim, Manassés e Simeão que moravam entre eles, pois muitos israelitas tinham passado para o lado de Asa, ao verem que Javé seu Deus estava com ele.
10. Essa assembléia se realizou em Jerusalém no terceiro mês do décimo quinto ano do reinado de Asa.
11. Nesse dia, ofereceram em sacrifício a Javé setecentos bois e sete mil ovelhas dentre os despojos que tinham recolhido.
12. Assumiram o compromisso de buscar a Javé, o Deus de seus antepassados, com todo o coração e com toda a alma.
13. Quem deixasse de buscar a Javé, o Deus de Israel, deveria ser morto, pequeno ou grande que fosse, homem ou mulher.
14. Fizeram juramento a Javé em voz alta e por aclamação, ao som de trombetas e trompas.
15. Judá inteiro ficou alegre com esse juramento, feito de todo o coração. Eles buscaram a Javé com sinceridade, e Javé se deixou encontrar por eles, e lhes deu paz com os vizinhos.
16. Maaca, avó do rei Asa, perdeu o título de Grande Dama, porque fizera um ídolo para Aserá. Asa quebrou e esmigalhou o ídolo e o queimou junto ao riacho do Cedron.
17. Os lugares altos não desapareceram de Israel, mas o coração de Asa foi íntegro durante toda a vida.
18. Ele levou para o Templo de Deus os objetos que seu pai tinha ofertado, como também as suas próprias ofertas em prata, ouro e objetos.
19. E até o trigésimo quinto ano do reinado de Asa não houve nenhuma guerra.

[II Crônicas 16]II Crônicas 16

A SEGURANÇA PODE CUSTAR CARO
1. Baasa, rei de Israel, no trigésimo sexto ano do reinado de Asa, marchou contra Judá, e fortificou Ramá, para cortar as comunicações com Asa, rei de Judá.
2. Então Asa tirou ouro e prata dos tesouros do Templo de Javé e do palácio, e os mandou para Ben-Adad, rei de Aram, que residia em Damasco, com esta mensagem:
3. "Vamos fazer um tratado de paz, como seu pai e o meu fizeram. Estou lhe mandando esta prata e este ouro, para que você rompa sua aliança com Baasa, rei de Israel, a fim de que ele saia do meu território".
4. Ben-Adad atendeu o rei Asa e mandou os comandantes do seu exército às cidades de Israel. Conquistou Aion, Dã, Abelmaim e todas as cidades-entrepostos da região de Neftali.
5. Ao receber essa notícia, Baasa desistiu de fortificar Ramá e fez parar as obras.
6. O rei Asa convocou Judá inteiro para carregar as pedras com que Baasa estava fortificando Ramá, e as aproveitou para fortificar Gaba e Masfa.
7. Nessa ocasião, o vidente Hanani procurou Asa, rei de Judá, e lhe disse: "Você se apoiou no rei de Aram, e não em Javé seu Deus! Por isso, o exército do rei de Aram vai escapar do seu controle.
8. Os etíopes e líbios também tinham numeroso exército com carros e cavalos. Você pediu socorro a Javé, e ele os entregou em suas mãos.
9. Os olhos de Javé percorreram a terra inteira para sustentar os que são sinceros para com ele. Desta vez você fez uma loucura. Por isso, daqui para a frente você viverá em guerra".
10. Asa ficou com raiva do vidente e mandou prendê-lo, porque suas palavras o irritaram. E, ao mesmo tempo, Asa começou a oprimir parte do povo.
11. A história de Asa, do começo ao fim, está escrita nos Anais dos Reis de Judá e Israel.
12. No trigésimo nono ano do seu reinado, Asa teve uma doença grave nos pés. Mesmo na doença, ele não recorreu a Javé, mas aos médicos.
13. Asa morreu no ano quarenta e um do seu reinado, e se reuniu com seus antepassados.
14. E o enterraram no túmulo que ele tinha mandado cavar para si mesmo na Cidade de Davi. Colocaram o seu corpo num leito cheio de aromas, essências e perfumes, e fizeram uma grande fogueira em sua honra.

[II Crônicas 17]II Crônicas 17

JOSAFÁ E A INSTRUÇÃO DO POVO
1. Josafá, filho de Asa, lhe sucedeu no trono e conseguiu se impor ao reino de Israel.
2. Colocou batalhões de soldados em cada cidade fortificada de Judá e nomeou governadores no território de Judá e nas cidades de Efraim, que tinham sido conquistadas por seu pai Asa.
3. Javé esteve com Josafá, pois sua conduta foi a mesma que seu pai tinha seguido no começo. E não serviu aos ídolos.
4. Ele buscou apenas o Deus do seu pai, comportou-se conforme os seus mandamentos e não imitou a conduta de Israel.
5. Javé firmou o reino nas mãos dele. Judá inteiro pagava tributo a Josafá, de modo que ele adquiriu muita riqueza e prestígio.
6. Seu coração se manteve nos caminhos de Javé. E Josafá eliminou do território de Judá os lugares altos e postes sagrados.
7. No terceiro ano do seu reinado, ele mandou seus oficiais Ben-Hail, Abdias, Zacarias, Natanael e Miquéias para instruir as cidades de Judá.
8. Alguns levitas os acompanharam: Semeías, Natanias, Zabadias, Asael, Semiramot, Jônatas, Adonias e Tobias, além dos sacerdotes Elisama e Jorão.
9. Então, levando consigo o livro da Lei de Javé, eles começaram a ensinar em Judá. E percorreram todas as cidades de Judá, instruindo o povo.
10. O terror de Javé atingiu todos os reinos dos países vizinhos de Judá. E nenhum deles tentou fazer guerra contra Josafá.
11. Os filisteus lhe pagavam muito tributo em dinheiro. Até os árabes lhe traziam gado miúdo: sete mil e setecentos carneiros e sete mil e setecentos bodes.
12. Josafá foi ficando cada vez mais poderoso, e construiu fortalezas e cidades-entrepostos em Judá.
13. Dispunha de muita mão-de-obra nas cidades de Judá. Os guerreiros valentes residiam em Jerusalém.
14. Aqui está a relação deles segundo as famílias. Em Judá, os comandantes de mil eram os seguintes: Ednas, o chefe, com trezentos mil guerreiros.
15. Às suas ordens estavam Joanã, comandante de duzentos e oitenta mil guerreiros,
16. e também Amasias, filho de Zecri, que servia a Javé como voluntário e comandava duzentos mil guerreiros.
17. Em Benjamim, os comandantes de mil eram estes: Eliada, valente guerreiro, com duzentos mil homens armados de arco e escudo.
18. Às suas ordens estava Jozabad, com cento e oitenta mil homens disponíveis.
19. Todos esses estavam a serviço do rei, sem contar os homens que ele havia colocado nas fortalezas de Judá.

[II Crônicas 18]II Crônicas 18

O PROFETA É REALISTA
1. Josafá se tornou rico e poderoso, e se aliou com Acab, através de um casamento.
2. Alguns anos depois, ele foi visitar Acab em Samaria. Acab matou grande quantidade de ovelhas e bois, para ele e comitiva, e procurou convencê-lo a lutar contra Ramot de Galaad.
3. Acab, rei de Israel, disse a Josafá, rei de Judá: "Você quer vir comigo contra Ramot de Galaad?" Josafá respondeu: "Você e eu, seu exército e o meu, iremos juntos à guerra".
4. E acrescentou: "No entanto, consulte antes a resposta de Javé".
5. Então o rei de Israel reuniu seus profetas, cerca de quatrocentos homens. E perguntou a eles: "Devemos atacar Ramot de Galaad, ou não?" Eles responderam: "Vá! Deus entregou Ramot de Galaad em suas mãos".
6. Josafá, porém, disse: "Não existe outro profeta de Javé para consultarmos?"
7. O rei de Israel respondeu a Josafá: "De fato, existe ainda outro homem, por meio de quem podemos consultar Javé. Mas eu tenho ódio dele, pois nunca diz coisas agradáveis para mim; só anuncia desgraças! É Miquéias, filho de Jemla". Josafá disse: "Não fale assim".
8. Então o rei de Israel chamou um funcionário e lhe disse: "Depressa! Traga aqui Miquéias, filho de Jemla".
9. O rei de Israel e Josafá, rei de Judá, ficaram sentados, cada um no seu trono e vestidos com seus mantos reais. Estavam na praça defronte da porta da cidade de Samaria, enquanto os profetas pronunciavam suas profecias.
10. Sedecias, filho de Canaana, fez para si dois chifres de ferro, e disse: "Assim diz Javé: 'Você ferirá os arameus com estes chifres, até destruí-los' ".
11. Todos os outros profetas prediziam: "Ataque Ramot de Galaad. Você triunfará, pois Javé a entregará nas mãos do rei".
12. Enquanto isso, o mensageiro que tinha ido chamar Miquéias, disse ao profeta: "Leve em conta que todos os profetas estão profetizando felicidade para o rei! Faça como eles. Anuncie felicidade".
13. Miquéias respondeu: "Juro por Javé, que só falarei o que meu Deus me disse".
14. Ao chegar aonde estava o rei, este foi logo perguntando: "Miquéias, devemos combater Ramot de Galaad, ou não?" Miquéias respondeu: "Podem ir. Vocês triunfarão; eles serão entregues em suas mãos".
15. O rei, porém, disse a Miquéias: "Quantas vezes tenho que fazer você jurar para que me diga somente a verdade em nome de Javé?"
16. Então Miquéias respondeu: "De fato, eu vejo Israel espalhado pelas montanhas, como rebanho sem pastor. E Javé me diz: 'Eles não têm mais chefe. Volte em paz cada um para sua casa' ".
17. O rei de Israel comentou com Josafá: "Não lhe disse? Ele nunca me profetiza felicidade! Só anuncia desgraças!"
18. Miquéias, porém, continuou: "Escutem a palavra de Javé: Eu vi Javé sentado em seu trono e todo o exército do céu, em pé, à sua direita e à esquerda.
19. Então Javé perguntou: 'Quem poderá enganar Acab, o rei de Israel, para que ele ataque e morra em Ramot de Galaad?' Um respondia isso, outro respondia aquilo.
20. Então o espírito colocou-se diante de Javé e disse: 'Eu posso enganá-lo!' Javé perguntou: 'Como?'
21. Ele respondeu: 'Eu vou lá e me transformo num espírito de mentira na boca de todos os profetas do rei'. E Javé disse: 'Você conseguirá enganá-lo. Vá e faça isso'.
22. Foi assim que Javé colocou um espírito de mentira na boca desses seus profetas, porque Javé decretou a ruína de você".
23. Então Sedecias, filho de Canaana, chegou perto de Miquéias e lhe deu um tapa na boca, dizendo: "De que maneira o espírito de Javé saiu de mim para falar a você?"
24. Miquéias respondeu: "Você o verá no dia em que você estiver se escondendo de quarto em quarto".
25. O rei de Israel ordenou: "Prendam Miquéias, e o entreguem a Amon, governador da cidade, e a Joás, filho do rei,
26. com a seguinte ordem do rei: 'Coloquem esse indivíduo na prisão e dêem a ele o mínimo de comida e bebida, até que eu volte vitorioso' ".
27. Miquéias disse: "Se você voltar vitorioso, é porque Javé não falou através de mim".
28. O rei de Israel e Josafá, rei de Judá, atacaram Ramot de Galaad.
29. O rei de Israel disse a Josafá: "Vou me disfarçar para entrar em combate. Você vá com suas próprias roupas". O rei de Israel se disfarçou. E começaram o combate.
30. O rei de Aram tinha dado ordem aos comandantes de carros, dizendo: "Não ataquem ninguém, nem grande nem pequeno. Lutem só contra o rei de Israel".
31. Quando os comandantes de carros viram Josafá, pensaram que ele era o rei de Israel e concentraram a luta em torno dele. Então Josafá gritou e Javé o socorreu, afastando dele os arameus.
32. Os comandantes de carros perceberam que ele não era o rei de Israel, e se afastaram.
33. Alguém atirou uma flecha ao acaso e atingiu o rei de Israel bem no vão da articulação da armadura. Então o rei disse ao condutor do carro: "Dê a volta e me tire da linha de combate, porque estou ferido".
34. Mas o combate nesse dia se tornou mais violento, e o rei de Israel teve de ficar em pé no seu carro diante dos arameus, até à tarde. Ao pôr-do-sol, ele morreu.

[II Crônicas 19]II Crônicas 19

1. Josafá, rei de Judá, voltou são e salvo para o seu palácio em Jerusalém.
2. O vidente Jeú, filho de Hanani, foi ao seu encontro e disse: "Você precisava mesmo ajudar um injusto? Como pode você amar aqueles que odeiam a Javé? É por isso que Javé está indignado contra você.
3. Apesar de tudo, você tem algo de bom, pois derrubou os postes sagrados que havia no país, e manteve seu coração na busca de Deus".

SER JUSTO NO EXERCÍCIO DA JUSTIÇA
4. Josafá, rei de Judá, morava em Jerusalém, mas resolveu sair daí para ir ao encontro do povo, desde Bersabéia até a região montanhosa de Efraim, a fim de convertê-lo para Javé, o Deus de seus antepassados.
5. Josafá nomeou juízes para cada uma das cidades fortificadas de Judá.
6. E disse aos juízes: "Cuidado com o que vocês fazem, porque não vão julgar em nome dos homens, mas em nome de Javé. Ele estará com vocês, quando pronunciarem uma sentença.
7. Portanto, temam a Javé e procedam com cuidado, porque Javé, nosso Deus, não admite injustiça, favoritismo ou suborno".
8. Além disso, em Jerusalém, Josafá nomeou alguns levitas e sacerdotes, assim como alguns chefes de famílias israelitas, para pronunciarem as sentenças de Javé e julgarem os processos. Todos esses moravam em Jerusalém.
9. E Josafá lhes deu a seguinte ordem: "Desempenhem sua função com o temor de Javé, dentro da verdade e de coração íntegro.
10. Seus irmãos que habitam em suas cidades virão trazer a vocês processos de assassínio, ou consultar vocês sobre a Lei ou sobre algum mandamento, sobre estatutos ou normas. Resolvam tudo, para que eles não se tornem culpados diante de Javé, nem sua ira se inflame contra vocês e seus irmãos. Se agirem assim, vocês ficarão livres de culpa.
11. O sacerdote-chefe Amarias será o chefe de vocês em todos os assuntos religiosos. E Zabadias, filho de Ismael, chefe da casa de Judá, dirigirá as questões civis. Os levitas ficarão a serviço de vocês como escrivães. Coragem e mãos à obra! E Javé esteja com quem é bom".

[II Crônicas 20]II Crônicas 20

DEUS DÁ A VITÓRIA PARA SEUS ALIADOS
1. Tempos depois, os amonitas, moabitas e alguns meunitas foram lutar contra Josafá.
2. Então informaram a Josafá: "Uma grande multidão do outro lado do mar, do país de Edom, está vindo contra você. Eles estão em Asasontamar, que é Engadi".
3. Josafá ficou com medo e recorreu a Javé, proclamando um jejum para Judá inteiro.
4. Então o povo de todas as cidades de Judá se reuniu para pedir conselho a Javé.
5. E Josafá se colocou diante da assembléia de Judá e dos habitantes de Jerusalém, reunida no Templo de Javé. De pé, diante do pátio novo,
6. Josafá exclamou: "Javé, Deus dos nossos antepassados, não és tu o Deus que está no céu? Não és tu que governas os reinos das nações? Em tuas mãos está o poder e a força, e ninguém pode resistir a ti!
7. Não foste tu, Deus nosso, que expulsaste os antigos habitantes desta terra em favor do teu povo Israel, e a entregaste para sempre aos descendentes do teu amigo Abraão?
8. Aqui eles passaram a morar e construíram aqui um santuário para o teu Nome, pensando:
9. 'Se nos acontecer alguma desgraça, guerra, castigo, peste ou fome, viremos a este Templo, diante de ti, pois o teu Nome está neste Templo. Do fundo de nossa angústia clamaremos a ti, e tu nos ouvirás e salvarás'.
10. Aí estão os amonitas, moabitas e habitantes da montanha de Seir. Quando Israel vinha do Egito, não deixaste que ele atravessasse o território deles. Ao invés de destruí-los, Israel se afastou deles.
11. Agora aí estão eles. Querem expulsar-nos da propriedade que nos deste como herança!
12. Deus nosso, tu não vais julgá-los? Nós não podemos fazer nada contra essa multidão enorme que nos ataca. Nós não sabemos o que fazer, e por isso nossos olhos se voltam a ti".
13. Judá inteiro estava de pé, com suas famílias, mulheres e filhos, na presença de Javé.
14. No meio da assembléia o espírito de Javé desceu sobre Jaziel, filho de Zacarias, filho de Banaías, filho de Jeiel, filho do levita Matanias, um dos filhos de Asaf.
15. Ele disse: "Prestem atenção, habitantes de Judá e Jerusalém, e você também, rei Josafá: Assim diz Javé: Não tenham medo e não se acovardem por causa dessa grande multidão. Essa guerra não é de vocês, mas de Deus.
16. Amanhã vocês descerão contra eles quando estiverem subindo a encosta de Cis. Vocês vão encontrá-los no fim do vale, diante do deserto de Jeruel.
17. Vocês nem terão que lutar! Fiquem firmes e parados, olhando como Javé salvará vocês. Judá e Jerusalém, não tenham medo nem se acovardem. Saiam amanhã ao encontro deles, e Javé estará com vocês".
18. Josafá prostrou-se com o rosto por terra, e todos os habitantes de Judá e Jerusalém se prostraram para adorar Javé.
19. Os levitas da família de Caat e da família de Coré começaram então a louvar em alta voz a Javé, o Deus de Israel.
20. De madrugada, foram para o deserto de Técua. Quando iam saindo, Josafá pediu a palavra e disse: "Escutem-me, habitantes de Judá e Jerusalém! Confiem em Javé, seu Deus, e estarão seguros. Confiem nos profetas dele; e tudo dará certo".
21. Depois de falar ao povo, Josafá encarregou um grupo com vestes sagradas para marchar na frente do batalhão, cantando e louvando a Javé com estas palavras: "Agradeçam a Javé, porque o seu amor é para sempre".
22. Enquanto davam louvores com aclamações e cânticos, Javé armou uma emboscada contra os amonitas, moabitas e habitantes da montanha de Seir, que tinham vindo contra Judá. E todos eles foram derrotados.
23. Então amonitas e moabitas decidiram destruir e aniquilar os habitantes da montanha de Seir. E quando acabaram com eles, começaram a destruir-se mutuamente.
24. Quando os homens de Judá chegaram ao ponto de onde se avista o deserto, dispostos a enfrentar a multidão, viram pelo chão apenas cadáveres; ninguém havia escapado.
25. Então Josafá e seu exército saquearam os despojos. Encontraram muita coisa: mantimentos, gado, objetos de valor e roupas. Foram se apossando de tudo, até não poderem mais carregar. Ficaram três dias catando coisas, porque havia muito que pegar.
26. No quarto dia, reuniram-se no vale da Bênção. Aí bendisseram a Javé. Por isso, chamaram o lugar Vale da Bênção, nome que permanece até o dia de hoje.
27. Por fim, todos voltaram para Jerusalém, com Josafá à frente. Estavam cheios de alegria, porque Javé lhes tinha dado a vitória sobre os inimigos.
28. Chegando a Jerusalém, desfilaram até o Templo de Javé, ao som de liras, cítaras e trombetas.
29. E o terror de Deus caiu sobre todos os reinos da região, pois todos ficaram sabendo que Javé tinha combatido contra os inimigos de Israel.
30. O reinado de Josafá seguiu tranqüilo, porque Deus lhe concedeu paz com seus vizinhos.
31. Josafá reinou em Judá. Tinha trinta e cinco anos quando subiu ao trono. E reinou vinte e cinco anos em Jerusalém. O nome de sua mãe era Azuba, filha de Selaqui.
32. Josafá se comportou como seu pai Asa, e não se desviou, mas fez o que Javé aprova.
33. Os lugares altos, porém, não foram eliminados, e o povo não foi fiel ao Deus de seus antepassados.
34. O resto da história de Josafá, do começo ao fim, está escrito na História de Jeú, filho de Hanani, incluída no Livro dos Reis de Israel.
35. Josafá, rei de Judá, aliou-se com Ocozias, rei de Israel, que o levou a praticar o mal.
36. Aliou-se com ele para construir navios que fossem a Társis, e os construíram em Asiongaber.
37. Então o profeta Eliezer, filho de Dodias, da cidade de Maresa, profetizou assim contra Josafá: "Dado que você fez aliança com Ocozias, Javé destruirá o que você está fazendo". De fato, os navios naufragaram e não puderam seguir para Társis.

[II Crônicas 21]II Crônicas 21

1. Josafá morreu e foi enterrado com seus antepassados na Cidade de Davi. E seu filho Jorão lhe sucedeu no trono.

VI. TEMPOS DIFÍCEIS

JORÃO: GOVERNO DESASTROSO
2. Jorão tinha os seguintes irmãos, todos filhos de Josafá, rei de Israel: Azaria, Jaiel, Zacarias, Azarias, Miguel e Safatias.
3. Seu pai tinha dado a todos eles muitos presentes de prata, ouro e jóias, além de cidades fortificadas em Judá. Mas deixou o trono para Jorão, que era o mais velho.
4. Ao sentir-se seguro, após assumir o trono de seu pai, Jorão assassinou à espada todos os seus irmãos, além de alguns chefes de Israel.
5. Jorão tinha trinta e dois anos quando começou a reinar. E reinou oito anos em Jerusalém.
6. Imitou o comportamento dos reis de Israel, agindo como a casa de Acab, pois se havia casado com uma filha de Acab. Fez o que Javé reprova.
7. Javé não quis destruir a dinastia de Davi, por causa da aliança que tinha feito com ele e a promessa de manter sempre acesa sua lâmpada e a de seus filhos.
8. Durante o governo de Jorão, Edom proclamou-se independente de Judá e estabeleceu rei próprio.
9. Com seus comandantes e todos os carros de guerra, Jorão atravessou a fronteira. À noite, ele teve de se levantar para enfrentar os edomitas, que o cercaram e a todos os seus comandantes de carros.
10. Foi assim que Edom ficou independente de Judá, até o dia de hoje. Nessa mesma ocasião também Lebna se tornou independente